Hazel

Capítulo VIII

Escrito por Nevilla F.

Na segunda-feira pela manhã, Severus, na área de manipulação da farmácia, estava exatamente há dez minutos sentado e estático. A pilha de prescrições com os pedidos de medicamentos permaneciam no escaninho de sua mesa, intocada. A expressão do professor parecia apática, contudo, sua mente parecia nublada desde sua visita a Manchester há dois dias. Curiosamente, as nuvens tinham o formato do rosto de Neville Longbottom.

Inconscientemente, Severus passou o dedo indicador pelos próprios lábios. Ao piscar os olhos, a sensação do beijo de Longbottom o preenchia. O garoto! O maldito garoto estava dominando seus pensamentos.

Estou enfeitiçado!, pensou. Só pode ser isso. Havia algo nos lábios de Longbottom! Alguma poção ou outro tipo de bruxaria. O beijo havia gerado algum tipo de paixonite leve. Essa era a única explicação! Não era?

Inquieto, Snape se levantou e deu algumas voltas pelo cômodo. Contudo, a vontade de continuar sentado e recordando do dia em Manchester o dominava. Aparentemente, ele ficava muito confortável com a ideia de ter Neville Longbottom monopolizando seus pensamentos.

Mais um indicativo de que estou enfeitiçado!, pensou com amargura. Longbottom deve ter feito alguma coisa!, refletiu com certo grau de desespero. Essa era a única explicação lógica já que ele não podia admitir que talvez Neville o envolvesse e cativasse de alguma forma.

Neville? Desde quando ele é Neville? Severus não entendia, mas se referir ao garoto como Neville parecia correto.

Severus passou as mãos pelo rosto e depois pelos cabelos. Ele ia voltar a ser racional, como sempre foi. Respirou mais algumas vezes e pensou no que devia fazer. Ele podia usar um feitiço para confirmar que não estava sob a ação de alguma poção ou algo do tipo. Mas internamente ele sabia que não estava.

Contudo, para tirar a dúvida de sua cabeça, ele optou por realizar um simples feitiço em si mesmo para confirmar ou não se estava sob efeito de alguma poção. Infelizmente para o professor, o feitiço mostrou que não havia poção ou azaração alguma nele.

Snape inspirou pesadamente, se acalmando. Seja racional, seja reacional, seja reacional, ele repetia para si mesmo como um mantra.

O bruxo olhou para os ingredientes na bancada e as prescrições acumuladas no escaninho de mesa. Ele precisava voltar a trabalhar. Correção, ele precisava começar a trabalhar.

E foi isso que Snape fez. Ele trabalhou incessantemente até a hora do almoço.


Neville e os demais aspirantes a aurores estavam, felizmente, pela última vez, na floresta na Albânia para treinar sobrevivência e combate em territórios extremos.

A manhã estava desagradavelmente gélida, pior que os outros dias. O frio glacial queimava o rosto de Longbottom. Mas esse incômodo parecia distante, já que a mente do rapaz fervia em pensamentos. Obviamente, ele sentia o lamento profundo pela perda de sua avó, contudo em maior escala havia Snape. Neville lembrava com saudades a sensação única de seus lábios se tocando. E havia o cheiro do professor. Longbottom gemeu. Ele quase tremia de ansiedade ao pensar que estaria novamente com o professor no final de semana. Severus havia dito que eles iriam até o fim! A ideia o fez se arrepiar todo e não tinha nada haver com o frio extremo que fazia.

Com a mente totalmente focada em Severus, Neville não percebeu o arpéu roxo e cinza à espreita atrás de uma árvore. Em um movimento ágil, o arpéu atacou, avançando em direção a Neville. Institivamente, Longbottom tentou sair do caminho, para se proteger do ataque. Infelizmente um dos longos e afiados chifres do arpéu atingiu a coxa esquerda de Longbottom.

Neville sentiu o que chifre do animal o havia cortado. Ele apontou a varinha para repelir o animal, mas o arpéu já tinha saído da clareira, correndo para longe. O rapaz inspirou fundo e sentiu o cheiro metálico de sangue. Ele olhou para sua calça e viu que estava ficando úmida e avermelhada.

Longbottom ouviu mais passos próximos a ele. Porém, ele não estava mais distraído. Sua mente estava focada. Ele apontou a varinha na direção da árvore que as folhas estavam balançando. Felizmente não era outro arpéu, era Harry.

"O arpéu passou por aqui? Ele estava me perseguindo", falou Potter.

"Sim, mas já foi."

"Você se machucou?", questionou Harry fitando a perna de Neville.

Longbottom observou o próprio sangue gotejando na neve. Ele pegou a varinha e com um aceno e um feitiço não verbal fez o corte fechar.

"Estou bem."

"Você devia prestar mais atenção, Neville! Ou poderia ter se ferido seriamente."

"Eu me distraí só por um instante."

Harry sorriu de deboche.

"Pensando no professor de Poções?"

Longbottom não respondeu, fazendo Potter rir. Harry colocou a mão do ombro dele.

"Vamos andando, Neville. Não queremos ser atacados novamente aqui. Além disso, temos que encontrar logo o auror-instrutor e duelar com ele para passarmos nesse treinamento. Aí depois poderemos ir embora definitivamente desse inferno gelado", falou ansiosamente. O rapaz parecia tão ansioso quanto Neville para ir embora dali.

Longbottom concordou, acenado com a cabeça. Ele não queria ser atacado de novo. Por isso, enquanto estivesse ali ele pensaria menos no seu amado. Seu foco agora era sobreviver a Albânia, contudo, quando voltasse a Londres as coisas seriam diferentes.


"Olá! Boa tarde!", cumprimentou Neville ao entrar na farmácia onde sabia que Severus Snape estava trabalhando. Após sobreviver ao frio glacial da Albânia, o rapaz estava mais do que feliz ao voltar para seu país. Aliás, ele mal podia esperar para ver seu professor.

Longbottom percebeu a surpresa da recepcionista ao reconhecê-lo.

"Oh! Oh! Por Merlin! Você é... Você é Neville Longbottom!"

Neville sorriu sem graça, já estava exausto dessa reação das pessoas a sua presença.

"Sim, eu sou. E você, quem é?"

"Oh! É um prazer conhecê-lo, senhor Longbottom! Sou Lisa Ward. Sou filha de bruxos, mas nasci aborto. Meus pais e eu sempre estivemos do lado de Potter."

"Fico contente em saber, Lisa", disse e fez uma pausa. Ele não queria ser grosseiro, contudo, havia ido até ali por um único motivo. "Snape está aqui?"

"Ah, sim. Ele ainda não saiu para almoçar. Eu vou chamá-lo, senhor Longbottom."

"Obrigado."

"Hum... Eu já vou chamá-lo, mas o senhor poderia, por favor, assinar para mim?", pediu a moça enquanto tirava uma espécie de álbum de figurinhas de sapo de chocolate de dentro da bolsa.

"Claro", disse Neville pacientemente. Enquanto a jovem mulher folheava o álbum, ele reparou que ela tinha muitas figurinhas autografadas, incluindo Hermione, Ginny e até do senhor Weasley. Isso fazia a cabeça de Neville fervilhar. Ginny havia ido até ali? O rapaz piscou e viu outra coisa intrigante. A moça tinha muitas figurinhas de Snape. Nenhuma assinada.

"Aqui, por favor", pediu a moça após tirar uma figurinha dele do álbum e entregar para ele.

Neville olhou para a sua figurinha. Ele tirava a espada de Gryffindor do chapéu seletor em chamas. Ele pegou a caneta que a moça oferecia e assinou a figurinha. Depois devolveu a figurinha para ela.

"Aqui está, Lisa. Por que as de Snape não estão assinadas?"

A moça corou violentamente com a pergunta.

"Bem... O senhor Snape não gosta muito de conversar e aparenta estar sempre estressado e impaciente. Como eu não quero irritá-lo, nunca tive coragem de pedir. Além disso, ele expulsou todas as bruxas que vieram até a farmácia atrás de seu autógrafo."

Não passou despercebido a Longbottom a vermelhidão no rosto da moça e até da paixão na sua fala ao contar sobre Snape. Era impressão dele ou Severus havia conquistado mais um coração?

"Então já veio muita gente aqui pedir autógrafos para ele?"

"Sim, a maioria são jovens bruxas."

Neville ficou pensativo por um tempo. Ele não queria ficar sentindo ciúmes de moças que ele nem conhecia. Além disso, Severus o havia beijado! Eles estavam quase em uma relação amorosa... Certo?

"Vou chamá-lo para o senhor", disse Lisa, trazendo Longbottom para a realidade.

"Pode me chame de Neville."

"Obrigada, Neville", disse corando. Em seguida ela entrou por uma porta ao fundo.

Longbottom só esperou alguns segundos, depois apareceu Snape com uma carranca de intenso desagrado.

"Qual ilustre bruxo gostaria de ver o farmacêutico dessa vez?", indagou com certo grau de agressividade e deboche, mas assim que o professor identificou o rapaz, sua feição mudou drasticamente. "Neville", falou com um sorriso enviesado que parecia repleto de segundas intenções.

Longbottom sentiu que corava fortemente. Seu coração acelerou e ele tremia levemente. Era a primeira vez que Snape o chamava pelo primeiro nome.

"E-eu...", disse e pausou para respirar fundo. Sua voz tremia. Ele não queria parecer inseguro para o bruxo.

"Sim, Neville?", indagou e havia muita provocação em sua voz.

Longbottom olhou diretamente para o professor. Ao se dar conta da feição debochada e do sorriso torto, o rapaz percebeu que o bruxo estava-o chamando pelo primeiro nome para fazê-lo corar. Neville ignorou isso. Independente da intenção, ele estava adorando ouvir seu nome na voz suave de Severus.

"Você já almoçou? Eu gostaria de convidá-lo para almoçar, Snape."

Neville ficou satisfeito ao perceber que os olhos negros de Severus cintilaram. O professor deu um passo em direção ao rapaz, mas parou. Pareceu ter se dado conta de que os dois não estavam sozinhos. Severus olhou brevemente para a recepcionista, depois voltou a dar sua total atenção para Longbottom.

"Vou trocar de roupa. Volto logo em cinco minutos."

O rapaz nem percebeu que estava sorrindo debilmente. Severus aceitou seu convite! Severus o estava chamando pelo primeiro nome! Oh, estava sendo um bom dia! Em seguida, ele notou que Lisa olhava com descrença e até inveja para Neville.

"Nunca vi o senhor Snape tratar alguém assim", falou a moça.

"Assim?", perguntou Longbottom, sem realmente prestar atenção. Tudo que ele tinha na cabeça era o som da voz de Severus o chamando de Neville.

"Sem deboche e acidez na voz. Ele nunca tratou os demais bruxos e bruxas dessa maneira. Lembro-me dele ter escarnecido até do vice-ministro da magia."

Se Neville estivesse prestando mais atenção, provavelmente teria feito mais perguntas para a moça. Como, quais outros bruxos foram lá ou o quê o senhor Weasley queria com Snape. Mas no momento, tudo que o rapaz queria era ficar a sós com seu ex-professor e passar um tempo agradável com ele enquanto almoçavam. E talvez fazer aqueles olhos negros brilharem novamente ou quem sabe ganhar outro beijo.

"Quer o autógrafo dele? Posso pedir, mas não é garantia de nada."

"Oh! Por favor", implorou Lisa e correu até o álbum para pegar uma das muitas figurinhas de Snape e entregar para Longbottom.

Severus voltou após poucos minutos, vestido devidamente como um muggle, calças, camisa e sobretudo preto.

"Vamos, Neville? Só tenho uma hora de almoço."

"Assina para mim?", pediu o rapaz.

Longbottom viu Snape franzir as sobrancelhas.

"Assinar o quê?"

"A sua figurinha que vem nas caixas de sapos de chocolate", disse o bruxo. Severus parecia não estar acreditando no pedido inesperado. Por isso Neville acrescentou e tentou fazer sua voz mais gentil. "Por favor?"

Snape apertou os olhos em direção a Longbottom, depois caminhou até perto dele.

"Claro! Por que não?", zombou, porém assinou a figurinha. Uma assinatura particularmente horrível! Ele havia escrito S. Snape tão pequeninho e com uma letra tão garranchosa que não era possível identificar o que estava escrito ali.

Era uma piada?, pensou Neville, mas optou por não comentar. Ele preferiu agradecer a boa vontade do professor.

"Obrigada, Severus! É para Lisa."

"É mesmo?", questionou e sua voz estava ácida. Ele lançou um olhar gélido para a moça e falou: "Da próxima vez que quiser alguma coisa, senhorita Ward, peça diretamente a mim."

Longbottom entregou ligeiramente a figurinha para a moça, que parecia emocionada e constrangida. O rapaz notou que ela estava tão deslumbrada com a figurinha assinada que não percebeu o olhar frio e letal que Snape dirigia para ela. Neville temeu por Lisa. Ele precisava tirar Severus dali o quanto antes. Mas o professor se adiantou.

"Vamos logo, Neville. Ou deseja que eu assine mais alguma coisa?", perguntou com escárnio.

Severus já havia caminhado até a porta e a mantinha aberta para Longbottom passar. Assim que saiu da farmácia, Neville percebeu que Snape estava falando baixo com a moça. Ele tentou ouvir, mas Severus já havia terminado. Longbottom olhou para a moça que concordava com a cabeça.

"Eu conheço um bom restaurante aqui perto", disse Severus. "Vamos?"

"Sim."


Neville ainda não havia tocado na comida em seu prato. Isso porque tinha algo de muito sexy em ver Severus Snape comendo. Era amor, magia, insanidade ou até uma tara não conhecida. Comer era algo tão banal, tão cotidiano, mas para o rapaz, Severus era uma entidade sobrenatural e mágica. As mãos do bruxo seguravam firme e elegantemente os talhares. Seus movimentos eram precisos e hipnotizantes. E a boca de Snape devia ser o mais impressionante. O rapaz acompanhava cada vez que Snape levava o alimento até os lábios. Aqueles lábios finos, rosados e fascinantes. Longbottom arfou. Ele devia ser alguma espécie de tarado insano, pois realmente estava se excitando ao assistir o bruxo almoçar.

Neville olhou com avidez para a boca de Severus. Ele gostaria de sentir essa boca em seus lábios novamente. Aliás, desejava ter esses lábios por toda a eternidade. Longbottom depois olhou para as mãos do bruxo. Dedos delgados e habilidosos. O garoto ansiava por ter esses dedos explorando seu corpo. Neville queria avidamente...

"Não gostou da comida? Ou simplesmente me chamou para almoçar para me assistir comendo?", questionou Snape com deboche. Depois o bruxo deu um sorriso cruel e perguntou: "Você tem esse tipo de tara, Neville?"

Longbottom piscou. Logo depois sentiu seu rosto ficando quente.

"Lamento! Eu... Eu não percebi que estava o encarrando."

O professor estava sorrindo enviesado. Parecia estar achando graça em algo.

"Achei que havia algo na minha boca", zombou.

"Definitivamente há", respondeu Neville, sentindo o calor em seu rosto intensificar ao afirmar isso.

"É mesmo?", provocou Snape.

"Você, seus lábios, suas mãos, tudo em você me enfeitiça", assumiu.

Longbottom observou que a única de reação de Snape foi erguer uma sobrancelha.

"Coma, Longbottom! Ou peça o cardápio novamente e escolha algo que te apeteça", ordenou de um jeito seco.

"Desculpe, eu não queria te irritar."

"Pare de se desculpar! Apenas coma."

Longbottom olhou para o seu prato. Ele pegou os talheres e provou a comida. Seu estômago se contraiu e ele percebeu o quanto estava faminto. O rapaz ficou um tempo mastigando, contudo, não conseguiu evitar de olhar na direção de Snape.

"Você tem planos para depois do almoço?", perguntou a voz de Severus, bem mais suave e pouco apática.

Neville fitou Snape com expectativa.

"Faço o que você quiser."

Severus sorriu cruelmente, um sorriso parecido com o que ele usava durante as aulas quando criticava ferozmente uma poção mal feita.

"Quer ir até minha casa? Beber algo?"

"Eu adoraria."

"Ótimo. Continue comendo, Neville. Terá muito tempo para me encarrar depois", zombou.

Longbottom assentiu, mas observou o bruxo por mais um tempo. Ainda achava muito satisfatório estar ali com seu professor, tendo um encontro agradável. Severus deu um sorriso torto enquanto olhava diretamente para ele. Longbottom então se deu conta. Os sorrisos irônicos sincronizados com seus pensamentos, o olhar direto do professor... Severus estava usando Legilimência com ele o tempo todo! O sorriso do Comensal da Morte se ampliou, mas ele não parecia nenhum pouco envergonhado ou constrangido por ter sido pego no flagra.

Longbottom não se importou com a invasão. Ele não tinha nada a esconder, por isso não iria usar Oclumência. Os únicos pensamentos que não queria que Severus tivesse acesso era sua conversa com Lucius Malfoy em Azkaban. Mas esse pensamento estava seguro, armazenado na penseira em sua casa.

Além disso, ele adorava o sorriso torto do Comensal da Morte, mesmo que fosse a custa de seus pensamentos bobos.

O almoço decorreu de forma tranquila e pacífica. Neville ficou contente por Snape estar se esforçando para conversar com ele e até sugerir assuntos. De tempo em tempo, Longbottom se perdia na conversa por ter ficado encarrando os olhos ou a boca de Severus, este por sua vez só achava graça do adolescente. Aliás, durante todo o almoço o Comensal da Morte continuou usando Legilimência em Neville incessantemente.

Após o almoço, ambos aparataram na casa do professor.


"Você fuma, Neville?", perguntou Snape, oferecendo um charuto ao rapaz. Ambos estavam acomodados em poltronas na sala de estar do professor.

"Não."

"Aceita whisky?", perguntou enquanto depositava a caixa de charutos na mesinha de centro entre os dois. Em seguida o bruxo pegou um copo de vidro e entregou a Neville. "O whisky single malt fica com o gosto mais acentuado quando acompanhado de um bom charuto."

"Eu prefiro não beber, Snape."

"Por que? O que pode acontecer? Você perder seus freios morais e me beijar?", provocou. "Você já fez isso, Longbottom. Há uns dias em Manchester. E nem estava bêbado."

Snape estava sorrindo tão satisfeito com a provocação que Neville resolveu atacar.

"Vou aceitar o whisky e o charuto."

"Ótimo", falou Severus enquanto enchia o copo de Neville com o líquido âmbar. Logo depois Snape pegou um charuto da caixa e entregou para ele.

Severus sentou-se em frente a ele. O bruxo já estava degustando o whisky e com o charuto acesso. Longbottom observou enquanto o professor levava o charuto aos lábios e fumava-o com nítido prazer.

"Você fuma desde quando?", perguntou Neville enquanto olhava para o próprio charuto, tentando entender o quê fazer com aquilo. Ele tinha visto Severus cortar a ponta do charuto e depois acendido com o isqueiro. O rapaz resolveu imitá-lo. Ele cortou a ponta com o mesmo objeto que o bruxo tinha usado e deixado em cima da mesinha.

"Você quer ajuda com isso, Longbottom?"

"Não", falou e já estava acendendo a ponta do charuto com a varinha. Ele colocou na boca e aspirou.

"Respondendo a sua pergunta, eu fumo há bastante tempo. Meu pai detestava cigarros, por isso comecei a fumar", comentou e fez uma pausa ao observar Neville. "Você está bem? Você não deve tragar o charuto. Expire a fumaça!", ordenou.

Longbottom expirou enquanto tossia. Aquilo era horrível. Tinha deixado um gosto e cheiro terrível em sua boca e nos seus pulmões. Ele tossiu mais um pouco, tentando se livrar da fumaça. Ele olhou para Snape, não entendo porque ele fumava aquilo. Ele tossiu mais algumas vezes e reparou que Severus acompanhava a cena com ar de diversão, apesar de não ter sorrido.

"Talvez fosse melhor você começar com um cigarro", falou Snape e soltou a fumaça em formato de círculos perfeitos em direção ao teto.

Neville bebeu rapidamente o whisky para tirar o gosto ruim da boca.

"Por que você fuma isso?"

Severus esboçou um sorriso torto.

Neville relaxou seu rosto, apesar do gosto ruim ainda estar em sua boca. Porém, ele estava adorando ver aquele homem sorrir, cada vez com mais frequência. Longbottom não se importava que todos seus sorrisos fossem tortos ou de escárnio, ainda assim eram sorrisos.

"Talvez eu seja viciado em nicotina. Eu realmente aprecio um bom fumo", respondeu Snape. "Tente outra vez. Puxe o ar lentamente, mantenha a fumaça somente na boca e no nariz e por último solte o vapor. Você engasgou e tossiu porque tragou o charuto. Charutos não foram feitos para serem tragados igual a cigarros."

"Não, obrigado. Prefiro não fazer isso", disse e acrescentou em pensamento, na esperança que Severus estivesse usando Legilimência, prefiro ver você colocar algo boca, é muito sexy. Como tudo que você faz.

Longbottom observou os olhos negros brilharem. Como se tivesse atendido ao seu pedido, ele viu Severus colocar mais uma vez o charuto nos lábios. Oh, sim!, pensou. A cena era muito sexy.

"Como foi o seu dia?", perguntou Snape após soltar a fumaça em direção ao teto.

"Ótimo, mas pode melhorar", disse Neville e tentou parecer malicioso com sua fala.

"E a Albânia?", indagou e logo em seguida colocou o charuto nos lábios e fumou outra vez.

"Felizmente acabamos por lá."

"Você se machucou? Pareceu que Potter precisou te salvar do arpéu", comentou mordaz.

"Como sabe disso, Snape? Eu não te contei sobre isso."

"Snape? Eu estou te chamando pelo primeiro nome desde o almoço e você continua me chamando pelo sobrenome?", perguntou Severus e Longbottom percebeu irritação na voz do professor. "Pensei que você quisesse que nós nos tratássemos pelo primeiro nome. É um indicativo de que estamos nos tornando amigos", zombou.

"Você não tinha me dado permissão."

Snape deu um sorriso de zombaria e aprovação.

"Não te darei permissão, Neville, te darei uma ordem: chame-me pelo meu primeiro nome."

"Severus", murmurou o nome com prazer. Neville sentiu sua ereção vibrar ao ver a reação do professor ao ouvir o próprio nome. O bruxo fechou os olhos por uns segundos e rapidamente puxou o ar com força. "Severus, eu não te falei sobre o incidente com o arpéu. Como sabe disso?"

Longbottom reparou que algo havia mudado. O clima entre eles estava definitivamente diferente. A feição de Snape não era mais a mesma, ele já não estava impassível. Os olhos negros pareciam em chamas, o professor não estava pálido, na realidade ele parecia ruborizado mesmo na penumbra da sala de estar. E apesar deles terem acabado de almoçar, a melhor forma de descrever a expressão no rosto de Severus era faminto. O Comensal da Morte respirou fundo e cruzou as pernas antes de responder. Sutilmente pareceu que Snape ajeitou a calça na altura da braguilha.

"Você está ciente de que estou usando Legilimência em você desde o almoço. Não está se protegendo da minha invasão porque não deseja. Eu acredito que seja porque você simplesmente não tem esse talento ou a capacidade necessária", provocou o Comensal da Morte.

"Ou talvez eu goste de te ver sorrir ao ler meus pensamentos, Severus."

"Quer continuar me fazendo sorrir?"

"Quero."

Longbottom viu Snape lamber os lábios e depositar o charuto no cinzeiro. Em seguida o bruxo se ergueu com sua elegância inata. Severus caminhou lentamente em direção a ele. O professor pegou o charuto e o copo de whisky das mãos de Neville e os colocou na mesinha de centro. O garoto olhou para o professor com curiosidade.

"Não vai precisar de nada disso agora, Neville. Tenho outros planos para nós."

Longbottom estremeceu de expectativa, porém conseguiu ficar parado enquanto Severus se inclinava devagar até ele. O professor sussurrou um pedido que fez todos os pelos do rapaz eriçarem:

"Eu posso te beijar, Neville?"

"S-sim..."

Severus deu um sorriso torto e satisfeito, logo depois, foi se aproximando lentamente dos lábios de Longbottom. Snape começou a beijar Neville devagar e calmamente, contudo, em poucos segundos o beijo se tornou mais desesperado e exigente.

Neville se sentiu grato por estar sentado, pois seus joelhos certamente vacilariam se estivesse de pé. Ele sentia a magia de Snape nesse exato momento. Já havia beijado outros bruxos, mas beijar Severus era uma experiência quase sobrenatural. Seu coração estava tão acelerado que doía, seu corpo todo tremia e ele sentia o prazer descer por sua coluna e chegar até os pés. Como um viciado, ele precisava de mais. Mais Severus.

Longbottom abraçou o bruxo, suas mãos seguravam firmemente as costas de Snape. Ele necessitava de mais contato. Severus desfez o beijo e o olhou de uma maneira intensa por dois segundos.

Apesar de estar inebriado com Snape, Neville aproveitou o contato e usou Legilimência no professor. Na fração de segundos que teve acesso, pois o professor o bloqueou tão rapidamente quanto ele iniciou a invasão, Longbottom percebeu que Severus estava bastante excitado, porém inseguro. O Comensal da Morte parecia querer ter certeza que o menino desejava tudo o que estava acontecendo. O jovem bruxo poderia dar essa certeza facilmente.

"Eu amo você, Severus. Eu quero você. Eu te desejo tanto. Eu...", Neville ia continuar falando, porém foi calado pelo professor que voltou a beijá-lo.

Longbottom gemeu contra os lábios de Snape. Estava tão bom! Neville sentiu-se ser abraçado por Severus e logo depois ser erguido do sofá, ficando de pé. O rapaz aproveitou o maior contato e se esfregou contra Snape. Suas mãos percorrem as costas do bruxo, ele queria conhecer cada parte do corpo dele.

Severus finalizou o beijo, mas seus lábios migraram para a bochecha e depois o pescoço. Neville tremeu e gemeu alto. Snape olhou diretamente para Longbottom, o professor entendeu que ali era uma zona erógena do rapaz. Severus voltou a beijá-lo suavemente no pescoço.

Neville havia fechado os olhos e tentava não cair. Aquilo estava tão intenso. Snape era muito melhor que as suas fantasias. Ele não conseguiu frear o gemido quando o professor mordeu seu pescoço. Estimulado, Longbottom projetou seus quadris em direção ao membro do professor. Queria mostrar que estava ficando excitado, que havia ficado excitado com ele.

"Vou te levar para o meu quarto, Neville", sussurrou Snape.

Longbottom não conseguiu responder, apenas gemeu. Ele sentiu uma grande onda de prazer descer por sua coluna e dissipar pelo seu corpo.

"Só quero deixar algo bem claro enquanto nós dois ainda estamos racionais. Sou um homem de palavra, Neville. Só vou transar com você no final da semana."

"Mas... O que? Por que?", perguntou realmente confuso. Longbottom não se sentia nenhum pouco racional no momento.

"Não vamos transar, mas prometo te fazer gemer muitas vezes", anunciou. "Agora relaxe. Vamos aparatar no meu quarto."

Neville fechou os olhos por um instante e no segundo seguinte já estavam no quarto do professor. Longbottom reparou rapidamente do quarto de Snape. Era branco, porém mal iluminado. A cortina estava fechada e a maior parte do recinto era ocupada pela cama grande com lençóis e cobertas com tons pastéis de azul. Longbottom não reparou mais nada, pois nesse instante Severus voltou a beijá-lo.

O rapaz gemeu e se agarrou mais fortemente a Severus. O homem era firme, uma delícia. Neville passeou com as mãos pelo corpo do bruxo, desde os ombros até a bunda. Em seguida, de forma nada sutil, ele apalpou o membro do professor. O rapaz queria saciar uma curiosidade incitada por Lucius Malfoy. Definitivamente, o membro de Snape era maior do que a média.

Severus desfez o beijo com um sorriso envaidecido nos lábios.

"Você é grande", falou Longbottom enquanto ainda acariciava a ereção do professor.

Severus riu, presunçoso.

"Ainda estou sem ereção."

Neville arfou, provavelmente transparecendo o receio de ter o membro de seu amante dentro dele.

"Não se preocupe", falou Snape como se tivesse lido seu pensamento, e o provavelmente o fez através da Legilimência. "Isso não vai acontecer hoje. Deita na cama, Neville. Quero te beijar mais um pouco."

Longbottom deu mais um aperto no membro de Severus, depois olhou para ele.

"Quero tirar sua roupa."

"O que está te impedindo, Neville?", provocou Snape. O bruxo tirou a varinha do bolso da calça e colocou na cama.

Curiosamente, Longbottom foi diretamente na calça. Ele abriu o botão e abriu o zíper olhando nos olhos de Severus, que pareciam divertidos. Porém, ao descer a calça juntamente com a cueca, seu olhar migrou até a virilha do futuro amante. Neville salivou ao ver o membro de Snape. Ele segurou com uma mão e esfregou algumas vezes. Severus gemeu. O rapaz olhou nos olhos negros e começou a masturbar Snape com mais avidez.

Neville sentia sua própria ereção crescer, mesmo sem Severus estar tocando nele. Somente olhar a feição e o prazer no rosto do professor enquanto o masturbava era a coisa mais excitante que havia feito na vida. Snape mordia os próprios lábios, um leve rubor coloria o rosto dele e havia os gemidos roucos. Longbottom sorriu e aumentou o ritmo. Rapidamente, a ereção de Severus já estava em riste, dura e quente. Neville olhou para baixo novamente e falou seu pensamento em voz alta com a visão:

"É um lindo pau, Severus."

O Comensal sorriu torto. Mas ele não olhava para sua ereção, seu olhar era somente em Longbottom. O professor passou o dedo indicador pelos lábios entreabertos do rapaz.

"Você que é lindo, Neville", disse e beijou intensamente Longbottom.

Ao finalizar o beijo, Severus o provocou.

"É uma vergonha um bruxo da sua idade perder tempo tirando as roupas manualmente", falou Snape e pegou a varinha na cama. Depois fez um floreio simples com a varinha e as roupas de Neville sumiram. "Não conhece esse feitiço?", perguntou Snape.

Longbottom se sentiu exposto. Estava nu e com a ereção quase firme. Ele corou e olhou para Snape, mas o professor não estava olhando seu rosto, fitava seu corpo. Neville notou claramente que a expressão de fome em Severus se intensificou. O bruxo passou a língua pelos lábios e deu um passo largo em direção a Longbottom.

"Você sim é lindo, Neville. Dá uma volta para eu te ver por completo."

Longbottom ainda sentia suas bochechas quentes, mas havia outro sentimento além da vergonha. Era orgulho. O desejo, a lascívia e a luxúria que Snape sentia por seu corpo eram tão nítidos que Neville se sentia envaidecido. Ele deu uma meia volta e escolheu parar de costas para o bruxo. Queria que Severus ficasse olhando sua bunda. Desejava fortemente incitá-lo.


Snape precisou respirar fundo algumas vezes. Neville Longbottom era o homem mais bonito que já tinha visto na vida. E pelado, Neville era o que Severus descreveria como perfeição. A pele dele era clara e macia, apesar de ter algumas cicatrizes. Cicatrizes feitas por feitiços das trevas nas seções de tortura em Hogwarts com os Carrow e até com ele. O bruxo realmente lamentou ter maculado aquela pele macia. Sem tempo para lamentar, o professor olhou para bunda firme e redonda do rapaz e sentiu sua ereção estremecer. Ele deu um passo em direção ao garoto. Poderia devorá-lo naquele instante.

Severus abraçou Longbottom por trás. Sua ereção estava roçando a bunda do adolescente, mas ele não se importava, e, ao ouvir o gemido do ex-aluno ele pensou que Neville também não se importava. Ele nem se incomodou ao notar que Neville era uns poucos centímetros mais alto que ele. Snape desejava sentir o cheiro, textura e sabor do rapaz. O professor enfiou o nariz na curva entre o ombro e o pescoço e aspirou profundamente. O bruxo viu os pelos do garoto eriçarem.

Severus sorriu enviesado. Beijou o pescoço de Longbottom, depois mordeu sua orelha e sussurrou:

"Você tem um cheiro ótimo, Neville."

Snape ouviu o gemidinho do rapaz. O bruxo apertou ainda mais fortemente Longbottom. Seus braços estavam em volta do abdômen do jovem bruxo, que tinha músculos marcados e definidos. Severus passou as mãos pelos músculos firmes e parou nos mamilos para apertá-los. Recebeu em resposta um ganido.

Severus lambeu e mordeu o ombro de Neville, depois foi subindo e mordeu a orelha esquerda.

"Você é uma delícia, menino."

"Me fode, Severus", ordenou Longbottom. Depois sem sutileza, projetou o quadril para trás, esfregando sua bunda na ereção de Snape.

Se o Comensal da Morte não fosse um homem com um extremo autocontrole, ele teria cumprido a ordem. Teria fodido Neville no segundo seguinte. Mas, havia um porém que ele discutiria mais tarde com Longbottom. Snape beijou a nuca de Neville, depois pegou sua varinha novamente. Usou seu último feitiço do dia para se despir.

"Severus? Me come agora!"

Severus sorriu com a insistência do rapaz. Agora também nu, o bruxo fez questão de abraçar mais forte Longbottom para sentir o calor do jovem diretamente. Depois sussurrou com suavidade na orelha do adolescente:

"Você não dá as ordens, Neville. Não sou igual aos outros parceiros que você já teve", disse e virou Longbottom para ficarem frente a frente. "Comigo, você é quem recebe as ordens", falou com suavidade.

Neville assentiu, não era um rebelde igual à Potter, que se opunha as ordens. Os olhos hazel pareciam menores, com as pupilas do rapaz tão dilatadas de excitação. Severus reparou que Longbottom observava seu corpo, seu tórax, seus braços e sua ereção. Snape estava realmente achando graça do fascínio do bruxo por seu membro.

"Me mande ficar de quatro", insistiu Neville.

"Sua obstinação é louvável, mas não. Ainda não vou ordenar isso."

Contrariado, Longbottom franziu a testa. Severus o achou adorável. Ele segurou o rosto do rapaz com as mãos e o beijou. Segurando firmemente a nuca de Neville, Snape aprofundou o beijo. Aproveitando que a cama estava nas costas deles, ele foi empurrando o amante até lá. Ele ouviu Longbottom bater com as pernas na cama e o gemidinho de dor contra sua boca. Neville era naturalmente desajeitado e acabou caindo deitado na cama.

"Desastrado", sussurrou com um meio sorriso. Severus deitou em cima dele e continuou beijando Longbottom por mais um tempo. O bruxo parecia ter se dado conta de quanto tempo que ele não beijava na boca. Praticamente desde que a Ordem da Fênix voltou, ele não beijou mais ninguém. Isso eram uns quatro anos sem beijar na boca. Talvez por isso estivesse tão necessitado por ficar beijando Neville. Além disso, Longbottom parecia sincronizado com ele, seus lábios se encaixavam direito, os movimentos eram perfeitos. Severus percebeu que era o melhor beijo na boca que teve na vida. Ele sorriu com a ideia e continuou o beijo por mais longos minutos. Durante todo esse período, ambos faziam suas ereções friccionarem uma na outra.

Snape desfez o beijo, mas manteve os lábios em Neville, sua boca foi para o pescoço, beijando e descendo pelo corpo do rapaz, depositando beijos no peito, tórax e no abdômen definido. Severus desceu mais e encontrou a ereção do rapaz. Ele olhou para cima só para ver Neville se retorcendo, os olhos fechados e com a boca aberta, respirando com nítida dificuldade.

Severus agarrou a base do membro de Neville, fazendo-o gemer alto. Snape pensou em como um lubrificante seria útil agora. Mas ele precisava convocar o objeto com um feitiço e sua cota diária de feitiços havia acabado. Ele então notou na varinha do rapaz ao lado de seu corpo. Snape poderia usá-la, só para fazer um feitiço convocatório. O Comensal da Morte tinha ciência de que o feitiço para restringir o seu uso de feitiços estava em sua varinha e não nele próprio. Dessa forma, não haveria problema se ele usasse a varinha de outra pessoa.

O professor continuou acariciando a ereção de Longbottom com uma mão, mas sua outra mão migrou até a varinha de Neville. Severus sentiu uma sensação maravilhosa de liberdade ao tocar na varinha. Feitiços ilimitados! Parecia um sonho distante. Ele ouviu o rapaz gemer outra vez e esqueceu o poder daquela varinha. Snape estava muito mais interessado no corpo de Neville. Queria dar muito prazer ao menino, contudo, para isso precisava usar um único feitiço.

Sem deixar de tocar Neville, que felizmente permanecia de olhos fechados, Severus convocou uma poção com ação lubrificante, uma criação especial sua. Após realizar o feitiço mudo, ele colocou a varinha no local onde estava.

Snape apertou a base do membro do rapaz e fez movimentos rápidos.

"Gosta disso?"

Severus pode ouvir a respiração profunda do rapaz, que abriu os olhos para fita-lo ao responder:

"Sim."

"Olhe para mim", Severus ordenou.

Neville acenou com a cabeça afirmando. Os olhos hazel agora estavam cravados nos olhos do professor.

Snape pegou a poção e colocou uma boa quantidade dela em sua mão, depois espalhou o gel pela ereção do rapaz. Longbottom se contorceu de prazer.

"Está morno", falou Neville com surpresa.

Severus apenas sorriu enviesado e retrucou:

"Existem muitas vantagens em ter como amante um bruxo que trabalhou com poções por mais de vinte anos."

"S-sim...", respondeu Neville ao sentir a mão do bruxo se movimentar gentilmente por seu membro.

Snape aumentou mais a velocidade.

"Severus...", disse entre arfadas. "Eu quero ser... Seu... Amante para... Sempre", declarou com o olhar fixo nos olhos pretos.

Snape piscou, não sabia exatamente o quê responder. Ele optou por recompensar o carinho daquelas palavras com um gesto. O bruxo aproximou o rosto da ereção de Neville e passou a língua por toda a extensão. Severus sorriu enviesado ao ver o rapaz xingar e projetar o quadril para frente.

"Mais", choramingou Longbottom.

Snape atendeu ao pedido de seu jovem amante. Ele umidificou os lábios e depois os separou para melhor receber o membro de Neville. Assim que sua boca envolveu a ereção de Longbottom, o rapaz xingou novamente. Com a mão direita, Severus segurou a base do membro, depois seus lábios começaram o trabalho de sucção e movimento.

A vista que Snape tinha de Longbottom era extremamente excitante. O jovem naturalmente bonito ficava lindo ao receber uma carícia mais íntima. O garoto respirava forte, sua boca vermelha estava aberta, os cabelos bagunçados e os olhos envesgando. Severus olhou de novo para Neville. Queria essa cena colada em sua retina.

Snape acelerou os movimentos de vai-e-vem. Sabia que o menino não aguentaria aquele ritmo forte durante muito tempo. Severus lembrou-se do corpo nu de Neville de costas, a bunda firme e redonda. Mantendo os movimentos intensos, o professor soltou a base do membro do rapaz e colocou um pouco de lubrificante no dedo médio. Depois ele segurou as coxas de Longbottom e as afastou para permitir seu acesso. Em seguida, sem rodeios, ele penetrou o dedo lubrificado em Neville.

Longbottom berrou de prazer, fazendo Severus sorriu. O bruxo tentou sincronizar o movimento de sua boca com o dedo, ambos saindo e entrando do corpo do rapaz. A respiração de Neville estava mais pesada e ele agarrava os próprios cabelos em desespero.

"Se-verus... Eu vou...", gemeu, mas não chegou ao final.

O rapaz chegara ao orgasmo em seus lábios. Snape aproveitou os segundos para admirar Neville após gozar. Droga! Ele era realmente lindo! Severus soltou o membro saciado do menino e retirou o dedo de dentro dele. Depois, pegou a varinha de Longbottom para limpar os vestígios de excreções.

Snape deitou ao lado do rapaz. Totalmente nu, ele olhou para sua ereção que não havia recebido nenhuma atenção até então.

"Eu... Eu quero te fazer gozar, Severus."

"Vá em frente", provocou o bruxo mais velho.

Neville acenou, mas pediu:

"Me dá um minuto."

Snape achou graça do rapaz por precisar de um tempo para se recuperar.

"Quantos você precisar, menino", falou Severus e beijou a bochecha de Longbottom. Snape depois beijou e mordeu o pescoço do rapaz.

"Hum...", fez satisfeito.

"Gosta quando acaricio seu pescoço?"

"Muito. Continua", mandou.

Severus mordeu e beijou mais algumas vezes o pescoço de Neville.

"Me beija", falou Longbottom e deitou-se de lado, na direção de Snape.

O professor se virou na direção do rapaz. Severus não se cansava da beleza do ex-aluno. Ele era deslumbrantemente bonito.

"Você é tão bonito, Neville."

"Você também, Severus."

Snape sorriu enviesado, debochando da declaração do garoto. Ele tinha ciência de que não era bonito, contudo, não duvidada que Neville realmente o achasse bonito. Depois de toda Legilimência que ele havia usado contra Longbottom no período que estiveram juntos, ele realmente sabia que seu aluno o amava.

Severus se aproximou mais e voltou a beijar Neville. Era muito gostoso beijar o menino. Ele sentiu Longbottom envolver sua ereção com a mão. Depois passou a acariciar algumas vezes. Neville desfez o beijo e perguntou:

"Onde está aquele lubrificante quente?"

Snape entregou para ele.

"Você tem outras criações desse tipo?", perguntou Neville e Severus notou certo grau de ciúmes.

"Talvez", provocou.

"Quero conhecer todas as suas poções com finalidade sexual", exigiu Neville, fazendo Severus sorrir. O Comensal viu o rapaz colocar o gel lubrificante em sua própria mão. Depois essa mesma mão envolveu a ereção de Snape, fazendo o professor arfar.

Longbottom olhava para Severus com deleite enquanto acariciava o membro dele com movimentos suaves e lentos.

"Gosta dessa sua poção?", indagou Neville, observando as reações de Snape ao ser acariciado.

"Gosto."

O rapaz continuou o acariciando lentamente durante alguns segundos. Estava gostoso na opinião do professor. Contudo, Severus estava começando a pensar que os movimentos displicentes eram uma espécie de provocação. Talvez o garoto quisesse que Snape implorasse ou algo do tipo. O professor resolveu contornar de outro jeito, mais eficaz em jovens de Gryffindor.

"É o melhor que pode fazer, Neville?"

Severus viu os olhos hazel brilharem em resposta ao desafio.

"Não, não é."

Neville esticou o pescoço e voltou a beijar Snape, com mais intensidade. A mesma intensidade foi sentida nos movimentos mais fortes e desesperados que Longbottom fazia com a mão ao longo do membro do professor.

Severus precisou finalizar o beijo porque estava sentindo falta de ar. O garoto era talentoso e muito intenso! Respirando com dificuldade, ele sentiu Longbottom o mordendo no pescoço e no peito.

Neville o empurrou até ficasse deitado de costas, em seguida, o rapaz sentou em cima de suas coxas. Tudo isso sem deixar de masturbá-lo com vigor. Longbottom o observava o tempo todo. Parecia que o garoto queria ver seu rosto reagindo a seus toques.

O rapaz continuou o tocando com desespero e Severus sabia que não aguentaria muito tempo. Ele sentia o orgasmo próximo.

"Vem cá!", chamou e agarrou Longbottom pelo pulso para beijá-lo.

Mesmo o beijando, Neville manteve o ritmo impossivelmente intenso. Em menos de um minuto, Snape chegou ao clímax.

Longbottom finalizou o beijo sorrindo. Severus olhou para o jovem, depois o abraçou. Por ao menos uns segundos ele gostaria de ficar abraçado ao rapaz.

"Eu te amo", sussurrou Neville, próximo do ouvido de Snape.

Severus fechou os olhos. Novamente não sabia como reagir a essa declaração. Longbottom deitou no peito do professor.

"Obrigado por ter me aceito, Severus."

Snape franziu o rosto. Não queria estragar o momento. Mas ele não havia falado que o havia aceito, nem nada do tipo.

"Posso usar sua varinha, menino? Meu limite de feitiços se esgotou."

"Sim", disse Neville e entregou a varinha para o bruxo.

Severus realizou um feitiço não verbal para eliminar suas excreções dos corpos de Neville e dele mesmo. Depois convocou uma coberta grossa para cobri-los. Ele notou somente agora que estava absurdamente frio.

"Deita no travesseiro, Neville. É mais confortável."

Longbottom ficou nitidamente triste, mas rolou até a cama e se deitou ao lado de Severus. Após alguns segundos de silêncio desconfortável, Neville disse:

"Quero que saiba que eu estava falando sério. Sou seu amante para sempre, se você me quiser."

Severus revirou os olhos com o comentário. Longbottom era mesmo um super romântico?

"Acho que só devemos conversar sobre isso quando a sua cabeça não estiver cheia de hormônios que te deixam feliz."

"Você me faz feliz, Severus. Conversar com você, beijar você. Estar na cama com você é outro patamar de felicidade. Pensei que fosse morrer uns segundos atrás."

Snape ficou em silêncio.

"Severus, se você mudar de ideia... Nós ainda podemos transar. Só depende de você."

Ainda calado, o professor se levantou da cama.

"Vou pegar algo para beber. Quer mais whisky?"

"Por que está fugindo do assunto?"

"Quer mesmo saber, Neville?"

"Quero!", falou em tom desaforado.

"Sabe por que usei Legilimência em você o dia inteiro? Porque queria conhecer o seu passado sexual. Vi que você transou com muitos meninos. Também vi, para meu profundo desgosto, que William Weasley é mais do que apenas um amigo. Contudo, o que eu não vi foi você sendo penetrado por alguém. Você é virgem, não é?"

"E daí se eu for?"

"A primeira vez tem que ser..."

"Eu já tive minha primeira vez e foi há dois anos."

"Mas você nunca transou como passivo."

"E daí, Severus?"

"E daí, Longbottom", falou enfatizando o sobrenome do rapaz. "Que talvez eu não seja a pessoa certa para isso. Você devia ter ido até o fim com William Weasley. Tenho total confiança de que a irmã dele iria adorar ter você como membro da família Weasley."

Neville parecia não estar acreditando no que ouvia. O adolescente se sentou na cama.

"É realmente disso que se trata? Eu não estou acreditando que você está sentindo ciúmes de mim!"

Severus sentiu seu rosto ficar quente com o comentário, mas disfarçou.

"Quem falou em ciúmes, Longbottom?"

"Você mencionou Bill duas vezes em menos de um minuto. E você mesmo assumiu que não gostou de me ver com ele. Como não devo interpretar isso como ciúmes?"

"Você está ensandecido, menino. Vou pegar a garrafa de whisky."

Antes que Snape saísse do quarto, ele ouviu a voz do menino.

"Severus?", chamou. Quando os olhares se encontraram, Neville se declarou: "Eu te amo. Amo só você. Se eu amasse o Bill, estaria com ele e não na sua cama. Aqui é onde eu quero estar."

O professor ficou sem reação por alguns segundos. Neville passava tanto sentimento em suas palavras. Era impossível não acreditar. Contudo, ele não sabia o quê responder a uma declaração de amor tão explícita.

"Eu não sinto ciúmes, nem de você, Longbottom", afirmou.

Longbottom esboçava um sorriso torto, parecido com os sorrisos enviesados do Comensal da Morte. Ele se deitou na cama se cobriu. Parecia bem sonolento.

"É... Eu percebi, Severus", sussurrou mordazmente.

"O que disse, Longbottom?"

"Eu posso dormir um pouco aqui, Severus?"

"Só um pouco, depois volte para a sua casa."

"Você não precisa voltar ao trabalho? Faz mais de uma hora que saímos de lá."

Snape sorriu. Ele soube no instante em que viu Neville em sua farmácia que eles acabariam na cama.

"Senhorita Ward e eu concordamos que podíamos fechar a farmácia mais cedo hoje. Afinal, é a semana de Natal."

Longbottom estava quase dormindo. Contudo, ao falar a palavra Natal, Neville esboçou uma reação.

"Não quer passar o Natal comigo? Na casa dos Weasley?"

"Não mesmo", afirmou em tom de quem encerra o assunto. "Não me olhe com tanta tristeza, menino. Nós já temos outro encontro marcado no final de semana."

"Você vai passar o Natal sozinho?"

"Eu prefiro assim."

"Mas é tão solitário e triste."

"Combina comigo."

Longbottom murmurou algo como triste, mas assim que fechou os olhos adormeceu. Severus esqueceu o whisky e ficou observando o rapaz dormindo. Apesar de ter tido um orgasmo há pouco tempo, seu corpo ainda fervia de desejo por Neville. Poderia transar com ele ali mesmo. Mas não. Ainda não. No fundo ele queria ir devagar porque esse era seu estilo. Eu sou um velho!, pensou. E, depois, ele definitivamente não queria que Longbottom pensasse que ele só queria seu corpo.

Continua?


Comentários da autora: Por favor, não me matem! ; )

Sinto muito a demora, mas eu simplesmente não consigo escrever capítulos pequenos (como eu mesma havia proposto). Eu não nasci para ser sucinta. Esse capítulo tem 20 paginas de Word e eu podia escrever mais. Enfim... Espero que tenha valido a pena a demora.

Agora deixa eu perguntar a vocês: Gostaram? Ou ainda querem me matar pela demora?

E o Neville e o Severus juntos? O que vocês acham? O Snape está muito bonzinho? Vocês acham que o Snape tem ciúmes do Bill? Coloquei esse ciuminho porque a Izzy sugeriu uma cena de ciúmes do Snape. Então... Isso é para exemplificar. Deixem nos comentários o que vocês gostariam de ler na fanfic e eu vou tentar inserir, ok? Ideias são sempre bem vindas! E reformulando uma frase típica de professores, eu digo para vocês: "Não existem ideias bobas, existem bobos que não dão ideias." ; )

Enfim... Só para deixar claro, o tanquinho do Neville, seus olhos lindos... Toda minha inspiração para os aspectos físicos deles vem dos seus respectivos atores, os dois homens mais gostosos do planeta: Matt Lewis e Alan Rickman.

Fico por aqui gente. Por favor, comentem, sim?

Até o próximo capítulo e obrigada por continuarem acompanhando Hazel.

7/9/15 - 16/11/15