Hazel

Capítulo XI

Escrito por Nevilla F.

-X-

Severus Snape nunca pensou que fosse pensar isso sobre um aluno de Hufflepuff, mas o jovem Stu era suportável de se conviver. Como todo bom Hufflepuff, Stu era atencioso e muito falante.

Stu ajudou Snape durante toda a semana, auxiliando com os curativos e tratando das feridas e fraturas. Stu tinha trazido no dia seguinte à agressão livros de feitiços de cura. Com as instruções de Severus, o próprio Stu conseguiu tratar os ferimentos do professor. O jovem bruxo eficazmente consertou ossos e fechou cortes. O único feitiço que ele não conseguiu realizar foi eliminar a coloração intensa dos hematomas.

Como Stu havia previsto, o healer só apareceu no dia 27 de dezembro. Porém, não havia muito para o healer fazer, além de eliminar as marcas de hematomas.

Então, a exceções de estar em Azkaban, o professor estava bem fisicamente após a surra.

Severus sentia falta de uma boa alimentação. A comida servida em Azkaban era detestável. Ele quase não comia nada. Porém, o que realmente o estava deixando insano era a falta de charutos e cigarros. Qualquer coisa que ele pudesse fumar. O fumo sempre o deixou mais tranquilo e calmo, além de ser seu vício. Portanto, a falta de seus maravilhosos charutos cubanos e seus cigarros mentolados o estava deixando super agitado. O professor fechava os olhos e podia imaginar a si mesmo acendendo um charuto, depois o fumando e, por fim, soltando a fumaça em um círculo perfeito. Droga! Ele não tinha pensando que ficaria sem os seus charutos quando planejou voltar para Azkaban.

A verdade era essa. Ele não pensou em nada. Permitiu que o poderoso remorso que sentia, mais uma vez, decidisse suas ações. Que o remorso condenasse sua vida de novo.

Além desse problema de crise de abstinência, havia algo que mexia horrivelmente com a cabeça de Severus. A sombra do dementadores, como Snape havia chamado o efeito que Azkaban causava. Era a presença muito diluída dos dementadores, dolorosa, mas suportável. Curiosamente, os piores momentos que Severus estava revivendo eram com Lily Evans, Albus Dumbledore e Voldemort. Nenhuma das lembranças angustiantes envolvia Neville.

Para surpresa do Comensal da Morte, o melhor modo de se livrar desses pensamentos infelizes e deprimentes era se lembrar de Neville. Os olhos hazel brilhando de alegria ou a voz do garoto ao dizer que o amava. Inconscientemente, Snape conseguia sorrir com a recordação, eliminando a sombra dos dementadores temporariamente. Apenas temporariamente. A sombra dos dementadores sempre voltava.

Hoje, depois de quatro dias sem Neville, a verdade inequívoca e absoluta ficou evidente para Severus: ele gostava do rapaz. Realmente gostava de Neville Longbottom.

Snape se sentia péssimo por ter evitado o confronto com Longbottom, por ter fugido dele. Porém, a sensação que antes o quase deixou louco de remorso, por ter beijado e transado com Neville, havia desaparecido. Ao contrário, o Comensal da Morte agora sentia-se envaidecido e orgulhoso por ter sido o primeiro homem de Longbottom.

Talvez Neville não o perdoasse por tudo o que ele tinha feito, mas Severus já havia decidido que iria atrás dele. Ele sabia que teria que esperar seis anos até estar em liberdade novamente, porém ele lutaria pelo menino. Ele lutaria com muita avidez por Longbottom, algo que não fez por Lily Evans e nem por Regulus Black.

Snape entendia porque Neville não foi vê-lo em Azkaban. O rapaz devia estar triste e muito ofendido. Ele compreendia o jovem bruxo. Severus tinha ciência de que teria que se desculpar com Longbottom e aceitava isso, apesar de não ter o costume de se desculpar. O rapaz merecia um pedido de desculpas. Porém, o bruxo nutria uma infantil e tola esperança de ver Neville Longbottom ali em Azkaban.

Todavia, só quem ia vê-lo era Stu. O jovem era muito falante. Tagarelava que Vladmir havia sido demitido. E que não havia sido a primeira vez que Vladmir tinha surrado alguém. Stu contou que o bruxo tinha agredido todos os Comensais da Morte que estavam em Azkaban.

"E Lucius Malfoy?", perguntou Snape, interrompendo a usual tagarelice de Stu.

O rapaz ponderou poucos segundos antes de responder.

"Malfoy não. Vladmir me contou que ele ofereceu muito dinheiro para evitar a surra. Vlad me disse que foi o filho de Malfoy que entregou o ouro para ele."

"Os Carrow?"

"Vlad surrou os dois, até a mulher."

Severus sorriu satisfeito. Os Carrow mereciam apanhar, aliás, mereciam coisas piores. Os malditos haviam enchido o corpo do Neville de cicatrizes feitas por magia das trevas. Você também usou o mesmo feitiço para punir Longbottom diversas vezes quando era diretor de Hogwarts, uma voz maldosa soou na cabeça de Snape. O Comensal da Morte ignorou. Talvez fosse a sombra dos dementadores o perturbando de novo.

"Esse sujeito... Ele perdeu alguém para o Lorde das Trevas?"

"Sim. A esposa de Vlad foi assassinada por Fenrir."

Severus desviou o olhar do rapaz. A sombra dos dementadores pareceu ficar mais forte, potencializando os sentimentos negativos e infelizes.

"Você visita todos os prisioneiros, Stu?", perguntou apenas mudar de assunto.

"Não, professor", respondeu e parou de falar por um momento. "Não gosta que eu venha? Posso parar."

"Não perguntei isso para te ofender, rapaz. Você se sente mal por mim, não?"

"O que quer dizer, professor?"

"Pela surra."

Stu franziu a testa, nitidamente deprimido. Severus inevitavelmente o comparou a Neville. Ambos eram muito transparentes, com os sentimentos expostos com facilidade através das expressões em seus rostos juvenis.

"Sim... Eu não pude impedir. E Vlad sempre reclamou muito de você e da falta do maldito NOM em Poções e..."

O jovem parou de falar porque alguém havia batido na porta de ferro da cela. Stu se levantou, muito confuso.

"Sabe quem pode ser?", Snape indagou, mas já sabia a resposta pela feição confusa de Stu.

"Nem ideia."

Neville, pensou Severus. O professor sentiu seu coração acelerando. A dolorosa esperança inundando cada célula do seu corpo. O bruxo entrou em estado de ansiedade tão forte que podia imaginar o cheiro amadeirado do perfume do rapaz, a textura macia de sua boca rosada. E os olhos... Os hipnotizantes olhos hazel brilhando para ele. Snape se levantou do bloco de concreto.

A porta da cela abriu e dois bruxos entraram. Nenhum deles era Neville, infelizmente. Desanimado, Severus se sentou novamente no bloco de concreto. Ele olhou para os visitantes e reconheceu facilmente os dois. Arthur Weasley sorriu de forma amistosa para ele. A bruxa ao lado de Arthur era Héstia Jones. Ela fazia parte da Ordem da Fênix e Severus sabia, através do Profeta Diário, que ela tinha sido nomeada por Shacklebolt como a chefe da seção de aurores.

Snape se mostrou impassível diante das duas visitas, porém estava assustado. O que aqueles dois bruxos importantes estavam fazendo ali, em uma cela de Azkaban? De pé, Stu parecia apavorado com as visitas.

"Eu... Eu vou deixá-los a sós. Boa sorte, professor!"

Stu praticamente correu para fora da cela. Snape observou os dois bruxos. Não pareciam trazer más noticias, porém, assim que a porta se fechou ele se sentiu sufocado com a presença deles.

"Arthur, Héstia... O que posso fazer por vocês? Deve ser algo muito importante para eu ter em minha miserável cela em Azkaban a presença de dois importantes bruxos ao mesmo tempo."

Snape freou o pensamento sarcástico de perguntar se eles estariam se reunindo para fazer uma celebração com os poucos integrantes vivos da Ordem da Fênix.

Weasley se adiantou e questionou como um pai preocupado:

"Você está bem, Severus? Lamentamos muito o incidente", disse com sinceridade. O ruivo olhava para o rosto do ex-professor a fim de procurar por hematomas, todavia, as marcas roxas já tinham sido eliminadas pelo healer.

Snape não seria capaz de mentir e dizer que estava bem. Por isso, optou por dar uma resposta genérica:

"Estou me adaptando novamente a Azkaban, Arthur."

O bruxo ruivo passou a mão pelos poucos cabelos e voltou a falar.

"Severus, nós viemos lhe oferecer um novo emprego e esperamos que aceite."

"Podemos renegociar a sua pena e seu tempo de reclusão. Você poderá sair de Azkaban em alguns dias, mas terá que assinar um contrato longo para trabalhar no ministério da magia, na minha seção", disse Héstia.

Sair de Azkaban? Severus quase tremia de ansiedade. Ele diria sim de qualquer jeito, independente do emprego. Ele até daria aulas de química para crianças muggle analfabetas. Faria qualquer coisa para sair daquele lugar e ver Neville de novo. Porém, como sempre, ele não demonstrou sua real vontade e se limitou a perguntar:

"Do que se trata?"

-X-

Ginny estava ficando mais preocupada com Neville. O jovem bruxo estava aparentemente normal. Ele ia para o ministério da magia todos os dias, estava comendo, bebendo e falando. Porém, ele parecia muito distante. Ele não estava triste e aborrecido como quando a sua avó morreu. Agora ele parecia resignado com seu infeliz destino, como se tivesse aceitado que merecia sofrer e não iria protestar.

Ginny não tocava mais no assunto Snape porque Longbottom não desejava mais conversar sobre isso. Neville se limitou a dizer que havia chegado a conclusão de que havia sido usado pelo professor. Longbottom também concluiu que a única forma de Snape se livrar dele era voltando para Azkaban. Ginny só teve coragem de perguntar uma vez para Neville se ele voltaria a investir no Comensal da Morte. Longbottom riu desgosto e disse que não faria mais nada. Ele iria parar de perseguir o professor definitivamente.

Ginny, Harry, Neville, Hermione e Ron estavam em um pub. Os bruxos estavam sentados em uma mesa mais distante das outras pessoas do pub.

Ginny olhava para Neville. O bruxo estava com o olhar desamparado e perdido. Ele piscou e focou o olhar na tulipa de cerveja a sua frente. Em seguida, pegou o copo e bebeu um pouco de cerveja. Ginny continuou olhando para o melhor amigo. Harry, ao seu lado, acompanhou o olhar da namorada. Ele parou de falar com Ron e se virou na direção de Neville.

"Podemos ir para a França ou a Suíça no Ano Novo. O que acha, Neville?"

"Ótimo", respondeu de forma mecânica. Depois parou uns segundos para pensar no que havia sido perguntado a ele. "Nunca estive na França ou na Suíça. Dizem que Genebra é muito bonito."

"Eu prefiro ir para a Suíça, já estive na França. Eu gostaria de conhecer os Alpes Suíços", falou Hermione.

Ron Weasley, que nunca durante toda a sua vida teve muita sutileza, foi direto ao ponto.

"Neville, o que todo mundo realmente quer saber é se você vai visitar o Snape em Azkaban."

"Eu não vou", respondeu sem piscar. Em seguida, continuou com agressividade: "Eu ainda o amo, mas não vou mais correr atrás dele. Já me arrastei demais por aquele bruxo. Fui usado e descartado por ele. Acabou."

Após alguns segundos de silêncio tenso, Longbottom finalizou:

"Então todos concordam em ir para a Suíça no Réveillon?"

Na mesa, os demais bruxos pareciam chocados com Neville. Ele era tão afetuoso! Snape era um bruxo tão nocivo que havia destruído isso no rapaz? Ginny realmente lamentou pelo seu amigo. Longbottom continuou falando.

"Por favor, não me olhem com pena. Não me arrependo de nada do que aconteceu. É provável que eu faria tudo de novo, se eu voltasse no tempo. Porém, o que existia entre nós dois, se é que existia algo, acabou. E..." Neville pausou e respirou fundo antes de continuar. "O sentimento que eu tenho por ele um dia irá acabar ou se transformar em outra coisa. Eu estou seguindo em frente."

Ginny olhou decidida para Longbottom. E repetiu as palavras que antes ela havia falado para Snape:

"Você deveria vê-lo. Uma última vez, Neville."

Os olhos hazel do rapaz cintilaram com deboche, enquanto seus lábios se curvavam em um sorriso enviesado.

"Claro."

"Estou falando sério, Neville. Você deveria falar com ele. Dizer a ele tudo isso que você nos falou agora, como você esta se sentindo. Talvez... Talvez ele tenha uma justificativa para o que aconteceu. Papai disse que ele foi preso porque usou diversos feitiços de madrugada. Talvez ele se esqueceu ou estava se defendendo de algo ou..."

Neville olhava para Ginny com piedade e descrença.

"Algum de vocês realmente acredita nisso? Snape fez tudo aquilo porque quis! Ele planejou voltar para Azkaban, tenho certeza disso! O por quê dele ter feito isso... Bem, isso não me interessa mais. Eu cansei! Cansei dele!"

"Neville..."

"Eu estava na cama dele, Ginny! Eu estava nu na cama dele! Se ele quisesse conversar comigo, me dizer algo, ele poderia ter feito isso. Mas ele escolheu não fazer isso. E eu cheguei ao meu limite nessa relação. Não sinto mais vontade de insistir. Snape quis fugir de mim para o mais longe possível que ele podia", disse e fez outra pausa. "Agora, podemos, por favor, mudar de assunto?"

Ron que estava vermelho desde que ouviu a palavra nu, tratou de mudar logo de assunto.

"Suíça, então. Chocolates, Alpes... Vou comprar um relógio também."

As pessoas continuaram em silêncio, olhando para o novo Neville. Harry piscou e desviou o olhar de Longbottom, depois perguntou casualmente:

"Podemos viajar no dia 30, o que acham? E voltamos no dia 1 ou 2 de janeiro."

"Ótimo", disse Neville.

Terminado o momento de irritação, o olhar de Longbottom parecia perdido. Ginny havia entendido algo com a sua fala. O coração de Neville não havia sido quebrado. Haviam retirado, roubado seu coração e ele estava tão machucado que não queria mais seu coração de volta. Longbottom havia desistido de perseguir o ladrão.

Harry e Ron trocavam olhares. Ginny olhou para o namorado e entendeu. Havia um boato sobre Snape circulando no ministério na magia. Harry e Ron estavam em dúvida se compartilhavam a informação ou não. Harry queria contar para Neville. Ele havia dito para Ginny que era melhor que Neville soubesse por eles do que por outros. Potter olhou uma última vez para Ginny, como se pedisse sua autorização para falar. Ginny assentiu minimamente com a cabeça.

-X-

"Neville, eu também acho que você devia falar com ele", disse Potter decididamente para Longbottom.

Neville olhou para Harry.

"Com quem?"

"Snape. Eu concordo com Ginny. Você devia falar com ele."

Neville realmente estava se cansando daquilo. Ele entendeu que os amigos o trouxeram para uma cilada ali naquele pub. Eles marcaram aquele encontro só para falar sobre o Snape. Por que? Droga! A palavra Snape ainda doía tanto!, refletiu.

"O grande problema é que ele não que falar comigo. E eu também não quero mais falar com ele. Eu não tenho mais nada para falar com ele."

"Snape foi ferido em Azkaban", disse Harry.

Longbottom sentiu como se tivesse sido atingido por uma bomba nuclear. O bruxo sentiu sua boca seca e o coração acelerado. Ele inspirou, todavia, parecia que não tinha oxigênio suficiente em seus pulmões. Talvez ele só respirasse de novo depois de saber como estava Snape.

"Ele está bem?"

"Snape levou uma surra de um guarda de Azkaban."

"Harry, ele está bem?", insistiu.

"Ele apanhou bastante, mas não corre risco de vida. Quer dizer, eu ouvi que um healer foi até lá e não o transferiu para o St. Mungus. Então ele deve estar ok."

"Então ele está bem?", repetiu.

"A questão é essa, Neville. Vá perguntar a ele! Vá vê-lo com seus próprios olhos."

"Snape não quer me ver, droga! Ele foi para Azkaban por minha causa! Para me evitar, para fugir de mim. Ele não quer me ver! Ele não quer conversar comigo!", gritou.

Um silêncio tenso pesou na mesa.

Longbottom respirou fundo, tentando fazer o oxigênio inflar seus pulmões. Aparentemente, sem sucesso.

"Ele deve estar bem, Neville. Se ele não precisou sair de Azkaban, ele provavelmente está bem", comentou a voz tranquila de Ginny.

"Era por isso que vocês todos estavam insistindo para eu ir vê-lo?"

Todos na mesa se calaram, somente Ginny teve coragem de responder alguns segundos depois:

"Sim."

"Não era mais fácil me dizer que ele tinha sido ferido?", perguntou Neville.

"Eram apenas boatos, nós não tínhamos certeza. Perguntamos para papai, mas ele é muito profissional. Falou que não comentaria assuntos do trabalho com os filhos", respondeu Ginny.

"Cara, o importante é que Snape está bem. Mas pelo jeito que você reagiu, você deveria ir vê-lo agora. Fale com papai, ele certamente deixará você ir até Azkaban. E... Nós meio que falamos para ele que você estava tendo uma relação com Snape... Mas nem quando falamos isso papai quis nos responder alguma coisa sobre ele. Mamãe ficou bem decepcionada com você, Neville. Ela tinha esperanças de que você ficasse com Bill e..."

"Ron, pare de falar!", rosnou Ginny.

Neville se levantou abruptamente.

"Eu vou para a minha casa", anunciou Longbottom.

"Calma, Neville! Vamos conversar."

"Espere, Neville!"

"Cara, senta aí!"

Longbottom simplesmente parou de ouvir. Ele pegou a carteira e colocou algumas notas em cima da mesa. Depois foi andando até a porta. Ele não parou ao ouvir os amigos o chamando. Não fez questão nem de pegar seu casaco ao sair do pub.

Quando já estava na rua, ele olhou para os lados. O intenso frio devia ter afastado as pessoas da rua, já que estava deserta. Ventava glacialmente, além de estar nevando. Neville fechou os olhos e desaparatou até sua casa.

O rapaz tinha coisas demais na cabeça. Corrigindo, tinha Severus Snape em demasia na sua mente. Ele só queria parar de pensar durante um tempo. Longbottom vagou até a cozinha da sua casa e procurou por todas as garrafas de bebidas alcoólicas ali. Ele agarrou um punhado e foi até o quarto.

Neville sentou em sua cama e depositou as garrafas ao seu lado. Abriu a primeira que pegou e deu um gole. A vodca desceu queimando seu esôfago. Ele se sentiu péssimo ao beber. Ele era Gryffindor! Não fugia de seus problemas! Ele não afogava seus problemas!

Todavia, ele se sentia o pior dos covardes ao ter que pensar em ficar frente a frente com o Snape. Simplesmente não conseguia imaginar. Havia chegado ao seu limite de dor. Ele não era masoquista, não gostava de ficar sofrendo. E, infelizmente, ele passou a associar Severus Snape ao sentimento de dor. Nunca a dor física, mas a dor excruciante na alma.

Longbottom fechou a garrafa de vodca. Ele não beberia. O rapaz só precisava ficar um tempo sozinho, pensando.

-X-

Neville ficou insone naquela noite. Ele estava preocupado com Severus. Também estava tentando aceitar que o professor não queria mais nada com ele. Corrigindo, Severus Snape nunca quis nada com ele. Sempre, todas as vezes, foi Neville que foi atrás dele.

Longbottom começava a entender como havia sido ingênuo. Um ingênuo e um grande idiota por acreditar que poderia acontecer uma relação amorosa entre eles. No final, havia sido como Bill previu, Snape só queria comer ele. E depois que conseguiu, sentiu remorso e fugiu. Típico de um bruxo de Slytherin! Típico de Snape!

Neville se revirou na cama.

Maldito Snape! Estava tirando seu precioso sono. Porém... Ele estava bem? Será que estaria muito ferido? E por que o haviam machucado? Ok, a última pergunta era muito estúpida. Snape era desagradável, malicioso, debochado e extremamente irritante. Era fácil perder a paciência com o professor e agredi-lo. Todavia, apesar de todos os seus defeitos, era o bruxo que Neville amava.

Irritado, Longbottom se virou de novo na cama. Ele começou a mentalizar seu sono, imaginando sonhos, desejando estar dormindo. Todavia, não estava dando certo. Ele não conseguia dormir.

Acalme-se!, dizia a si mesmo. Snape está vivo! Machucado, mas vivo. Vivo! Se acalme!

Neville puxou o lençol até a cabeça. O desejo insano de aparatar em Azkaban o estava enlouquecendo.Ele não quer me ver! Ele não quer me ver! Ele não quer me ver! Ele não que me ver!, repetia como um mantra para si mesmo.

Longbottom pulou na cama ao ouvir seu celular fazer o barulho de mensagem. Ele pegou o celular e era uma mensagem de Ginny.

"Ele está bem. Papai enfim nos contou. Ele foi até Azkaban e garantiu que Snape está bem."

Neville inspirou profundamente como se estivesse com falta de ar desde que soubera que Severus foi ferido. Involuntariamente, ele se viu sorrindo com um bobo. Eu ainda o amo, pensou.

Seu celular apitou de novo. Era outra mensagem de Ginny.

"Vamos viajar amanhã a tarde! Suíça! Faça as malas! Boa noite."

Longbottom depositou o celular na mesinha e voltou a deitar na cama. Ele se sentia muito mais relaxado. Porém, tranquilo talvez fosse a palavra certa. Ele estava em paz por Severus estar bem. Neville poderia não correr mais atrás do professor, mas desejava com toda a sinceridade do mundo que o bruxo fosse feliz. Afinal, isso era amor, não? Priorizar a alegria dos outros em relação a sua.

Neville se ajeitou melhor na cama, se agarrando ao edredom. Levaria algum tempo, mas agora ele achava que conseguiria dormir. Afinal, Snape estava bem. O mundo, enfim, havia voltado a girar.

-X-

Ao sentir o vento em seu rosto, Snape respirou fundo. Liberdade. A gloriosa e necessária liberdade.

Era dois de janeiro. Severus estava saindo de Azkaban para cumprir a sua segunda pena alternativa. Um longo contrato de serviços no ministério da magia.

"Estamos acertados, Severus?", insistiu Arthur Weasley ao seu lado.

"Sim, vice-ministro."

"Ótimo, ótimo."

"Arthur, com relação ao comportamento dos meus ex-alunos a minha presença. Seu filho mais jovem, Potter e Longbottom..."

"Eles vão aceitar tranquilamente seu novo cargo no ministério da magia."

"Eles já sabem?", questionou e havia surpresa em sua voz.

"Não. Eu não compartilho informações confidenciais do ministério da magia com a minha família."

"O recesso dos feriados para os funcionários do ministério é até quando?"

"Até hoje. Por isso, amanhã você já iniciará o seu novo trabalho. Héstia estará te esperando de manhã cedo na seção dos aurores."

Snape acenou em concordância e fez uma longa pausa. Depois engoliu seu orgulho e sua dignidade ao perguntar:

"Longbottom está na sua casa com seus filhos?"

Caso Arthur estranhou a pergunta do professor, ele fingiu muito bem. Os olhos do vice-ministro transpareciam simpatia ao responder:

"Não, os meninos e Neville viajaram para Suíça no Réveillon. Eles devem voltar hoje a noite."

Snape sentiu como se tivesse levado um soco no rosto. Neville havia viajado! Será que tinha ido junto com William Weasley? Severus ficou irritado consigo mesmo. Detestava sentir ciúmes de outros bruxos, mas... Neville era diferente. E ele precisava se desculpar urgentemente com o rapaz. Arthur interrompeu seus pensamentos.

"Como eu dizia, Severus, você começa essa semana. O departamento te enviará uma carta hoje com as devidas informações. E aqui está algo que você certamente precisará no seu novo emprego", disse e entregou a varinha de Snape para ele.

O coração do Comensal da Morte se encheu de alegria ao ver sua varinha. Snape não sorriu, mas segurou a sua varinha com ternura.

"Obrigado, Arthur. E as limitações de feitiços?"

"Não há limitações, Severus."

"Magia das trevas?", testou o bruxo com um leve sorriso enviesado.

"Totalmente liberada. Essa é a razão pela qual você foi escolhido para esse emprego. E devo lembrá-lo que assinou um contrato de serviços por cinquenta anos. Esse foi nosso acordo para que você fosse liberado da prisão apesar de ter violado a sua primeira pena."

"Estou bem ciente disso, Arthur. Mas não se preocupe, não desejo voltar para Azkaban novamente. Justamente por isso, gostaria de saber se posso usar magia das trevas fora do meu local de trabalho."

"Infelizmente nós ainda não temos uma legislação significativa para coibir o uso de magia das trevas. Contudo, estamos trabalhando nisso. Hermione está redigindo novas leis. Mas, enquanto essas leis não são aprovadas, a reposta é sim. Você pode usar magia das trevas fora e dentro do ministério da magia."

"Não me interprete mal, Arthur, mas voar sem vassoura é magia das trevas."

"Então poderá voar a vontade, Severus."

Snape acenou com a cabeça.

"Obrigado por tudo, Arthur."

"Ah, não me agradeça. Foi Héstia Jones que teve a ideia após ela ler no Profeta Diário que você tinha sido preso. Até Dumbledore concordou com a sugestão de te oferecer esse emprego. E eu também. Acho que as suas habilidades são perfeitas para isso."

Severus respirou fundo. Ainda havia uma dúvida muito importante a ser esclarecida. Ele olhou de um jeito intenso para Arthur, usando toda a sua Oclumência.

"Um último detalhe, nesse meu emprego haveria problemas se eu, por acaso, tivesse um... Por falta de palavra melhor, vou chamar de um envolvimento amoroso com... Com..."

"Neville?", perguntou Arthur com naturalidade.

"Talvez", respondeu trincando os dentes. Detestava ter que assumir isso para Arthur ou para qualquer um. Involuntariamente, o bruxo sentia seu rosto vermelho, em chamas.

Arthur mantinha sua expressão usual de serenidade e astúcia.

"Não há problema algum, Severus."

Snape meneou a cabeça. A conversa não poderia estar mais constrangedora. Ele queria sair dali o mais rápido possível.

"Minha aparatação continua liberada?"

"Sim, Severus. Aliás, o ponto onde estamos é o único local em Azkaban onde a aparatação é permitida."

"Ótimo. Então, adeus, Arthur! Nós nos veremos amanhã no ministério!", falou e desaparatou.

Continua?

-X-

Comentários da autora: Olá, pessoal! Obrigada por continuarem lendo Hazel! : D

Essa fanfic está ficando grande, não? Nunca pensei que fosse escrever uma fanfic com mais de dez capítulos! Estou chocada comigo mesma. : O

Então... Estou atualizando mensalmente a fanfic por QUATRO meses seguidos. Hahaha... Estou super orgulhosa de mim! ; )

A pergunta mais importante para mim: Vocês estão gostando? O que estão achando? O que gostariam de ler em Hazel? Escrevam no review, pleeeeease! : )

É... Um detalhe, mas esse é o segundo capítulo que não temos uma interação direta Snape x Neville. Contudo, já vou adiantando que no próximo capítulo eles vão se encontrar e... Vai ser legal! x ) Hahaha... Prometo faíscas voando, talvez literalmente... Hahaha... O que vocês gostariam que acontecesse no encontro? E como?

Aproveito para agradecer os reviews do capítulo X! Vocês me deixaram super feliz! Já superei. Acabou a carência. Estou bem, no meu normal. Mas ainda assim eu gostaria muito que vocês conversassem comigo. ; )

Super obrigada a: adenia. souza .5 , Barbara Vitoria , Tonks Fenix , Sandra Longbottom, esidois2 , Eloisae Dinifer Santos.

Agradeço também ao HPorter por ter comentando nos capítulos iniciais. É sempre bom saber que tem gente nova começando a ler Hazel.

Enfim... Vou ficando por aqui! Um feliz Natal para todas e todos! E que 2016 seja um ótimo ano para vocês!

E não esqueçam o review! Beijos!

14/12/15 - 07/02/16 – 05/06/16