*As partes Sublinhadas são palavras que o Draquinho riscou, já que diário algum não possui esses erros básicos ;3
29 de Fevereiro de 1996
Querido Diário,
Sabe quando você se sente extremamente exausto? É assim que eu me sinto.
Cansado de ter esse sentimento em torno de certo grifinório, que não vai resultar em nada. Ok que eu nunca assumi nada para ninguém. Mas sim, eu gosto dele. Gosto pra caralho. E aquela boceta de garoto é uma anta que não percebe. Juro que até cogitei me confessar... Estava até indo...
Mas acabamos brigando, como sempre. Esperei-o do lado de fora da aula de Transfiguração e trombei nele como quem não quer nada. Não fui hostil nem nada, até ia pedir desculpas e ajudá-lo com os livros, mas ele já veio pra cima de mim com mil pedras na mão.
Ok, temos um histórico de trocar faíscas, mas dessa vez juro que não fiz nada! Tentei dizer que não ia fazer nada, mas ele não me ouviu. Parecia que ele não dormia há dias, mas isso não é desculpa, certo? Ando preocupado com ele, parece que ele tem tido dificuldades pra dormir e se concentrar, mas precisava ficar tão nervosinho?
Disse umas palavras atravessadas que realmente magoaram. Caramba, eu to cansado pra caralho de gostar dessa praga. Nunca vai acontecer, pronto. Não importa o quanto eu goste dele, meus sentimentos nunca irão o alcançar.
Ele realmente pegou no meu ponto fraco, sabe? Que eu não tenho amigos, nem nada... Acho que eu vou desistir, procurar outro pra ter algo, sei lá, mas ficar correndo atrás do Harry-Santo-James-Fucking-Potter?
-º-
Harry parou de ler no mesmo instante estupefato. Não conseguia acreditar no que havia lido. O escritor gostava dele? Sua respiração estava acelerada, até demais... Como estava na biblioteca, tentou não parecer tão alarmado.
Colocou a mão sobre seus cabelos sempre bagunçados e tentou se lembrar com quem havia brigado depois da aula de Transfiguração do dia vinte e nove de fevereiro do mesmo ano. Fazia muito tempo, mas Harry nunca se esquecia de uma briga, ainda mais quando era tão agressivo...
Então veio um nome em sua mente... Começou a rir incrédulo. Não podia ser. Ficou sério, forçando sua mente.
— Malfoy? — pensou alto, enleado.
— Esse é meu nome, não o use à toa, testa rachada.
Harry ficou completamente desconcertado pela voz que acabara de ouvir. Não podia ser.
— Hey, o que está lendo? — perguntou curioso ao reconhecer a pequena caligrafia.
Harry não consegue dizer nada. Talvez porque tudo começou a fazer sentido em sua cabeça. E se tocou que estava encarando o dono do diário que estava lendo nesse último mês: Draco Malfoy. Como poderia responder a essa pergunta quando seus pensamentos estavam tão bagunçados?
Draco se aproxima um pouco mais e sentiu seu rosto arder absurdamente, fazendo-o ficar tão vermelho quanto a casa Gryffindor¹. Por um instante, ambos se olharam de verdade, pela primeira vez. Sem armaduras, sem máscaras. Apenas uma alma olhando outra. E isso fez o coração de Potter falhar um pouco.
— Idiota! — xingou Malfoy com a voz embargada, pegando abruptamente o diário e saindo correndo.
Harry não imaginava achar adorável essa cena.
¹. Griffyndor: tradução para o português: Grifinória.
