Draco abriu os olhos naquela manhã e imediatamente se sentiu invadido por uma deliciosa sensação de triunfo. Tinha beijado Potter, tinha enroscado sua língua à dele, tinha mordiscado seus lábios, lambido aquela boca deliciosa, apesar do gosto de bebida. Tinha feito mais do que isso. Sorriu ao se lembrar dos gemidos dele, do vai-e-vem suave de seus quadris enquanto era voraz e habilmente sugado.
Suspirou, sentindo que seu peito se aquecia e o sangue circulava com mais força por suas veias. Enfim, mostrara a Potter que não havia nada errado com ele. E agora, o que viria? Draco não sabia, só conseguia pensar no quanto estava feliz, e por mais que isso parecesse idiota, no quanto gostaria que ele também estivesse.
O loiro sabia que estava em plena zona de perigo, reconhecia que estava apaixonado como jamais imaginara estar um dia, mas nem o conhecimento dos riscos que corria era capaz de fazê-lo desistir do seu objetivo. Queria Potter, e o queria para o resto de sua vida. Pensou que esse talvez fosse um bom momento para dizer a ele como se sentia, afinal, em breve teria que ir embora, e sabia que a proximidade em que viviam ali era sua única aliada. Mais uma vez a lembrança do que acontecera entre eles invadiu sua mente, e o loiro fechou os olhos para saborear a sensação.
Estava assim quando sentiu o forte impacto no colchão, bem ao seu lado. Abriu os olhos para ver o que era e deparou-se com Potter, de pé ao lado de sua cama, olhando-o com uma expressão terrível. Sobre o colchão viu sua bolsa de viagem, cheia e pesada. Piscou, surpreso, enquanto ouvia a voz do moreno, num tom carregado de ódio.
—Você vai sair da minha casa imediatamente.
Draco sentou na cama e a bolsa escorregou para o chão. Harry ainda o olhava, e havia tanta raiva nesse olhar que o loiro não soube o que dizer. Levantou-se e fez menção de arrumar sua cama, mas Potter o interrompeu.
—Deixe isso aí e simplesmente suma! — Potter gritou e Draco respirou fundo.
—Ok. Eu posso tomar um banho(*) antes de ir?
—Tome a droga do seu banho e desapareça daqui em seguida.
Draco apertou os lábios. Estava pálido, sentia-se como se um buraco tivesse sido aberto repentinamente sob seus pés. Começou a seguir em direção ao banheiro, mas parou e voltou-se para o moreno.
—Eu não teria feito se você tivesse dito não.
Harry lançou ao loiro um olhar fuzilante.
—Eu tinha bebido, e você se aproveitou disso. Você me desrespeitou, sabia perfeitamente como eu me sentia em relação a isso, e ainda assim...
Ele se interrompeu e Draco percebeu que ele não conseguia falar, tamanha a sua raiva.
—Eu admito a minha culpa, mas na realidade eu não...
—Cale essa maldita boca! A conversa acabou, você só tem que tomar seu banho e em seguida sair por aquela porta e desaparecer para sempre. É tão difícil assim de entender?
O loiro o olhava enquanto Harry mantinha um braço estendido na direção da porta de entrada do apartamento. Sua sensação de perplexidade aos poucos ia sendo substituída pela raiva. Mordeu o lábio inferior com força enquanto balançava repetidamente a cabeça, num gesto de concordância.
—Eu vou, vou sair da sua casa e da sua vida para sempre. Mas não venha agir como se eu tivesse estuprado você, por que não foi exatamente isso o que aconteceu ontem, não é mesmo?
—Você é surdo? Essa conversa acabou!
—Não acabou!
Harry tinha gritado, mas o tom de Draco tinha sido ainda mais alto e irado do que o seu.
—Eu quero e vou falar, seu idiota de dupla personalidade! Primeiro você enche a cara na rua e vem para casa, emotivo e pegajoso, me tira da cama, me enche com sua conversa ridícula e no dia seguinte se arrepende e desconta sua raiva em mim. Vá se danar, Potter, você quis aquilo tanto quanto eu!
—Cale essa sua boca imunda, Malfoy, e vá logo tomar seu banho ou eu não me responsabilizo pelo que pode acontecer.
Harry trincava os dentes de raiva, mas Draco não se intimidou. Já que estava tudo perdido, não ia deixar que ele fingisse que não tinha gostado do que acontecera.
—Eu vou me lavar sim, Potter. Afinal, você gozou tanto ontem que eu tenho esperma até dentro dos ouvidos.
Viu as maçãs do rosto do moreno se tingirem de vermelho enquanto ele fechava as duas mãos. Preparou-se para ser atingido por um murro, mas então lentamente a expressão de Harry se alterou. Ele respirou profundamente e quando respondeu, Draco não percebeu ódio em seu tom, apenas frieza e desprezo.
—Eu vou sair agora e quando voltar não quero encontrar nenhum sinal da sua presença nessa casa.
Voltou-se e saiu do apartamento. Draco, parado no mesmo lugar, sentiu uma pontada dolorosa no peito ao ver a porta se fechar atrás dele.
Dois mais dois nem sempre são quatro. Era o que Moody pensava ao receber em sua casa o Portador do Ministério, que apesar da hora avançada, viera trazer ao chefe a informação de que Potter tomara um porre essa noite. Ele tinha estado bem por alguns dias, por isso o ministro decidira que Malfoy deveria ser retirado do apartamento. Mas no mesmo dia em que soube disso, Potter voltou a encher a cara. Teria sido por medo de voltar a enfrentar a solidão? Se era assim, por que não voltava ao convívio dos amigos? A resposta não estava clara, mas teria que estar até a manhã seguinte, quando o ministro, através de sua assessoria, receberia o relatório diário sobre a situação do herói do mundo bruxo.
Moody não pensou duas vezes. Escreveu uma mensagem para Lupin onde o colocava a par da situação, pedindo que ele fosse ver Potter na manhã seguinte com a desculpa de levar para Malfoy fotos de suspeitos presos posteriormente à sua visita ao Ministério. Pediu ao Portador Oficial de Mensagens Confidenciais(**) que apanhasse as tais fotos no Ministério e depois as entregasse ao lobisomem, junto com a mensagem que escrevera.
E esse era o motivo da presença de Lupin diante do prédio de Harry naquela manhã luminosa. O lobisomem tinha feito a mesma coisa de sempre, aparatara num local afastado, onde um funcionário do Ministério já o esperava ao volante de um carro trouxa, e agora desembarcava do lado oposto ao edifício. Então viu Harry deixando o prédio e acenou para ele, que parou e ficou à sua espera. Logo ao se aproximar, o lobisomem percebeu que havia algo errado.
—Bom dia, Harry.
—Oi, Lupin. —Ele parecia constrangido, incomodado com alguma coisa.
—Me desculpe por vir tão cedo, mas é que mais alguns suspeitos foram capturados e eu trouxe as fotos para que Draco possa dar uma olhada.
Viu Harry desviar o olhar e fazer uma expressão de aborrecimento antes de responder.
—Ele está lá em cima. — Fez uma pausa antes de concluir. — Eu o mandei embora.
—Aconteceu alguma coisa?
—Eu sempre soube que isso não ia dar certo. Eu tentei, mas não dá mais...
—Vocês brigaram?
—É, nós brigamos. Ele deve sair daqui a pouco, acho que só vai tomar um banho e se aprontar.
—E para onde ele vai?
Harry ficou em silêncio por algum tempo, e Lupin teve a impressão que era primeira vez que ele pensava nisso.
—Eu não sei. E antes que você diga qualquer coisa, eu já adianto que dessa vez é definitivo. Eu não o quero mais aqui.
Lupin concordou, com um gesto de cabeça.
—Bem, isso só antecipou um pouco as coisas, ele partiria nos próximos dias. Eu posso subir e falar com ele?
—Claro... — Harry fez uma expressão contrariada. — Bem, acho que eu vou ter que levar você até lá, ele deve estar tomando banho e não vai ouvir você chegar.
—Obrigado, Harry. Desculpe-me pelo transtorno.
Harry deu um sorriso curto em resposta e entraram no prédio. Já no elevador, o lobisomem voltou-se para ele.
—Você gostaria de falar sobre o que aconteceu?
—Não.
—Está tudo bem, Harry. E foi bom que eu viesse aqui agora, assim posso levar Draco comigo para o Ministério. Chegando lá decidiremos o que fazer.
—Sinto muito.
—Não se preocupe, nós daremos um jeito nisso.
Tinham chegado ao sétimo andar e Harry destrancou a porta. Entraram, e o moreno pediu ao lobisomem que se sentasse. Então, viu a cama de Draco por fazer e uma onda de mal-estar o envolveu. Correu para recolher as coisas, como se a simples visão dos lençóis pudesse fazer Lupin descobrir o que acontecera ali.
—Me desculpe pela bagunça. É que tudo aconteceu hoje cedo e nós... eu ainda não ajeitei as coisas.
—Não se preocupe, Harry, para mim está tudo ótimo. — O moreno recolheu os lençóis e cobertores de Draco e esvaziou o colchão inflável, e depois de levar tudo para a minúscula área de serviços do apartamento, voltou à sala. Ele ia dizer alguma coisa quando, repentinamente, Draco surgiu com sua bolsa a tiracolo.
O loiro tinha os cabelos molhados e carregava um par de óculos escuros. Teve um leve sobressalto ao descobrir que não estava só no apartamento. Imediatamente, colocou os óculos, mas o gesto não foi rápido o bastante para impedir que tanto Lupin quanto Harry notassem que seus olhos estavam inchados e vermelhos.
Por um instante ficaram todos em silêncio, constrangidos. Então Lupin deu um passo na direção do loiro.
—Olá, Draco. Eu passei por aqui para lhe mostrar algumas fotos, e então fui surpreendido pela notícia de que você está indo embora...
—Sim, estou. De quem são as fotos? — Seu tom era frio e cortante.
Lupin abriu o envelope que trazia consigo e entregou as fotografias para o loiro.
—São pessoas que foram capturadas ontem, depois que você deixou o Ministério. Elas foram delatadas pelos outros presos...
Recostado contra a janela, com as duas mãos apoiadas sobre o parapeito, Harry acompanhava a conversa em silêncio. Draco olhou as fotos uma a uma, depois as devolveu ao lobisomem.
—Nunca vi nenhum deles antes.
—Ok... Bem, então vamos tratar da outra questão, que é para onde levaremos você...
—Eu estou voltando para a minha casa.
Lupin balançou a cabeça em concordância.
—Eu posso imaginar o quão ansioso você deve estar para voltar para casa, mas infelizmente essa ainda não é uma opção segura, Draco.
—Não importa, eu vou correr o risco. Eu não vou me enfiar dentro de um buraco no prédio do Ministério, nem vou para nenhum outro lugar. Estou indo para a minha casa.
—Draco, pense bem. Por que se arriscar se em poucos dias tudo estará resolvido?
—Você não pode garantir isso. — O tom de Draco era impaciente e irritadiço, e Lupin adivinhou que por detrás das lentes escuras os olhos cinzentos deveriam estar lançando chispas em sua direção. Respirou fundo.
—Não, eu não posso, nem tenho como impedir que você faça o que quiser. Só imaginei que você gostaria de ver seus pais tranquilos, o que não acontecerá se você voltar para casa agora, e seguros, o que não acontecerá se eles se juntarem a você.
Draco bufou.
—E quais são as minhas opções?
—Não são muitas, infelizmente. Mas eu prometo que vou encontrar um lugar adequado, e caso eu não consiga, bem, posso levar você para minha casa, Nympha ficaria feliz por ter companhia.
Draco deu uma risada curta e baixa.
—Nós dois sabemos que isso não seria uma boa ideia, Lupin.
—Por que não? Você e Nympha são primos, seria uma boa oportunidade para se aproximarem. E também há Teddy, que não deixa ninguém se entediar ao seu lado.
Lupin sorria com os olhos brilhantes ao mencionar o filho de quase dois anos, orgulho e alegria da casa. Draco deu um quase sorriso antes de responder.
—Obrigado pela oferta, mas eu não posso aceitar. Eu vou com você para o Ministério, mas só para falar com os meus pais. Então, irei para casa.
Lupin notou a determinação do loiro e viu que não adiantaria insistir.
—Bem, se é o que você quer, então que assim seja.
Draco assentiu, depois levou a mão ao bolso da calça e retirou de lá as chaves do apartamento. Caminhou até a mesinha que ficava próxima à janela em que Harry se apoiava, e sem sequer olhar para ele, colocou as chaves diante da estatueta de Eros. Depois foi para a porta, abriu-a e saiu sem olhar para trás. Lupin se aproximou de Harry.
—Você está bem?
O grifinório não pôde conter um suspiro.
—Eu me sinto culpado.
—Se estiver se sentindo assim por mim, você não deve. Você o acolheu durante um mês inteiro e isso foi uma grande ajuda. — Lupin colocou a mão sobre o ombro de Harry. — Mas se estiver se sentindo culpado por ele, ainda é tempo de consertar as coisas. Eu não sei o que Draco fez, mas seja o que for ele pareceu arrependido. Você notou seus olhos, não?
Sim, Harry tinha notado, e talvez tivesse sido isso o que o mantivera tão quieto todo o tempo. Tinha se lembrado de Draco animando-o, consolando-o, e agora vinha à sua mente o que o loiro dissera mais cedo. Eu não teria feito se você tivesse dito não. Suspirou novamente. Bêbado ou não, ele sabia que poderia ter impedido, se realmente quisesse. Era penoso admitir, mas ele tinha se empolgado ao reencontrar suas antigas sensações e simplesmente não tinha sentido vontade de mandar Draco parar. Percebeu que Lupin ainda o olhava, esperando uma resposta.
—É, eu notei. Mas eu não... —Interrompeu-se. — Vamos deixar as coisas como elas estão, é melhor assim.
Lupin então se despediu e saiu ao encontro de Draco. Harry, ao retornar à sua tão desejada solidão, não se sentiu tão bem quanto imaginara que se sentiria.
—Bom, se você não quer falar, não fale. Eu só estranho por que antes não havia segredos entre nós.
Rony deu de ombros, pegou o controle remoto e mudou de canal. Hermione sorriu de leve enquanto servia o suco. Entregou um copo para cada um e pegou o seu, indo sentar-se no tapete, junto com eles.
—Não há nenhum segredo aqui, Rony, nem há nada para contar, nós simplesmente discutimos mais uma vez e eu achei que era a hora de acabar com isso. Você sabe, quando eu deixei tudo para trás eu queria simplesmente um pouco de paz, e não era exatamente o que eu estava tendo.
—Pois é, Harry, mas você sempre dizia que estava tudo bem, que ele era até legal, que se esforçava para não fazer besteiras. Se era assim, por que você o mandou embora de repente?
Harry bufou e olhou para Hermione em busca de apoio, mas ela apenas sorriu de volta.
—Eu me cansei, só isso. Esse apartamento é pequeno demais para duas pessoas, e ele ficou aqui um mês inteiro. Já era tempo dele arranjar outro lugar. Agora, nós podemos mudar de assunto?
Rony abriu a boca para falar, mas para alívio de Harry, o interfone soou, e o porteiro avisou que as pizzas tinham chegado. O moreno autorizou a subida do entregador. O delivery era o novo divertimento trouxa de Rony, que se levantou de um salto.
—Eu recebo. O dinheiro trouxa está aqui, está tudo certo. Quanto eu devo dar de gorjeta?
Rindo, Harry indicou uma das notas que o ruivo estendia, em leque. Então Hermione disse que ia preparar a mesa e pediu que Harry a ajudasse. Eles seguiram para a cozinha.
—Eu vi Draco quando ele chegou essa manhã ao Ministério, e ele me pareceu realmente chateado.
Harry não respondeu, apenas olhou para a amiga e continuou separando os guardanapos e talheres, enquanto ela forrava a mesa.
—Moody o autorizou a falar com seus pais, eles passaram cerca de meia hora juntos. Depois, Draco foi embora. Lupin me disse que ele estava indo para Wiltshire, e que Narcissa e Lucius também vão voltar para lá amanhã, assim que assinarem o termo onde assumem a responsabilidade pela própria segurança.
Harry balançou a cabeça e continuou a dispor os talheres sobre a mesa, enquanto Hermione distribuía os pratos. Ela terminou e se aproximou dele.
—Você realmente não quer falar sobre isso, não é? — Seu tom era suave e cúmplice.
—Não.
Foi só o que Harry disse antes que Rony entrasse na cozinha trazendo as pizzas, muito empolgado. Sentaram-se e foram comer, e durante todo o tempo Harry sentiu que Hermione o observava atentamente.
Remus Lupin fazia um balanço dos últimos acontecimentos. A intenção do Ministro, ao cercar Potter de vigilância, tinha sido boa. O mundo bruxo tinha que zelar pela vida e pelo bem estar de seu herói, afinal, como dissera Moody, se os trouxas tinham o Príncipe Charles, eles tinham Harry Potter. Da mesma forma que o príncipe herdeiro trouxa, o herói bruxo jamais poderia levar uma vida desregrada. Ele era um símbolo histórico e político, sua vida deveria ser exemplar, não cabendo nela alcoolismo ou outras coisas fora do padrão.
A decisão de lidar indiretamente com a "depressão pós Voldemort" de Harry tinha sido tomada depois que o ministro ouvira a opinião de medibruxos e de pessoas ligadas ao herói, inclusive o próprio Lupin. Mas agora o lobisomem já não estava tão certo de que isso funcionaria. Temia que o problema piorasse enquanto eles perdiam tempo em voltas sutis ao seu redor. Lupin achava que chegara a hora de abrir o jogo com Harry, de fazê-lo enxergar o que estava realmente acontecendo. Mas sua opinião tinha sido descartada, o ministro não tinha concordado. Então, o jogo ia continuar, e a cada momento parecia mais complexo. Especialmente agora, depois da passagem de Draco Malfoy pela casa de Harry. Esse era o ponto que o lobisomem queria discutir com Moody extraoficialmente antes de lançar suas impressões no relatório endereçado ao ministro. Por que se a soma de Olho-Tonto não tivera uma resposta exata, para Lupin dois mais dois tinham fechado num redondo quatro.
Harry terminou de assistir suas aulas naquela noite e deixou a escola percorrendo seu caminho habitual. Ia distraído, com a cabeça fervilhante de pensamentos, quando percebeu que estava diante da porta do bar. Ainda que não tivesse pensado em fazer isso, viu-se simplesmente entrando. Olhou em volta, mas como sempre, apesar das várias mesas disponíveis, foi se acomodar no banco diante do balcão. O barman, que já o conhecia bem, ao vê-lo trouxe a garrafa da marca costumeira e o copo com gelo, que serviu com uma dose generosa. Harry agradeceu e pegou o copo. Ergueu-o e o observou contra a luz, distraindo-se com as variações do tom de âmbar do líquido provocadas pelo gelo e pela luminosidade. Sentiu a velha ansiedade pela bebida provocar nele um aperto no abdômen, podia sentir o cheiro do scotch e percebeu que quase salivava de desejo. Então, pensou em Draco Malfoy. Ainda podia ouvir suas palavras iradas como se o loiro tivesse acabado de pronunciá-las. Dupla personalidade, dois Harrys, e entre eles, o scotch. Sacudiu o copo, fazendo o gelo tilintar contra as paredes de vidro. Então o aproximou dos lábios, sentindo que todo o seu corpo ansiava pelo momento em que o líquido desceria queimando tudo em seu trajeto, provocando a onda benéfica de calor que, partindo do seu peito, se expandiria por cada uma de suas artérias. Tinha em suas mãos o passaporte para o bem-estar, a chave de portal que o colocaria em contato com o outro Potter, capaz de fazer coisas tais como sexo com outro cara. Nesse instante percebeu claramente duas coisas que até então não tinha se dado conta. A primeira, estava caminhando para se tornar um dependente de álcool, e a outra, tinha sido absolutamente injusto com Draco Malfoy. Suspirou profundamente. Levou o copo aos lábios, mas ao invés de beber, falou baixo, com a boca pressionada contra a superfície fria do vidro. — Você, nunca mais. — Pousou o copo no balcão, retirou uma nota do bolso e a colocou sob a garrafa. Então, levantou-se e deixou o bar, sob o olhar perplexo do atendente, que veio conferir se havia algo errado com a bebida que servira.
Harry seguiu para seu apartamento imaginando que passaria a noite sem dormir. Seu dia tinha sido tenso, enfrentar as horas que viriam sem o auxílio do uísque não seria fácil, mas ele estava determinado a se livrar disso de uma vez por todas. Tomou um banho bem quente e demorado, depois se jogou na cama e dormiu quase imediatamente. Acordou cedo se sentindo bem disposto, vestiu-se e saiu. Enquanto fazia sinal para um taxi que passava, pensou que se fosse continuar a viver nesse apartamento deveria tirar carteira de motorista e comprar seu próprio carro. Mas não estava mais tão certo de que queria continuar morando na Londres trouxa. Deu o endereço ao motorista e afundou no banco macio, pensando em como era bom não ter amanhecido de ressaca. Em poucos minutos estava em seu destino. Pagou a corrida, desceu do carro e caminhou até o mesmo lugar de onde partira para a Toca, no noivado de Rony e Mione. Então desaparatou, com destino a Wiltshire.
(*): Esse banho do Draco foi dedicado a você, Mionizita! =^^=
(**): Eu inventei isso!
Agradeço a todos que vem acompanhando a fic sem deixar comentarios, percebo vocês pelo gráfico dos hits. Obrigada, e espero que estejam gostando.
Àqueles que comentaram, e só quem já escreveu uma fanfic e a publicou sabe a importância das reviews para o autor, deixo aqui meus agradecimentos especiais.
Lena: Que surpresa boa encontrar seus comentários, você leu tudo de uma vez! Meu Deus, eu amei a sua disposição para comentar os capítulos um a um, você foi muito gentil e me estimulou demais. Quanto ao seu comentário, eu tive muita dificuldade para começar a desenrolar a situação entre eles, mas o Draco me deu uma mãozinha...Ah, o Harry, ele tá mesmo meio chatinho, mas eu espero que daqui pra frente você passe a gostar mais dele, afinal agora ele vai para de tomar todas...eu acho. =^^=
Muito, muito obrigada! Espero que você continue lendo e gostando.
Beijos.
Lady Bogard: É uma delícia ficar um tempo fora e depois ter um monte coisa pra ler... Fico feliz por você, que faz coisas realmente fofinhas(eu me apaixonei pelos duendezinhos), ter gostado do meu Draco. E eu também adorei quando ele reduziu o Harry a pó com aquela resposta(amei fazer isso), o Harry mereceu. E espero que você tenha gostado desse capítulo.
Mil beijos!
Deh Isaacs: Ah, Deh, eu sei exatamente como você se sente, é a segunda vez que eu passo por isso, primeiro, com os livros, agora, com os filmes. Mas como você disse, ainda temos as fanfics! Obrigada pelas suas palavras gentis, tomara que você continue lendo e gostando.
Beijos!
lu potter: Hahaha...você viu, né? E você quase acertou, até eu pensei que o Draco ia levar um socão! Ainda bem que não aconteceu. Obrigada pelo comentário, não pare de ler...
Beijinhos.
