Hazel

Capítulo V

Escrito por Nevilla F.

Severus foi até o local do funeral e permaneceu distante da concentração de pessoas. Haviam muitos bruxos e bruxas ali. Ela avistou alguns rostos conhecidos como Arthur e a esposa juntamente com uma penca de filhos ruivos, Minerva McGonagall estava lá com Pomona Sprout. Porém onde estava o jovem Longbottom? Ele estava procurando pelo aluno quando foi surpreendido por outra aluna.

"O que você está fazendo aqui?", perguntou uma conhecida voz feminina raivosa. "Quando eu te pedi para ir falar com ele, você não foi. Agora você vem? Por que veio? Remorso?"

"Senhorita Weasley", falou com desgosto.

"Eu perguntei o quê você está fazendo aqui, Snape. Eu tenho certeza que você não se importa com Neville, já que você esmagou o coração dele sem se importar. Você não se deu nem ao trabalho de conversar com ele, não foi? Você simplesmente o expulsou de sua casa."

Severus manteve sua máscara de impassibilidade, sem aparentar qualquer reação.

"Você pode ser a futura senhora Potter, menina, mas não admitirei que fale nesse tom comigo."

"Vá embora! Neville não merece sofrer mais com a sua presença! Vá ou irei enfeitiça-lo!"

"Você vai fazer o quê, mocinha?", questionou com um sorriso provocativo.

A garota puxou a varinha, apontando para o ex-professor.

"Vou enfeitiçar você, Snape", ameaçou.

"Ginny", chamou Potter, parecendo aflito ao ver a varinha na mão da noiva. "O que está fazendo?"

"Eu quero ele longe daqui", falou para Potter. "Ele não vai fazer Neville sofrer mais. Não hoje. É muita falta de respeito com sofrimento alheio."

Snape rosnou com o comentário. Havia ido até ali com as melhores intenções.

"Eu não vim até aqui tripudiar de Longbottom ou de sua dor."

"Ginny, por favor, vá ficar com Neville. Ele precisa do nosso apoio. Eu conversarei com Snape."

A ruiva lançou um olhar de asco profundo na direção do ex-professor.

"Eu sinto nojo de você. Em pensar que fui eu quem incentivou Neville a te procurar. Nunca em minha vida senti tanto arrependimento. Você é uma causa perdida!"

"Nisso eu concordo, senhorita Weasley", retrucou e recebeu outro olhar furioso da jovem.

Após a bruxa ter se distanciado, Potter se virou para o ex-professor.

"Snape, eu preciso perguntar, o que diabos veio fazer aqui?"

Severus lançou um olhar de profundo desagrado e desprezo para Potter.

"Eu não me lembro de dever satisfações da minha vida particular a você, Potter."

Snape viu o rapaz respirar fundo com sua resposta, como se tentasse se acalmar.

"Então vamos simplificar... Você pretende ficar, Snape?"

"Como eu disse, não devo satisfações a você, Potter, mas sim, eu pretendo ficar", disse e olhou em volta, observando que todos Wealeys e outros bruxos olhavam de forma nada amigável para ele. William Weasley parecia particularmente colérico ao observá-lo de longe. A voz estridente de Ginerva Weasley havia atraído muita atenção para a presença de Severus no funeral. Teria sido essa a intenção da garota? "Gostaria de demonstrar solidariedade a Longbottom por sua perda, mas percebo que não foi uma boa ideia."

Potter aparentemente ficou surpreso com a sinceridade do ex-professor. Talvez por isso, ele falou em seguida:

"Você não conseguirá conversar com Neville aqui. Ginny e Hermione nunca permitirão sua aproximação. Estão loucas de raiva, como você pode perceber."

"Eu não me sinto intimidado por duas garotas, Potter."

O garoto sorriu de deboche, parecia achar graça do professor por não se intimidar com as duas bruxas mais talentosas que ele conhecia.

"Você percebeu os olhares que está recebendo? Ninguém está feliz com a sua presença. Você é Comensal da Morte e visto o que aconteceu com os pais de Neville, sua presença pode até ser considerada zombaria."

"Está sugerindo que vá embora, Potter?", perguntou irritado. "Porque eu duvido que Longbottom não me queira por perto", provocou. Na realidade, Snape falou a última frase para saber se Longbottom havia o superado ou não.

Para surpresa de Severus, Potter acenou afirmativamente com a cabeça como se concordasse com ele.

"Exato. Eu também acho que Neville não te mandaria embora, mas aqui você não conseguirá chegar até ele", comentou e fez uma pausa, com se refletisse sobre o que diria a seguir. "Sinceramente, não gostaria que Neville ficasse sozinho hoje. Por isso, eu o convidei para ficar na minha casa com Ginny e comigo, mas ele não quis", Potter fez outra pausa. "Você tem o endereço da casa dele?"

"O que exatamente está sugerindo, Potter?"

"Snape, vamos ser muito claros. Existe apenas uma pessoa no mundo que Neville não rejeitaria hoje: você. E já que você veio até aqui, acredito que deseje realmente conversar com ele. Dessa forma, acho que o melhor que você pode fazer é ir até a casa dele."

Existe apenas uma pessoa no mundo que Neville não rejeitaria hoje: você. Severus sentiu taquicardia com essa frase. Suas mãos começaram a tremer, o que não acontecia há muito tempo. Seria o efeito Longbottom? Ou simples alegria pelo fato do jovem ainda não o ter superado. Mas isso era bom ou ruim?

"Sua noiva não gostará da sua ideia", disse e ficou satisfeito por sua voz estar com o usual timbre inexpressivo.

"Eu também não gosto da ideia, assim como não gosto de você. Porém, eu, diferente de você, vi como Neville ficou triste e depressivo com a sua indiferença. Eu também vi o quanto a morte da sua avó afetou ele. Tenho receio do quão deprimido ele pode estar hoje. E você seria a única pessoa que o impediria de fazer uma... Besteira."

Besteira? Potter estava sugerindo que Longbottom iria se suicidar?, refletiu Severus.

"Qual é o endereço?"

Potter falou o endereço para Snape.

"Vá encontrar com Neville depois do funeral. Ele já disse que não vai querer ficar ninguém, mas você é especial para ele. Talvez não faça diferença nenhuma para você, mas acho que deve saber que os sentimentos dele não mudaram. Ele não assume para nós, mas todos sabemos que ele ainda te ama, infelizmente", disse Potter e se afastou em seguida.

Severus observou o filho de Lily ir até a namorada. Entre a menina Weasley e Granger, estava Longbottom. Ele estava de costas e vestido todo de preto. Mesmo ao longe, ele viu que os ombros do rapaz estavam curvados e ele estava de cabeça baixa. Longbottom não olhou para ele, estava com o olhar fixo no chão. O professor olhou para os demais bruxos presentes, todos o observavam com certo grau de desprezo. Ele até recebeu um olhar enraivecido de McGonagall e Sprout. Por tudo isso, ele concluiu que a ideia de Potter era realmente melhor. Ele iria embora, porém mais tarde iria até a casa de Longbottom.


Assim que Lucius Malfoy observou Severus indo embora, ele retirou a capa de invisibilidade que usava. Não desejava que o amigo o visse ali, mas queria ser visto por outro bruxo. O menino Longbottom devia estar particularmente fragilizado nesse momento de perda. E como Severus havia ido embora, isso indicava que Longbottom não conseguiu o que desejava com o professor.

Ora! Se Longbottom sentia atração por Comensais da Morte, Lucius havia ido até ali para se mostrar solícito e ocupar o cargo que Severus não quis.

Com um sorriso enviesado nos lábios e a postura arrogante, ele se dirigiu até Longbottom. Porém, deu menos de cinco passos quando uma mão agressiva empurrou seu peito.

"O que você pensa que está fazendo?", rosnou o primogênito de Arthur Weasley.

"William!", falou e seus olhos cinza brilharam de malícia. "Nós nos encontramos novamente."

"Não é William, Malfoy! É senhor Weasley! E eu te perguntei o que você está fazendo aqui."

"William, senhor Weasley é seu pai. Eu te vi nascer, rapaz. Isso me dá o direito de te chamar pelo primeiro nome."

"Porra nenhuma, Malfoy! Agora saía daqui antes que eu te expulse com feitiços."

"Onde está sua educação? Tenho certeza que sua charmosa mãe te educou melhor do que isso. Agora, se me dá licença, vou dar os pêsames para Neville", falou e fez questão de usar o primeiro nome de Longbottom para provocar o rapaz. Em Azkaban Lucius notou que o ruivo nutria algo por Longbottom.

Weasley agarrou o colarinho da camisa de Lucius com agilidade impressionante. Malfoy viu o punho fechado e pensou que a qualquer segundo seria golpeado. Mas Weasley pareceu se acalmar. Malfoy conseguia ver de perto os olhos azuis em cólera. O ruivo aproximou o rosto de forma ameaçadora do de Lucius e rosnou:

"Saia daqui agora ou arque com as consequências de receber a minha fúria."

Aproveitando o contato visual intenso, Lucius usou Legilimência em Weasley. A raiva devia estar afetando a capacidade mental do ruivo, pois Lucius teve acesso a pensamentos intensos, todos relacionados a Longbottom. Após alguns segundos, Weasley se deu conta da invasão e usou Oclumência contra Lucius. Mas já era tarde. Malfoy estava sabendo demais.

Weasley empurrou Lucius, o rapaz parecia levemente constrangido.

"Vá logo embora, Malfoy!"

"Severus tem razão, William. Você perdeu. Nosso Neville não te quis. Agora é a minha vez de tentar."

Lucius percebeu que a conversa dos dois estava chamando atenção dos outros bruxos. Essa devia ser a razão de Weasley ainda não tê-lo agredido fisicamente, porque Lucius sentiu que ele nutria ardentemente essa vontade. Pela visão periférica, Malfoy percebeu que Arthur estava se aproximando deles.

"Quer resolver esse assunto em outro lugar?", perguntou Weasley, que também havia observado o pai se aproximando. Sutilmente, o ruivo puxou a varinha para indicar do que se tratava o assunto. "Aqui não é o local oportuno para discutirmos isso."

"Me diga uma coisa, William. Neville chupa bem?", zombou. E em seguida sentiu um punho vindo em direção ao seu rosto. E depois outro e mais outro. Apesar de tonto com os golpes, Lucius viu Arthur afastando o filho mais velho dele.

"Bill! Fique calmo!", pedia Arthur.

Em meio a confusão, outro filho de Arthur, o alto que tinha a loja no Beco Diagonal, arrastou Lucius para fora do funeral. Após expulsá-lo do local, Malfoy viu o ruivo lançar um feitiço indolor nele.

"O que foi isso?", perguntou Lucius, ainda zonzo.

"O feitiço vai te impedir de entrar aqui novamente. Só fiz isso porque tenho muita consideração por Neville. Ele não merece um escândalo no funeral da avó. Se estivéssemos em qualquer outro lugar, eu deixaria Bill e meu pai te darem uma boa surra. Você merece."

Um trovão ribombou e começou a chover. Lucius riu e sentiu sua boca doer ao fazer isso. Ele viu o rapaz se afastar enquanto a chuva começava a cair. Malfoy se ergueu com dignidade, como se fosse um príncipe. Ajeitou suas vestes e se afastou do local. Contudo, a ida até ali havia sido extremamente produtiva. William Weasley seria o mediador perfeito para seus planos.


"Eu já estou calmo, pai."

"Onde você estava com a cabeça, Bill? Primeiro Severus e agora Lucius? Por que está procurando problemas com Comensais da Morte?"

É tudo por causa de Neville, pensou Bill.

"É complicado. Lamento por isso tudo. Neville está sabendo?", perguntou olhando na direção onde estava Longbottom. Todos os bruxos e bruxas que haviam sido atraídos na confusão já tinham se dissipado.

"Se Neville está sabendo que você surrou Malfoy? Se não estiver sabendo, eu mesmo contarei", falou George que havia se juntado aos dois.

"George, por favor. O menino não precisa de mais problemas. Você colocou Lucius para fora?", perguntou Arthur.

"Sim. Também impedi que ele voltasse com um feitiço."

"Obrigado, George. A mãe de vocês está acenando para mim. Já vou, querida!", disse enquanto acenava de volta para a esposa. Depois olhou seriamente para o filho mais velho. O simpático ruivo que agora era vice-ministro da magia parecia ainda mais velho ao franzir a testa e manter a aparência fechada. "Bill, você é um homem crescido. Então peço que se comporte como um. Desde a sua separação com Fleur você não é mais o mesmo. Você nunca me deu problemas na adolescência, mas não irei mais intervir em suas ações. Se você atacar outro bruxo, irá responder pelos seus atos. Agora, vocês dois sentem-se. Já vai começar a cerimônia."

Quando o pai já estava longe, George olhou para o irmão.

"Você fez bem, Bill. Malfoy não veio aqui com bons propósitos. Se você não tivesse surrado ele, eu teria feito. Ou até mesmo papai teria gostado de acertar um soco nele."

"Malfoy veio provocar Neville. Não me arrependo de nada."

George sorriu de forma apreciativa.

"Agora sim você está se parecendo mais comigo", aprovou e deu um soco leve no braço do irmão mais velho. "Foi a primeira que vi papai ralhando com você. Como se sente?"

"Bem", respondeu sorrindo.

"Se quiser surrar ou azarar Malfoy, me chame. Juntos nós dois responderemos por nossos atos", zombou ao imitar a voz do pai na última frase.

Bill riu e viu George se afastar, indo sentar ao lado da namorada. Enquanto ele olhava para seu irmão, ele pensou que seu pai tinha razão. Ele precisava se controlar. Mas havia algo em Neville Longbottom que o desestabilizava. Corrigindo, o fato de Neville ter preferido sofrer em um amor platônico por Snape do que ficar com ele o estava matando. Acabava com seu orgulho.

Snape! O maldito havia se atrevido a ir até ali. Bill queria ter surrado ele. Mas foi Harry que o fez ir embora. O quê o desgraçado queria ali? Como odiava Snape! Odiava perder, fracassar. Perder para um Slytherin era ainda pior. Desejava ter proposto um duelo oficial com Snape. Precisava derrotar o professor de alguma forma. Mas como? Neville estava literalmente enfeitiçado pelo Comensal da Morte.

Um parente de Neville estava falando para a plateia. A cerimônia havia começado. Bill se sentou na última fileira. Ele olhou de relance para Neville. O rapaz havia escrito um pedido de desculpas para ele depois do encontro desastroso. Havia sido a última vez que os dois estiveram juntos e trocado palavras. Longbottom estava evitando-o e Bill achava melhor assim. O ruivo simplesmente não conseguia encarar Neville, pois isso seria assumir que tinha sido um mal amante. E isso era impossível, inadmissível. Mais importante do que ter notas perfeitas no colégio e ter conseguido o emprego dos sonhos, Bill se vangloriava de ser um amante formidável. Como ele podia ter falhado tanto com Neville?


Severus estava tenso e o bruxo detestava essa sensação. Olhando para a casa de Longbottom, ele sentia vontade de correr dali. Mas permaneceu onde estava. A vontade de ver Longbottom, de encarar novamente os olhos hazel superava suas inseguranças. As mãos de Snape estavam frias e todos os seus músculos, em especial os das costas, estavam retesados, duros. E toda sua tensão era proveniente do medo de ser rejeitado por Longbottom.

Talvez, apenas talvez, Snape sentisse algo pelo rapaz. Só esse possível sentimento podia explicar sua tamanha tensão e até o temor da rejeição. Por alguns segundos, ele fechou os olhos, meditando para se recompor. Ele jamais permitiria que Longbottom identificasse sua tensão ou qualquer outro sentimento que denotasse fraqueza.

Quando voltou a abrir os olhos, sua mascara de indiferença estava pronta. Snape corrigiu sua postura e depois bateu na porta.

Não parecia haver ninguém na casa, as luzes estavam apagadas e o silêncio era absoluto. Após uns segundos, nada havia acontecido, nenhum movimento ou luz vindo da casa. Contudo, Severus não iria desistir tão facilmente. Ele bateu novamente a porta de madeira, dessa vez com mais força do que o necessário. Parecia ter espancando a porta. Snape viu uma luz acender no segundo andar da casa. Após longos instantes de espera, o rapaz atendeu a porta.

Longbottom parecia destruído. Ele vestia as mesmas roupas do funeral, mas amassadas, o cabelo tão bagunçado que parecia o cabelo de Potter. Porém, o pior eram os olhos. Aqueles olhos hazel tão alegres e encantadores, que haviam enfeitiçado Severus, estavam devastados, vermelhos, inchados e demostrando uma dor imensurável.

O garoto não falou nada e não expressou qualquer reação a sua presença, o que era significativo, já que Severus sempre considerou o rapaz intenso e transparente. Snape não saberia dizer se a falta de reação era por conta da indiferença que ele próprio demonstrou frente aos sentimentos de Longbottom ou devido à morte da avó. Talvez uma mistura dos dois?

"Longbottom, sinto muito pela sua perda", falou Snape, e sua voz usualmente inexpressiva, parecia triste.

O rapaz acenou minimante com a cabeça. Mas parecia que o rapaz não estava ali ou tivesse ouvido o quê o professor dissera.

"Não precisava ter vindo até minha casa. Eu te vi no funeral", falou com a voz mais rouca do que o normal.

"Sua amiguinha, a menina Weasley, não permitiu que eu me aproximasse de você. Assim como todos os demais bruxos no funeral, ninguém estava feliz com a minha presença ali. Contudo, como eu disse, lamento a sua perda, Longbottom. Gostaria de dizer isso pessoalmente."

"Harry te intimou a vir aqui?"

Os olhos negros cintilaram de forma perigosa.

"Nenhum bruxo me intima a fazer nada, Longbottom, muito menos um bruxo patético como Potter."

Longbottom voltou a encarrar profundamente Severus, como se buscasse entender alguma coisa através dos olhos do professor. Após alguns segundos encarando Snape, o rapaz falou:

"Esse é um dos motivos de eu ter me apaixonado. Você nunca me olhou com pena, nem quando entrei em Hogwarts, nem agora. Foi o único olhar livre de pena que recebi hoje."

Desconfortável com a palavra apaixonado, Severus tratou de mudar de assunto.

"Você quer um café? Eu comprei na cafeteria da sua rua."

Snape viu os olhos hazel de arregalarem de surpresa com o convite. Um pequeno resquício de brilho nos olhos de Longbottom, que estavam opacos desde que ele abrira a porta.

"Perdão, Snape. Não te convidei para entrar porque pensei que não aceitaria. Entre, por favor."

Severus observou que Longbottom estava trêmulo. O rapaz realmente não esperava que Snape quisesse ficar a sós com ele.

"Não vou te incomodar muito, Longbottom. É apenas um café", disse enquanto entrava na sala de estar.

O ambiente estava escuro, as lâmpadas ainda apagadas. Severus ouviu um barulho de algo pesado caindo no chão seguido de um "Ai!".

"Você caiu, Longbottom?", indagou Snape, incrédulo. Depois com um feitiço, fez as lâmpadas se acenderem. Com a luz, ele pode observar o rapaz no chão. Como não havia nada no chão por perto, Longbottom provavelmente havia tropeçado nos próprios pés. Severus quase riu com a ideia.

"Estou bem", resmungou o rapaz. Com o rosto ruborizado de vergonha, ele se levantou rapidamente. Porém não olhou diretamente para o professor.

"Tropeçou em alguma coisa?", indagou com deboche. Severus sabia que deveria respeitar o luto do rapaz, mas não conseguiu frear a zombaria.

"Você sabe que a sua presença me deixa nervoso. Quer me dar seu casaco?"

"Por que você está de casaco em casa? Aliás, você está com as mesmas roupas do funeral", disse em tom acusador.

"Eu acabei dormindo quando cheguei."

Isso explicava as luzes apagadas, pensou Snape. Porém, enquanto Severus saía do funeral começou a chover forte. O bruxo olhou novamente para os cabelos totalmente despenteados de Longbottom. O imbecil do garoto havia dormido com as roupas molhadas?, refletiu. Snape ficou irritado com a ideia de Longbottom ficar doente por isso. Mas logo em seguida se lembrou que Longbottom e sua saúde não eram da sua conta. Ele olhou novamente para o rapaz que esperava seu casaco. Severus tirou rapidamente seu sobretudo preto e entregou para Longbottom, depois caminhou para dentro da sala de estar.

Se Snape tivesse olhado para trás, em direção a Longbottom, teria visto que o jovem bruxo levou seu sobretudo ao nariz e aspirou com urgência, como se a peça de roupa fosse uma máscara de oxigênio que cai em um avião após uma despressurização. A satisfação inundou o rosto de Longbottom ao sentir o cheiro do professor, o que Severus também não viu já que estava de costas. Mas ouviu a voz do rapaz.

"Sente-se, por favor. Se incomoda de acender a lareira?"

Severus se virou na direção de Longbottom, a voz do rapaz havia mudado drasticamente. Se antes Longbottom estava parecendo um zumbi, sem vida ou alma, agora a voz dele estava mais normal e bem menos depressiva. Qual seria a razão disso?, pensou. Apenas a minha presença?, imaginou. Não, não devia ser isso. Ele olhou para trás e viu que Longbottom havia acabado de fechar a porta da casa e se encaminhava para o que parecia ser o armário de casacos.

Snape se virou em direção da sala estar. Era bastante organizada e com poucos móveis. Havia um sofá e duas poltronas organizadas em formato da letra u com uma lareira na parede em frente. Severus caminhou até a lareira. Ele paralisou quando viu as fotos colocadas em cima da lareira. A maioria era dos pais de Neville ainda jovens com o filho bebê. Os Longbottom pareciam tão felizes com seu filhinho de rosto redondo. Snape sentiu certa alegria com as fotos, pois diferente dele, Neville foi muito amado pelos pais. Outras poucas fotos mostravam um jovem Neville com sua avó e outros parentes. A mais recente, que devia ter sido tirada neste ano, mostrava Neville em frente a um bolo cercado de diversos Weasley, Granger, Potter, Lovegood e outros alunos de Hogwarts. Provavelmente era aniversário de Longbottom. Longbottom sorria de forma contagiante na foto, assim como todos seus amigos.

Bastante desconcertado com as fotos e o visível amor que cercava Longbottom, Severus focou o olhar na lareira. Havia bastante lenha e uma parte de madeira já carbonizada. Snape pegou a varinha e lançou um feitiço para criar a chama. Era seu segundo feitiço, restava apenas um. Mas ele não acreditava que Longbottom fosse criar problemas para ele, não hoje.

As chamas amarelo e vermelho dançavam pela lenha. Severus se virou e viu que Longbottom olhava para as fotos. Aquilo parecia estar deprimindo o rapaz.

"Aqui", disse entregando o copo de plástico para Longbottom, a fim de distrai-lo. "Eu disse café, mas é um macchiato."

Os dois se sentaram, um de frente para o outro. Snape notou que o rapaz olhou mais uma vez para as fotos na lareira, depois manteve seu olhar nele. O Comensal da Morte bebeu seu macchiato e felizmente ainda estava morno. Ele detestaria ter que usar seu último feitiço para esquentar sua bebida.

Longbottom bebericou o café, imitando Snape, mas se passaram longos segundos desconfortáveis até o professor quebrasse o silêncio pesado. Após beber novamente um longo gole do macchiato, Severus perguntou:

"É mesmo torcedor do Manchester United?"

"Eu escolhi torcer pelo United. Gostei a história do clube e gosto muito das cores, vermelho e amarelo. Só lamento a sede e o estádio do clube serem tão longe de Londres."

"Qual a escalação do time principal?"

"Está me testando?", indagou surpreso. "Com que finalidade?"

"Apenas responda, Longbottom."

Mesmo sem entender, o rapaz respondeu corretamente a escalação do time.

"Minha vez de perguntar, então", provocou Longbottom. "Qual o novo técnico do United?"

Severus também respondeu com precisão. O Comensal da Morte ingeriu mais do seu macchiato, satisfeito que o clima pesado havia se amenizado. Apesar disso, Longbottom pouco bebia do macchiato.

"Você não gosta de café", acusou Snape, como se fosse um defeito mortal.

"Hã?", fez Longbottom.

"Não gosta de bebidas amargas?", perguntou com certo tom de escárnio.

"Não gosto muito de café, mas não estou bebendo o macchiato porque queria prolongar ao máximo nosso tempo juntos."

A sinceridade de Longbottom atingiu Severus como um soco. O homem piscou, sem fala ou ação. Snape não se lembrava em sua vida de alguém ser tão sincero assim. 'Prolongar nosso tempo juntos', a frase rebombou em sua mente.

"Você prefere chá, Longbottom? Quer que eu prepare chá para você? Isso prolongaria nosso tempo juntos e você beberia uma bebida quente para se esquentar."

"Prepararia chá para mim?", perguntou o rapaz e Snape viu pela primeira vez na noite os olhos hazel cintilarem.

"Só se você trocar de roupas", disse e na mesma hora se arrependeu de não ter escolhido palavras melhores. Trocar de roupas podia ter uma conotação sexual não desejada. Por isso o professor tratou de se corrigir. "Coloque roupas secas. Você dormiu com roupas molhadas. Se quiser, tome um banho quente, eu espero aqui."

Longbottom olhou para baixo, para suas roupas. Parecia estar percebendo somente agora que suas roupas ficaram molhadas na chuva e secaram em seu corpo com o tempo. Então levou a mão até os cabelos, notando que estavam bagunçados. Severus, mesmo de longe, viu as bochechas de Longbottom ficarem vermelhas. O rapaz se levantou.

"Vai mesmo preparar chá para mim?", questionou Neville e havia uma inegável consternação na sua voz.

"Farei chá para você. Ou pensa que sou incapaz de preparar chá?"

"Vou te mostrar a cozinha, então."


Após indicar para Snape onde tinha a chaleira, saquinhos de chá e xícaras na sua cozinha, Neville saiu do cômodo. Contudo, antes de sair de virou e olhou novamente para a cena improvável. Severus Snape estava realmente na sua cozinha. Se fosse qualquer outro dia, Longbottom teria sorrido. Mas não hoje.

Neville havia sido assolado por duas dores em um curto espaço de tempo. Primeiro teve seu coração partido por Severus e sua indiferença. E logo depois sua avó, a bruxa que o havia criado, ensinado, tinha sido seu pai e sua mãe morreu. Ele agora estava sozinho, sem família. Só haviam restado seus pais, ambos reféns de Comensais da Morte.

Longbottom fechou os olhos e continuou andando até o seu quarto. Não gostava de pensar na ironia que era sua vida. Ele havia se apaixonado por um Comensal de Morte e justamente por culpa de outros Comensais da Morte ele não teve pais normais. Mas Severus era diferente. Hoje Neville havia recebido tantos olhares de pena que acabou ficando irritado. Aliás, durante sua vida inteira ele recebeu olhares de pena. Todos lamentavam pelo pobre menino que tinha pais incapazes. Ou o menino que não tinha talento em Hogwarts. Ou até por acharem que ele era um Gryffindor covarde. Todos o olhavam com pena. Até Minerva McGonagall parecia sentir pena dele, por mais que a bruxa tentasse não demonstrar. Havia apenas duas pessoas no mundo bruxo que não olhavam para ele com pena. Uma era sua querida avó e o outro era o bruxo que ele se apaixonou. Snape nunca se apiedou dele. Mesmo agora quando veio até sua casa, o ex-professor não estava com aquela detestável aura de piedade. Severus era diferente de todos, talvez por isso, Neville tenha se apaixonado por ele.

Já na suíte, Longbottom seguiu direto para o banheiro. Abriu o chuveiro e começou a tirar as roupas úmidas do corpo. Ele nem havia se dado conta que dormira com as roupas molhadas. Havia chegado em casa tão exausto e tão cansado que nem se deu ao trabalho de se trocar para deitar. Neville havia desmaiado na cama. Teria dormido mais se não tivesse sido acordado por Severus espancando a porta.

Após verificar a temperatura da água, Longbottom tomou um rápido banho quente.

Enquanto se vestia rapidamente, já que não queria deixar Snape esperando, Neville se sentia um pouquinho melhor. O banho ajudou a relaxar, ele havia parado de chorar e a presença de Severus havia ajudado muito. Se olhando no espelho, Longbottom podia ver que seus olhos continuavam vermelhos. Ele tinha chorado um bocado desde o falecimento da avó. As cicatrizes do seu rosto obtidas durante o último ano em Hogwarts pareciam se destacar horrivelmente em seu rosto pálido. Fazia algum tempo que ele não pegava sol. Pelas imensas árvores da floresta na Albânia não passava luz do sol.

Em outro momento ele se importaria com sua aparência, mas não agora. Por isso, Neville deixou seu cabelo molhado como estava. Ele secou agilmente, mas não colocou gel ou fixador, como usava todos os dias. Com o cabelo caindo como uma franja em sua testa, Longbottom parecia mais jovem. Parecia outra época da sua vida, bem menos dolorosa.

Neville olhou no relógio e haviam passado dez minutos exatos desde que deixara Severus sozinho. Ao menos não deixou o bruxo esperando muito. Ele rapidamente desceu as escadas para encontrar Snape.

Ao chegar a cozinha, Longbottom viu Severus sentado a mesa enquanto a água fervia no fogão. Snape ficou alguns segundos olhando para seu cabelo. Ao se dar conta disso, Neville passou a mão pelos fios. Antes que pudesse falar sobre seu cabelo, Severus o cortou.

"A água já está fervendo, mas esperei você chegar para decidir qual chá você prefere. Erva-doce?", sugeriu em tom provocativo.

"Não sou muito fã de coisas doces. Eu prefiro chá preto", disse com o olhar cravado nos olhos negros.

Severus esboçou um sorriso enviesado, depois se levantou e pegou a chaleira com a água fervente.

"Sente-se. É a sua casa afinal", zombou.

Neville, olhando hipnotizado para Snape, se sentou na cadeira onde tinha uma xícara e pires posto. Era impressão dele ou o clima havia mudado entre eles? Parecia que Severus estava aceitando seu flerte.

Snape pegou o saquinho de chá preto e colocou na xícara em frente de Neville, depois acrescentou a água fervente. Longbottom acompanhou com o olhar, Severus contornar a mesa e se sentar em frente a ele. Neville depois viu o professor pegar um saquinho de chá de erva-doce e colocar em sua xícara e adicionar a água quente.

"Você gosta de erva-doce?", indagou Neville e não conseguiu conter a surpresa em sua voz.

"Gosto. Algum problema nisso?", perguntou com naturalidade enquanto adicionava duas colheres de açúcar em sua xícara. "Quer açúcar?"

Longbottom negou balançando a cabeça. Estava tão surpreso com o gosto de Severus por chás doces que nem se deu conta que estava acabando com o clima. Mas não se importou. Estava mais interessado em entender o bruxo.

"Como alguém que gosta de café pode também gostar de chá doce?"

"Está dizendo que eu devia gostar apenas de bebidas amargas, Longbottom? Eu não sou tão linear assim", respondeu Snape e bebeu um gole do chá. "Sua bebida está esfriando."

Neville levou a xícara aos lábios e soprou, depois bebericou o chá. Ele inspirou os vapores do chá preto. Gostava muito da amargura do chá e seus vapores únicos. Era perfeito daquele jeito. Longbottom fitou o homem a sua frente e não pode deixar de notar a semelhança. Severus era amargo, com seu um cheiro delicioso e único. Era perfeito.

"Obrigado", disse Neville e como resposta Snape arqueou uma sobrancelha. "Obrigado por tudo, Snape. Obrigado por ter vindo até aqui, pelo chá e pela companhia."

Severus acenou minimante com a cabeça. Longbottom notou que ele parecia desconfortável com os agradecimentos.

"Você está em férias do treinamento?", questionou o professor.

"Não. As férias para os feriados natalinos serão curtas. Só teremos folga nos dias 24 e 25."

"Você parou de usar o metrô, então?"

"Desde a semana passada estamos fazendo treinamento nas florestas geladas da Albânia. Mais uma semana sem ver o sol."

Severus assentiu. O bruxo parecia estar refletindo.

"Ficará lá até o final de semana?"

"Não, eu volto todos os dias para casa. Dá mais trabalho, mas gosto de dormir na minha cama. Sábado e domingo nós somos liberados do treinamento."

Snape demorou um minuto para perguntar:

"Tem planos para o final de semana?"

Os olhos hazel cintilarem levemente. Toda vez que perguntavam isso, a pessoa tinha interesse em algum evento em particular. Neville aceitaria qualquer coisa que Severus propusesse para ele.

"Quer me convidar para fazer algo? Eu faço o que você quiser."

A feição dura do rosto de Snape relaxou. Se ele não fosse tão carrancudo, provavelmente teria sorrido.

"O que eu quiser, Longbottom? E se eu sugerir que devemos catar lixo pelas ruas?"

"Faço qualquer coisa com você", assumiu e como resposta viu os lábios de Severus se repuxarem brevemente em um quase sorriso. "Snape, eu estou vivendo uma fase complicada na minha vida, mas nada mudou. Eu continuo apaixonado por você."

Neville viu nitidamente que deixou Severus desconcertado. Talvez por isso o professor tratou de chegar logo no ponto.

"No próximo final de semana terá um clássico, United e Liverpool. Eu já comprei dois ingressos. Vou dá-los para você. Se quiser ir com outra pessoa..."

"Não! Eu prefiro ir com você."

"Tem certeza disso? O jogo é em Manchester e eu não posso aparatar. São mais de seis horas de trem até chegar o estádio."

Eu pagaria muito ouro para ficar seis horas com você, pensou Neville. Porém Longbottom lembrou-se de algo ao ouvir aparatação.

"Hermione está fazendo um estágio na seção de controle de aparatação e transportes. Posso pedir para ela liberar sua aparatação durante um dia. Você se incomoda?", acrescentou, pois achou que Snape não gostaria de depender de favores de ex-alunos.

"Por que você não convida William Weasley?", sugeriu com sarcasmo, mas para Neville parecia que o professor queria confirmar que ele e Bill não tinham nada. "Daria muito menos trabalho."

"Bill não gosta de futebol. Além disso, a sua companhia me agrada infinitamente mais. Eu gostaria muito que você fosse comigo. Mas eu entendo se você não quiser ir comigo..."

"Você não precisa falar com sua amiga. Você pode aparatar lá e nos encontramos no estádio. Eu vou e volto de trem. Já fiz isso antes quando era criança."

"Mas eu gostaria de ir com você."

"Seis horas de viagem para ir e mais seis para voltar? Você realmente quer isso?"

"Eu adoraria passar doze horas do meu dia com você."

Neville achou que poderia ser um delírio seu, mas ele viu o canto esquerdo dos lábios de Snape se repuxarem, como um sorriso escondido.

"Vamos combinar outra coisa, Longbottom. Podemos ir e voltar através de uma chave de portal. É assim que ocorre o transporte durante a Copa do Mundo de Quadribol. Posso tentar uma autorização para usar chave de porta durante um dia."

Longbottom preferia ir de trem. Ficar mais de doze horas com Severus era o que ele chamava de paraíso, porém a ideia da chave de portal era mais prática.

"Você vai conseguir a autorização. O senhor Weasley sempre diz que você se comporta bem, diferente de Draco. Ele sempre cria problemas em seu trabalho muggle."

"É uma característica dos Malfoy. Eles criam problemas."

Neville definitivamente não queria falar sobre os Malfoy, em especial um que havia feito um Voto Inquebrável com ele. O que Lucius Malfoy foi fazer no funeral de minha avó? O que ele teria dito para Bill a ponto do bruxo agredi-lo?, pensou angustiado.

Não. Neville não queria saber de nada no momento. Nada de Bill, Lucius ou agressão. Sua mente era toda de Snape.

"Viajou para Manchester de trem na infância. Quer me falar sobre isso?"

"Não."

Neville olhou para o bruxo sem entender a razão da resposta tão seca. Apesar de ter pedido para Harry, ele nunca comentou o que havia nas memórias de Snape. Apenas disse que Snape conheceu sua mãe ainda criança, eles foram amigos e o professor se apaixonou por ela. Sem mais detalhes.

"Por que você não me conta sobre a sua infância?", sugeriu Severus.

Neville franziu o rosto. Falar sobre a infância era basicamente relatar como havia sido criado por sua falecida avó. Longbottom respirou fundo, tomou um grande gole de chá e começou a falar. O rapaz falou principalmente dos momentos bons. A alegria que foi quando recebeu sua carta de Hogwarts e outros momentos felizes.

Longbottom achou que falar sobre sua avó o deixaria deprimido, mas não. Estava sendo um conforto, até um alívio falar sobre a avó. Severus era um ótimo ouvinte. Permanecia o tempo todo com os olhos cravados em seus olhos. E parecia sinceramente interessado em suas palavras.

Após um longo monólogo, Neville parou de falar e observou o Comensal da Morte. Não acreditava que Snape estava realmente ali. Então se deu conta de que era a primeira vez que Severus não tentou usar Legilimência contra ele. Talvez fosse o respeito pelo luto. Ou talvez Snape tivesse ficado com trauma após ter invadido a mente de Neville. O rapaz sentia vergonha por recordar que Severus sabia sobre todas suas fantasias infantis e apesar disso ainda estava ali, sentado em sua cozinha.

Contudo, Longbottom se sentia menos triste com a presença do professor. Ele não entendia se Severus estava ali por pena ou por qualquer outro motivo. Mas não importava. Snape estava ali por ele! Apenas essa constatação tornava o mundo um lugar menos cinza e triste.

Continua?


Notas da autora: Feliz Dia das Bruxas! \o/

Como sempre, primeiramente agradeço a todos e todas por estarem acompanhando a história. E agradeço especialmente as pessoas que me deixam review. Muito obrigada! Vocês me deixam muito feliz com o review! : D

Então... Duas atualizações em um mês! Eu mereço um review carinhoso? Você que acompanha a fanfic enunca deixou um review, que tal deixar um review? Com certeza me estimulará a publicar mais rapidamente. = )

Estou mudando de estratégia com relação a essa fic. Vou fazer capítulos menores, assim publicar mais vezes. Ok? Vocês ficam mais felizes assim?

AGORA ME DIGAM! O que vocês acharam do reencontro do Neville com Snape? O chá?

E o Lucius? Quais serão os planos do Lucius?

E o Bill? Oh, Bill... Meu querido William. Desculpe por fazer você ser tão fútil nessa fanfic. Prometo que farei uma fic centrada em você para desfazer essa ideia. Você merece mais do que ser um antagonista. Você precisa ser personagem principal! Talvez seja Bill x Snape ou Bill x Neville. Estou pensando... Ambos casais me agradam muito. O que vocês acham?

Finalizando, peço mais uma vez: deixem um review, por favor!

Quanto mais comentários, mais rápida a continuação.

Até o próximo capítulo! ; *

31/10/14 - 07/02/16