*As partes Sublinhadas são palavras que o Draquinho riscou, já que diário algum não possui esses erros básicos ;3
24 de Janeiro de 1996
Querido Diário.
Hoje eu fiquei depois da aula para conversar com meu professor. Acho que nunca cheguei a mencioná-lo, né?
Bom, ele é esquisitão, sabe? Desde a primeira vez que eu o vi, eu definitivamente não fui com a cara dele. Por quê? Nem eu sei. Talvez porque ele emanava uma aura humilde demais para a minha pessoa.
Mas, não sei se você percebeu, diário, eu tenho um histórico para com pessoas humildes. Porém, em um fático dia, eu estava com meu primeiro namorado. E, sabe como são adolescentes né... E, por ventura, o professor estava passando e nos flagrou... Nós estávamos nos beijando um tanto quanto calorosamente, digamos assim.
No dia seguinte eu tive aula com ele... E nunca foi tão difícil olhar para sua cara sem corar de vergonha. Afinal, ele me viu numa situação pra lá de íntima e constrangedora...
Mas ele agiu como se nada tivesse acontecido.
E continuou assim por semanas até que eu não suportar mais, pois não sabia se ele estava, de fato, disposto a esquecer aquilo ou se estava esperando o momento perfeito pra usar essa informação contra mim. E eu necessitava saber!
Após sua aula, eu permaneci sentado. Ele me olhou com uma expressão serena, como se esperasse essa minha atitude. Assim que o último aluno saiu da sala, eu me levantei arrogantemente e disse a ele para cuidar de sua vida e esquecer aquele acontecimento. E o ameacei, coisa que me arrependo! Mas, se ponha em meu lugar, diário, eu estava aterrorizado! E eu ajo como um idiota quando eu estou com medo, ou magoado, ou fragilizado, ou sonolento. Enfim, ele continuou apenas me fitando. Não mudou sua expressão e tampouco disse uma palavra. Eu saí puto.
Estava irado porque aquilo significava tantas coisas para mim, e parecia tão indiferente para ele... Tão natural. Não conseguia compreender essa maturação em torno de suas ações e isso me irritava demais.
A cada aula que tinha, enchia-me de cólera, porém, também de curiosidade. Por que ele não falou nada? Por que ninguém veio falar comigo sobre minha sexualidade? Por que não recebi uma carta cheia de desprezo do meu pai? Por que raios esse professor estava guardando meu segredo?
E, de novo, fiquei depois da aula. Ficamos sozinhos e não tive coragem de falar. Então ele começou, dizendo que eu não precisava temer, porque ele sabia o que era esconder um segredo. Aquele foi o primeiro dia de muitos que eu conversei com o professor. Porque suas palavras carregavam a mesma melancolia que eu carrego em mim.
Dia após dia, eu descobria algo de novo sobre ele. De como ele deseja parar de carregar o mundo nas costas, sua paixão pela matéria, os abusos de seu pai, o porquê de suas cicatrizes, como seu namorado é ciumento.
E realmente, ele era muito ciumento! Recebi uma carta cheia de intimidações quando ele descobriu que eu estava conversando com o professor. Na verdade, foi assim que eu descobri que eles tinham um relacionamento. Afinal, o professor é um homem muito discreto, seu parceiro já não é.
Mostrei a carta ao professor, que apenas riu, dizendo que não era pra eu me preocupar, que ele era como um cachorro que late, mas não morde. Os dias se passaram e ele me contava cada vez mais sobre sua sexualidade, o que me ajudou muito, na verdade. Ter conhecimento que eu não era o único a sofrer era reconfortante. E saber que existe um casal juntos por tanto tempo me deu uma certa esperança de que não vou acabar minha vida sozinho com vinte corujas.
Seu namorado só conseguiu aceitar nossa "amizade" depois que nos encontramos para conversar. Como podia seu companheiro ter ciúmes ou insegurança? O professor olha para ele com adoração! Talvez seja para chamar atenção dele, não sei. Só sei que foram algumas palavras trocadas e ele soltou uma risada latida e sua expressão se tornou leve. Com certeza ele percebeu que o professor não é meu tipo. O que é óbvio!
De qualquer forma, saí completamente da onde eu queria chegar! O fato é que o professor me ajuda, e muito, a me entender e a me aceitar. Claro que estou longe de conseguir alcançar isso, mas só de eu saber que existe alguém como eu e que é feliz me faz ficar aliviado, sabe? Principalmente porque ele sofreu e lutou tanto pra ser reconhecido e amado...
Pode não parecer, mas eu admiro muito o Professor Lupin.
E hoje foi mais um dia de nossas conversas de aceitação. Hoje ele falou de quando ele finalmente percebeu que gostava de seu namorado e se aceitou. Foi bem reconfortante ouvir que ele também penou por alguns anos antes deles começarem a namorar. Senti dó, porque S.¹ era terrível e uma porta! E Lupin ainda passou por muitos problemas.
Fico esperançoso porque ele teve uma chance de ser feliz, logo, também posso ter, não?
Enfim, vou dormir diário... Boa noite.
-º-
Harry leu e releu aquela página. Estava estupefato. Lupin, seu professor Lupin, o Lupin que outrora fora o melhor amigo de seu pai e hoje é o melhor amigo de seu padrinho, é gay. Gay! Professor Lupin namora um cara, um homem, uma pessoa do gênero masculino... E um aluno sem conexão alguma com ele sabia e Potter não.
A surpresa de Harry beirava a cólera. Ele se sentiu traído pelo professor. Quer dizer, Remus vivia visitando Sirius e Harry nas férias de verão... Remus era como um terceiro pai para ele, já que Sirius ocupava o segundo lugar.
"Será que Tio S. seria o Snape?", cogitou indignado. Mas então riu de sua própria imaginação. Impossível, Sirius não deixaria.
Potter fechou o diário, totalmente desorientado. Remus Lupin era gay! Tipo, homossexual! Harry não conseguia acreditar ainda.
Tentou esquecer momentaneamente sobre sua descoberta para tentar lembrar quem ficava sempre depois da aula para conversar com professor Remus Gay Lupin, mas não recordava...
Suspirou bagunçando seus cabelos. Não conseguiria pensar sobre o escritor hoje. E, com certeza, Harry sabia que não poderia perguntar a Lupin sobre seu misterioso aluno que compartilha da mesma orientação sexual que a sua. Afinal, qual desculpa que Harry daria a ele? E, por não poder contar com a ajuda dele, Potter terá que esconder que Remus é gay.
Além de atônito, Harry James Potter também estava frustrado.
¹. Apesar de ter retratado na fic inteira a palavra muggle, por ela não possuir uma tradução fiel para o português, achei que ia ficar muito confuso no texto utilizar todos os termos em inglês, então deixei em português apenas nesse capítulo. Inclusive utilizei a palavra "trouxa", mas apenas nesse capitulo meus amores.
*A participação do Sirius na família Black é que o Sirius gosta de causar. Ele vai a alguns eventos familiares pra mostrar como é rebelde e pra irritar. Mas foi deserdado assim como no Canon.
³. Deixei nessa colocação porque casal gay que tem trans pode gerar filho :v.
4. Homofobia aqui equivale a LGBTQQIA+fobia ou apenas LGBTfobia... achei que ficaria muito grande colocar isso, fora que o termo não é muito utilizado (apenas no meio da comunidade LGBT+, sem ser os ativistas GGG *indireta*), infelizmente.
Nota da Autora:O que a JK Rowling já nos disse sobre a comunidade LGBTTQIA+ no mundo bruxo:
Seguidor: "Você acha que há um grande número de estudantes LGBT em Hogwarts? Gosto de imaginar que eles formaram uma espécie de clube LGBT. Acho que a escola tinha uma grande variedade de pessoas e gosto de pensar que é um lugar seguro para esses alunos"
Rowling: "Claro", respondeu a autora que anexou uma imagem com as cores da bandeira gay que diz: "Se Harry Potter nos ensinou algo, é que ninguém deveria viver num armário".
Então, assumindo que tenha essa politica de aceitação LGBTQQIA+ em todas as escolas também, assumi que o mundo bruxo não teria problemas fortes como LGBTfobia como se tem no mundo muggle. Li em uma entrevista também que o maior problema do mundo bruxo é a questão do sangue. Então, retratei da melhor forma que eu consegui isso. Meio utópico de se pensar, mas tentei...
Ps: Pra quem não sabe.
Orientação sexual: é por quem você sente atração sexual (desejo de se envolver sexualmente)
Orientação romântica: é por quem você sente atração romântica (vontade de se envolver romanticamente)
Identidade de gênero: o gênero no qual você se identifica.
São termos que não serão utilizados na fic, mas terão embasamento por causa de um personagem específico, olha eu dando spoiler :v
Nota da Autora 2: Bom.. Pra quem não sabe eu tenho depressão, e um dos meus gatilhos é ficar muito tempo com minha familia toxica e no meu quarto.. E esse final de 2016 e começo de 2017, foi exatamente o que aconteceu... Ai eu tive tipo, a pior crise da minha vida...
Fiquei uns 3 dias de cama por causa disso e tals... E quando eu estava melhorando, o cara que eu tava namorando terminou comigo :D (é, eu tenho um histórico de namorar pessoas que me dão um fora nas piores horas). Ai ficou tudo meio merda e meio bosta.
Fiquei janeiro inteiro tentando lidar com a puta recaida que eu tive depois de meses indo bem e o fato de ter sido rejeitada.. de novo... Não foi muito facil, mas.. Eu precisava desse tempo.. Ainda preciso na verdade? Porque ta tudo meio merda, mas pelo menos nao to fazendo merda :v.
Enfim... Eu devia uma explicação a voces e estou dando.. Mil perdoes mesmo pela demora... Agora vou pegar firme com a fic, juro...
Amanha vou responder os comentarios e tudo mais . Obrigada pela paciencia e espero que nao desistam de mim e da fic . Porque eu nunca irei... sabe, desistir de mim, da fic e de voces .
¹. S. = Sirius Black. Resolvi deixar apenas a sigla no final pra dar um misteriozinho :v.
². Isso é uma teoria minha. Não vai ser aprofundado na fic, então vou citar aqui apenas :v,
Pra que não sabe como o Remus foi transformado em lobisomem, seu pai, Lyall ofendeu Greyback, dizendo que os lobisomens são seres sem alma, maus e que merecem nada além da morte. Então como vingança ele mordeu seu filho único: Remus. Com medo da reação preconceituosa da comunidade bruxa, eles se mudaram para um local isolado para criar Remus e o amaram.
Mas como uma pessoa vê seu filho se tornar o tal ser sem alma, mau e que merece nada além da morte o amar tanto? A JK nunca se posicionou sobre isso, que eu saiba. Apenas que o prendiam durante a lua cheia durante a transformação e que o pai fez de tudo para achar a cura e que os pais adoravam seu filho, apesar de ele sempre ser solitário e nunca poder brincar com as crianças...
Desculpa, mas isso me parece um claro relacionamento abusivo familiar. Tenho alguns links sobre isso relacionamento abusivos familiar, caso alguem esteja interessado:
- .
. /psicologa-explica-relacionamentos-abusivos-o-que-e-e-como-lidar-com-essa-situacao/
Nota de Autore: Aiaiaia.. la vou eu com minhas desculpas esfarrapas do porque eu fiquei tanto tempo sem postar... Bom.. Pra quem não sabe eu tenho depressão, e um dos meus gatilhos é ficar muito tempo com minha familia toxica e no meu quarto.. E esse final de 2016 e começo de 2017, foi exatamente o que aconteceu... Ai eu tive tipo, a pior crise da minha vida... Fiquei uns 3 dias de cama por causa disso e tals... E quando eu estava melhorando, o cara que eu tava namorando terminou comigo :D (é, eu tenho um histórico de namorar pessoas que me dão um fora nas piores horas). Ai ficou tudo meio merda e meio bosta. Fiquei janeiro inteiro tentando lidar com a puta recaida que eu tive depois de meses indo bem e o fato de ter sido rejeitada.. de novo... Não foi muito facil, mas.. Eu precisava desse tempo.. Ainda preciso na verdade? Porque ta tudo meio merda, mas pelo menos nao to fazendo merda :v.
Enfim... Eu devia uma explicação a voces e estou dando.. Mil perdoes mesmo pela demora... Agora vou pegar firme com a fic, juro... Amanha vou responder os comentarios e tudo mais 3. E pra compensá-los, essa semana mesmo vou postar outro capitulo, provavelmente domingo 3. Obrigada pela paciencia e espero que nao desistam de mim e da fic 3. Porque eu nunca irei... sabe, desistir de mim, da fic e de voces 3.
