Penúltimo capítulo!
CAPÍTULO 9
Tenho uma reunião de negócios está tarde na City*— James declarou, erguendo-se da mesa de café. — É provável que só volte para casa depois das sete.
— Naturalmente, Bellatrix é uma das acionistas que irá acom panhá-lo — comentou, com ciúme.
— Ela dirige uma das mais importantes empresas do nosso con glomerado — explicou, com indiferença. — Além disso, é uma exe cutiva dedicada e de grande valor.
— Ah! Sim! Ela é muito dedicada... — zombou, maliciosa, logo, acrescentando, com raiva: — Divirta-se!
Depois que James foi embora, Lily voltou para o quarto e vestiu-se com elegância para sair.
— Se ele pensa que vou ficar mofando em casa a sua espera, como fazia nos velhos tempos, está muito enganado! — disse, para si mesma, pondo um vestido frente-única amarelo, complementado por um par de sandálias da mesma cor. Então, após avisar Minerva que só voltaria no final da tarde, sumiu pelas ruas da cidade, dentro do seu BMW.
Primeiro, foi para o hospital, passando parte da manhã com Harry. Em seguida, almoçou numa lanchonete do shopping center mais próximo, aproveitando o intervalo, até o horário de visitas da tarde, para fazer algumas compras para as festas de fim de ano.
Por volta das cinco horas, voltou para casa, morrendo de vontade de tomar um banho e vestir roupas limpas. E foi o que fez.
Com os cabelos ainda úmidos, foi até a cozinha para ver o que Minerva estava preparando para o jantar.
A televisão portátil da copa estava ligada, anunciando um trágico desastre de helicóptero em City, o bairro financeiro de Londres. Não havia sobreviventes e os nomes do piloto e dos dois passageiros ainda não tinham sido revelados.
Lily ficou petrificada de pavor.
— City... — repetiu, num sussurro quase inaudível. James estaria lá, naquela tarde. E se ò helicóptero acidentado estivesse transportando seu marido e Belatrix Black?
— Meu Deus! Não pode ser! — exclamou, tremendo diante da quela possibilidade.
O fato de imaginá-lo preso entre as ferragens, sendo destruído pelo fogo, a fez sentir uma dor tão profunda como jamais pensara existir.
O telefone tocou, mas mal conseguiu ouvir, mergulhada num ocea no de sofrimento e angústia. Então tudo começou a girar e, antes que pudesse apoiar-se em algo, perdeu os sentidos.
— Sra. Potter... — Uma voz soava fraca e distante. — Sra. Potter...
Lily abriu os olhos, sem lembrar o que havia acontecido. Aos poucos, foi percebendo que estava no assoalho da copa, com a cabeça apoiada no colo de Minerva, que fazia de tudo para despertá-la.
Logo a lembrança do acidente voltou como uma lança, dilacerando seu coração.
— Que bom que acordou! — a boa mulher agradeceu, fazendo o sinal da cruz. — Ainda bem que o sr. Potter está para chegar!
— James? — indagou, num misto de esperança e incredulidade.
— Sim, ele acabou de ligar, avisando que estaria aqui em vinte minutos. As palavras penetraram em seu cérebro, porém estava tão confusa e atordoada que foi incapaz de compreender seu significado.
— O que disse?
Minerva repetiu a mensagem, preocupada com Lily.
Percebendo que tudo não passara de um mal-entendido, ela sorriu e fez uma prece silenciosa a Deus. Ao mesmo tempo, suas forças voltaram e pôde levantar-se, sentindo apenas uma leve tontura.
— Está tudo bem? — a mulher indagou, servindo-lhe de apoio.
— Sim... Não se preocupe... Foi apenas cansaço...
Com a ajuda de Minerva, retornou para o quarto, para recuperar-se melhor daquele tremendo susto.
"Como posso amar, com tanta intensidade, um homem que merece meu mais profundo ódio e desprezo?", acusou-se, caindo num choro doloroso. Logo, a voz da consciência lembrou-a de que amor e ódio eram sentimentos muito fortes, que andavam sempre lado a lado.
Minutos mais tarde, a porta abriu-se com violência e James entrou, apressado, com uma expressão enigmática no rosto.
— Como está, Lily? — quis saber, notando a palidez excessiva da esposa. — Minerva contou-me o que houve. Acho melhor chamar um médico.
— Não é preciso... — murmurou, com a respiração ofegante. — Já estou bem... Foi apenas um susto...
— Susto? Harry está bem?
— Sim... Assustei-me com outra coisa — respondeu, constrangida por dizer-lhe a verdade.
— Então o que foi? — perguntou, sentando-se na borda da cama.
— Sabe... Vi a notícia sobre o acidente em City e... — Constrangida, não conseguiu continuar, virando o rosto para o outro lado.
Num segundo, James compreendeu o que se passara, acariciando o braço da esposa com ternura.
— Pensou que eu fosse uma das vítimas? Ora, Lily, como diz aquele velho ditado: "vaso ruim não quebra".
— Não brinque com isso! — ralhou. — Fiquei com medo de que tivesse lhe acontecido algo! — Assim que terminou a frase, calou-se, arrependida. Afinal aquela era uma perfeita declaração de amor. Em desespero, voltou a chorar.
— Pare com isso, querida — disse, abraçando-lhe com carinho. Aos poucos, as lágrimas foram secando, mas Lily não tinha coragem de fitá-lo. Temia que ele fizesse alguma brincadeira ou pior, tirasse proveito da situação.
Para sua surpresa, James agiu como se não tivesse notado o conteúdo revelador de suas palavras.
— Minerva irá servir seu jantar aqui no quarto — comunicou, indo para a porta.
— Não será necessário... — protestou, recebendo um olhar severo em resposta.
— Claro que sim! — insistiu, inflexível. — Agora, preciso dar alguns telefonemas internacionais... — Suas sobrancelhas arquearam-se, conferindo-lhe um ar malicioso. — Mas estarei de volta antes que você adormeça...
Lily encolheu-se na cama, sabendo exatamente o que ele queria dizer com aquilo... Contudo tinha que admitir que esperava ansiosa por aqueles momentos mais íntimos...
Os dias que se seguiram foram monótonos e rotineiros, divididos entre as visitas ao hospital e os cuidados domésticos, pois, embora Minerva e Fillius fossem muito zelosos e competentes em suas funções, Lily queria imprimir um toque pessoal àquela casa, para dar-lhe o aspecto de lar. Contudo, depois do pôr do sol, sua vida passava por uma drástica metamorfose, sendo regida apenas pelo prazer e ero tismo...
Era impossível resistir aos encantos de James, um verdadeiro mestre na arte de fazer amor... E, noite após noite, Lily travava batalhas silenciosas consigo mesma, onde, invariavelmente, era a perdedora. Aliás parecia haver uma química perfeita entre seus cor pos, que se atraíam como imã, como se fossem duas partes de um mesmo ser.
A introspecção tornou-se uma atividade perigosa, pois, quanto mais pensava sobre seu romance com James, mais rápido percebia que não estava ligada a ele apenas por desejo sexual, mas sim, por amor.
Ter consciência da verdade piorava tudo, duplicando seus conflitos e dúvidas... Como aceitar a sórdida presença de Bellatrix Black entre eles? Ainda manteriam um caso amoroso? Ou pior, será que alguma vez chegaram a ter outro tipo de envolvimento que não fosse o profissional?
Meu Deus! Aquela última pergunta dilacerava seu coração! Pois, caso o affair James -Bellatrix nunca tivesse existido, sofrerá inu tilmente, durante todos aqueles anos, afastando-se do homem que amava, além de privá-lo do convívio com a filha.
Decidiu então dar um basta naquela triste e massacrante rotina. Não iria despender as horas que antecediam a visita a Harry, torturando-se com aquele mesmo tipo de pensamento.
Sem perder um segundo, trocou o confortável macaquinho de algodão de ficar em casa por um deslumbrante conjunto de saia e regata de crepe verde-claro, com sapato e bolsa marfim, prendendo os cabelos num rabo-de-cavalo. Então, munida de um par de óculos de sol de designer italiano, entrou no BMW e foi para a cidade, sem saber direito que rumo seguir.
Acabou indo às ruas de comércio mais caras e elegantes de Londres, disposta a terminar as compras de Natal. Porém, após quase duas horas de caminhada, só havia comprado um vidro do perfume francês preferido de Sarah, um jogo para Harry e duas roupas para as festas de fim de ano. Faltava ainda o presente de James. Mas o que poderia dar para um homem que tinha tudo? Outra gravata de seda, mais uma camisa de linho?
O calor estava insuportável, e sua garganta seca implorava por um refresco bem gelado. Então, vendo que já passava da uma da tarde, decidiu almoçar ali mesmo, naquele bairro.
Logo depois, já estava num badalado restaurante francês, sabo reando uma deliciosa truta com amêndoas e alcaparras, acompanha das por batatas souté.
— Importa-se se eu acompanhá-la?
Lily ergueu os olhos, tendo uma das maiores surpresas de sua vida. Afinal, numa metrópole como Londres, onde não faltavam opções para os mais variados paladares, só podia ser uma brincadeira de mau gosto do destino, encontrar Bellatrix Black, em carne e osso, no mesmo restaurante.
— Se deseja... — respondeu, polida, porém com indiferença. O que mais poderia fazer naquela situação? Todas as mesas estavam ocupadas e, além do mais, não queria ser rude com a rival, em público, fato do qual Bellatrix saberia perfeitamente tirar vantagem.
— Fazendo compras? — indagou, enquanto os garçons retirava as sacolas da cadeira para que pudesse sentar-se.
— Sim. — E, como se devesse uma explicação, acrescentou: — É o Natal.
— James está terminando de assistir uma conferência, por isso vim antes — Bellatrix comunicou, querendo imprimir um toque de intimidade. Depois, olhando ao redor com ares aristocráticos, pros seguiu: — Esse é um lugar muito charmoso e seleto, não acha?
Sua intenção era dizer que Lily não estava qualificada para freqüentar o local. E, para não que não restasse a menor dúvida a esse respeito, indagou, cínica:
— Você não é freqüentadora desse restaurante, não é, querida?
— Não. Quando estou trabalhando, prefiro tomar um lanche no escritório mesmo — retrucou, com toda a calma do mundo.
Bellatrix ficou contrariada por não ter conseguido perturbá-la como havia planejado, mas logo partiu para outro ataque, muito mais direto e arrasador.
— Foi brilhante sua idéia de presentear James com uma criança com a idade correta para ser filha dele. Aliás, já o alertei para que fizesse um teste de DNA para ver se é mesmo o pai... — Deu um longo suspiro, examinando as unhas impecáveis, e voltou a dizer, com desdém: — Mas, afinal, não quero interferir nesses passageiros casos amorosos dele.
Lily manteve a calma, embora tivesse vontade de pular no pes coço de Bellatrix e fazê-la engolir cada palavra maldosa que dissera.
— Ah! Vejo que está mudando de estratégia! — Lily afirmou, fingindo surpresa.
— Do que está falando?
Naquele momento, as angústias e ressentimentos que vinha guar dando há mais de sete anos emergiram do fundo da alma, enchendo-a de coragem e dignidade para enfrentar sua rival.
— Minha cara Bellatrix, você não teve o menor escrúpulo em interferir no meu casamento com James no passado! Usou de todos os seus truques sujos e asquerosos para me destruir e eu, como uma tola, fugi!
Pela primeira vez, as posições haviam se invertido. Lily falava com tanta segurança e convicção, que a outra permaneceu quieta, sem ousar interrompê-la.
— Sei que sua sociedade com James é muito antiga, mas diz respeito apenas à área dos negócios! — tornou a dizer. — Além disso, não sou mais um "caso passageiro" como quis insinuar e, se não sabe, gostaria de informá-la que foi ele próprio quem insistiu em nossa reconciliação! Aliás, se acha que é tão importante assim na vida de James, nunca perguntou-se por que ele não se casou com você, depois que parti? Afinal teve vários anos para conquistá-lo...
— Bravo! — James exclamou, aproximando-se. Havia presenciado toda a discussão e seu rosto era uma estranha mistura de raiva com alegria, sendo impossível distinguir qual o sentimento predo minante.
— James! — Bellatrix cumprimentou, jovial, como se nada tivesse acontecido.
Ele ignorou a presença da sócia, preocupado apenas com a esposa, que parecia em choque.
— Podem me dar licença? — Lily pediu, levantando-se, antes que tivesse um acesso de raiva. Estava com ódio de Bellatrix por ser falsa e venenosa, e de James, simplesmente por estar ali.
— Aproveitem seu almoço! — declarou, pegando as sacolas e a bolsa. No entanto, ele a segurou pelos ombros, impedindo-a de mo ver-se.
Furiosa e constrangida com a cena, Lily sentiu os olhos cheios de lágrima, desesperada para sair daquele local antes que começasse a chorar.
— Por favor, deixe-me ir...
James deu-lhe um beijo quente e apaixonado, sem importar-se com as pessoas ao redor. Só então, permitiu que ela se fosse.
Mal alcançou a rua, as lágrimas desabaram, obrigando-a a pôr os óculos escuros para ocultar o pranto. Porém teria de recorrer a expedientes muito mais elaborados se quisesse fingir-se de alegre para Harry. Isso, sem mencionar que Sarah e Brad viriam jantar com eles, naquela noite. E, sua amiga, além de conhecê-la muito bem, era bastante perspicaz.
Por causa das compras para o Natal, o trânsito naquela parte da cidade estava meio lento, e ela levou quase uma hora para chegar até o hospital. E, graças a essa demora, Lily teve tempo para re cuperar o autocontrole, chegando até a sorrir. Quanto aos sinais do choro, escondeu-se debaixo de uma boa camada de maquiagem.
Harry já estava a sua espera, recebendo-a com um abraço carinhoso, que só ele era capaz de dar-lhe. Aliás, parecia muito bem-disposto e animado, além de ter uma série de novidades para contar à mãe sobre um novo paciente que chegara aquela manhã.
Embora aquelas visitas lhe dessem forças para continuar lutando, dessa vez, Lily mal conseguiu relaxar, com medo que o menino percebesse a tensão nervosa em que se encontrava.
Felizmente, tudo deu certo e, por volta das cinco da tarde, despediu-se do filho, sabendo que ainda teria de enfrentar os olhos ob servadores de Sarah.
Chegando em casa, verificou o cardápio com Minerva e decidiu tomar um bom banho de piscina para ver se conseguia livrar-se daquela tensão. Depois, vestiu-se com elegância e sobriedade, ten tando não pensar em nada do que acontecera no almoço.
Quando James abriu a porta do quarto, ela terminava de dar o último retoque na maquiagem. Nada poderia ser mais perfeito, pois, dessa forma, tinha a desculpa ideal para deixá-lo a sós, evitando uma discussão desnecessária àquela altura, em que os convidados estavam prestes a chegar.
— Vou ver se está tudo em ordem com Minerva — foi logo dizendo, sem dar-lhe chance de abrir a boca. — Espero por você na sala de estar.
Pouco tempo depois, Sarah e Brad chegaram, permitindo que Lily se esquivasse, por mais algumas horas, do inevitável confronto com James.
A refeição estava deliciosa, servindo de fundo para conversas agradáveis e divertidas. Porém, embora simpática e sorridente, Lily limitava-se a concordar com os comentários do grupo.
Já eram dez horas quando terminaram o jantar.
— Vou fazer café — comunicou, enquanto os outros ergueram-se da mesa.
— Vou ajudá-la — Sarah ofereceu-se, seguindo a amiga até a cozinha.
— Como vão as coisas? — Lily indagou, ao mesmo tempo que Sarah.
Ambas sorriram da coincidência, lembrando os bons tempos em que foram vizinhas.
— Você primeiro, Sarah — pediu, preparando a cafeteira elétrica.
— Por onde começo? — perguntou, olhando tudo ao redor, com seu jeito divertido. — Que sorte a sua, hein? Tudo isso aqui e ainda James em sua cama...
— Sarah! — protestou, dando uma boa gargalhada.
— Brad e James parecem ter um monte de coisas em comum, não acha? — disse, fazendo rodeios para entrar no ponto principal.
— Sabe, Brad é muito simpático e... Bem, gosto dele! — admitiu, enfim.
— Ótimo! E daí?
— Algumas vezes, acho que gostaria de me casar com ele, dando uma nova chance para minha vida amorosa — confidenciou, pensativa. — Mas tenho medo de arriscar tudo nesse relacionamento e sair perdendo de novo.
— Com o tempo vai saber como agir — Lily retrucou, procu rando confortá-la.
— E quanto a você? Quais são as novidades? — perguntou, re cuperando o tom alegre.
— Harry está quase bom e logo poderá vir para casa.
— Não foi isso que perguntei. — Sarah encarou a amiga, de modo terno e profundo, como se pudesse chegar ao seu coração.
— Sinto-me como um pêndulo, oscilando entre o ressentimento e o perdão — admitiu, sabendo que não conseguiria esconder nada de sua grande amiga e confidente.
— Você parece... — hesitou, analisando a amiga de alto a baixo.
— Fale logo.
— Por acaso, não está grávida?
Lily precisou sentar-se, para não cair de susto. Queria negar aquela suspeita, mas, fazendo algumas contas rápidas, ficou ainda mais pálida.
— Você tem a aparência de uma gestante nas primeiras semanas — Sarah observou, gentil. — Aliás, está com o mesmo rosto pálido e olhar perdido de quando nos conhecemos, durante a gravidez de Harry.
— Pode ser apenas cansaço... Sabe, as visitas ao hospital, o ca samento... — apresentou desculpas, sem estrutura emocional para enfrentar uma gravidez naquele momento. No entanto, por mais que tentasse iludir-se, os sintomas estavam todas ali: náuseas, tonturas, palidez... Ela é que estava distraída demais para pensar nessa hipó tese.
— O café está pronto — Sarah comunicou, tirando-a daquele estado letárgico.
Ambas sorriram, abraçando-se como se fossem irmãs. Então re tornaram à sala, levando o café e alguns biscoitos de baunilha.
Os homens estavam embalados numa conversa sobre política e mal perceberam o brilho especial no rosto das moças.
Por volta das onze, Sarah indicou que iam embora, explicando:
— Meu turno no hospital começa às sete.
Após os agradecimentos e despedidas de costume, os convidados partiram, deixando o terreno livre para o temido acerto de contas entre Lily e James.
Desejando adiar ainda mais aquele instante, ela começou a tirar os pratos da mesa, arrumando-os sobre a pia da cozinha.
— Deixe tudo como está — James recomendou, aborrecido com sua atitude. — Minerva poderá cuidar disso, amanhã cedo.
— Só vai levar um minuto — retrucou, arrumando cada vez mais coisas para fazer.
— Qual o problema, Lily? — indagou, obrigando-a a encará-lo.— Por que está fugindo de mim?
— Ora, por acaso, esqueceu-se do almoço com Bellatrix? Ele ergueu um das sobrancelhas, cínico.
— A que parte do almoço está se referindo?
— Odiei o modo como beijou-me em público, mostrando a todos que sou sua... Sua propriedade!
— Mas você é! — declarou, veemente. — Assim como sou seu!
— Está querendo me confundir?
— Apenas se não quiser encarar o óbvio. — James agarrou-a pelo braço, passando os lábios em torno do pescoço macio.
— Não me toque! — gritou, empurrando-o.
— Por que não?
— Porque só se importa em satisfazer seus desejos, sem se preo cupar com os meus sentimentos! Só quer se vingar de mim!
— É isso o que realmente pensa cada vez que a toco? — quis saber, atônito.
Lily lembrou-se do carinho e afeto como ele a acariciava, do quanto parecia extasiado ao possuí-la, da alegria que compartilhavam após cada momento de prazer... Não podia mentir para si mesma...
— Não — respondeu, após um longo e angustiante silêncio.
— Ah! Meu amor — exclamou, aliviado, disposto a devassar sua alma. — Desde o primeiro momento em que a vi, fiquei apaixonado, lem bra-se? Éramos tão felizes e tudo parecia perfeito como num conto de fadas! Você foi a garota que me fez descobrir um novo sentido na vida! Nunca existiu nem poderia haver outra mulher entre nós!
— Então por que não me disse isso no passado, optando pelo silêncio que o incriminou?
James baixou a cabeça, com o rosto cheio de dor.
— Errei ao calar-me, Lily... Estava acostumado com as fofocas e comentários maldosos da alta sociedade e esqueci-me de que você, frágil e ingênua demais, não estava preparada para suportar aquele jogo sujo. Deixei você a mercê dessas pessoas inescrupulosas, sem caráter e que têm prazer em brincar com a vida das pessoas. E o pior é que quase me deixei levar e entrei no jogo sujo deles. Quando conheci você tive certeza que me livraria de toda essa sujeira, por que você não é e nunca será como essas pessoas. Mas meu orgulho foi maior. Fui arrogante e não medi as consequências do que poderia acontecer a você deixando-a no meio de toda essa sujeira. Achava que minhas carícias sensuais eram suficientes para satisfazer suas dúvidas...
— Oh! James! Sofri tanto ao imaginá-lo nos braços de outra mulher que pensei que fosse morrer! Por isso, resolvi ir embora.
— Um casamento não sobrevive sem confiança e, como demons trara ter perdido a fé em mim, deixei que partisse... Sei que fui orgulhoso demais, porém recebi o castigo: sua ausência quase me destruiu — ele voltou a dizer, abraçando-a. — No fundo, tinha a esperança que voltasse... Mas você desapareceu... Então mergulhei no trabalho, fazendo disso o único objetivo da minha vida! Quando voltou pensei que não me amava mais, pois você fazia questão de mostrar como me desprezava. Eu então fazia de tudo pra não demonstrar como estava sofrendo com o seu desprezo, por isso agi como um cretino, mas no fundo estava desesperado, queria a todo custo voltar a ser feliz com você, pois nunca deixei de amá-la. Mas também no fundo eu sabia e tinha a esperança de que você ainda me queria assim como eu a queria.
E de repente, Lily viu nos olhos de James a verdade que sempre desejou. Viu novamente aquele homem pelo qual se apaixonara e que sempre amou.
— Sofremos tanto, por nada! — desabafou, chorando de arre pendimento e remorso pelo tempo perdido.
James enxugou cada lágrima, com as mãos, dando-lhe um beijo ardente e possessivo, capaz de sanar todas as suas feridas.
— Como me encontrou? — ela inquiriu, entre soluços.
— Foi o destino que nos reuniu, ruivinha. Logo que mudei-me para Londres, participei de um seminário, onde Albus Dumbledore era o orador principal. Fiquei bastante impressionado com ele, a ponto de contratar os serviços de sua empresa.
— Então veio aquele coquetel... — ela acrescentou, rindo-se da coincidência.
— Sim, e quando descobri que Lily Evans era uma conceituada profissional daquela empresa quase tive um enfarte! — Riu, olhando-a com respeito e admiração. — Quando a vi, fiquei intrigado com sua maturidade e disciplina... Porém o que mais me marcou foi perceber que ainda continuava enlouquecido por você! Aliás, sei que sentiu o mesmo...
Lily concordou, com um riso maroto. Era incrível como James conseguia adivinhar seus pensamentos e emoções mais profundas. Estava tão feliz que gostaria de gritar para que todos soubessem. Entretanto uma voz lá do fundo da sua consciência insistia para que esclarecesse mais alguns pontos obscuros...
— E Bellatrix? Qual o papel dela em sua vida?
— Nossas famílias vieram juntas da Itália há mais de sessenta anos. Ambas prosperaram nos negócios e mantiveram o contato por todo esse tempo. — Fez uma pausa para tomar fôlego, afinal não estava acostumado a dar tantas explicações assim. — Era desejo de todos que a herdeira dos Black viesse a casar-se com o herdeiro dos Potter, iniciando uma dinastia empresarial. Mas esse era um jogo do qual nunca tomei parte.
— Agora entendo por que Bellatrix sempre me tratou como um dos seus passatempos. Achava que, cedo ou tarde, você ficaria com ela.
— Exatamente. Mas, depois desse almoço, ela não tem mais dú vidas de quem eu amo. — Fitou-a com olhos penetrantes, transbor dando de emoção. — Você, Lily! Eu sempre te amei! Você é a única para mim, a única que me faz sentir vivo e completo. Eu te amo. Eu te amo mais do que tudo.
Então ele a pegou no colo, levando-a para o quarto, um território onde já haviam feito as pazes há várias semanas.
— Não há nada que queira dizer-me? — ele tornou a indagar, perspicaz, ao desabotoar seu vestido.
Lily calou-o com um beijo, partindo para o ataque, naquela batalha de sedução, onde os dois lados saíam vencedores, extasiados pelo prazer.
Então é isso!
Até o próximo e último capítulo ;)
