Hazel

Capítulo II

Escrito por Nevilla F.

Na segunda-feira seguinte após o encontro com Longbottom, Severus descia pela escada para chegar à plataforma da estação do metrô. Com a rotina fixa, o ex-diretor de Hogwarts saía todos os dias, no mesmo horário, da farmácia de manipulação para pegar o metrô até sua casa. O bruxo achava desagradável se locomover através do jeito muggle, mas fazia parte da sua pena imposta por Shacklebolt. Ao menos ele estava em liberdade e não em uma cela minúscula de Azkaban.

Porém algo incomodava o professor ao pensar nisso. Ele tinha tido lido no jornal que Lucius Malfoy, após ficar apenas cerca de um ano em Azkaban, seria liberado ainda nesse mês. Era incrível como o dinheiro, poder e influência sempre ajudavam os Malfoy com qualquer problema, até se livrar da prisão, refletia Severus.

Lucius era seu amigo, mas ele gostaria de ver a feição do aristocrata quando ele lesse a reportagem que Skeeter escreveu sobre ele. Entre as palavras de Skeeter podia se destacar: dinheiro podre, grande corrupto, Comensal da Morte fracassado e bruxo sem talentos... Um sorriso enviesado se formou no rosto de Severus com esse pensamento. Sim, ele com certeza entregaria o jornal pessoalmente ao seu velho amigo.

Mas no momento, suas mãos estavam ocupadas com outro tipo de jornal. Enquanto caminhava entre os muggle para esperar o metrô na estação, ele lia o Daily Star, um jornal muggle apenas de esportes. Severus gostava de Quadribol, mas também apreciava futebol, como qualquer inglês. Snape torcia para o Manchester United, maior rival do time de seu pai, Liverpool. Provocar o pai quando o time dele perdia era um de seus poucos prazeres na infância. Severus gostaria de poder atormentar o pai nesse momento, com o United líder do campeonato inglês e com grandes chances de faturar a Champions League.

Satisfeito, Severus lia a resenha da vitória do seu time no sábado. O bruxo estava tão distraído, que ele não percebeu um rapaz se aproximar dele.

"Olá!", saudou uma voz familiar.

Snape, um combatente nato, soltou o jornal e sacou a varinha em menos de dois segundos. Quando viu que era Neville Longbottom, sua feição ficou mais dura.

"O que pensa que está fazendo, Longbottom?", rosnou enquanto guardava a varinha no bolso e olhava em volta para ver se os muggle haviam reparado algo. Felizmente, a maioria deles tinha os olhos vidrados em seus celulares, tablets e computadores.

"Desculpe, não quis assustá-lo", disse Longbottom, depois se abaixou para pegar o jornal de Severus. Antes de devolvê-lo, o rapaz reparou na página que o jornal tinha sido dobrado. Longbottom sorriu, fazendo seus olhos hazel brilharem. "Você é torcedor do Manchester United?", perguntou enquanto entregava o jornal para o ex-professor.

Apesar do sorriso de Longbottom, a feição de Severus permanecia estava fechada.

"Longbottom, nunca mais se aproxime de mim desse jeito. Eu poderia ter te enfeitiçado ou até usado um imperdoável em você."

"Sua varinha não tem um rastreador?", indagou Longbottom em tom pouco preocupado, mas não soava displicente e arrogante como Potter. "Pensei que os rastreadores não permitissem o uso das maldições imperdoáveis e de magia das trevas."

Severus rosnou baixo, apertando os olhos. Detestava o fato de Longbottom não ser mais o menino bobinho e tolo que costumava ser. Agora Longbottom era bem informado, habilidoso em poções, futuro auror e era fã de futebol, pelo visto. Isso sem contar que Longbottom havia ficado mais alto do que ele alguns centímetros. E, para completar, Longbottom era dono de olhos hipnotizantes. Ora! Severus não deixaria Longbottom sair por cima.

"Shacklebolt me alertou sobre o rastreador, mas eu tenho dúvidas sobre sua eficácia. Se eu tentar utilizar um imperdoável, talvez funcione. Minha varinha sempre foi muito leal a mim. Deseja que eu lance um imperdoável em você para vermos o que acontece?", provou com maldade.

Longbottom ficou um tom mais pálido, mas não transpareceu medo. Após alguns segundos em que Severus transparecia satisfação por tê-lo calado, o rapaz disse:

"Independente se funcionasse você voltaria para a prisão."

"Você vai pegar o metrô?", perguntou secamente enquanto caminhava até as portas abertas no metrô que havia chegado à plataforma.

Snape entrou primeiro no vagão e Longbottom se encaminhou rapidamente até ficar ao lado dele. Apesar da conversa sobre maldições imperdoáveis, Severus reparou que o rapaz parecia relativamente contente com encontro casual.

"Por que está usando o metrô de novo, Longbottom? Desse jeito vou ter certeza que você não sabe aparatar e provavelmente tem medo de usar vassouras. Eu sei que você não tem a habilidade de Potter", disse com maldade, somente para tirar o sorriso bobo do ex-aluno.

"Estou indo novamente para o pub da semana passada. O metrô é o meio de transporte mais eficiente para chegar lá, já que é um pub muggle", respondeu e pela primeira vez Snape notou traços de irritabilidade na voz do rapaz. Parecia que Longbottom estava aborrecido por ser menosprezado. "É uma confraternização de fim de ano dos ex-alunos de Hogwarts. Dezembro é cheia dessas confraternizações. Você tem planos para hoje? Seria legal se passasse no pub."

Severus ignorou o convite. Ele reparou que Longbottom não estava acompanhado dos seus escudeiros.

"Onde estão seus amiguinhos Potter e Weasley?"

Severus viu Longbottom franzir a testa, levemente contrariado, mas depois suavizou sua expressão. Por um momento delirante, pareceu ter ficado enciumado pelo professor ter citado o nome dos colegas.

"Eles já estão no pub. Como eu dizia, é uma reunião de ex-alunos de...", Neville parou de falar, porque um homem passou por perto deles. "Da escola."

Snape quase sorriu de descrença.

"Acha que meus ex-alunos ficarão felizes em me ver?"

"Sim... Eu..."

"Foi uma pergunta retórica, Longbottom! Sinceramente, eu não ficaria feliz em ver meus ex-alunos."

"Se mudar de ideia, estamos indo para o mesmo pub da semana passada. Lembra do endereço? Eu escrevi no papel."

A voz do auto-falante anunciou a próxima estação.

Severus não retrucou e eles ficaram em silêncio desagradável. Snape continuaria calado até chegar a sua estação, mas Longbottom parecia incomodado com a falta de conversa.

"Você não me confirmou. É um diabo vermelho?"

"Sou torcedor do United. Sinceramente, Longbottom, eu não esperava que você tivesse tanta familiaridade com esportes muggle."

"Eu gosto de futebol. Harry me deu um celular e depois eu comprei um... Computador, certo? É muito divertido! É tão fácil acessar o conhecimento. Foi através da intranet que eu conheci o futebol e os times da Inglaterra e de todo mundo. Eu tento acompanhar todas as ligas mais importantes. Tenho um time em cada país da Europa."

Severus deu um sorriso sarcástico.

"Tenho certeza absoluta que sua avó ficará encantada em ouvir isso. Seu precioso netinho está se tornando um amante de muggle, igualzinho a Dumbledore."

Dignamente, Longbottom ignorou o comentário do professor, já que entre os Slytherins ser um amente de muggle é uma bela ofensa.

"Também sou torcedor do United. Estou realmente feliz com nosso desempenho esse ano."

Snape, pela primeira vez desde que se encontraram, olhou diretamente para os olhos hazel, a fim de entender as razões para o garoto torcer para o seu time. Seria outra brincadeira? Ou apenas uma dedução óbvia, já que Longbottom viu que Severus lia a respeito do time? Tentou utilizar Legilimência, mas só teve acesso a pensamentos indistintos sobre o dia do rapaz. O que ele almoçou, os planos para a confraternização, os colegas que tinham confirmado presença. E foi com surpresa que sentiu, em seguida, Longbottom bloqueando seu acesso.

"Já pedi para não fazer isso comigo", disse o rapaz com decepção.

Enquanto o auto-falante anunciava a próxima estação, Severus não cansava de se surpreender com Longbottom. Parecia que o rapaz não sentia raiva ou ódio, era sempre polido e controlado. Longbottom poderia ter sido aceito em Hufflepuff com facilidade. E de certo modo, isso era agradável, já que ele era totalmente diferente do temperamento agressivo, mal educado e explosivo de Potter.

"Só usei a Legilimência porque queria entender seu interesse por esse time especificamente."

"E por que não me perguntou? Não é mais fácil?"

"Longbottom, você precisa entender uma coisa simples: a minha vida inteira eu perguntei menos e usei mais Legilimência. Se não gosta da forma como ajo, basta você me evitar. Você, diferente de mim, tem acesso a outros meios de transporte que eu não possuo no momento."

"Mas por que não me pergunta diretamente?", insistiu.

O metrô parou na estação e as portas se abriram.

"Essa é a minha estação. Se for desmarcar ou não puder comparecer ao seu teste no fim de semana, avise pelo nosso meio de correspondência", disse e se afastou.

Quando as porta do metrô se fecharam, Severus aparentava satisfação. Ele fez bem ao lembrar para o rapaz desmarcar caso não pudesse ir para sua casa. Isso porque Longbottom era conhecido por ter problemas de memória. O ex-professor esperava sinceramente que Longbottom tivesse um namorado lobisomem e desmarcasse o teste por ser na lua cheia. Já que para Snape qualquer explicação para o interesse de Longbottom em Poções era melhor do que pensar que seu ex-aluno pudesse estar sentindo qualquer tipo de sentimento por ele.

-X-

Neville saiu do metrô na estação seguinte. Obviamente ele não desceu na estação que ficava próxima ao pub da confraternização. Havia de fato uma confraternização com os colegas de Hogwarts em um pub muggle, mas o rapaz só pretendia ir caso Snape demonstrasse algum interesse. Neville sabia que tinham poucas chances de Severus mostrar interesse, mas ele sempre mantinha a esperança.

Já fora da estação e andando pela rua movimentada, Neville olhou em volta procurando por um beco ou um lugar menos habitado. Depois de encontrar um beco totalmente vazio, ele desaparatou.

Neville aparatou na rua onde Hermione morava, sua real professora particular de Poções. Apesar do rapaz estar estudando e praticando poções em casa e nas aulas, a amiga o auxiliava quando encontrava alguma dificuldade no preparo das poções.

Longbottom identificou a casa de Hermione e seguiu para lá. Ele bateu na porta e aguardou, após alguns instantes a amiga abriu a porta.

"Oi, Neville! Achei que viria. Venha, entre. Ginny também está aqui."

"Oi, Hermione!", cumprimentou sorrindo. "Pensei que Ginny fosse para a confraternização com os meninos."

"Bem, Ginny realmente não gosta de ver Harry e Rony sendo tão paparicados pelos outros alunos, assim como eu. Então ela decidiu me fazer companhia", disse e abriu totalmente a porta para o rapaz entrar. "Venha, Neville, vamos estudar. Separei algumas poções interessantes que talvez ele peça para você fazer."

Longbottom entrou na casa e Ginny sorriu de maneira torta ao identifica-lo.

"Snape não quis ir para a confraternização com você?", zombou a ruiva.

"Não."

"Como ele reagiu ao te ver hoje?"

"Ele apontou a varinha para mim."

"O que?", exclamou Hermione e Ginny em uníssono.

"Eu o assustei acidentalmente, ele estava lendo jornal quando o abordei. Vamos mudar de assunto? Trouxe meu caldeirão e alguns ingredientes, Hermione. Realmente estou tendo dificuldades para conseguir fazer a Felix Felicis."

"Essa é uma poção realmente difícil. Vamos para a cozinha, então. Vou até o meu quarto pegar alguns livros que eu separei para você."

Ginny esquadrinhava Neville com atenção enquanto os dois se encaminhavam para a cozinha. Longbottom fingia não notar que estava sendo observado pela ruiva.

"Pode me contar, Neville! O que foi que ele fez com você?"

O rapaz ficou em silêncio alguns segundos, depois respirou fundo e começou a falar.

"É frustrante, Ginny. Ele ainda me vê como um estúpido. Snape me disse hoje que eu andava de metrô porque não era capaz de aparatar. Acho que nunca vou fazê-lo me ver com outros olhos."

"Ah, Neville. O estúpido é ele por não te enxergar. Você tem melhorado exponencialmente ao longo dos anos, e em seu último ano em Hogwarts você provou ser o legítimo Gryffindor que sempre foi. Neville, você enfrentou Voldemort! E é merecidamente um futuro auror. Sem contar que você se tornou um lindo homem."

Longbottom esboçou um sorriso para Ginny. A amiga realmente fazia Neville se sentir melhor com ele mesmo.

"Se Snape me visse com seus olhos, Ginny..."

"Ele já estaria apaixonado por você. Mas é apenas questão de tempo. Se aquele maldito, desculpe, se aquele bruxo tem um coração, só você conseguirá alcança-lo."

Neville continuou sorrindo enquanto abria a mochila enfeitiçada e tirava de lá o caldeirão e seu conjunto de ingredientes.

"Li no jornal que Lucius Malfoy vai sair em breve da prisão", comentou Ginny com acaso.

Longbottom ficou pálido, mas continuou remexendo na mochila.

"Tem alguma coisa a ver com isso? Eu sei que você foi vê-lo em Azkaban na semana passada, apesar de não ter me contado", continuou Ginny.

Nervoso, Neville deixou a mochila cair no chão.

"Quem te disse isso?", perguntou ele, enquanto se abaixava para pegar a mochila.

"Eu sei que você foi com Bill em Azkaban, mas não foi meu irmão que me contou. Meu pai comentou acidentalmente ontem no jantar."

"Ah, Merlin...", suspirou Neville, colocando a mochila novamente em cima da mesa. Com o rosto extremamente vermelho, ele não conseguia olhar para a amiga.

"Foi pedir algo para Malfoy?", insistiu Ginny.

Longbottom respirou fundo e encarou a amiga.

"Eu precisava conversar com algum amigo de Snape, alguém que conhecesse sua intimidade. Draco sempre disse que Snape era muito amigo de seu pai. Fui ver Malfoy e tentar que ele cooperasse comigo."

Ginny sorria, fascinada pelo esforço do amigo. Era estimulante ver que Neville realmente estava determinado a ir atrás do que queria.

"Malfoy te ajudou? O que ele te contou a respeito de Snape? Ele confessou que foi amante de Snape?"

Hermione entrou carregada de livros na cozinha nesse momento.

"Quem foi amante de Snape?"

"É o que vamos descobrir agora", respondeu Ginny.

-X-

Flash-back

Neville Longbottom e Bill Weasley aguardavam em um dos corredores de Azkaban a chegada do guarda que liberaria a entrada deles em uma determinada cela. O lugar era horrível de se estar, até o chão e as paredes pareciam angustiados e desesperados por estarem ali. Mesmo sem a presença dos dementadores, Azkaban era em definitivo um dos piores locais no planeta. Havia ainda o clima constantemente frio, com correntes de ar gelado passando pelos corredores o tempo inteiro.

"Tem certeza que quer fazer isso, Neville? Lucius Malfoy não é exatamente uma pessoa confiável. E, sinceramente, não acho que Snape valha esse esforço."

Neville apertando mais o cachecol em volta do pescoço, olhou com olhar suplicante para o amigo. Ele não podia desistir agora. Ele já tinha feito um enorme esforço pedindo diretamente para o vice-ministro da magia, Arthur Weasley, para liberar uma visita a Lucius Malfoy.

"Por favor, Bill. Eu preciso de auxílio para fazer o voto Inquebrável."

"Neville, você precisa saber que existem outros bruxos e bruxas que são loucos por você. E aceitariam um relacionamento com você com a maior alegria do mundo", Longbottom tentou interromper, mas Bill levantou a mão, pedindo silêncio e continuou falando. "Mesmo que você descubra hoje que Snape seja bissexual, o que isso iria adiantar? Não duvido que ele irá transar com você. Tenho plena convicção que ele não será imune a sua beleza. Mas a minha dúvida é o que vai acontecer em seguida. Você quer se relacionar com ele, e eu tenho certeza absoluta que ele não é do tipo que aceita relacionamentos."

"Ainda assim eu quero continuar, Bill. Eu preciso tentar. Mesmo que não dê em nada. Eu preciso viver minha vida intensamente, sabendo que fiz o que pude para alcançar meus objetivos."

Bill olhou com mais que ternura para Longbottom, parecia algo como cobiça. Neville percebeu o tipo de olhar que recebia e recuou um passo. Não era a primeira vez que recebia esse tipo de olhar do bruxo. Já que desde que Bill terminou o casamento com a francesa, há uns meses atrás, ele parecia particularmente interessando em Neville.

"Admiro sua força de vontade, Neville", disse e deu um passo na direção de Longbottom. "Lembra o que eu falei sobre os bruxos loucos por você? Sou um deles. Não estou te exigindo nada, só quero que você saiba disso. Tenha sempre isso em mente."

Neville estava muito desconcertado. Ele já tinha notado que o interesse de Bill era mais profundo do que amizade, mas não esperava que Bill fosse ser tão explícito. Uma corrente de ar glacial passou por eles.

"Hum...", fez Longbottom sem saber o que responder.

Bill sorriu enviesado, achando graça por ter deixado o rapaz sem jeito.

"Você não tem ideia de como é atraente, Neville", falou. O rapaz parou de sorrir assim que avistou o guarda mal humorado se aproximando deles. Com a abolição dos dementadores na prisão, agora os guardas eram bruxos treinados.

"Estão aqui para ver Malfoy, correto?", perguntou o homem com a voz grave.

"Sim, senhor", respondeu Neville.

O guarda, um homem alto e com aspecto de poucos amigos, se aproximou e destrancou a cela mais próxima com um complicado balançar de varinha seguido de um escaneamento das digitais de sua mão esquerda.

"Se precisar de ajuda, aperte esse dispositivo", falou e entregou uma caixinha retangular para Neville. "Tente ser breve, ok?"

"Entre primeiro, Neville. Veja se ele está disposto a conversar, depois eu entro para fazermos aquilo", disse Bill.

O guarda franziu o rosto, pois parecia ter interpretado aquilo com conotação sexual.

Longbottom colocou o dispositivo no bolso direito e apalpou sua varinha no outro bolso da calça. Ele estava seguro de si. Não tinha medo de Draco Malfoy e tampouco de seu pai. Além disso, ele estava armado, enquanto o Comensal da Morte não. Tentando aparentar indiferença, Neville empurrou a porta da cela e entrou.

Assim que entrou no recinto, Longbottom viu Lucius Malfoy sentado no chão em uma cela vazia e triste. O local não tinha cama, apenas algumas cobertas jogadas no chão como um colchonete improvisado e uma pilha de jornais. Neville viu que os olhos cinza faiscaram ao identifica-lo.

"Isso sim é uma agradável novidade! Neville Longbottom, o verdadeiro herói de Hogwarts, em Azkaban. Estou honrado com a sua presença, menino", disse com a voz arrastada e fria, e em seguida se ergueu do chão.

Um pensamento incômodo perpassou a mente de Longbottom. As palavras de Lucius tinham sido muito semelhantes com as de Snape.

"Eu vim propor um acordo com você, Malfoy."

"É mesmo?", indagou enquanto analisava o corpo de Neville. "Você cresceu, Longbottom. Ficou muito interessante. O que deseja de mim?"

"Informações", respondeu e viu claramente Malfoy ficar desapontado.

"E o que me dará em troca?", perguntou e lançou um olhar lascivo para Neville. "Poderia ser você. Um dia inteiro de diversão, o que acha?"

Longbottom engoliu em seco enquanto via o loiro sorrir e passar a língua lentamente pelo lábio inferior de forma provocativa. Ele não iria ser intimidado pelo Comensal da Morte.

"Isso está fora de cogitação, Malfoy. Posso oferecer minha ajuda para reduzir sua sentença em reclusão ou até para melhorar suas acomodações aqui."

"Agora eu estou realmente interessado, Longbottom. Mas dependendo da informação, talvez tenha que me pagar de outra forma. Já disse que você se tornou um bruxo muito interessante?", disse e a última palavra saiu com luxúria.

Neville fechou a mão em punho.

"Irei repetir para que me entenda bem, Malfoy, eu não estou negociando meu corpo. Vim aqui trocar informações pela sua redução de pena em Azkaban", falou com convicção.

Os olhos cinza faiscaram por estar sendo contrariado. Mas a expressão de Lucius não condizia com derrota, ele aparentava ter perdido uma batalha, mas tinha plena certeza de que venceria a guerra. Neville ficou realmente incomodado ao perceber isso.

"Em que posso lhe ser útil, Longbottom?", perguntou e ainda olhava para o rapaz como se estivesse faminto.

Neville precisou respirar fundo para manter a aparência firme.

"É sobre Snape."

Lucius esboçou um sorriso, mas seus olhos cinza ainda aparentavam frieza e cobiça.

"Severus? O que quer saber dele? Seu amiguinho Potter fez um belo trabalho livrando-o da prisão com as memórias daquele maldito velho."

Neville fugiu da pergunta direta do bruxo.

"Farei um voto inquebrável com você para selarmos nosso acordo de ajuda mútua. Você concorda?"

Os olhos cinza luziram ao notar que o rapaz se esquivava da pergunta.

"Primeiro me diga o quê exatamente quer saber de Severus."

Neville fechou as mãos em punho novamente e parecia estar fazendo força física para olhar diretamente para Lucius ao dizer as palavras seguintes. Se desviasse o olhar iria parecer fraco. E Neville havia aprendido bem que não se podia aparentar fraqueza para um Slytherin.

"Quero saber de sua vida amorosa."

Malfoy gargalhou de zombaria, fazendo Neville ficar ainda mais vermelho.

"Não tem muito o quê contar, menino. A redução da minha pena será de quanto tempo? Eu já estou aqui há muito tempo... Sozinho e disponível."

"Depende do quanto você me disser."

"Irei dizer tudo que eu sei para você com uma condição. Se aproxime mais de mim, parece que está com medo."

"Não irei me aproximar de você e não sinto medo."

"Se eu fosse Severus, você sentiria mais vontade de se aproximar de mim?", provocou.

Neville fingiu não se abalar e preferiu contornar mudando de assunto.

"Posso te providenciar uma cama digna e talvez uns livros para sua cela. E irei falar pessoalmente com o vice-ministro sobre uma redução da sua pena. Essa é a minha proposta."

"E só o que quer em troca são informações sobre Severus?", riu com deboche. "Você deve estar muito interessado em seu professor."

"O acordo será firmado com o voto inquebrável. Você aceita ou não?"

"Eu aceito."

Neville bateu na porta sem tirar os olhos de Lucius. "Bill?", chamou um pouco mais alto.

A porta da cela tornou a abrir e Bill Weasley entrou no recinto. A feição do ruivo ficou dura ao olhar para Lucius, que sorriu enviesado.

"Dois heróis do mundo mágico na minha cela. Sabem de uma coisa? Isso irá fermentar algumas fantasias", provocou, dividindo o olhar entre os dois bruxos atraentes.

"O vice-ministro mandou lembranças, Malfoy. Saiba que a minha mão é tão pesada quanto a dele."

Lucius sorriu com malícia.

"Você gosta de bater, William? O filho de Arthur Weasley é um sádico?"

"Quer experimentar? Eu adoraria acertar um soco no seu nariz", ameaçou Bill.

"Vamos fazer logo o voto para sairmos daqui. Por favor, Bill?", interveio Neville.

Lucius sorriu com maldade.

"Agora você irá ter que se aproximar de mim, Neville."

Neville ignorou ter sido chamado pelo primeiro nome, apesar de não ter gostado. Ele tirou a luva da mão direita e andou até Lucius, que o esperava sorrindo e com a mão erguida.

"Fica ainda mais bonito de perto, Neville."

Longbottom respirou fundo e segurou na mão direita do Comensal da Morte. Como esperado, a pele de Lucius era fria e o toque direto fez descer um calafrio desagradável pela coluna de Neville.

"Você é quente, menino", sussurrou Malfoy.

"Bill?", chamou Longbottom, mas o bruxo já estava ao seu lado, olhando com cólera para Malfoy. Bill colocou a ponta da sua varinha sobre as mãos unidas.

"Você, Lucius Malfoy, se compromete a responder com sinceridade todas as minhas perguntas a respeito de Severus Snape?", perguntou Neville.

"Eu responderei", disse e em seguida uma pequena língua de fogo saiu da ponta da varinha de Bill e laçou as mãos dos bruxos como arame farpado em chamas.

"Você aceita não revelar nenhum detalhe do conteúdo da nossa conversa com ninguém?"

"Eu não revelarei", falou e outra língua de fogo saiu da varinha e se enrolou nas mãos dos bruxos.

"Você não falará em hipótese alguma para Severus Snape o que se passou nessa cela?"

"Eu não falarei nada para Severus", garantiu e mais outra língua de fogo escapou da varinha de Bill.

"Em troca, eu irei te ajudar reduzindo sua pena em Azkaban."

"Estamos de acordo", falou Lucius e uma última língua de fogo, bem mais grossa que as demais, saiu da varinha e contornou as mãos dos bruxos.

Neville soltou a sua mão do forte agarre de Lucius e se afastou. Bill, em tom nada amistoso, encarava Malfoy com ainda mais ódio, aparentemente pelo bruxo ter aceitado cooperar com Longbottom.

"O que sabe sobre a vida amorosa de Snape?", perguntou Longbottom, após respirar fundo.

"Muito pouco. Como vocês sabem, Severus só admitiu amar uma pessoa, a sangue-ruim."

"Cuidado como fala", ameaçou Weasley.

"Continue", pediu Neville.

"Severus dizia amar Lily Evans, mas até onde eu sei a relação deles nunca passou de amizade. Mas depois que ela passou a ignorá-lo, Severus foi consolado por outro", explicou Lucius, sorrindo com malícia.

"Por outro bruxo, você quer dizer?"

"Por que está tão interessado nele, Longbottom? Pode me responder, já que por conta do voto, não poderei dizer a ninguém o que se passou aqui."

"Responda a minha pergunta, Malfoy. Bruxos? Você?", insistiu Neville.

"Eu?", disse com incredulidade e exasperação. "Em Hogwarts, Regulus Black tinha uma espécie de paixão por Severus. Eu sei que eles se tornaram amantes já na escola, mas Severus e Regulus sempre foram discretos."

A esperança queimou no peito de Neville com essa informação. Severus já tinha tido um amante homem no passado. Havia esperança!

"E você? Se relacionou com Severus?", perguntou Longbottom e tentou não mostrar fraqueza em sua voz.

"Nossa relação era estritamente de amizade. Somos amigos, desde cedo ele demonstrou ser um bruxo talentoso, inteligente e hábil. Por isso fui eu quem apresentou Severus para o Lorde das Trevas. Eu via muito potencial nele, apesar de ser mestiço."

Neville fechou a mão em punho, tentando controlar o ciúmes que parecia queimar em suas artérias.

"Então não transou com ele?"

Lucius sorriu com a pergunta.

"Assim como você, Longbottom, Severus só se tornou interessante depois de terminar os estudos. Contudo, eu nunca senti atração sexual por ele. Nunca fomos e nunca seremos amantes. E no passado havia Regulus, que era bastante possessivo com relação a Severus."

Neville ficou em silêncio. Sua cabeça fervendo com as informações que recebia.

"Não vai perguntar a respeito da performance de Severus, Longbottom? Eu tenho as respostas. Regulus me contou algumas coisas e eu sei que está curioso", incitou Lucius.

"Isso não me diz respeito."

"Te farei um favor então. Já que você é um Gryffindor muito digno para perguntar, eu irei dizer. Regulus me disse que Severus foi um dos melhores amantes que já teve. Ele..."

"Pare!", ordenou Neville. "Não vim aqui ouvir isso."

Lucius sorria de forma desagradável, os olhos cinza pareciam ainda mais frios.

"Então o que mais quer saber, Longbottom?"

Neville tinha ouvido o bastante. Já havia obtido a informação crucial que precisava a respeito da sexualidade de Snape. Mas ele queria saber mais. Foi o ciúmes irracional que o fez fazer a pergunta seguinte:

"Além de Regulus Black, houve mais alguém?"

"Não sei responder. Entre os Comensais da Morte, nós especulávamos que havia alguém na Ordem da Fênix que dormia com Severus. Alguns Comensais achavam que o próprio Dumbledore forçava Severus a ir para cama com ele. Mas... É apenas especulação."

"Não houve outro Comensal da Morte?", questionou Neville, engolindo em seco as palavras amargas que tinha ouvido.

"Não. Apenas Regulus."

Neville assentiu com a cabeça. Estava satisfeito, porém havia outro Gryffindor curioso.

"Depois que Regulus morreu, o que aconteceu com Snape?", indagou Bill.

"Não fiz um voto inquebrável com você, William."

"O que aconteceu com Snape depois da morte de Regulus?", questionou Neville.

"Severus nunca admitiu, mas a morte de Regulus o afetou. Desde então nunca vi Severus com ninguém. Mas Dumbledore podia..."

"Não seja ridículo, Malfoy!", rosnou Bill, perdendo a paciência. "Eu fiz parte da Ordem da Fênix e te garanto que Snape não tinha relações com nenhum outro membro."

Neville, com os olhos cintilando de raiva pela insinuação de Lucius sobre Dumbledore e Severus, também estava farto da conversa.

"Como eu prometi no voto, irei tentar reduzir sua pena, Malfoy. Vou argumentar diretamente com o vice-ministro", disse, depois e se virou para o amigo. "Vamos embora daqui, Bill."

"Eu não ficaria muito esperançoso, Malfoy. Talvez meu pai reduza sua pena em apenas alguns dias", zombou Bill antes de sair da cela.

Bill já tinha saído, porém, enquanto Neville saía, a voz arrastada e fria de Lucius falou:

"Longbottom, espere", assim que o rapaz olhou para ele, Malfoy sorriu com maldade e falou: "Você não perguntou, mas sinto que preciso te dizer. É para o seu próprio bem. Regulus me disse que Severus é bem dotado, dominador e um bruxo sádico e egoísta na cama. Por outro lado, eu sou imensuravelmente mais flexível. Poderia te tratar muito melhor do que ele."

Neville, com uma expressão enjoada, saiu e em seguida bateu a porta da cela.

Fim do flash-back

-X-

Neville não contou tudo para as amigas. Ele preferiu omitir sua conversa com Bill e as insinuações insanas de Malfoy.

"Então você realmente ajudou Malfoy a sair da prisão?", indagou Ginny.

"Sim, eu não poderia quebrar o voto que fiz com ele. Então, eu pedi para seu pai diminuir seu período de reclusão, alegando que Malfoy sofreria mais com o trabalho voluntário forçado do que em Azkaban. Tanto Shacklebolt como Arthur concordaram e providenciaram a redução. Agora podemos, por favor, mudar de assunto? Preciso de ajuda para finalizar a poção Felix Felicis, Hermione. E também quero saber quais poções você selecionou para eu treinar em casa."

Hermione e Ginny se entreolharam, as meninas visivelmente queriam discutir mais a respeito, porém Neville parecia inflexível. Seria melhor se elas conversassem a sós sobre o assunto mais tarde. Em uma discussão silenciosa, ambas concordaram. Mais profissional, Hermione começou a falar sobre o preparo e as nuances da poção Felix Felicis. Poucos minutos depois, Hermione, Ginny e Neville conversavam sobre o preparo de mais algumas poções complicadas.

Mais tarde, Neville finalizou a Felix Felicis, com Hermione indicando onde ele estava falhando. Em seguida, Hermione sugeriu outras poções para Neville treinar em casa. Após algumas horas de estudo muito construtivas, Neville se despediu das amigas e foi para casa para treinar, durante mais algumas horas, o preparo de poções.

Por sua vez, Ginny e Hermione iniciaram uma discussão sobre Snape, Malfoy, Regulus e Neville. Pouco depois, chegaram Harry, Rony e Bill. Infelizmente a conclusão que todos chegaram era unânime: Snape não servia para Neville.

-X-

No dia seguinte, Severus estava parado na plataforma esperando o metrô para voltar para casa quando avistou Longbottom. Snape começava a inclinar para a pior de suas hipóteses sobre o rapaz, talvez seu ex-aluno estivesse realmente interessado nele. Quando Longbottom sorriu e caminhou em sua direção, as suspeitas do professor aumentaram drasticamente. Que tipo de pessoa sorri ao me ver?, refletia Severus.

"Nos encontramos de novo", disse Longbottom, que parecia feliz com o encontro.

"Você está me seguindo, garoto?"

"Não!", respondeu rápido demais, depois tentou justificar: "Eu gosto de usar o metrô."

"Deixe-me adivinhar, outra confraternização?"

"Não hoje."

"Então por que está aqui? Por que não foi para a casa utilizando as lareiras do ministério ou aparatando? Agora tenho certeza que você não passou no teste de aparatação."

Longbottom balançou a cabeça, desgostoso.

"Você me menospreza demais. Eu irei te provar que não sou mais um garoto assustado."

Severus se arrepiou com a promessa, o que felizmente passou desapercebido para Longbottom. Tinha alguma coisa naquele rapaz ou na forma que ele falava com veracidade inquestionável. Era a segunda vez que Snape ouvia aquela confiança extrema. Naquele momento, mesmo com Longbottom não olhando diretamente para ele, Severus sabia que aquela promessa iria se cumprir. Mas isso não significava que ele fosse facilitar. Snape resolveu mudar de assunto.

"Para onde está indo?"

"Para a casa de uma amiga."

Amiga?, pensou Severus. O bruxo não entendia, mas aquilo o incomodou. Talvez por isso ele fez a pergunta seguinte, esquecendo seu usual autocontrole.

"Sua namorada?"

"Não, eu sou gay", respondeu olhando diretamente para o professor.

Snape definitivamente não gostou de ouvir aquilo. Isso reafirmava a sua pior teoria a respeito do rapaz. Mas não era possível que aquele garoto gentil pudesse sentir algo por ele!

"Então seu namorado é algum Weasley? Aquele que foi mordido por Greyback?", sugeriu e havia um traço de esperança em sua voz.

"Não tenho namorado. E não entendo seu interesse na minha sexualidade."

Com um timing perfeito, o metrô chegou e eles entraram no vagão em silêncio. Após alguns minutos de torturante silêncio, Longbottom perguntou:

"E você? É heterossexual?"

"Isso não lhe diz respeito, Longbottom."

"Mas eu revelei minha sexualidade!"

Com um sorriso sádico, Snape retrucou:

"Isso só mostra que você é um menino bobo."

Longbottom franziu a testa e os lábios. Severus desviou o olhar daquela boca. Nunca admitiria, mas o rapaz parecia mais atraente hoje. Para mudar totalmente de assunto e tentando ver se ele reagia com o assunto de lobisomens, comentou:

"A lua cheia está se aproximando."

Longbottom olhou novamente para ele com os olhos hazel cintilando de satisfação.

"É verdade. Existem algumas poções que são melhores preparadas durante a lua cheia", falou e pausou pensativo. "Isso quer dizer que serei testado em uma dessas poções? Algumas são realmente difíceis, como a Poção do Morto-Vivo e Poção Polissuco."

Severus demorou um tempo para entender que satisfação de Longbottom era unicamente em explicar a relação das poções e a lua cheia. Ele não esboçou nenhuma outra reação para a lua cheia, como tristeza ou depressão, o que deveria sentir se namorasse um lobisomem. Com a ideia de namorado lobisomem quase totalmente eliminada, Snape precisou se apegar a outra alternativa. Longbottom devia ter apostado algo com seus amiguinhos, com a intenção de sacaneá-lo.

"Deve ser muito frustrante para você, não Longbottom? Mesmo sendo um herói do mundo mágico, as pessoas ainda dão mais atenção para Potter e Weasley. Você sempre foi coadjuvante. É por isso que você sente que precisa provar para o mundo que tem algum valor?"

"Eu não preciso provar nada para o mundo, apenas para as pessoas que me interessam."

Snape deu um meio sorriso com a resposta. Tinha certeza que Longbottom sentia que devia provar para as pessoas sua mudança. Isso era um bom sinal, queria dizer que ele aceitaria uma aposta para brincar com o professor que mais o maltratou durante sua época em Hogwarts.

"Você faz de tudo para se aceito?"

"Não, mas posso fazer muito para que uma pessoa em especial me aceite", afirmou com a veracidade inquestionável e os olhos hazel cravados nos olhos de Severus.

Snape se arrepiou pela segunda vez naquele dia. Ele precisou piscar, pois estava hipnotizado pelos olhos hazel. De fato, havia ficado tão atordoado que o metrô havia parado na sua estação e ele não havia se dado conta disso.

"Essa não é a sua estação?"

Severus olhou para o nome da estação e viu que o rapaz tinha razão.

"Adeus, Longbottom", falou e correu para sair do vagão.

Após o metrô voltar a andar, o professor respirou algumas vezes enquanto andava até as escadas. Havia alguma coisa naquele garoto que mexia com ele. Talvez fossem os olhos, ou o corpo ou até o perfume. Não. Definitivamente eram os olhos. Os hipnotizantes olhos hazel de Longbottom, a mistura perfeita de verde, mel e amarelo, pareciam fascinar Snape mais do que certos olhos verdes de uma ruiva, que já estava no passado esquecido.

Enquanto caminhava, Severus voltou a pensar coerentemente. Era fato que Longbottom havia decorado seu horário, sua rotina. Snape saía da farmácia muggle o mesmo horário e ia para o metrô em seguida. Severus tinha certeza que os encontros deles não eram casuais, mas precisava ter certeza. No dia seguinte, ele iria fazer um teste para provar se Longbottom o estava seguindo ou não.

-X-

Neville não conseguiu conter um sorriso de alegria. Em nenhum de seus encontros com Snape, tinha sentido o bruxo interessado nele. O professor havia feito diversas perguntas pessoais. Isso indicava interesse, não indicava?, refletia animado.

Ainda rindo, Longbottom saiu do metrô na estação seguinte e foi em direção a rua. Depois, foi para um beco deserto. Após se assegurar que não havia ninguém por perto, aparatou em sua casa para mais algumas horas de estudo.

Desde que encontrou Snape no metrô pela primeira vez, a rotina diária de Neville envolvia o preparo de pelo menos duas poções. Isso sem contar horas e horas lendo diversos livros de poções. Adicionalmente, ele tinha o auxílio de Hermione e de sua professora de Poções no curso de aurores. Atualmente, Neville estudava mais Poções do que Herbologia, sua disciplina favorita. Tudo para provar para seu antigo professor que ele havia crescido. E mais do que isso, para provar que ele havia se tornado um bruxo com algum talento, alguém digno de ser amado.

Continua?

-X-

Notas da autora: Primeiramente eu preciso agradecer todos os reviews carinhosos que eu recebi. Nunca antes eu recebi tantos comentários em uma fanfic. Poxa, muito obrigada! Agora, eu peço perdão pela demora. Espero que vocês entendam que eu não tenho tido muito tempo para escrever ultimamente. E essa fanfic será particularmente longa (isso é bom ou ruim?).

Então... Eu classifiquei a fanfic como "Drama / Romance". Prometo que já no próximo capítulo veremos o "drama". Alguém arrisca um palpite? Por favor, comentem! Adoro tirar idéias de reviews, obviamente dando o devido crédito. : )

Estou atualizando a fanfic de madrugada, com bastante sono, por isso, com certeza existirão erros. Se alguma boa alma tiver tempo e paciência para revisar / betar a fanfic para mim, por favor, entre em contato.

Enfim... Outro motivo pela demora foi que esse capítulo ficou acabando grande demais, por isso eu transferi um pouco do conteúdo dele para o Capítulo 3, que está parcialmente escrito.

Por último, continuo no modo chantagista: 'quanto mais comentários, mais rápida a continuação'.