Hazel
Capítulo IV
Escrito por Nevilla F.
Depois da sua desastrosa declaração para Snape, Neville ficou em casa durante todo o resto do final de semana. Já era final de domingo e ele permanecia deitado na cama e olhando apático para o teto. Ainda bastante fragilizado pela reação do professor, o rapaz não sentia vontade de fazer nada. O início da depressão ia consumindo sua alma aos poucos. O coração de Neville sangrava e doía a cada segundo. Longbottom achava incrível seu coração simplesmente não ter desistido e parado de bater.
Neville sabia muito bem que Severus não era amável e delicado, mas o rapaz nunca imaginou que após ele se declarar as coisas desenrolariam daquela forma. Aliás, ele foi forçado a se declarar pelo iminente risco de ingestão forçada da poção da verdade. Havia sido um verdadeiro desastre. Longbottom não tinha planejado nada assim. Em suas fantasias, eles estariam em um pub descontraído, bebendo e tendo conversas amenas. Até um momento que o clima mudaria drasticamente. Neville olharia apaixonadamente para Snape e falaria que o amava há mais de três anos. Severus seria debochado e sarcástico e falaria que não acreditava. Então, Longbottom para provar seu sentimento, o beijaria.
Neville fechou as mãos em punhos e socou o colchão. Ele era um idiota! Um imbecil e ingênuo completo! Um iludido e sonhador! Suas fantasias infantis nunca se realizariam. Ele sentia ódio de si mesmo. Ódio por realmente ter acreditado na sua fantasia. No fim, Neville havia sido expulso da casa de Snape e o bruxo nem ao menos quis conversar com ele. Ele era tão insignificante para Snape que o professor não se deu nem ao trabalho de falar algo para ele. Longbottom sentiu uma lágrima nascer em seu olho. Após piscar, a gota verteu de seu olho, descendo por sua bochecha.
Longbottom se remexeu na cama, agarrando um travesseiro. Como podia ser tão patético? Ele devia parar de sentir pena de si mesmo! Afinal, havia tirado coragem de sua alma e foi atrás do seu amor platônico. Conversou com ele, foi até sua casa, recebeu aulas, ganhou até presentes... Mas tudo foi em vão.
Olhando para a mesinha de cabeceira, Neville viu seu celular vibrando de novo. Era Ginny, com certeza. A amiga havia ligado durante todo o dia anterior e continuava ligando hoje. Ginny queria saber o que havia acontecido na "aula". Longbottom não estava com força suficiente para relatar seu fracasso, sua vergonha. Ele se remexeu novamente na cama, agora encarava a janela.
Após algum tempo, Neville viu uma coruja com olhos maléficos batendo o bico no vidro. Ele gemeu ao identificar a coruja, era Hera e pertencia a Ginny. Longbottom pensou seriamente em ignorá-la, mas passados alguns minutos, o barulho do bico da coruja no vidro era contínuo e desagradável. Ele se arrastou para fora da cama, depois foi até a janela e a abriu. A coruja entrou furiosa e posou na mesa. O rapaz foi até a coruja e tirou a carta de sua pata, logo depois o animal voou para longe, ainda raivosa com Longbottom.
Neville abriu a carta. Havia apenas uma frase:
"Atenda a droga do telefone ou irei até aí!"
Longbottom olhou para o celular, que continuava vibrando. Ginny era muito insistente, mas no momento o rapaz não sentia forças para nada, nem para ver a amiga. O aparelho continuou vibrando por quase meia hora, depois Neville parou de se importar. Se sentindo sonolento e exausto emocionalmente, ele fechou os olhos e acabou dormindo.
Neville acordou sobressaltado com um barulho contínuo. Alguém estava espancando a porta da sua casa. Ele piscou algumas vezes para despertar por completo, em seguida pegou a varinha e seguiu até a porta. Longbottom tinha quase certeza que era Ginny, porém levou a varinha para se prevenir. A primeira regra que aprendeu com os aurores é sempre estar com a varinha, mesmo em situações cotidianas. Do percurso do quarto até a sala, Neville quase tropeçou duas vezes já que andava rapidamente, pois as batidas em sua porta continuavam.
"Ginny", disse sem surpresa ao abrir a porta e encontrar a amiga.
"Ótimo ver você, Longbottom! Fico feliz em saber que não morreu!", gritou a bruxa. "Vim primeiro na sua casa porque se não te encontrasse aqui, iria atrás de Snape para ter certeza de que ele não te matou. Você não me deu notícias desde ontem! Tem noção de como fiquei preocupada?"
"Desculpe, eu..."
Longbottom pensou que devia estar com a feição muito miserável, porque a raiva de Ginny diminuiu e ela olhava para ele com mais preocupação do que ira.
"O que ele fez com você?"
"Entre. Vamos conversar."
Neville se sentia menos depressivo com a presença da amiga. Adicionalmente, relatar o que aconteceu para alguém era um alívio. Tirou um peso de sua alma. Sua tristeza parecia ir diminuindo, já que Ginny o tempo todo falava como ele tinha sido corajoso e valente. A amiga conseguia ver os pontos positivos na situação desastrosa. Ela concluiu sabiamente que Snape não tinha coração e alma. Era um ser humano horrível e não merecia o amor de ninguém.
Após algum tempo de conversas e bebidas quentes como chá e whisky de fogo, eles ficaram em silêncio. Não um silêncio desagradável e pesado, mas um silêncio de quem tem muito o quê processar. Neville olhava para Ginny, que parecia estar com a cabeça fervendo de ideias. Por fim, ela olhou decidida para ela e falou:
"Eu sei que não devia perguntar isso, mas você quer sair? Ir beber em um lugar animado?"
"Definitivamente não."
"Sim, eu imaginei. Mas como sua melhor amiga, eu precisava perguntar. Então vamos fazer um acordo. Você só tem uma semana para ficar pensando nele. Porém no sábado...", Ginny piscou maliciosamente para ele. "No sábado você vai conhecer alguém. Vamos todos sair para nos divertir."
A ideia parecia desanimar Neville.
"Todos os nossos amigos mais próximos estão namorando. Até a Luna me enviou uma carta dizendo que está apaixonada."
"E daí? Só por que estamos namorando não podemos sair e nos divertir? Já está decidido. Vamos sair e nos divertir. Aliás, podemos até chamar Luna e seu namorado, assim vamos conhece-lo."
"Ah, Ginny...", suspirou Neville desanimado.
"Posso chamar Bill?", questionou em tom conspiratório.
"Claro", respondeu sem entender a malícia por trás da pergunta. Sua expressão de dúvida devia estar bem visível no rosto de Longbottom, já que Ginny justificou a pergunta.
"Bem... Agora que Snape gentilmente te disse não, Bill vai tentar de tudo para ficar com você."
"Você quer dizer transar comigo?", sugeriu.
Ginny riu.
"Eu ia dizer que ele ia fazer de tudo para te beijar. Mas você tem razão. Se você beijá-lo, meu irmão com certeza vai dormir com você. Como você reagiria?"
Neville pensou em Bill por um momento. A pele do ruivo era dourada, os cabelos vermelhos e os olhos azuis. Totalmente diferente de Snape. Talvez fosse isso que Longbottom precisasse. Uma bela mudança de cor. Porem não se sentia nada confortável em dizer isso para Ginny. Afinal, ela era irmã dele!
"Não sei."
"Melhor ir pensando nisso e se decidindo. Bill pode entender sua dúvida como consentimento", disse e olhou para os copos vazios. "Vamos beber mais um pouco?"
Os dois passaram o resto da noite conversando. Ginny citou diversos amigos que iria apresentar para Neville no sábado. Longbottom pensava que o assunto da conversa não era o melhor de todos, mas o simples fato de Ginny estar ali, apoiando-o, entretendo-o e permanecendo incondicionalmente ao seu lado era uma prova significativa de amizade. O rapaz amava sua amiga, ela era sempre cheia de bons sentimentos e alegria. Ela irradiava felicidade e energia, por isso era muito difícil continuar apático e depressivo com ela ao seu lado.
Sendo racional, Neville talvez acreditasse que com Ginny, ele superaria tudo, inclusive a rejeição de Snape. Talvez. Mas Longbottom não era conhecido por ser racional. Muito pelo contrário. Ao enfrentar Voldemort após ver o suposto corpo de Harry, não foi a razão que o fez enfrentar o Lorde das Trevas. Foi justamente o oposto, foram suas emoções que se manifestaram. Neville se sentiu tão desamparado e infeliz que não podia fazer outra coisa a não ser combater o assassino. O sentimento atual agora era parecido. Ainda assim, apesar de todo sofrimento, ele tinha ciência de que ainda amava Snape. Talvez continuasse amando por muito tempo, já que por mais que Ginny tivesse proposto que ele deveria esquecer Snape no sábado, Neville não desejava verdadeiramente esquecer Snape. Talvez Longbottom fosse um masoquista emocional.
Ao decorrer da semana, Ginny fez questão de encontrar todos os dias com Neville. Esses encontros serviam para Ginny ter certeza de que Neville não seria consumido pela depressão. Ela viu a amargura de Neville no domingo e se assuntou com a intensidade de tristeza que o rapaz transparecia. Ginny sabia que Neville gostava de Snape, mas nunca pensou que o sentimento fosse tão intenso a ponto de deixa-lo naquele estado lastimável.
Por mais que o amigo aparentasse estar um pouco melhor, ela sentia que Neville não queria desapegar-se do sentimento platônico que nutria por Snape. Com o passar dos dias, Ginny era capaz de ver nos olhos de Neville a tristeza, superação e determinação quando o nome de Snape era citado. Esse misto de sentimentos ela era capaz de entender bem. Havia passado por isso com Harry. Amou Harry durante muito tempo antes deles se tornarem namorados e nunca perdeu a determinação de se relacionar com ele; apesar de aparentar tê-lo superado e ter ficado triste com a inicial falta de interesse de Harry.
Ginny parecia olhar em um espelho, pois via a perseverança e determinação de que Neville não havia desistido de Snape. Ginny desconfiava que mesmo Snape sendo horrível, o amigo ainda nutria esperança de ficar com ele. E foi por isso que ela decidiu fazer uma visita ao trabalho muggle de Snape. Assim como Bill, ela queria testar as reações de Snape. Observar se o professor era capaz de esboçar algum sentimento em relação a Neville.
"Por que eu não estou surpreso ao vê-la aqui, senhorita Weasley? Ao que parece sua família gosta muito de me fazer visitas. O que deseja? O mesmo que seu irmão mais velho?", perguntou Snape e na última pergunta havia um inconfundível tom de ameaça.
"A princípio eu não vim com a mesma intenção de meu irmão", retrucou Ginerva Weasley sem se mostrar intimidada pelas palavras do ex-professor.
"A princípio?", repetiu o bruxo com um sorriso maldoso nos lábios. Sua mão direita foi prontamente para o bolso onde estava sua varinha.
"Eu vim falar com você sobre Neville", falou e fez uma pausa como se esperasse algum tipo de reação do bruxo. Contudo, Severus se manteve impassível, esperando a moça voltar a falar. Vendo que ele não reagiu, ela resolveu ser mais enérgica e direta. "Você precisa falar com ele!"
"Por mais que seu pai seja vice-ministro, você não me dá ordens, mocinha."
Severus reparou que a bruxa o analisava e parecia ter decorado as palavras que falou a seguir:
"O mínimo que você pode fazer é conversar com ele. Diga que seu sentimento não é recíproco ou diga que ele não faz seu tipo... Ou até que ainda ama a mãe de Harry, o que eu sinceramente nunca acreditei. Diga qualquer coisa. Mas você precisa falar com ele!"
Snape olhava para a menina com deboche, ele parecia estar se divertindo com seu desespero.
"Eu não preciso fazer nada, senhorita Weasley. Agora, se me dá licença, eu vou voltar ao trabalho."
Antes que pudesse deixa-la falando sozinha, a bruxa bloqueou o caminho de Snape com o corpo. Ela parecia particularmente furiosa com a indiferença do bruxo.
"Eu poderia falar com o meu pai ou até com o próprio ministro da magia. Dizer-lhes como você é cruel e não merece estar fora da prisão. Também poderia pedir para Harry reconsiderar no depoimento do seu julgamento. Você iria para Azkaban. O que acha?"
Snape deu um meio sorriso de escárnio. O professor viu a bruxa ficar mais pálida com a sua reação. Ele quase podia ver que a garota tinha concluído que não havia sido uma boa estratégia ameaçar o professor.
"Está me ameaçando, mocinha?", questionou com zombaria. "Faça isso! Fale com quem quiser, senhorita Weasley. Ordene ao ministro da magia que me mande de volta a prisão. Ficarei em Azkaban sem problema algum, ao menos lá não precisarei ouvir desaforos de uma garotinha impertinente", disse e tentou novamente passar novamente por ela, porém a bruxa agarrou seu punho. Ela estava desesperada.
Severus recuou, puxando seu pulso do agarre da menina. Obviamente ele não gostava do contato físico com outras pessoas, porém o que o fez recuar foi o olhar que recebia. Um olhar de tristeza profunda e derrota, parecido demais com o modo como Longbottom olhou para ele.
"Neville está sofrendo. Sofrendo com a sua indiferença. Eu só estou aqui porque me sinto parcialmente culpada. Fui eu quem mais incentivou ele a ir até você, a se declarar. Então... Vou pedir de forma gentil, Snape. Por favor, vá conversar com Neville. Ele merece apenas uma conversa."
Snape parou de sorrir apesar de estar se deliciando internamente por ver a menina suplicando para ele. Porém, ela havia tocado em um assunto delicado. Longbottom sofria por ele. Severus não era totalmente indiferente. O professor, da sua forma, também estava perturbado com Longbottom. Porém ele não fez nada para diminuir sua perturbação emocional até agora. Provavelmente foi por Longbottom que Snape resolver ser sincero com a bruxa. Ele sabia que os dois eram muito próximos, por isso, suas palavras chegariam até Longbottom.
Severus olhou para a recepcionista, que fingia não estar prestando atenção na conversa deles. Sutilmente, puxou a varinha e lançou o feitiço Abaffiato nela, protegendo o conteúdo da sua conversa.
"Senhorita Weasley...", começou, mas foi interrompido pela bruxa.
"Ginny."
"Senhorita Weasley, eu não tenho o quê conversar com Longbottom. Ele só pode estar delirando. Ele é tão audacioso e leviano por falar de amor. Sentir amor por mim? Isso é tão ridículo que parece ser deboche!"
"Por que diz isso?"
Snape sorriu enviesado com a pergunta ridícula. Porém, novamente optou por dizer a verdade.
"Eu digo isso porque Longbottom não me conhece. Não sabe nada a meu respeito e ainda assim é impertinente a ponto de dizer que me ama. Senhorita Weasley, foram palavras levianas e sem nenhum embasamento. Por isso não vi necessidade em conversar com ele."
A garota piscou, parecia aturdida, como se não acreditasse no que ouvia.
"Neville não te conhece?", questionou e a raiva fazia a voz dela ficar mais aguda. "Você só pode estar brincando comigo, Snape! Neville foi seu aluno por seis anos, depois ficou quase um ano sob sua tortura como diretor de Hogwarts. Como você tem coragem de dizer que ele não te conhece? Ele conviveu com o seu pior e ainda assim conseguiu ver algo bom em você. Ele te idolatra por ver em seus atos coragem e nobreza. Neville te ama mesmo você sendo tudo o que é: um homem amargo, mal, assassino e Comensal da Morte."
"E ainda assim você incentivou seu precioso amigo a se declarar para um assassino?"
"Todos tem o direito de amar, Snape, incluindo os assassinos como você. Ou fingiu amar a mãe de Harry? Ou pior, ainda é apaixonado por ela?"
Pela forma como a garota insistia em Lily Evans, parecia que ela realmente queria saber o que Severus sentia pela bruxa.
"Lily Evans é passado. E não discutirei mais com você."
"Por favor, vá conversar com ele. Neville não merece uns dez minutos do seu tempo?"
"Adeus, senhorita Weasley", falou e se afastou, saindo da recepção. Enquanto entrava no outro ambiente da farmácia, Severus refletia as palavras da bruxa.Longbottom merecia muito mais que dez minutos. Ele merecia alguém que o amasse incondicionalmente e o fizesse feliz todos os dias, pensou. Mas esse alguém não era ele.
Ginny fechou as mãos em punho. Ela contou até dez mentalmente para não puxar a varinha e azarar o maldito professor. Detestava Snape, realmente detestava. Agora, ela tinha certeza de que o bastardo não possuía alma ou sentimentos. Como ele podia se importar tão pouco com Neville? Justo Neville! O amigo não merecia essa indiferença.
Contudo, apesar de Snape se recusar a conversar com Neville, Ginny achou que ele havia sido sincero. O professor realmente não acreditava no sentimento de Neville. Talvez essa incredulidade fosse decorrente da baixa autoestima de Snape. Ele devia se achar indigno do amor de Neville ou algo do tipo. A mente de Ginny parecia zunir de tantas ideias e teorias.
Devia contar para Neville? Ou isso seria tortura? Sim, refletiu. Parecia maldade falar de Snape para Neville, como colocar sal em feridas não cicatrizadas. Bem, ela não falaria nada por enquanto. Ginny não mencionava o nome do bruxo desde que viu o amigo naquele estado lastimável. Snape não prestava! E era extremamente burro! Um homem como ele deveria agradecer ao destino por ter Neville em sua vida. Mas o que ele fazia? Ele rejeitava Neville. Imbecil!, pensou Ginny.
Contudo, Ginny tinha um pingo de esperança de que talvez Snape procurasse Neville. Ao menos o desgraçado conversou com ela e aparentou honestidade. O grande problema, além da recusa de Snape em falar com Neville, era que o homem era totalmente indiferente. Ele não expressou nenhuma emoção ao longo da conversa, apenas escárnio e deboche. Isso era muito mal.
"Está se sentindo bem, senhorita?", questionou a atendente da farmácia tirando Ginny de seus pensamentos.
Ginny, um pouco mais calma, olhou para a moça.
"Sim. Obrigada pela ajuda. Tenha um bom dia!", falou e saiu rapidamente da farmácia. Se tivesse menos apressada teria notado que a moça da farmácia segurava uma figurinha de sapo de chocolate dela para provavelmente pedir sua assinatura.
Não havia problema, pensava Ginny optando por mudar de estratégia. Snape não era o último homem da Terra. Ela apresentaria vários rapazes interessantes para o amigo. Neville não ia ficar em casa sofrendo por causa de Snape. Sábado seria o dia das mudanças.
-X-
"Neville, lembra-se do Graham Campbell de Ravenclaw?", perguntou Ginny acompanhada de um rapaz bonito, alto e com olhos escuros.
"Oi, Campbell! Como está?"
"Sou um grande fã, Longbottom!", disse com um genuíno olhar de veneração.
Neville sorriu sem graça e lançou um olhar irritado para Ginny. O rapaz simplesmente detestava ver sentimentos demais esboçados nos rostos dos pretendentes de Ginny. Aliás, esse era o quinto que a amiga apresentava durante a pequena reunião que ela planejara no pub. E era o terceiro que olhava para ele com veneração. Ou outros dois o fitaram com um misto de pena e admiração. Neville não gostava disso. Parecia que eles só estavam interessados nele por ele ter destruído uma horcrux. Longbottom havia prometido a si mesmo que não faria comparações desse tipo, todavia, o que mais gostava de Snape era sua impassibilidade. Ou seria o contrário? Neville havia passado a gostar da indiferença depois de associá-la com o professor?
Longbottom olhou mais vez para Campbell, que ainda o fitava com um sorriso de idolatria. Nunca daria certo. Não quero um bobo que me idolatre, pensou Neville. O bruxo olhou para outro lado e falou sua desculpa ensaiada para sair dessas situações constrangedoras:
"Harry está acenando para mim. Eu já volto. Foi um prazer revê-lo, Campbell!"
Neville caminhou até Potter que estava em grupo com Hermione, Rony, Angelina e George. O último sorriu sarcasticamente para Longbottom enquanto ele se aproximava.
"Beba, Neville", ofereceu George uma dose de whisky. "Só com muito álcool você vai se interessar por algum desses perdedores que Ginny convocou."
"George!", ralhou Hermione. "Eu acho Campbell interessante. Ele era ótimo aluno em Runas Antigas."
"Mesmo, Hermione? Isso seria ótimo se Neville estivesse procurando um tradutor", zombou e rapidamente acrescentou antes que a moça voltasse a falar. "Você é inteligente, por isso já deve ter percebido como as pessoas reagem aos heróis de Hogwarts. Já notou como todos olham para nós? Como esses perdedores olham para Neville? Eles nos veem somente como heróis ou mártir. Isso é muito desconfortável. Parece que só estão interessados porque somos ídolos da comunidade mágica", pausou e olhou com carinho para a namorada. "Ainda bem que tenho você, Angelina."
"Eu com certeza não te idolatro, senhor Weasley!", brincou a bruxa.
"Eu sei e te amo por isso", disse e beijou a namorada.
Neville desviou o olhar dos namorados e bebeu o whisky de uma só vez. Enquanto sentia o líquido descer queimando seu esôfago ele pensou que concordava inteiramente com as palavras de George. Ele não queria ninguém o idolatrando.
Neville acenou para o barmen, pedindo outra bebida, quando uma mão tocou em seu ombro. Ele se virou e encontrou Harry.
"Vou falar com Ginny. Vamos parar com isso. Ela está te constrangendo com isso. Não é assim que se recupera de um coração partido."
"Essa não foi minha intenção!", falou Ginny, que acabara de chegar. Seu tom pouco amistoso era dirigido para o namorado. "Eu só quero que Neville se distraia um pouco e reencontre novos amigos."
Diferente de muitos, Harry não recuou ao enfrentar a namorada.
"Por Merlin, Ginny! Tenho que concordar com George. Você só convidou perdedores."
"Você disse isso, George?"
George também não se sentiu intimidado pela irmã.
"Eu não vi nenhum desses rostos lutando conosco na batalha de Hogwarts."
"Bem, alguns eram menores de idade e..."
"Você era menor de idade e isso não te impediu de lutar. Colin e Dennis Creevey eram menores de idade e perderam suas vidas na batalha. Você reuniu um bando de covardes."
Ginny ficou avermelhada com o comentário do irmão. Neville sabia que o clima poderia virar uma discussão feroz a qualquer momento, por isso buscou algo para distraí-los. Foi quando viu a distração perfeita entrando no pub.
"Olhem! Luna chegou!"
Todos se viraram na direção que ele apontava, mas Ginny e George ainda se olhavam feio.
"Quem é aquela com ela?", perguntou Rony após facilmente identificar os longos cabelos loiros de Luna. "Ela não ia trazer o namorado? Será que é namorada?", perguntou com escárnio.
"Não seja ridículo, Rony! Aquela é Hannah Abbott. Eu pedi para Luna vir com ela também. Olhem aquele rapaz com elas deve ser o Rolf Scamader."
"Por que mandou Luna trazer Hannah?", indagou Neville para Ginny.
A amiga ignorou solenemente a pergunta e se afastou do grupo, indo até os três recém-chegados.
"Quer que eu responda por que ela pediu para Luna trazer sua antiga parceira de Herbologia?", zombou Rony, depois se aproximou de Longbottom e falou baixo somente para ele ouvir: "É para você traçar ela."
Neville engoliu em seco após o comentário de Ron. Ela sentia sua boca seca e constatou que seu copo estava vazio. Hannah, pensou indignado. Não acreditava nisso! Hannah sempre deixou claro para todos, incluindo Ginny e Ron, que era apaixonada por Neville. Ele adorava Hannah, mas apenas como amigo. Ele era gay! Como poderia corresponder aos sentimentos e expectativas de Hannah?
"Outro whisky, por favor", pediu para o barmen.
Assim que o barmen colocou o copo, Neville ingeriu o líquido rapidamente. Depois, se virou em direção aos amigos aparentando alegria. Nesse mesmo momento Ginny chegou com Luna, o namorado e Hannah.
Neville sorriu com sinceridade para a amiga de Hufflepuff.
"Oi, Hannah!", cumprimentou e abraçou a amiga.
"Nev! Como vai?"
"Bem e você?"
"Estou ótima agora. Senti saudades, Nev. Fazia tempo que não nos víamos."
Neville ficou constrangido por alguns segundos, mas o silêncio logo foi quebrado por Luna que apresentou o namorado para ele e depois para os outros bruxos e bruxas presentes. Longbottom notou que Ginny fez um sinal para os amigos e todos, a exceção de Hannah, Luna e o namorado, aos pares seguiram para a pista de dança. Luna parecia particularmente confusa.
"Eles foram embora por causa de mim, Neville?"
"Não, Luna. Não é isso."
Hannah deve ter notado que Ginny e os amigos queriam deixa-la a sós com Neville porque estava corada de vergonha. Tal fato se confirmou quando Ginny voltou e perguntou enfaticamente para Luna e Rolf se eles não queriam ir dançar. Luna negou, alegando que preferia beber algo e conversar com Neville antes. Ginny ficou avermelhada de irritação com a resposta, mas saiu de lá e voltou para a pista de dança onde Harry a esperava.
"Isso foi bem estranho, não?", perguntou Rolf Scamander.
Neville riu e todos os demais o acompanharam. Aparentemente o namorado de Luna era tão sincero quanto ela.
"Estão com sede?", indagou Neville e fez um sinal para o garçom se aproximar.
Poucos minutos depois, todos estavam com os copos cheios.
"Acho que Ginny queria deixar Neville e Hannah sozinhos, o que faz sentindo, não? Vocês estão solteiros."
"Bem, eu estou", respondeu Hannah.
Neville optou por não responder e deu um longo gole em sua bebida.
Rolf olhou para o outro rapaz depois cochichou algo para Luna.
"Sim, Rolf. Neville não respondeu. É porque você está tendo um caso, Neville? Com uma mulher casada?"
"Luna, eu não me envolveria com mulheres casadas, porque não gosto de mulheres. E, não, eu não estou tendo um caso com ninguém", respondeu olhando para Luna. Ele não queria dizer isso para a Hannah porque pareceria grosseria.
"E O Pasquim, Luna? Como está?", perguntou Hannah com voz apática.
Neville olhou para a amiga e observou que ela estava desconfortável, provavelmente por conta de sua resposta a respeito de sua sexualidade. Ele nunca antes havia falado diretamente para Hannah sobre isso.
Luna começou a falar e isso aliviou o clima. As matérias do Pasquim eram descontraídas e todos pareciam entretidos com a fala de Luna. Porém, Neville conhecia bem demais Hannah. A bruxa estava totalmente irrequieta, parecia extremamente desconfortável ali. Até que depois de alguns minutos, ela não aguentou mais.
"Olhem! É Kevin Whitbye Owen Cauldwell. Vou até ali falar com eles", falou Hannah e se afastou praticamente correndo. Ela não olhou para Neville.
Longbottom estava se sentindo péssimo. Ele devia ir até Hannah e conversar com ela? Mas falar o que? Que os dois bruxos Hufflepuff que estavam ali também eram gays? Ele não queria falar isso. Neville já sentia que a tinha magoado. Ele não sabia o quê exatamente Ginny havia falado para ela quando a convocou a ir até ali. Ginny provavelmente não disse que ele era gay. Hannah havia se arrumado, estava maquiada e usando saltos altos. As mulheres se arrumavam desse jeito para ver o amigo gay?, pensou. Ele olhou para roupa de Luna que era bem menos chamativa e ela usava sapatilhas, não saltos. Ele suspirou desanimado. Aquela noite estava sendo um verdadeiro desastre.
"Eu estava aborrecendo a Hannah? Também estou te aborrecendo, Neville?"
"Não, não está. Quem foi o entrevistado do Pasquim esse mês?", questionou apenas para tentar se distrair.
Luna continuou falando e Neville já não estava com a cabeça ali. Sua mente involuntariamente vagou até o Snape. O que ele estaria fazendo agora? Ele balançou a cabeça e se forçou a ouvir o que Luna dizia. Rolf também comentava sobre algum animal excêntrico descrito pelo pai de Luna. Ele tinha ouvido direito? O novo animal alado se chamava incubumomos?
Longbottom ia perguntar algo, mas nesse momento ele sentiu a presença de Bill. Neville pareceu ser atraído pelo bruxo que havia acabado de entrar no pub. O sorriso de Bill era visível mesmo a distância. E os olhos azuis como gelo cintilaram quando o olhar deles se encontrou. Neville se arrepiou involuntariamente. Bill caminhou de maneira elegante e arrogante entre os presentes e se dirigiu diretamente até Longbottom.
"Olá, Neville!", disse com um sorriso enviesado. Depois olhou para os outros. "Olá, pessoal!"
"Oi, Bill!", disse Longbottom. "Quer uma bebida?"
Weasley olhou diretamente para Neville e disse:
"Quero muitas coisas, Neville, mas podemos começar com uma bebida. O que você está bebendo?"
"Whisky", disse e acenou para o barmen fazendo sinal de mais uma bebida.
Enquanto esperava a bebida, Bill esquadrinhou os outros bruxos no pub, após observá-los deu um sorriso soberbo de vitória.
"Fez novos amigos, Neville?", indagou Bill com desdém após analisar os possíveis rivais. Devia achar todos patéticos, visto o alto nível de deboche em sua voz quando pronunciou a palavra amigos.
"Alguns", respondeu.
Bill olhou para Longbottom quase que com pena. Parecia achar graça de Neville por não dar o braço a torcer. Era óbvio para Bill que Neville não gostou de ninguém naquele pub, caso tivesse gostado ele não estaria sozinho.
Luna pegou um par de óculos estranhos em sua bolsa e após coloca-los olhou na direção de Bill. Em seguida, retirou os óculos e entregou para o namorado.
"Veja, Rolf. William Weasley está rodeado de incubumomos. Consegue ver?"
"Perdão? O que você disse, er... Lovegood?", ariscou o sobrenome, já que não lembrava o primeiro nome da bruxa.
"Luna", cochichou Neville para Bill.
"Luna, eu estou rodeado de que? Incubu?"
"Incubumomos. São criaturas aladas invisíveis que se atraem pela luxúria e desejo carnais dos bruxos. A julgar como estão rodeando você, William Weasley, eu diria que você sente forte desejo por alguém. Talvez Neville?"
Longbottom sentiu as suas bochechas corarem fortemente. Ao seu lado, Bill expressou dois sentimentos. Primeiro descrença pela fala sincera demais de Luna, depois gargalhou.
"Ah, sim, Luna. Eu tenho um enorme afeto por Neville. Me acompanha até a sacada, Neville?", perguntou após pegar sua bebida com o barmen.
"Eu te encontro lá. Me dê uns cinco minutos, Bill."
"Ok. E Luna, diga ao seu pai que os óculos realmente funcionam", brincou Bill.
Neville não conseguia olhar para os amigos desde o comentário de Luna.
"Curioso, Luna. Neville não tem nenhum", comentou Rolf.
"Mesmo? Talvez você não esteja vendo direto", disse e pegou os óculos do namorado e olhou para Neville. "Incrível!", exclamou Luna após observar Neville com os óculos, depois ainda com os óculos passou a observar os demais bruxos no local. "Muito curioso."
"O que está havendo, Luna?", perguntou Neville vencido pela curiosidade.
"Você é sexualmente ativo, Neville?"
A vermelhidão que antes havia diminuído nas bochechas de Longbottom voltou com força total. Sua face estava adquirindo um tom intenso de grená.
"Hã?"
"Você já fez sexo?", perguntou Luna com sua sinceridade desagradável.
"Claro que sim!"
"Estranho. E por que você não sente desejo sexual por ninguém que está aqui?"
"O quê?"
"Eu vi incubumomos em todos os bruxos aqui presentes, menos em você. Por isso pensei que você era virgem."
"Eu não sou virgem", retrucou Neville.
"Sim. Mas não sente desejo por ninguém."
"Por ninguém que esteja aqui", corrigiu Neville. "Eu preciso de um ar", disse e saiu dali antes que a conversa se tornasse ainda mais constrangedora.
-X-
Neville caminhou decididamente até a sacada e encontrou Bill Weasley debruçado no muro, olhando em direção a rua.
"Ei, Bill."
"Neville", disse Weasley com um sorriso se virando na direção do bruxo. "Está muito gelado aqui. Por que não se aproxima mais para trocarmos calor?"
Longbottom se aproximou com cautela.
"Você está lindo", sussurrou Bill perto da orelha direita de Neville.
"Você também", falou baixo.
"Me olhe nos olhos", disse e segurou o queixo de Longbottom, forçando a olhá-lo. "Gosto muito de você, Neville. Muito", enfatizou e foi se aproximando devagar em direção até a boca de Longbottom.
"Por favor, não", pediu Neville e virou o rosto, impedindo que Bill o beijasse nos lábios.
Bill paralisou como se não entendesse o que estava acontecendo. O bruxo nunca havia sido rejeitado antes. Afinal, foi um aluno exemplar e com um corpo extraordinário. Bill realmente não entendia a razão de estar sendo rejeitado. Talvez o rosto de Weasley expressasse muita dúvida, porque Longbottom voltou a falar:
"Eu não posso fazer isso, Bill. Não é certo beijar alguém pensando em outra pessoa."
"Se você permitir, eu faço você esquecer ele em uns dez minutos. Talvez menos. Depende de como você gosta."
Neville franziu o rosto, não querendo acreditar que o bruxo tinha realmente falado aquilo. Bill estava querendo transar com ele para fazê-lo esquecer Snape? Como se fosse simples desse jeito?
"Eu acho que você não entende a intensidade do que eu sinto por Snape."
"Neville, vamos ser honesto. Ele não quis você, diferente de mim", disse com certa rispidez.
Longbottom se afastou involuntariamente. O modo frio como Bill dizia aquelas palavras era cruel. Parecia que a sua intenção era machuca-lo e estava dando certo.
"Eu preciso ficar sozinho."
"Desculpe, Neville. Talvez eu não esteja sabendo me expressar corretamente. Antes de ir embora, posso sugerir algo simples?"
"Bill..."
"É bem simples. Basta você me beijar. Se você não sentir nada, o que eu duvido, eu vou embora e vou me esforçar para não mais perturbá-lo. Mas, se você gostar... Bem, você me dá uma chance para evoluirmos na nossa relação."
"Você já tentou me beijar. Não acho que isso vá dar certo."
"Eu tentei. Agora, é a sua vez de tentar, de querer me beijar. Você e eu vamos até o fim", afirmou. "Dessa vez não vire o rosto."
Neville, um pouco atônito, disse:
"Eu não sei se concordo com isso."
"Só um beijo. De caridade", pediu e piscou provocativo. "Venha", ordenou e puxou Neville para mais perto.
Sendo puxado em direção a Bill, Neville se sentia ligeiramente oprimido. Não havia notado até então que Bill era mais alto do que ele. E Bill era mais forte, com seus ombros enormes e braços musculosos. Neville imediatamente comparou Bill com Snape. O professor era pálido e tinha menor estatura do que Neville. Não que isso o deixasse menos intimidador. Neville apenas preferia o bruxo de olhos negros e cabelos pretos. Ele olhou para Bill e seus olhos azuis pareciam pedras de gelo. O sorriso era de pura soberba, como se já tivesse conquistado Neville. Novamente de forma involuntária, ele deu um passo para trás, se afastando de Bill.
Bill manteve o rapaz onde estava, segurando seus ombros e sussurrou:
"Não fuja de mim. Eu vou te fazer feliz. Vou te fazer muito mais feliz do que ele."
"Bill...", disse e logo depois pausou. Longbottom pensou em puxar sua varinha e forçar Bill a se afastar usando feitiços. Mas Bill tinha razão em um ponto. Apesar de estar se sentindo oprimido, era apenas um beijo e Neville talvez gostasse. Por isso manteve a ideia do beijo. Se eles não tivessem química, o bruxo pararia de persegui-lo.
"O que, Neville?"
"Eu vou te beijar."
"Ótimo!", disse e sorriu enviesado.
Bill permitiu que fosse Neville que se aproximasse dele, devagar. Mas suas mãos firmes estavam impacientes, por isso ele desceu até as costas do rapaz e o puxou mais um pouco em sua direção. Ele colou os abdomens. Seu sorriso aumentou enquanto Neville continuava se aproximando.
Longbottom precisou manter o controle de puxar a varinha para Bill. Ele não gostou do fato de estar colado no outro. Mas agora iria até o fim. Ele fechou os olhos e colou os lábios nos de Bill. Neville ouviu um gemido alto de satisfação e sentiu as mãos de Bill o apertando com mais força. Depois de maneira nada sutil, Bill enfiou o joelho entre as pernas de Longbottom, as separando. Ao mesmo tempo, a língua de Bill forçava passagem por entre os lábios cerrados do rapaz. Neville não sentiu excitação, ao contrário. Se sentiu traído. Havia acreditado que seria apenas um beijo e agora Bill estava esfregando a ereção contra as suas coxas.
Longbottom virou o rosto, precisava de um pouco de ar. Bill continuou o beijando, na bochecha e depois no pescoço. O ruivo segurou o queixo de Neville e virou o rosto do rapaz em sua direção para poder beijá-lo mais uma vez. Bill colocou a língua na boca de Neville que dessa vez correspondeu com certo entusiasmo.
Após se beijarem longamente, Bill afastou o rosto poucos segundos. O bruxo respirava pesado, mas aparentava satisfação extrema.
"Na minha casa ou na sua?"
Neville levou mais de dez segundos para entender a pergunta.
"Na sua."
"Ótimo. Podemos aparatar aqui, não?"
"Acho que sim."
"Relaxe. Eu te conduzo essa noite", sussurrou com duplo sentido explícito e aparataram na casa de Bill.
-X-
Bill ignorou a sutileza e resolveu aparatar direto no seu quarto. Ele poderia ter aparatado na sala, oferecido um vinho e colocado uma música para relaxar Longbottom. Mas ele estava louco de desejo. Tudo o que conseguia pensar era que queria tirar a roupa de Neville e se enterrar nele durante toda a noite.
Assim que eles aparataram, Bill voltou a beijar Neville. O ruivo adorava o fato do rapaz estar muito mais participativo, aceitando suas carícias e as retribuindo. Porém, as passar as mãos nas costas de Longbottom, ele pode sentir os músculos das costas de Neville tensos. Ele interrompeu o beijo.
"Você está bem? Quer beber um vinho?"
"Não, estou ótimo. Vamos continuar."
"Você está tenso, Neville."
"Não estou", mentiu Longbottom e em seguida puxou Bill para voltar a beijá-lo.
Bill riu e continuou beijando Neville. Gostava do rapaz estar tomando a iniciativa, mas se Neville não estava tenso, ao menos estava nervoso. Bill passou novamente as mãos pelo corpo do rapaz, o acariciando desde os ombros até a lombar. Neville era como ele esperava: gostoso. Com isso em mente, Bill mordeu os lábios de Neville. O rapaz gemeu e Bill realmente adorou o som.
"Vou te fazer gemer muitas vezes", prometeu o ruivo.
Bill não reparou que o gemido de Neville havia sido de dor e os olhos hazel estavam quase apáticos com as suas carícias. Bill também não viu Neville respirar fundo para em seguida avançar nele e começar a tirar suas roupas.
"Está com pressa?", provocou Bill.
"Vamos terminar logo isso."
Apesar de estar sendo muito perspicaz, Bill notou que a fala de Neville não condizia com alguém interessado em transar.
"Você está bem, Neville?"
"Estou ótimo!", afirmou. Neville olhou para ele com determinação e valentia, parecia o estar desafiando a dizer que ele não estava bem.
"Neville, talvez..."
Bill parou de falar, seu casaco já havia sido arrancado por Neville e agora o rapaz começava a abrir sua calça.
"Vamos mais devagar..."
"Eu não gosto devagar", disse Neville, se ajoelhando.
Bill sentiu certa zonzeira de excitação com a imagem de Neville Longbottom, um dos heróis de Hogwarts, ajoelhado diante dele. Ele havia imaginado essa cena muitas vezes. Queria Neville, mas havia algo errado. O rapaz evitava o contato de olhar.
Bill esqueceu momentaneamente a estranheza do rapaz e sentiu suas pernas vacilarem, pois Neville havia abaixado a sua calça e começado a massagear seu membro por cima da cueca.
"Oh, Neville...", gemeu.
Após respirar recuperar o fôlego, Bill se deu conta em meio ao prazer que a mão de Neville proporcionava, que o rapaz não o observava, continuava de cabeça baixa. Tinha algo errado ali?
"AHH!", gemeu novamente. Nesse momento Bill Weasley esqueceu até a cor de seus cabelos, pois Neville havia tirado sua cueca e engolido sua ereção. O rapaz logo depois começou a fazer movimentos enérgicos de vai-e-vem. Bill sorriu satisfeito. No final, ele havia ganhado. Ginny havia perdido. Melhor, Snape havia perdido.
"Hum, Neville... Isso... Está muito... Bom."
A resposta de Neville foi aumentar o ritmo de seus movimentos, as mãos agarradas firmemente a bunda de Bill. Por sua vez, Bill agarrou o cabelo de Neville. Queria guiar os movimentos, direcioná-lo. O ruivo agora conduzia a boca de Neville, penetrando-a com certa agressividade.
Bill estava tão excitado que estava quase tendo um orgasmo. Porém, ele não queria que fosse assim tão rápido. Ele deu um puxão nos cabelos de Neville, libertando a boca do rapaz da sua ereção. Ele olhou para baixo e estranhou o fato de Neville estar encarando o chão.
"Vem cá", disse e puxou Neville do chão com mais gentileza, depois deu um longo beijo nele. Bill terminou o beijo sorrindo e depois pediu: "Deixe-me provar seu gosto. Vá para a cama!"
Neville deitou na cama de costas e esperou pelo ruivo. Bill sorriu satisfeito quando os olhares dos bruxos se encontraram. A fim de exibir seu físico, tirou a camisa, a calça, a cueca, os sapatos e as meias. O bruxo lamentou não ter ligado as luzes, narcisista como era, gostava de ter seu físico admirado. Totalmente nu, Bill entrou na cama e deitou em cima de Neville. Ele gemeu quando suas peles se encontraram, ao contrário de Neville.
Bill beijou e mordiscou o pescoço de Neville, ao mesmo tempo sua mão descia pelo abdômen do rapaz até a virilha. Bill paralisou ao sentir a falta de ereção do amante.
"Você já gozou?", perguntou Bill mesmo sabendo que era improvável.
"Ainda não", respondeu com a voz baixa.
Bill saiu de cima dele. O sentimento de derrota amargando na sua boca. Ele quase podia ouvir Snape com sua voz debochada: "O aluno não superou o mestre." Maldito Slytherin! Maldito!
"Vamos até o fim", falou Neville.
"Eu perdi", sussurrou Bill após se sentar na cama. Ele se levantou e agora era ele quem não conseguia olhar para Neville. "Você não devia ter vindo, Neville. Você não está pronto. Ainda não conseguiu superar ele."
"Bill", chamou.
O ruivo recolheu suas roupas sem olhar para Neville.
"Eu... Eu vou embora", disse Bill e saiu do quarto apressadamente.
-X-
Neville se sentiu grato por estar sozinho. Bill tinha razão. Ele não devia ter ido até lá e sujeitado os dois a esse fiasco. Longbottom não conseguiu se excitar com os beijos ou as carícias. Simplesmente não conseguiu. Tudo que ele conseguia pensar enquanto estava com Bill era que Bill não era o bruxo certo. Eles não tinham química. Bill não era Snape, pensou.
Longbottom saiu da cama. Queria ir embora dali. Mas antes procurou um pedaço de pergaminho. Achou pergaminho, penas e tinta em uma gaveta. Ele escreveu um pedido de desculpas para Bill e colocou em cima da cama do ruivo. Depois desaparatou de lá para ir a sua casa.
-X-
Neville ficou grato pelo treinamento em auror ser na floresta da Albânia durante os dias seguintes. Pelos menos lá no meio da floresta ele podia fugir de todos os problemas. Esquecer a rejeição do Snape, do desastre com Bill e dos pretendes idiotas de Ginny. Não podia pensar em nada, apenas em sobreviver. A floresta estava repleta de animais silvestres hostis e o objetivo era sobreviver a eles. No final dos dez dias na floresta eles teriam que enfrentar um bruxo altamente treinando que julgaria se eles estavam aptos ou não no treinamento em campo.
Felizmente o treinamento não era totalmente inumano. Eles tinham horário para dormir, apesar de que as vezes tinham que dormir durante o dia, já que o ataque dos animais ocorria a noite. Os alunos eram liberados para dormir em casa ou onde preferirem. Neville era grato por isso. Apesar de ser um pouco deprimente ele voltava para casa todos os dias. Em casa, ele observava os livros que Snape tinha dado a eles. Aqueles livros davam forças para ele continuar. Ele sentia vontade de ser um bruxo melhor. Um bruxo a altura do professor.
-X-
Snape voltou a utilizar o metrô para ir para casa todos os dias após a visita de Ginerva Weasley. Não que ele estivesse obedecendo alguma ordem da garota impertinente, porém ele desejava ver Longbottom. O rapaz estaria mesmo sofrendo? Por ele?
Severus não podia negar que lembrar aquele belo rosto e olhos hazel transbordando dor era desolador. Longbottom era muito atraente para penar daquela forma. Mas não era somente por isso que ele não merecia sofrer. O rapaz não mereceria sofrer porque já havia ultrapassado sua cota de sofrimento na vida. Os pais incapacitados, o bullying na escola e a guerra contra Voldemort haviam sido demais. Definitivamente, ele não merecia mais sentir dor.
Porém, infelizmente Severus não encontrou um dia sequer Longbottom no metrô. Talvez Longbottom tivesse superado e seguido sua vida. Contudo, por mais que não admitisse, Snape gostaria muito de rever o rapaz. Mesmo de longe. Só para ter certeza que estava bem e havia seguido em frente.
Em casa no sábado pela manhã, enquanto tomava café Severus pensava em uma maneira de encontrar com Longbottom. Não sabia o endereço do rapaz e suspeitava de que não seria de bom tom aparecer por lá. Longbottom talvez já o tivesse superado, por isso não queria mais vê-lo.
Talvez o melhor fosse esperar uma ajuda do destino. E para isso Severus continuaria usando o metrô. Porém como estava há poucos dias do Natal, Longbottom devia já estar de férias e portanto não usava mais o metrô.
Então como faria para encontrar com Longbottom?
Severus olhou para a janela, após beber um longo gole de café. A coruja que entregava O Profeta Diário o encarava. Talvez essa fosse a ideia que precisava? Mandar uma carta para Longbottom marcando um encontro? Encontro?! Snape não gostava muito dessa palavra, não parecia certa para usar com seu ex-aluno apaixonado.
A coruja bicou o vidro da janela, impaciente. Severus se ergueu e foi até lá e abriu a janela. A coruja entrou, fez um círculo no teto e pousou em cima da mesa. Snape desamarrou o jornal da sua pata e depositou a moeda na bolsinha do animal.
Severus voltou a se sentar enquanto a coruja partia. Ele desenrolou o jornal e olhou rapidamente as manchetes. Seu olhar se fixou no nome Longbottom em uma das manchetes. Snape olhou com mais atenção e se sentiu empalidecer ao ler o título da notícia: "Augusta Longbottom faleceu aos 64 anos ontem em sua casa por problemas cardíacos." Severus releu o título e depois olhou para a foto de uma bruxa colossal, muito semelhante à McGonagall.
"Esse garoto não merecia sofrer mais", falou para si mesmo.
Ao ler a reportagem completa, ele descobriu que o funeral seria hoje a tarde e o local. O local, pensou. Parecia que o destino tinha um humor negro. Porque o funeral da avó de Longbottom era a situação perfeita para ver o rapaz.
Continua?
-X-
Notas da autora: Lamento demasiadamente a demora. Não sei nem como pedir desculpas. Só posso falar obrigada. Obrigada por todos os reviews e pela presença de vocês na fic.
Por favor, não desistam da fic. Eu não vou desistir dela! Nunca! Pode ser que demore para atualizar, mas jamais abandonarei essa história. Eu já a amo muito. Acredito que será minha melhor fanfic, melhor até que Ácido e Base.
Então... Sobre esse capítulo. O que vocês acharam? Como vocês acham que vai ser o reencontro de Snape e Neville após a declaração de amor?
Ai, gente! Peço desculpas as fãs do Bill, mas não consegui mesmo fazer uma cena de sexo entre eles. O Neville é certinho demais para isso. Se o Bill não desistisse, o Neville o faria. Contudo, como recebi lindos reviews pedindo para que tivesse mais interação Bill e Neville eu fiz essa ceninha. Aguardem cenas dos próximos capítulos, essa não será a última interação deles. ; )
Gostaram da Ginny indo atrás do Snape? Eu adorei! Já tinha planejado essa cena há muito tempo. Adoro a Ginny, aliás, adoro a relação Ginny e Neville. E vocês?
Outro assunto importante, a maioria dos reviews que eu recebo são de pessoas que não tem cadastro nesse site. Isso me impossibilita de responder esses reviews. Poxa, meninas! Façam cadastro aqui no site. Só tem vantagens. A mais importante é a seguinte, vocês podem marcar as fanfics que vocês mais gostam. Isso significa que quando tiver atualização da fanfic, vocês recebem um e-mail avisando que a fanfic foi atualizada. Não é fantástico? E muito mais prático? A outra vantagem é que possibilita que os autores enviem mensagens para quem escreve os reviews. Portanto, facilitem suas vidas e façam cadastro aqui no fanfiction.
O próximo capítulo está parcialmente escrito, prometo que ainda em 2014 eu atualizo, ok?
Mais uma vez, obrigada pelo carinho!
Quanto mais comentários, mais rápida a continuação.
Até o próximo capítulo! ; *
