Draco foi ao encontro dos pais sentindo um misto de alegria e frustração. Estava realmente satisfeito pela volta deles, mas, Merlin, isso não poderia ter acontecido uma ou duas horas mais tarde? Enquanto beijava o rosto de Narcissa pensou no que eles poderiam ter visto se tivessem demorado mais alguns minutos para chegar. Sentiu a pressão da mão de Lucius em seu ombro, num cumprimento silencioso. Encarou o pai.

—É bom ver vocês aqui.

Lucius assentiu, com um levíssimo sorriso distendendo seus lábios. — Obrigado, filho. É bom estar de volta. — Seu olhar se fixou em Harry, que cumprimentava Lupin.

—Potter fez a gentileza de vir trazer algumas coisas que eu havia esquecido em sua casa. — Draco falou depressa. A desculpa era mais endereçada a Lupin do que aos seus pais, que conheciam o filho extremamente organizado que tinham e sabiam que dificilmente ele deixaria qualquer pertence pessoal para trás, ainda que sua saída da casa de Potter tivesse acontecido em meio a uma briga. Lucius balançou lentamente a cabeça e cumprimentou Harry. Narcissa falou, dirigindo-se ao moreno.

—Sua presença nessa casa nos alegra, Sr. Potter. Sinta-se à vontade, vou pedir que tragam chá para nós.

— Não! — O protesto de Harry soou veemente. — Não, obrigado, Sra. Malfoy, não é preciso se incomodar por minha causa. Vocês nem bem chegaram em casa, e eu já estava mesmo de saída.

Draco o viu passar a língua pelos lábios e adivinhou a tensão que ele sentia. Achou-o lindo assim, confuso e perturbado. Só percebeu que olhava para Harry com cara de bobo quando notou o leve movimento do pai ao seu lado e viu que ele erguera uma das sobrancelhas, fitando-o.

—Que pena. —O tom de Narcissa era suave, embora formal. — Quero que saiba que meu marido e eu estamos gratos por você ter mantido Draco seguro durante o recente período de turbulência que atravessamos.

—Não há o que agradecer, eu não fiz nada demais. — Ele parecia não saber mais o que dizer. — Eu... Tenho que ir agora.

Lupin acompanhava a conversa em silêncio, com sua expressão tranquila de sempre. Enquanto eles falavam, os elfos tinham desaparecido do hall com as malas do casal. Lucius se dirigiu a Harry pela primeira vez, no seu habitual tom destituído de emoções.

—Como minha esposa disse, somos gratos a você e não nos esqueceremos do que fez.

Harry balbuciou uma resposta cortês e em seguida se despediu. Seu desconforto era perceptível, assim como sua vontade de sair logo dali. Draco decidiu ajudar.

—Eu acompanho você. — Quase sorriu ao ver o alívio no rosto do moreno. Caminharam lado a lado até a porta, que Draco abriu para que o outro saísse.

—Bem... — Harry hesitou.

—Eu pensei que eu poderia ir até sua casa mais tarde, acho que nós dois temos uma conversa para terminar. — Draco falou num tom que não poderia ser ouvido por quem não estivesse bem próximo deles.

Harry o olhou com uma expressão estranha e Draco teve certeza de que ouviria dele que não havia mais nada para conversarem, mas o moreno apenas apertou os lábios enquanto balançava vagarosamente a cabeça, concordando. Depois disso, voltou-se e atravessou o jardim em direção ao grande portão de ferro.


Já em casa, Harry pensava nos acontecimentos da manhã e sentia-se totalmente estranho em relação a eles. Não parava de pensar nas palavras de Draco, e principalmente não conseguia esquecer o que tinha acontecido depois. Bufou, tomado por uma onda de vergonha ao admitir que sua irritação era causada pelo fato de não ter conseguido aliviar sua tensão sexual, provocada pelo loiro. E ainda por cima, quase tinham sido flagrados pelos Malfoy e por Lupin! Levantou-se do sofá e foi até a cozinha. Ao chegar lá ficou parado, sem conseguir lembrar o que tinha ido buscar. Voltou para a sala, sentindo-se perdido. Não queria aquilo, não queria de forma alguma. Malfoy, gostando dele? Por quê? Como? Isso não fazia sentido, assim como não fazia sentido continuar permitindo que certas coisas acontecessem. Beijara Draco, fizera carícias no loiro, ainda sentia em suas mãos os contornos de sua musculatura, Merlin, ele era um homem, tinha um pomo-de-adão, tinha barba! Mas o pior de tudo é que tinha sido bom, e Harry não tinha como negar isso. Bufou mais uma vez, sentindo que as paredes do pequeno apartamento pareciam avançar em sua direção, oprimindo-o. Não suportou mais ficar ali, precisava de ar puro, precisava de espaço.

Deixou o prédio e saiu pela rua sem destino. Pensava o tempo inteiro no que Draco dissera, no que eles tinham feito, e no que poderia acontecer quando ele viesse mais tarde. Não, não ia haver mais nada, Harry não queria. Definitivamente, não aconteceria mais. Se sexo era o que estava lhe faltando, resolveria isso, e resolveria nesse momento. Conhecia alguns lugares onde garotas de programa ofereciam seus serviços, e embora abominasse essa ideia, para o momento não vislumbrava outra possibilidade. Acenou para um taxi que passava e deu o endereço ao motorista.

Embora mal tivesse passado do meio-dia, dentro do clube parecia noite. As luzes fracas, em tons de roxo e vermelho, davam ao local uma aparência sobrenatural, pecaminosa. Tudo era aveludado, tudo cheirava a tabaco e álcool mesclado com perfume barato, tudo lembrava sexo, desde a música baixa até as pinturas nas paredes. Havia meia dúzia de garotas circulando, todas exibindo seus atributos em modelos curtos e decotados, todas artificiais e, aos olhos de Harry, predadoras. Uma delas se aproximou sorrindo, exibindo dentes pequenos e infantis, que destoavam totalmente dos seios enormes que pulavam de seu decote. Harry fez um sinal negativo e a garota mudou de direção, com um ar de aborrecimento. Ao ver a cena, outra se aproximou. Tinha os cabelos cor de cereja, e Harry a dispensou também. As outras, que estavam pelos cantos, foram se aproximando devagar, tentando se fazer visíveis ao cliente recém-chegado.

O olhar de Harry pousou numa garota alta e menos opulenta que as demais. Era negra e usava uma calça justíssima, que revelava todas as suas curvas. Embora também usasse uma blusa muito decotada, seus seios pareciam bem acomodados nela. Harry fez um sinal e ela veio até ele com um sorriso nos lábios pintados de laranja.

Depois de deixar bem claro seu preço e os serviços inclusos, ela o tomou pela mão e guiou-o por uma escada que dava para um corredor cheio de quartos. Entraram no primeiro, e nem bem a porta se fechou, ela estava ajoelhada diante dele, desabotoando-lhe as calças. Harry se encostou à parede e fechou os olhos. Era a primeira vez que ficava com uma mulher desde que saíra do hospital. Sentia o toque das mãos dela, sentia os anéis que lhe cobriam os dedos, sentia o piercing que ela tinha na língua. Ela era experiente, mas nem isso conseguia animar completamente o herói bruxo. Ele tentou não pensar que estava com uma prostituta, achando que isso talvez ajudasse, mas não funcionou. Então, ele não soube como, se viu pensando em Draco e sentiu a aceleração de seu pulso e do ritmo de sua respiração. A língua da garota trabalhando nele era a língua do loiro, eram dele aqueles lábios que o sugavam. Um turbilhão de sensações tomou conta de Harry, e quando ele gozou, o fez na boca de Draco Malfoy.


Draco estava terminando de se vestir quando ouviu uma batida muito leve na porta de seu quarto. Em seguida ela se abriu e seu pai entrou.

—Você vai sair?

— Sim. — Ele continuou a se aprontar, esperando que ele dissesse o que queria. Lucius parou ao seu lado e ficou observando-o enquanto se penteava. Draco terminou e só então se voltou para o pai.

— Onde você vai?

Draco fitou os frios olhos azuis que o fixavam. Parecia que uma eternidade tinha transcorrido desde a última vez em que Lucius perguntara algo semelhante a ele. Também parecia que dar satisfações ao pai sobre sua vida pessoal já não fazia sentido. No entanto, viviam um momento de reconstrução da família, e Draco não queria causar um mal-estar entre eles logo no primeiro dia em que se reuniam.

—Eu tenho um assunto pessoal para resolver.

— Isso envolve Potter? — A pergunta feita sem rodeios fez Draco piscar antes de abrir a boca para responder, mas seu pai continuou a falar. — Veja bem, Draco, eu sei que você é um homem agora e eu não quero me meter em seus assuntos pessoais, mas há algumas coisas que eu gostaria de dizer, coisas que você ainda não sabe.

Draco continuou em silêncio, pensando se conseguiria chegar ao fim dessa conversa sem entrar em atrito com o pai. Lucius continuou.

— Greengrass me procurou ontem, interessado na união das nossas famílias.

Draco, surpreso, encarava seu pai. Ele sabia que em algum momento ia se casar com alguém que estivesse à altura de entrar para a família, mas definitivamente, essa não era a melhor hora para tratar disso. Compreendeu que seu pai já sabia algo sobre ele e Potter, e preparou-se para o confronto.

— Daphne Greengrass? Essa ideia nunca me ocorreu.

— Astoria Greengrass. Daphne já está comprometida.

Draco suspirou.

—Pai, eu não acho que esse seja um bom momento para tratar disso. Acho que nós devemos esperar um pouco mais.

— Até você se acertar com Potter? — Lucius sorriu friamente. — Nem eu nem sua mãe somos tolos, meu filho. Desconfiávamos que estivesse havendo algo entre vocês, e nessa manhã tivemos a confirmação disso.

A raiva cresceu dentro do peito de Draco.

— Vocês não tem o direito de interferir, não tem o direito sequer de mencionar isso! —Lucius ergueu as duas mãos num gesto de rendição, mantendo a cabeça inclinada enquanto encarava o filho com um quase sorriso nos lábios.

— Eu posso concluir o que tinha começado a falar? Apenas me ouça, e depois eu ouvirei você. Afinal, essa é uma conversa entre adultos, não é mesmo?

Draco respirou fundo e continuou sustentando o olhar do pai, que continuou.

—Não pense que eu me incomodo, Draco. Acredite, se você escolher Potter e ele o quiser, eu não me oporei. Afinal, o que há de mal em se ter Harry Potter na família? — Ele sorria enquanto olhava o filho. — Certas coisas precisam ser garantidas, Draco, como por exemplo, descendentes para nossa linhagem, mas há meios para que isso ocorra num casamento entre bruxos do mesmo sexo.

—Então, por que eu deveria me envolver com Astoria Greengrass?

—Eu não quero que você se envolva com ela, quero apenas que conheça suas opções e decida como um adulto. A aliança com Greengrass, que é bem-visto na sociedade, ajudará a transmitir ao mundo a nova imagem dos Malfoy. Se sua relação com Potter for séria, vai produzir o mesmo efeito. Se não, poderá gerar desgaste em nossa imagem e dificultar alianças futuras. Eu não veria com bons olhos a união de minha filha, caso eu tivesse uma, com um brinquedo sexual descartado por Potter.

Draco riu, sarcástico.

— Relação séria? Acredite, eu mataria por isso. Mas como estamos tendo uma conversa de adultos, você precisa saber, pai, que eu ainda estou lutando para atingir o posto de brinquedo sexual de Potter.

Encarou o pai desafiadoramente, esperando ver em seus olhos a velha centelha fria de raiva, mas isso não aconteceu. O rosto de Lucius era absolutamente inexpressivo quando respondeu ao filho.

— Eu realmente lamento ouvir isso, Draco.

Draco sentiu uma pontada de culpa. Desejou que a conversa tivesse sido diferente, gostaria de não ter sido tão duro com ele.

—Eu sinto muito, pai.

Viu Lucius assentir e em seguida deixar o quarto, em silêncio. Draco olhou para sua imagem no espelho. Estava pronto para sair, e por mais que estivesse se sentindo mal, percebeu em si a determinação de continuar a lutar por Potter, ainda que isso significasse enfrentar seu pai.


Lupin olhava para Moody, sem poder acreditar no que tinha acabado de ler no pergaminho oficial.

— Um cargo no Ministério para Lucius Malfoy?

O outro balançou a cabeça, sorrindo com ironia.

— O inimigo de ontem é o aliado de hoje.

—E pode voltar a ser combatido amanhã, não é mesmo?

— Eles o querem por perto, sob controle. Eu não me espantaria se oferecessem algo a Draco também, agora que suspeitam do envolvimento dele com Harry.

Lupin apertou os lábios, com raiva. Tinha se recusado a colocar no relatório oficial suas impressões sobre a relação dos dois garotos, e Moody não tinha conseguido convencê-lo do contrário. Nem o argumento de que o Ministério descobriria de qualquer maneira, e que a omissão contaria como ponto contra ele foi capaz de convencer o lobisomem a cometer essa indelicadeza.

— Provavelmente, serei advertido.

—Provavelmente. — Moody sorriu, cáustico. — Mas não antes da festa do Ministro. Ele quer ver todos felizes, comemorando a paz no mundo bruxo, obtida com a eliminação do último foco significativo de seguidores de Voldemort. Os convites devem chegar a qualquer momento, e você vai levar o de Harry. Eles esperam que o convença a comparecer, se isto acontecer eles podem até esquecer o relatório.

Lupin levantou-se e seguiu para porta. Antes de sair, voltou-se para seu chefe e amigo.

— Você já pensou em deixar tudo isso, Alastor?

Moody riu.

—Só algumas centenas de vezes.

O lobisomem sorriu em resposta e deixou a sala.


Harry foi até a porta e a destrancou, deixando-a entreaberta. O interfone soara há pouco e o porteiro tinha anunciado a chegada de Draco. O herói esperava por ele de pé, no meio da sala. A conversa não ia ser longa, ele já sabia exatamente o que diria ao loiro.

Ouviu a chegada do elevador e em instantes Draco entrava no apartamento. Harry sentiu-se tenso, e limpou a garganta antes de falar.

—Malfoy...

—Potter...

O outro respondeu, aproximando-se. Seu perfume chegou numa onda amadeirada que envolveu Harry, e ele não pôde se impedir de pensar que Draco parecia atraente. O loiro parou, a apenas um passo de distância. Olhavam-se, e Harry quebrou o silêncio.

— O que você queria dizer?

—Que eu quero você, e quero muito.

—Isso não faz nenhum sentido. — Harry respondeu lutando contra a sensação de calor que as palavras do loiro provocaram nele. — Ninguém começa a gostar de ninguém assim do nada, Malfoy.

— Não foi do nada. Desde os onze anos minha vida gira ao seu redor, Potter, então, ocupei o único espaço disponível para mim na sua. O de inimigo.

— Você soube fazer isso muito bem. — Harry já não sentia em si a disposição de despachar Draco, ao contrário, começava a lutar contra uma vontade quase irresistível de dar o passo que faltava para que se tocassem. A boca do loiro era um convite que ele tentava desesperadamente recusar. Draco sorriu.

— Eu sou intenso em minhas emoções, Potter. Você sabe disso, já experimentou o meu ódio...

Em silêncio, Harry viu Draco se aproximar e nesse instante desistiu de lutar. Queria Draco, passou o dia desejando tê-lo em seus braços, desejando concluir o que tinham começado de manhã. Percebeu que estava excitado antes mesmo que seus corpos se tocassem, e quando aconteceu, agarrou o loiro e o beijou com toda a fúria do seu desejo. Foi um beijo intenso, que Harry interrompeu bruscamente. Afastou Draco, que o olhou, confuso.

— Eu estou me sentindo sexualmente atraído por você, Draco, e é só. Não crie expectativas, não vai passar disso. E tudo o que acontecer hoje ficará apenas entre nós, e não vai se repetir.

Encarou o loiro, cuja respiração estava tão alterada quanto a sua. Viu-o passar a língua pelos lábios antes de responder.

— Você está no comando, Harry. Que seja do jeito que você quiser.

Em seguida estavam agarrados de novo, e Harry nem soube quem tinha tomado a iniciativa. Tudo o que sabia é que tinha necessidade da maior proximidade possível com o loiro, e que simplesmente senti-lo através das roupas já não o satisfazia. Despiram-se sem deixar de se beijar, e quando sentiu o contato entre suas peles nuas, o moreno não conseguiu se lembrar de já ter desejado alguém com tamanha intensidade.


Julia: Hahaha..aos pouquinhos, o Draco vai colocando o Harry onde ele quer, né? rs

Obrigada, Julinha, espero que tenha gostado desse capítulo. Só faltam dois para acabar, tá?

Beijinhos.

Siremele - aka Mione Lupin:

Oie, fofa!

O Draco tava engraçadinho mesmo, todo ansioso.

Espero que vc tenha gostado da reação dos pais dele.

Lovo you!

Bjoquinhas

Lady Bogard : O Draco tá sempre fazendo a parte dele, e o Harry continua devendo. Mas as coisas estão se definindo agora, espere e verá...

E o Lucius nasceu para empatar, mesmo! rs

Obrigada por tudo, linda.

Bjokas

Deh Isaacs : Hahaha... que bom que vc se orgulhou do Harry. Finalmente ele começou a fazer as coisas direitinho...

Só sogro e sogra pra chegar numa hora como aquela, né? Rs

Espero que o meu Lucius tenha te agradado. Foi pouquinho, eu sei, mas fiz com carinho.

A fic tá quase terminando, continue lendo.

Beijinhos

Lena: Que bom te ver outra vez! Nossa, acho lindo quando vejo alguém recolhendo animaizinhos nas ruas. Parabéns, Lena!

Já joguei "The Sims", mas não sabia das novelinhas. Vou procurar.

Não tem mistério, DG é um termo que significa Draco e Ginny, ou Gina. Rs

Que bom que gostou do capítulo, o Harry tava devendo uma dentro, né? E eu amo os elfinhooos!

Espero que tenha gostado do de hoje. Já tá quase no fim, serão apenas mais dois chaps.

Continue acompanhando.

Beijos