Hazel
Capítulo XVI
Escrito por Nevilla F.
-X-
A situação era totalmente surreal para Severus Snape. Ele estava sentado em uma poltrona recepcionando Harry Potter e Ginerva Weasley na sala de estar da casa de Neville Longbottom. Era uma piada. Uma infeliz e sarcástica piada.
Mesmo o professor não gostando da companhia de seus ex-alunos, ele foi capaz de oferecer um copo de água para cada um. Isso era o máximo de civilidade que ele poderia oferecer ao casal. Adicionalmente, forçando a sua boa vontade ao limite, Severus tentava puxar algum assunto para conversar com os amiguinhos de Neville. O tempo passaria mais rápido com a conversa. E assim que Longbottom chegasse, o Comensal da Morte se veria livre desse infortúnio.
"Você voltou para Hogwarts, senhorita Weasley? Para terminar os seus estudos? Diferente de Potter, que fugiu de Hogwarts e dos exames dos NIEMs."
O casal trocou olhares divertidos. Deviam estar achando graça de algo. Severus se controlou para não sair da sala e deixar os dois ali.
Potter respondeu:
"Eu não fugi, Snape. Eu estava atrás das horcruxes. A missão que Dumbledore confiou somente a mim."
"E continua fazendo isso agora, Potter? Ou simplesmente pensa que finalizar os estudos não é importante para O Eleito?", indagou com maldade.
O rapaz não se abalou. Sorria com sarcasmo para Severus. O Comensal da Morte sentiu vontade de socá-lo.
"O Ministro da Magia e a chefe da seção de aurores convidaram a mim, Ron e Neville para ingressarmos direto ao curso de auror, mesmo sem os NIEMs. Talvez você devesse perguntar diretamente para Kingsley e a Héstia se eles consideram terminar os estudos em Hogwarts algo importante."
"As regras nunca se aplicaram ao Eleito. Toda essa fama e atenção desmerecidas te fizeram muito mal."
"As regras também não se aplicaram ao Neville. Você particularmente deve estar bem contente com isso. Se Neville estivesse terminando os estudos em Hogwarts, você não poderia estar sendo um amigo tão íntimo dele...", falou com deboche.
Os olhos negros faiscaram de ódio. Ele olhou com desprezo para Potter.
"Eu estou sendo o quê de Longbottom, Potter?"
"Você está namorando o nosso melhor amigo", interveio a moça. Ela falou com naturalidade de forma bastante pacífica.
"Ou não está?", escarneceu Potter.
O garoto tinha um sorriso debochado idêntico ao do pai. Inconscientemente, Severus levou a mão até a varinha no bolso de sua calça. Odiava os genes dos Potter! E estava começando a ficar saturado de Potter.
"Eu não vou falar sobre a minha vida pessoal com vocês dois", disse Snape.
O casal voltou a trocar olhares divertidos. Em seguida, a ruiva olhou para o Comensal da Morte.
"Respondendo a sua pergunta, Snape, eu não voltei para a escola. Escolhi tentar ir para os esportes. Estou fazendo testes para times de Quadribol."
"Ela é uma atacante brilhante!", falou Potter com carinho e, em seguida, beijou a noiva.
Severus desviou o olhar do casal feliz. Ele realmente não ficava confortável com cenas públicas de carinho.
Felizmente, no momento seguinte, Neville entrou na casa. Ele carregava duas caixas quadradas de papelão empilhadas nos braços, que bloqueavam parcialmente a sua visão. Após entrar, o garoto fechou a porta com o pé.
"Olá, Neville!", disse a menina Weasley.
Como acontece com frequência, Snape viu Longbottom se desequilibrar com o susto. As duas caixas teriam caído no chão se Severus não tivesse feito ambas levitarem com um feitiço insonro. Após se recompor, Neville olhou para os visitantes.
"Harry! Ginny! Oi!", falou.
O professor observou a feição do rapaz. Com certa facilidade, Severus viu surpresa nos olhos hazel com as visitas. Depois, o garoto olhou para Severus como se o amante tivesse alguma resposta. Snape o olhou de forma impassível. Em seguida, Severus levitou as caixas até o próprio colo.
"Ah! Obrigado, Severus!", agradeceu Longbottom.
Snape permaneceu sentado enquanto observava os jovens bruxos trocarem cumprimentos e abraços.
"Como você está, Neville? Tudo bem aqui? Estão te tratando bem?", indagou Potter, fingindo preocupação na voz. Ele olhava para Snape ao fazer as perguntas, como se considerasse o professor uma ameaça em potencial.
"Estou realmente ótimo", falou enquanto ia se sentar no braço da poltrona onde Severus estava sentado.
Com a proximidade, Snape e Neville trocaram olhares de afeto. Dessa vez, o Comensal da Morte não usou Legilimência contra o rapaz.
"Nós viemos convidar você, digo, vocês para almoçarem com a gente", falou a moça. "Abriu um novo restaurante de comida tailandesa aqui perto. Eu tenho uma reserva."
"Oh!", fez Longbottom. "É que..."
Severus pigarreou e olhou para os dois amigos de Neville.
"Eu preparei o almoço. Não é comida tailandesa, todavia, se vocês desejarem, podem se juntar a nós."
Snape não poderia dizer qual dos jovens o olhou com mais surpresa após o convite. Potter estava tão atônito que não foi capaz de responder. Ao invés disso, a moça falou pelo casal.
"Será um prazer, Snape."
Longbottom sorriu.
"Eu não fiz nada, mas comprei a sobremesa. Como não consegui escolher só um doce, eu trouxe um cheesecake e um brownie."
"Que ótimo, Neville! Eu adoro cheescake", falou a moça.
O professor se levantou, carregando as caixas com os doces.
"Você me ajuda a reorganizar a mesa, Neville?"
"Ah, claro", respondeu e também se levantou. Antes de ir para a cozinha, Longbottom olhou para o casal de amigos. "Vocês querem alguma coisa enquanto esperam? Algo para beber?"
"Não, estamos bem. Snape gentilmente nos deu um copo de água", disse Potter, mostrando o copo em sua mão. "Aparentemente, não está envenenada."
Severus ignorou o deboche e seguiu apressado para a cozinha.
Ao entrar na cozinha, Snape depositou as caixas na mesa. Ele ouviu passos apressados atrás dele. Devia ser Neville correndo.
"Você não devia correr, menino! Do jeito que é desastrado vai acabar caindo e..."
Snape sentiu o rapaz o abraçando pelas costas.
"O... O que foi, Neville?", indagou, sem entender o gesto de carinho.
"Eu te amo!", anunciou Longbottom contra a nuca de Severus. "Eu vejo que você está se esforçando. Você está sendo gentil com os meus amigos. Obrigado!"
Severus sentiu seus músculos relaxarem, em especial os músculos ao redor de seus lábios. Ele se virou, ficando de frente para Longbottom, depois passou os braços em volta do rapaz.
"Faz parte do meu plano de reconquista", zombou. Depois resolveu ariscar. "Isso significa que eu mereço um beijo?"
"Ah, sim..."
"Eu posso te beijar, Neville?"
"Sim..."
Havia definitivamente um sorriso torto nos finos lábios do professor quando ele segurou o rosto de Neville e o beijou. Um beijo a princípio calmo, mas foi se intensificando. Assim como as carícias. Snape agarrava as costas de Longbottom com força. Parecia estar aflorando um sentimento de posse até então desconhecido por parte do Comensal da Morte.
Apesar de estar muito envolvido e agarrado ao seu jovem amante, Severus ouviu novos passos vindo até à cozinha. Rapidamente, ele desgrudou os lábios de Neville e se soltou do rapaz. Odiava demonstrações públicas de afeto, ainda mais na frente do detestável Potter. Contudo, ao observar o rosto com traços de desolamento de Longbottom, ele titubeou. O garoto olhou para Snape como se ele tivesse partido seu coração. Severus não soube como reagir àquilo.
Potter e a menina Weasley apareceram um segundo depois. Neville se recompôs, passando a mão pelos lábios avermelhados, porém, evitou olhar na direção dos amigos ou do professor. Além disso, Snape podia ver que o rosto de Longbottom ainda estava ruborizado de excitação.
Após olhar bem para Neville, a moça sorriu.
"Não queríamos interromper nada", disse a ruiva. "Nós só queríamos ajudar de alguma forma."
Neville ainda estava vermelho pelo quase flagrante.
"Hum..."
Snape precisou responder.
"O almoço já está pronto. Só falta colocar a mesa. Neville pode fazer isso sozinho. Por que vocês não esperam na sala?", sugeriu Severus em seu tom imperativo. "Neville irá chamá-los quando a mesa estiver organizada."
"Certo", disse a menina, e o casal saiu da cozinha trocando sorrisos.
Severus bufou. Sua vida parecia tão exposta. Isso era tão irritante. Ele olhou para Longbottom.
"Você está bem?"
"Sim", respondeu sem olhar Snape nos olhos.
"Eu só te soltei porque não queria que eles nos vissem juntos", justificou o professor.
"Certo."
Com a indiferença do garoto, Severus sentiu uma forte necessidade de continuar se justificando.
"Eu, infelizmente, não sou um homem que demonstra sentimentos em público, Neville. Não pretendo expor meus sentimentos abertamente, ainda mais na frente dos meus ex-alunos."
"Sei bem disso, Severus."
Snape estava um pouco incomodado com as respostas apáticas. Por isso, arriscou fazer uma declaração.
"Quero que saiba que mesmo que eu não demonstre meus sentimentos em público, isso não muda o fato de que eu gosto de você."
Neville, enfim, olhou diretamente para Severus. Seus olhos brilhavam.
"E, talvez, você faça algumas concessões para mim?"
Severus deu um sorriso enviesado para o garoto.
"Não", respondeu, acabando com as esperanças de rapaz. Depois, falou em tom professoral: "Pegue mais dois pratos, talheres e taças, Neville."
Longbottom ficou alguns segundos olhando para o Comensal da Morte. Em seguida, sorriu para ele.
"Você já está fazendo concessões para mim, Severus. Para quantas outras pessoas você já se declarou? Para quantos outros bruxos você cozinhou?"
Snape ignorou as perguntas. O garoto era diabolicamente esperto. Ele preferiu ir até o fogão e tirar o rosbife do forno para depois colocar na mesa.
"Estou esperando os pratos, os talheres e as taças. Seus amigos devem estar com fome, assim como você."
Mesmo sem obter uma resposta direta do professor, Neville ficou o tempo todo com um sorrisinho de satisfação enquanto organizava a mesa.
-X-
O almoço foi relativamente agradável. Severus continuava achando Potter insuportável, porém, Neville parecia confortável com a presença dele. E o melhor, Potter parecia realmente se importar com Longbottom. Então, por Neville, Snape concluiu que teria que suportar ter o filho de James Potter em sua vida. Contudo, a cada vez que o maldito Potter dirigia a palavra a Severus, o professor sentia o ódio pelo garoto voltar a crescer.
Ao final da sobremesa, Potter falou para Snape:
"O almoço foi realmente divertido, Snape. Você não está tão intragável como antes. Ao menos não me deu uma detenção", brincou, sorrindo enviesado. "Ei, posso te chamar de Severus?"
"Não, Potter."
O herói parecia não se abalar com o jeito seco do professor, apenas continuou sorrindo.
"Você pode me chamar de Harry."
"Eu não vou fazer isso, Potter", falou enfatizando o sobrenome do rapaz.
"E se o Neville pedisse?", provocou o garoto.
Snape ficou em silêncio por alguns segundos. Depois, perguntou com a voz suave e glacial:
"Não está na hora de vocês dois irem embora?"
Todos os jovens riram.
"É só uma questão de tempo, professor", decretou a ruiva. "No início, nós também não nos dávamos bem com a Fleur, mas acabamos nos adaptando e gostando dela."
Neville franziu a testa e olhou para a amiga.
"Bill se separou da Fleur, Ginny."
Potter começou a rir, mas disfarçou o riso com uma tosse.
Severus teve a dignidade de não esboçar quaisquer reação. Como foi que o assunto foi parar em William Weasley?, refletia com irritação.
A menina Weasley continuou.
"Você não me deixou concluir o pensamento, Neville! Antes deles se casarem, nós tínhamos problemas para nos relacionar com ela, mas depois ela se tornou agradável. Nós nos acostumamos com ela. A questão é: se pudermos fazer amizade com a Fleur, também podemos ser seus amigos, Snape."
Com um sorriso enviesado, Potter acrescentou:
"Se o Neville quiser continuar com o Snape. Ou melhor, se o Neville aguentar ficar com ele. Imagino que não deva ser agradável."
"Harry!", falou Longbottom em tom de censura.
Severus se limitou a erguer uma sobrancelha.
"Então, chegou a minha hora de ir embora."
"Espere!", implorou Neville.
"Eu não me expressei bem, professor. Por favor, almoce conosco no próximo sábado, ok? Todos queremos ser seus amigos", falou a ruiva.
"Fale por você", sussurrou Potter.
Severus colocou a varinha em cima da mesa. Uma ameaça sutil. Após lançar um olhar afiado para Potter, ele se virou para Longbottom.
"Neville, ou eles vão embora ou eu vou", falou sem rodeios. Estava farto de Potter e de seus comentários desnecessários.
"Irá fazê-lo escolher entre os amigos e você?", indagou Potter, fingindo estar ofendido. "Que tipo de relacionamento é esse que você está querendo com o Neville?"
A pouca paciência do professor chegou ao limite. Ele pegou a varinha e se levantou. O Comensal da Morte estava pronto para ir embora.
Todavia, Neville e o casal também se levantaram. Longbottom segurou a mão de Snape e o olhou como se implorasse para ficar.
Severus observou os olhos hazel e sentiu seu coração falhar uma batida. Ele não conseguiria negar nada para aquele garoto. Estava mesmo enfeitiçado por ele. Por isso, o melhor era expulsar os outros dois bruxos da casa de Neville. Snape queria ficar um tempo a sós com o rapaz. Ele sorriu de forma arrogante para O Eleito.
"Neville já fez a escolha dele, Potter. Adeus, Potter e Weasley! Vocês sabem aonde é a saída. Podem sair agora."
Os dois sorriam para Snape, o que o professor não entendia. Ele queria ser grosso e deseducado com o casal. Todavia, ambos pareciam achar graça. Era irritante. Talvez se ele estivesse com a sua capa negra ficasse mais intimidador.
"Nós vamos te esperar na minha casa na próxima semana, Snape. Peça ao Neville o endereço. Será ótimo receber os dois."
"É... Será ótimo, Snape", repetiu Potter em tom sarcástico.
Severus ignorava solenemente o herói.
"Vou te esperar na sala de estar, Neville. Se livre desses dois em cinco minutos ou eu vou embora. Já usei toda a minha cota de civilidade por hoje", disse e fazendo um de seus giros dramáticos, saiu da cozinha.
-X-
Assim que Snape saiu da cozinha, Harry se virou para Neville. Com a feição debochada, o garoto perguntou:
"Tem certeza que quer Snape na sua vida? Ele continua muito desagradável..."
"E, aparentemente, não quer ser nosso amigo", acrescentou Ginny.
"Bem..."
"Ele te faz feliz?", questionou a moça, sorrindo.
"Muito."
"Ótimo! Então ele pode ser desagradável o quanto quiser. Nós vamos suportá-lo."
"Vamos tentar suportá-lo...", completou Potter.
Longbottom se virou para Harry.
"Você poderia dar um tempo para o Severus."
Potter riu antes de responder.
"Neville, eu fui perseguido e massacrado por esse homem por seis anos. Ainda assim, eu depus no julgamento dele para que ele escapasse de Azkaban. Então, o mínimo que posso fazer é provocá-lo um pouco. Tenho certeza que o Snape aguenta."
Neville olhou para o amigo com descrença. Era muita infantilidade.
"Nós já vamos indo, Neville. Ou ele irá deixar você", zombou a ruiva.
Longbottom abraçou Ginny e apertou a mão de Potter.
"Neville, eu realmente quero ver vocês dois na próxima semana na Toca. Vamos juntar todos."
"Er... Eu não posso garantir isso, Ginny."
A moça olhou para ele.
"Nós precisamos nos acostumar com ele. Concorda? Se esse homem vai ser o seu namorado ou marido, ele também precisa aprender a lidar com a gente. Por isso, o Snape também tem que tentar ser nosso amigo. Diga para ele que nós somos a sua família."
"É, é um pacote. Fale para o Snape que somos um pacote. Ou ele aceita você e todos os Granger-Weasley-Potter, ou não leva nada."
Longbottom sorriu para Harry.
"É justo."
"Boa sorte aí, Neville!"
"Nós nos vemos na segunda. Se precisar de ajuda com ele, nos avise!", disse Potter e piscou.
"Tchau, gente."
"Tchau, Neville!"
Ambos desaparataram, deixando Neville sozinho na cozinha.
O garoto passou a mão pelo cabelo, se certificando de que ainda estava organizado. Em seguida, Longbottom pegou uma tampa de panela e olhou o próprio reflexo por alguns segundos. Seu cabelo ainda estava impecável. Ele guardou a tampa. Depois, ajeitou a camisa e seguiu até a sala de estar.
Severus, sentado na poltrona, o olhou com uma cobiça explícita. Neville realmente gostava de receber aquele olhar.
"Você demorou", acusou Snape.
"Mas você esperou, não foi?"
"Tinha esperanças de que iria ser recompensado", disse com um sorriso torto.
"Hum... Que tipo de recompensa?"
"Um bom beijo de despedida."
"Despedida?", indagou Longbottom com decepção. Eles, enfim, estavam juntos e a sós e Snape já queria ir?
"Estamos indo devagar, Neville. Se lembra?", falou Severus e havia um prazer sádico em sua fala.
Percebendo o tom de maldade na voz de Snape, Longbottom perguntou:
"Está me punindo, não é? Porque eu falei sobre a reconquista..."
Snape cruzou as pernas com elegância.
"Não sou um homem sádico, Longbottom, eu já te falei isso antes. Eu não vou punir você por nada."
"Então...", ia dizendo, mas Severus o interrompeu.
"Você quer conversar um pouco? Depois, eu vou cobrar o meu beijo de despedida."
Longbottom se sentou na poltrona em frente a ele.
"Então... Você quer somente um beijo de despedida, Severus?"
Snape sorriu enviesado com a pergunta. O rapaz sentia seu coração palpitar com o sorriso do professor.
"É sobre isso que você quer conversar, Neville? Sobre as coisas que eu desejo fazer com você?"
Longbottom ficou olhando com expectativa para o bruxo. Estava esperando por uma interessante resposta.
O sorriso torto do Comensal da Morte se ampliou.
"Eu estive preso por mais de uma semana, Neville. O que você acha que eu quero fazer com você?", indagou e descruzou as pernas. "Eu gostaria de te devorar agora. A primeira vez seria voraz, eu te comeria e terminaria em menos de cinco minutos. Mas já na segunda vez, eu iria com mais calma, explorando cada porçãozinha do seu corpo, te fazendo gemer muitas e muitas vezes..."
Longbottom estava com um gemido entalado. Ouvir Severus Snape dizendo que o comeria em cinco minutos era algo assustadoramente sexy. Após engolir em seco, o garoto achou que seria interessante testar os limites do professor.
"E com a sua idade você aguentaria me comer duas vezes seguidas?", provocou.
Neville assistiu com deleite os olhos negros cintilarem de raiva. Depois, os lábios finos do bruxo formaram um sorriso de luxúria.
"Na minha idade?", repetiu com a voz suave e letal.
"Um homem de quarenta anos", zombou.
Severus passou o dedo indicador pelos lábios antes de responder.
"Quando eu, um homem de quarenta anos tiver te reconquistado, você sentirá o que eu serei capaz de fazer com você."
Longbottom estava se sentindo particularmente valente. Por isso, anunciou:
"Nós vamos para a Toca semana que vem."
Pela feição dura no rosto de Snape, Neville percebeu que havia acabado com o clima. O bruxo mais velho franziu o rosto e sussurrou com convicção:
"Não."
"Eles são a minha família, Severus..."
"Eu já tenho que aguentar Potter e todos os Weasley pelos corredores do ministério todos os dias de semana. Não vou ficar um segundo do meu precioso final de semana com eles."
"Os Granger-Weasley-Potter são a minha família. Somos um pacote. Ou você aceita o pacote todo ou... Não terá nada."
Severus apertou os olhos. Neville percebeu que era a primeira vez que ele estava verdadeiramente irritado. Nem quando Longbottom questionou a sua virilidade, o bruxo ficou irritado desse jeito.
"Eu quero um estímulo!", ordenou Snape após alguns segundos em profundo silêncio.
"Não é assim que funciona. Você quer um relacionamento comigo? Então tem que aceitar a minha família..."
Longbottom viu Snape fechar as mãos em punho. Parecia estar tentando controlar a fúria.
"Você deveria ter me dito isso antes, Longbottom."
"Antes?"
"Antes de me fazer gostar de você, moleque!"
Moleque? Isso era novidade. Menino era mais afetuoso, pensou Neville. Até Longbottom parecia carinhoso perto de moleque.
"Por que está tão irritado? Desgosta tanto assim do Harry e dos Weasley?"
"Senta no meu colo!", mandou Snape.
Neville olhou para ele, sem entender. Severus era especialista em mudar de assunto, mas dessa vez a mudança havia sido brusca demais.
Snape bateu duas vezes na sua coxa direita.
"Senta no meu colo!", repetiu em seu usual tom autoritário.
"Mas..."
"Quer que eu vá à casa dos seus amiguinhos? Eu vou! Mas quero um pagamento justo para o meu sacrifício. Então, pode vir aqui. Senta no meu colo agora! E depois você vai me beijar até seus lábios ficarem dormentes."
Atônito, Neville ficou alguns segundo só olhando para o bruxo. Longbottom pensou que poderia dificultar o pedido de várias formas possíveis. Poderia argumentar que não era sensato pagar Severus para ser um bom namorado. Ou ainda poderia exigir que Snape pedisse por favor, o que visto a feição irada do amante, nunca aconteceria. Contudo, o que falou mais alto foi o desejo que Neville estava sentindo. Ele estava muito disposto a ficar no colo de Severus, agarrado a seu corpo enquanto o beijava.
E, foi por isso que Longbottom se levantou sem reclamar. Ele caminhou até Snape. O rapaz percebeu que a cada passo que dava em direção ao Comensal da Morte, a irritação no rosto dele diminuía. Quando estavam frente a frente, Severus o olhou com soberba, os olhos negros semicerrados.
"Senta!", falou.
Neville apenas sorriu para Snape. Em sua mente, ele imaginou a cena de mais cedo. Como imaginava, Severus usou Legilimência contra ele. Longbottom ampliou seu sorriso ao ver o bruxo arregalar os olhos. E continuou sorrindo quando o Comensal da Morte agarrou sua camisa e o puxou para o próprio colo.
Continua?
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Comentários da autora: Olá, pessoas! Obrigada por continuarem lendo Hazel! : DDD
Desculpa a demora, mas enfim publiquei o capítulo XVI. Espero que vocês tenham gostado. A ideia é realmente mostrar que o nosso amado professor está se esforçando para reconquistar o Neville. ; )
Enfim... Vocês gostaram? Não gostaram? Do que gostaram? E do que não gostaram?
Obrigada a todas as boas almas que comentam: Mazzola Jackson Snape , Lizzy Collins , FaFaVe , Barbara Vitoria , Sandra Longbottom , esidois2 , Joy , susan .tonks , Madame Anarchy e Kana-Nekkomimi-chan . Obrigada, gente! Review é o combustível da autora. ; )
Espero vê-los no próximo capítulo! ; *
26/06/16
