Um comentário inicial: Hazel chegou ao Capítulo XV! E com mais de 70.000 mil palavras! Se alguém um dia alguém me dissesse que eu escreveria uma fanfic tãaaaao longa assim eu teria escarnecido e ridicularizado. Não acredito que estamos tãaaaaao longe! Só posso agradecer as pessoas que acompanham, torcem e se envolvem com a história. Obrigada! : D


Hazel

Capítulo XV

Escrito por Nevilla F.

Era sábado de manhã e Neville Longbottom estava feliz enrolado no edredom enquanto roncava em sua cama. Contudo, ao ouvir barulhos vindos da porta da casa ele abriu os olhos. Neville piscou algumas vezes, tentando entender se estava despertando ou apenas sonhando. Os barulhos irritantes de batidas na madeira persistiam. Não era um sonho.

O Sol entrava pela cortina parcialmente aberta. Ainda agarrado ao edredom, Longbottom preferiu evitar a claridade, se virando na direção oposta. Ele consultou o relógio e eram dez da manhã. Ainda era muito cedo para se acordar no final de semana!, pensou se lamuriando.

As batidas continuaram. Havia alguém esmurrando a sua porta. O rapaz bocejou. Neville soltou o edredom e se levantou da cama, em seguida se espreguiçou preguiçosamente. Vestindo apenas um pijama infantil com diversas estampas de estrelinhas, ele julgou mais prudente colocar um roupão por cima. Depois, pegou sua varinha, saiu do quarto e foi andando devagar até o corredor para seguidamente descer as escadas até a sala. Após tropeçar e quase cair nos degraus, Longbottom percebeu que era mais seguro aparatar direto na porta.

Neville bocejou mais uma vez antes de abrir a porta.

Ao ver Severus Snape segurando sacolas de papel cheias de compras com alimentos em sua porta, o rapaz piscou mais algumas vezes. Era um delírio? Um sonho? Talvez uma alucinação?

"Olá, Neville!", Severus cumprimentou. Logo depois fez uma pausa onde o professor o olhou de cima a baixo. "Você estava dormindo até agora?", perguntou em um tom familiar de deboche.

Longbottom olhava para Severus sem entender, de fato, o quê estava acontecendo ali.

"Não me convida para entrar?", sugeriu Snape com um sorriso torto.

Neville abriu mais a porta e saiu da frente, permitindo o acesso do bruxo a sua casa. O rapaz bocejou de novo. Ainda não estava totalmente acordado. Precisava beber café com urgência para despertar.

"Eu te acordei, Neville?", indagou o Comensal da Morte após entrar na casa e fechar a porta.

O rapaz pigarreou antes de responder.

"Hum... Sim... Eu... Eu durmo até tarde nos finais de semana."

"Você tem planos para hoje?", perguntou Severus.

Longbottom olhou mais atentamente para Snape. Estava começando a achar a visita promissora apesar de ainda estar raciocinando lentamente.

"Você tem planos para nós, Severus?"

"Dizem que é possível conquistar alguém através do estômago. E eu levo muito a sério a minha missão de te reconquistar. Então, se você não tiver outros planos, eu gostaria de fazer o almoço para você. Ou, se você preferir, posso preparar o café da manhã", acrescentou com zombaria.

"Você sabe cozinhar?", questionou Neville com sincera descrença.

Snape olhou para o garoto com soberba.

"Obviamente, menino. Eu não seria um estúpido de propor algo que não sei fazer."

Apesar da sonolência, Longbottom olhou para ele com surpresa. E seguidamente sorriu. Adorava a acidez do Comensal da Morte. O humor negro de Severus era estranhamente agradável.

Aparentemente o professor não soube interpretar o sorriso do rapaz. Snape olhou para ele como se estivesse olhando para um sujeito com incapacidade intelectual.

"Lembra que eu tenho que te reconquistar, Neville?", perguntou Severus, pronunciando as palavras devagar. "Você me informou isso ontem."

Longbottom assentiu em afirmação com a cabeça. Ele sabia que ainda estava sorrindo como um bobo para ele. E talvez Severus não estivesse entendendo seu sorriso.

"Posso cozinhar para você, Neville? Eu só trouxe os alimentos. Porém, espero que você tenha os utensílios domésticos necessários em sua cozinha para eu preparar os alimentos. Ou precisarei transfigurar algumas coisas."

Neville continuava sorrindo para ele. Ele tinha uma usual lentidão mental pela manhã, mas estava achando muito gentil da parte de Snape vir fazer o almoço.

"Eu te levo até a cozinha, Severus. Preciso mesmo de uma xícara de café."


Já acomodado em uma bancada da cozinha, Snape terminou de agrupas alguns vegetais para a salada. Em seguida se virou em direção à Longbottom. O rapaz estava colocando água e pó de café em uma cafeteira elétrica. O professor ficou olhando para ele enquanto o café ficava pronto e o garoto pegava uma xícara.

"Achei que você preferisse beber chá", comentou Severus.

"Hum... Gosto de chá de noite ou de tarde. Mas de manhã, para acordar, eu preciso de café. Quer uma xícara?"

Neville encheu sua xícara com café fresco. O cheiro de café era hipnótico e delicioso. Quase tão bom como o perfume do rapaz. Snape demorou alguns segundos antes de responder.

"Não. Eu tomei café há três horas", debochou.

Neville riu enquanto segurava sua xícara de café. Severus ficou um pouco fascinado com ele. O humor do garoto estava diferente. Ele definitivamente estava rindo do seu deboche e acidez. Antes, quando estavam em Hogwarts, isso nunca acontecia.

Longbottom bebeu um longo gole de café depois se virou na direção de Snape e questionou:

"Está me julgando, senhor? Não te agrada o fato de eu dormir até tarde nos finais de semana?"

"Eu penso que o sono é supervalorizado", retrucou Snape.

"Não sente prazer dormindo, Severus?", indagou. Apesar de estar bebendo café, Neville reprimia um bocejo com a mão.

"Prefiro fazer outras coisas na cama, garoto."

Snape teve a nítida impressão que Longbottom ia retrucar outra coisa, mas acabou perguntando:

"Quantas horas você dorme por dia, Severus?"

"Quatro ou cinco."

Neville arregalou os maravilhosos olhos hazel em surpresa com a resposta.

"Não é o suficiente para você, Longbottom?", perguntou Snape com um sorriso cínico.

"Não, professor, não é."

Severus ainda sorria cinicamente.

"Não gosta quando eu te chamo de Longbottom?"

"Depende do contexto... Quando está deliberadamente debochando de mim é desagradável."

"Vou tentar parar."

"Irá tentar parar debochar de mim ou de me chamar de Longbottom?"

"De chamá-lo de Longbottom."

"Isso também faz parte do seu plano de conquista?", escarneceu Neville.

"Reconquista", corrigiu Snape. "E menino? Posso te chamar de menino?", perguntou. Ele se lembrava de ter visto o rapaz franzir o rosto ao ouvir essa palavra em outras conversas.

"Não gosto, mas você quando você diz parece ser carinhoso. Então acho que não me incomodo."

"Por que você não gosta, Neville? Acha que é muito genérico? Pensa que chamo assim a todos os meus amantes de vinte anos?", zombou.

A feição transparente do rapaz demonstrou ciúmes. Franzindo a testa e tentando fingir que não se incomodou com a brincadeira, Longbottom respondeu de um jeito seco:

"Não. Apenas enfatiza a nossa diferença de idade, por isso não gosto."

"Eu sou um homem de quarenta anos, Neville. E você com vinte anos e seu pijama de estrelinhas é literalmente um menino para mim."

Longbottom ficou levemente vermelho e puxou o roupão para tentar esconder a estampa estrelada do pijama. Incomodado, ele queria mudar de assunto. Ele bebericou novamente o café e perguntou:

"Seu aniversário é amanhã, não? Dia nove de janeiro?"

Severus se virou em direção aos armários, ficando de costas para o rapaz. Ele buscava duas panelas. Além disso, ele preferia não falar sobre o próprio aniversário.

"Sim", respondeu Snape e, em seguida, fugiu do assunto. Realmente não gostava de seus aniversários. "Aonde posso encontrar algumas panelas?", perguntou enquanto abria um armário repleto de bebidas alcoólicas. Snape se espantou com a grande quantidade de garrafas de destilados, porém preferiu guardar a informação. Ele detestaria saber que aquele armário estava repleto por sua causa, que Neville precisou afogar no álcool todas as frustrações causadas por ele.

Longbottom apareceu atrás dele e fechou o armário das bebidas. Depois, abriu outro armário ao lado.

"Aqui", indicou. Em seguida, o rapaz beijou o ombro de Severus e sorriu.

Snape ficou olhando para Neville enquanto ele se afastava. O garoto se apoiou na porta, ainda segurando a xícara de café e fitando o bruxo. O Comensal da Morte se virou e pegou duas panelas e colocou na bancada.

"Então... Seu aniversário", insistiu Longbottom. "Tem planos?"

"Nenhum. Eu não tenho o hábito de comemorar os meus aniversários."

"Por que?"

Porque me lembra a minha infância horrível, repleta de aniversários terríveis e agressões paternas, pensou. Mas optou por não revelar isso. Era sempre mais fácil fugir do assunto, sair pela tangente.

"Vou fazer uma salada, hash brown e rosbife com molho. Tudo bem para você? Você come carne vermelha?"

"Parece maravilhoso", respondeu. Depois de alguns minutos, o garoto voltou a falar. "O que... O que você quer de presente? Algo em especial? Um bolo? Uma festa? Talvez uma viagem?", questionou e havia uma evidente excitação na fala do rapaz.

Dessa vez, Snape optou por não fugir da pergunta. Ele sorria com malícia enquanto olhava diretamente para os olhos hazel.

"Você. Eu quero só você."

Severus sorriu mais amplamente ao ver que a xícara vazia escorreu da mão do rapaz. Por reflexo o rapaz impediu que a xícara caísse. Neville Longbottom, com o rosto totalmente corado, era uma visão que o Comensal da Morte apreciava. Muito.

"Tente não quebrar as suas coisas, Neville", repreendeu em tom divertido.

Ainda com o rosto corado, o rapaz respondeu.

"Então... Eu talvez tenha um plano para nós, Severus."

Snape parou de sorrir e sua feição esboçou tédio. Odiava seus aniversários e comemorações.

"Só nós dois", acrescentou o rapaz. Ele ainda estava bastante ruborizado.

Snape tentou usar Legilimência no garoto para entender qual era o plano, mas Neville estava usando Oclumência. Uma Oclumência impenetrável.

Frustrado, Severus se virou, ficando novamente de costas para Longbottom. Era melhor não discutir ou tentar dissuadia-lo sobre o plano. Isso estragaria as suas chances de reconquista. Ele lavou algumas batatas inglesas e começou a fatiá-las, em seguida, ligou o fogo de uma das bocas do fogão e colocou uma panela para começar a fazer o molho.

Apesar de estar sentindo os aromas das comidas que manipulava, havia um outro cheiro muito mais forte. O perfume de Longbottom parecia intoxicá-lo. O cheiro era ótimo e delicioso, mas também era uma distração poderosa.

"Vai ficar me assistindo, Neville?", questionou e se virou para o rapaz.

"Vou sim. É a minha casa, Severus."

Longbottom continuava apoiado na porta, segurando a xícara de café de um jeito displicente. O cabelo normalmente tão organizado e fixado com gel e pomada estava tão revolto e bagunçado como o de Potter. E apesar de ter bebido café, ele ainda estava sonolento. Severus precisava da sua concentração para cozinhar. E ele sentia que perdia parte das suas habilidades culinárias a cada vez que via seu jovem amante. Por isso, resolveu provocá-lo.

"Seu cabelo está bagunçado. E eu acho que está com remela nos olhos. Além do fato de estar me fazendo sentir o pedófilo mais tarado do mundo por me fazer ficar excitado com você usando esse seu pijaminha estrelado. Então por que você não vai lavar o rosto para despertar? E tire esse pijama!"

Neville passou o indicador pelos olhos. Mesmo de longe, Severus viu o rapaz corando de embaraço. Em seguida, o garoto passou a mão pelos cabelos. Ele parecia estar notando que estava com o visual desleixado. Snape sorriu enviesado para ele. Estava descobrindo que Longbottom era extremamente vaidoso e se importava muito com a própria aparência.

"Eu... Eu já volto", disse e correu rapidamente para fora da cozinha.

O bruxo ainda sorria enquanto se virara até o fogão. Snape conseguiu cozinhar sem perturbações por uns quarenta minutos.


Severus não precisou se virar para saber que o rapaz estava de volta à cozinha. O forte cheiro de perfume inundou os pulmões de Snape. Alguém havia tomado um banho de perfume, pensou mordaz.

O professor se virou e se surpreendeu. Neville não usava mais pijamas. O cabelo estava arrumado impecavelmente. Ele vestia uma calça jeans escura e uma camisa verde social com a manga dobrada até os cotovelos. Estava simplesmente deslumbrante. E tão cheiroso! Era uma visão do céu.

"Você está... Lindo, Neville", sussurrou.

"Quer me ver de perto, Severus? Para verificar se há mais alguma coisa errada com a minha aparência? Algo a mais que você desgoste em mim? Meu cabelo está despenteado ou há algo nos meus dentes?"

Snape deu um sorriso torto para o rapaz.

"A sua aparência nunca está errada para mim, Neville. Eu teria te beijado e agarrado quando você abriu a porta para mim, mesmo com seu cabelo igual ao de Potter. Mas... Você não me pediu um beijo. Agora eu preciso de autorização, não?"

Longbottom corou.

"Não precisa pedir para me beijar, Severus."

"E para te agarrar? Eu preciso da sua autorização para te agarrar, Neville?"

"Hum..."

Snape sorriu enviesado com a falta de resposta.

"Não forçarei com você, menino. Quando você estiver pronto, nós dois saberemos."

Severus observou nitidamente a decepção no rosto do rapaz. O Comensal da Morte gostava de provocá-lo. Snape voltou sua atenção ao fogão. Mexeu no molho e depois verificou o ponto da carne. Ainda precisava cozinhar mais um pouquinho.

"Como foi em Azkaban?", indagou Neville.

O professor olhou para ele antes de responder. O rapaz havia se sentado a pequena, porém charmosa, mesa da cozinha.

"Desconfortável e dolorido."

"Esse guarda que te agrediu... Ele fez algo pior com você? Além de te bater?", perguntou e havia certa súplica em sua voz.

"Eu não fui violentado em Azkaban, se é isso que está me perguntando."

"Que alívio! Mas por que ele te agrediu?"

"Porque sou Comensal da Morte e... Talvez porque eu fui professor dele em Hogwarts."

Neville parecia aflito com o assunto da conversa. E Severus não queria falar de seu agressor ou de Azkaban.

"E o seu amigo William Weasley? Como está?", provocou o bruxo mais velho.

Longbottom ergueu as sobrancelhas.

"Isso é ciúmes, Severus?"

"É apenas reciprocidade. Você me perguntou indiretamente se eu tive relações sexuais enquanto estive em Azkaban e agora eu estou fazendo o mesmo."

Os olhos de Neville estavam arregalados em surpresa e até descrença.

"Você está comparando fazer sexo com Bill com ser estuprado?"

"Ambos parecem torturas para mim", respondeu Snape com simplicidade.

"Você realmente o detesta, não?"

"Eu odeio o jeito que ele te olha", afirmou o professor.

"Você não me olha de um jeito muito diferente, Severus", disse com malícia. Depois acrescentou rapidamente. "Eu adoro como você me olha, aliás."

"Eu nunca te forcei a fazer nada, nem a me beijar."

Neville inclinou a cabeça. Os olhos ainda fixos em Severus.

"Você leu a minha mente em detalhes, não?"

"Eu vou continuar fazendo isso, Neville. Infelizmente, é um hábito. Todavia, se te desagrada... Eu posso te ajudar a melhorar a sua Oclumência, apesar de achar que não precisa. Você usa Oclumência muito bem em determinadas situações. Além disso, Potter deve ter te dito que sou péssimo professor de Oclumência."

"Você poderia apenas me perguntar o que quiser. Eu não vou mentir para você."

"Como eu disse, Legilimência é um hábito. E você não respondeu a minha pergunta sobre o seu amigo William Weasley."

Severus o olhava com expectativa. Queria uma resposta. Não que fosse mudar alguma coisa. Mas o professor queria saber se aquele ruivo roqueiro e asqueroso havia colocado as mãos em Neville enquanto ele estava preso.

"Eu não vejo Bill desde o Natal, Severus. O dia que você foi preso, lembra? Desde então eu não beijei ou transei com outros homens."

"É melhor para você", expressou seu pensamento em um murmúrio.

Infelizmente, Neville ouviu e retrucou:

"É uma ameaça, professor?"

"Vamos conversar depois... Quando eu tiver te reconquistado."

Snape ouviu a risada de Neville.

"Você é tão ciumento assim, Severus? Não poderei mais falar com Bill?"

Snape mordeu os próprios lábios. Estava nervoso. Não queria revelar demais e assustar o rapaz. Ele sentia certo grau de ciúmes. Talvez muito ciúmes. Porém, era melhor Neville não saber disso agora. Ou iria acabar desistindo dele. Corrigindo, correria dele.

A demora em responder do professor fez o sorriso travesso de Longbottom se ampliar.

"Vai me dar uns tapas se eu olhar para outros bruxos, Severus?", zombou.

"Você gostaria, Neville?", perguntou devolvendo o deboche.

Longbottom ria para ele.

"No dia de Natal... Eu acordei com a bunda doendo. E quando tomei banho havia algumas manchas vermelhas no formato das suas mãos nas minhas coxas. Não sou fã de dor, Severus, mas senti certa satisfação a cada vez que eu sentava e minha bunda doía. Era uma prova de que eu não tinha imaginado a nossa transa perfeita. Era uma prova física que eu não imaginei que nós tínhamos transado. Então, sim... Eu gosto de quando você me pega forte. E não me incomodaria com uns tapas."

Severus desviou o olhar. Apesar do tom ameno e de parecer brincadeira, o relato de Neville era triste e deprimente. O Comensal da Morte optou por tentar contornar com humor.

"Irei me lembrar disso. Neville Longbottom gosta de tapas. Skeeter e a sua multidão de fãs irão adorar saber disso."

O garoto corou e não respondeu. Felizmente, o clima voltou a ficar agradável.

"Já que você não está fazendo nada, Neville, você pode ir colocando a mesa."

Longbottom o olhou com indignação.

"Eu não estou fazendo nada porque você não pediu ajuda."

"Não gosto de cozinhar com ajudantes. Prefiro fazer tudo sozinho. O que você pode fazer é colocar a mesa."

"É um péssimo líder, sabia disso? Tem que aprender a delegar."

"Vivi sozinho boa parte da minha vida. Sempre fiz as coisas assim."

"Mas agora não é mais assim. Você tem a mim."

"Longbottom, separe os talheres, pratos e taças", ordenou.

O rapaz se levantou arrastando a cadeira. Depois passou atrás do professor, deliberadamente esfregando o ombro nas costas do Comensal da Morte.

Severus estremeceu com o simples contato. O professor segurava um copo de água enquanto observava a aparência do rosbife no forno. Todavia, ele não resistiu. Enquanto Neville estava na cozinha, os olhos de Snape seguiam o rapaz. Era puro magnetismo.

Longbottom pegou alguns talhares em uma gaveta, depois ergueu a cabeça e olhou diretamente para Severus. Os olhos hazel fixos nos negros.

O professor usou rapidamente Legilimência no rapaz. Ao obter acesso na mente do rapaz, o copo em sua mão escorregou e caiu no chão. Os pensamentos de Neville eram tão libidinosos! Longbottom estava imaginando a si próprio ajoelhado enquanto proporcionava um entusiástico carinho oral no professor. Severus desviou o olhar para evitar de ver aquilo. Ele piscou. Todavia, a cena parecia tão nítida e real que estava colada a sua retina.

Neville gargalhou com o descontrole do bruxo mais velho.

"Você se machucou, Severus?", indagou e com um aceno de varinha conseguiu transfigurar os cacos de vidro em um copo novo.

"Não...", respondeu secamente. Severus tinha ciência de que seu rosto estava vermelho. E ele simplesmente odiava aparentar ser um adolescente taradinho. Ainda mais na frente de um legítimo adolescente taradinho.

"Por favor, tente não quebrar as minhas coisas, Severus", pediu Longbottom com a voz manchada de sarcasmo.

Snape, enfim, voltou a encarar o rapaz. Estava surpreso com o sarcasmo acentuado em sua voz, normalmente gentil e amável. Contudo, teve o bom senso de não usar Legilimência contra o ex-aluno.

Longbottom ainda sorria, muito satisfeito com o seu feito.

"Acho que descobri um jeito eficaz de te impedir de usar Legilimência contra mim, Severus."

O bruxo não respondeu nada. Ainda estava chocado com sua a própria reação, e com o monstrinho de vinte anos. O garoto se aproximou e Snape recuou. Não confiava em si mesmo depois de ver visto aquela imagem na cabeça de Neville.

O sorriso do rapaz se ampliou e ele avançou até se abaixar e pegar o copo que ele havia transfigurado.

Snape encontrou sua voz.

"Coloque os talheres na mesa. Faltam as taças para o vinho e os pratos", falou em seu tom imperativo.

"Sim, senhor."

Severus verificou novamente o forno. O rosbife estava pronto e ele desligou o fogão. Ele se virou na direção do rapaz e passou a observá-lo.

Neville não mantinha contato visual porque estava vasculhando os armários em busca das taças e dos pratos. Assim que os encontrou, colocou os vidros a mesa. Ele organizou rapidamente a mesa para dois. Depois, sorriu satisfeito e ergueu a cabeça para olhar o professor. Seu rosto não esboçou surpresa ao observar os olhos negros cravados em seu rosto. Impiedoso, Longbottom se concentrou na imagem que fez Severus se desestabilizar.

Snape usou Legilimência mais uma vez. E a cena era a mesma, mas melhor. Havia ainda mais detalhes e mais intensidade. Os bruxos ficaram compartilhando o pensamento de Longbottom por alguns segundos. Foi o Comensal da Morte que desfez o contato visual. Ele pigarreou e perguntou, como se não tivesse visto nada sexualmente explícito:

"Você quer sobremesa? Eu não preparei nenhum doce porque não sei fazer. Por isso, se quiser comer algo doce no almoço é melhor você comprar uma torta ou bolo na padaria da sua rua."

"Eu gosto de doces", falou e havia um nítido duplo sentido em sua fala. "O tamanho, o gosto e a textura... Eu realmente adoro. Me enlouquece só de pensar. Eu estou salivando. Você gosta de doces, Severus?"

Snape mordeu os próprios lábios. Quem exatamente era esse garoto? Um sedutor profissional? Alguém para testar meus limites, minha resistência?, refletia. Severus estava quase esquecendo o almoço para poder levar o garoto para a cama. Contudo, a razão falou mais alto.

"Eu não sei cozinhar doces, Neville... Por isso estou pedindo para você ir até a padaria comprar uma torta."

"Você não respondeu. Você gosta de doces?"

Olhando para os olhos hazel, porém, sem usar Legilimência, o professor respondeu:

"Eu aprecio um bom doce. Agora, vá até a padaria!"

Longbottom fez um beicinho com os lábios. Parecia desapontado por Severus não ter entrado na brincadeira. Mas ele se recompôs e indagou:

"O que você prefere? Cheesecake? Brownie? Cupcakes?"

"Me surpreenda, Neville."

"Mais uma vez?", questionou Longbottom rindo.

Snape ficou em silêncio, apenas observando o adolescente taradinho. E taradinho era um belo eufemismo.

"Eu já volto, Severus", disse e saiu da cozinha.

Sozinho na cozinha, o Comensal da Morte, enfim, relaxou. Estava tão quente ali! E não era por conta do fogão ou das panelas. O bruxo ouviu o barulho da porta de madeira batendo. Neville não estava mais em casa.

Snape pegou uma das garrafas de vinho tinto que havia trazido. Ele encheu uma taça e depois virou como se fosse uma dose de cachaça. O vinho desceu suavemente pelo seu esôfago. O bruxo consultou o relógio. Era quase meio-dia. Severus se sentou e olhou para a pilha de louças sujas. Ele pegou a varinha e com um aceno limpou as louças. Seguidamente, ele lançou feitiços para organizar as louças e utensílios de volta aos seus locais de origem. Organização era algo importante para ele.

Severus estava enchendo a taça de novo quando ouviu batidas à porta. Não poderia ser Neville. Primeiro porque o garoto não era estúpido o suficiente para sair sem levar as chaves da própria casa e depois, não havia nem cinco minutos que o rapaz havia saído.

Severus deixou o vinho onde estava. Ele colocou a varinha no bolso da calça e, em seguida, colocou a mão no bolso, segurando a varinha com firmeza. Depois, seguiu rapidamente para fora da cozinha, passou pela sala e foi até a porta da casa. Ao abrir, não pode ficar mais surpreso e irritado.

"Oww! Snape, você não pode perde tempo, hein?!", zombou Potter com a odiosa e idêntica voz de James Potter. "Já veio seduzir o nosso Neville?"

Snape sentiu a mão que segurava a varinha formigar. Ele teria um prazer incomensurável se lançasse um feitiço em Potter.

"Olá, professor! Onde está o Neville?", indagou Ginerva Weasley.

Snape constatou rapidamente que havia surpresa na fala da moça e não a usual hostilidade. Aliás, ela parecia estar sorrindo com a presença dele na casa do amigo. Isso diminuiu um pouco a vontade de Severus de enfeitiçar Potter. Ainda assim, ele desejava fechar a porta na cara do casal.

Snape fechou os olhos por alguns segundos. Ele deveria se acostumar com eles, não? Essas duas pestes faziam parte da vida de Neville. Então, consequentemente, Severus teria que aturar os dois. Longbottom não ia gostar nenhum pouco de saber que ele fechou a porta na cara de seus dois melhores amigos. Forçando a sua voz a ficar impassível e pouco irritada, Severus foi capaz de perguntar:

"Vocês querem entrar? Neville saiu, mas já volta."

Continua?


Comentários da autora: Olá, pessoas! : ) Obrigada por continuarem lendo Hazel!

Agradecimentos especiais as boas e maravilhosas almas que comentam: Mazzola Jackson Snape, Barbara Vitoria, Lizzy Collins, Laura Higurashi, Herykha, Sandra Longbottom, eloisa, YunoB, Kana-chan e Kana-Nekkomimi-chan (Que bom que você fez uma conta aqui! Agora você receberá notificações de atualizações! : D), Ia-Chan, Joy (Concordo com você. Lamento ter te decepcionado.), wicca, FaFaVe, esidois2 e Guest.

Continuem comentando, por favor! : DDD Me escrevam sobre o que vocês acharam do capítulo, o que esperam nos próximos capítulos... Ideia são bem vindas!

Impressão minha ou nesse capítulo eu fiz o Neville totalmente OOC? Muito debochado ele saiu, não? Tive a nítida impressão de que perdi a mão, e o Neville virou o Harry. Vou tentar segurar o escárnio do Nev nos próximos capítulos, ok? ; )

Bom feriado, gente! Até a próximo capítulo! ; *

21/04/16 - 07/05/16 - 05/06/16