Até agora: Harry teme o fim de semana que está se aproximando, e junto dele o passeio a Hogsmeade e sua detenção com Draco. Já esse parece mais íntimo de Chikage do que de qualquer um de seus amigos, e Chikage surpreende todo mundo mais uma vez ao errar um feitiço transfiguratório e transformar um esquilo num estranho e feio animal voador.

Querem deixar uma autora feliz? Deixem uma review, faz um bem enorme, acredite! Seja para elogiar, sugerir, criticar, elas dão ainda mais vontade de terminar a fic ^^

SERPENTES E LEÕES

– Sabia que você é um professor muito malvado? – perguntou Erick, o corpo apoiado na porta da sala de Maldições.

– É aí que está a graça de lecionar – respondeu Maxxcy, sentado na mesa.

– Sei... Então, vim encher o saco!

– As coisas ficam quietas sem Chikei por aqui, né?

– Tem ido vê-lo?

– Sim.

– Também queria ir. Ele vai mesmo voltar?

– E ele tem escolha? Algum de nós teve escolha? Ah, não fique com ciúmes, ele só tem 16. Há muitos anos ele não é livre. Deixe-o aproveitar. Ele é muito novo para estar preso. Como você se sentiria se tivesse sido preso nessa idade?

– Não sei... apenas sinto falta de poder fazer o que quero, quando quero.

– Sinta-se feliz por pelo saber o que é essa liberdade. Nem a Nick conhece esse sentimento. Nem eu. E nem Chikage.

Capítulo 7 – Obsessões

– Cara, juro para você, é um alivio ver que meus cabelos continuam curtos – disse Rony de manhã, ainda vidrado no espelho, analisando se os fios ruivos estavam do mesmo tamanho desde a tarde anterior – Madame Pomfrey falou que ele podia continuar crescendo muito rápido ainda por uns dois dias. Cheguei a sonhar que hoje acordaria afogado em cabelo! E aí meus pais chegavam e viam já do lado de fora meu cabelo descendo pelas janelas da Torre. E Fred e Jorge fariam alguma piada sobre tônicos capilares. Como naquele conto trouxa que a Hermione contou, sobre uma mulher que tinha um cabelo tão longo como uma torre.

– O nome é Rapunzel, mas ela não se afoga no cabelo, ela o usa como corda para o homem que ela ama entrar na torre onde ela está presa – respondeu Harry, segurando a vontade de rir ao imaginar a cena descrita por Rony: a Torre da Grifinória tendo vários tufos de cabelos vermelhos pelas janelas.

– Bom, não deixa de ser assustador, não é?

– Bem, pelo menos seu cabelo é liso. E se fosse cheio como o da Mione? Ou ainda, bem encaracolado?

– Eu teria ficado preso na sala do Flitwch, pois não conseguiria passar pela porta – disse Rony rindo e Harry o acompanhou nas risadas, imaginando um tufo de cabelos cacheados tentando passar por uma porta.

– Sabe, depois dessa, acho que sua mãe não precisa ter medo de você deixar o cabelo crescer. Você não vai imitar o Gui – comentou Harry, ainda rindo.

– É, pode ter certeza! Já tive minha cota de cabelos longos! Cara, não sei como as meninas conseguem ter cabelo longo. Ou mesmo Gui. Chega a ser assustador!

– Acho que as mulheres já estão acostumadas, é como se fosse um dom natural delas. Não que homens fiquem ruins, Gui fica muito bem, mas... sei lá, acho que nós não fomos feitos para isso.

– Não mesmo – disse Rony, sentando na frente de Harry – Mas acho que Gui fica bem, porque, bem, ele é o mais bonito da família. Acho que é o único que consegue ficar bem assim, qualquer outro de nós ficaria horrível. Eu acho que tem tudo a ver com o rosto no final. É como o Kainou, ele fica bem com aquele cabelo todo, mas não sei se conta já que nem percebemos que ele é um homem se ele não nos disser.

– Eu não acho o cabelo dele bonito – respondeu Harry, o indicador meio dobrado sobre os lábios – é muito repicado, parece embaraçado. E bagunçado.

– O seu também é bagunçado e fica legal, Harry. Sinceramente, não te imagino com o cabelo arrumado.

– Mas o meu é curto, o dele não. Depois eu prefiro cabelos lisos... principalmente se for longo.

– É, ele é estranho no total, mas eu o acho engraçado. Ele tem um jeitão de se vestir bem fora dos padrões e gosta de fazer piadas. Me lembra um pouco o Fred e o Jorge. Ainda acho que ele é muito sabe-tudo, mas...

– Nem tanto. Lembra aquele bicho que ele criou porque a mágica deu errado? Era um troço para lá de esquisito.

– Ah, isso era. E eu ri bastante com a interação deles! Era engraçado. Queria ter tirado uma foto dele para enviar ao Jorge, ele ia adorar! E eu realmente queria ter visto a cara da McGonnagal quando aquele bicho apareceu! Você não gosta muito dele, né, Harry?

– Não é que não goste. Não me sinto confortável com ele. E acho que ele é meio, sei lá, misterioso. Mas na verdade é que Hermione não o suporta então evito falar com ele quando ele tenta.

– Ela tem inveja dele porque ele é melhor do que ela.

– Sim, mas ela é a nossa amiga e eu acho que já que não somos amigos dele, não precisamos fazer algo que a desagrade. Não custa nada para nós e faz diferença para ela. Depois ele a chama de sangue-ruim e eu não acho isso certo e não gosto disso.

– Tem razão. Mas ele não parece querer insultar quando diz isso...

– Querendo ou não, eu não gosto – disse Harry e Rony ficou calando, pensando. Nunca tivera nada contra o japonês (ficara muito feliz quando Hermione dissera que ele era mesmo japonês, isso significa que ele tinha acertado a aposta feita com outros alunos sobre a verdadeira nacionalidade do sonserino oriental) e o achava particularmente engraçado. E bastante sorridente. Mesmo quando ele acertava tudo e assim pegava os pontos que seriam de Mione ele não se incomodava realmente. O achava estranho, mas não ruim, nem malvado ou falso. Na verdade, não acreditava que ele fosse um sonserino, ele em nada lembrava os sonserinos. Sabia que a amiga não gostava do oriental, mas nunca pensara no ponto que Harry colocara. Será que ele estava magoando-a quando ficava falando dele? Bem, não era como se Mione reparasse muito nele certo?

– Acho que... sei lá, eu não faria amizade com ele. Ele está sempre com o Malfoy. Agora ficam para cima e para baixo juntos o tempo todo e se ele consegue aturar a doninha quicante, então ele não deve ser boa companhia, não.

– Ele fica andando com Malfoy? – perguntou Harry chocado. A surpresa transparecendo na voz.

– É, em todo lugar eles estão juntos. É mais comum ver Malfoy andando com ele do que com Crabe e Goyle agora. Que foi, cara, que cara é essa? Eu achei que você já soubesse, ficava o tempo todo o "investigando".

– Eu parei.

– Bom para você. Sabe, você estava ficando meio obcecado, sabe? Tudo era culpa do Malfoy, era Malfoy para todo lado. E não é como se a vida dele nos interessasse, certo? Ele é um maldito aprendiz de Comensal e isso já sabemos, mas nem podemos prendê-lo ainda.

– Eu não estava obcecado com ele! – respondeu Harry, indignado – Eu só...

– O culpava por tudo que acontecia. Se pensar nele a cada minuto não é obsessão o que mais é?

E Harry chegou a abrir a boca para responder "inveja", mas parou antes que a primeira sílaba fosse pronunciada. Ele não ia admitir isso a Rony ia? Por certo que não! Rony nunca o entenderia. Mas como poderia se ele mesmo não entendia? Não era como se isso fosse uma coisa racional. Na verdade não era nem um pouco.

E ele havia conseguido desencanar do maldito loiro e não ligava mais a mínima para ele.

Não mesmo.

Nem pensava mais nele!

E o fato de ter certeza que seus estranhos sonhos continham um cara de sua altura e com cabelos loiros platinados e olhos tempestades manchados de azul nada tinha a ver com isso.

Quer dizer, ele mal conseguia se lembrar dos sonhos!

E com certeza existiam muitos loiros aguados com olhos esquisitos por aí. De forma alguma precisava ser Malfoy.

E depois, quem garantia que eram sonhos? Podiam muito bem ser pesadelos! Horríveis pesadelos. Até porque sonhos não deixavam a pessoa com uma incrível sensação de vazio, como se tivesse perdido algo e ainda não soubesse. Como se houvesse algum buraco em seu peito, que sugava seus sentimentos e o deixava vazio. Como se algo estivesse incrivelmente errado e ao mesmo tempo, naquele vazio todo, uma pontinha de esperança teimava em se manter.

Sonhos não faziam isso, certo?

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Draco sabia que mais cedo ou mais tarde a coruja marrom chegaria com o envelope que conteria uma carta de sua mãe pedindo sua visita a casa para o natal e não sabia como negaria esse pedido. Dias após dia ele esperava a chegada de Phobos, a coruja marrom de sua mãe, mas ela nunca vinha. Já estava tendo esperanças de que ela só chegaria tarde demais quando a majestosa coruja finalmente pousou do seu lado no café da manhã. No bico, o envelope pardo selado com o brasão dos Malfoy.

É, as coisas não estavam indo exatamente como ele planejara nos últimos tempos.

Com um suspiro Draco pegara a carta e alimentara Phobos.

E ainda não fazia ideia do que responderia para sua mãe.

Não que Draco não quisesse vê-la. Ele queria, principalmente agora que sua mãe não tinha mais seu pai por perto. Era evidente que ela devia se sentir muito sozinha e era óbvio que ela queria estar perto de Draco. E nem era certo deixá-la passar o natal sozinha. Só que Draco não queria ir para casa. Não queria estar naquela mansão onde tudo lhe lembrava seu pai e todos os cantos o faziam recordar que seu pai provavelmente nunca mais voltaria para casa.

O pior é que sabia que estava sendo egoísta. Estava querendo fugir das horríveis sensações que a prisão e a falta de seu pai lhe causavam e que apenas lhe atormentariam por duas semanas. Já sua mãe vinha aguentando isso há quase seis meses.

Seria o primeiro natal sem seu pai.

O primeiro natal com sua tia.

Draco sentiu um arrepio ao pensar na ideia. Claro que sua mãe gostava de Bellatriz, eram irmãs afinal! E tinham crescido juntas. Só que ela não podia esperar que Draco também gostasse da mulher morena que mais parecia uma louca sádica. Tentava imaginar a mulher que Bellatriz Black tinha sido, a mulher que ela poderia ter sido se não fossem os longos anos em Askaban, mas não conseguia. Não conseguia chamar sua tia de tia e não conseguia ficar perto dela. Odiava até mesmo o som de sua voz, odiava ainda mais sua risada, se sentia péssimo quando os olhos negros lhe encaravam.

Não a queria em sua casa.

Ele queria era seu pai ali.

Queria ouvir a voz severa, queria se levantar a noite e caminhar lentamente até seu escritório pensando no que poderia dizer ao chegar lá, imaginando uma desculpa para ficar ali, com ele, alguns minutos. Queria ouvi-lo dizendo que podia entrar. Queria ter a sensação que ele era esperado ali. Queria conversar com ele, contar-lhe seus problemas, queixar-se de Harry e Dumbledore, falar de seus dias e das magias que aprendia. Queria ser convidado a praticar com ele. Queria a satisfação de ouvir um "muito bom, Draco". Queria tantas coisas. Queria apenas uma coisa. Queria ver o sorriso de seu pai: arrogante, cínico, indiferente.

Queria ouvir seu pai chamando sua mãe de Cissa.

Não queria ouvir o apelido carinhoso de sua mãe pronunciado por sua tia.

Não queria aquela mulher ali se fingindo de importante. Espiando a ambos em nome do Lord das Trevas. Não queria ter de visitar seu pai na prisão. Vê-lo tão abatido, tão acabado. Perceber que aquele lugar poderia estar destruindo Lucius Malfoy.

Não queria voltar para a Mansão Malfoy. Queria voltar para a sua casa. O lugar onde seu pai e sua mãe estariam esperando por ele. Onde ele veria os olhares cúmplices de seus pais e lembraria que ambos não se casaram bem por vontade própria, mas amavam-se. Respeitavam-se. E ele veria isso e sonharia que o mesmo poderia acontecer com ele. Que um dia ele poderia vir a amar a esposa que seu pai escolheria para ele.

Ele queria pensar que havia uma luz no fim do túnel.

E sem seu pai lá era como se essa luz houvesse se extinguido.

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Já havia se perguntado umas dez vezes porque teimara em sair naquele frio apenas para usar uma coruja do corujal quando podia ter pedido Edwiges emprestada. Estava quase congelando e tudo porque esquecera de enviar a seus pais o horário de chegada do trem na estação 9 ¾ para o natal. A primeira coisa que faria era ir até a cozinha pedir um chocolate quente ou congelaria.

Já estava descendo a escada do térreo quando literalmente trombou com alguém e quase caiu ao chão, só não caindo porque uma mão forte lhe segurou pela cintura, seu peso inteiro sustentado por alguém levemente maior.

– Ah, me desculpe, estava distraída, eu... você? – perguntou a garota surpresa, vermelha e indignada quando percebeu que o braço que a sustentava pertencia a ninguém menos do que o maldito sonserino japonês que parecia ter nascido para lhe importunar.

– Hei, não foi nada. Tudo bem? – disse Chikage, sorrindo.

– Estou ótima. Pode me soltar agora.

– Ah, alguém está de mal humor aqui – brincou o japonês, falando numa voz meio cantada.

– Hahaha – desdenhou a morena, se afastando e retirando o cabelo do rosto – O que faz aqui embaixo?

– Essa pergunta deveria ser minha. Você está fora da biblioteca! Isso por si só já é anormal! Eu que deveria estar surpreso. Nossa que cara feia! Ok, eu respondo primeiro, estava procurando a cozinha, perdi o café e estou com fome, mas não consigo achar a porta em lugar nenhum! E você?

E Hermione se viu mais do que tentada a mentir, pois não era preciso ser muito para somar dois mais dois e saber que ele ia pedir para acompanhá-la. Droga, ele tinha que estar indo para o mesmo lugar que ela? Suspirou e pensou em uma mentira, mas sua mente não conseguiu pensar em nada e ela acabou cedendo, ignorando aquela sensação estranha que a dominava quando os olhos verdes do japonês fixavam-se nos seus.

– Estou indo para a cozinha também... – respondeu já prevendo a resposta dele que com certeza seria...

– Que sorte! Posso ir com você?

Bingo.

– Tenho escolha? Você vai me seguir de qualquer jeito mesmo.

– Ah, que maldade! Eu não faria isso! Eu pediria por favor.

– Tá, tá, vamos logo. Não quero me atrasar para a aula.

– Você é tão responsável! Acho isso incrível!

– Se incomoda de irmos calados?

– Não, se eu ficar falando te incomoda, prometo não abrir a boca.

– E por quanto tempo você aguenta ficar calado?

– O quanto eu quiser.

E como para provar isso, Chikage passou a caminhar ao lado da garota, mantendo-se no mais absoluto silencio. No entanto, mesmo sem abrir a boca, apenas sua presença já era marcante. Hermione repetia a si mesma para ignorá-lo, esquecer a presença que o garoto exercia no ambiente e nela mesma. Afinal era mais fácil ignorá-lo do que competir com ele. E muito mais saudável. Era o melhor e era a nova decisão de Hermione. Ignorar e fingir que ele não existia.

Mas, tal como Harry, a garota não conseguia simplesmente ignorar o rapaz estrangeiro. Mesmo quando ele estava quieto, mesmo quando deveria ser mais fácil. Assim, como Malfoy com Harry, o rapaz parecia ter nascido para mexer com ela.

Mas quando ele perguntou, já na escadaria que a levaria para a próxima aula, porque ela parecia não gostar dele, Hermione respondeu sem pensar:

– Seus olhos. Você olha muito profundamente para a gente e isso me deixa desconfortável. É como se você pudesse ver minha alma e a ideia em nada me agrada.

Se lhe perguntassem mais tarde porque dissera aquilo ela mesma não saberia dizer. Era como se a resposta tivesse partido diretamente de dentro de si, sem pedir permissão para sair.

Como não esperou resposta Hermione não viu, a suas costas, o sorriso que Chikage deu para o nada. Não o típico sorriso, não o sorriso que ele oferecia a todos. Esse era um sorriso convencido e muito, muito predador.

– Incrível, Granger. E pensar que você é mesmo uma sangue-ruim. Dez para você.

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Minerva sabia que a maioria dos alunos da escola sabiam que ela era uma animaga gata, pelos menos todos os alunos a partir do 3º. ano não só sabiam como já tinham até mesmo visto sua transformação. Era exatamente por isso que não havia o menor motivo para tanta inquietação.

Só que a professora estava inquieta.

E não sabia se isso era por ela ou se era movido pelos instintos de sua forma animaga. Gatos eram intuitivos por natureza, era provável, não?

Não.

Mas era óbvio que algum sonserino contara. Era tão óbvio que Minerva se sentia um tanto idiota de estar tão inquieta.

Quer dizer, tudo o que acontecera fora Kakinouchi cumprimentá-la no corredor. Nada demais e isso era ainda mais normal vindo do japonês, pois ele cumprimentava a todos! A casa não era empecilho, nem mesmo o status professor. Era algo absolutamente comum.

E mesmo que ela estivesse em sua forma felina, os bruxos, principalmente os bons, eram capazes de perceber as pequenas nuances de comportamento que eram típicas das pessoas e atípicas dos animais. Ora, Dumbledore mesmo conseguira perceber que era ela no muro dos tios trouxas de Harry há 15 anos!

Era algo normal.

O fato de os gatos dos bruxos serem mais inteligentes e intuitivos que os gatos possuídos por trouxas, esquecido. Esquecido também estava o fato que muitos alunos ali traziam seus gatos de estimação, gatos inteligentes e que não era nada fácil identificar um gato animago no meio de vários outros gatos bruxos, não quando ela simplesmente andava pelo castelo.

Em seus ouvidos o "bom dia, professora, bela manhã, não?" ainda ecoava.

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ESCOLA DE MAGIA ZEFIR – CRESCENDO E APRENDENDO

FICHA DE CADASTRO

ALUNO–

Nome do Aluno: Kakinouchi, Chikage

Data de nasc.: 09/09/1980 Sexo: masculino

Nacionalidade: japonês Cidade de nasc.: Hakodate, Japão Sangue: nascido-trouxa

Idioma do aluno: japonês, amárico, inglês

Endereço: cidade de Yubari, no distrito/ilha de Hokkaido, Japão

Nome da Residência: Orfanato Caminho das Estrelas – residência trouxa, sem lareira. Não utilizar corujas!

Animal de estimação na escola: não

Possui coruja própria: não

PAIS–

Pai do aluno

Nome: desconhecido Sangue: Trouxa

Data de nasc.: desconhecida Nacionalidade: japonês Profissão: desconhecido

Obs: todos os demais dados referentes ao pai são desconhecidos

Mãe do aluno

Nome: desconhecido Sangue: desconhecido

Data de nasc.: desconhecida Nacionalidade: desconhecido Profissão: desconhecido

Obs: todos os dados referentes à mãe são desconhecidos

Estado civil dos pais: dado desconhecido

DEMAIS INFORMAÇÕES–

Colégio anterior: Escola Meyo – Escola Trouxa da cidade de Yubari, Japão

Com quem mora o aluno: no orfanato japonês Caminho das Estrelas, sob responsabilidade de Adachi, Tomo. Instituição trouxa

Possui irmãos: sim Quantos: um São bruxos: acredita-se que sim

FICHA MÉDICA–

Tipo sanguíneo: A positivo

Alergias: nenhuma

Medicamentos: Às vezes, poção para dormir (evitar administração superior a 2 vezes por semana)

Acidentes: quebra de braço aos 6 anos, pulsos quebrados 3 vezes dos 10 aos 11 anos, quase afogamento aos 13, perna quebrada, assim como diversas pequenas fraturas decorrentes de uma explosão mágica, aos 13, queda de vassoura aos 13, pequenos danos temporários causados por feitiços ao longo do período escolar. Nenhuma sequela

Doenças: Leve distúrbio de sono

Meio de contato: Adachi, Tomo (diretor do orfanato) e Mikage, Naoki (responsável pela ala dos adolescentes)

Observação/Nota dos professores:

Kakinouchi ingressou na escola apenas na primavera de 1993, quando seu tutor, Kakinouchi, Keigo, morreu em um acidente. Por uma opção familiar, Kakinouchi fora educado na magia em sua própria residência.

O aluno também passava as férias no Colégio.

No mais, só podemos lamentar a partida de um de nossos mais dedicados alunos. Para eventuais esclarecimentos encontro-me a disposição.

Sorcerer, Maxxcy, professor de Maldições da Escola de Magia de Zefir

Assinatura do aluno:

Kakinouchi, Chikage

Assinatura da Diretora:

Liakáda Xaimí, Esmeralda

HISTÓRICO ESCOLAR –

Classificação de notas

Aprovação: E = Excelente, B = Bom, P = Passável

Reprovação: R = Ruim, D = Deplorável, O = Ogro

Para aprovação é necessário um mínimo de 50% de notas de aprovação.

Disciplinas oferecidas/cursadas

Notas – Disciplinas Obrigatórias (do 1º ao 3º ano)

B – Voo

E – Estudos Trouxas de Ciências

P – Astronomia

Notas – Disciplinas Obrigatórias (do 1º ao 5º ano)

D – Herbologia

P – História e geografia

P – Matemática

R – Idioma

Notas – Disciplinas Obrigatórias (do 1º ao 8º ano)

E – Feitiço

P – Transfiguração

E – Artes das Trevas

P – Defesa contra as Artes das Trevas

B – Maldições e azarações

E – Poções

P – Criaturas Mágicas – a partir do 3º. Ano

E – Duelos – a partir do 5º. ano

Notas – Disciplinas Opcionais (do 3º ao 8º ano)

P – Runas Antigas

Não cursou – Adivinhação

Não cursou – Aritmancia

Não cursou – Estudos dos trouxas

Notas – Disciplinas Extracurriculares (do 5º ao 8º ano)

Não cursou – Estudos Antigos

Não cursou – Estudos Espectrais

Não cursou – Arte, música e literatura trouxa/bruxa

CLASSIFICAÇÃO GERAL

5 notas E, 2 notas B, 7 notas P = 14 notas de aprovação

1 nota R, 1 nota D = 2 notas de reprovação

APROVADO

Média na sua turma: 206/340 (posição geral numa turma de 340 alunos concluindo o 5º. ano)

–.....

Severo largou o pergaminho na mesa assim que acabou de lê-lo. Tudo estava ali, todas as matérias cursadas e as notas tiradas. Zefir era, com certeza, uma escola com uma variedade de disciplinas muito maior do que Hogwarts. O estilo de notas não parecia realmente diferente, mas ela possuía mais alunos. Contudo, isso não era de se estranhar, afinal a escola atendia todos os alunos bruxos daquela área do pacífico o que incluía o Japão, a China, o Vietnã, o Camboja, a Coreia, a Indonésia, Cingapura, Tailândia e Filipinas! O que totalizava mais de 2.600 alunos! E isso não era pouca coisa. Era mais do que o dobro de alunos que Hogwarts possuía.

No entanto, da mesma forma que aquele documento explicava muito ele não dizia nada. Tudo o que estava escrito eram informações básicas como origem, matérias estudadas, notas e registro médico. E Severo sabia que Kakinouchi tinha dificuldades para dormir, era ele quem estava lhe fornecendo a poção do sono. Todo o resto ele e Trancy já haviam descoberto também. A única surpresa ali fora o tardio ingresso do sonserino na escola. Mas isso não de todo fora do normal. Dumbledore dissera que ele fora criado em meios bruxos, mas muitos bruxos não cursavam a escola, nem mesmo na Grã-Bretanha isso era uma obrigação e Severus sabia que muitos escolhiam ensinar seus filhos em casa a enviá-los a Hogwarts.

Severus sentia que estava na estaca zero novamente.

– Magia Negra, Maldições e Azarações – Severo leu de novo – Há um grande aprofundamento nessa parte.

No fim aquele documento só servira a um único propósito: comprovar que Chikage Kakinouchi apenas sabia o que já havia sido ensinado em sua escola anterior. Ele era com certeza muito inteligente, mas todo o seu conhecimento era prévio. Apenas isso. Ele era um garoto normal, como qualquer outro, muito inteligente e muito esforçado. Não havia nada de errado ou anormal com ele. A diferença de notas, tantas notas 'P' em Zefir e tantos 'O' em Hogwarts, era apenas um reflexo da adaptação ao ritmo escolar.

Incrível era que apesar de toda a carga de magia negra que os orientais tinham acesso em suas aulas, não houvera por lá, nos últimos 125 anos, um único bruxo virado do avesso querendo se tornar o "rei do novo mundo onde bruxos estão acima de todos os outros".

Na verdade, aquela era uma área que estava vivendo um grande período de paz.

Então porque aquele sentimento de que algo não estava errado?

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Dois meses, há dois meses ele estudava ali. Parecia muito menos tempo. E ao mesmo tempo, muito mais. Era um castelo legal e muitas vezes Chikage se via pensando como ele seria se tivesse entrado ali desde o início. Se nunca tivesse estudado no Castelo Maldito de Era.

Com certeza sua vida teria sido muito mais fácil. Dumbledore era um diretor muito diferente de Era e muito mais humano. Ele era mais como um avô e Era poderia ser descrita como a Madrasta cruel da Branca de Neve. Bela, cruel, poderosa, vingativa, invejosa. E provavelmente ainda seria derrotada por aquele que mais invejava. Ou era isso o que ele esperava. Não era segredo para ninguém que Maxxcy era a pessoa que a Rainha mais odiava e que um dia eles ainda se enfrentariam.

Chikage acreditava que quando Maxxcy enfim a enfrentasse ele ganharia, mas nem todos tinham fé na força do filho de Andrey ou aprovavam o modo desrespeitoso com o qual ele a tratava. Para eles era inadmissível que um mestiço tivesse a ousadia de se acreditar superior a qualquer bruxo puro. Mas ele preferia não pensar nesse dia, queria acreditar que a Nick não permitiria que algo assim acontecesse.

Sorriu pensando que Maxxcy seria o professor mais adorado de Hogwarts se Dumbledore resolvesse admiti-lo como professor de Maldições. Ele era incrível mesmo e era quase impossível não simpatizar com ele.

Mas... bem, Filtch com certeza o odiaria.

Seria muito legal! Ele, Maxxcy, Erick e Nihany estudando/vivendo ali. Seria divertido. Seria uma vida completamente diferente da que ele vivera no Castelo Negro. No entanto, era algo impossível. E sempre seria enquanto Era existisse.

O melhor era aproveitar os meses que ainda lhe restavam e se divertir. Curtir a liberdade que nunca experimentara.

E ele podia começar naquele momento. Desde a chuva dentro do castelo ele havia estado muito comportado. Muito bonzinho. Se Erick o visse diria que era uma vergonha que o "bom velhinho" o tivesse acalmado quando nem a "bruxa má" o fizera e isso provavelmente seria a maior humilhação que Era poderia passar em sua longa vida. Veja só, e pensar que nenhum dos castigos de Era já o havia assustado, mas uma confusão causada por água que caia do teto o mantivera quieto por semanas!

Ela provavelmente o amaldiçoaria por isso.

Mas para mudar esse quadro o que poderia fazer? Nada que causasse pânico... Olhou ao redor, todos comendo e conversando, todos distraídos. A seu lado Malfoy era importunado por Emília Bulstrode que lhe fazia muitas perguntas. Não sabia sobre o que, e nem Malfoy parecia muito interessado. Beleza. Ninguém prestava atenção nele. Por isso mesmo ninguém percebeu a mão que ele ergueu pouco acima da mesa ou nos lábios que se movimentavam levemente. Quando Pansy lhe chamou, logo em seguida, nem ela, nem ninguém, notou alguma diferença em seu sorriso. Tinham sido poucos segundos, mas o suficiente. Era agora uma questão de poucos minutos.

Era esse mais um ponto positivo na nova escola, o fato de não precisar lançar feitiços que levariam dias para se manifestar para que Era não chegasse nele. Ou em Maxxcy. Ou em Erick. Afinal, havia mais alguém naquele lugar esquecido por Deus que se atrevia a desobedecê-la?

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Alois estava na sala de Severus lendo o pergaminho que uma coruja negra marcada com o brasão de Zefir trouxera no inicio do dia. E assim como o professor de poções ele não parecia nem um pouco surpreso com as informações ali contidas.

– Se considerarmos que ele cursou 5 anos em 3, já que estudou em casa antes, ele tem notas muito boas – disse o loiro, sem tirar os olhos do histórico de Chikage – Eu também já tinha ouvido falar que no Oriente as escolas ensinavam Magia Negra e Branca, dando a mesma ênfase as duas. O que não é tão estranho se pensarmos que eles não acreditam que aja uma separação entre o bem e o mal. Bem, basta ver o símbolo do yin-yang no brasão da escola para perceber isso.

– No entanto, este documento não diz nada que já não saibamos.

– Severus – disse Alois, largando o pergaminho na mesa e fixando seus olhos púrpuras nos negros do outro professor, ignorando completamente o olhar que lhe era dirigido de volta. Ele era um dos poucos que se atrevia a chamar Snape pelo primeiro nome e isso irritava bastante o professor de poções – Esse garoto não é nem um pouco burro e isso ficou bem óbvio desde o começo. Ele pode ser ingênuo, não tem alguns conhecimentos de costumes e culturas, mas não é burro. Se ele está escondendo alguma coisa não é um simples histórico escolar que vai nos revelar isso. Se ele comete erros, é porque nos subestima.

– E o que acha que ele esconde, Alois? – retrucou Severus pronunciando o nome do outro com o mesmo tom arrastado que Draco utilizava para com Potter – Pelo que conversamos, ele apenas sabia demais e aí está o motivo. Ele é um tanto misterioso, mas não causa problemas de nenhuma espécie. Ele apenas é estranho. Ou diferente. Por acaso acha que ele está escondendo algo?

– Eu não disse isso. Eu apenas disse que ele é inteligente demais para cometer erros bobos como revelar algo por meio de um simples histórico. Apenas isso. E... minha intuição não confia nele.

– Dumbledore confia.

– Alvo está velho e é bom demais. Ele tende a acreditar demais nos outros e confiar demais. Eu não confio. Apenas isso. E esse documento para mim, de nada serve.

– E o que diz sua intuição?

– Porque ele veio para cá? Se mora em um orfanato, quais motivos teria? E se não, como? Ele tem 16 e no Japão a maior idade é conseguida com apenas 20 anos. É isso que eu não entendo.

– Dumbledore já nos respondeu essas perguntas.

– É uma escolha sua, Severus. Não é que esse garoto seja um problema, apenas... não consigo engolir essa história. Por que ele não se esforça em se camuflar entre os alunos, mas se esforça em não se destacar completamente? – disse Alois, levantando-se.

– Minha intuição também me diz algo, Alois. E eu acho que posso confiar nesse garoto. Ele não é ruim, continuo acreditando nisso, mesmo com todos os seus pressentimentos e tudo o que achamos estranho nele. Ele não é um problema, ou algo ruim, para nós.

– Então porque está tão fascinado por ele?

E Severus deu de ombros ao responder – ele é amigo do meu afilhado. E... estamos em guerra. É uma questão de tempo até ele atrair a atenção do Lord das Trevas. E você, porque está tão interessado?

– Porque, meu caro, aquele estupefaça que ele me acertou não foi nem de longe um golpe amador. Aquilo não foi uma simples magia. Eu sou um campeão de duelos e um moleque de 16 anos nunca me acertaria.

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Quando Harry passou pelos primeiros anistas de sua casa e viu Colin lhes contando mais uma de suas histórias sobre os grandes feitos do maravilhoso Harry Potter, Harry rezou internamente para que o colega não se atrevesse a chamá-lo para uma foto, um aperto de mão ou para servir de peça de exposição. Seu humor estava péssimo e apesar de sempre manter uma certa paciência em relação ao colega, e olha que ele nem havia acordado com o pé esquerdo aquele dia! Agora, tudo o que ele não precisava era de mais uma seção "olhem para mim! Sou uma espécie rara! Parem e olhem. Nossa, me sinto como um animal de zoológico". Não mesmo.

E, ou sua cara demonstrava exatamente esses pensamentos, ou Deus resolvera finalmente sentir um pouco de dó do pobre-menino-que-sobreviveu-para-que-tudo-desse-errado-em-sua-vida. Não era a toa que diziam que sua vida daria um bom livro! As pessoas tinham uma grande atração por dramas e protagonistas cujos todos os fatos de sua vida tinham que dar errado!

Entrou no Salão Comunal a passos duros e se jogou numa poltrona perto da lareira. Para sua sorte ninguém se aproximou para irritá-lo, perturbá-lo ou perguntar se estava tudo bem. Perguntinha imbecil essa! Porque todo mundo sempre perguntava se estava tudo bem quando era mais do que óbvio que nada ia bem? Se quer saber o que aconteceu por que não pergunta de uma vez? Pois iam ver só, ai do primeiro que se aproximasse com uma falsa cara de preocupação e fizesse a estúpida pergunta.

– Um galeão pelos seus pensamentos, Harry.

Claro que sempre podemos contar que exista alguém disposta a lhe perturbar quando tudo na sua expressão dizia "caia-fora".

– Caí fora – respondeu Harry virando-se para expulsar quem quer que fosse, mas parou diante do sorriso aberto do ruivo a sua frente. Um ruivo com roupas de couro de pele de dragão. Pelo visto, os Weasley estavam fadados a apreciar roupas do tipo.

– Jorge? Que faz aqui?

– Vim fazer uma entrega em Hogsmeade e aproveitei para dar um oi a Gina e ao Rony. E eu sou o Fred. Quem achou que fosse?

– Entregas em Hogsmeade?

– Os negócios estão prosperando a olhos vistos! Também aproveitei para ver a Angelina.

– Ou foi ela o motivo desde o início?

– Isso, eu deixo para você decidir sozinho, Harry. Então, que bicho te mordeu? Foi algum dos do Hagrid ou algum mais assustador pertencente a um cara ainda mais assustador e que tem como hobby principal caçar você?

– Definiu perfeitamente o final, Fred. Mas não fui mordido por nada. Estou apenas de mal-humor porque tive um péssimo dia.

– Mal-humor, cara, é eufemismo. Se pudesse ver a si mesmo fugiria correndo de seu próprio reflexo. Até parece que você tem sobre a cabeça uma imensa nuvem negra soltando raios.

E Harry riu da comparação. Era impressionante como os gêmeos sempre conseguiam melhorar seu humor em tempo recorde! De forma bastante parecida com um certo loiro que tinha o efeito contrário em sua pessoa, e acabava com o seu dia em segundos. Um loiro que ele tinha a sensação que encontraria a cada esquina, como se desejasse isso. E era óbvio que tudo o que ele mais ansiava era ver o sonserino o menos possível! Por que vê-lo o lembrava que ele estava, de alguma forma inexplicável e provavelmente proveniente de alguma azaração, desejando algo que Malfoy tivesse e que Harry ainda não fazia ideia do que era. Mas inveja é o desejo de algo que pertence ao outro, não?

– Não ando dormindo bem, Fred. Apenas isso. Venho tendo sonhos esquisitos.

– Sonhos? Que tipos de sonhos? – perguntou o gêmeo desconfiado. Não era como se Harry confiasse a Fred muitas das coisas que lhe aconteciam, mas o ruivo sabia que fora um sonho que salvara a vida de seu pai no ano anterior, assim como o fato de Sirius ter morrido também por causa de um desses sonhos. Por alguma razão, as pessoas realmente pareciam temer os sonhos de Harry...

– Eu mesmo não sei. Eu esqueço de tudo quando acordo. Só que parece que sonho com fatos do passado. Com coisas que já aconteceram – disse Harry sem pensar e só percebendo que não devia ter dito nada, se não quisesse mentir, quando Fred perguntou "com que fatos?" e o moreno se viu sem saber o que responder.

Ele podia dizer Malfoy? Ele podia dizer que Malfoy não saia de sua cabeça? E mais, ele podia responder que estava tão nervoso assim porque todo hora via o sonserino mais irritante do mundo andando para cima e para baixo no castelo com um japonês esquisito?

E de repente, Harry entendeu porque Hermione não suportava Kakinouchi.

E ela tinha toda a razão. O sorriso dele era mesmo muito idiota e ele era irritantemente perfeito. E nem sequer era tão bonito assim para ter um fã clube tão grande. Era palhaço demais e parecia uma menina. Homens deviam parecer homens. E além do mais ele era muito... irritante e idiota.

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Ela estava um tanto decepcionada. E não era para menos.

Para Minerva algumas coisas eram uma questão de orgulho. Quando Kakinouchi se recusou a participar de sua aula ela imaginou que ele erraria a transfiguração do esquilo, não havia outro motivo para um excelente aluno como ele se portar daquela forma. Ele chamava ainda mais atenção acertando tudo, então simplesmente não havia necessidade. Só que o erro cometido foi o pior que ela, em tantos anos como professora, já vira. E ela já vira muita coisa dando errado em suas aulas. Não que fosse anormal, era na verdade muito comum alunos mudarem completamente a forma do que queriam transfigurar, muitas vezes ficando no limiar da nova e da antiga forma que o objeto ou ser transfigurando deveria ter/obter e criando coisas verdadeiramente originais no lugar. O estranho esquilo de Chikage fora imprevisível por ser Kakinouchi a cometer o erro, mas seria perfeitamente plausível se tivesse sido um erro cometido por Cullen, Crabbe ou até mesmo Nevile. Pobre garoto, era forte e tinha talento, mas tinha tanto medo nas aulas que cometia besteiras que não cometeria se soubesse que não estava sendo avaliado. Não tinha talento para Transfiguração, mas para Herbologia e Feitiços...

No fim, apesar de todos terem saído de sua aula tão surpresos a única surpresa ali estava no fato de ter sido Kakinouchi a errar e não na esquisita figura que se tornara o pobre esquilo que ele pegara.

Mas não era isso o que a decepcionava e muito menos o que a preocupava. O que a indignara fora o fato de ela própria não ter conseguido fazer o pobre esquilo de Kakinouchi voltar ao normal. Passara mais de meia-hora com o esquilo transfigurado, mas não havia feitiço que o fizesse ser novamente apenas um esquilo. Ou uma almofada. Ou coisa alguma. Kakinouchi se recusara a ajudar e quando, enfim, pararam ele dissera para ela não se preocupar e que provavelmente a magia enfraqueceria e o esquilo voltaria ao normal. Mas a professora não acreditou que algo tão assim acontecesse.

E foi exatamente o que aconteceu.

Na manhã do dia seguinte Minerva pediu que o japonês fosse até sua sala e não foi com pouca surpresa que soube que o esquilo já havia voltado ao normal.

– Como assim, voltou ao normal sozinho? – perguntou a professora, sem esconder a surpresa.

– Não sei dizer. Ontem à noite a oscilação de cor foi mudando para castanho avermelhado e ele começou a ter pêlos novamente. Acredito que aos poucos ele foi se reacertando porque hoje quando acordei encontrei-o empenhado em comer meus pergaminhos com a lição de casa da professora Browne [1].

– Está me dizendo que ele agora é apenas um esquilo normal?

– Bem, eu não diria normal. Ele tem um que de rancorosidade e uma necessidade de vingança que eu não acho muito comum nos esquilos do norte. Deviam ser animais mansos e obedientes, mas o quê? Eu deixei toneladas de nozes para ele e ele tinha que escolher justo o meu material escolar. Tudo bem que se fosse o de Nott acho que eu estaria em pior situação. Mas se está me perguntando se ele voltou a se parecer com um esquilo, isso ele voltou.

– Isso não é algo muito possível, Kakinochi.

– Pois é, ele tem um gênio foooorte que é uma beleza. Mas não sei, parece que é comigo. Não o culpo, na verdade – e passando a mão pela franja, jogando-a para trás, Chikage continuou – Mas, sabe, meu antigo professor de transfiguração, o senhor Yolkler, já tinha até se acostumado com as minhas trapalhadas. Parece que eu tenho algum bloqueio com coisas vivas, nunca consigo acertar! Ele dizia que quando eu tento acabo usando muito mais magia do que o necessário. Sabe-se lá por que! E toda essa magia se descontrola e cria coisas muuuito bizarras! Mas perde a força depois de um tempo e elas costumam voltar ao normal. Ou pelo menos voltaram sempre que os professores interferiram. Sinceramente, ele acreditava que eu uso tanto magia que crio uma espécie de escudo, assim feitiços posteriores não fazem efeito, mas quando o escudo some, a correção age. Por isso eu não liguei muito ontem. Seu feitiço, professora, deve ter feito efeito quando o meu perdeu a força. Era assim que consertávamos as minhas burradas em Zefir.

– Nunca vi isso antes.

– É, minha magia é um pouco descontrolada demais para a minha idade. Eu tento fazer algo e a coisa sai do controle! Acho que porque demorei muito para aprender feitiços e ela se desenvolveu muito rápido.

– Como assim?

– Bem, minha magia começou a causar problemas quando eu tinha uns 4 anos, já. Mas eu só entrei na escola aos 13. Nesse meio tempo eu aprendi um pouco aqui e ali, sabia meia dúzia de feitiços, mas seu uso era mais emocional. Como crianças que quebram objetos, fazem outros sumiram, afetam pessoas quando tem raiva. Coisas do gênero. E eu fui aprendendo a usá-la desse modo. Custei muito para aprender a usar uma varinha.

Sim, isso era comum e muito compreensível. Minerva não sabia que ele começara a escola tão tarde, mas sabia que ele conhecia a magia desde criança. Sua explicação também era mais do que razoável e com certeza havia outros bruxos como ele. Ele só precisa de mais algum tempo de estudo, ainda era um estudante, e um estudante com muito potencial. Ok, uma parte estava explicada.

– Mais uma pergunta. Ontem no almoço você transfigurou seu almoço em nozes. Como fez isso? Não é algo possível, partindo das leis mágicas.

– Ah sim, eu sei. Mas essa lei só é válida para transfiguração de não alimentos em alimentos. O feitiço que eu usei foi desenvolvido por bruxos vietcongs no início da década de 70. Zefir, minha antiga escola, tem muitos alunos do Vietnã então ele meio que se tornou popular por lá. Ele usa as propriedades naturais dos alimentos e as modifica, mas é preciso cautela, não se pode alterar demais, tipo, frutas em produtos industrializados, carne em vegetais. Essas coisas.

– Nunca ouvi falar de um feitiço dessa natureza.

– E não ouviria mesmo. Ele ainda está em testes com os especialistas em fusões mágicas e coisas do gênero. Mesmo assim já é uma espécie de "orgulho nacional" e apesar de ainda "não existir", filhos e parentes de pessoas que trabalham nesses testes muitas vezes se utilizam dessas novas mágicas, apesar dos riscos. Mesmo aqui, muitos alunos já devem ter desenvolvido feitiços próprios. E meu tio também trabalhava com fusão mágica. Por causa disso volta e meia eu acabava aprendendo algo, mas acho que não sou muito bom com segredos. Tecnicamente, eu não poderia tê-lo usado – concluiu Chikage sorrindo, a mão direita nos cabelos, bagunçando-os, como uma criança que foi pega numa grande arte – Mas esqueci – e sua expressão travessa, a língua mordida de forma altamente infantil fez Minerva sorrir.

Era estranho que ela, que passara a vida educando os filhos dos outros, protegendo-os e cuidando deles, que gostava tanto de seus alunos a ponto de nunca ter tido tempo de se perguntar por que ela não tinha sua própria criança, nem de sentir falta disso, estivesse agora sentindo algo tão semelhante a carinho maternal por aquele menino que conhecia há tão pouco tempo. Ele mexia com ela de uma forma muito diferente. Era inteligente e traquinas, infantil e fofo.

Claro que tinha seus favoritos em todas as turmas, todos os professores tinham. E Chikage era um de seus favoritos.

E pelo visto estava se tornando o seu favorito.

Sentia por ele uma afeição sem razão e inexplicável. Gostava de fato dele. Preocupava-se. E era por isso que ficara tão encanada com as questões que o envolviam.

– E o que vai fazer com o esquilo? Pretende ficar com ele? – perguntou, voltando ao assunto em questão (o esquilo).

– Ainda não sei. Me apeguei a ele, mas acho que ele não tem muita simpatia por mim. Vou deixá-lo ir se quiser. Mas por via das dúvidas escondi todos os meus pergaminhos no malão. Ele é muito fofo, tem olhos lindos.

"Não só ele tem olhos lindos" – pensou a professora, encarando as íris verdes. Eram de um verde azulado muito bonito, os cílios eram longos. Eram belos olhos. E Chikage olhava tão fundo nos olhos dos outros que... é, ela gostava dele.

– Ok, Kakinochi, pode ir – disse a professora e quando ele já estava quase na porta – E não se esqueça, uniforme acertado na próxima aula – disse sorrindo e recebendo um "sim, senhora" sorridente e travesso. E Minerva tinha certeza que ele voltaria cheio de tralhas para a próxima aula e seria repreendido de novo. Numa nova e provavelmente imudável rotina.

Chikage já havia saído de sua sala há uns cinco minutos quando Minerva lembrou que ia lhe perguntar quem havia lhe contado que ela era uma animaga.

Bom, ela poderia lhe perguntar da próxima vez, no momento havia coisas mais importantes para receberem sua atenção.

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A chegada de Fred não espantou apenas Harry. Gina e Rony quando viram o irmão mais velho ficaram igualmente surpresos e muito mais felizes. Incrivelmente, apenas Angelina não se surpreendeu com a chegada do namorado. E foi ela quem mais ficou com ele, até ele parar para "bater um papo" com os caçulas. Já estavam amontoados na escada há quase uma hora quando Fred viu Alois Trancy pela primeira vez. Ele subia as escadas majestosamente, a capa roxa esvoaçando e cumprimentou os ruivos com um aceno de cabeça, sem se deter para perguntar quem era o novo ruivo ou o que ele fazia ali.

– Ei, esse eu não conheço, professor novo de DCAT? – perguntou Fred, sabendo que a resposta não poderia ser outra.

– Sim, seu nome é Alois Trancy. Ele é legal – disse Gina – Bonito e tem bastante coisa para ensinar. É legal ter aulas com ele. Lembra um pouco as aulas práticas do Moody.

– Bonito? Não me diga que está afim de um professor agora, Gina!

– Claro que não! Ele é muito arrogante. De onde tirou isso?

– Essa sua troca de namorados rápida demais. Apenas isso. "Faz a fama, deita na cama". Culpa sua, irmãzinha. Mas que sorte a de vocês, um professor decente este ano! – disse Fred com um ar de nostalgia exagerado, o que fez os irmãos duvidarem seriamente de sua palavra – E como vão as coisas por aqui? Muito quietas desde que Jorge e eu partimos?

– Nem tanto – disse Rony, cauteloso – alguém está aprontando umas boas por aqui.

– Como assim? E quem é esse "alguém"?

– Ninguém faz a menor ideia de quem seja – disse Gina, rindo – Mas está criando uma certa confusão. Parece que Hogwarts arranjou alguém para ficar no seu lugar como "criador de casos".

– Ah é? E que tipo de confusão? Algo criativo?

– Bastante. Ele inflou o professor Bins como se fosse um balão e hoje, no almoço, fez a comida dançar – disse Rony, recordando-se do triste episódio.

– Como assim dançar?

– Dançar. De repente a comida levantou dos seus pratos e saiu dançando no ar. Copos, pratos, talheres, jarras, tudo dançava a uns 5 centímetros da mesa. Hermione disse que parecia uma cena da Bela e Fera, mas não sei o que ela quis dizer com isso.

– Eu rio só de lembrar – disse Gina – A cara de todo mundo. As coisas estavam dançando can can! E um frango dançando can can é realmente muito engraçado. Foi uma piada! Ainda mais quando pessoas como o Rony começaram a tentar capturar a comida que fugia! – disse Gina rindo, ela era uma das que ainda estava tirando sarro de Rony pelo acontecimento do almoço.

– "A Bela e a Fera" – explicou Hermione aos demais – É um conto trouxa que fala de uma moça que chega num castelo amaldiçoado onde todos os empregados se transformaram nos objetos do castelo. Por isso eles se mexem e, em algumas versões, falam.

– E eu que achei original – disse Gina, fingindo decepção – Ei, isso significa que a pessoa que fez isso tem origem trouxa?

– Não necessariamente – disse Fred surpreso – Esse truque não é tão incomum, mas é muito difícil. Eu e Jorge tentamos uma vez enfeitiçar a louça da mamãe, não deu muito certo. E ela também não gostou da brincadeira. Você tem que segurar um por um dos objetos, tantos juntos torna a coisa bem mais complicada. Não deve ter sido um bruxo só.

– Provavelmente é um bruxo muito bom – disse Hermione com um dar de ombros – Já que inflar um fantasma também não é possível ou fácil.

– E um novato, pois esses truques são novos – disse Rony.

– Hummm – fizeram os quatro amigos pensando em quem poderia ser. Mas ninguém precisou falar em quem pensava. Apenas uma pessoa parecia provável, apenas um professor era novato e muito poderoso e conhecedor de grandes feitiços. Um rapaz jovem e loiro que estava no almoço e fora um dos que deu muita risada da exibição de dança das louças.

Acima deles, Alois cruzava mais um corredor indo em direção a porta de sua sala.

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Fred ainda ficou com Rony, Gina e Hermione até o jantar, quando resolveu acompanhar os irmãos ao campo de quadribol para ver os treinos. Como esperado, Hermione preferiu não ir, afinal quadribol estava longe de ser uma de suas paixões. Depois, não duvidaria nada que os três acabassem jogando entre eles e ela acabasse sozinha. Claro que não poderia culpá-los se isso acontecesse, não quando os três eram tão fissurados naquele jogo. Fred devia sentir muita falta. Até mesmo ela, que não entendia muito, percebia que ele era muito bom. Diferente de Rony. Já Gina... bem, ela parecia boa.

Gina.

Hermione nunca fora a melhor amiga de Gina. Se gostavam, claro, e eram amigas, além de passarem as férias juntas. Contudo, para a morena, a situação entre as duas era mais parecida com um coleguismo do que com uma grande amizade. Elas não contavam segredos uma à outra, nem confidenciavam seus sentimentos. Gina era para ela o mesmo que Neville ou os gêmeos: pessoas das quais ela gostava muito, mas não passava disso. Não era como Harry e Rony. Por isso ela nunca tinha conversado de verdade com Gina sobre coisas realmente pessoais. Davam dicas uma para a outra, contavam algumas coisas, as vezes confidenciavam, mas nunca eram segredos. Elas não falavam sobre os garotos por quem estavam apaixonadas e Hermione se sentia melhor falando de sua vida amorosa com Harry do que com a ruiva. Elas não conversavam sobre os namorados da irmã de Rony, nem sobre Victor, nem sobre Rony ou mesmo sobre Harry.

Quando a garota mais nova finalmente começou a namorar, Hermione ficou muito feliz por ela, via naquele namoro uma boa coisa, era uma prova de que a ruiva enfim havia esquecido Harry. E não havia nada mais triste do que estar apaixonada por alguém que você conhece, que frequenta a sua casa, que te chama de amiga, te faz se sentir especial e você sabe que esse especial nunca será o que você espera. Harry amava Gina, afinal essa era a irmã de Rony! Claro que ele ficara louco para salvá-la do basilisco, a garota era especial para os Weasley, era a irmã deles! E os Weasleys eram a família que tratava Harry como um membro honorário! Molly era o mais próximo que ele tinha de uma mãe. E Gina era apenas a sua irmãzinha.

E sempre seria assim.

Esquecer Harry era a melhor coisa que a menina podia ter feito, Hermione havia pensando.

Ou pelo era isso o que parecia.

A verdade é que Hermione já não sabia mais.

Gina trocava excessivamente de namorado, o que indicava que seus sentimentos por eles não eram tão fortes assim e deixavam a morena em dúvida se ela tinha se apaixonado por algum deles de verdade. Fora que nas últimas semanas Hermione tinha quase certeza de que percebera uns olhares muito estranhos que a ruiva dirigia a Harry. Não eram os antigos olhos apaixonados, eram mais intensos e profundos, eram olhos que pareciam perguntar algo. Como se notasse algo.

Isso por si só até que não seria tão estranho se ela não tivesse notado o mesmo olhar dirigido a Kakinouchi. E mais de uma vez.

Estaria a amiga interessada no sonserino? Seria isso possível? Seria o garoto tão... tão perfeito que despertava interesse real até mesmo em Gina?

Tudo bem que em beleza e inteligência o japonês ganhava de Harry, mas como pessoa?

Mas o que mais a incomodava naquela situação não era o fato da ruiva poder estar interessada num sonserino ou mesmo ter mantido seu interesse por Harry. Eram nos olhos castanhos que olhavam para o japonês da mesma forma que este olhava para ela e Harry.

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Fatos traumáticos podem mudar muito a personalidade de uma pessoa. Uma guerra pode alterar alguém por completo. Mas Harry Potter se recusava a mudar. Fosse como fosse, tinha coisas que ele simplesmente não aprendia. E a principal delas é "pense antes de agir feito um idiota". E essa nem era tão difícil assim de aprender! Quer dizer, quando tanto já fora perdido porque houve uma ação impensada? Seu padrinho morrera porque Harry fora incapaz de parar para pensar e agiu de modo completamente impulsivo (como sempre). Era de se esperar que algumas lições saíssem de tanta dor.

Mas como sempre, Harry Potter tinha o talento nato para coisas não esperadas. Fossem elas o que fossem (e incluíam até as muitas vezes que sobrevivera a Voldemort).

Não fazia seis meses que Sirius morrera por sua imprudência e Harry já estava agindo de modo impensado de novo. Ou poderia ser classificado de outra forma ele estar voando fora do Castelo em pleno dezembro ao entardecer? E pela terceira vez naquele mês? E com uma Guerra bem do lado de fora dos muros de Hogwarts sendo o principal e mais desejado alvo ele próprio? Fora o risco do próprio inverno. Manchete dos jornais "Harry Potter o-menino-que-sobreviveu-cinco-vezes-a-você-sabe-quem morre de pneumonia depois de ficar voando até tarde num dia de inverno". É, com certeza venderia.

E poderia se tornar até seu novo título! Com certeza, seria grande.

E talvez tantas vitórias seguidas contra Voldemort estivessem afetando seu cérebro e ele já não considerava mais tantas coisas perigosas. Mesmo que realmente fossem.

E não era como se a escuridão da noite que se aproximava escondesse apenas ele dos olhos dos outros. Outros poderiam estar escondidos. E estavam.

Harry já estava se aproximando da entrada do Castelo quando ouviu o barulho que vinha das estufas que deveriam estar vazias e trancadas aquela hora.

E se tinha outra coisa que a guerra não estava conseguindo ensinar a Harry Potter era "cuidado com barulhos suspeitos" e algo sobre "armadilhas e não ser burro de cair em ciladas óbvias" ou mesmo o velho ditado de "a curiosidade matou o gato".

E matou mesmo.

Se não literalmente, pelo menos metaforicamente.

Harry já estava escondido embaixo de uma das janelas com a varinha em punho quando ouviu o barulho novamente. Foi com muito cuidado que o moreno levantou a cabeça e olhou dentro da estufa 4. Não parecia ter alguém lá dentro. No entanto, bastou um simples feitiço para destrancar a janela e outro para erguê-la suavemente que Harry viu.

Dentro da estufa estava Draco Malfoy e Chikage Kakinouchi sujos de terra e rindo! Rindo enquanto pareciam brigar com uma das plantas que estavam lá. Uma planta esquisita que do centro (que mais parecia uma bola de terra, e talvez fosse mesmo) saia um ramo grosso, como uma serpente, e desse ramo enormes folhas com pelo menos 40 centímetros cada uma. A planta tinha meio metro de altura e as folhas pareciam inchadas, como conchas fechadas, e estavam todas as sete folhas amarradas com cordas mágicas. Era visível que a planta lutava e resistia à tentativa dos dois meninos de plantá-la num vaso.

E como se isso não fosse por demais suspeito nada poderia ser mais chocante do que a visão de Draco Malfoy, o aristocrático e cheio de frescura Draco Malfoy, sujo de terra até os cabelos e rindo disso! Já os cabelos de Chikage estavam uma verdadeira confusão e ele tinha terra até no rosto. E eles pareciam conversar enquanto brigavam com a estranha planta que devia ser bem teimosa.

Harry já estava irritado (sem saber muito bem o motivo) e pensando em dar meia volta quando uma das folhas presas por cordas se soltou e revelou que aquilo não era uma folha estufada e estranhamente cheia e sim eram duas folhas unidas e que abertas possuíam enormes e pontiagudos dentes! A folha avançou na direção de Chikage e provavelmente, pensou Harry, ele teria sido mordido se Malfoy não tivesse lançado um incrível e veloz estupefaça com a varinha, muito bem segura em sua mão esquerda. A folha caiu então desacordada, ou pelo menos era isso o que parecia.

– Ei, valeu! – disse Chikage com um grande sorriso, puxando a própria varinha e refazendo o feitiço de cordas, prendendo novamente os dentes perigosos – Agora acho que estamos seguros de novo. Por um tempo – disse guardando a varinha no bolso de trás da calça – Belo feitiço. Eu não disse que se usasse sua mão esquerda você ficaria mais rápido?

– Ah, cale a boca e vamos acabar logo com isso. Estou exausto – disse Malfoy fingindo irritação, mas também sorrindo. E virando a cabeça de lado, ainda rindo, concluiu – E... não foi proposital, foi... instintivo. Nem percebi.

– Por que usa a mão direita? Qual o problema em ser canhoto? – perguntou Chikage com a voz cansada, a batalha contra a planta quase vencida.

Canhoto? Draco Malfoy era canhoto?

– Não sei. Apenas me acostumei assim. Eu imitava meus pais e assim, quando percebi, já era destro. Apenas isso.

– Sabia que no meu país os canhotos que escondem isso são considerados pessoas cheias de segredos e muito bons amigos?

– Está mentindo – acusou Draco, conseguindo enfim, enfiar a planta no vaso.

– Estou sim – disse Chikage e voltou a rir, escapando por pouco da terra que foi atirada em seu rosto – Ai, cuidado com o cabelo, vai ficar sujo! – brincou o japonês, fingindo arrumá-lo com as mãos, imitando Malfoy perfeitamente em sua expressão aristocrática e debochada, e recebendo com uma gostosa risada outra mão de terra – Golpe sujo o seu – reclamou e voltando sua atenção a planta que ainda tentava fugir – Ah, fica quieta! – ordenou e desferiu-lhe um soco de direita que a fez aquietar-se e enfim, ser encaixada no vaso – Aleluia! Conseguimos! – comemorou Chikage com um ar cansado, as mãos na cintura numa pose de vitória e comemoração.

E os dois rapazes sorriram um para o outro enquanto respiravam ofegantes, parecendo altamente satisfeitos.

– Belo soco o de agora. Muito trouxa – disse Draco, passando a mão suja de terra na testa e acabando ainda mais sujo. E isso era por demais não-Malfoy!

– Hehe, quase tão eficiente quando o seu estupefaça. Você é bom nesse feitiço.

– Eu sei que sou – disse o loiro estufando o peito e fazendo sua típica expressão Malfoy quando recebeu um monte de terra no peito – Hei! Não tem graça!

– Claro que tem! É vingança! – disse Chikage enquanto se torcia de rir. E ele nem sequer foi azarado! – Ufa, nem acredito que terminamos. Sabe, chamar essa planta de Mimosa é a maior das ironias!

– Sim, é – conclui Draco com um sorriso tão Kakinouchi que Harry sentiu – Vamos voltar?

– Sim, melhor voltarmos agora. Preciso urgentemente de um banho.

– Eu também. Ah, espera, Chikage.

– O quê?

– Tem terra no seu rosto, vai cair nos seus olhos – disse Malfoy e então ele limpou com as próprias mãos a terra da franja do japonês, recebendo um obrigado sorridente.

E Harry simplesmente não podia acreditar no que tinha visto.

Malfoy rindo, Malfoy chamando Kakinouchi de Chikage, Malfoy contando segredos, Draco limpando o rosto do outro, Draco brincando com terra!

É a curiosidade matou o gato, ou o leão (tanto faz, ambos são felinos). E não necessariamente essa foi uma morte física. Alguém já ouviu a expressão "morreu de ciúmes"?

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Se tinha uma coisa que não agradava Hermione no seu cargo de monitora era o patrulhamento dos corredores. Quer dizer, quanto tempo ela perdia nessa atividade? Se pelo menos ela pegasse alguém, mas isso era algo muito raro de acontecer, já que nem mesmo os alunos do 1º ano eram pegos facilmente. E depois, bem, ela mesma já estivera fora da cama mais vezes do que o aceitável. E Harry então! Isso era algo até comum! O incomum era algum desses fujões não conseguirem escapar de Filch, Madame Norrra e dos monitores. Tudo isso tornava seu patrulhamento tempo perdido. Era um saco. Poderia estar na Torre da Grifinória em frente a lareira e bem quente, poderia estar estudando ou morrendo de rir das piadas que Fred contava. Ele vinha para ficar apenas um dia e ela mal podia aproveitar. E duvidava muito que Rony fosse ficar de olho e impedir o irmão de vender mais kits mata-aula, mas... Não era como se os monitores tivessem algum poder sobre ex-alunos. E não era como se Hermione não achasse os gêmeos muito criativos e muito inteligentes.

E lá estava ela naquele corredor de pedra, congelando, as 8h da noite e sozinha, procurando por alunos que não seriam achados.

Já estava dando meia volta e começando a considerar seriamente se devia voltar para o dormitório e deixar que os desrespeitadores das regras ficassem onde quisessem e que ainda pegassem uma gripe como punição quando viu duas pessoas andando normalmente pelo andar térreo, indo em direção as masmorras. Surpresa e sem acreditar direito no que via, Hermione se aproximou, tentando ver melhor, mas recuou imediatamente ao reconhecer Kakinouchi ao lado de Malfoy.

– Quer saber – disse a garota a si mesma – O toque de recolher é mais cedo no inverno, mas... eu vou é para cima. Depois Malfoy é monitor e ele pode fazer o que quiser. Não que isso lhe de permissão para andar com outros alunos pelo castelo, ele que fique na dele e me deixe em paz. Já havia decidido que o melhor que ela poderia fazer era ignorar Kakinouchi completamente e ela ia fazer isso. Se ele queria um resfriado, que pegasse!

Claro que correr para a Torre da Grifinória não era algo realmente necessário.

A garota já estava quase em frente ao retrato da Mulher Gorda quando viu Harry aparecer diante de seus olhos. Qualquer outra pessoa teria pulado de susto, mas não a garota que já vira Harry aparecer e desaparecer por baixo de sua capa tantas e tantas vezes. Suspirou. Harry era, provavelmente, o aluno que mais descumpria regras na atualidade.

– Hello, Harry. O que estava aprontando agora?

– Mione! – exclamou o rapaz assustado, por mais incrível que aquilo soasse, ele não vira a garota em momento nenhum – Que susto!

– Você está legal? – perguntou a morena, se aproximando e só então percebendo a expressão cansada do amigo – Harry, o que está havendo com você?

– Nada. Estava voando um pouco. Me faz relaxar e...

– E é altamente perigoso! Harry, estamos em guerra! Não devia ficar voando sozinho lá fora!

– Ah, Hermione, não enche – disse o rapaz ficando subitamente mal-humorado e intrigando a amiga. Não era a primeira vez que Harry ficava irritadiço e um tanto instável, mas isso não impedia a garota de se preocupar, certo?

– Harry, quer conversar? Você não parece bem. Algo tem lhe preocupado? Tem dormido direito? Ou ainda está tendo sonhos estranhos?

– Bem, fora Voldemort e a guerra acho que nada mais tem me preocupado. A tem uma profecia, mas...

– Harry. Eu fiz uma pergunta por estar preocupada com você. Se quer ser grosseiro, então não está mais aqui quem falou – disse a garota fingindo irritação. Ela conhecia muito bem o moreno a sua frente, e acertou. Harry mudou o tom na hora.

– Desculpe, Mione. É que – disse Harry sentando-se num dos degraus próximos, a cabeça sendo escondida pelas mãos – Nem eu sei Mione. Estou cansado e não sei o que está acontecendo comigo. Não tenho dormido bem, pois ainda tenho aqueles sonhos esquisitos dos quais não consigo lembrar e este monte de detenções, e minhas notas, e a detenção que terei que cumprir com o Malfoy no domingo, e toda essa confusão ao nosso redor, e o Malfoy me irritando o tempo todo, são tantas coisas.

– Harry, porque não fala com Dumbledore sobre esses sonhos? – perguntou Hermione, sentada ao lado do moreno e passando o braço por seus ombros. Desde quando Harry tinha ficado com ombros tão largos?

– Não sei. Não me lembro deles, mas sei que nada tem haver com Voldemort. Também sinto que não estão ligados. Mas acho... que... o meu maior problema... na verdade é... o... o Malfoy. Ele me enche, me irrita, o encontro em todos os lugares. Ele está me deixando inquieto.

– Ele sempre te deixou inquieto. Você sempre teve um que de obsessão em relação a ele Harry, só que esse ano...

– Como assim eu "sempre tive uma espécie de obsessão por ele?"

– Bem, você sempre o culpou demais pelas coisas, mesmo que estivesse certo na maioria das vezes e que ele seja um idiota. No 2º ano você cismou que ele era o herdeiro de Slytherin, ok que eu e Rony também acreditávamos nisso, mas ele foi nosso primeiro e único suspeito. No 3º ano o culpamos por Hagrid ter se dado mal em sua primeira aula – o que é uma verdade, mas não é exatamente por isso que ele é um mal professor -, também o acusamos de não ter capacidade de jogar sendo que nunca o vimos realmente jogando para saber. Ele é um idiota, Harry, e adora causar problemas e ser insuportável, mas o modo como você liga tudo de ruim a ele... Tudo é culpa dele. Entende o que quero dizer?

– Não. Ele sempre está metido nessas confusões, de uma forma ou de outra.

– Mas nunca é o único. E nós nunca pensamos em mais ninguém, por mais óbvio que seja. E essa sua mania de culpá-lo por tudo é o que eu chamo de obsessão. Você tem uma verdadeira obsessão em caçá-lo Harry, da mesma forma que ele tem em irritar você. Só que, Harry, ele tem um motivo para isso, que é a rejeição que ele sofreu de você. Você sabe que ele não aceita rejeições muito bem. Mas e você? Por que aceita tanto as provações idiotas dele? Por que corresponde? Por que é tão importante para você desmascarar a ele? Você não liga para os outros e os Malfoy nunca maltrataram os Potter. Seria apenas pelo que ele fala dos Weasley?

E Harry ficou calado porque para aquelas perguntas ele não tinha resposta.

– Mione... você acha... que... não sei... seria possível... que eu... tenha... inveja... dele?

– Dele quem?

– Mal... foy – respondeu Harry, a voz sumindo, ele próprio com dificuldade de entender o que se passava em sua cabeça. E a garota ficou calada, pensando. Absorvendo a pergunta. Quando Hermione falou, foi de forma muito cautelosa.

– Inveja do quê, Harry?

– Não sei. Ele é... ele é esperto, ele é bonito, ele não é Harry Potter o-menino-que-sobreviveu. Ele tem pais que o amam, ele quer um caminho e está nele, mesmo que todos julguem errado. Ele fala o que pensa e não se preocupa com o que os outros vão dizer. Ele não sai no jornal o tempo todo. As pessoas gostam dele pelo que ele é, e não por ele ser O Eleito. Gostam dele passando por cima do fato dele ser um Comensal-junior. Todas essas coisas.

– Mas Harry, as pessoas o odeiam pelo que os pais dele são, os pais dele desenvolveram nele uma personalidade mesquinha, arrogante e egoísta. Malfoy nunca se sacrificaria por ninguém. Ele não sabe ajudar os outros nem sabe o que é ter amigos verdadeiros. E seus pais também te amaram. Eles morreram por você! E... bem, ele é bonito, de fato. Mas você ganha dele em tantas outras coisas, Harry. Não tem comparação. Você é melhor do que ele nisso tudo.

– Valeu, Mione – disse Harry, aliviado. Era bom ouvir aquilo da garota. Era bom conversar. Ele só não havia pensado que se não era inveja, então o que era? – Mas... sabia que ele está de amiguinho novo agora? Ele ficou amigo do Kainou.

– Do Kakichi? – disse Hermione e os dois se olharam. Então começaram a rir, ainda abraçados. Por mais que tentassem, aquele nome era complicado demais! – Como assim, ficou amigo dele?

– Vi os dois juntos. Como se fossem amigos.

– Huummm. Eu também vi os dois. A distancia, juro que pensei que era um casal de namorados, então reconheci o Malfoy (difícil não reconhecer aquele cabelo!) e achei que ele estava namorando, sabe. Mas percebi que era o... ah, dane-se, o kaki-qualquer-coisa-aí. De longe, achei que fosse uma menina. Ele já parece com uma e é bem mais baixo.

– Namorando, por quê? – perguntou Harry surpreso.

– Pelo modo como andavam perto e conversavam. Estavam bem íntimos. Mas sabe, ele, esse, o Kakichi, deve ser um idiota completo. Quer dizer, andar com Malfoy?

– Sabe, eu concordo com você. Ele deve ter muitos parafusos soltos. Não que ele já não aparente isso. E, Mione, você tem razão, ele é insuportável.

– Eu dizia que era – disse a garota com um ar convencido, mas começando a rir em seguida. No fundo, agradecida por alguém mais não gostar do japonês que encantava a todos. Isso lhe tirava um grande peso das costas. Ela não era a única a não gostar dele. Isso era muito tranquilizante – Ei, vamos entrar? Está frio. E Fred está aqui.

– Eu sei, o vi mais cedo – respondeu Harry – Mas vamos, vamos entrar.

E quando a garota se levantou, e lhe estendeu a mão o moreno pensou seriamente em contar sobre suas dúvidas a respeito de Gina. Ela o ouviria sobre isso também, não? Mas... bem, não era como se ele andasse pensando na ruiva com tanta frequência. E foi a primeira vez que Harry percebeu esse detalhe.

Se tivesse percebido porque, ele teria querido bater com a cabeça na parede e ficaria muito chocado. Mas ele não tinha percebido quem estava ocupando o lugar da garota em seus pensamentos e naquele momento sentiu alivio ao perceber que a ruiva estava perdendo lugar em sua mente. Com um sorriso, Harry aceitou a mão de Hermione e juntos entraram na Torre da Grifinória. Com Fred ali, a noite seria, no mínimo, engraçada.

SL&SL&SL&SL&SL&SL

Dizem que olhar para o céu noturno e estrelado é relaxante, que é um excelente remédio para uma mente cansada. São nesses pequenos intervalos que a solução para algo pode aparecer. Muitas coisas são assim, só são resolvidas quando enfim paramos de pensar nelas, igual muitas vezes apenas localizamos um objeto perdido quando não precisamos mais e por isso não procuramos.

Mas muitos olham o céu apenas por olhar e não pensam em mais nada. Ou pensam em coisas completamente diferentes.

Dumbledore olhava o céu porque gostava do céu, porque sua irmã gostava do céu, porque ele achava as estrelas belas. Centauros observavam essas mesmas estrelas para conhecer o futuro, astrônomos para saber mais sobre elas. Ele... não pensava em nada disso. Apenas gostava da imensidão. Alguns gostavam dela por lhes oferecer paz, ele gostava apenas por sua vastidão. Era algo tão imenso, tão grande, em relação a ele próprio que o fazia se sentir pequeno. Era como uma lembrança de que para o cosmo, ele nada era do que algo ínfimo. Dumbledore era um homem muito ambicioso por natureza, mas aprendera a se controlar, aprendera que havia coisas muito mais importantes que a própria ambição. Coisas como aquela escola e os ideais que defendia, ideais de igualdade. E quando sua mente vagava, lhe lembrando de seus sonhos infantis, bastava olhar para aquela imensidão azul escuro para ele se lembrar que nada mais era do que um homem e que ele não podia fazer tanto. Era bom também para lhe tirar a culpa quando alguém morria a seu serviço. Ele era apenas um homem.

Mas gostar tanto do céu noturno não queria dizer que Dumbledore era um apaixonado por astronomia, porque não era. Talvez, se fosse, perceberia que as estrelas estavam mais brilhantes, que apenas aquelas 21 estrelas da constelação da Naja brilhavam intensamente mesmo nas noites nubladas. E que uma delas brilhava mais do que as outras. Se ele tivesse cursado adivinhação ele saberia o que isso significava, se tivesse perguntado a Firenze também saberia. Mas mais uma vez ele não ligava para isso. Como Harry, também achava que a adivinhação não era importante para ele, apesar de saber tão bem quanto Harry como ela podia destruir vidas. Ou alterá-las. Ele, como Harry, deveria acreditar mais nos sinais ocultos.

Só que não acreditava.

Depois, eram só estrelas!

E ele tinha tantas preocupações mais.

Não precisava de mais essa. Ou pelo menos achava que não.

Afinal, uma estrela que brilhava mais que o normal não significava nada de importante para Hogwarts ou para a Inglaterra.

Como estava enganado.

Continua...

Dezembro/2010

Notas: [1] Helena Browne – professora de Runas Antigas. Desculpe pessoal, não achei o nome do professor de Runas em nenhum lugar então criei um ^^"

N/A: 33 páginas! Esse capítulo ficou enorme! Tem o dobro do tamanho do esperado! Eu percebi que eles estavam aumentando, mas não tinha parado ainda para saber o quanto! E por mais incrível que pareça, foi o capítulo que foi escrito mais rápido. Eu não tinha nada na cabeça quanto a ele além de duas linhas e, olha isso! Não é a toa que demorou tanto para ser betado!

Bem, espero que o tamanho gigante compense a velocidade com que tenho postado, eu SEI que demorei pacas para postar, mas gente, novembro é o inferno para estudantes que deixam todos os trabalhos para a última hora e ainda trabalham o dia todo. Não escrevi uma única linha de nada que não fosse trabalho nesse mês e quase nem dormi! Peço desculpas pelas demora, mas eu realmente não tinha como escrever antes, fiquei até o dia 10 estudando no horário de almoço, no ônibus, a noite e em todo lugar que fosse possível. Mas agora chegamos as férias e pretendo voltar a postar com regularidade ^ ^ Já estou continuando o próximo capítulo e tenho esperanças de postá-lo nos próximos 15 dias.

Para quem quiser saber como era a tal planta de Chikage e Draco, deem uma passada no meu orkut ^.^ Também postei mais desenhos! (uma sorte, porque meu scaner pirou e fiquei mais de 3 semanas sem internet T.T Azar pouco é bobagem!). Eu disse que o faria, não? A esperança é a última que morre ^ ^

Endereço: www(ponto)orkut(ponto)com(ponto)br/Main#Album?uid=13692484439673344302&aid=1

Feliz Natal a todos!

Prévia do próximo capítulo

– Muito bem, agora estendam suas mãos – disse Alois, no rosto um sorriso que era no mínimo sádico – Senhor Potter, senhor Malfoy, não temos o dia todo.

Ambos se olharam e então olharam para as algemas que Trancy segurava. Aquilo ia doer. Foi Draco o que primeiro suspirou e estendeu a mão direita. Sua expressão era a de alguém dirigindo-se a forca. O click metálico que a algema fez ao se fechar no pulso pálido arrepiou os dois garotos até os cabelos.

– Senhor Potter? Vamos coragem, não vai doer – disse Alois. Realmente Alois Trancy era sádico, seria um páreo duro até para o pior dos Comensais.

Harry engoliu em seco e a muito custo ergueu o braço esquerdo. Sentiu como se tivesse sido mordido por uma cobra quando a argola prateada se fechou, unindo definitivamente, os dois rapazes pelas longas próximas horas.