Nesse capítulo a nojenta da Bellatrix entra em cena (argh!)

CAPÍTULO 7

Harry melhorava com uma rapidez impressionante, chegando inclusive a surpreender os próprios médicos. Aliás, foi um imenso alívio para Lily, quando o neurocirurgião anunciou que o menino já estava fora de perigo e tornaria a desenvolver-se como qualquer outra criança de sua idade.

Para comprovar o que dizia, o médico removeu, por completo, as faixas que envolviam a cabeça do menino, deixando à mostra uma enorme cicatriz, próxima à nuca. Mas logo o cabelo tornaria a crescer, encobrindo a única lembrança daquele período terrível.

Mal cabendo em si de tanta felicidade, Lily decidiu dar a boa notícia pessoalmente a James, e não através de um frio telefonema. Por isso, assim que deixou o hospital, foi direto para o gigantesco edifício-sede da Inter-Kromell.

Dessa vez, porém, atravessou o luxuoso hall de mármore com total confiança, dando apenas um sorriso simpático para as recepcionistas, em vez de passar pelos burocráticos procedimentos de segurança. E, antes mesmo que chegasse ao elevador, a secretária pessoal de James já estava à sua espera, avisada pela própria recepção.

Renate derreteu-se em gentilezas e amabilidades, sem contudo parecer falsa ou afetada.

— O sr. Potter está em reunião — anunciou-lhe, assim que che garam ao andar da presidência. — Mas já o comuniquei sobre sua presença e ele irá recebê-la em poucos minutos.

— Obrigada.

— Gostaria de tomar algo? — ofereceu, sorridente, enquanto a conduzia para a mesma sala privativa da outra vez. — Café, chá ou algo gelado?

— Preferia utilizar o toalete primeiro — respondeu, retribuindo o sorriso. — Mas adoraria um suco de laranja com bastante gelo!

A secretária indicou-lhe uma porta à esquerda, retirando-se, em seguida, para providenciar o suco.

Minutos depois, Lily retornou à sala, deparando-se com uma morena alta e sensual, cuja imagem estava gravada para sempre em sua memória.

No mesmo instante, sentiu um tremor pelo corpo, como se tivesse levado um fortíssimo choque elétrico. Afinal, não estava preparada para reencontrar a diabólica e astuta Bellatrix Black sem nenhum aviso prévio.

Lily teve a impressão de que a cena congelou-se em seu cérebro, levando séculos para desenrolar-se, como um filme em câmara lenta. Dessa forma, presenciou, em detalhes, Bellatrix dando um beijo no rosto de James, que retribuiu o carinho com total intimidade.

A fisionomia dele era terna e suave, ferindo mais fundo o já despedaçado coração de Lily, que observava tudo impassível.

De repente, ambos perceberam que não estavam sozinhos na sala, o que lhe garantiu a vantagem de observar suas reações.

James disfarçou a surpresa, colocando a máscara de indiferença que já o caracterizava. Quanto à Bellatrix, ficou lívida e assustada, como uma criança surpreendida ao fazer uma arte. Mas o brilho de satisfação em seus olhos negros desmentia aquela pose de vítima.

— Lily? —Bellatrix disse, quase sem fôlego, dando prosseguimento à sua encenação. — Mal pude acreditar quando James contou-me que você havia retornado! Aliás, como está seu filho? — A ênfase na palavra "seu" não era acidental, fazia parte do característico jogo de nervos que usava para derrotar seus inimigos.

Só que, dessa vez, Lily não era a mesma moça ingênua e pura dos outros tempos. Estava preparada para a luta, ainda mais se isso significasse deixar Harry fora de toda aquela sujeira e falta de caráter.

Cheia de dignidade, ergueu a cabeça e aprumou os ombros, encarando a rival com ar superior.

— Harry está muito bem, obrigada! — respondeu, ríspida. Então deu um rápido olhar de ressentimento para James, logo esboçando um sorriso cínico. — Bem, vou esperar na outra sala enquanto terminam de se despedir. Até logo, Bella. Tenho certeza de que nos veremos muitas outras vezes. — "Não se eu puder evitar!", acrescentou, mentalmente.

Sem dar-lhes chance de retrucar, foi para a sala de Renate, que estava acabando de retornar, trazendo o suco.

Antes que moça lhe indagasse algo, agradeceu a gentileza e sentou-se numa das poltrona com o copo nas mãos. Parecia calma e bem-humorada, mas seu interior estava mais conturbado do que o centro de um furacão.

Passaram-se quase cinco minutos até que James viesse ao seu encontro, levando-a de volta à sala privativa. E, como no passado, não fez a menor tentativa para explicar-lhe nada.

Ele era o típico homem de sucesso, vestindo um terno Giorgio Armani salmão, camisa branca e gravata de seda francesa.

"As roupas fazem o homem!", pensou, relembrando um ditado popular para defini-lo. Porém sabia que James era capaz de exibir a mesma pose confiante, usando apenas calça jeans e camiseta. Então passou a preocupar-se com assuntos mais sérios...

"Se o relacionamento amoroso com Bellatrix Black ainda é uma realidade, minha presença ao seu lado só significa uma coisa: vingança!", concluiu, dominada pela raiva e decepção. "Isso me leva a crer que o amor verdadeiro não existe, ou pelo menos, não dura para sempre..."

— Como está Harry? — James indagou, demonstrando bastante interesse.

Lily ergueu os olhos para fitá-lo, deixando de lado aqueles amar gos devaneios sobre o amor.

— Melhorando — respondeu, seca. — O especialista assegurou que não haverá seqüelas.

Ele respirou aliviado.

Garças a Deus! — exclamou.

— Obviamente teria sido melhor se eu tivesse lhe transmitido a notícia por telefone... — desculpou-se, irônica, sem emocionar-se com a reação dele.

James arqueou um sobrancelha, desafiador.

— Por que "obviamente"?

— Bellatrix, é claro... E não me venha com aquelas cansativas explicações de que ela é apenas uma sócia! — prosseguiu, furiosa. — Já ouvi toda essa ladainha antes!

— Bella é uma valiosa amiga da família — disse, ignorando o que ela acabara de dizer.

— "Valiosa" é uma definição muito vaga, meu caro James! — retrucou, sarcástica. Estava dividida: uma parte queria provocá-lo e outra, esforçava-se para parecer calma e indiferente. No fundo, não admitia a hipótese de estar com ciúme.

— Talvez você possa oferecer-me uma outra explicação mais clara e objetiva — propôs, sacudindo os ombros com descaso.

— Ela quer você! — gritou, tremendo de ódio. — Sempre quis... No passado, atravessei seu caminho e acabei miseravelmente der rotada! — Fez uma pausa, para conter a onda de emoções que ameaçava levá-la às lágrimas. — Agora que voltei, Bellatrix não terá sossego enquanto não me destruir!

De súbito, passou a sentir uma vontade desesperada de ir embora daquele local, ficar sozinha, bem longe dos olhares irônicos e irre verentes de James. Sem qualquer pausa entre o pensamento e a ação, pegou a bolsa e correu para a porta, mas foi detida por mãos vigorosas.

Descontrolada, rebelou-se com todas as suas forças, sentindo-se como um único soldado diante de uma gigantesca muralha.

— Deixe-me ir! — implorou, entre soluços.

Aquele pedido não o comoveu, pelo contrário, James apertou ainda mais seus braços delicados, para certificar-se de que ela não conseguiria fugir.

Emocionalmente abalada, Lily entregou-se ao pranto, num de sabafo doloroso de tudo o que vinha lhe acontecendo... Chorou pela saúde de Harry, pelo seu casamento destruído, pelo caso de James com Bellatrix e, sobretudo, por continuar a amá-lo apesar de suas traições...

Se houve algo de positivo naquele choro, foi a capacidade de desconcertar James por completo, derrotando sua autoconfiança e capacidade de ação. Perplexo, ele envolveu-a num abraço, beijando seus cabelos perfumados.

Em seguida, passou a massagear suas costas e nádegas com mo vimentos eróticos, tentando enveredar por caminhos mais sensuais para consolá-la...

Lily precisava detê-lo imediatamente, antes que sucumbisse aos próprios impulsos sexuais...

— Sexo no escritório? — indagou, áspera, parando de chorar.

— O que Renate irá pensar disso? Ou será que já está acostumada com... Bem, digamos "as indiscretas diversões do chefe"?

Como havia previsto, aquela provocação agiu como um balde de água fria nos planos de James, fazendo-o soltá-la no mesmo ins tante.

— Modere sua língua — ameaçou, irado.

Lily sorriu com deboche, arriscando-se cada vez mais naquele campo até agora desconhecido para ela, o do cinismo.

— Posso imaginar quantas mulheres já dividiram sua mesa de trabalho, bem como sua cama, nos últimos sete anos...

James ficou lívido como papel, porém, recuperando o autocontrole, retrucou:

— Quer que eu lhe faça uma lista?

A hipótese de que ele pudesse ter dado a uma outra mulher o mesmo tipo de carinho e prazer que lhe proporcionava, já era por demais dolorosa. Contudo, imaginá-lo com uma porção de mulheres era insuportável!

Tinha que sair dali de qualquer maneira! E, caso não conseguisse, acabaria passando, de novo, pelo humilhante constrangimento das lágrimas. Por isso, aproveitando de uma distração dele, deixou a sala a passos largos, sem olhar para trás uma única vez.

Agindo por instinto, pegou o carro e saiu em disparada para Kensington Palace Gardens, chegando quase a bater em outros veículos por umas duas vezes. Então, assim que viu-se a salvo na casa de James, trancou-se no quarto e discou alguns números no telefone.

Logo, ouviu a voz alegre e familiar de Sarah, iniciando uma longa e relaxante conversa sobre amenidades. Aos poucos, foi re cuperando o bom senso e a tranqüilidade, conseguindo até rir das brincadeiras da amiga.

— Precisa vir jantar aqui em casa com Brad — Lily insistiu, recebendo uma resposta afirmativa de Sarah. — Então vou combinar o dia com James e volto a lhe telefonar.

— Perfeito! — a outra exclamou, simpática como de costume. — Dê um beijo extragrande em Harry por mim e diga-lhe que irei visitá-lo amanhã.

Assim que pôs o fone no gancho, deu um longo suspiro, voltando a preocupar-se com sua atribulada vida com James. Porém aquele pequeno intervalo tivera um efeito balsâmico sobre suas feridas, acal mando suas dores.

Naquela noite, o jantar transcorreu no mais absoluto silêncio, que brado apenas por alguns comentários banais ou elogios ao trabalho de Minerva. Pareciam dois completos estranhos, sentados na mesma mesa por puro acaso.

Ao final da refeição, cada qual foi para um canto da casa, à espera da hora certa para irem ao hospital, cumprir a sagrada visita noturna a Harry.

Durante o trajeto, o clima estava tão denso e carregado de res sentimento que nenhum dos dois animou-se a iniciar um diálogo. Parecia que a presença constrangedora de Bellatrix estava lá entre eles, impedindo-os de se entenderem.

Só mesmo o rosto alegre de Harry, aliado a sua evidente melhora, foi capaz de alterar o mau humor de ambos, fazendo-os esquecer seus dissabores.

— É muito legal, papai! Obrigado! — a criança exclamou, após receber um carro de controle remoto de ultima geração de James, que fazia questão de levar-lhe um presente todos os dias.

— Só quero vê-lo feliz, filho.

Ao retornarem à mansão, o clima entre eles estava menos tenso, porém ainda relutavam em dialogar, falando apenas o essencial. E, uma vez em casa, Lily foi direto para a cozinha, sendo seguida por James.

— Café? — ofereceu, enquanto colocava água e pó na cafeteira.

— Sim, obrigado.

— Prefere tomá-lo aqui ou na sala?

— Na sala.

Dez minutos depois, acomodava, sobre a mesa de centro da sala * de música, uma enorme bandeja com café, leite e biscoitos amanteigados, tendo o cuidado de sentar-se bem longe de James.

— Recebemos um convite para jantar amanhã à noite — informou-a, enquanto ela lhe entregava a xícara com café. — Catherine e Sirius Black fazem questão de nossa presença.

Lily estremeceu, derrubando um pouco de açúcar fora de sua xícara.

— E quanto a Sienna? — perguntou, erguendo as sobran celhas de modo significativo. Depois, fingindo cansaço, declarou: — Sabe, não estou muito disposta para participar desses compromissos sociais.

A idéia de passar horas aturando as provocações daquela garota vulgar, ou, então, fingindo ser a esposa feliz de um casamento arruinado não era nem um pouco tentadora.

— A maioria dos homens estará acompanhada por suas esposas ou namoradas — retrucou, tentando convencê-la.

— Por que não convida Bellatrix Black? Tenho certeza de que ela terá um imenso prazer em acompanhá-lo! Desse modo, será disputado por duas mulheres equivalentes: Bellatrix e Sienna.

Ele mordeu o lábio, contendo a ira que ameaçava vir à tona, desde o final da tarde.

— Vou ignorar esse seu comentário, Lily.

— Mas por quê? — Seu jeito impetuoso a levou a indagar. — Não disse nenhuma mentira.

— Meca suas palavras, ou vai se arrepender muito... — ameaçou, embora sua voz estivesse calma e pausada.

— Não me ameace! — rebelou-se, corando de raiva.

— E apenas um aviso...

— E há diferença?

James a encarou com olhos penetrantes, apoiando as mãos sobre os joelhos, como se fosse um tigre prestes a agarrar sua vítima.

— Pare de me provocar... Está brincando com fogo!

— E aceitar a derrota? Nunca!

— Se deseja lutar... — James argumentou, perigosamente. — Vou satisfazer seus desejos. Mas não sei se ficará feliz com as con seqüências...

Lily sentiu uma dor lancinante no peito, que tornou sua respi ração lenta e difícil. Mesmo assim, seu orgulho ferido a impedia de ficar calada.

— Desculpe-me tê-lo subestimado, James — murmurou, fingindo arrependimento. — Esqueci que gosta de satisfazer todas as suas mulheres...

— O que a faz pensar assim, ruivinha! — Sua fisionomia expressava angústia e tristeza. Porém, numa fração de segundo, tornou a exibir a máscara de frieza e de autocontrole.

Lily estava entrando num terreno perigoso, contudo havia ido longe demais para retroceder agora...

— Nunca lhe ocorreu que você pode não mais fazer o gênero de homem que eu aprecio?

— Será que teve tantos amantes assim, após nossa separação, Lily?

— Muitos! — mentiu, ficando chocada com a própria ousadia. Queria feri-lo do mesmo modo que ele a magoara. Mas não estava pronta para aqueles jogos de mentiras e dissimulações que James e seus amigos sabiam jogar tão bem.

No íntimo, gostaria de dizer-lhe que jamais tivera outro homem em todos aqueles anos de solidão, sempre acalentando a esperança de reencontrá-lo. Porém, não conseguia pronunciar uma só palavra...

O mesmo aconteceu com ele, que ficou quieto em seu canto, com o olhar perdido e a mente a vagar, bem longe dali. Seu rosto estava livre de qualquer emoção, sendo impossível sondar o que lhe ia na alma.

— Passaram-se sete anos desde que nos separamos — Lily disse, por fim, tentando justificar-se. — Por acaso, ficou sozinho?

— Quer realmente continuar com esse assunto? — indagou, can sado.

— Dê-me uma boa razão para evitá-lo.

— Porque acabamos nos provocando, sem chegarmos a qualquer resultado positivo. — Sua voz parecia calma, porém seus olhos eram severos e inflexíveis.

— Fugir do problema não vai ajudar a resolvê-lo — retrucou.

— Bem, nesse caso, podemos tratar desse assunto de uma outra forma... — insinuou, percorrendo cada curva do corpo de Lily com um olhar malicioso.

— Vá para o inferno! — explodiu, sabendo exatamente aonde ele gostaria de chegar.

Precisava sair dali o mais rápido possível, antes que o desejo que o consumia também a contaminasse, inviabilizando qualquer tentativa de resistência. Portanto, desistindo daquela discussão, virou-se e deixou a sala, rumo aos jardins.

Caminhou a passos largos por aqueles vastos domínios, tentando não pensar em nada. Quando deu por si, já estava nos portões da propriedade, sentindo-se como uma prisioneira, atrás daqueles muros altos e intransponíveis.

É claro que podia retornar à casa, apanhar a chave do carro e abrir o portão com o controle remoto. Mas onde poderia ir àquela hora da noite? Vagar, sem destino, pelas ruas desertas da cidade era totalmente insensato. Também era muito tarde para visitar Sarah, que poderia até estar trabalhando no hospital. Desanimada, girou nos calcanhares, refazendo todo o percurso de volta para a casa.

O ar estava quente, embora uma brisa suave soprasse do norte, agitando seus cabelos, e nuvens teimavam em encobrir a lua, num prenuncio de chuva.

Erguendo os braços para o alto, Lily respirou fundo, sentindo que precisava fazer algum tipo de exercício para expelir todas aquelas emoções negativas que a dominavam. E, lembrando-se da enorme piscina na parte posterior da mansão, dirigiu-se para lá.

Uma série de refletores, dispostos estrategicamente ao redor da piscina, conferiam um brilho translúcido e quase mágico à água, tornando-a ainda mais tentadora e irresistível.

Dando ouvidos apenas aos seus impulsos, jogou as roupas pelo gramado, mergulhando naquelas águas claras e convidativas apenas de lingerie de seda branca. Quase no mesmo instante, sentiu os efeitos benéficos daquele banho noturno, regozijando-se como uma criança travessa.

Após nadar por vinte minutos, recostou-se na borda de ardósia, torcendo os longos cabelos para retirar o excesso de água.

— Já é o bastante?

Lily virou-se, assustada, na direção da voz, encontrando a figura altiva e aristocrática de James Potter, poucos metros atrás.

— Por acaso não posso aproveitar a piscina? — indagou, para ganhar tempo, a fim de recuperar-se do impacto da presença dele.

— Pelo contrário, foi construída para o divertimento da família. — Então cravou os olhos no corpo seminu da esposa, tentando de vassar o que a lingerie molhada esforçava-se para esconder. — Posso ajudá-la a sair? — Sem esperar pela resposta, James estendeu-lhe a mão, tirando-lhe a possibilidade da recusa.

Num gesto maroto, Lily puxou-o para dentro da água, saindo da piscina, antes que ele se recuperasse da queda. E, rindo-se da brincadeira, pegou as roupas do chão e correu para dentro da casa, feliz como há muito tempo não se sentia.

À medida que aproximava-se do quarto, ia tomando consciência do que fizera, passando a temer as retaliações de James. Mesmo assim, no fundo da alma, achava que, ter visto aquela insólita careta no rosto dele, valia qualquer sacrifício.

Sem parar de rir, entrou debaixo do chuveiro, ensaboando o cabelo com um xampu de essência de flores. Em seguida, sem conseguir enxergar direito, por causa da espuma que lhe caía na face, procurou o sabonete, encontrando um braço peludo e cheio de músculos.

— Era isso que procurava?

Perplexa com aquela invasão, livrou-se da espuma, ficando ainda mais embasbacada ao vê-lo nu, como viera ao mundo.

— Pronta para a revanche, Lily?

Com a garganta seca e olhos arregalados, permaneceu imóvel, debaixo da ducha, até sentir a maciez daquela pele em contato com a sua.

Como gostaria de desaparecer pelo ralo, feito água, escapando daquele homem envolvente, que ensaboava seu corpo com a inti midade de quem conhecia todas as curvas e retas. Porém, àquela altura, era sabotada por seus próprios sentidos, que cediam ao inimigo com o maior prazer.

— Sinto pela piscina... — murmurou, numa tímida desculpa.

— Não diga nada... —: respondeu, calando-a com um beijo. Logo, estavam se amando, em meio a muita água e espuma, sendo transportados para um lugar onde não existe tempo nem espaço, apenas prazer e encantamento. Ali, envoltos pelas tênues nuvens cor-de-rosa da imaginação, toda fantasia é permitida, levando ao delírio supremo todos que con seguem descobri-lo...

Saboreando uma deliciosa cumplicidade, saíram do boxe, enxugando-se mutuamente com toalhas felpudas.

— Ah! James... — sussurrou, no que deveria ser um protesto, mas transformou-se num desabafo de prazer, enquanto ele a carregava para a cama.

Mais uma vez, deixaram que a luxúria guiasse seus atos, desempenhando um contínuo e cadenciado movimento de corpos, semelhante às ondas do mar, até saciarem por inteiro a fome de paixão que consumia suas almas...

Exaustos, mas ainda sentindo os efeitos inebriantes do amor, deitaram-se lado a lado, aguardando os ritmos cardíaco e respiratório voltarem ao normal.

Nesse momento, o peso da realidade desabou sobre a cabeça de Lily, transformando-a numa vítima das próprias acusações... Sentia-se péssima, por ter sucumbido aos encantos daqueles homem egoísta e traiçoeiro.

— Por quanto tempo conseguiremos manter essa situação insustentável? — ela indagou, com um fiapo de voz; porém suficiente para retratar as angústias e os tormentos que a estavam destruindo aos poucos.

— Sinto tê-la magoado... Jams admitiu, pela primeira vez após todos aqueles anos. Havia remorso e amargura em suas palavras, devassando a parte terna de sua alma, soterrada por uma montanha de frieza e falta de escrúpulos.

Lily buscou seus olhos, emocionada, disposta a perdoá-lo por tudo. Porém, para fugir daquele confronto, ele apagou as luzes, dizendo:

— Agora descanse, minha ruivinha...

Experimentando uma gloriosa sensação de alívio e felicidade, obe deceu, acoplando seu corpo nu ao dele.

O capítulo fechou com chave de ouro não foi? Adoro essa cena da piscina/chuveiro.

Até o capítulo 8!