Hermione puxa Ginny pelo braço empurrando algumas estantes de sua livraria para o lado revelando uma porta secreta.

-Fica aí até eles irem embora!

Alerta a morena ao deixar a ruivinha sozinha na pequena saleta atrás da porta. Ginny estava tão apreensiva temendo ser descoberta pelos cavaleiros e tornar-se prisioneira que não percebeu os inúmeros pergaminhos e mapas que preenchiam a saleta, ela apenas encolheu-se no chão apertando os joelhos com as mãos e fechando os olhos com força desejando que tudo acabasse logo.

Hermione assistia furiosa aos soldados do rei, que reviravam sua livraria atirando seus valiosos livros ao chão sem o menor cuidado.

-Já basta!

Bradava puxando os livros das mãos dos cavaleiros os afastando das estantes, estava no limite e sua livraria se encontrava em verdadeiro caos, com páginas e pergaminhos espalhados pelo chão.

-Temos ordens de vasculhar cada lugar desta cidade e não deixar pedra sobre pedra!

Respondia em tom ameaçador um soldado de capa negra e elmo de bronze, encarando a morena com superioridade, parecia ser o líder daquele grupo, mas Hermione não se deixou intimidar apontando o dedo no peito da armadura dele e estreitando os olhos.

-Procurar um fugitivo não justifica destruir MINHA livraria e rasgar os MEUS livros! Se fossem mais inteligentes e um pouco menos covardes não estariam perdendo tempo procurando um elfo fugitivo na cidade, e sim fazendo varreduras em locais como as montanhas ou a floresta proibida onde estariam protegidos pela magia!

Provoca a garota levantando uma sobrancelha e com um sorriso desafiante nos lábios, o cavaleiro estava tão irritado com a atitude da morena que pegou seu braço bruscamente a fazendo derrubar seus livros no chão e a prensou na estante atrás de si aproximando seus rostos perigosamente.

-Deveria demonstrar mais respeito pelos cavaleiros que protegem o condado senhorita Granger!

Ela o lança um olhar assassino, estavam apenas espalhando o pânico na cidade e saqueando as lojas com a desculpa de recolher pistas do elfo, esse tipo de atitude deixava a morena fora de si.

-Cavaleiros? Vocês protegem apenas seus próprios interesses, sem se importar em espalhar o terror entre inocentes, isso faz de vocês seres repugnantes!

Diz a garota empinando o nariz, enquanto o cavaleiro sorri sadicamente.

-Não fui eu que quase foi condenado a forca por libertar um dos escravos do rei Granger...

Os olhos dele ganham um brilho malvado ao ver a morena ofegar diante da lembrança. Mas, antes que Hermione tivesse a chance de responder a altura, um soldado entra ofegante pela porta gritando pelo líder do grupo.

-O Rei está convocando todos os soldados!

Anuncia o rapaz encarando preocupado o líder deles que solta Hermione e sai da loja sem olhar para trás. Os olhos castanhos da garota faiscavam de fúria, por sorte não descobriram Ginny. Imediatamente ela empurra a estante encontrando a ruivinha assustada.

-Eles já foram?

Pergunta baixinho e Hermione apenas assente com o rosto, nesse momento a ruiva a surpreende pulando do chão e abraçando a morena com força.

-Eu senti tanto medo Mione!

A ruivinha se afastou do abraço enxugando algumas lágrimas quando Luna entra desesperada na livraria gritando por Hermione. A loira estava aflita e vermelha de nervosismo, segurava a barra do longo vestido azul e tinha os sapatos nas mãos para poder correr melhor.

-Mione, eles levaram o pai da Ginny!

-/-

Narcisa ainda estava abraçada ao filho com os olhos tomados pelas lágrimas, Draco de joelhos cobrindo o próprio rosto repetindo que se tornara um monstro. Nenhum criado ou elfo doméstico ousava adentrar no aposento do príncipe da Sonserina, a maldição distorcera toda a fisionomia de Draco e nem mesmo a própria mãe conseguia olhá-lo por muito tempo sem sentir aversão.

A dramática cena só fora interrompida quando alguém abre as portas do quarto e adentra a passos largos. Era Lúcius Malfoy, o homem olhava para o filho como quem está diante de um mendigo digno de pena, e torce o nariz ao perceber o olhar de Draco sobre si.

-Você é mesmo uma decepção Draco!

Ele fala entre dentes desviando os olhos do filho para os cacos de vidro espalhados pelo quarto, antes de continuar, ignorando as expressões de choque e indignação de Narcisa e Draco.

-Quantas vezes lhe ensinei a não se expor diante de criados elfos? Os anos de treinamento em Hogwarts não lhes serviram de nada? Se deixou abater por um reles escravo abandonado e desmaiou como uma garotinha...

O olhar do rei Malfoy era destruídor, derramando veneno em cada sílaba direcionada ao filho.

-Pai, eu...

-Não existem justificativas Draco! Você QUASE jogou fora a única esperança de união com a Corvinal!

Bradava furioso Lúcius controlando-se para não lançar um feitiço imperdoável sobre o seu filho.

-Então é esse o problema?

Grita Draco soltando-se dos braços da mãe e ficando frente a frente com o seu pai.

-Se importa mais com a união dos condados e essa guerra estúpida do que com a vida do seu próprio filho? Eu poderia estar morto!

-Seria melhor. Assim não teria a decepção de ter um fracasso como único herdeiro!

Dando as costas a um Draco lívido, Lúcius se retira com uma expressão ilegível e pára a poucos passos da porta falando com altivez.

-Seu casamento com a Greengrass acontecerá em menos de seis dias, acho melhor convencer a sua noiva a adaptar-se a sua nova aparência!

Dessa vez retirou-se definitivamente, Draco volta o olhar para a mãe que assistia a tudo em silencio.

-O que significa isso?

Ele questiona tentando recobrar a calma.

-Meu filhinho...

Ela começa se perdendo em soluços.

-A maldição... somente poderá ser tirada por quem a lançou, somente aquele... maldito elfo sabe como... fazer você... como curar você!

-MAS QUE INFERNO!

Gritou novamente socando a parede do quarto com força.

-/-

Ginny, corria a toda velocidade no cavalo que Hermione lhe dera para chegar até a casa que dividia com o pai, seu coração estava apertado e seus olhos ardiam na eminência de mais lágrimas. O que poderia acontecer ao seu pai? Ele não suportaria ser tratado como escravo, precisava tomar suas poções todos os dias para poder ficar bom, já estava em idade avançada, e muitos sonserinos já o julgavam de louco por suas invenções, que na maioria das vezes ajudava no cultivo da sua horta especial.

Diversos pensamento ocupavam a mente da ruivinha, pela primeira vez arrependeu-se de ter saído da Grifinória, sentia falta da sua família, com toda certeza se seus irmãos estivessem lá iriam proteger bravamente o pai. Respirou fundo tomando um atalho, não podia arrepender-se de buscar o melhor para seu pai, todos os Weasley estavam confiando nela para cuidar de Arthur durante esta guerra, e era isso que ela faria.

Ao chegar na estrada que dava para a casa Ginny vê vários cavaleiros revirando seus móveis e poções.

-Heyyy! Parem, o que estão fazendo? Soltem minhas coisas!

Gritava quando descia desajeitadamente do cavalo e corria em direção à casa, porém alguém a pára em seu caminho a prendendo pela cintura com força.

-Paradinha mocinha! Temos que levar esse homem para o calabouço, ele tem moedas de ouro do condado da Grifinória, é um traidor!

Anunciou calmamente Blaise Zabini, antes de soltar a ruiva e fazer sinal para seus soldados partirem.

-Temos ordens do rei para retornar ao castelo! Preparem-se homens, a majestade não ficará contente com nossos resultados!

Gritava para os demais quando Ginny reunindo toda sua coragem puxa o braço de Zabini o obrigando a voltar sua atenção à ruiva.

-Se libertarem o meu pai posso ajudar a encontrar o elfo e reverter a maldição do príncipe!

Diante da declaração da Weasley, Blaise fica em choque.

-O que disse?

-Que sei onde o elfo estava antes de desaparecer, que vi o cavaleiro ser atacado e que posso tentar ajudar de alguma forma caso libertem meu pai!

Ela repete com firmeza apertando com força o broche do elfo entre os dedos até ficarem brancos tamanha força utilizada. Blaise a encarava como quem tenta ver um sinal de leviandade nos olhos da ruiva, mas só enxergou para seu espanto, sinceridade e determinação.

Estreitando os olhos e a fitando de cima a baixo, o general a segura pelo braço e diz baixinho o suficiente apenas para a Weasley escutar.

-Se estiver mentindo seu destino será a forca!

Seu tom era de aviso, mas Ginny não se deixou abalar e sustentando o olhar para o cavaleiro responde.

-Se libertar meu pai, contarei tudo o que quiser sobre o elfo, eu não me importo em receber uma punição se for para salvar a vida dele!

Blaise esfrega as têmporas soltando a menina como se estivesse ponderando sobre o que fazer, até que a imagem de um Lúcius Malfoy irado lançando maldições da morte sobre seus cavaleiros chegou a sua mente fazendo o grande general tremer.

-Tudo bem Weasley, vamos!

Dizendo isso ele monta seu corcel puxando a garota para a garupa seguindo em direção aos soldados.

-Libertem o velho, já não terá serventia! Andem o rei nos aguarda!

-/-

-Não vou aceitar isso!

Bradava furioso Draco Malfoy, andando de um lado a outro em seu aposento, não serviria de marionete para os planos do seu pai. Este preferia ver o filho morto ao seu desejo por poder ser arruinado.

Seu casamento com Daphine já não lhe importava mais. Estava decidido, se era isso que anos de obediência e esforço para orgulhar ao pai lhe ofertavam? Ele preferia ter o controle da própria vida e iria procurar pelo elfo sozinho.

Colocou um manto negro com um enorme capuz e saiu pelos corredores sorrateiramente até chegar aos estábulos reais, aproveitando-se que estava vazio, pegou um dos cavalos e montando-o partiu do palácio a toda velocidade. Ele sabia como ninguém driblar as defesas daquelas muralhas, afinal fora ele mesmo que as arquitetara, um sorriso sarcástico se formou em seus lábios ao imaginar a reação de Lúcius ao descobrir a fuga do príncipe.

Seguiu pelo caminho da cidade, mas sempre escondido no interior da floresta proibida que cercavam as terras do condado, e silenciosamente Draco pôde enxergar como seus cavaleiros agiam, como destruíam casas, roubavam ouro, espalhavam o pânico sem se importar realmente em encontrar pistas do elfo que o amaldiçoou.

-Miseráveis, estão se aproveitando as minhas custas!

Sibilou entre dentes apertando com força as rédeas do corcel, segurando-se ao máximo para não interferir e dar uma boa lição naqueles soldados estúpidos. Preferindo então continuar suas buscas sozinho sempre atento a cada movimento no interior da floresta. E seguiu assim durante mais algumas horas até afastar-se da cidade adentrando por um caminho próximo a estrada de terra, seus olhos animaram-se ao reconhecer seu melhor amigo Blaise Zabini e seus soldados, mas algo chamou a atenção de Draco.

Blaise não estava sozinho, o príncipe aproximou-se mais e pode perceber a presença de uma garota ruiva na garupa do amigo, ela tinha a cabeça erguida e nariz empinado com leves sardas sobre ele, os cabelos ruivos brilhavam num vermelho hipnotizante sob a luz do sol, caindo em uma magnífica cascata com cachos delicados, os olhos estavam vermelhos, mas ainda sim reluzentes, parecia que chorava. Draco franziu o cenho encarando a garota, algo nela parecia fora do normal. Ela era bela. Curioso Draco aproximou-se saudando o amigo.

-Zabini! Fico feliz em encontrá-lo...

Ao sair da floresta proibida, o capuz de Draco prendeu em um dos galhos revelando o rosto deformado do príncipe diante de todos os cavaleiros de Blaise. O general se quer teve tempo de reagir, com um grito assustado de Ginny seu cavalo saltou nas patas dianteiras jogando o corpo para trás derrubando o general e a Weasley, os soldados puxavam suas espadas prontos para atacar Draco que ficou atônito tentando chamar a atenção dos cavaleiros.

-Sou eu, seus idiotas, o príncipe Draco!

Ele gritava usando a própria espada para desviar das investidas dos cavaleiros.

-Cale sua boca monstro dos infernos!

-Não ouse tocar no nome do nosso príncipe!

-A morte a esta criatura das trevas!

Todos o perseguiam a atacavam como um trasgo, nunca sentira-se tão ofendido e aborrecido que atacou um a um derrubando todos eles até chegar à Zabini que estava desacordado, na queda ele puxou a Weasley a protegendo do impacto, a ruiva parecia apavorada encarando o príncipe com olhos ampliados de medo.

-Você também acredita que eu sou um trasgo das trevas?

Ele vociferou encarando a ruivinha com ódio do olhar atemorizado, ele já estava acostumado a ser fitado com temor, mas os olhares que lhe lançavam eram diferentes, não era apenas medo, era nojo, repugnância, pavor... nem mesmo seu único amigo o reconheceu, isso enchia de mágoa seu coração.

-Eu não vou atacar você nem fazer uma sopa com seus ossos!

Ele brada feroz fazendo a ruiva se encolher de medo. Deu as costas, não valia a pena tentar convencer seus próprios súditos, escolheu continuar sua busca sozinho, desta vez iria em direção às montanhas.

-Porcaria de maldição dos infernos, se eu encontrar aquele elfo desgraça...

-Pr-principe Malfoy?

Ela pergunta hesitante, o tirando de seus devaneios e o obrigando a voltar-se para trás, seus olhos metálicos encontram os da ruivinha ainda o fitando atemorizados.

-O que quer de mim?

Responde ríspido.

-Eu posso tentar ajudar?

Pela primeira vez naquele dia, Draco sentiu vontade de rir, ela estava sendo sarcastica por acaso? Ou seria uma fada que reverteria o encanto com uma varinha de condão? Ela poderia mesmo ajudá-lo? Draco não acreditava nisso.

-Como poderia fazer isso?

Pergunta friamente, mas sua voz não escondia um fio de mágoa e sarcasmo. a ruiva encolheu-se diante da expressão do príncipe, ele parecia muito assustador, não apenas pela aparencia, mas a forma como falava e agia.

-E-eu encon-encontrei um elfo, e-ele ta-tava muito mal e quan-quando eu o ajudei... ele me en-entregou algo mágico...

Draco a fitou com confusão, ela ajudou um elfo? Seria o mesmo que o amaldiçoou? Que objeto mágico ela teria? Suas perguntas não foram em diante, pois Blaise voltava a consciência aos pouquinhos, gemia de dor ao tentar mover o braço chamando a atenção de Ginny. Desesperado, Draco puxa Ginny pelo braço em direção à floresta proibida.

-Você vem comigo ruiva!

Ele anuncia recolocando o capuz e adentrando a floresta proibida onde seu cavalo o esperava partindo em meio as arvores e arbustos junto à ruivinha.

-DG-

Mais um capítulo loooongoooooooooo para mostrar a reação do Draco à Maldição...

Finalmente Draco e Ginny se encontram, o que será que vai acontecer agora? O que havia na saleta da livraria de Hermione? O que vai acontecer quando o rei descobrir a fuga de Draco?