Pessoal, quero me desculpar com vocês pelo hiatus em que deixei essa fic. Tive uns probleminhas, mas agora está tudo bem. Se você está acompanhando, saiba que não vai haver mais interrupção. Quero agradecer à galera da seção Pinhão, do 6v, que me deu a força que eu precisava para retomar essa fic, em especial à Lady Bogard.

Obrigada a todos os que comentaram o capítulo anterior, quero que saibam que foi por vocês que não desisti de continuar a escrever.

Beijos!


Deitado de costas, Draco sentia o peso do corpo de Harry sobre o seu, sentia o próprio corpo ir e vir ao ritmo do movimento do outro. Agarrava-o, puxando-o mais e mais contra si, ciente de que a proximidade não podia ser aumentada, mas ciente também de que queria mais, queria tudo. A dor da penetração já havia sido superada, ele só pensava que era Harry quem estava dentro dele, beijando-o, fodendo-o com toda a força, com todo o desespero do desejo represado durante tanto tempo. Se tivesse que escolher um momento sublime de sua vida para eternizar, seria esse. Harry era seu, estava total e absolutamente entregue, e ainda que muitas outras coisas importantes pudessem a vir acontecer em sua vida, Draco duvidava que pudesse viver outro momento como esse.

O loiro não conseguia deixar de olhar para aquele rosto contorcido de prazer, para os olhos verdes que às vezes procuravam os seus, interrogativos, buscando a confirmação de que ele também estava gostando. Nesse instante Draco sentiu uma onda de ciúmes retroativos ao pensar que outras pessoas já haviam recebido aquele olhar. Por sua mente desfilaram todas as pessoas com quem imaginava que Harry já tinha transado, todas as mulheres que já tinham visto essa expressão em seu rosto, que já o tinham recebido dentro de si. Sentiu raiva e agarrou-o com fúria, ao mesmo tempo sabendo que não era hora de pensar nisso; tinha apenas que aproveitar cada segundo, cada olhar, cada beijo. Potter era gentil e carinhoso, preocupava-se em dar prazer na mesma medida em que recebia, preocupava-se com o conforto do parceiro durante o ato, e ao mesmo tempo tinha a força bruta, a pegada forte, a exigência do macho que quer saciar seu desejo. Era o mais delicioso amante que Draco já tivera, era o homem que ele queria ter ao seu lado, para o resto da vida.

Nesse momento Harry lhe pertencia, assim como seu olhar intenso, investigativo, em busca de sinais de que Draco estivesse gostando, certificando-se do seu bem estar. Se pudesse o loiro o manteria eternamente dentro de si. Não queria que o clímax chegasse, não queria ver Harry desabando, desconectando-se de seu corpo, embora estivesse ao mesmo tempo louco para fazê-lo gozar. Ele próprio já não podia resistir, seu organismo cobrava a finalização, a satisfação da vontade imperiosa de aliviar a tensão. Sabia que Harry também vinha adiando o momento e que mal podia esperar para concluir o ato.

Era bom sentir que caminhavam juntos rumo ao final, era delicioso sentir-se como alvo de tanto desejo. Nesse instante, sabia que era precioso para Harry, que significava tudo para ele. Também sabia que depois dessa noite não haveria mais nada entre eles, Harry tinha deixado isso muito claro. O loiro fechou os olhos, não queria pensar nisso, não agora. Só queria vibrar na mesma onda que Harry, mover-se no mesmo ritmo, perder-se com ele no labirinto de sensações. Então, não pôde mais se conter.

—Goze dentro de mim, quero sentir você me inundando...

As palavras sussurradas ao ouvido produziram efeito instantâneo sobre o outro, que intensificou o movimento dos quadris. Draco, arrepiado, não lutou mais. Gozou instantes antes de sentir o jorro de Harry dentro de si, ouviu o gemido delicioso do moreno e sentiu-o relaxar antes de desabar, inerte. Ficaram assim por alguns segundos, até Harry sair de dentro dele e rolar para o outro lado da cama.

Acabou, foi só no que Draco conseguiu pensar. Estava com os olhos fechados, sentindo a respiração voltar aos poucos ao ritmo normal. Ao seu lado, Harry estava absolutamente quieto. Esse era o momento do perigo, o momento em que, satisfeito o desejo, ele voltaria a raciocinar friamente. Tenso, Draco não ousava abrir os olhos por medo de encontrar os de Harry e ler neles arrependimento e raiva. Ficou ali, deitado de costas, imóvel, por um longo tempo.

Quando achou que ele tinha caído no sono, levantou-se cuidadosamente da cama e foi ao banheiro. Sentiu um leve e doloroso incômodo ao mover-se, e isso o fez sorrir. Era a marca deixada pela intensidade de Harry, a marca da melhor transa de toda a sua vida. Draco olhou-se ao espelho do banheiro e viu refletida uma imagem que não parecia ser a sua. De onde viera aquele sorriso bobo, aquela expressão de imbecilidade? Fechou os olhos. Sabia exatamente de onde viera, e sabia também que não duraria. Era só um momento, apenas esse momento. Sentiu a dor como uma fisgada fina no peito, olhou-se novamente ao espelho e dessa vez reencontrou sua velha imagem.

oOo

Harry abriu os olhos e voltou a cabeça. Sobressaltou-se ao ver a pessoa deitada ao seu lado e levou apenas uma fração de segundo para se lembrar de tudo. Draco Malfoy estava nu, deitado em sua cama, dormindo de bruços e abraçado ao travesseiro. O lençol o cobria apenas parcialmente, deixando suas nádegas roliças e brancas expostas. Harry desviou o olhar. Tinha feito mesmo aquilo, transara com Malfoy até a exaustão. Fechou novamente os olhos, como se isso tivesse o poder de alterar a realidade. Não, não tinha. Estava tudo ali, ao alcance de sua mão. A realidade era exatamente aquela, e por mais que quisesse negar, Harry sabia que se não tivesse acontecido essa noite, seria em outra qualquer. Tinha estado obcecado pelo loiro desde que... Ele não conseguiu se lembrar desde quando Draco tinha se tornado uma ideia fixa, embora submersa no fundo de seu consciente. E isso não importava, na verdade. Suspirou.

Se não podia mudar o que tinha acontecido, tinha o poder de decidir o que aconteceria desse momento em diante, ou melhor, o que não aconteceria mais. Draco Malfoy. Isso não aconteceria outra vez. Era constrangedor pensar que tinha um homem nu em sua cama, um homem com quem tinha feito sexo. Absurdo. Harry agora não podia entender de onde viera a compulsão que o levara a fazer aquilo, só sentia desconforto pela presença do outro. Levantou-se e foi até o banheiro, sem se preocupar em ser silencioso. Queria que Draco acordasse e fosse embora, e o quanto antes isso acontecesse, melhor. Enfiou-se debaixo do chuveiro desejando que a água quente o limpasse de uma vez por todas de todo o mal estar que sentia.

oOo

Hermione era esperta, mais do que Harry gostaria que ela fosse nesse momento. Estavam na cozinha do apartamento, preparando a mesa para a chegada da comida chinesa que Rony pedira por telefone. Desde que tinha chegado, ela o olhava com aquela expressão, que Harry conhecia tão bem, de quem suspeita de que algo esteja acontecendo; em se tratando de Hermione, isso poderia se tornar uma verdadeira ameaça. No entanto, ela não dissera nada, nem fizera qualquer pergunta, o que só piorava a situação. Harry não duvidava que ela tivesse uma espécie de sexto sentido, e estava ansioso para que a comida chegasse depressa e Rony viesse para a cozinha. Não teve essa sorte.

—É bom saber que você decidiu voltar para perto de nós. Você sabe, estávamos todos muito preocupados com seu isolamento nesse apartamento. Se ao menos Draco ainda estivesse morando com você...

Harry respondeu com um sorriso forçado, percebendo que ela, ao pronunciar as últimas palavras, deixara de distribuir os pratos sobre a mesa e cravara nele um olhar inquisidor.

—Acho realmente bom você aceitar aquela oferta de emprego. Foi muita generosidade do Ministro, afinal, você não fez nenhum curso, nem mesmo concluiu sua preparação básica em Hogwarts.

Harry suspirou.

—Você quer dizer que eles estão me fazendo um favor, certo?

—Não, Harry. Acho que eles estão apenas tentando retribuir o que você fez por todos nós, e acho bom que você aceite, é uma oferta generosa e bem intencionada.

—Eu já aceitei, Mione, esqueceu?

—Não. — Ela riu. — E eu fiquei feliz por isso. Mas eu também queria que você voltasse para a sua casa, agora que ela deixou de ser o QG da Ordem. Isso facilitaria as coisas para você, já que aceitou trabalhar no Ministério.

—Uma coisa de cada vez. Eu disse a eles, isso vai ser um teste, quero ver como eu vou me sentir trabalhando naquele prédio.

Um silêncio pesado desceu sobre eles, e Harry intuiu que Hermione, como ele, tinha pensado na sala do véu. Ouviram o som do interfone. Era a comida chegando, para alívio de Harry.

oOo

A mente de Draco vagava enquanto ouvia a conversa monótona entre seu pai e seu convidado. O jantar dessa noite tinha sido uma homenagem de Lucius ao seu atual chefe no Ministério, e tanto Draco quanto Narcissa tinham se empenhado em fazer com que Kingsley Shaklebolt se sentisse à vontade na mansão Malfoy. Isso era importante para seu pai, na verdade interessava a toda a família que a sociedade bruxa deixasse de vê-los como ex-seguidores de Voldemort. Sim, Draco tinha feito a sua parte, não era sua culpa que seus pensamentos o levassem para longe a todo instante.

Mesmo sem ouvir direito sobre o que conversavam o pai e seu chefe, ele sorria e concordava, afável, gentil, mas sua mente não se desligava de Potter, da última noite que tinham passado juntos. Sobretudo era impossível para ele se esquecer da despedida melancólica, na manhã seguinte. Harry tinha feito exatamente o que tinha dito que faria, e embora avisado com antecedência, Draco não pôde evitar a decepção.

Tinha apostado que a noite que passaram juntos deixaria Harry balançado, mas não acontecera dessa forma. Ele tinha se mostrado firme em sua decisão de não voltarem a se encontrar, e Draco, há duas semanas, não conseguia parar de pensar sobre isso nem por um instante. Tinha ficado sabendo que Harry começara a trabalhar no Ministério da Magia, e se isso o deixara feliz por um lado, o de saber que ele estava de volta ao mundo bruxo, ao mundo a que ambos pertenciam, por outro o inquietava. Afinal, também era o mundo de Gina Weasley, o mundo onde ele jamais tivera acesso a Harry.

—Draco!

Sobressaltou-se ao ouvir a voz do pai, que imediatamente sorriu, voltando-se para Shaklebolt.

—Desculpe o meu filho, ele anda ansioso por um trabalho, aposto que já estava se vendo em uma sala do Ministério.

Draco viu Shaklebolt sorrir em resposta ao pai e apressou-se em responder.

—Desculpem-me, realmente me distraí imaginando como seria trabalhar lá.

Sequer sabia do que se tratava, mas viu pela expressão de Kingsley que sua desatenção não tinha parecido tão grave. Já a expressão do pai demonstrava seu agrado por ele ter conseguido se sair bem da situação; Draco quase podia ouvi-lo dizendo nada mal, filho.

Depois disso, forçou-se a acompanhar a conversa, que não demorou muito mais tempo. Logo Shaklebolt despediu-se e foi embora. Draco suspirou, aliviado por poder retornar ao seu mundo. Anunciou que subiria para o seu quarto, mas quando ia dar boa noite aos pais, Lucius o reteve.

—O objetivo desse jantar foi colocar você diante de Shaklebolt. Espero que seu comportamento não atrapalhe o andamento das coisas, Draco. Eu venho tentando uma colocação digna para você, e até essa noite, as chances de consegui-la pareciam boas.

Draco sorriu, irônico.

—Naturalmente, você não achou necessário falar comigo a respeito, não é?

—Na verdade, não achei mesmo. Para quem está na nossa situação, os benefícios de um cargo no ministério são tão grandes que não admitem outra manifestação que não seja de grande expectativa de que realmente aconteça.

Draco concordou. Sabia que seu pai tinha razão, e embora não gostasse de ser conduzido, afinal, há muito deixara de ser criança, compreendeu que Lucius estava apenas visando o seu bem. Novamente ia desejar boa noite quando o pai voltou a interrompê-lo.

—A outra vantagem desse cargo é que você estará lidando diretamente com o departamento em que colocaram Potter. Vocês trabalharão em andares diferentes, mas ainda assim terão bastante contato.

A calma e a frieza de Lucius ao dizer isso fizeram o sangue de Draco ferver. Encarou-o, irritado.

—Eu já disse que não quero que você interfira nesse assunto, pai.

—Eu não pretendo fazer isso, Draco. Você sabe, para mim é indiferente, mas já que você o quer, então faça acontecer. Potter ou Greengrass, tanto faz, é você quem decide. A aliança com qualquer um dos dois me parece bastante conveniente. Só não demore muito a resolver esse assunto, isso não seria bom para nós. Boa noite.

Mudo, Draco viu seu pai deixar a sala seguido por Narcissa, que antes de sair beijou-lhe o rosto. Não esperava que ele fosse começar a pressioná-lo dessa forma, pelo menos não tão cedo. É claro que não o deixaria manipular sua vida, mas também não queria brigar com ele. Tinham acabado de sair de uma situação desesperadora, ainda viviam com medo de que algum fanático seguidor de Voldemort surgisse de repente para vingar o Lorde morto. Definitivamente, esse não seria o melhor momento para travar uma guerra com seu pai, ainda mais quando o motivo dela era Potter, que parecia cada vez mais inatingível. Enfrentar seu pai ou desistir definitivamente de Harry, que nem o queria, e casar-se com Astoria Greengrass? Nenhuma dessas opções era boa. Draco sentiu-se subitamente perdido, sem saber o que fazer.

oOo

O grande salão de festas estava decorado e iluminado com perfeição. As mesas estavam dispostas num enorme semicírculo que se voltava para um palco onde artistas bruxos se apresentariam, e no vão que se formava entre elas havia uma pista de dança. Harry, acompanhado de Remus , Nympha e Alastor, chegou e olhou ao seu redor, procurando Rony. Não demorou a ver a mesa onde o amigo estava sentado, junto com Hermione e a maior parte dos Weasley. Seguiu para lá, sendo abordado no caminho por várias pessoas que queriam ver de perto e apertar a mão do garoto-que-sobreviveu-e-salvou-o-mundo.

Finalmente conseguiu chegar, e depois de cumprimentá-los e conversar um pouco com cada um deles, seguiu para a mesa reservada para ele. Deveria ficar lá com Moody e Lupin até a chegada do Ministro, que ficaria na festa apenas por uma hora. Durante esse tempo, estariam sentados juntos, sendo fotografados, sorrindo felizes para mostrar ao mundo que Harry Potter estava bem e tinha boas relações com o ministério. Harry detestava política e tudo que a cercava, mas resolveu colaborar por causa de Remus e Alastor. Por pior que fosse, não passaria de uma hora, depois da qual estaria livre para fazer o que bem entendesse, inclusive ir embora.

De sua mesa tinha uma visão privilegiada do salão, que vinha vasculhando com o olhar desde que chegara, à procura de Draco. Não que quisesse vê-lo, ao contrário, queria apenas se certificar de que ele não estava na festa, apesar de saber que os Malfoy tinham sido convidados, e segundo Alastor, que Lucius preferiria perder um braço à oportunidade de bajular o Ministro. Mas sempre havia a esperança de que Draco não viesse com os pais, e por isso, e apenas por isso, Harry o procurava pelo salão. Depois de algum tempo, convenceu-se de que eles ainda não haviam chegado, e passou a vigiar as entradas do salão, apenas para não ser surpreendido quando chegassem.

Enquanto conversava com Nympha, Harry pensava nas três semanas que se passaram desde aquela noite. Ele tinha ficado tão perturbado pelo que fizera que tinha decidido aceitar a proposta de trabalho do Ministro, para preencher seu tempo e sua mente com outra coisa que não fosse Draco e tudo o que acontecera entre eles. Estava dando certo, aos poucos a rotina do trabalho vinha substituindo as lembranças que ele não desejava ter. Mas nessa noite estava impossível evitar o nervosismo, seria a primeira vez que o veria depois daquilo.

O Ministro chegou, e junto com ele, os repórteres autorizados pelo Ministério a fazer a cobertura da festa, até aquele momento impedidos de entrar. Essa tinha sido a única condição imposta por Harry para comparecer ao evento, ainda tinha trauma de repórteres. Em meio ao tumulto de abraços e sorrisos, poses para fotos e o pipocar de flashs, Harry não teve como continuar a observar a entrada do salão, e como resultado, viu-se repentinamente frente a frente com Draco Malfoy. Sentiu um coice no estômago e seu pulso acelerou. Puro nervosismo, pensou. O momento de tensão durou pouco. Após cumprimentarem o ministro e todos que o acompanhavam, os Malfoy foram sentar-se à mesa reservada para eles. Harry suspirou, aliviado.

Se tivesse que explanar o que sentia por Draco, Harry não saberia fazer isso. Tinha consciência de que estava fortemente impressionado por ele, ainda que essa impressão estivesse muito ligada ao sexo, e admitia que o via com outros olhos depois do convívio forçado que tiveram. Não achava mais impossível ser seu amigo, e até se preocupava em saber, por Lupin, como ele estava indo. Mas daí a aceitar a possibilidade de um envolvimento entre os dois, havia um abismo intransponível. A noite que passaram juntos tinha sido muito boa, e quase sempre, em seus momentos de solidão e intimidade, era nela que pensava ao aliviar sua tensão. Mas tudo não passava disso, uma forte atração sexual, tanto de sua parte quanto da dele, apesar do loiro estar confundindo as coisas, acreditando estar apaixonado. Isso não era verdade e Harry sabia disso, assim como sabia que tudo iria passar, bastando para isso que não se encontrassem mais.

De onde estava poderia ver Draco sem esforço, mas com o Ministro presente e toda a confusão de repórteres formando uma muralha ao redor de sua mesa, não conseguia enxergar nada. Só quando o Ministro finalmente foi embora e a nuvem de repórteres que os cercava se desfez, Harry viu que Draco não estava na mesa junto com os pais. Enquanto deixava Moody e os Lupin para ir ao encontro dos Weasley, Harry percorreu o salão com os olhos e não viu o loiro em lugar nenhum. Ótimo, tomara que tenha ido embora, pensou enquanto se sentava entre Molly e Rony, que explicava os motivos de Ginny não estar presente. Chocado, Harry se deu conta de que sequer percebera a ausência da ex-namorada.

Para compensar, a ausência de Draco o inquietava. Não exatamente a ausência, na verdade o que o incomodava era sua a incerteza sobre ela. Seria muito confortável estar seguro de que o loiro tinha ido embora da festa, por isso Harry continuava a olhar para todos os lados, sem perceber que Hermione, em meio aos risos e conversas, o observava atentamente.

De repente Draco entrou no salão, vindo de uma pequena porta lateral que, Harry imaginou, levava ao banheiro masculino. Ao seu lado vinha Blaise Zabini, conversando com ele num tom que deveria ser confidencial, a julgar por sua posição meio inclinada na direção do ouvido do loiro, que o escutava atentamente, com o olhar perdido num ponto indefinido e um sorriso nos lábios. Harry não foi capaz de impedir que uma expressão de desagrado se estampasse em seu rosto. Não pela intimidade entre os dois que a cena sugeria, é claro que não era por isso, mas por constatar que Malfoy ainda estava na festa. Desviou o olhar, irritado, e para piorar, encontrou os olhos castanhos de Hermione fixos nele com tamanha atenção que a garota mais parecia estar lendo um livro. Pela primeira vez em semanas, Harry sentiu vontade de tomar um trago.

Não o fez, no entanto. Esforçou-se para participar das conversas paralelas que se desenvolviam ao redor da mesa, tentou achar graça nas piadas de Rony, nas apresentações das bandas bruxas, dançou com Molly, Hermione e Nympha, que junto com o marido e Alastor, tinha vindo sentar-se com os Weasley. Ainda assim, Harry não conseguia se impedir de lançar olhadelas esporádicas em direção à mesa onde Zabini, sentado ao lado de Draco, conversava animadamente.

Harry sentiu uma súbita vontade de sair dali. Queria ir para casa, ou para qualquer outro lugar onde a incômoda visão de Draco não o perturbasse. Anunciou aos amigos que iria embora, despediu-se deles, e ao deixar a mesa, viu que Zabini e Malfoy seguiam juntos na direção da mesma portinha lateral de onde tinham surgido. Isso irritou Harry profundamente, não pelo fato em si, que não tinha significado algum para ele, mas pelo desrespeito de Draco. Como se atrevia a fazer esse tipo de coisa numa festa familiar? Isso era revoltante e bem digno de um Malfoy. Sem pensar duas vezes, Harry desviou-se do seu caminho e seguiu atrás dos dois, passando pela porta logo depois deles.

Surpreendeu-se ao se deparar com uma saleta pequena, que dava acesso a uma das saídas de incêndio do clube. Draco e Blaise despediam-se, e ambos voltaram as cabeças surpresos pela entrada intempestiva de Harry, que parou, sem saber o que fazer.

—Potter. — Zabini cumprimentou enquanto fazia um cortês gesto de cabeça.

—Harry... — O tom de Draco foi de surpresa, mas sua expressão não demonstrava qualquer desagrado, ao contrário, Harry notou que ele parecia feliz por vê-lo ali.

Sentindo-se como um idiota, Harry tentava pensar em algo para dizer que não soasse estúpido, mas tudo o que conseguiu foi balbuciar que estava procurando um banheiro. Viu os dois sorrindo, compreensivos, e então Zabini, depois de dar um tapinha amigável no ombro de Draco, desceu as escadas e saiu do clube.

—É bom te ver de perto. Eu senti sua falta. — Draco falou num tom muito baixo, mantendo os olhos cinzentos fixos nos de Harry, que apertou os lábios sem saber o que responder. O loiro foi se aproximando, lentamente.

A essa altura, Harry já sabia que aconteceria outra vez. Estava estarrecido por sua falta de vontade de tomar uma atitude, como descer as escadas e sair dali, colocando uma boa distância entre ele e a paixão que via nos olhos de Draco. Por mais que a razão lhe dissesse que era isso o que deveria fazer, seu corpo não obedecia ao comando.

Viu Draco dar o passo que faltava para se aproximar, fechou os olhos ao sentir o toque dos lábios dele contra os seus, enquanto ouvia o pedido que o loiro fazia sem afastar a boca da sua.

—Eu quero você mais uma vez, ainda que seja a última.

Harry enlaçou-o pela cintura e mergulhou os lábios naquele pescoço branco e perfumado, sentindo a pele de Draco arrepiar-se ao toque. O loiro acomodou-se em seus braços de modo que o contato entre seus corpos aumentasse, apertando-o com força. Harry, sentindo em si a reação física ao abraço, afastou-se e olhou dentro dos olhos azul-cinza.

—Depois que eu sair, espere alguns minutos antes de ir me encontrar.

Viu Draco concordar com um aceno de cabeça e virou as costas, ouvindo suspiro do loiro enquanto descia as escadas. Esvaziou a mente de qualquer pensamento, não queria raciocinar nesse instante. Lá fora sentiu o ar frio da noite em seu rosto antes de desaparatar. Depois, de taxi, seguiu até o prédio onde morava. Já em casa, viu-se desejando que Draco não demorasse a chegar.


Espero que tenham gostado, eu admito que retomar uma fic é mais complicado do que começar uma, leva um tempo pra gente se aquecer e a coisa voltar a fluir.

Não desanimem, agora falta pouco para o final. E se quiserem deixar review, podem apostar que isso será um grande estímulo para mim!

Beijos!