De repente, uma ideia surgiu na cabeça de Tasha.

- Ummm, Shirou? – Disse, tentando virar-se para o seu companheiro.

- Sim, o que foi? – Disse, levantando-se e ajudando Tasha a levantar-se.

- O recolher não é às nove? – Perguntou ela, preocupada.

- Sim, porque é que— Shirou não foi capaz de terminar a sua frase, devido àquilo que viu por cima do ombro de Tasha. Shirou estava completamente branco (mais do que já era). – Pisga-te, rápido! – Gritou Shirou, agarrando e quase arrancando as roupas de Tasha do aquecedor.

- Mas o que é que te deu? – Perguntou confusa.

- Já só faltam quinze minutos para as dez, o Kazemaru deve estar mesmo à porta!

- Está bem, está bem. Não te enerves, eu já estou pronta. – Disse secamente.

- Uau; és rápida. – Disse espantado. – Bom, até amanhã, então. Desejo-te uma boa noite e sonhos cor-de-rosa! – Disse, abrindo-lhe a porta, dando-lhe um beijo na bochecha.

-Tchau, até amanhã, Shirou! – Disse, retribuindo o gesto. Quando já estava perto dos dormitórios, resolveu ligar o telemóvel. – Ainda bem que a Haruna me deu o número dela; não faço a mais pequena ideia de onde é o nosso quarto.

- Estou, Haruna? – Perguntou Tasha através do telefone.

- Olá, Tasha! Onde raios é que tu estavas? Despacha-te, já falta muito pouco para o recolher!

- O problema é esse! Eu não sei onde é o dormitório! – Disse ela, quase a chorar.

- É o 127. Onde é que estás?

- Estou em frente ao número cento e vin— Tasha paralisou de vergonha ao ver o número da porta. – Sabes que mais? Deixa estar. Adeus!

- Sinceramente… Não sei o que é que vou fazer contigo, Tasha! – Disse Haruna, a suspirar.

- Olá, Haruna! – Disse Tasha, quase arrombando a porta.

- Tu não és mesmo normal, pois não? – Perguntou Haruna, com um sorriso de lado.

- Na verdade, não. - Disse, sentando-se numa cama que estava ao lado da de Haruna. – Mas há quem goste, e muito… - Disse, deitando-se de costas, com as mãos atrás das costas e as pernas cruzadas; com os olhos fechados e um sorriso idiota pintado na cara.

- O que é que tu fizeste? – Perguntou Haruna risonha, levantando-se da sua cama de um salto, para a de Tasha, deitando-se de lado à sua beira. – Espera, não me digas: o Fubuki declarou-se! Foi isso, não foi? – Perguntou ela entusiasmada, fazendo com que Tasha ficasse com a cara pálida.

- Mas tu és vidente?

- Não me digas que… - Haruna ficou com uma cara de quem viu um fantasma, que se iluminou até ficar o sol em pessoa. – Tasha! Oh, meu deus! Isso são ótimas notícias! E então, como é que foi? Houve beijos, carícias, ele disse-te coisas bonitas e profundas?

- Sim, sim, sim, e… Bastante mais! – Disse emocionada, dando as mãos a Haruna.

- Como assim, bastante mais? Não me digas que ele te encostou à parede?

- Foi quase… Mas ele foi tão querido comigo. Ficamos debaixo do mesmo cobertor, bebemos um delicioso chocolate quente que ele preparou, ele declarou-se e até chorou; e eu quase adormeci pelo calor e conforto que o peito dele, como todo o corpo, emitia. – Disse, corando, revivendo os momentos na sua cabeça.

- Kyyyaaaaa! Tasha, isso é maravilhoso, a tua vida está a ser como um conto de fadas! E tiveste muita sorte; o Fubuki já teve três companheiras antes de ti, e todas gostavam dele, mas foi a ti que ele escolheu!

- Já teve… Mais companheiras? Como assim?! Ele também já gostou delas, foi? Já as acarinhou, beijou, namorou com elas? – Perguntou-lhe Tasha aflita.

- É claro que não. Elas comportavam-se como umas fangirls loucas aos gritos, eram um pouco difíceis de aturar. Mas tu és diferente, e acho que uma das coisas de que o Fubuki gosta em ti é o facto de seres um pouco tímida; és parecida com ele!

- Estou a ver. – Disse, mais calma. – Mas não estou totalmente convencida! – Pensou.

- Mudando de assunto, estás a gostar da estadia nesta escola? – Perguntou Haruna.

- É claro que sim! – Disse, contente.

- E estás a fazer muitos amigos?

- Sim, estou. Os teus amigos são muito simpáticos, divertidos, e… E… Como é que se diz?

- Incrivelmente espetaculares?

- Yep! É isso mesmo!

- Sabes que mais? Acho que eles também gostaram de ti

- A sério? Isso é ótimo, Haruna. Eu nunca tive amigos a tempo inteiro, sabes?

- Huh? Mas porquê?

- As pessoas nunca quiseram envolver-se muito comigo. Mas, eles são diferentes. Gosto muito deles!

- Bem, faltam dois minutos para as dez, daqui a nada a revisora já está aqui, é melhor preparares-te para irmos dormir, Tasha!

- Ok! – Tasha tirou o seu pijama da mala, vestiu-se e deixou a sua mala aos pés da sua cama. – Woa… - Bocejou ela – De repente fiquei cá com um sono! Tu não, Haruna? – Perguntou ela, sem resposta. – Haruna? - Perguntou novamente, aproximando-se do lugar onde supostamente estava Haruna. – Está a dormir. É melhor não a acordar, senão de manhã vou acordar com um balde de água fria!

- Ngh…

- Haruna? Espero não te ter acordado. – Disse Tasha, aproximando-se novamente da cama de Haruna, sendo agarrada pela gola da camisola e ficar testa-a-testa com uma Haruna que mais parecia uma morta viva.

- Eu ouvi esse comentário! – Disse ela, com cara de monstra.

- H-Haruna? – Perguntou Tasha, com arrepios.

- Deixa pra lá e vai dormir. – Disse, soltando-a e voltando a acomodar-se na sua almofada.

- Ainda bem que estás de bom humor… - Pensou ela, metendo-se na sua cama e fechando os olhos. – Espero sonhar contigo, Shirou. Só espero que percebas o que te vou dizer amanhã… - Pensou, caindo nos braços do sono.

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