Epílogo

Era madrugada. Os quadros dormiam e poucos fantasmas vagueavam pelo Castelo. Flinch e Mrs. Norris perambulavam a procura de alguém para punir enquanto os Monitores faziam sua ronda despreocupadamente. No entanto, ninguém nunca pensaria em ir à sala de aula de Poções. Até porque, quem se atreveria a ir lá?

O que ninguém imaginava era que Severus Snape cederia sua sala ao seu afilhado, Draco Malfoy. No fundo, o professor sabia quem ele iria encontrar, mas se enganava com histórias e mentiras bobas. Para ele, Draco merecia alguém melhor do que Potter. No entanto, queria que seu afilhado fosse feliz, então o ajudava da melhor maneira que podia e sem obter muitos detalhes. Querendo ou não, Snape sabia muito bem como Draco estava mais feliz depois deles começarem a se relacionar.

Naquele dia primaveril de maio, as masmorras exalavam um frio que não era correspondente ao clima agradável dos jardins. Contudo, era noite, e as noites sempre são mais frias, principalmente nas pétreas paredes das masmorras. Draco não se importava muito, até porque os braços de Harry eram quentes e confortáveis.

Estavam deitados no chão. Harry descansando sua cabeça no peito de Draco que o abraçava pela cintura. Draco estava deitado em um de seus braços, enquanto brincava com seus cabelos negros e rebeldes com a mão livre.

Era como um dia qualquer. Aninhavam-se, proseavam e por vezes se beijavam. Apenas queriam ficar juntos por um tempo, em meio à rotina cheia de estudos e treinos de Quidditch¹. Apesar de eles terem assumido seu relacionamento e a maioria dos alunos ficarem chocados, isso não era um problema. Não era como se tivessem problemas por serem do mesmo gênero ou por Potter nunca ter demonstrado nenhum interesse em um homem e tampouco um sonserino. Não entendiam como o Menino que sobreviveu e o filho de um Death Eater² poderiam estar juntos.

Conquanto, nem Draco e muito menos Harry se sentiam afetados, pois estavam felizes juntos. E quem importava a eles, aceitaram-lhes e apoiaram-lhes (Ron ainda estava incrédulo de que era Draco-Fucking-Malfoy, mas por Harry, tentou ser amigo dele. Tentou.). Claro que era estranho se relacionar com alguém de casa inimiga, se bem que ambos formaram um laço tão forte, que era fácil vencer tais obstáculos.

Lucius ficara muito feliz quando, nas férias do Natal, o famoso Harry James Potter apareceu em sua casa. Bajulou-o de todas as maneiras possíveis e todas extremamente erradas, entretanto, Harry relevou por poder curtir seu amado sem ter que se esconder em uma sala fria. Ao descobrir, porém, que o visitante não era apenas um amigo de seu filho, ficou extremamente colérico. Berrou e gritou para ambos. Harry sorriu orgulhosamente quando Draco enfrentou seu pai.

Ambos saíram apressados no mesmo dia à casa de Harry, onde foram muito bem recebidos por Sirius e Remus. Só não podiam dormir no mesmo quarto por insistência de seu padrinho. Ainda assim, não era como se tivessem o obedecido.

No primeiro dia de aula, Draco recebeu uma carta de sua mãe, dizendo que mediou a situação e agora Lucius está mais adepto a aceitar toda essa situação. De malgrado, mas aceitou, principalmente se lhes derem um netinho. Ele riu e mostrou a carta a Harry que ruborizou e beijou sua bochecha feliz que tudo tenha dado certo para Draco.

Tudo ia muito bem para ambos, principalmente naquela noite de maio, onde parecia mais uma noite como as outras.

— Estava com saudade de você — confessou Harry, acomodando-se melhor no peito de Draco

— Mas você me viu hoje.— disse, não desviando o olhar do teto.

— Sim, por uns cinco minutos. Não é o suficiente. Mal consigo falar contigo durante a semana. — Fez um beiço, mesmo que o outro não pudesse ver.

— Por isso que sempre nos vemos aqui — Draco retrucou, e Harry deitou-se em cima do namoradoo, olhando sua expressão pacífica.

— Eu apenas gosto de estar com você, Draco — sussurrou mais galante do que esperava.

— Cala a boca, Potter — pediu, corando absurdamente.

— É sério. O que tem de mal gostar de ficar com meu próprio namorado? — ronronou, beijando seu maxilar, fazendo com que os pelos de Draco se arrepiassem.

— Nunca disse que era algo negativo — respirou pesadamente, querendo que ele continuasse com as carícias.

— É claro que não. — Encostou o queixo no peito de Draco, observando-o.

Draco mordeu os lábios inferiores e o olhou. Ele estava claramente o provocando sem que ele próprio notasse. Na verdade, todos seus gestos e palavras eram terrivelmente sedutores para o namorado.

— Você é muito lerdo, Potter — falou antes de levar as mãos no rosto de Harry e o beijar.

Harry passou as mãos pelo flanco de seu corpo, retribuindo o beijo enquanto Draco entrelaçava seus dedos pelos seus cabelos negros. Harry se separou e saiu de cima de Draco.

— Estava muito desconfortável — confessou sentando-se ao seu lado. — Vem aqui — chamou-o, estendendo as mãos.

Draco engatinhou-se até o colo de Harry. Por um longo minuto, ambos apenas apreciaram a beleza um do outro. Harry nunca imaginaria estar assim com Draco e tampouco achá-lo tão sexy após um beijo. Ou em qualquer ocasião.

Passou as mãos pelas costas de Draco e beijou seus lábios tenros, apaixonado e brutamente. Uma luxúria se apoderou de todos os seus sentidos. Draco passava as mãos pelos cabelos e ombros do outro, que aventurou suas mãos por debaixo de sua blusa, arranhando avidamente sua pele. Harry desceu os beijos até seu pescoço. Chupava, lambia e mordia, fazendo Draco tentar suprir seus gemidos.

A sala outrora gélida tornou-se abafada, quente demais, prazeroso demais. Draco se afastou e retirou a própria blusa com pressa, jogando-a num canto qualquer e bagunçando seus cabelos. Harry ficou hipnotizado pela textura de sua pele e o olhar turvo pela luxúria. Beijou seu tórax e então seus mamilos. Tão pequenos, rosados, apetitosos e provocativos. Devorou-os lascivamente. Draco mal conseguia conter o prazer e os gemidos saiam tão indecentemente de seus lábios. Era quase como se estivesse provocando Harry, e estava funcionando.

Puxou seu corpo para mais perto de si, voltando a beijar vorazmente sua boca. Passando suas mãos por toda a extensão de seu dorso. Draco mexia seus quadris contra os de seu namorado inconscientemente, murmurando ao pé de sua orelha palavras desconexas, mordiscando-a e atiçando-o ainda mais.

Draco puxava selvagemente os cabelos de Harry e isso era estranhamente prazeroso. Malfoy, que era tão esnobe e orgulhoso, nos seus braços se abria de tal forma que excitava cada célula de Potter. Seu corpo queimava de tesão. A lascividade que os envolviam nesses momentos era intensa demais para qualquer um suportar. E tudo que Harry podia fazer era beijá-lo e tocá-lo. Porque seus átomos clamavam pelos dele.

O remexer dos quadris tornou-se quase frenético. Draco rebolava, friccionando seus membros duros por debaixo das calças. Harry apalpou sua bunda lentamente, causando espasmos de prazer. O ar chegava a faltar. Mordeu o lábio inferior para tentar se conter, mas já era impossível. Precisavam de mais. De tudo. Qualquer mísero contato. O tocar da tez para enlouquecê-lo ainda mais, como se somente a loucura pudesse saná-lo, ou então Harry. Harry e seus olhos verdes que o incendeiam cada pedaço de seu âmago.

Porém, ao entreabrir os olhos, Draco não viu seu amado, que tanto se sentia protegido e o enchia de volúpia. Era a sombra de seu passado que o aterrorizada vez ou outra, que o fazia acordar chorando de madrugada. Estava tão real que um pânico subiu-lhe a garganta e a única coisa que conseguiu fazer foi empurrar o homem que estava com ele, afastando-se como um animal assustado. Seus olhos pesaram-se em lágrimas e sua garganta doeu. Tentou engolir toda a angústia, em vão. A falta de ar era torturante, parecia que o mundo estava se fechando em si.

Harry levantou-se atordoado. Estava prestes a perguntar o que aconteceu, quando viu seu namorado ofegante, tremendo... perdido. Completamente indefeso e, infelizmente, não era primeira vez. Abraçava suas pernas como se fosse a única maneira de se sentir seguro, e isso partia o coração de Harry. Ele queria vê-lo bem, sorrindo, mas sabia que isso dependia apenas dele, o máximo que Harry poderia fazer era estar lá por ele, emprestando um pouco da sua força e o amando.

— Sou eu, Harry — anunciou, parecendo acostumado, mas com preocupação na voz e engatinhou devagar até seu lado. — Seu namorado, Harry — disse sinalizando que poria a mão em seu ombro, porém o pranto se intensificou. — Olhe para mim, você vai ver que eu sou o Harry — pediu, e Draco o encarou receoso.

Levou suas mãos trêmulas até sua face, tocando-o com medo. Tateou com as pontas dos dedos seu semblante por inteiro, como se tentasse o reconhecer por outro sentido sem ser a visão que o iludia tanto. E então chorou. Chorou desolado e copiosamente.

— Desculpe, desculpe. Eu sou um idiota. Eu não sei por que ainda está comigo. Eu não... eu não consigo... — soluçava as palavras enquanto Harry o abraçou forte.

— Está tudo bem, Draco. Você está comigo agora, ninguém pode te ferir... — Tentou o acalmar, acariciando seus cabelos loiros e beijando sua têmpora. Draco o abraçou forte, como se sua vida dependesse disso, e nesse momento sua sanidade dependia.

— Não... não é normal. Eu já devia ter esquecido ele. Mas toda vez... toda vez... Por que você está com alguém tão fodido quanto eu? — perguntou, agarrando-se ainda mais em Harry. Não queria saber a resposta, contudo, não entendia.

— Porque você é forte. Porque você é esforçado e inteligente. Porque você tenta. Porque quando você me olha eu me sinto amado, sinto como se eu realmente fosse um herói. Porque eu não me importo com sexo, eu me importo com você. Porque eu me apaixonei desde a primeira página, desde o primeiro encontro, desde o primeiro xingamento e cinismo. Porque eu quero te ajudar... Estou com você porque você é único, Draco. E eu sei que você vai melhorar, porque você já melhorou — respondeu com sinceridade em cada palavra.

Draco se afastou cuidadosamente de Harry e olhou suas íris, tão verdes e tão vivas. Sempre quando as olhava sentia vontade de continuar lutando, de continuar ao seu lado. Sorriu com o nariz ainda vermelho.

— Falando assim eu até acredito, Potter — brincou com um sorriso fraco, mas Harry continuou sério.

— É para acreditar porque é verdade. Eu te amo, Draco. Não vou largar de você por algo que nem é sua culpa.

— É minha culpa. Eu nunca pensei em parar, eu nunca recusei de verdade. Eu mereci ser abusado. Eu...

— Não é sua culpa, Malfoy. Você era só uma criança. Leva tempo para superar certas coisas. Você me ajudou tanto e eu espero poder te ajudar... Você merece estar bem — cortou-o, retirando carinhosamente uns fios que caiam nos olhos de Draco.

— Eu só não sei quanto tempo você vai aguentar ficar comigo. Eu tenho tanto medo de te perder. E se você se cansar disso tudo e procurar alguém com que você possa ter um relacionamento melhor?

— Você é meu relacionamento melhor, Draco. Eu nunca vou me cansar de você. Você é incrível e é tudo o que eu quero. Já te falei antes que sexo não é a coisa mais importante pra mim. O mais importante é você — insistiu, e Draco estendeu os braços. Harry se jogou em seu colo, abraçando-o docemente.

— Eu te amo, Harry. Obrigado por estar na minha vida. — Beijou sua bochecha e apertou o abraço.

— Eu que agradeço por você ter entrado na minha vida — disse sorrindo, sentado no colo de Draco. — Eu te amo. Leve o tempo que precisar, eu sempre estarei ao seu lado. — Harry depositou um beijo rápido em seus lábios, fazendo Draco sorrir.

— Obrigado por entender...

— Eu quero fazer apenas quando você se sentir confortável. Eu nunca te forçaria. Você é importante pra mim e eu quero te fazer feliz enquanto estiver comigo.

— Eu sempre estarei com você, se depender de mim — falou, corando, enquanto acariciava seu rosto, admirado.

— Digo o mesmo, Malfoy. — Sorriu e recebeu um beijo doce e inocente. — Mas então, como foi seu dia? — perguntou Harry realmente interessado.

Passaram a noite inteira conversando e trocando carícias, como nos outros dias. Foi como uma noite qualquer, exceto que fora a primeira vez que disseram "Eu te amo".


¹. Quidditch: tradução brasileira é "Quadribol"

². Death Eater: tradução brasileira é "Comensal da Morte"

Nota de Autore: Eu sei que algumas pessoas esperavam um lemon, mas não acho que se encaixaria na fanfic, levando em consideração que o Draco ainda tem seus traumas e a assexualidade do Harry, não dá pra ter um lemon sem um contexto, sentimento e sem ser trabalhada. Então resolvi fazer essa cena mesmo, desculpem ;-;. A classificação +18 é por causa da linguagem impropria, pensamentos suicidas de algumas cenas de alguns capitulos que eram sexuais (positivas e negativas). Mas enfim...

AAAAAAAAAAH, MAL POSSO ACREDITAR QUE A FIC ACABOU ;-;. Vou sentir tanta falta de voces . Queria agradecer a paciencia de voces, porque teve meses que eu simplesmente não postava por não estar bem ;-;. Mas voces nunca desistiram de mim assim como eu nunca desisti da fanfic, e por isso, agradeço a todos voces . Vou sentir muita falta de postar essa maravilhosidade, sos

Entãaao.. Espero mesmo que tenham gostado da fanfic tanto quanto eu gostei de escrevê-la . Vocês são uns lindos . E espero não ter desapontado ngm ;-;