As horas foram passando até que Tasha conheceu todos os que tinha para conhecer, podia finalmente descansar um pouco, e esquecer a grande e cansativa manhã que tinha tido. Mas, o que ela não sabia, era que ainda tinha uma longa tarde à sua frente.

- Meninas sentem-se! – Ordenou a professora. – Vamos, hoje é um dia muito especial. Para além de termos uma nova aluna na nossa turma, temos uma velha amiga de volta. Deem as boas vindas à vossa colega: Carina Tsukino! – Anunciou a professora, ao qual todos se levantaram e bateram palmas. – E agora, como previsto, vamos dar as nossas aulas especiais; por favor, procurem calma e ordenadamente pelos vossos tutores.

- O quê? O que são as… Aulas especiais? – Perguntou Tasha muito confusa.

- Digamos que são umas aulas que te vão parecer chatas, mas acredita que assim que te habituares, vais gostar muito de ter a companhia de um rapaz a poucos milímetros de ti. – Disse Fubuki, abraçando Tasha pela cintura, puxando-a para si; coisa a que Tasha respondeu calma e serenamente, corando um pouco e sorrindo, com a sua franja tapando os seus olhos. Esticou os seus braços e pôs as suas mãos por cima daquelas que tinha a abraçar a sua barriga.

- Ai sim, e vou gostar porquê? – Pergunta Tasha, olhando diretamente nos olhos de Fubuki.

- Porque o rapaz sou eu, e acredita, por mais manso que um cão possa parecer, pode ser tão feroz como um lobo. – Disse Fubuki, com um olhar um pouco atrevido, mas que Tasha sabia que era apenas uma brincadeira.

- Oh, não comeces. Só te conheço à um dia, e tu já estás a tentar atirar-te a mim. Mas não penses que não goste; olha que até está a resultar! – Diz ela, piscando um olho.

- Já agora, quanto a isso de eu me estar a atirar a ti… Olha quem fala! – Disse um pouco angustiado. Tasha ficou bastante surpreendida, mas logo pôs uma mão diante da boca, para disfarçar um pouco o seu riso, mas não conseguiu nada com isso; ria-se levemente com um rubor nas bochechas, Fubuki sentiu-se um pouco triste, mas quando viu o sorriso de Tasha, alegrou-se bastante. Embora não a conhecesse à muito tempo, o seu sorriso tinha uma espécie de efeito nele, a sua doce voz deixava-o louco; e o seu toque derretia-o por dentro. Para ele, era como estar na presença de um anjo.

- Vamos lá começar. Peguem nos cadernos e estejam atentos, por favor. – Disse a professora, preparando o projetor para dar início à aula.

O projetor mostrava um filme que tinha como nome "Amor Impossível", e todos se perguntavam porque iriam ver um filme desses, até que o filme chegou ao fim; e a resposta era bastante clara.

- O que… Foi isto? – Disse Tasha, pasmada com o conteúdo do filme, imóvel, e que se não estivesse tão envergonhada, a primeira coisa que faria, seria recostar-se no peito de Fubuki, esperando que este a reconfortasse.

- Não faço a mínima, mas… Tenho a certeza de que não quero voltar a ver este filme. – Respondeu-lhe, um pouco enojado, enquanto olhava para Tasha, quem tinha as bochechas vermelhas como um tomate; com a vista dirigida ao chão. Ao ver isto, chamou-a à razão pondo um mão no ombro esquerdo dela, aproximando-a de si. – Estás bem? – Perguntou-lhe olhando-a cara-a-cara, um pouco preocupado.

- N-não. E-eu… Errr… Isto é; eu… - Tasha estava completamente assombrada devido ao que tinha visto no filme, não queria estar a tão pouca distância de um rapaz pelo menos durante uns bons quinze minutos. E estar tão perto de Fubuki, mais o facto de estar a agarrá-la e a fixar o seu olhar no seu rosto, não ajudava nada. Desistiu de fazer-se de vítima. Respirou bem fundo, fechou os olhos e pôs um pequeno sorriso, agora mais calma, e tratou de acalmar também Fubuki, ela não gostava de o preocupar. – Sim, estou bem e… Desculpa. – Acabou por dizê-lo agora, um pouco triste.

- Porque é que me pedes desculpa, não tens razão para isso! – Disse, com um sorriso apenado.

- É que, eu estou sempre a preocupar-te e isso incomoda-me. Incomoda-me saber que te preocupas por mim, por uma miudinha nova e sem futuro. Afinal, deves ter mais que fazer do que fazer de ama-seca. – Disse, baixando a cabeça e dirigindo a sua atenção ao chão, para longe do rosto de Fubuki.

- Isso não é verdade. Eu preocupo-me contigo pura e simplesmente por que tenho o dever de te proteger. Tu és a minha parceira, eu vou estar sempre do teu lado, e além disso… Eu não gosto de ver as pessoas sofrer, principalmente as raparigas. Eu detesto ver pessoas a chorar, sobretudo se elas estão a sofrer por minha causa! – Disse-lhe Fubuki, a ponto de rebentar em lágrimas, não queria que se sentissem tristes por sua causa. Tasha, ao notar isto, levou as mãos aos ombros de Fubuki, abanando-o levemente, para a frente e para trás. Sentia-se um pouco mal, mas sabia o que tinha a fazer.

- Fubuki, para. – Disse-lhe suavemente, pondo-lhe a sua mão direita na sua bochecha, acariciando-lhe a parte detrás da orelha, olhando-o também com um pouco de vontade de chorar. – Não te reprimas a ti mesmo. Eu não estou triste por tua causa, muito menos agora que me explicas-te por que é que me tratavas desta maneira tão diferente. Mas se tu te pões a chorar eu vou chorar também, e isso não vai dar em nada, pois não, Fubuki? – Disse-lhe, sorrindo de orelha a orelha. Ao ver isto, Fubuki ficou surpreendido perante este ato da sua amiga, mas depois, mudou a sua expressão para um terno sorriso, e lançou-se aos braços de Tasha, corado e muito feliz, sentia-se como nunca se sentira antes. Que ele soubesse, apenas Goenji o tinha conseguido animar quando se punha triste, mas ela tinha conseguido enchê-lo de felicidade num abrir e fechar de olhos. Estava para lhe agradecer, quando soou a campainha para declarar o fim das aulas. Todos estavam a conversar sobre o dia cansativo que tinha sido. De um salto, Fubuki largou Tasha e levantou-se, apresentando-lhe uma mão para a ajudar a levantar.

- Como és nova nesta escola, não deves conhecer muito bem a cidade, não é? – Pergunta-lhe Fubuki, encaminhando-se de mãos dadas com Tasha em direção à porta.

- Sim. Porquê?

- E que tal se eu e tu formos dar um passeio, para te ajudar a conhecer a cidade? E além disso, é da maneira que eu também saio um pouco, à muito tempo que não o faço! – Disse-lhe contente.

- Sim, adorava! Fubuki, és o maior! – Disse com uma cara infantil, agarrando-se com força ao braço de Fubuki, mas soltando-o um pouco depois. Foram ambos caminhando até fora do instituto, ainda com os uniformes, afinal não havia razão para trocarem de roupa. Acabaram por chegar a um parque cheio de flores, com uma grande fonte de água no meio, com muitas árvores de todos os tipos e tamanhos.

- Já chegámos! Então, o que achas? – Perguntou Fubuki com um sorriso. Os olhos de Tasha tornaram- se grandes ao ver esse parque, era realmente lindo.

- Isto é lindo! – Disse, largando a mão de Fubuki, correndo pelo pequeno parque e rodopiando, rindo imenso, não sabia porquê, mas aquele lugar recordava-a de um lugar especial para ela; recordava-a da sua casa. - Fubuki! – Gritou ela, chamando a atenção do seu acompanhante.

- O que foi? – Disse, virando-se para ela.

- Não me apanhas! – Disse-lhe ela divertida, pondo a língua de fora e piscando um olho, para depois se pôr a correr.

- Se fosse a ti, não estava tão confiante de mim mesmo. – Disse, começando também a correr, alcançando-a rapidamente.

- És bastante rápido; mas será que consegues ser… Como o vento? – Disse ela, com um olhar desafiador. A frase que essa rapariga pronunciou recordou-o dos tempos em que estava na equipa de futebol do instituto Raimon. Essa era a frase que o motivava a treinar, tinha que treinar até ser tão veloz como o vento.

- Isso pergunto-te eu a ti, princesa. – Disse, começando a correr muito velozmente.

- Humf. Se é guerra que queres… - De repente, Tasha começou a ganhar terreno sobre Fubuki e foi ultrapassando-o, muito agilmente. Competiram para ver quem era mais rápido, até que ficaram sem fôlego, e resolveram sentar-se num banco para descansarem.

- Bem, tu estás mesmo bem treinada. – Disse, Fubuki, entre suspiros.

- Pois olha que tu também não estás nada mal. – Respondeu-lhe, com a respiração normalizada.

- Sabes, - Disse-lhe, agora com a respiração normalizada, - tu e eu temos o mesmo lema. – Disse, com um sorriso triunfante.

- Ai sim? Tu também tens esta motivação para ser mais tão veloz ou até mais do que o vento? – Perguntou-lhe intrigada, obtendo como resposta um sim.

Estavam ambos muito divertidos, até que sentiram umas gotas a caírem-lhes na cabeça.

- Está a começar a chuviscar, e ouvi dizer que hoje vai haver muita chuva, é melhor voltarmos depressa para o instituto. – Disse Fubuki, levantando-se do banco. Tasha concordou e levantou-se também mas justamente quando iam começar a caminhar até à sua escola, rompeu-se uma grande chuvada. - Agora já não há volta a dar, temos que ir antes que isto piore! – Disse Fubuki, agarrando na mão de Tasha e começando a correr, para poderem chegar minimamente secos.

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