Hazel
Capítulo XIII
Escrito por Nevilla F.
Severus estava novamente na arena de duelos. O lugar tinha um teto alto, sem janelas e a iluminação vinha de bolas de vidro luminosas flutuantes próximas ao teto. As paredes eram cinzentas e o chão de madeira pintada de preto. Com a falta de janelas o local seria sufocante, mas o teto alto como em uma catedral dava a impressão de amplidão. Havia alguns equipamentos de treinamento em feitiços, mas Snape havia afastado todos a um canto da arena. Por isso, a maior parte do local estava vazia. Essa era a intenção do professor. Os alunos e ele precisavam de um lugar amplo para duelar e não danificar objetos com feitiços.
Héstia Jones, a chefe da seção de aurores, estava casualmente apoiada na parede, próxima a porta. Severus evitou olhá-la. Será que ela realmente achava que os alunos não iriam vê-la ali?
No momento seguinte, os jovens bruxos e bruxas foram entrando. Muitos deles logo de cara observaram Jones e a cumprimentaram.
"Se aproximem!", ordenou Severus secamente, atraindo a atenção dos estudantes.
Eram apenas oito bruxos e os últimos que entraram foram Weasley, Potter e Longbottom. O trio parou ao identificar o professor. Weasley e Potter olhavam para Neville como se ele tivesse respostas, mas o rapaz se limitou a acenar negativamente com a cabeça. Os três pareciam igualmente confusos.
"Eu mandei os senhores se aproximarem", falou Severus em seu tom letal e suave.
Os bruxos foram formando um círculo em volta do professor. Neville parecia não acreditar no que via. Potter e Weasley trocaram muitos olhares. O maldito Eleito precisou falar com Longbottom para ele recomeçar a andar. Em poucos segundos, todos os bruxos estavam em torno de Snape. O Comensal da Morte reparou que justamente o rapaz de olhos hazel era o que permanecia mais distante dele. O bruxo precisou fingir que aquele distanciamento não o machucava.
Severus olhou em volta. Ele se sentia mais nervoso do que na primeira aula. Talvez por causa de Neville e Potter. O professor passou o olhar em todos os alunos. De fato, havia muitos ex-alunos, apenas duas moças ele não reconheceu.
"Para os que não me conhecem, eu sou Severus Snape e serei o instrutor de duelos dos senhores por um ano."
Enquanto a maioria dos alunos processava a informação, o Eleito estava mais interessado em outra coisa.
"O que aconteceu com o seu rosto, Snape?", indagou Potter com um sorriso de deboche. "Parece um hematoma."
Severus não olhou para o irritante garoto.
"Isso não é da sua conta, Potter. E não volte a me interromper. Como eu estava dizendo, essa disciplina será totalmente prática. Não estou aqui para ensinar os senhores a duelar. Vocês tiveram e tem outras muitas disciplinas com essa finalidade. Aqui, o meu objetivo é avaliar as habilidades dos senhores em combate."
Os jovens bruxos permaneceram em silêncio. Neville estava pálido. O rapaz ficava olhando diversas vezes para o hematoma no olho de Severus.
"Como eu tenho experiência em magia das trevas, a ideia dessa disciplina é testar o talento de um futuro auror contra um bruxo das trevas altamente treinado. Por isso, os senhores duelarão contra mim em todas as aulas."
Snape fez uma pausa para fitar os alunos e depois continuou:
"Vamos realizar um combate a um bruxo hostil. Dessa forma, não teremos padrinhos de duelos. Serão somente os senhores e eu. Além disso, eu também serei o juiz."
"Muito conveniente", sussurrou o filho de Arthur.
Severus olhou para o ruivo com frieza e indagou:
"Quer dizer algo para mim, Weasley?"
"Não, senhor."
"Finalizando, será um duelo com cada aluno por aula. Teremos aula uma vez a cada mês durante um ano. A razão disso é para eu observar, ou não, a evolução dos senhores ao longo dos meses. Eu honestamente espero que haja uma evolução. Porque se os senhores piorarem de um mês para o outro, vocês serão reprovados. E terão outro ano comigo."
Potter sentia uma necessidade urgente de interromper Severus. O jovem bruxo estava inquieto. Havia dado muitos olhares indagadores para Neville, mas esse fingia não notar.
"Você ganhou esse olho roxo em um duelo ou foi em Azkaban, Snape?"
Severus ignorou a pergunta de Potter. Ele continuou falando:
"A avaliação da disciplina será feita da seguinte forma. Quanto mais tempo aguentarem e mais habilidades mostrarem no duelo comigo, maior a nota. Se vocês aguentarem apenas poucos segundos serão reprovados. Caso não apresentem perícia e um conhecimento básico em feitiços e azarações também serão reprovados."
O Eleito não admitia ser ignorado. Ele levantou a mão com ênfase, como se estivesse imitando Hermione Granger. Severus olhou para Potter com profundo desgosto.
"Snape?", chamou Potter com a voz especialmente irônica. "Como devemos chamá-lo? Professor? Instrutor? Talvez... Ex-presidiário?"
O clima pareceu esfriar na arena. E se alguns alunos pareceram achar graça do comentário, tiveram o bom senso de não demonstrar.
"Potter, você sempre nos mostra toda a sua a inteligência com as suas indagações. Eu sou professor dessa disciplina, por isso, devo ser chamado de senhor ou professor. Nada mudou. É como se estivéssemos em Hogwarts, mas agora eu tenho permissão para lançar feitiços em você", terminou com um sorriso maldoso.
Todavia, o maldito salvador do mundo mágico aparentemente não queria calar a boca. O rapaz voltou a falar.
"Er... Snape, digo, professor Snape, o senhor não cogitou algo. Se eu derrotá-lo em um duelo, qual será minha nota? Eu serei dispensado dessa disciplina?"
Severus sorriu enviesado.
"Sua nota não existirá porque te garanto que não tem chance nenhuma disso acontecer."
Weasley ficou vermelho com a resposta do professor e não conseguiu mais ficar quieto.
"Harry derrotou Voldemort!", rosnou Weasley. "Acho que ele consegue dar conta de um dos seus seguidores."
Snape pensou em corrigir o ruivo. Falar que ele era um ex-seguidor do Lorde das Trevas. Todavia, acabou não falando isso. Era melhor para que os jovens futuros aurores continuassem o vendo como um bruxo das trevas em potencial. Severus optou por provocar os garotos. Mas antes de responder, o bruxo olhou para Longbottom. O rapaz estava entre os dois amigos, muito pálido e aparentava estar incapaz de falar. Ele parecia em estado de choque. Os olhos deles se encontraram por um segundo e Neville rapidamente desviou o olhar.
"Na última vez que eu duelei com Potter, presenciei que as habilidades dele são tão precárias quanto a capacidade de raciocínio. Por isso, falo com propriedade de causa quando digo que Harry Potter não tem chance alguma de me vencer em um duelo. Agora, chega de conversa! Vocês todos poderão ver as habilidades do famoso Harry Potter imediatamente. Aproxime-se, Potter. Você será o primeiro a duelar comigo. Os demais fiquem próximos das paredes e usem feitiços de proteção pessoal para não serem atingidos."
Potter não parecia preocupado. Aliás, estava sorrindo com alegria. Parecia satisfeito com o duelo. Antes de se aproximar de Severus, o rapaz apertou rapidamente o ombro de Neville e disse algo para ele.
Ainda sorrindo com malícia, Potter parou em frente à Severus.
"Será divertido, Snape", falou em tom provocativo.
"Será sim, Potter. Te garanto que para mim será muito divertido."
"Você sente prazer duelando comigo, Snape?", indagou com certo tom de luxúria.
"Não, eu sempre soube que seu talento é limitadíssimo. Além disso, você não é importante quanto pensa. Eu sempre disse que as pessoas te dão atenção demais."
Potter olhou discretamente para Héstia, que estava casualmente parada próxima a porta. Severus seguiu seu olhar, mas voltou a encará-lo no segundo seguinte.
"Então... Você ainda está em período de testes, professor?", zombou com a arrogância digna de James Potter.
Severus não se abalou com a pergunta.
"Não, Potter. Héstia está aqui por você. Ela acha que posso acabar te machucando muito. Assim que nosso duelo acabar, ela irá embora. Todos os membros da Ordem da Fênix ainda se preocupam muito com o precioso e delicado Harry Potter. Aliás, agora você está sem o pedaço da alma do Lorde das Trevas, imagino que suas habilidades que antes eram pífias, devem estar muito abaixo do medíocre."
Foi a vez de Severus sorrir com satisfação ao ver receio e raiva perpassarem pelos olhos verdes. Rapidamente, Snape usou Legilimência sem varinha em Potter. O professor sorriu mais amplamente ao conseguir entrar na mente do ex-aluno.
"Ainda não conseguiu aprender Oclumência?"
"Tive um péssimo professor."
"Isso, Potter! Culpe o professor por seu fracasso, sua falta de disciplina e de controle mental."
Potter rosnou e avançou um passo em direção a ele. Severus sorriu enviesado em resposta.
"A provocação", Snape falou em voz alta para que todos os futuros aurores ouvissem. "faz parte de todo duelo. É ideal que os senhores não se deixem atingir pelas palavras do bruxo que irá duelar com vocês. Sentir raiva ou ódio não irá deixar os seus feitiços mais fortes. Ao contrário, a raiva apenas fará a mente de vocês mais fraca, mais susceptível ao ataque, por exemplo, da Legilimência. Dessa forma, aconselho fortemente os bruxos que ainda não dominam a Oclumência, como Potter, a aprender com urgência."
Severus olhou novamente com diversão para o salvador do mundo mágico. Ele estava ruborizado de vergonha.
"Vamos ao duelo, Potter. Pronto?"
"Sim", rosnou.
Antes mesmo que Potter apontasse a varinha para Snape, o professor usou um feitiço doloroso não verbal no rapaz, que recuou vários passos. Severus sorriu satisfeito.
"Precisa ser mais rápido, Potter", falou e, no segundo seguinte, três cobras saíram da varinha de Snape e avançaram, sibilando para o garoto. "Você não é mais capaz de controlar as serpentes, não é Potter? Uma pena. Eu teria cuidado. São venenosas."
O garoto rosnou e recuou muitos passos. Dividia o olhar entre as cobras e Severus. Parecia não conseguir identificar qual dos dois perigos era mais letal. Decidiu por acabar com as cobras primeiro. Potter usou um feitiço não verbal flamejante e os animais foram consumidos pelo fogo. Depois tentou lançar um feitiço com um aceno complicado, mas não produziu efeito.
Snape sorria de um jeito desagradável para Potter.
"Você é muito patético, garoto. Foi esse o feitiço que tentou fazer?", disse e repetiu o floreio complicado com perfeição. Ele transfigurou as cinzas das cobras em um impotente leão. "Transfiguração não é simples, Potter. Então além de não saber Poções, você não também não aprendeu Transfiguração? Por que mesmo você está aqui, tentando ser auror? Ah, sim... Por causa da sorte que você teve... Derrotou o Lorde com pura sort..."
Severus precisou parar de falar. Chamas azuis saíam em círculos da varinha de Potter. Consumiram o leão instantaneamente e estavam indo diretamente na direção de Snape, como um redemoinho de fogo azul. O Comensal da Morte pensou rapidamente nas opções. Achou que seria mais fácil recuar. O professor desaparatou do meio do labirinto de chamas azuis para aparatar atrás de Potter.
O rapaz se virou em tempo de ver o feitiço Petrificus Totalus que o atingiu no peito. Ele acabou caindo, petrificado de costas no chão.
Snape deu alguns passos, estava próximo a cabeça do garoto. Ele pisou na mão em que Potter insistia em segurar a varinha. Como um sádico, Severus esmagava a mão do rapaz com o pé a fim de desarmá-lo.
"Como eu dizia, você derrotou o Lorde das Trevas somente com a sua sorte. Não tem talento ou habilidade. É só um bruxo ruim, porém com as influências certas."
Por trás das lentes grossas, Severus viu os olhos verdes queimarem em fúria. Potter magicamente foi capaz de murmurar algo, mesmo ainda estando petrificado. As chamas azuis tomaram a forma de uma mão e agarraram Snape.
As chamas envolviam e queimavam o corpo do professor. E ainda havia a fumaça e o calor sufocante. Era uma sensação terrível de enclausuramento. Severus ficou contente pelas chamas serem mais brandas e mágicas e não chamas reais, ou ele teria sido carbonizado. O Comensal da Morte rapidamente conjurou um feitiço e jatos de água saíram de sua varinha.
Levou alguns minutos para a água consumir as chamas. Severus arfava pelo esforço. Ele apagou com batidinhas os pequenos focos restantes de chamas em suas vestes. Com o fogo consumido, ele se virou raivoso para Potter. O rapaz ainda jazia no chão, imóvel. Severus pensou em como seria fácil lançar a maldição Cruciatus nele e torturá-lo. Todavia, era uma atitude muito covarde.
"Você tem noção de como foi imprudente, garoto? Você também poderia ter sido pego pelo fogo. Era um ataque suicida?", perguntou enquanto observava o garoto.
Apesar de estar com o rosto paralisado, a expressão de Potter era de prazer. Os olhos verdes encaravam Snape com divertimento.
Severus rosnou. Odiava o garoto! Realmente odiava. O professor tiraria aquele sorriso dele. Ele apontou a varinha para Potter e lançou a maldição Imperius nele. Em seguida desfez o Petrificus Totalus em Potter, liberando seu corpo. Snape mandou o garoto se levantar e entregar a própria varinha para ele. O rapaz prontamente obedeceu.
O professor sorria torto enquanto recebia a varinha de Potter de sua própria mão. A feição do rapaz era colérica, mesmo estando preso ao Imperius.
"Vocês viram? Potter não é tão estúpido quanto parece. Ele reconheceu que sou melhor duelista e me entregou sua varinha em sinal de rendição", falou com prazer sádico. Depois olhou atentamente para Weasley. "Entende agora porque eu disse que Potter nunca me venceria, senhor Weasley?"
Severus sentia Potter lutando ferozmente contra o controle mental da maldição. Sem sucesso.
"Foi derrotado, senhor Potter! Vou te dar um F pelo seu desempenho ridículo. Você precisa melhor muito se quer se livrar dessa disciplina. Sugiro veementemente que se esforce porque se tirar outro F, se não evoluir de uma aula para outra, eu falarei com Héstia para que reveja se ela deseja ter um auror com o nível tão fraco."
Depois, Severus desfez a maldição Imperius e devolveu a varinha para Potter. No segundo seguinte, o garoto avançou nele. Snape não se intimidou.
"Então você vai usar as maldições imperdoáveis contra nós? Você usou Imperius em mim!", vociferou Potter, tomado pela ira.
"Me diga, Potter, com seus amplos conhecimentos, que tipo de feitiços um auror deve esperar de um bruxo das trevas? Expelliarmus?", zombou.
Comarc McLaggen riu sonoramente, mas Potter não respondeu. O rapaz parecia derrotado e humilhado. Por isso não retrucou, foi andando até perto dos amigos.
Severus usou em feitiço em si mesmo para tratar as queimaduras e limpar a fuligem de seu corpo e vestes. Depois, olhou para os outros alunos. Ele sorriu enviesado ao ver que todos pareciam receosos. Ninguém desejava ser o próximo. Até o leal escudeiro de Potter estava olhando para os próprios pés. O único que o encarava era Neville. Sua postura não estava totalmente firme, contudo, ele não parecia tão assustado quanto os demais.
"Longbottom, você será o próximo. Com pais aurores, eu espero que você seja tão habilidoso quanto Frank e Alice Longbottom."
Mesmo a distância, Snape viu Neville ficar pálido para logo em seguida respirar fundo. Ele tirou a varinha do bolso e caminhou em direção a Severus.
O professor sentiu seu coração acelerando gradativamente a cada passo que Longbottom dava em sua direção. Era muito bom ver o rapaz de tão perto.
Ele parou quando chegou na mesma posição onde estivera Potter. Longbottom ficou olhando para Severus, sem saber como agir. Snape notou que o garoto estivera olhando seu hematoma desde que chegou a arena. Ele estava sentindo remorso? Ou receio?
"Pronto, Longbottom?"
"Sim, senhor."
O Comensal da Morte deu um passo na direção dele. Neville recuou quatro passos na direção oposta. Severus se lembrou do menino apavorado que costumava ter em suas aulas. Teria que provocá-lo, despertar sua ira. Isso sempre funcionava com os alunos de Gryffindor.
"Ficar parado olhando para um bruxo das trevas é um jeito bem estúpido de morrer, Longbottom."
McLaggen riu alto novamente. Neville também deve ter ouvido o riso do rapaz já que franziu a testa. O garoto parecia meio atônito.
Potter, ainda colérico com Snape, berrou:
"Você enfrentou Voldemort pessoalmente, Neville! Snape é um aborto comparado a ele! Acaba com ele!"
Severus primeiro lançou um feitiço de proteção em si mesmo, caso Neville resolvesse atacá-lo. Depois se virou para Potter.
"Eu sou o quê, senhor Potter?", rosnou e lançou uma azaração ferreteante no rapaz. "Não admito desrespeito na minha sala de aula, nem do Eleito. Vou reportar isso na sua ficha de avaliação, Potter."
Neville olhou para o rapaz e depois voltou sua atenção para Severus.
"Podemos enfim começar esse duelo, Longbottom?", provocou. "Ou precisa de mais alguns minutos?"
O rapaz inflou o peito. Apontou a varinha para Snape e recitou um feitiço:
"Estu..."
"Não!", falou Severus. Com um feitiço do Comensal da Morte a varinha de Neville voou de sua mão, fez um arco e caiu no chão. "Nem pense em usar feitiços verbais em um duelo."
Longbottom fechou os olhos por alguns segundos. Parecia já estar derrotado. Depois ergueu o rosto e indagou:
"Acabamos, professor? Estou sem varinha, eu perdi."
"Não!", rosnou Severus. O bruxo estava irado com a falta de pró-atividade do rapaz. "Nem começamos, Longbottom. Pegue a sua varinha e vamos tentar de novo. E dessa vez, sem feitiços verbais. Esse conselho serve para todos vocês", falou se dirigindo aos futuros aurores. "Somente bruxos imbecis usam feitiços verbais em duelos."
Longbottom ergueu o queixo e foi até a sua varinha, mostrando muita dignidade após ser chamado de imbecil. Ele pegou a varinha e voltou para sua posição original, em frente à Snape. Com os olhos hazel brilhando em fúria, Neville lançou três feitiços não verbais na direção do professor.
Snape bloqueou os feitiços sem mostrar muito esforço.
"É só isso? Alice Longbottom era melhor duelista quando tinha menos idade do que você", provocou.
Severus viu Neville fazer um esforço físico para não demonstrar sentimentos. Mas o rosto do rapaz se tornou um tom mais pálido. Ele inspirou com força e no segundo seguinte tinha desaparatado e aparatado nas costas do Comensal da Morte. Depois lançou dois feitiços cortantes em direção ao braço que Severus segurava a varinha.
Snape não conseguiu bloqueá-los e sentiu dois cortes em seu braço direito. A manga de sua veste danificada com os dois rasgos paralelos. O sangue já brotando das feridas pingava no assoalho.
"Você quer vencer esse duelo assim? Você não está se esforçando!", acusou o professor, furioso. "Achou mesmo que eu soltaria a minha varinha por causa de alguns cortes?"
Severus conjurou um feitiço certeiro no joelho direito do rapaz, o fazendo cair. Em seguida, lançou outro feitiço convocatório na varinha de Neville.
"PROTEGO!", berrou Longbottom.
A varinha tinha escapulido levemente da mão do rapaz, mas Neville conseguiu agarrá-la no ar.
"O que foi que eu falei sobre feitiços verbais, Longbottom?", rosnou.
Neville havia levantado e sua postura era diferente. Ele parecia feroz.
"Lamento. Um duelo com um bruxo das trevas pede medidas desesperadas. Se eu não tivesse usado o feitiço verbal eu teria perdido o duelo."
Severus riu com desdém.
"Teria perdido o duelo?"
Os olhos hazel cintilaram. Longbottom correu até ele, disparando vários feitiços dolorosos na direção de Snape.
Severus recuou enquanto se protegia das azarações do rapaz. Não entendia porquê ele continuava avançando até ele. Não era uma boa estratégia forçar um duelo a uma curta distância entre os bruxos.
Alguns dos muitos feitiços de Neville ocasionalmente não eram bloqueados a tempo e Severus sentia dor ou cortes pelo corpo. Mas nada muito intenso ou insuportável. Eles ficaram assim, com Longbottom atacando e Snape defendendo por alguns segundos.
Agora Neville já estava próximo de Severus. O Comensal da Morte conseguia sentir seu perfume. Ao inspirar profundamente se distraiu e imediatamente entendeu que essa era a intenção do rapaz. Distraí-lo. Longbottom lançou um feitiço estuporante não verbal que seria certeiro se Snape não tivesse se abaixado. Severus olhou com admiração para Neville ao se erguer. O rapaz deu mais alguns passos até ele e tentou puxar a varinha da mão de Snape.
A admiração que Severus sentiu antes se transformou em decepção. Quanta infantilidade! Tirar a varinha de um bruxo manualmente? Era ridículo! O professor conseguiu lançar um feitiço no garoto mesmo com ele segurando sua varinha. Usou o mesmo feitiço que havia usado em William Weasley. Ele viu Neville cair do chão e se contorcer enquanto uma corrente elétrica dolorosa percorria seu corpo. Em seguida, Snape chutou a varinha do rapaz e a recolheu, finalizando o duelo.
Snape achou que Longbottom o estava olhando com uma expressão traída, mas poderia ser apenas a dor perpassando seu rosto por conta do choque elétrico. Severus se virou para os demais alunos.
"Senhores, como acabaram de presenciar, tentar pegar a varinha de um bruxo manualmente é algo tolo e infantil. Não façam isso. Também não aconselho a se aproximarem demais de seu oponente, como Longbottom fez, isso dá menos chance para fugas."
"E... Que... Outra... Chance eu... Tinha de... Te... Desarmar, senhor?", questionou Neville ainda no chão.
"Que tal usando feitiços?"
Mesmo estirando no chão, Longbottom revirou os olhos. Ele havia parado de se contorcer.
"Ganhou um F também, Longbottom. Agora se levante, pegue sua varinha e fique com os demais."
Neville não disse nada. Se levantou com elegância e foi até Severus recuperar sua varinha. Ele parou a uma distância razoavelmente longa e ergueu o braço, esperando Snape jogar a varinha para ele.
O Comensal da Morte acenou para que Longbottom se aproximasse.
Meio cabisbaixo, Longbottom foi até ele. Parecia dividido entre a vergonha da derrota e o orgulho de não parecer fraco para Severus.
"Eu gostaria de conversar com você depois dessa aula", murmurou Snape para somente o rapaz ouvir.
Neville franziu o rosto, se esforçando para não demonstrar suas emoções.
"Minha varinha, professor", pediu.
"Você me ouviu?"
"Sim, senhor", falou com a cabeça erguida. Ele esticou o braço, esperando a varinha.
Severus devolveu a varinha para o rapaz. O bruxo parecia abalado com a frieza e indiferença de Neville. O garoto já tinha virado e estava se afastando assustadoramente ligeiro.
Snape piscou e se recompôs. A última coisa que precisava era afetar seu psicológico em uma arena de duelos. Ainda tinham mais seis jovens para duelar com ele. Severus lançou um feitiço rápido em si mesmo para tratar os danos físicos que Longbottom tinha feito nele. Já com a máscara de impassibilidade, ele se virou para o restante da turma.
"Weasley! Você é o próximo!"
Continua?
Notas da autora: Olá, pessoas! Obrigada por continuarem acompanhando Hazel! : )
Que mês trágico, não? Ainda não consegui aceitar totalmente a perda do nosso Alan. : ' (
Enfim... Obrigada imensamente as pessoas lindas e maravilhosas que deixaram reviews no outro capítulo: Amanda Mara, yunob , Guest (eu que agradeço! ; ), Lizzy Collins, Barbara Vitoria, Tonks Fenix e Sandra Longbottom.
Fiquei super satisfeita que vocês apoiaram os socos no Snape. Eu achei que estava sendo muito dramática. Que bom que me enganei!
Gostaram desse capítulo? Do que gostaram? Do que não gostaram (é sempre bom saber)?
Dois capítulos em um mês, eu mereço um review, não? : /
Eu amo Snarry, acho que isso não é exatamente uma novidade visto que das minhas 19 fanfics, 6 são Snarry. Enfim... Eu adoro escrever confrontos entre Snape e Harry. Mas nessa fanfic é tão estranho... Hahaha... Como assim eu não vou escrever que depois de tantos feitiços o Harry não vai agarrar o Snape? Ou o contrário? As mãos até coçam para digitar algo assim... Mas não fiz ou farei, obviamente. Nessa fanfic é só Snape e Neville. Só um desabafo, gente. Desconsiderem.
Até o próximo capítulo! ; *
28/01/16 - 1/03/16
