Hazel
Capítulo XIV
Escrito por Nevilla F.
Snape derrotou os demais alunos com rapidez e facilidade. Todos receberam F porque todos mereciam receber F. Eles precisavam desejar, estudar e praticar para melhorarem. Afinal, a aula era justamente para ver a evolução nas técnicas de combate dos futuros aurores. E talvez, apenas talvez, Severus quisesse se livrar de todos aqueles alunos rapidamente para poder ficar a sós com Longbottom. Desejava tanto isso que sentia seu coração acelerar.
Além disso, o professor estava dolorido. Havia lançado muitos feitiços, mas havia recebido o triplo. Seu corpo todo doía pelo esforço físico, além do esforço mental. Sua cabeça e os músculos estavam exaustos. Snape pensou que não sobreviveria se tivesse que praticar duelos todos os dias. Ele morreria com o esforço. Talvez essa fosse a intenção de Héstia e do ministério da magia: eliminá-lo e fazer parecer um acidente.
Droga! Por que diabos havia aceitado esse emprego? Severus olhou para Neville Longbottom e visualizou o motivo. Ele!, refletiu.
"Vocês estão liberados por hoje. Estudem e pratiquem feitiços, vocês todos precisam. A nossa próxima aula é no mês que vem."
Severus foi acompanhando os bruxos com o olhar. Todos foram caminhando apressados em direção à porta, incluindo Neville. Corrigindo, Longbottom correu como se estivesse sendo perseguido pela própria morte. Ele ultrapassou os colegas e foi o primeiro a sair da arena.
Snape passou a mão pelos cabelos. Estava decepcionado, mas entendia o rapaz. Ele merecia isso, não? O desprezo de Neville. Um desprezo que fazia sua alma doer.
O professor definitivamente não era bom em relacionamentos. Não sabia nem como consertar a situação que criou. Teria que pedir desculpas para o rapaz? Maldição! Odiava ter que se desculpar. Ou talvez Neville só precisasse esmurrá-lo mais algumas vezes. Severus não se importava com a dor física desde que Longbottom parasse de desprezá-lo. Snape fechou os olhos por alguns segundos. Pensar em Neville fazia seu corpo e mente doerem em sincronia.
O Comensal da Morte precisava refletir sobre outra coisa, seu diário de aula. Snape abriu os olhos e retirou o pergaminho do bolso para começar a escrever suas observações sobre os duelos e os alunos. Ele rosnou já com a primeira pergunta: Qual auror em treinamento apresentou mais perícia? Ele não admitiria nunca para o garoto, mas Potter quase o havia matado. O rapaz havia sido o melhor duelista do dia. Severus amaldiçoou novamente. Ele teria que escrever isso no diário de aula.
Enquanto refletia sobre Potter e Neville, ele notou que não estava sozinho na arena. Havia alguém caminhando lentamente até ele. O professor olhou com curiosidade para... O Eleito. Snape revirou os olhos antes de se dirigir ao rapaz.
"Posso fazer algo por você, Potter?"
O rapaz sorriu displicentemente para ele. Tão irritante!
"Foi um bom duelo, Snape. Acho que eu fui o melhor, não? Fui melhor que McLaggen com certeza."
Severus olhou para o rapaz com zombaria.
"Você achou? Gostou de como usei a maldição Imperius tão facilmente na sua mente fraca?"
Potter ainda tinha um sorriso zombeteiro no rosto.
"Eu quase te venci. Eu fui o único que quase te venceu."
Severus cruzou os braços e sorriu com ironia.
"Esse quase poderia ter te levado à morte se estivéssemos em um duelo de verdade."
"Então, professor", falou e disse a última palavra com o máximo de ironia que conseguiu colocar. "Você acha que no próximo mês eu já consigo te vencer? Ou essa é uma dessas disciplinas em que o objetivo é não vencer o professor?"
Snape lançou um olhar gelado para ele. Depois respondeu em um tom glacial:
"Se você realmente pensa que eu não quero ser superado por vocês, você não tem ideia do tipo de professor que eu sou. Todo bom mestre é superado por seus alunos talentosos."
O sorriso debochado de Potter se ampliou.
"Eu sei que tipo de professor você é, Snape. E é justamente por isso que acho que fará de tudo para não ser superado."
A conversa já havia sido encerrada para Severus.
"Você não tem mais o que fazer, garoto?"
"Tenho sim. Vim conversar com você."
"Nós não temos o quê conversar, Potter. Não me faça perder o meu precioso tempo. Diferente de você, eu tenho muitas coisas para você."
"Não, Snape. Talvez eu possa fazer algo por você."
"É mesmo?"
Potter lançou um feitiço em direção à porta. Snape estava meio aturdido por todos os feitiços que recebeu e, por isso, não identificou que o garoto havia lançado o Abaffito na porta. E por não saber qual azaração havia sido lançada, Severus ficou nervoso. O garoto estava prendendo os dois ali? O maldito Eleito já queria mais um duelo? Ou era só mais um ex-aluno que queria esmurrá-lo?
"O que pensa que está fazendo, Potter?"
"Evitando que sejamos ouvidos."
Severus não estava com paciência para Potter. Aliás, nunca teve paciência para o rapaz.
"Nós não temos o quê conversar", repetiu com irritação.
"Snape", falou e não havia a usual agressividade dos tempos de Hogwarts. "Eu nunca te agradeci apropriadamente pela ajuda que você me deu."
Snape recuou dois passos para longe do garoto. Não entendia aonde aquela conversa podia chegar, mas não queria descobrir. Não queria nem imaginar aonde aquilo poderia dar.
"Não foi por você, garoto. Não há nada para agradecer. Vá embora!", mandou.
"Eu sei, Snape. Foi pela minha mãe, porém ainda assim eu agradeço. Assim como também não é por você que eu vou te dizer isso" , falou e fez uma pausa dramática. "Se esse seu coração duro funciona, você podia ir conversar com o Neville. Ele ficou realmente triste com a sua prisão. Neville também ficou doido de preocupação quando soube que você foi agredido em Azkaban. Ele gosta mesmo de você... Então... Por que você não substitui a pedra que tem no peito e a transforma em um coração? Eu duvido muito que outra pessoa no mundo seja capaz de te amar como Neville te ama e..."
"Chega! Chega! Saia já daqui!", gritou.
"Estamos conversando civilizadamente."
"A conversa acabou, garoto! Eu não preciso de conselhos amorosos seus, Potter. Nunca te dei essa liberdade e nunca darei. Agora saia daqui antes que eu resolva puxar minha varinha."
"A conversa acabou por enquanto, Snape", afirmou Potter com convicção. Em seguida seguiu para fora da arena, deixando Severus sozinho.
Severus ficou levemente satisfeito e tranquilo com o quê Potter falou para ele. O professor concluiu que Neville só estava muito magoado... Por isso deu os socos e o estava desprezando. Longbottom ainda sentia algo por Snape.
Preciso ir atrás dele, refletiu. Onde será que ele irá? Para casa ou para aquele pub que ele tanto falava? Eu ainda tenho o endereço no papel que ele me entregou.
Snape então se lembrou de algo. Ao lado da arena haviam vestiários. Talvez Longbottom estivesse ali do seu lado, tomando banho ou trocando de roupa. Severus se encaminhou rapidamente para lá.
Severus ficou esperando por Neville do lado de fora do vestiário masculino. Ele não entrou porque sabia que estaria repleto de alunos e ele não queria fazer uma cena na frente deles. Após alguns minutos o professor viu alguns dos futuros aurores saírem de lá. McLaggen sorriu com malícia para ele. Snape ignorou o garoto. Era tão arrogante como Potter! E devia estar ali, no ministério da magia, só pelas suas fortes influências. Mais um troféu para o clube do Slug, pensou com deboche.
Após quinze minutos, Snape não aguentava mais de impaciência. Talvez Longbottom não estivesse ali e por isso não sairia nunca. Portanto, ele precisava confirmar se o rapaz estava lá ou não.
Severus entrou e não ficou surpreso ao encontrar o trio ali. Neville estava vestido e ajeitava o cabelo molhado em frente ao espelho. Weasley, também vestido, estava sentado em um banco de madeira e parecia impaciente. Potter havia acabado de sair de um chuveiro e estava com uma toalha enrolada na cintura.
Assim que entrou, Potter o olhou como se não acreditasse no que via. Ele pegou rapidamente o óculos e o colocou. Parecia querer ter certeza do que estava vendo.
"Professor Snape!", disse alto e olhando para Longbottom, que não tinha se virado na direção da porta.
Weasley pulou no banco e fitou, horrorizado, a porta. Neville olhou rapidamente para Severus, mas voltou sua atenção para seu cabelo. O garoto estava espalhando gel para deixar o cabelo arrepiado.
"Eu tinha certeza que iria vê-lo novamente, Snape", comentou Potter com displicência. Depois, tirou a toalha e vestiu uma cueca, sem pudor com a sua nudez exposta ao professor. Parecia até achar graça de se mostrar para Severus.
Todavia, por mais que Potter estivesse seminu e tagarelando, Snape não olhava para ele. Sua atenção total era em Neville. O Comensal da Morte deu passos incertos até Longbottom.
O Eleito voltou a falar.
"Você deveria tirar esse hematoma da cara, Snape. Não pega bem um instrutor de duelos com hematomas, ainda mais no rosto. Acho... Não, tenho certeza que você se apegou a esse hematoma. Por que?", indagava com deboche enquanto terminava de se vestir.
Pelo espelho, Neville viu a aproximação de Severus. O professor gostou de ver que ele não se intimidou. Ao contrário, cruzou os braços no peito e se virou em direção a ele. Parecia esperar outro duelo. E pela feição irritada no rosto de Longbottom, Snape estava esperando que o rapaz fosse esmurrá-lo novamente.
"Potter e Weasley, vocês podem ir andando."
"E deixar Neville sozinho com você?", zombou Potter como se a ideia fosse horripilante.
"Saiam agora!", rosnou.
"O senhor não pode nos expulsar!", disse Weasley, indignado.
Severus sacou a varinha.
"Quer apostar que eu posso?"
Weasley aparentemente não gostou, porque estava puxando a sua varinha. Todavia, um Potter vestido e sensato colocou a mão no ombro dele e disse:
"Vamos. Já que Snape nos pediu tão carinhosamente vamos dar privacidade para o casal."
Weasley continuou olhando feio para Severus, mas se levantou e guardou a varinha. Potter e Weasley caminhavam juntos para fora do vestiário. O ruivo já tinha saído quando o Eleito se virou para Longbottom.
"Se precisar de alguma ajuda, vou estar te esperando do lado de fora, Neville."
"É muita audácia, Potter!", murmurou em seu tom letal, mas a porta já tinha sido batida. Severus pegou a varinha e lançou dois feitiços na porta. Um para lacrá-la e outro para impedir que fossem ouvidos do outro lado. Contudo, a julgar pela feição aborrecida em Longbottom a conversa seria muito curta. Ou terminaria em mais socos.
"O que você quer, professor?", questionou Neville com frieza.
A palavra professor doeu como outro golpe em seu rosto. Snape dignamente não deixou transparecer e falou:
"Só conversar um pou..."
"Quando você saiu de Azkaban?", perguntou Longbottom o interrompendo.
"Ontem."
"E por que não me procurou ontem?", indagou com agressividade.
"É... Complicado, Neville."
Longbottom balançou a cabeça.
"Sabe de uma coisa? Eu não quero conversar com você."
"Então apenas me escute", ordenou.
O rapaz começou a caminhar em direção a porta. Snape se controlou para não agarrar seu pulso e forçá-lo a parar e escutá-lo Então ele apenas ficou olhando enquanto Longbottom passava por ele. E fingiu que não sentiu dor quando Neville nem ao menos olhou em seu rosto.
"Você tem razão em estar irado comigo, Neville. Mas ao menos enxerga que eu estou tentando fazer isso entre nós dar certo? Que estou tentando reparar meus erros?"
"O senhor não teria que reparar nada se não tivesse fugido de mim!", gritou Longbottom e fez uma pausa. Parecia ter percebido que tinha sido agressivo. Severus viu o rapaz respirar fundo algumas vezes. "Eu não estou dizendo não, ok? Só estou falando que nesse momento não estou preparado para ter uma conversa civilizada com você."
"É porque você está muito irritado comigo?"
"Depois conversamos, professor."
"Pare de me chamar de professor!", mandou Severus.
Os olhos hazel brilhavam de raiva ao fitá-lo.
"É meu professor novamente. Devo tratá-lo com respeito."
Neville se virou e apontou a varinha para a porta. Com um feitiço, a porta abriu. O rapaz caminhou até lá.
"E eu não vou me desculpar pelos socos, professor", disse Longbottom e saiu do vestiário.
Severus ficou no vestiário sozinho. Ele pensou alguns minutos e concluiu que não foi tão ruim quanto ele pensou que seria. Ao menos Neville não o tinha socado de novo.
Ao longo da primeira semana de trabalho de Snape parecia que o destino estava conspirando a seu favor. Ele se encontrava, casualmente, ao menos uma vez por dia com Neville. Nos elevadores, no átrio, nos vestiários e até o quartel-general. Parecia mesmo o destino. Contudo, Severus achou melhor dar espaço ao rapaz e não sufocá-lo.
Em todas as ocasiões Longbottom era frio e distante. Snape chegou a conclusão que o rapaz precisou criar barreiras para se proteger dele. Neville sempre o chamava de professor ou senhor e sempre aparentava certo grau de hostilidade.
Em todos os encontros, Severus indagava se ele estava pronto para uma conversa. Neville negou durante a semana inteira. Somente na sexta-feira a tarde, após Severus terminar os duelos com a sua última turma de aurores, Neville cedeu.
Assim que saiu da arena, Snape se dirigiu ao vestiário. Acabou ferindo um dos alunos no último duelo e o sangue do rapaz espirrou em seu braço. O professor já tinha retirado o sangue com feitiços, mas sentia uma necessidade psicológica de se lavar.
Severus entrou no vestiário e notou os rapazes pararem de fazer o que estavam fazendo e olhá-lo. Por isso Snape odiava usar o vestiário. Ele sempre notava que causava um mal estar nos outros bruxos.
Ele ignorou isso e foi até a pia mais próxima para se lavar. Quando ergueu o olhar encontrou Neville em frente ao espelho. Parecia estar arrumando o cabelo, de novo. Snape sorriu enviesado. Não lembrava do rapaz ser assim tão vaidoso.
"Olá, Neville!", falou enquanto abria a torneira e lavava as mãos.
"Oi, professor", disse e depois pausou. "Está me perseguindo?", indagou com zombaria, mas não hostilidade. Era um belo avanço.
Severus sorriu enviesado. Pegou folhas de papel e enxugou as mãos.
"Não sou do tipo perseguidor, menino", falou e fez uma pausa. "A não ser que isso te agrade. Aí eu posso mudar e começar a te perseguir."
Longbottom se virou para ele. Snape ficou satisfeito ao não ver indiferença no rosto do rapaz.
"Não zombe de mim", pediu Neville.
"Você quer conversar hoje?"
Severus precisou esperar quase um minuto inteiro até Longbottom responder.
"Sim."
"Quer ir para minha casa?"
"Não. Vamos conversar aqui."
Snape não ficou totalmente satisfeito. Mas era um grande progresso. Ele olhou em volta. Os futuros aurores se apressavam para ir embora do vestiário. Em poucos minutos, Severus e Neville estavam sozinhos. O bruxo mais velho lançou feitiços em direção à porta. Um para bloquear a entrada de outros bruxos e outro para impermeabilizar os sons. Depois, se virou até Longbottom. Apesar de querer conversar com o rapaz, não seria uma fácil conversa.
Ao se ver ali sozinho com Snape, Neville se sentiu desamparado. Havia desejado tanto estar a sós com Severus. Mas agora era diferente. Longbottom estava ferido. E ele tinha receio de ser rejeitado. Ou de que Snape só quisesse ficar a sós com ele para se vingar dos socos.
O medo era paralisante. Neville permaneceu parado, esperando alguma coisa acontecer. Ele fitou os próprios pés por longos minutos. Não aguentando mais o silêncio, ele ergueu a cabeça e viu que Severus o observava. A feição do professor parecia irreconhecível, estava menos irritada e tensa. Levemente terna.
Longbottom desviou o olhar. Não esperava por isso. Olhando para a parede, ele indagou em tom formal e profissional:
"O que o senhor quer falar comigo? Já disse que não vou pedir desculpas pelos socos."
O rapaz olhou para o professor. Sua feição tinha se modificado. Severus olhava para ele de um jeito indecifrável, mas não aparentava frieza. Neville trincou os dentes de frustração. Odiava não conseguir captar nada na feição de Snape.
"Você ainda deseja me agredir, menino? Não somente física como verbalmente?"
Neville cruzou os braços mais fortemente, tentando se proteger inconscientemente. Antes ele achava que Severus o chamava de menino de um jeito afetuoso. Agora só o irritava.
"O que você quer de mim, professor? Não queria conversar?"
"Sim... Eu não tomarei muito de seu tempo."
"Que tipo de conversa, professor?"
"Quero falar sobre nós, Neville. E venho te pedindo ao longo da semana para parar de me chamar de professor."
Longbottom o fitou em silêncio, esperando que ele falasse. Snape parecia inquieto. Ele caminhava de um lado para o outro, incapaz de permanecer parado. Contudo, seu olhar estava constantemente em cima de Neville. Se passaram mais longos minutos com os dois em silêncio. Mas a falta de sons incomodava Longbottom.
"Se quer mesmo falar sobre nós, então o senhor... Não, você pode começar se explicando para mim. O que aconteceu naquela noite? No Natal quando você voltou para Azkaban, o que houve?"
Severus parou e fixou o olhar em Neville. O rapaz sentiu um arrepio descer pelo corpo. Aqueles olhos negros tão intensos faziam seu coração disparar.
"Eu fui um idiota e um... Covarde. Fui muito covarde, Neville."
Longbottom olhou como um tolo para o bruxo. Snape era o homem mais corajoso que ele conhecia e estava chamando a si próprio de covarde?
Severus continuou encarando o rapaz. Os olhos pretos não aparentavam qualquer hostilidade e aparentavam gentileza. Neville sentiu seu coração pulsar loucamente. O jovem bruxo estava percebendo o quanto gostava daquele homem, apesar de tudo. Apesar do quanto Snape o fez e o fazia sofrer.
"Fui um covarde", repetiu Severus. "Escolhi o caminho mais fácil. Preferi me afastar de você, fugir de você. Optei por evitar um confronto."
"Você poderia ter apenas aparatado em um lugar longe de mim. Por que violar a sua pena? Por que ir para Azkaban?"
Snape sorriu com tristeza.
"Eu precisava sofrer", respondeu com honestidade. "Senti muito remorso por ter tido relações com você."
"Por que?", indagou Neville novamente. "Eu sou tão ruim de cama assim?", zombou.
Severus ficou em silêncio. Longbottom resolveu atacá-lo.
"E por que você sentiu remorso se nem gosta de mim. Eu me lembro de suas palavras. Me disse com clareza que só estávamos tendo relações físicas", Neville falou com um desconhecido prazer sádico. Talvez Snape tivesse razão e Longbottom realmente desejasse feri-lo verbalmente.
Todavia, o prazer que sentia se extinguiu ao ver a feição de ira no rosto de Severus.
"Em nenhum momento eu disse que desgostava de você, Longbottom!", cuspiu as palavras com agressividade.
Neville precisou de alguns segundos para entender o significado daquelas palavras.
"Você... Você quer dizer que gosta de mim? Você tem sentimentos por mim?"
Longbottom viu algo como terror perpassar os olhos negros.
"Eu...", murmurou Snape e fez uma longa pausa. "Talvez...", sussurrou a resposta.
O rapaz sorriu amplamente. Para Severus Snape aquele sussurro equivalia a uma longa declaração de amor.
"Vem aqui. Apesar de tudo eu quero muito te beijar agora."
Severus olhou com expectativa para ele.
"Você está me perdoando, Neville? Por tudo o que te fiz? Por todo o sofrimento?"
"Não! Definitivamente não. Severus, se você quiser ser meu namorado ou apenas ter relações físicas comigo, você terá que me reconquistar."
Snape estava com sua usual feição debochada.
"Reconquistar?", repetiu com um sorriso torto.
"Sim. Eu já rastejei por você e você estragou tudo. Agora é a sua vez de correr atrás de mim."
Severus ainda sorria com escárnio. Pela primeira vez desde que estavam a sós, ele aparentava uma plena tranquilidade. Neville, então, notou que o professor estivera tenso desde que os dois ficaram sozinhos no vestiário. Estava com medo de mim?, refletiu.
"Você estava com medo de mim? Medo de ser rejeitado? Responda com sinceridade."
"Sim."
"Sim, porque...", encorajou Neville.
Longbottom viu Snape respirar fundo antes de falar.
"Sim, Neville, eu tinha medo de ser rejeitado porque eu... Eu... Eu gosto de você, um rapaz que tem metade da minha idade. E é idolatrado por toda uma comunidade mágica. É excepcionalmente corajoso e definitivamente o homem mais atraente que eu já vi."
"Diz de novo. Diz...", implorou.
A feição de Severus estava serena, apesar de ter traços de escárnio. Porém, Longbottom não precisou falar qual parte da declaração era para ser repetida. O Comensal da Morte sabia.
"Eu gosto de você, Neville Longbottom."
O rapaz fungou. Sentia seus olhos marejados.
"Vem aqui", mandou.
"Quer me esmurrar mais uma vez?", provocou Snape.
Neville sorriu.
"Ainda não. Talvez mais tarde. Agora eu quero que você me beije."
"Só um último esclarecimento. Você não virá até mim, menino?"
"Não."
"Porque eu tenho que te reconquistar?"
"Sim."
"Você está rindo e chorando ao mesmo tempo somente porque eu disse que gosto de você. E você me diz que eu preciso te reconquistar", escarneceu.
"Não é meu amor que você tem que reconquistar. É minha confiança, minha lealdade, meu respeito..."
Snape assentiu com a cabeça e no segundo seguinte aparatou na frente de Longbottom.
Neville estremeceu ao ver o Comensal da Morte na frente dele. Os olhos tão negros como petróleo, o nariz grande e adunco e os lábios rosados finos. Longbottom engoliu em seco. Realmente amava o bruxo.
"Diga que sentiu minha falta", ordenou.
Severus sorriu enviesado, mas obedeceu.
"Eu senti muito a sua falta, Neville", afirmou para em seguida questionar: "Posso te beijar agora?"
"Sim."
Neville sentiu-se como na primeira vez que havia beijado Severus. Ele havia sentido saudades daqueles lábios e língua exigente. Snape segurou sua nuca com ambas as mãos como se não quisesse liberá-lo tão cedo. Eles se beijaram longamente.
Sem deixar de beijá-lo, uma mão de Severus continuou firmemente segura na nuca de Neville enquanto a outra descia por suas costas, aproximando os corpos. Longbottom gemeu alto com o maior contato. Em seguida Snape finalizou o beijo, mas não se afastou. O Comensal da Morte sorriu despreocupadamente para ele. O rapaz retribuiu o sorriso, sentindo sua pulsação acelerar.
Longbottom sentiu Snape morder o lóbulo da sua orelha e em seguida começar a chupar a pele sensível. Inquieto, o rapaz se remexia e arfava. Severus agora mordiscava o pescoço de Neville, ao mesmo tempo em que colocava o joelho entre as coxas de Neville, as abrindo. O rapaz gemeu. Realmente desejava continuar, mas era muito cedo. As feridas ainda pareciam não cicatrizadas.
Snape devia ter pensando o mesmo porque no segundo seguinte ele já havia se afastado. E já estava totalmente recomposto enquanto passava a mão pelos lábios avermelhados. Neville olhou para Severus como se ele tivesse roubado o seu mais precioso doce. Por que havia se afastado tão rapidamente?, pensou o rapaz enquanto observava o professor.
"Te reconquistar, você disse?", indagou Severus com certo deboche. Depois deu um sorriso mais do que provocativo e falou: "Acho que não será muito difícil, Neville."
Severus, ainda com um sorriso debochado no rosto, saiu do vestiário, deixando Longbottom sozinho. O rapaz passou a mão pelos próprios lábios e pescoço e em seguida sorriu. Ele sentiu uma felicidade como há muito não sentia.
Continua?
Comentários: Serei super sucinta. Obrigada por lerem Hazel e super obrigadas as caridosas almas que comentam: Sandra Longbottom, Lizzy Collins, Barbara Vitoria, Ia-Chan, Ana Scully Rickman e Tina Granger1 .
E vou tentar estimular que novas almas caridosas também comentem. Deixa um review, por favor! ; )
O que vocês acharam do capítulo? Gostaram? Sim? Não? Por que?
23.02.16
