Harry abriu os olhos e percebeu que o domingo amanhecera frio e chuvoso. Se normalmente já era bom despertar com Draco ao seu lado e ficar bem quieto, apenas ouvindo seu leve ressonar, nessa manhã a sensação era ainda melhor. Sob os cobertores seus corpos se tocavam, e o calor emanado pelo loiro era um convite tentador. Pensara realmente que seria capaz de viver sem ele? Isso agora parecia tão distante como se pertencesse a uma outra vida. Harry sentiu vontade de se aproximar e aumentar o contato entre eles, mas resistiu. Draco acordaria, e tinham chegado tarde na véspera, cansados da longa cerimônia que fora o casamento de Blaise Zabini e Astoria Greengrass. O loiro, como padrinho e melhor amigo do noivo, estivera presente em cada etapa das bodas, e Harry o acompanhara. Durante a festa, a mais requintada que o herói já vira, os noivos comemoraram sem culpa o desenlace de sua história de amor. O que Harry se perguntava era se, depois daquela longa maratona, eles teriam tido ânimo para a noite de núpcias. Riu do próprio pensamento idiota.
Rir. Era espantoso constatar o quanto isso parecia fácil agora. Sentia-se sempre bem disposto e lidava melhor com os problemas. Há três meses experimentava uma sensação de leveza e animação, e sabia perfeitamente qual era a razão disso. Voltou-se para olhar para Draco e encontrou os olhos azul-cinza fixos nele.
—Curiosíssimo para saber do que você ria sozinho...
Rindo, Harry rolou na cama e passou o braço por sobre o torso nu do loiro.
—Bom dia para você também.
—Bom dia. — Draco se espreguiçou e depois o olhou, as sobrancelhas erguidas interrogativamente.
—E então?
O herói se deitou sobre ele e, apoiando-se nos cotovelos, começou a brincar com os fios de cabelo platinados, enrolando-os em seu dedo.
—Eu estava tentando imaginar a noite de núpcias de Blaise e Astoria, depois de praticamente um dia inteiro às voltas com todo aquele cerimonial.
Draco abriu um sorriso enviesado.
—Você não consegue pensar em algo melhor para fazer do que imaginar Blaise e Astoria na cama?
Harry riu e aproximou o rosto do dele até que as pontas dos seus narizes se tocassem, enquanto respondia.
—Eu não estava imaginando os dois na cama, só me perguntava se eles teriam tido ânimo para uma noite de amor depois de um dia tão agitado.
—Você teria?
—Eu tive, como você bem sabe.
Sorrindo, Draco o encarou.
— Não é a mesma coisa, nós não éramos os noivos. Mas acredito que a noite deles tenha sido tão agitada quanto a nossa.
Com um suspiro de satisfação, o herói mergulhou o rosto naquele pescoço de pele macia e muito branca. Poderia ficar ali o dia inteiro, conversando sobre pequenas tolices, trocando carícias, totalmente alheio ao mundo lá fora. A mão do loiro subia e descia por toda a extensão de suas costas, e só o que Harry conseguia pensar era no quanto isso era bom. A voz de Draco soou.
—Eu me senti um pouco estranho ontem; aquele poderia ter sido o meu casamento. A mesma noiva, os mesmos convidados, tudo igual, exceto por mim e Blaise, que estaríamos vivendo papéis trocados, e pelo fato de que você não estaria lá.
—Eu também pensei nisso. Aliás, acho que isso deve ter passado pela cabeça de todos os presentes.
O loiro riu, depois fez um gesto com os ombros indicando que não se importava, e Harry continuou, após uma breve pausa.
—Eu ainda me surpreendo com o fato de Blaise ter renunciado a Astoria em nome da amizade de vocês.
—Isso porque você está analisando os acontecimentos pelo ângulo errado. Entre as famílias tradicionais de sangue puro as uniões são racionais, emoções são o que menos contam. Blaise não abriu mão de Astoria por amizade, ele apenas sabia que era a mim que ela pertencia, desde que o acordo foi firmado entre nossas famílias.
—Mas ele poderia ter dito que estava gostando dela, afinal, vocês são amigos há muitos anos.
—É, ele poderia ter dito, e eu teria liberado Astoria do compromisso imediatamente; mas isso desagradaria ao meu pai, o que poderia gerar um distanciamento entre nossas famílias. Sem contar que Blaise talvez passasse a ser visto como alguém que não respeita acordos. Nós nos baseamos em alianças e acordos para manter o equilíbrio da nossa sociedade, e os Zabini são tradicionalistas convictos. Por isso, não foi uma renúncia passional. Ele fez o que eu, e qualquer outro bruxo do nosso círculo, também faria. Nossas vidas teriam seguido normalmente, e eu jamais saberia sobre os sentimentos dele em relação a Astoria.
—Ele seria seu padrinho de casamento, frequentaria sua casa e batizaria seu primeiro filho, mesmo gostando dela.
—É isso. Com certeza, eu o escolheria para ser o padrinho de Scorpius.—O loiro sorriu.
—Scorpius... —Harry apertou os lábios.—Você estava mesmo disposto a mergulhar de cabeça nisso, não?
Sentiu a carícia suave em sua nuca, enquanto os olhos azul-cinza se fixavam nos seus.
—Que outra opção eu tinha?
O herói respirou profundamente. Depositou um beijo leve nos lábios de Draco e saiu de cima dele, rolando de volta para o seu lado da cama. Talvez algum dia deixasse de se sentir culpado por todas as idiotices que fizera. Talvez deixasse também de se sobressaltar ao pensar no quão próximo estivera de perder o loiro. Talvez.
—Ei... —Draco se aproximou e o abraçou, enquanto entrelaçava as pernas às dele — Relaxe, tudo terminou bem. No final você chegou como um verdadeiro herói , salvando todos nós de uma existência de merda...
Harry abriu um sorriso torto.
—Esse foi o papel de Rony, não o meu.
O sorriso do loiro murchou imediatamente.
—Não estrague o momento, Potter.
O herói riu. Estendeu a mão e enfiou os dedos nos cabelos de seda platinada, acariciando-os suavemente.
—Você sabe que é verdade. Eu estava perdido demais, fraco demais, alcoólatra demais para tomar por iniciativa própria qualquer atitude coerente.
—Ninguém tem obrigação de ser perfeito. Nós somos apenas o que somos, e quanto mais depressa conseguimos aceitar isso, melhor se torna a nossa vida. Pense, Harry. Se não fosse pelo seu alcoolismo, você acha que nós estaríamos aqui agora?
—Provavelmente não...— Harry fez uma careta— Com certeza, não.
—Então, um viva aos seus porres!—Rindo, Harry viu o loiro aproximar o rosto do seu.— O que não significa que eu queira ver você colocando uma única gota de álcool na boca, enquanto você viver.
Apesar da suavidade do tom de Draco, o intenso olhar que acompanhara suas palavras indicava que, embora elas não pudessem ser classificadas como uma exigência, também não equivaliam a um pedido simples.
Num insight, Harry se deu conta de que a relação com o loiro seria a mais importante de sua vida, e que por ela seria capaz de se comprometer seriamente, em vários níveis. Surpreso, constatou que a expressão "para sempre" definia com perfeição suas expectativas para esse relacionamento. Draco o olhava, esperando por uma resposta. Harry respirou profundamente antes de responder, olhando dentro dos olhos cinzentos.
—Eu juro.
—Bom garoto...
A boca do loiro se aproximou da sua. Harry o envolveu em seus braços e tentou puxá-lo para diminuir a distância entre seus corpos, mas Draco rompeu o beijo e se afastou.
—A não ser que você esteja planejando uma romântica morte a dois, eu penso que seria uma boa ideia nós comermos alguma coisa antes.
O herói sorriu, divertido.
—Confesse que você está louco para ver como saíram suas fotos nos jornais.
Rindo, o loiro vestiu as calças do pijama.
—É, isso também. Eu preciso dar uma checada, afinal, pessoas importantes verão essas fotos, como o Ministro, a sobrinha dele...
Harry não pode conter o riso.
—Ainda isso? Eu pensei que você tivesse ficado satisfeito quando me beijou na frente dela.
—Ora, Harry, você não pode negar que a vadia precisava de um sinal para entender que andava cobiçando o homem alheio. E você sabe, por mais que a lição tenha sido aprendida, um reforço é sempre válido.
—Você é terrível, Draco. Eu só espero que seus ciúmes retroativos passem longe de Gina. Ela é uma boa garota, e tem lidado bem com toda essa situação.
Draco ergueu as sobrancelhas.
—É, por incrível que pareça a Weasley não me incomoda. Ela ama você.
—É bem estranho ouvir você dizendo isso.
—Você não se surpreenderia tanto se tivesse prestado atenção ao que eu lhe disse há tempos, quando conversamos na sua sala.
Harry respirou fundo.
—Eu me lembro. Você disse que eu deveria me casar com ela.
—Exato. Mas isso, claro, se nós não ficássemos juntos. Eu penso nela como...—Draco fez uma pausa— seu plano B.
—Muito gentil de sua parte se preocupar assim comigo, Malfoy, mas saiba que apenas o plano A me interessa.
—Wow! Isso foi muito inspirador, Potter. Acho até que posso pensar em algo especial para fazermos depois do café!
Rindo, Harry se levantou e seguiu para o banheiro, enquanto ouvia o loiro abrir a porta do quarto e chamar por Kreacher.
Remus estava sentado no sofá da sala de estar, diante da lareira. Eram quase duas da tarde, a qualquer momento seus convidados chegariam. Enquanto esperava ouvia a voz de Nympha, empenhada numa batalha feroz para conseguir pentear os cabelos de Teddy. O lobisomem sorriu, divertido, ao pensar que, felizmente, não era ele quem tinha que enfrentar isso todos os dias. Voltou a olhar o relógio sobre a lareira.
Por muito pouco educado que pudesse parecer convidar pessoas para uma visita em plena tarde de domingo, e então fazê-las participar de uma reunião de trabalho, Remus não se sentia constrangido. Havia coisas importantes em jogo, e além disso, sua intimidade com os convidados permitia essa pequena e necessária quebra das regras de etiqueta.
Um rumor leve vindo da lareira fez o lobisomem olhar em sua direção. A cabeça de Rony apontava, e em instantes o ruivo estava parado no meio da sala, enquanto Hermione começava a surgir. Com um sorriso nos lábios, Remus ergueu-se para cumprimentá-los. Nesse momento ouviu um novo ruído, e então Harry, e logo após, Draco, também chegaram.
Lupin mal tivera tempo para pedir que se sentassem quando Nymphadora surgiu, puxando Teddy pela mão. O garotinho tinha os cabelos devidamente penteados e uma carinha emburrada. Depois de cumprimentar todos, e dizer a Teddy que fizesse o mesmo, Nympha explicou que estava de saída, iria passar a tarde com Andrômeda. Diante da surpresa dos garotos, Lupin explicou a eles a verdadeira natureza do seu convite.
—Eu quis que parecesse um encontro social, desculpem-me por isso.
Tinham passado para a pequena sala de jantar, onde ocupavam quase todos os lugares da mesa de madeira. Rony ergueu a mão, e todos se voltaram para ele.
—Eu só não compreendo o que o Malfoy faz aqui, se essa é uma reunião de trabalho.
Lupin sorriu.
—Bem, em primeiro lugar, a presença de Draco faz com que nosso encontro se pareça com um evento entre amigos. Além disso, o assunto do qual trataremos é bastante delicado, e vocês são as pessoas mais próximas de mim no Ministério, as pessoas em quem eu mais confio.
—Ele também?
Rony perguntou, inclinando a cabeça na direção de Draco e erguendo as sobrancelhas. Harry, ao ouvir o questionamento do amigo, passou o braço ao redor do encosto da cadeira do namorado, como se pretendesse protegê-lo. O loiro apenas balançou a cabeça, com um sorriso torto nos lábios, enquanto Hermione olhava feio para o noivo.
—Sim, eu confio plenamente em Draco, da mesma forma que confio em vocês três. Isso não quer dizer que eu desconfie dos nossos colegas ausentes; eu só não gostaria de criar um alvoroço desnecessário.
—Aconteceu alguma coisa?
A preocupação estava presente tanto no tom de Harry quanto na expressão dos outros três, que encaravam o lobisomem, ansiosos pela resposta.
—Não, nada aconteceu, e esse é problema, ao meu ver. Nós nos empenhamos ao máximo em fazer do Campeonato de Quadribol um evento seguro, e ele foi, mas não como resultado do nosso trabalho. Aubrey simplesmente não apareceu. Eu sei que isso não é algo que se deva lamentar, e eu não estou fazendo isso. Só me intriga que não haja qualquer sinal dele, embora nós estejamos despendendo tanto esforços quanto recursos nessa busca infrutífera. Eu vejo que as pessoas tendem a acreditar que ele não atacará mais, e isso me preocupa.
—Talvez ele tenha morrido, e seus seguidores se dispersado depois disso.
—Não, Hermione, ele não morreu. Eu descobri recentemente que, na Divisão de Operações Especiais, existem alguns feitiços de proteção bastante antigos que foram feitos por ele, quando ainda trabalhava no Ministério. Se ele tivesse morrido os feitiços se desfariam automaticamente.
—Então por que as pessoas se apegam à possibilidade de que ele esteja morto? Essa é uma prova concreta de que ele ainda está bem vivo por aí!
—Porque eu não contei isso a mais ninguém, Rony. Na verdade eu venho pensando, há algum tempo, que seria impossível para qualquer um, na situação de Aubrey, desaparecer dessa forma , a não ser que estivesse recebendo algum tipo de ajuda.
Fez-se um silêncio profundo na sala, que Lupin não fez questão de quebrar. Sabia que estavam todos digerindo a informação, e o que mais lamentava era não poder dizer a eles que o monstro que temiam tinha sido criado pelo próprio Ministério. Draco foi o primeiro a romper o silêncio.
—Ele pode ter se assustado com o cerco, pode ter saído do país e estar escondido em um buraco qualquer. Talvez ele tenha entendido que o melhor a fazer seria sumir, e ficar bem quieto até o fim dos seus dias.
—Nós estamos em contato permanente com autoridades bruxas do mundo todo. Seria muito difícil que ele conseguisse passar o resto da vida oculto, ainda que fora da Inglaterra. Se for esse o caso, nós o encontraremos cedo ou tarde.
Hermione suspirou.
—Mas ele também pode estar bem próximo de nós, sob a proteção de alguém, esperando o momento certo para atacar outra vez.
—Exatamente, Hermione. A informação que eu dei a vocês, terei que passá-la ao Ministro em breve. Posso ser acusado de traição por não ter comunicado de imediato essa descoberta. Eu só me arrisquei porque quero, e para isso precisarei da ajuda de vocês, algum tempo para observar melhor as pessoas à nossa volta.
Harry o encarou por alguns instantes, e depois fez a pergunta que, Lupin imaginou, deveria estar passando pela mente dos outros três.
—Você se baseia em algo para imaginar que exista alguém dando suporte a Aubrey? Eu quero dizer, há alguém de quem você suspeite?
—A resposta para ambas as perguntas é não, Harry. Estou me guiando pura e simplesmente pela minha intuição, e admito que posso estar enganado. Vocês também devem saber que se me ajudarem e nós formos descobertos, serão considerados conspiradores.
Novamente um silêncio pesado os envolveu, quebrado por Harry.
—Não seria a primeira vez, para mim. Estou com você.
Um a um, todos manifestaram seu apoio, inclusive Draco. Lupin sentia-se a um só tempo aliviado e temeroso, mas já não podia mais ignorar seus instintos, que apontavam para a existência de um cúmplice de Aubrey dentro do Ministério.
—Bem, então eu acho melhor organizarmos um esquema de trabalho, mas antes disso, trarei chá e a torta de avelã que Nympha preparou para nós.
Draco saiu do banheiro e caminhou em direção à cama. Harry já estava deitado, lendo um livro, que abandonou assim que o viu. O loiro se aninhou sob os cobertores e buscou de imediato contato com o corpo nu do herói, que o envolveu em seus braços. Isso era tudo o que Draco precisava para fazer desaparecer de sua mente a reunião dessa tarde. Pensara nela o dia todo, e embora não tivessem comentado o assunto depois de deixarem a casa de Lupin, sabia que o mesmo se passava com Harry. Confirmando o que acabara de pensar, o herói o olhou.
—É estranha a maneira como as coisas acontecem. Ainda hoje eu estava pensando que, em toda a minha vida, eu nunca tinha me sentido tão bem, tão seguro.
O loiro sentiu seu peito se aquecer e sorriu, encarando os olhos esmeralda.
—Isso não vai mudar, Harry. Nós vamos resolver esse problema, e tudo vai continuar bem.
Viu Harry sorrindo, um sorriso quente e luminoso, enquanto estendia a mão e acariciava seu rosto. O herói se aproximou e cobriu sua boca com beijos breves e delicados, no lábio superior, no inferior, no canto da boca, para então tomá-la de uma vez, invadindo-a com sua língua morna e doce. Draco se moveu para aumentar a proximidade entre eles, ciente de que seu corpo inteiro gritava por Harry. O herói percebeu e sorriu, puxando-o contra si, enquanto o virava para o outro lado e colava seus corpos.
Deitado de lado, Draco sentia o peito de Harry pressionando suas costas, sentia o membro rijo tocando suas nádegas, enquanto a mão do herói avançava por sua virilha e empunhava seu membro. Arrepiava-se às palavras insanas sussurradas em seu ouvido, sentindo-se deliciosamente tomado de assalto pelo herói. Não sabia se os gemidos que ouvia eram seus ou dele, tudo o que sabia era que o queria dentro de si. Estendeu a mão e pegou, sobre a mesinha de cabeceira, o frasco de poção lubrificante, que entregou ao herói. Quando Harry soltou seu membro para preparar-se e guiar a própria ereção, o loiro empinou os quadris, facilitando o acesso ao seu corpo. Sentiu a cabeça do membro pujante forçando sua passagem e relaxou totalmente, pronto para recebê-lo.
Estavam conectados agora, e Draco podia sentir a pulsação de Harry, que estava imóvel, dentro de si. Era delicioso tê-lo assim, o loiro ansiava para que ele iniciasse logo o movimento de vai-e-vem. Ao invés disso, Harry levou a mão ao seu rosto e o virou até conseguir alcançar sua boca, que beijou novamente, enquanto movia-se para a frente e para trás com extrema lentidão, levando Draco à loucura.
Buscou a mão do herói com a intenção de levá-la novamente ao seu membro, mas antes que pudesse fazê-lo, Harry entrelaçou os dedos aos seus, e com a boca colada ao seu ouvido, murmurou.
—Eu quero você para sempre. Quero um casamento, quero formar uma família com você...
Draco sentiu o ar lhe faltar. Queria olhar nos olhos de Harry, queria beijá-lo, sentia uma emoção tão forte que sentiu os olhos úmidos. Mais uma vez Harry não lhe deu tempo, mergulhando novamente em sua boca e empunhando-o com firmeza, enquanto reiniciava os movimentos de penetração, dessa vez tão intensos quanto a emoção que os envolvia.
Perdido entre tantas sensações maravilhosas Draco apenas se deixou guiar, pensando que esse momento trazia sentido a toda a sua existência.
Bertram Aubrey pensava na reunião que tivera com Scrimgeour, Moody e Shacklebolt, tempos atrás. Até aquela ocasião tinha acreditado que fazia parte da "equipe", e que, embora lhe tivessem delegado a parte suja do trabalho, eles o vissem como a um igual. Isso era o que diziam todo o tempo, mas não era verdade. Naquela reunião descobrira que o menosprezavam, que o viam como a um inferior, como alguém que poderia ser usado e em seguida descartado. Moody o chamara de incompetente, alegando que ele ferira Narcissa e deixara que o garoto Malfoy o observasse durante o falso sequestro. Além disso, acusara-o de extorsão, só porque tinha vindo requisitar alguns poucos benefícios além do combinado. Tolices! Eram todos idiotas se pensavam que detalhes insignificantes poderiam tirar o brilhantismo de sua atuação. Seria apenas justo que lhe pagassem dignamente, afinal, tinham conseguido tudo o que queriam. Mas não, nada para o velho Aubrey além de um cargozinho destituído de importância, e de calorosos apertos de mão. Que se danassem!
Ao final lhes mostrara quem realmente era. Deliciava-se ao imaginar o arrependimento que deveriam estar sentindo nesse momento. Não Moody, naturalmente. Esse já não sentia nada há muito tempo. Mas os outros... Gostava de pensar nisso, de se lembrar daquela manhã em que deixara o Ministério humilhado e furioso, para em seguida virar o jogo. A grande festa oferecida por Scrimgeour para comemorar a paz no mundo bruxo tinha sido o marco do seu triunfo. Naquela noite mostrara que era um homem a quem não se devia menosprezar, um homem a quem todos deveriam tratar respeitosamente. Imerso em seus pensamentos, estremeceu ao ouvir a leve batida na porta, que se abriu para a entrada de um homem alto e magro, vestindo um terno escuro. Ele caminhou até onde se encontrava o ex-auror e parou diante dele, o respeito perceptível tanto no tom de sua voz com em sua postura.
—Com licença, senhor Ministro. Desculpe-me pela interrupção, mas o senhor tinha pedido que o avisássemos quando faltassem dez minutos para o início da reunião.
N/A: A fic tá acabando, pessoal. Espero que vocês estejam gostando, e espero também que comentem. É tão desinspirador escrever imaginando que ninguém tá curtindo a fic! Vamos lá, deixem um comentáro para me animar, né! haha
Crisro: Você é uma linda, e eu espero ter atendido a todas as suas reivindicações. Aliás, o beijo dos dois diante da Scrimgeour foi só para você! haha
Obrigada por ler e comentar!
Beijos!
