Lemon, lemon, lemon!
Hazel
Capítulo IX
Escrito por Nevilla F.
Era noite de Natal e Neville Longbottom já havia estado em vários lugares ao longo do dia. Pela manhã, ele foi ao cemitério, no túmulo de sua querida avó. Era seu primeiro Natal sem ela e a noção disso o deixou bastante deprimido.
Neville ficou muito tempo perto da sepultura. Refletindo sobre tudo o que aconteceu. Ele imaginou o quê a avó estaria pensando agora do outro lado. Ela provavelmente não aprovaria um possível relacionamento romântico com um Comensal da Morte.
Longbottom olhou para o céu. Não sabia se pedia desculpas por amar Severus ou se dizia que sentia a falta da avó. O rapaz fungou e olhou para os lados. Ele tinha ciência de que iria chorar a qualquer momento, porém não queria que ninguém visse. Felizmente, ele estava sozinho ali.
Neville resolveu desabafar com a avó. Ele conversou bastante com o túmulo. Ele preferiu assim, talvez faltasse coragem ao falar com uma de suas fotos. Longbottom contou que sentia falta dela, que seria raiva da morte por tê-la tirado dele e que ele estava apaixonado por seu ex-professor. Ao fim da longa conversa, o rapaz se sentia melhor. Ele pensou que ficaria triste, contudo, o efeito foi exatamente o contrário. Ele parecia mais leve, totalmente satisfeito e contente. Não havia mais segredos entre ele e sua avó. Longbottom ainda não tinha ideia de como a bruxa iria reagir, mas ao menos ele havia feito a parte dele.
A próxima parada foi a mais torturante. Neville aparatou no Hospital St Mungus para Doenças e Acidentes Mágicos. A cada passo que dava no corredor do quarto andar ele sentia seu coração mais e mais pesado. Não gostava de mostrar para os pais que ele ficava triste com a situação deles, porém, a verdade era que a sensação de impotência frente a condição dos pais era dolorosa demais, quase insuportável.
Obviamente, ele odiava ter crescido sem os pais, mas ele havia tido sua avó. E ela foi suficiente para ajudar a moldar seu caráter. O que o deixava doido de raiva era a condição permanente de seus pais. E, principalmente, o fato dele não poder fazer nada para ajudar seus pais.
Era uma das piores torturas olhar para os próprios pais e eles não o reconhecerem. E pior era que talvez eles não reconhecessem nem a si mesmos. O pensamento fazia seus olhos marejarem. Ele parou para respirar fundo. Não queria chorar. Apesar de tudo, sua adorável mãe ficava triste quando via o filho que ela não reconhecia chorar.
Já recomposto, ele ergueu a cabeça e entrou na ala onde ficavam seus pais. O jovem bruxo levou alguns doces típicos do Natal para os pais. Ficou um longo tempo com eles, sempre sorrindo. Ele conversava com a sua mãe e o seu pai, mas os mesmos pareciam não entender sua língua. Era doloroso, mas Neville era forte e já estava acostumado. Assim como estava acostumado aos olhares de pena que recebia dos healer. Ignorou tudo isso e tentou aproveitar o tempo precioso com os pais.
Já na parte da noite, Longbottom estava na Toca para a ceia de Natal. A senhora Weasley, uma bruxa muito talentosa, havia feito muitas melhorias na casa e a Toca agora poderia ter um novo apelido: Castelo. O local havia sido demasiadamente ampliado, mas mantinha a principal característica: era acolhedor, um verdadeiro lar. Neville tinha um profundo apreço pela senhora Weasley. Achava a bruxa um exemplo de mãe, além de ter eliminado Bellatrix Lestrange.
Porém, provavelmente chegou aos ouvidos da adorável senhora Weasley que seu filho mais velho estava interessado em Longbottom. Visto que assim que Neville chegou na Toca, a bruxa lhe sorriu com o carinho e simpatia de sempre, mas havia uma certa expectativa na forma como ela o olhava.
"Neville, bem vindo! Feliz Natal", disse a bruxa após dar um abraço apertado nele.
"Feliz Natal, senhora Weasley!", falou sorrindo.
Outro motivo de gostar da senhora Weasley era porque imaginava que sua mãe seria muito parecida com ela, super afetuosa e protetora.
"Eu trouxe bolos para a ceia", Longbottom disse, mostrando as sacolas.
"Que gentileza, Neville! Obrigada!"
"Onde eu posso deixar?"
A bondosa bruxa adquiriu uma feição astuta enquanto respondia:
"Pode deixar na sala de jantar. Bill está organizando umas coisas por lá."
Longbottom sentiu seu rosto corar levemente. Bill estava lá sozinho?, pensou aflito. De imediato entendeu porque a bruxa estava o olhando com expectativa. Será que imaginava que podia acontecer algo entre Bill e eu?
"Ok."
A senhora Weasley agora lhe sorria abertamente.
"Deixe seu casaco no armário, Neville. Vou voltar para finalizar as coisas na cozinha. E... Ginny e os outros estão na sala de estar esperando o horário da ceia."
O rapaz assentiu. Deixou seu casaco no armário e seguiu devagar até a sala de jantar.
Ao entrar na sala a primeira coisa que viu foi a linda decoração natalina. A mesa estava exuberante, quase tão grande quanto a de Hogwarts, porém mais chique. Havia pratos brancos com os desenhos prateados e taças de cristal, além de lindas velas vermelhas em castiçais dourados. A sala toda estada decorada para o Natal, com festões e outros enfeites elaborados, além de uma linda árvore a direita da mesa. Estava deslumbrante!
Após se maravilhar com tudo, ele avistou o corpo alto de Bill Weasley. O bruxo estava colocando pedaços de papeis na mesa, próximos aos pratos. Indicadores de lugar, pensou Longbottom.
Bill ergueu o olhar assim que Neville entrou e ficou o encarando enquanto o rapaz observava a decoração. O ruivo estava apreciando a beleza do outro bruxo.
"Neville! Que bom que você veio! Feliz Natal!"
"F-feliz Natal, Bill!"
Longbottom se odiou por estar trêmulo. Porém, eles não conversavam desde o dia que eles tentaram fazer sexo. O rapaz sentia que devia dizer alguma coisa para ele.
Neville viu Bill caminhar até ele. De forma impressionante, as cicatrizes no rosto do ruivo só o deixavam mais bonito. Os cabelos vermelhos estavam presos, ele vestia roupas verdes escuras que enfatizavam seu porte atlético. Além do brinco de presa de dragão que o deixava com uma eterna aparência descolada.
"Gostou da decoração?", Bill indagou com os olhos azuis gelados brilhando.
"Ah, sim! Está maravilhoso."
"Mamãe exagerou um pouquinho, talvez", disse e fez uma pausa. Bill não tirava os olhos de Neville. "Como você está se sentindo? É seu primeiro Natal sem sua avó. Fiquei contente por aceitar o nosso convite e ficar conosco. Odiaria que você passasse o Natal sozinho."
"Estou resistindo."
Weasley deu um passo em direção ao rapaz.
"Você é mais forte do que parece", falou com admiração e provocação.
"Hum... Talvez."
"Eu lamento pelo dia na minha casa. Eu te forcei, não devia ter feito isso. Nós podemos tentar de novo, com mais calma. Mais intimidade e mais devagar", sussurrou com os olhos quase cerrados.
Longbottom fitou o ruivo. Era realmente muito bonito, mas Neville constatou com alegria que não sentia nada com os flertes dele. Ele tinha certeza absoluta que preferiria estar com seu ex-professor que tinha lábios com gosto de charuto. O jovem bruxo deu um passo para trás, mas não adiantou nada. Com um sorriso travesso, Bill deu um passo na direção do rapaz.
"Eu acho melhor não, Bill."
O primogênito da família Weasley não recuou com o não.
"Você realmente quer que eu pare de investir em você, Neville?"
"Eu..."
Antes que Neville pudesse colocar um fim no clima constrangedor e opressor que ele sempre sentia quando estava com Bill, os bruxos foram interrompidos. Ginny e Harry entraram na sala se beijando e agarrando.
Bill sorriu enviesado e cruzou os braços com a cena. Em seguida, fingiu tossir para chamar a atenção do casal.
Assim que viu que não estava sozinho na sala, Potter soltou a namorada. Porém, Ginny, mesmo vendo o irmão e Longbottom continuou abraçada a Harry.
"Neville!", falou Ginny.
"Olá, Neville!", cumprimentou Potter, particularmente constrangido por ter sido pego em flagrante.
"Sabe, Harry, mesmo você sendo o Eleito, mamãe não ficará nada feliz em te ver aqui, em sua preciosa sala de jantar no dia de Natal se agarrando a Ginny", falou com um sorriso zombeteiro.
A irmã mais nova de Bill pareceu particularmente furiosa com o comentário do irmão. Longbottom sabia o quanto a única filha dos Weasley detestava o machismo imposto pelos seus seis irmãos.
"É mesmo, Bill? Você está no caminho certo para tentar conquistar Neville. Já está até começando a falar como Snape. Mas talvez Snape seja menos babaca em seus comentários."
Um silêncio pesado pairou no ambiente. O primogênito dos Weasley olhou para a irmã caçula e sorriu com frieza.
"Estava apenas brincando", falou e se dirigiu para fora da sala. Antes de sair, porém, olhou diretamente para Longbottom e deu uma piscadela. "Depois podemos conversar a sós, Neville. Aparentemente, nós, Weasley, gostamos de nos agarrar nos cômodos vazios da casa."
Ginny ficou olhando feio para o irmão, somente quando ele saiu, ela soltou Harry e se virou para Neville.
Longbottom olhava para baixo, encabulado. Ele se sentia um fraco por não ter colocado um fim nas investigadas do ruivo. Ele adoraria dizer para Bill que tinha um relacionamento com Severus. Todavia, isso não era verdade.
"Nós interrompemos alguma coisa?", indagou Ginny.
"Nós só estávamos conversando", disse em tom de quem quer encerrar o assunto. Longbottom ainda não havia comentado com Ginny como havia sido o almoço com Severus. Ele só havia falado que o bruxo havia beijado ele. Além disso, não queria que o clima ficasse desagradável na noite de Natal. "Eu trouxe bolos para a ceia da sua confeitaria favorita."
"Obrigada, Neville!", falou a bruxa. Depois começou a vistoriar os pedaços de papel com os nomes na mesa de jantar. "Olhe! Mamãe escalou você para se sentar ao lado de Bill."
"Maravilha", disse em tom irônico.
"Deve ter sido porque você e Bill são os únicos solteiros essa noite. Até Charlie trouxe uma namorada nesse Natal", comentou Harry.
"É realmente incrível", disse em tom azedo. Depois tirou os bolos das sacolas e colocou em um aparador próprio de alimentos.
Ginny e Harry trocaram olhares curiosos. Neville não era irônico e nem ácido. O que indicava...
"O convívio com Snape está realmente te afetando", comentou Ginny.
"Vamos para a sala de estar? Ou preferem que eu deixe os dois a sós?", indagou Neville com malícia.
O casal de namorados riu. Potter resolveu provocá-lo.
"Tenho uma ideia melhor. Por que você não fica e assiste? Eu adoro um voyeur."
Neville ficou vermelho. Totalmente sem graça, ele correu para fora da sala sem dizer uma palavra.
"Espere, Neville! Vamos para a sala de estar com você", disse Ginny.
"Eu não estava falando sério, Neville!", acrescentou Harry.
Os três seguiram para a sala de estar. Felizmente, o clima natalino permaneceu agradável enquanto os Weasley e seus convidados conversaram na sala de estar a espera da ceia de Natal.
Na sala de estar da Toca, Neville olhou para o relógio de novo. O rapaz se zangou ao ver que a hora estava passando tão devagar. Ele simplesmente queria ir embora o mais rápido dali. Não que a festa estivesse ruim. Os Weasley eram reis de hospitalidade. Longbottom realmente se sentia parte da família. O problema era que ele...
"Queria estar em outro lugar, Neville?", perguntou com muita astúcia sua melhor amiga.
"Hum?", fez sem graça. Mesmo que fosse seu desejo, Longbottom nunca teria coragem de ser grosseiro com um Weasley, ainda mais Ginny.
A garota sorriu com a reação do rapaz.
"Acho que é quarta vez que você olha o relógio em menos de cinco minutos. Marcou um encontro com ele de madrugada?"
"Não, não... É só que... Severus provavelmente está sozinho..."
"E isso parte seu coração?"
"Sim. Eu visitei todos que amo hoje e justamente ele..."
"Justo ele você não visita", completou Ginny.
Neville olhou para a amiga. Será que ela tinha pego a mania dos irmãos gêmeos de ficar completando a frase um do outro?
A moça olhou para os lados. Todos pareciam entretidos em suas conversas a esperava da Ceia de Natal. E todos, a exceção de Bill, estavam em casais. Até Charlie finalmente havia trazido a primeira namorada para a família conhecer.
"Vá ver ele!", sugeriu Ginny.
"O que?"
"Vá ficar com ele, Neville. Você está nitidamente infeliz aqui."
"Não, não estou. Sou muito grato pela hospitalidade de sua família e..."
"Por Merlin, Neville! Eu não preciso usar Legilimência em você para saber o que está pensando. Você não para de olhar para o relógio, porque deseja passar na casa de Snape depois da ceia. Então, estou apenas encurtando seu trajeto. Vá para lá agora!", mandou. Depois continuou com tom debochado. "Talvez ele seja depressivo e esteja pensando em se matar. Dizem que a época de Natal é onde aumentam os casos de suicídio. Portanto, vá ficar com o seu amado e impeça-o de se matar."
"Mas... Sua mãe e..."
"Eu cuido deles, ok?"
Neville parecia pensativo a aflito.
"Acha mesmo que Severus seria capaz de se matar?"
A garota riu com a visível aflição do rapaz com a ideia.
"Talvez. Só se ele ficar muito tempo longe de você", disse e piscou.
"Eu te amo, Ginny."
"Ah, eu também, Neville! Olha só as coisas insanas que eu te estimulo a fazer para que você seja feliz."
"Obrigado. Você tem sido a melhor amiga possível."
A moça sorriu e Longbottom entendeu porque Ginny tinha conquistado tantos corações em Hogwarts. Ela era simplesmente encantadora.
"Vou pegar seu casaco. Me encontre no meu quarto. Você pode desaparatar lá."
"Obrigado", disse e se levantou.
Ginny abraçou o amigo.
"Feliz Natal, Neville!"
"Feliz Natal, Ginny!"
A ruiva deu outro sorriso para ele e saiu da sala.
Longbottom ia seguir até as escadas para subir para o quarto de Ginny, todavia, paralisou ao reparar que Bill o observava com atenção. Neville ficou sem graça, mas Bill sorriu despreocupadamente para ele. O rapaz então voltou a caminhar e seguiu direto para o quarto da amiga.
Era noite de Natal e Severus Snape estava sentado em uma poltrona na sala de estar de sua casa. Aliás, na sua casa do professor não havia quaisquer decoração de Natal. Nenhum pinheiro, enfeites de Papai Noel ou luzes piscando. Parecia que nem era Natal. Isso porque Severus simplesmente detestava a comemoração.
Com o charuto acesso entre os dedos, Snape podia ver pela janela que nevava. Estava um frio bastante desagradável. Ele fumou seu charuto e fitou as chamas da lareira. Após expirar a fumaça em direção ao teto, ele puxou a varinha e com um feitiço não verbal aumentou as chamas.
Em cima da mesinha de centro próxima ao bruxo havia uma garrafa de conhaque, uma grande caixa de charutos com apenas três charutos restantes, um cinzeiro repleto de cinzas e uma caixinha de papel de comida chinesa. Uma nova tradição natalina, pensou Severus com um sorriso enviesado.
O bruxo levou novamente o charuto até os lábios, inspirando os aromas ricos. Enquanto Snape expirava a fumaça em círculos perfeitos em direção ao teto, alguém bateu a porta.
O Comensal da Morte franziu o rosto e consultou o relógio. Estava tarde e era noite de Natal! Quem diabos poderia ser?
Ao mesmo tempo em que ele se levantava, a pessoa bateu na porta novamente, com mais urgência. Severus rosnou. Além de estar sendo importunado no dia de Natal, a pessoa insolente ainda era impaciente?
O bruxo depositou seu charuto no cinzeiro e depois se levantou. Snape segurava firmemente a varinha enquanto caminhava até a porta. Ele só tinha dois feitiços para usar, caso a visita fosse hostil. Contudo, ele esperava que o Ministério da Magia entendesse que em situações de risco era necessário se defender.
Severus abriu a porta pronto para um possível combate, porém acabou ficando surpreso ao reconhecer a pessoa.
"Neville?"
O rapaz sorriu abertamente para o professor quando o viu. Vestia um sobretudo pesado, mas ainda parecia estar com frio. Longbottom ainda teve a audácia de usar o cachecol dos tempos do colégio, vermelho e dourado.
"Olá, Severus!", disse e agitou a varinha e murmurou um feitiço. Depois olhou para cima, em direção a cabeça de Snape.
Severus olhou na mesma direção e viu um ramo com as folhas verdes características de visco. Ele sorriu enviesado e fitou o adolescente, que também sorria para ele.
Neville avançou um passo e deu um beijo rápido no professor.
"Feliz Natal!", sussurrou Longbottom.
"Me beije direito", ordenou. Snape só não acrescentou para o seu jovem amante que sentiu saudades de seus lábios, apesar de estarem gelados no momento.
Severus ficou olhando o garoto impossivelmente lindo sorrir para ele, depois ir avançando devagar até a sua boca. Contudo, havia algo errado, seu instinto de espião o alertava. Não era algo errado com o rapaz. Porém, Snape sentia como se algo ou alguém estivesse observando-os. Com um instinto protetor até então desconhecido, ele agarrou Neville pelo pulso e o puxou com violência para dentro da casa.
Após ser jogado na sala de estar da casa do professor, Longbottom estava nitidamente confuso.
"Aconteceu alguma coisa?"
O professor com a varinha em punho olhava para fora da casa, tentando encontrar algo ou alguém. Mas o escuro impossibilitava de procurar mais detalhadamente. Talvez tivesse sido somente a imaginação de Severus. Ele olhou em volta mais uma vez. Ao não encontrar nada, ele fechou a porta.
"Severus? Aconteceu alguma coisa?", insistiu Neville.
Snape lançou dois fortes feitiços insonoros para garantir a segurança sob a casa, somente por garantia. Conjuraria mais azarações se não tivesse um número limitado de feitiços por dia. Todavia, ao fitar o rapaz, esqueceu-se do possível problema. Severus não se cansava de observá-lo, a beleza de Neville era viciante.
"Pensei ter visto alguma coisa lá fora", comentou o professor.
"Quer que eu vá olhar?"
"Não", disse ríspida e secamente. Era ridícula a ideia de Neville Longbottom querer protegê-lo de algo. Severus percebeu que mesmo não expressando verbalmente sua opinião, algo em sua face transpareceu seu pensamento.
Neville abaixou a cabeça e fitava os próprios pés. Ainda de cabeça baixa, o garoto comentou com a voz baixa:
"Eu só me prontifiquei porque você tem uma cota de feitiços. Eu sei que se você ultrapassar os três feitiços diários, você será mandado de volta para Akzaban. Como não desejo isso, sugeri que eu fosse fazer uma ronda. Afinal, estou treinando para ser auror."
"Em momento nenhum eu disse que você era incapaz, Neville."
"E precisava?", perguntou o garoto ao encará-lo. Algo como ressentimento transparecia nos olhos hazel. "Eu vi o jeito que me olhou! Acha que é o único que pode ler feições? Você me fitou com o mais profundo desdém."
Severus se sentiu péssimo, porém não transpareceu.
"Sinto muito", disse Snape e tentou remediar. "Eu não duvido da sua capacidade, só não queria te expor a um possível perigo por minha causa. Eu ainda tenho inúmeros inimigos."
"Você sente muito, Severus?", questionou incrédulo e com certo tom de deboche.
"Isso é o mais perto que você vai receber de um pedido de desculpas. Você devia se sentir grato, Longbottom."
Snape quase esboçou um sorriso ao ver que a conversa provocativa fazia o humor do rapaz melhorar exponencialmente. Ele já não aparentava mais estar ressentido.
"Então... Isso quer dizer que... Eu talvez provoque sentimentos em você?", perguntou Neville como se estivesse testando o professor.
"Só quer dizer que eu sinto muito", respondeu. Percebendo que o rapaz poderia voltar a ficar ofendido ou chateado, Snape optou pelo caminho mais fácil. Uma rápida mudança de assunto. "Você não devia estar na casa dos Weasley?"
Neville arregalou os olhos, talvez surpreso por Severus mudar drasticamente de assunto.
"Eu estava lá. Hoje ao longo do dia eu visitei todos que eu amo. Contudo, faltava estar com você. Lembrei-me que você passaria o Natal sozinho e achei tão triste. Não queria que você ficasse deprimido."
Severus olhou para ele durante alguns segundos, depois ordenou:
"Me dê seu casaco e esse cachecol horrível. E sente-se."
Neville retirou as peças, mas permaneceu de pé enquanto esperava que Severus guardasse as roupas dentro do armário e voltasse até a sala de estar.
Confuso, Snape olhou para o garoto.
"Achei que fosse ficar, Neville, por isso te mandei sentar."
"Ah, sim. Eu quero ficar. Mas eu preferiria continuar o que estávamos fazendo lá fora. Acho que você mencionou que gostaria que eu te beijasse."
"Eu falei isso? Para você?", provocou.
"Hum... Talvez eu possa fazê-lo lembrar", afirmou Neville.
Severus observou o rapaz se aproximar de um jeito sensual e totalmente dominador. Em que momento eu perdi essa batalha?, perguntou o professor a si mesmo. Como foi que eu deixei o respeito se esvair?, pensava Severus. Como eu perdi o controle da situação? Talvez quando eu beijei em Manchester. Ou provavelmente foi quando eu o trouxe para minha casa para dar prazer a ele.
Snape observou o bruxo que caminhava como um felino selvagem para encurralá-lo. O menininho que sentia medo do professor de Poções já não existia mais, ele fora substituído por um homem sem medo. Tão seguro e imponente. Tão irresistível. O Comensal da Morte piscou. Ele precisava fazer alguma coisa.
"Isso que está acontecendo entre nós não é um relacionamento", afirmou Severus, na defensiva. Ele não seria capaz de admitir que estava assustado com a intensidade com que as coisas estavam se desenrolando entre os dois. Ou, ainda, como ele já parecia estar muito envolvido com o rapaz.
Os olhos hazel cintilaram com algo que parecia ser raiva, mas Longbottom assentiu.
"Certo."
"Nós só estamos tendo relações físicas. Você entende isso, Neville?"
"Sim, eu entendo."
"Ótimo! Eu só não quero que você venha me cobrar algo depois e..."
Neville aparatou na frente de Severus e logo em seguida o beijou, fazendo o bruxo se calar. Ele agarrou a nuca do professor, impedindo que Snape escapasse.
Severus apertou Longbottom contra si, aproveitando para sentir o firme corpo do rapaz e ser intoxicado pelo cheiro de perfume. Severus aprofundou o beijo. Suas mãos vagavam pelo corpo do jovem bruxo, explorando os músculos já conhecidos.
Longbottom resolveu imitar os movimentos de Snape, as mãos que antes seguraram a nuca agora vagavam pelo corpo do Comensal da Morte, apertando suas costas, peito e abdômen.
Severus gemeu alto e desfez o beijo. O professor agarrou os cabelos do rapaz para em seguida morder seus lábios, orelha e pescoço.
"Você é muito gostoso, menino", disse entre mordidas.
"Neville", falou o rapaz.
Severus sorriu torto e olhou para ele. Longbottom estava com os olhos nublados de prazer, o que o deixava muito mais atraente.
"Você é muito gostoso, Neville."
Longbottom gemeu, estimulando o professor a voltar a morder o pescoço dele.
"Ahhh... Nós vamos transar hoje, Severus?"
"Nós vamos. Agora!", disse e juntos desaparataram da sala para aparatar no quarto do Comensal da Morte.
Neville beijou rapidamente os lábios de Severus, depois mordeu a boca do amante, enquanto abria com avidez a camisa do ex-professor.
"Você realmente tem certeza, Neville?", questionou Snape mais seriamente.
Longbottom o beijou mais uma vez, as mãos ainda trabalhando para abrir os botões da camisa de bruxo mais velho.
"Como você pode ter alguma dúvida? Eu quero muito estar com você, Severus."
Snape sorriu satisfeito. Depois de maneira nada sutil, ele virou o corpo do rapaz, deixando-o de costas para ele, e em seguida o empurrou na cama. Neville caiu de bruços no colchão. E mesmo com rosto do jovem bruxo espremido contra o travesseiro, um de seus olhos hazel acompanhava os movimentos do professor. Severus subiu em cima de Longbottom.
"Agora você não pode mais desistir, Neville", disse provocativo.
"Nem passou pela minha cabeça."
O Comensal da Morte sorriu com a fala de Longbottom. Meio desesperado, Snape já puxou a calça e a cueca do rapaz para baixo, em seguida pegou a varinha do rapaz. Severus convocou com um feitiço insonoro uma poção lubrificante. Depois, penetrou um dedo lubrificado em Neville, fazendo o aluno gemer.
"Eu vou tentar ir devagar", sussurrou apenas para zombar o garoto. Contudo, ele sentiu nitidamente Neville ficar tenso. Snape não entendeu, porém, continuou preparando Longbottom com calma. Agora haviam dois dedos indo e vindo lentamente dentro do rapaz.
Severus colocou um pouco de lubrificante no próprio membro, depois passou a se masturbar até deixar o próprio órgão totalmente enrijecido. Ao mesmo tempo, os dois dedos continuavam entrando e saindo de dentro do garoto com uma velocidade torturantemente lenta.
"Como está?", provocou.
"Ok", respondeu Neville, devolvendo a provocação. "Não é o primeiro homem a penetrar dedos em mim, Severus."
"Mesmo?", questionou e havia nitidamente ciúmes em sua voz. Snape tentou se controlar psicologicamente, mas fisicamente, ele passou a movimentar os dedos com desespero. Os dedos entravam fundo e em diversas direções, tentando achar o ponto dentro de Longbottom que o faria gritar.
Neville começou a arfar tão alto que Severus conseguia ouvir. O professor sorriu e continuou os movimentos. Longbottom agora gemia e se contorcia embaixo de Snape.
"Alto, Neville! Se for gemer, faça isso alto", exigiu. "Eu aprecio muito ouvir."
"Es-Essa é a... Sua tara, Sev-ve-rus?", perguntou com escárnio e entre gemidos.
"Não", respondeu sem parar de mover os dedos freneticamente dentro de Longbottom. "Mas você irá sentir a minha tara em breve, muito breve."
Neville agora gemia forte e sem pudor. O garoto tentava acompanhar os movimentos do professor, indo em direção aos dedos e ao corpo do bruxo.
"Está pronto para mim, Neville?", indagou e esfregou seu membro rígido em Longbottom, sem parar de mover os dedos.
O rapaz gemeu:
"Ahh, siiiiiiim."
Severus aparentava muita satisfação. Era uma sensação sem igual ser aceito e amado dessa forma intensa. Ele retirou os dedos de dentro do rapaz e colocou mais lubrificante em sua ereção. Depois, lançou outros dois feitiços não verbais, usando a varinha de Neville, deixando os dois nus.
Dividindo sua atenção entre a bunda e a metade do rosto visível de Neville, o Comensal da Morte roçou a ponta de sua ereção no rapaz, acompanhando sua reação. Severus só podia ver somente metade o rosto de Longobttom, já que a outra parte estava espremida e oculta contra o travesseiro. Contudo, a metade que ele via era suficiente. O rapaz demonstrava uma feição de prazer explícito, Longbottom fechou os olhos e mordeu a fronha do travesseiro. Contraindo o desespero que sentia para entrar em Neville, Severus optou por torturar os dois por mais alguns instantes.
"Abra os olhos!", ordenou fitando a metade visível do rosto de Longbottom. O bruxo continuava esfregando seu membro em Neville.
O rapaz obedeceu e assim que abriu os olhos, Snape penetrou nele devagar, só a glande. Neville mordeu os próprios lábios. A situação toda estava torturantemente deliciosa. Ele não conseguia evitar de gemer e respirar fundo. Longbottom sentia que podia morrer com as todas as intensas sensações que percorriam seu corpo.
Severus beijava levemente as costas do rapaz enquanto seu membro ia avançando de forma lenta dentro do outro. Parecia ser um carinho e cuidado discreto. Após um longo e demorado percurso, Snape enfim estava totalmente dentro de Neville. O Comensal da Morte gemeu profundamente com a sensação. Com o coração disparado, ele precisou respirar algumas vezes antes de perguntar:
"Como você está se sentindo?"
Longbottom estava com a testa franzida. Havia sentido prazer só com os dedos, mas ter um membro grande enterrado em seu corpo era... Doloroso. Ele sentia algum prazer, afinal, essa era sua fantasia se tornando realidade. Compartilhar a cama com Severus Snape! Porém, nesse exato momento, a dor estava sendo majoritária em relação a qualquer sensação agradável.
"Hum...", fez Neville, não querendo admitir que doía.
Aparentemente, Severus não gostou da resposta, continuou enfiado em Longbottom, porém, agarrou os flancos do rapaz e o fez ficar de quatro na cama. Snape se posicionou da melhor forma atrás dele.
"Vamos tentar que nós dois tenhamos prazer com nossa relação, Neville."
"Eu... Estou sentindo prazer, só não agora", tentou argumentar.
Severus pensou que Neville Longbottom era definitivamente a criatura mais adorável que ele já conheceu na vida. Sentiu vontade de beijá-lo, queria colocá-lo de frente, mas as posições frontais eram menos dolorosas. O bruxo pegou de novo a varinha de Neville e usou um feitiço analgésico no rapaz, uma criação autoral que impedia a dor, porém não eliminava a sensibilidade. O garoto não teria a sensação dolorosa, mas sentiria tudo que Severus fizesse. Logo depois, uma das mãos do professor agarrou firmemente a cintura de Longbottom enquanto a outra mão, devidamente lubrificada, envolveu o membro de Longbottom.
"Então eu vou te fazer sentir mais prazer, Neville", prometeu. Snape voltou a se mexer, sincronizando os movimentos que fazia com a mão e o seu membro. Lentamente ele masturbava e penetrava o rapaz.
O professor se sentiu regozijado ao ouvir Longbottom voltar a gemer. Aliás, Severus sorriu enviesado ao notar que Longbottom passou mover o corpo em direção a ele a cada nova investida. O professor aumentou a velocidade dos movimentos. Ele passou a se mover com mais voracidade.
Após um tempo nesse ritmo mais intenso, Neville não aguentava mais sustentar o próprio peso do corpo. Seus braços tremiam e ele queria desabar. Sem a sensação dolorosa, Snape estava-o levando a loucura.
Como se tivesse lido o pensamento do rapaz, Severus penetrou uma última vez em Longbottom e depois saiu totalmente de dentro dele.
"Vamos mudar de posição, Neville? Deita na cama. Eu quero te ver."
Snape também respirava com dificuldade. Ele viu Neville literalmente desabar na cama e em seguida se virar, deitando de costas. O olhar que Severus recebia de Longbottom era indescritível. Paixão e lascívia explicitas. Mesmo sabendo que não era possível, o Comensal da Morte sentiu sua ereção dilatar. Snape chegou a feliz conclusão que nunca durante toda a sua vida fora tão desejado por alguém.
Ainda encarando o rapaz, Severus sentiu Neville tentar invadir sua mente com um feitiço sem varinha. Ele impediu a invasão com facilidade.
"O que deseja tanto saber para usar Legilimência contra mim durante o sexo, Neville?"
"Eu... Eu queria saber o quê você está pensando."
Snape passou a língua pelos lábios, depois respondeu com sinceridade:
"Estou pensando só em você, menino. Te olhando, eu posso apreciar sua ótima aparência. E...", disse e olhou com luxúria para o corpo exposto de Longbottom. "E eu quero muito voltar penetrar você. E... Acho que nunca fui tão desejado por alguém até te conhecer..."
Severus viu os olhos hazel cintilarem em alegria enquanto o garoto sorria para ele. Adorava o fato do menino ser tão transparente. Snape queria beijá-lo de novo e de novo. Queria beijá-lo enquanto voltava a penetrá-lo e...
"Meu desejo por você não vai diminuir. Acho que está só aumentando, Severus. Meu sentimento parece muito mais real agora que estou aqui, na sua cama."
Snape não comentou nada, apenas avançou até os lábios do rapaz. Ao olhar rapidamente para tórax e peito do adolescente, ele notou que sua mão estava parcialmente impressa em vermelho no flanco esquerdo do rapaz. E também haviam as pequenas marquinhas de dentes em volta do pescoço dele. Severus pensou que tinha que pegar mais leve.
Eles se beijaram longamente. Em seguida, Severus agarrou as coxas de Neville e as separou. Ele se inseriu entre as pernas de Longbottom e, com muita satisfação, percebeu que eles se encaixavam. Snape desfez o beijo e continuou olhando para o rapaz. Queria vê-lo enquanto o penetrava.
Longbottom abriu mais as pernas para facilitar o acesso, mas Severus já estava bem acomodado. Neville se sentiu corar com o olhar intenso que recebia. Parecia que o professor queria devorá-lo literalmente. O rapaz se lembrou do que Snape havia falado, sobre se sentir tão desejado. Eles partilhavam esse sentimento. Neville durante toda a sua vida nunca foi olhado com um desejo tão intenso como o que ele via nos olhos negros.
"Pronto, Neville? Vamos até o fim dessa vez?"
"Sim."
Longbottom gemeu ao sentir o membro de Severus entrando nele, devagar. A sensação antes dolorosa, agora era somente deliciosa. Ele sentia toda a extensão da ereção do professor dentro dele e ficava realizado. E ainda havia o contato visual. Snape era ainda mais sensual quando estava com o rosto suado, os olhos cintilando de prazer e sem a expressão apática. Sem máscaras, pensou Neville jubiloso com seu feito.
Snape foi aumentando gradualmente a velocidade de seus movimentos. Ele estava controlado e ponderado na opinião de Longbottom. Porém, estava tudo delicioso. Neville passou as pernas em volta da cintura dele e pediu:
"Mais forte."
Os olhos negros brilharam de prazer e Severus acelerou o ritmo. O bruxo estava estimulado e encantando por Longbottom. O rapaz não aparentava mais estar sentindo dor, havia voltado a gemer e se movimentar em direção a ele. Snape seguiu penetrando fundo e firmemente.
Os gemidos mais altos e desconexos de Neville indicavam que ele estava próximo do orgasmo. O próprio professor também se sentia perto do clímax. Enquanto estocava cada vez mais forte, Snape apreciava sua vista. Neville Longbottom estava embaixo dele com o cabelo desgrenhado, a face rosada e com a boca entreaberta emitindo sons quase inteligíveis. Severus sorriu torto. Gostaria de gravar a cena em sua memória. O garoto conseguia ser naturalmente sexy. Sem contar que era a primeira vez que Neville estava sendo penetrado. Snape gemeu alto ao ter ciência de que Longbottom se lembraria dele para sempre.
O rapaz sentiu o membro de Severus golpear novamente sua próstata e não resistiu.
"Hummm... Seve-rus...", miou ao alcançar o orgasmo.
Snape estava tão envolvido com o rapaz que parou de se mover enquanto apreciava as feições e os sons de Neville ao gozar. Estou mesmo enfeitiçado por ele, concluiu sensatamente.
Severus sabia que não duraria muito. Ele penetrou forte mais algumas vezes, em seguida aproximou o rosto de Neville para beijá-lo. Durante o beijo apaixonado, Snape chegou ao orgasmo.
Eles se beijaram durante mais um tempo. Longbottom abraçou Severus e esse acabou deitando em cima do rapaz. Os lábios do Comensal da Morte migraram para a bochecha, depois o nariz e o queixo.
"Foi... Fantástico, Neville."
"Eu concordo", disse e agarrou mais fortemente Snape, como se quisesse impedir que o bruxo fosse embora.
Os dois respiravam pesado, em especial Severus. Mesmo sabendo que o garoto estava suportando seu peso, o professor ficou mais um tempo deitado em cima dele. Snape adorava o cheiro dele, sua pele macia, até a respiração de Neville contra seu pescoço estava deliciosa. Totalmente enfeitiçado por ele.
Neville beijou o pescoço de Snape algumas vezes.
"Eu posso dormir aqui e pela manhã nós fazemos tudo de novo", sugeriu com malícia.
Severus achou a ideia maravilhosa. O calor do garoto e seu cheiro... Snape sentia como se estivesse se viciando em uma pessoa. Com a respiração mais regular, ele beijou uma última vez Longbottom e saiu de dentro dele. O professor deitou ao seu lado.
"Talvez", respondeu.
"Você sabe que eu sou capaz de fazê-lo mudar de ideia", provocou.
Snape olhou para Neville. O garoto tinha um sorriso malicioso no rosto. Irresistível, pensou.
"Arrogante! Só estou deixando que passe a noite aqui porque é Natal."
"Foi o melhor presente de Natal que já ganhei."
Severus mordeu os próprios lábios, tentando frear que ele mesmo repetisse a bobagem que um adolescente dizia depois de transar. Ele preferiu tatear na cama a procura da varinha de Neville. Ao achá-la, ele realizou um feitiço não verbal para eliminar as excreções do sexo. Logo em seguida, aumentou a sensação térmica no quarto com o auxílio de outro feitiço insonoro. Parecia tão gelado agora que ele não estava mais em contato direto com o rapaz. Depois, convocou um edredom e cobriu ambos.
Longbottom parecia não se importar com o professor usando sua varinha, sem nem mais pedir autorização.
"Minha varinha funciona perfeitamente com você, Severus", comentou enquanto se aproximava de Snape. O jovem bruxo estava bastante sonolento. Ele passou um braço possessivo sob Severus, o trazendo para mais perto. Eles estavam próximos o suficiente para cada um sentir a respiração do outro.
"Aqui, Neville", disse, devolvendo a varinha. "Obrigado. Essa limitação de feitiços é uma tortura."
"Pode usar minha varinha o quanto quiser. Afinal", falou e fez uma pausa dramática. Olhando diretamente nos olhos negros sussurrou: "Eu te amo."
Severus sentiu todos os seus pelos eriçarem com a declaração. Ele também se sentia sonolento, porém ao ouvir a declaração sua pulsação acelerou.
"Você já me disse isso, Neville. Várias vezes."
Longbottom sorriu.
"Sim, eu sei, mas acho que estou te amando mais."
Snape não sabia o quê comentar, por isso desviou o olhar. Ele sentia seu rosto quente com a nova declaração. Depois de um longo tempo, Severus pensou que o rapaz já estivesse dormindo, mas Neville voltou a falar.
"Eu... Eu pensei que você transaria comigo de um jeito diferente..."
"Diferente?", repetiu.
Snape olhou para o rapaz e viu o rosto de Longbottom vermelho. Por isso ele usou Legilimência contra ele. O acesso foi rápido e intenso.
"Sádico?", indagou Severus ao pronunciar a palavra com raiva. "Você achava que eu era sádico?"
Neville estava ficando com as bochechas ainda mais rubras.
"Bem, felizmente eu estava errado."
A mente de Severus não parava de trabalhar.
"Em Manchester, eu te perguntei se estava preparado para transar com um Comensal da Morte. Eu só estava te provocando, te testando, contudo, você me respondeu que estava. Era sobre isso que estava falando? Achava que eu seria sádico com você?"
"Severus, só o que eu tenho a dizer é que eu ficaria com você mesmo se você fosse sádico."
Os olhos negros cintilaram de raiva. Garoto tolo!
"Quer testar, Longbottom? Eu poderia fazê-lo repensar sobre isso."
Neville esboçou um sorriso.
"Ah, eu duvido muito disso. Você provavelmente não tem ideia do quanto eu te amo."
Snape optou por mudar de assuntou ou iria se zangar ainda mais.
"Você quer comer alguma coisa? Beber algo?"
"Não, estou morrendo de sono."
"Quer vestir algo? Ou tem o hábito de dormir nu?"
"Hum...", disse já com os olhos fechados. "Só quero você bem perto de mim."
"Podemos dormir na mesma cama, mas não vamos dormir de conchinha."
"Posso ao menos ficar com o braço em volta de você?"
"Talvez..."
"Obrigado!"
Snape, ainda usando a varinha de Neville, desligou a luz. Agora no escuro, outro sentimento brotava com intensidade no professor. Algo como um profundo remorso. Remorso por ter se aproveitado dos sentimentos nobres de um ex-aluno e o ter levado para cama.
De repente, Severus não sentia mais sono. A insônia e o remorso, seus fieis eternos amantes e companheiros, chegaram para ficar.
Continua?
Comentários da autora: Olá, pessoas! Obrigada por continuarem lendo! Viram? Não demorou dessa vez! Eu não mereço um review carinhoso por isso? ; )
Por favor, me digam o que acharam do capítulo! O que acharam? Será o fim de Bill e Neville? Como Snape vai reagir com seu remorso? E a Molly Weasley? Adorei colocá-la nesse capítulo. Acredito que ela torça muito por Neville e Bill.
Alguma sugestão para o próximo capítulo? Estou sempre aberta a ideias.
Respondendo alguns reviews do Capítulo VIII:
FafaVe Agora foi, né? ; D Te prometo que o nosso Neville vai continuar fiel ao professor de Poções.
esidois2 Hahaha... Por favor, não passe mal! : ) Ah, sim... O Matt Lewis é sempre uma grande fonte de inspiração. Lamento por não levar o Snape para a Toca nesse Natal, mas te garanto que em um dos capítulos futuros teremos Snape e Neville na Toca. E viu? Neville passivo. ; )
Sandra Longbottom Obrigada, Sandra! : ) Você realmente deveria escrever mais fanfics Sneville. Aliás, #ficaAdica para todas e todos! Escrevam Sneville, gente! Escrevam e me avisem para eu ler, por favor! : ) Viu? Você acertou! O Neville foi ficar com o Snape.
Barbara Vitoria Peço gentilmente para não me matar! ; ) Sim, sim... Uma fanfic com ciúmes é sempre bom. Apesar de eu achar que ciúmes não combina totalmente com Snape, eu sempre faço ele ciumento nas minhas fics. Hahaha... Acho pouco provável eu conhecer o seu casal de amigos, mas quem sabe? O mundo é pequeno. E respondendo a um review antigo a respeito do título de Hazel. A ideia de hazel veio de uma aula de inglês que eu tive há muitos anos atrás, quando eu estava apresentando as cores dos olhos em inglês. Achei ridículo hazel, para mim essa cor não existia. Até que mais tarde eu conheci alguém com essa cor de olho. Então hazel é basicamente referente a cor dos olhos do Neville.
Ia-Chan Obrigada! Sim, o Neville sempre foi meio negligenciado nos livros e no mundo das fanfics. De fato, me interessei muito mais por ele depois do Matt Lewis ter se tornado o deus da beleza.
YunoB SIM! Sneville é demais! Eu até parei de escrever Snarry por causa do Neville. Enfim, obrigada pelos elogios!
E obrigada a eloisa, Guest, Giny e Sthefany (desculpa por "fazer isso") pelas reviews e pelo carinho!
Espero ver todos e todas vocês nos próximos capítulos, ok? : )
E, por favor, continuem mandando reviews! Reviews são amor! Reviews realmente aceleram o processo de escrever. É muito gratificante saber que tem alguém lendo, gostando e comentando a sua história. : D
24/10/15 - 16/11/15 - 1/1/16 - 5/6/16
