Hazel

Capítulo XIX

Escrito por Nevilla F.

-X-

Severus acordou no dia seguinte com a certeza de que havia exagerado. Corrigindo, ele havia exagerado de novo. Pensando racionalmente, ele sabia que Neville não o havia levado para a casa em ruínas dos Potter de propósito. Ele havia tido evidências suficientes do perfeito caráter do rapaz para evitar determinadas desconfianças. O grande problema, contudo, é que Snape estava acostumado a interagir com manipuladores e Comensais da Morte. Portanto, ele acabava achando que todos a sua volta tinham o péssimo caráter dos seguidores de Voldemort.

E havia ainda o agravante de ver seu time perder, estando na torcida adversária. Infelizmente, a sorte não estava ao seu favor. Por isso, seu humor estava terrível, realmente péssimo e ele acabou descontando tudo em Longbottom.

Isso significava outro pedido de desculpas?, refletiu com desânimo. Droga! Justo quando as coisas estavam caminhando bem.

Enquanto se vestia para ir ao ministério da magia, Severus pensava em como se desculpar com Neville. O que dizer e falar para o rapaz. Porém, o que mais o preocupava era como Longbottom iria reagir. Snape estava bem ciente que essa não havia sido a primeira vez que falhara com o rapaz. E ele também não tinha ideia do limite de Neville. O garoto havia dito que o amava. Mas será que esse amor era suficiente para aguentar o péssimo e flutuante humor de Severus?

O professor levou a mão até a têmpora, estava com dor de cabeça só de pensar.

Snape terminou de se vestir. Foi até a cozinha e preparou café. Em seguida bebeu uma grande xícara de café rapidamente. Ele pegou o sobretudo azul escuro, já que o seu usual sobretudo preto havia ficado com Neville, e foi até a lareira. Após jogar o pó de Flu, Severus saiu no átrio do ministério.

Como ironia do destino, Snape não precisou dar dez passos para encontrar com Longbottom. O garoto olhou para ele com tristeza, seus olhos hazel pareciam opacos. Ainda assim, o rapaz caminhou decidido até Severus.

O professor não se mexeu, ele aguardou Neville se aproximar. O Comensal da Morte estava pronto para ser golpeado novamente. Ele não iria tentar se defender ou reagir aos socos.

"Olá, Neville...", falou Severus.

Longbottom não respondeu. Ele tirou o sobretudo preto de Snape da mochila e o entregou para o professor.

"Estou devolvendo o seu casaco. Obrigado!"

O rapaz já estava se virando para ir embora quando Severus pediu.

"Neville, espere."

Longbottom se virou novamente em direção a Severus, mas não falou nada. Seus olhos hazel transbordavam decepção.

Ansioso e nervoso, Snape passou a mão pelos cabelos antes de falar. Ele não havia planejado um pedido de desculpas apropriado e não se sentia confortável ao ter que improvisar.

"Eu sei que exagerei ontem, e lamento muito por isso."

Severus esperou que o garoto falasse alguma coisa, mas ele permaneceu em silêncio. O Comensal da Morte precisava de mais tempo para pensar em algo para dizer, então sugeriu:

"Por que você não vai até a minha casa no final da tarde, por volta das seis? Poderemos conversar mais tranquilamente. Eu faço o jantar."

Neville olhou diretamente para o rosto do professor. Parecia que a sugestão do bruxo foi a fagulha para uma explosão iminente. Longbottom deu passo em direção a Snape e falou com o tom de voz irritado:

"Sabe qual é o grande problema? Eu acho que você nunca confiou em mim. Você nunca confiou nos meus sentimentos. Você está sempre pensando que estou te testando ou algo do tipo. E isso nunca foi ou será a minha intenção. Estou cansado, Severus. Estou cansado de você me tratar mal e depois tentar consertar as coisas. Estou farto de ver você esmagar meu coração sem qualquer piedade. Então... Eu acho que será melhor para nós dois darmos um tempo nisso que há entre nós."

"Dar um tempo nisso?", repetiu como se não compreendesse o significado das palavras. "O que quer dizer?"

Com a voz mais calma e menos irritada, Neville respondeu:

"Não me atrevo a pensar que o quê existe entre nós seja um relacionamento, por isso chamei de nisso. Eu sabia que não seria fácil me relacionar com você, mas confesso que não imaginei que fosse ser tão difícil. E como eu disse, estou cansado de ser mal tratado. Adoro te beijar, adoro os bons momentos que temos juntos, porém... Talvez esses bons momentos não sejam suficientes para reparar os danos que você causa quando está irritado."

"Neville..."

"Vamos dar um tempo, Severus. Imagino que você também precise refletir sobre a nossa conturbada relação. Acho que um mês separados deve ser suficiente para nós dois pensarmos se realmente queremos ficar nessa relação ou não. Então, fique feliz! Por um mês você não precisará tentar me reconquistar."

"Neville, eu quero conversar melhor com você, porém aqui não é um lugar apropriado. Estou reconhecendo meus erros. E acho que nós podemos resolver isso."

O garoto ignorou os comentários do bruxo mais velho e consultou o relógio.

"Eu estou quase atrasado para a minha aula. Podemos conversar melhor daqui a um mês."

"Neville, eu não quero esperar um mês para conversar com você!", rosnou.

Longbottom olhou com dureza e determinação para ele. Severus imaginou que foi esse mesmo olhar que o Lorde das Trevas recebeu ao convidar o rapaz para ser um Comensal da Morte.

"Mas eu quero isso, Severus. Eu preciso desse tempo, portanto, respeite a minha opinião", falou em tom inflexível. Depois começou a se distanciar apressadamente.

Snape respirou pesadamente. A frustração enchia as veias de Severus e percorria todo o seu corpo. Por que eu era tão tolo? Por que eu sou incapaz de manter relacionamentos com as pessoas que realmente me amam? Qual era o meu problema?, refletia com irritação.

O bruxo havia destruído a sua relação de amizade com Lily Potter. Ele só não acabou com a relação amorosa que teve com Regulus Black, porque o rapaz havia sido assassinado. E agora a história se repetia. Ele estava acabando com a única relação amorosa saudável que teve em sua vida. Droga!

Severus estava se odiando tanto no momento que não reparou em Potter se aproximando dele. O garoto parou na frente dele e sorriu.

"Olá, professor!"

Snape lançou um olhar de desprezo para o garoto. O que mais iria me acontecer para estragar a minha manhã?

Potter se abaixou e pegou o sobretudo caído no chão. Severus nem havia reparado que o casaco havia escorregado de seus dedos.

"Aqui", disse Potter entregando para Snape. "É seu, não?"

"Sim."

"Você está indo para os elevadores?"

"Sim, Potter."

"Vamos, então?", sugeriu com um sorriso.

Severus andou apressado em direção a fila para os elevadores. Ele tentou avistar Neville, mas não conseguiu identificar o rapaz. Infelizmente, Potter permaneceu ao seu lado.

"Você cozinha muito bem, Snape", falou Potter em uma clara tentativa de puxar assunto.

Snape o ignorou, não estava com disposição de dialogar com o rapaz. Infelizmente, o filho de Lily insistiu na conversa:

"Posso te sugerir algo, Snape? Neville ama doces. Faça uma sobremesa para ele na próxima vez. Ele vai gostar."

"Vocês tem aula agora pela manhã?", questionou para confirmar se Longbottom realmente havia falado a verdade.

Potter assentiu afirmativamente com a cabeça.

"Neville não te falou? Vocês não se encontraram no domingo? Ou não tiveram tempo para conversar?", indagou com malícia. "Estavam ocupados com outras atividades aeróbicas?"

Snape lançou um olhar de profundo desgostoso para o rapaz. Sua voz ficou mais fria e suave, o familiar tom letal.

"Potter, você está sendo mais do que inconveniente. Eu sou seu professor e você está ultrapassando todos os limites da relação aluno-professor. Eu nunca te dei tamanha liberdade para você falar sobre a minha vida pessoal desse jeito. Portanto, pare de falar comigo como se eu fosse um dos seus amiguinhos."

Potter parecia não ter se abalado com as palavras duras do professor. Ao contrário, ele estava analisando Severus.

"Você definitivamente não está feliz. E supostamente deveria estar mais alegre se passou o domingo com Neville. Então...", Potter fez uma pausa e olhou para Snape com incredulidade. "Vocês brigaram? Sério?"

Severus fingiu não ter ouvido as palavras do rapaz. Resolveu ameaçá-lo.

"Potter, lembre-se de que terá que duelar comigo no próximo mês, e eu vou me recordar das asneiras que você está me falando. Peguei leve com você no duelo da semana passada porque Héstia Jones estava lá assistindo. Contudo, ela não estará lá da próxima vez, então, tenha cuidado."

O garoto revirou os olhos para o professor. Aparentemente, estava mais interessado no amigo. Por isso, voltou a insistir:

"Neville é uma das pessoas mais pacíficas que eu conheço. Como você é capaz de brigar com ele?"

Felizmente, o elevador chegou. Severus entrou primeiro e falou para Potter.

"Está cheio! Pegue o próximo!"

Enquanto o elevador se movia, Severus refletia as palavras de Potter. Como eu sou capaz de brigar com ele?, pensou. Eu gostaria de ter uma reposta.

O elevador começou a se mover e parou em outro andar. Alguns bruxos saíram e entrou o ministro da magia.

"Bom dia, Severus!", cumprimentou Shacklebolt.

Snape trincou os dentes. Ele se virou e olhou para o sorriso amigável de Kingsley Shacklebolt.

"Shacklebolt."

"Como está indo no seu novo trabalho, Severus?"

"Incrível."

Kingsley riu, o que só irritou mais o Comensal da Morte. O elevador voltou a se locomover.

"Você não precisa ser debochado comigo, Severus. Pode me dizer a verdade. Não está sendo agradável receber salário para torturar os seus ex-alunos de Hogwarts?", indagou mordazmente.

Snape optou por não responder. Era mais fácil mudar de assunto.

"Você já autorizou o memorando que eu te enviei, ministro?"

"Estamos analisando o seu pedido, Severus."

O elevador parou em outro andar. Arthur Weasley entrou com a cabeça baixa, lendo um pergaminho.

Snape apertou as mãos em punho ao ver Arthur. Que maldita falta de sorte! Era um elevador ou a reunião dos sobreviventes da Ordem da Fênix?

"Bom dia, Arthur!", cumprimentou Kingsley.

O ruivo ergueu a cabeça do pergaminho que estava lendo. Os olhos de Weasley aparentavam alegria ao identificar Shacklebolt e Snape.

"Olá, King! Severus!"

Arthur enrolou o pergaminho e se virou em direção a Snape.

"Ginny me falou que você irá almoçar na nossa casa no final de semana. Será ótimo, Severus! Ficarei muito contente por te receber. Aliás, aproveito para convidar você também, King. Leve a Héstia com você. Será sábado meio-dia."

"Obrigado, Arthur. Nós estaremos lá."

Severus engoliu em seco. Ele olhava como um lunático para os números do elevador. Queria sair dali o mais rápido possível. E se a conversa fosse em direção ao Neville? Shacklebolt e Arthur eram os únicos funcionários do ministério da magia que sabiam sobre a sua relação amorosa com Longbottom. O que ele poderia dizer se eles perguntassem sobre o garoto? Como poderia explicar que já tinha estragado a sua recente relação?

"Eu não sei se poderei ir, Arthur."

Weasley olhou com surpresa para o bruxo.

O elevador parou novamente e abriu as portas. Snape correu para fora do elevador. Ele já havia tido sua cota de constrangimento por hoje. Não queria falar sobre Neville com mais ninguém, por isso fugiu de Arthur. Ele havia saído no andar errado, mas ele iria de escadas até o quartel general dos aurores, onde ficava a sua sala.

-X-

Neville aguardava o início da aula de Poções Avançada, afastado dos demais colegas. Poções Avançada!, pensou Neville. Era o destino conspirando contra mim?

McLaggen olhava para ele com o usual desdém. Longbottom revirou os olhos. Não entendia porque o garoto demonstrava tanta hostilidade com ele, Harry e Ron. Todavia, hoje ele não se importava com isso. Estava com a cabeça cheia de problemas amorosos.

O rapaz estava perdido em seus pensamentos enquanto a aula não começava. Ele ficou pensando nas coisas que disse para Severus. Ele ficou satisfeito ao perceber que o amante não gostou da ideia do pedido de tempo. Longbottom estava bastante receoso de que quando falasse sobre eles se afastarem, Snape simplesmente dissesse que já não o queria mais e era melhor que ambos seguissem as suas vidas separadamente.

Estou reconhecendo meus erros. E acho que nós podemos resolver isso, Severus havia dito. Neville concordava. Ele realmente concordava, todavia, a distância seria bom para eles. Sentir saudades, se acalmar, organizar as ideias. Era melhor assim! Era só um mês!, dizia a parte racional do cérebro de Longbottom.

Porém, a parte emocional implorava para Neville ir até a casa de Snape. O Comensal da Morte só teria que dizer que sentia muito mais uma vez para que Longbottom se atirasse nos braços dele. O rapaz estremeceu com um arrepio. Ele quase podia sentir a textura dos lábios finos de Severus na sua pele, a respiração quente contra o seu rosto...

Neville piscou algumas vezes, voltando para a realidade. Estava sentindo calor. Devia até ter corado só com o infantil pensamento de ter o professor perto dele. Por que eu tinha que ser um bobo apaixonado?

Longbottom olhou para os outros colegas do curso se aurores. Havia duas moças estrangeiras vindas de Durmstrang, uma delas era ruiva. E se Severus se interessasse por outra pessoa nesse tempo que nós passaremos separados? E se ele resolvesse se envolver com a bela bruxa ruiva de Durmstrang?, refletia desesperado. Droga! Severus esmagaria meu coração de novo caso resolvesse se envolver com outra pessoa. Por que eu me sentia tão inseguro?

O rapaz estava tão angustiado com o masoquismo mental que não percebeu Harry e Ron caminhando até ele.

"Ei, Neville!", falou Weasley.

"Olá...", falou Longbottom, desanimado.

"Oi! Encontrei Snape no átrio", anunciou Potter.

Snape? Por que o meu mundo parecia ser somente Severus Snape?, pensou o rapaz. Longbottom resolveu ignorar o assunto Snape.

"Como foi o final de semana de vocês?"

"O meu foi fantástico!", respondeu Ron, animado. Neville agradecia por ter um amigo tão facilmente distraído como Ron, porém Harry ainda parecia estar o analisado. "Eu consegui preparar um bolo para Hermione pela primeira vez. Ela ficou super feliz! Ela apreciou a minha atitude feminista."

"Vai mudar de assunto?", indagou Potter. "Como foi o seu final de semana, Neville? Snape parecia irritado quando o encontrei alguns minutos atrás."

"McLaggen está nos encarando", comentou Longbottom.

Harry olhou brevemente na direção de Cormac McLaggen. Em seguida, voltou a sua atenção para Longbottom.

"McLaggen é um grande babaca. Todos sabem disso", falou Ron.

"O que aconteceu no sábado, depois que saímos da sua casa?", perguntou Harry e ficou sem resposta. Insatisfeito, Potter insistiu: "Conversei rapidamente com Snape e ele estava furioso. Vocês brigaram?"

"Harry", falou com súplica. "Eu não quero mais falar dele."

"Snape realmente brigou com você?", questionou Potter, incrédulo.

"Como ele teve coragem de brigar com você? Snape acha que vai conseguir alguém melhor do que você? Ele é louco, então...", comentou Weasley.

Longbottom respirou fundo antes de responder.

"Nós estamos dando um tempo. Agora, por favor, parem com esse interrogatório."

Harry e Ron trocaram olhares, mas ambos respeitaram o pedido de Neville e pararam de falar sobre Severus. Os dois iniciaram uma conversa sobre bolos.

Pouco tempo depois, o auror responsável pela aula da manhã chegou e a aula se iniciou. Neville se forçava a não pensar no Comensal da Morte, mas era uma missão fadada ao fracasso. Sua mente, masoquista, sofredora e insegura sempre ia em direção a Severus. Aflito e com baixa autoestima, ele não parava de pensar que Snape ia encontrar alguém melhor e eles se envolveriam em um tórrido caso de amor.

Obviamente, por conta disso, a poção de Longbottom desandou e, pela segunda semana consecutiva no curso de aurores, ele estragou uma poção. Coincidência ou não, a culpa dos seus erros sempre eram Severus. Quando estava em Hogwarts, o professor o infernizava e seu cérebro parava. E agora, já adulto, Snape infernizava seus pensamentos de outra forma.

-X-

A manhã de Severus foi bem pouco produtiva. Ele estava fazendo um trabalho burocrático que necessitava de atenção, porém, ele estava distraído e irritado. O velho sentimento de remorso circulava por todo o seu corpo. Ele não conseguia se perdoar por ter agido como um imbecil com Neville.

Snape olhou para a pilha de pergaminhos e memorandos que ele precisava analisar. Já era o fim da manhã e ele só havia conseguido analisar cinco. Droga! Além de ser um péssimo namorado, ele também era incompetente? Ele não aceitava isso.

Ele precisava começar a produzir, a trabalhar de fato, porém, ele viu os bruxos começarem a se levantar das cadeiras e saírem de seus cubículos. Ele consultou o relógio e se surpreendeu. Já era meio-dia. Severus pegou os pergaminhos e memorandos e os organizou rapidamente. Ele resolveria tudo aquilo na parte da tarde.

Como de costume, Héstia apareceu no seu cubículo com um sorriso amistoso.

"Quer ir almoçar?"

Severus se levantou.

"Vamos."

Os dois estavam andando em silêncio. Snape apreciava a companhia da bruxa exatamente por isso. Ela não era aquele tipo de pessoa que fica incomodada com a falta de conversa. Ela só fala quando era realmente necessário. Devia ser por isso que eles se davam razoavelmente bem.

"Hoje King teve um horário livre na agenda. Se importa dele almoçar conosco?"

Snape parou e a bruxa parou ao seu lado. Ele não trocava confidências amorosas com Jones, porém, Severus já havia percebido que Shacklebolt e ela estavam em um relacionamento.

"Héstia, eu não vou estragar o almoço de vocês. Aproveitem esse tempo sozinhos juntos."

"Eu te chamei para almoçar, Severus. Não seja bobo! Podemos ir nós três."

"Vocês não são um casal? Você não é namorada do ministro da magia?"

A bruxa corou levemente nas bochechas.

"Nós estamos nos conhecendo."

Severus se distraiu ao ver Granger caminhando por ali, na seção de aurores. Ele sabia que ela estava fazendo estágio na seção de controle de leis. Então, se ela estava ali significava que Potter, Weasley e Longbottom estavam por perto. A esperança de ver Neville dominou seu coração.

Héstia seguiu o olhar de Snape.

"Longbottom e os meninos tiveram aula de manhã com Fryhle. A aula já deve ter acabado. Granger deve estar indo atrás deles para almoçarem juntos."

Snape lançou um olhar gelado para Jones.

"Por que está falando de Longbottom para mim, Héstia?"

Jones sorriu com bondade.

"A namorada do ministro sabe de algumas coisas", disse e piscou.

Severus contou até dez para não responder algo grosseiro. Afinal de contas, Héstia era a chefe da seção dos aurores e a sua chefe. Por fim, ele resolveu que queria ver Neville. Snape perguntou com a voz forçadamente calma:

"Greg Fryhle é o auror que leciona Poções Avançada, não é? Onde fica a sala de aula?"

"Correto. Sala anexa a arena onde ocorrem os duelos", respondeu e fez uma pausa. "Isso significa que não vamos almoçar juntos?", perguntou com provocação.

"Tenho certeza que o almoço será mais agradável só com o seu ministro, Héstia!", disse e seguiu na direção por onde Granger havia sumido.

-X-

Severus correu até a sala de aula. Ao se aproximar, ele viu alguns alunos saindo pelo corredor. McLaggen o cumprimentou:

"Bom dia, professor!"

Snape se limitou a acenar com a cabeça para o garoto. Ele continuou seguindo até a porta da sala de aula. O bruxo olhou rapidamente pela porta, sem entrar. Não foi exatamente uma surpresa encontrar Granger, Weasley, Potter e Longbottom juntos. O professor da disciplina também estava lá.

Fryhle avistou Severus olhando pela porta, e aproveitou a oportunidade para escarnecer.

"Severus, você não está cobiçando o meu emprego, está?"

Snape viu que a menção ao seu nome fez todos os garotos olharem para ele. Mas a atenção do Comensal da Morte estava somente em Longbottom. O rapaz também olhou diretamente para ele. Severus não resistiu e usou Legilimência contra Neville. Ele sentiu a dor e a aflição que dominavam a cabeça do seu amante. Corrigindo, a aflição ridícula que dominava os pensamentos do rapaz. Snape sorriu enviesado para ele e Longbottom fechou a sua mente. Tudo isso ocorreu em segundos, mas pareceram minutos.

Severus desviou o olhar de Neville e respondeu ao bruxo mais velho:

"Não, Fryhle. Eu não poderia concorrer com você por esse cargo. Eu não sou auror."

O bruxo riu com a resposta e recolheu os seus livros.

"Meninos, nós nos vemos na próxima semana. E, Longbottom, todos temos dias ruins. Espero que esteja mais concentrado na próxima semana. O seu desempenho nessas últimas duas semanas não é compatível com a habilidade que você vem demonstrando ao longo do curso."

Fryhle caminhou em direção a porta, ao passar por Snape comentou com a voz baixa:

"Você não é auror, Severus, mas é algo mais poderoso. É um dos integrantes da lendária Ordem da Fênix."

Snape deu um sorriso desagradável para ele. Odiava bruxos que admiram a Ordem da Fênix, mas não se alistaram quando Albus fez convocações.

"Eu também sou Comensal da Morte e ex-presidiário."

Os olhos claros de Fryhle brilharam de malícia.

"E por que acha que você está fora de Azkaban?", indagou e foi embora.

Severus lançou um olhar de desagrado profundo ao bruxo. Fryhle era só mais um idiota alienado que tinha lido a reportagem de Skeeter sobre a teoria de conspiração da Ordem da Fênix.

Snape voltou a sua atenção a algo mais importante. Granger, Potter e Weasley estavam saindo da sala.

"Olá, professor!"

"Snape", o bruxo ouviu quando os três passaram.

Potter parou e olhou seriamente para Severus.

"Tente não ser um idiota dessa vez."

O bruxo mais velho olhou com desprezo para o rapaz, depois sussurrou, com seu tom particularmente letal, para somente ele ouvir:

"Eu vou te destruir quando estivermos na arena de combate."

Severus se deliciou ao ver Potter ficar pálido. Fazia anos que ele não via medo do rosto do rapaz. Foi uma ótima sensação.

"Saiam daqui."

Quando os três seguiram pelo corredor, Snape entrou na sala de aula e fechou a porta.

Neville olhou para ele, agora usando decididamente toda a sua Oclumência.

"Então... Severus, eu acho melhor nós não nos falarmos enquanto estamos dando esse tempo."

"Eu não concordo, mas vou respeitar a sua decisão. Eu só gostaria de falar umas coisas antes do nosso mês silencioso. Tudo bem?"

Longbottom assentiu afirmativamente com a cabeça.

"Eu fui um verdadeiro imbecil ontem e peço desculpas por isso. Contudo, você consegue ser mais estúpido do que eu, Neville."

Os olhos hazel se arregalaram de surpresa. O garoto definitivamente não esperava ser ofendido.

"O que?"

"Você percebeu que eu usei Legilimência contra você uns minutos atrás e não me desculparei por isso. Eu notei que as preocupações que você está nutrindo não fazem sentido. Por isso", falou e andou alguns passos em direção ao rapaz. "Eu vou te dizer algumas coisas para te tranquilizar durante esse mês que passaremos distantes. Neville, não existe possibilidade alguma de eu me interessar por outra pessoa. Todos os meus poucos sentimentos estão dirigidos para você."

Longbottom se sentou. Mesmo estando uns dois metros de distância do amante, Severus percebeu que ele estava pálido.

"Você está bem, Neville?"

O garoto respirou algumas vezes antes de pedir.

"Você poderia repetir essa última parte?"

Snape sorriu torto.

"Não existe possibilidade alguma de eu me envolver ou gostar de outro ser humano. Todos os meus sentimentos bons estão concentrados em somente um bruxo. Você."

O rapaz abaixou o rosto, estava olhando para o chão. Ainda assim, Severus conseguia ser o sorriso em seus lábios.

"A gente volta a se falar em um mês."

Snape mordeu o lábio inferior. Era arrogância da parte dele, mas ele tinha esperança de que fosse conseguir dobrar a vontade do rapaz. Ou, ao menos, conseguir diminuir esse mês para uns quinze ou dez dias. Havia falhado.

"Um mês", repetiu. "Mas um mês sem preocupações. Fique tranquilo e seguro, Neville. Prometo que sou só seu."

Longbottom ergueu a cabeça e olhou para Snape. Havia um inconfundível ar de felicidade e satisfação no jovem bruxo.

"Obrigado por vir me falar isso, Severus. Foi muito atencioso. Contudo, você não veio aqui para me dizer isso. Você não sabia como eu estava inseguro até ler a minha mente. O que me faz pensar... Por que você veio?"

"Isso é tão simples. Eu só queria te ver."

Neville esboçou um sorriso. Snape entendia que a conversa já tinha acabado. Todavia, ele queria ficar olhando um pouco mais para o amante. Os dois ficaram em silêncio até Severus resolver fazer uma pergunta mordaz:

"Eu devo me preocupar com o seu amigo William?"

"Nunca."

Severus assentiu, também satisfeito.

Neville começou a caminhar em direção a porta, passando direto por Snape.

"A gente se fala em um mês, Severus."

O professor deu um sorriso torto.

"Eu vou te agarrar daqui há um mês", prometeu.

Longbottom também sorriu, mas saiu da sala de aula, deixando Severus sozinho.

Continua?

-X-

Comentários da autora: Olá, pessoas! Obrigada por continuarem lendo Hazel! : D

Então... Esse era o capítulo que eu ia publicar em dezembro. Poréeeeem, prevejo que dezembro será um mês super sinistro para mim e eu não terei/teria tempo para atualizar a história. Por isso, estou atualizando agora. Duas atualizações em um mês! Eu mereço um review, não? ; )

Enfim... Gostaram do capítulo? Sim, não, talvez? Justifique a sua resposta!

Já viram o filme do Newt? Estão apaixonadas por ele? Estão shippando ele com alguém? Quem? Me indicam algumas fanfics? : D

Aproveito também para desejar Boas Festas para todas e todos! A próxima atualização só acontecerá em janeiro do maravilhoso ano de 2017. Então... Ótimo Natal! E que 2017 seja super fantástico! : D

Bjs,

27-11-16