Aviso: Aos poucos estou relendo e corrigindo os capítulos passados. Não estou acrescentando cenas novas, apenas concertando a escrita aqui e ali e, claro, mexendo o mínimo possível. Mas talvez os capítulo ganhem alterações mais visíveis, visando deixar algumas cenas menos maçantes ou confusas!
Até agora: Depois de um fim de ano tranquilo, Harry, Rony, Neville e Chikage encontram um bicho-papão numa sala vazia enquanto procuravam Trevo, o que faz com que o oriental tenha uma crise histérica ao ver a forma que o bicho-papão assumiu. Ao mesmo tempo, Draco começa a se perguntar sobre a vida de Chikage antes de chegar em Hogwarts.
Querem deixar uma autora feliz? Deixem uma review, faz um bem enorme, acredite! Seja para elogiar, sugerir, criticar, elas dão ainda mais vontade de terminar a fic ^^
SERPENTES E LEÕES
Ela nunca antes achara que poderia amar, não sendo ela a Nick Negra. Mesmo com seus olhos vendo tão longe ela não previu que esse sentimento pudesse um dia lhe afetar. E muito menos que ela pudesse retribuir.
Não ali, quando Era criara toda uma estrutura única, chamando a si mesma de Rainha e a seus filhos de Príncipes, escolhendo sua caçula para ser a Regente, construindo uma hierarquia de obediência absoluta à Família Real.
Erick dizia que ela ainda vivia no século XVI. Com Monarquias absolutistas e seus privilégios. Maxxcy dizia que era uma coisa típica de alguém com crise de inferioridade. Chikage nada falava e sorria para ela.
E ela, que não era capaz de amar se via amando aqueles três, os três mestiços que haviam tocado seu coração gelado.
Cap 12 – Vermelho sangue, vermelho fogo, vermelho rubro, vermelho...
A primeira coisa que Draco percebeu quando acordou foi que sua cama estava meio apertada e mais quente que o normal. A segunda foi que dormira muito bem, coisa que havia se tornado rara nos últimos dias. A terceira foi que realmente havia dormido com Chikage. E era difícil acreditar que fizera isso! Por Merlin, já tinha 16 anos! Que história era essa de dormir na mesma cama que o amigo?
Esfregou os olhos, sentando na cama e agradecendo mentalmente as férias que haviam deixado os dormitórios vazios, livrando-o das testemunhas de seu ato.
Voltou a esfregar os olhos, jogando o cabelo para trás, espreguiçando-se levemente. Ainda estava escuro, mesmo com a cortina aberta, mas não devia ser muito cedo. A seu lado, Chikage ainda dormia profundamente, parcialmente enrolado no cobertor que ambos dividiam. Ao observar a face do amigo, Draco agradeceu intimamente por ser Chikage ali ao invés de Crabbe ou Goyle. Nunca que um dia conseguiria tanta intimidade com eles. Ou com Blaise. Na verdade, será que existia algum outro garoto que achava normal dois amigos homens dividirem a cama? Normalmente, eram as mulheres que não se incomodavam, mas nem por isso o faziam sem motivo!
Será que Chikage ainda agiria assim se soubesse o que se passava no coração de Draco? Se sequer imaginasse o quanto Draco gostava de outro cara? Será que ele ainda seria a mesma pessoa?
Queria imaginar que sim.
Estava tentando se decidir entre levantar ou ficar ali mais um pouco, aproveitando o calor aconchegante quando Chikage se mexeu ao lado, virando de costas para o loiro e encolhendo-se na cama, as mãos apertando o cobertor com força.
– Está com frio? – sussurrou, mas Chikage não esboçou nenhum sinal de que o ouvira.
Virando-se na cama, o loiro ajoelhou-se e puxou o cobertor, cobrindo melhor o amigo. Ele já dormia tão pouco, não era justo que dormisse mal nas poucas noites que se dava ao luxo de dormir até tarde. Mas como alguém podia dormir bem com tanto cabelo no rosto?
– Licença – sussurrou mais uma vez, sabendo que não seria ouvido, mas sentindo que precisava disso para tocá-lo, tocando logo em seguida sua face com a ponta dos dedos, Chikage não acordou. Então, num movimento carinhoso, Draco puxou os cabelos rebeldes, retirando-os do rosto adormecido, espalhando-os pelo travesseiro. Nunca havia tocado nos cabelos castanhos, mas não imaginava que fossem tão sedosos. Seus dedos infiltraram-se com facilidade pelos fios e corriam por eles, contrariando a ideia de que fossem embaraçados. Eram finos e volumosos, cortados de todos os tamanhos, e assim como os olhos do japonês, mesclavam-se em diversos tons de castanho.
Sem perceber, seus dedos continuaram traçando o caminho de vai e vem pelas madeixas castanhas, da têmpora até o travesseiro, mesmo quando não havia mais um único fio perturbando o sono do amigo.
Chikage não deu sinais de que percebia o gesto, mas seu corpo encolheu levemente na cama e suas mãos afrouxaram o cobertor.
Ele tinha uma pele bonita. Num belo tom de bronze sem nenhuma mancha ou fio de barba. Perguntou-se se os brincos também não atrapalhavam na hora de dormir. Três argolas em uma orelha, duas na outra, ou seja, incomodo para qualquer lado que se vire. Mas não tanto assim. Correu o dedo indicador pela orelha esquerda dele, sentindo os brincos, o desenho dela, a pele dele que se arrepiou com o carinho que desceu do lóbulo para o pescoço e escorregou por mais fios castanhos.
Foi quando notou o metal oculto pela gola do pijama e cobertores.
Ergueu uma sobrancelha em dúvida, contudo, nem meio minuto depois, usava seus dedos para descer lentamente o cobertor, expondo o pescoço fino.
– Por que está dormindo com isso? – questionou-se ao ver a grossa gargantilha de courino [1]que o oriental sempre usava. Como ele também estava sempre com o pescoço cheio de correntes, a gargantilha normalmente passava completamente despercebida. Entendia porque dormir com os brincos (muitos o faziam), entendia os cabelos soltos (se ele tivesse cabelos tão longos, os prenderia para dormir), mas por que usar aquilo até a noite? – Estava com tanto sono que nem a tirou?
Bom, já estava ali mesmo. Com cuidado para não acordar o outro, Draco levou os dedos ao fecho de metal, que lembrava a fivela de um cinto, e tentou abri-lo. Sem sucesso. Quando tentou usar um pouco mais de força, seus dedos escorregaram e um deles adentrou levemente a gargantilha, ficando entre esta e a pele morena, o que fez o loiro retirar as mãos com tudo, ao sentir algo que muito se assemelhava a um choque.
– Ai – reclamou, levando o dedo aos lábios. Chikage ainda parecia em sono profundo, mas suas mãos voltaram a apertar as cobertas. Intrigado, Draco voltou a tocar a gargantilha que possuía uns bons 5 cm de largura. Sua cor de assemelhava muito ao tom de pele do amigo e tinha desenhos negros que lembravam fios grossos, de longe pareciam várias fitas presas no pescoço. Ao tocá-la novamente, percebeu uma pequena ondulação, que revelou-se uma pedra quadricular grande unida a outra, provavelmente idêntica, por uma pequena argola. Eram várias pedras, no mínimo 3 daquele lado, escondidas sob o tecido – O que é isso? Herança? – questionou-se.
Tocou-a novamente, as pedras tinham praticamente a mesma altura que a gargantilha. Tentou, dessa vez com mais cuidado, passar o dedo por entre o tecido e a pele do amigo e sentiu a mesma sensação de choque. Um selo de proteção. Mas aquilo não tinha a menor lógica! Chikage era sangue-ruim, não? Então, porque possuía um estigma bruxo? Não que isto fosse incomum, bruxos costumavam herdar os mais diversos tipos de símbolos familiares e os estigmas eram apenas mais um desses poderosos artefatos mágicos. Todas as grandes famílias bruxas possuíam um ou mais deles. Ele próprio já herdara o seu. No entanto, essa era uma tradição exclusiva de bruxos puros que usavam tais objetos como símbolos de seu status e pureza. E se Chikage possuía um por que o mantinha oculto? Seria um objeto por demais feminino?
Voltou a tocar a gargantilha. Era por isso que dormia com ela?
Com um suspiro, desistiu de pensar no assunto e cobriu novamente o amigo. A cada dia parecia descobrir algo novo sobre Chikage e sentia muita curiosidade de saber mais sobre o amigo, mas se recusava a invadir seu espaço. Não o faria. Apenas esperaria ali, para ouvir, quando ele quisesse contar, da mesma forma que o outro fazia com ele, estando simplesmente ali, sem nunca perguntar nada.
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Não era segredo para ninguém que Nihany era a menina dos olhos de Era, sua pequena caçula querida e o orgulho da Rainha Bruxa. Até que ponto tal fato se devia a ela ser uma Nick nem a própria sabia, e não ligava para isso. Desde sempre fora o tesouro da mãe, das irmãs, do irmão, dos bruxos de todos. Estar de posse de uma Nick era o orgulho do Castelo Maldito e tal "cargo" somado a sua posição de princesa haviam dado a jovem uma vida isolada e solitária. Não era culpa de ninguém em especial, ela apenas era muito mais nova que seus irmãos e estes não tinham tempo nem vontade de brincar com ela, ela era apenas uma princesa e como tal era proibido a todos os outros se aproximar dela, (tocá-la era simplesmente impensável!), ela era a regente e como tal não podia simplesmente quebrar as regras. Nessa época lembrava que desejava muito ter tido a sorte de possuir uma irmã gêmea para poder brincar, mas sua gêmea havia nascido em algum lugar bem longe dela. Dizem que crianças só choram ou riem porque tais ações causam reações nos adultos com os quais convivem, Nihany não aprendeu a sorrir ou chorar porque não havia motivos, suas emoções não despertavam nenhuma reação naqueles que estavam por perto.
Sozinha.
Então aquele bruxo moreno apareceu. Ele era alto, bonito, sorridente e extremamente diferente de qualquer outro que conhecesse. Soube de imediato que ele era especial, pois sua mãe o tratava com respeito e Era não respeitava ninguém. Quando ela se aproximou, ele a olhou e se ajoelhou, tocando seus cabelos loiros numa carícia nunca recebida que a deixou espantada.
– Tem cabelos tão dourados como o sol do meio-dia. Ela é linda, Era – ele disse naquela voz única. Havia algo nela, um timbre, um tom meio musical, meio exótico, ela nunca ouvira uma voz como aquela. Fitou os próprios cabelos admirando a cor dourada, então ela tinha cabelos da cor do sol? O sol tinha aquela cor?
– Obrigada, Andrey – sua mãe respondeu com forçada educação. Andrey, aquele era Andrey? O grande bruxo Andrey? O bruxo que sozinho construíra aquele lugar? Foi a primeira vez que ela se surpreendeu com algo e seus olhos fitaram mais uma vez a figura ajoelhada a sua frente. Ele vestia roupas muito diferentes e parecia desencanado. Simples demais para alguém com tanto poder. Nihany gostou dele.
– Qual seu nome, pequenina? – ele perguntou com casualidade e por um momento ela não soube o que fazer. Nunca tinha sido tocada ou olhada nos olhos, isso não era proibido? Mas as regras não se aplicavam a ele, certo? Deveria agir com respeito? Ou como a princesa que era? Mas ele era Andrey! Mas ela era a Nick. Eles seriam iguais? Mas ela mal sabia os feitiços mais básicos ainda!
– Nihany – ela respondeu, optando por um tratamento menos formal, mais semelhante ao dele, coisa que pareceu lhe agradar, pois ele sorriu de volta.
– Puxa Era, não podia ser mais original? Nihany e Nick tem sons tão próximos que ela nunca vai saber se está sendo tratada pelo apelido ou pelo título! – ele disse num tom zombateiro deixando a criança a sua frente sem fala diante da primeira pessoa que ela via brincar com sua mãe. Era chegou a responder algo, mas a pequena princesa não ouviu, seus olhos haviam finalmente se fixado numa outra presença, um menino que ela não tinha visto antes. Ele era mais alto, com o dobro de sua altura, talvez o dobro de sua idade também, os cabelos escuros e seus olhos eram lilases. Parecia tranquilo. Ela nunca vira outra criança de perto e logo seus olhos estavam fixos nos dele.
Quando Era percebeu o fato torceu os lábios, mas Andrey pareceu não reparar, pois estava ocupado fazendo as apresentações.
– Nihany, este é meu filho, Maxxcy. Acho que não se conhecem ainda.
Não ela não o conhecia. Maxxcy sorriu para ela e ela sorriu de volta. Então ele se aproximou, mas não se ajoelhou, a mão dele tocou a dela e ele pousou seus lábios nas costas de sua mão. Ela não conhecia o gesto que deixou sua mãe completamente indignada e causou um sorriso no bruxo pai.
– Esse é um cumprimento bastante respeitoso entre os trouxas europeus – esclareceu o pequeno de olhos exóticos, os lábios ainda próximos de sua mão, um sorriso travesso no rosto. E ela soube ali que gostara dele.
A partir dali sua vida mudou.
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Harry estava sentado na arquibancada de quadribol, vendo Rony voar com a Firebolt. A tempestade de neve tinha finalmente parado no dia anterior e mesmo que o frio ainda fosse cortante eles não haviam pensado duas vezes antes de sair, tão necessitados estavam de um pouco de ar puro depois de tanto tempo presos no Castelo.
Viu Rony fazer uma pirueta e sorriu ao perceber que o amigo estava ficando cada vez mais confiante numa vassoura. Rony não era um bom jogador, mas tinha uma paixão tão grande pelo esporte que se não morresse de vergonha, poderia até surpreender. Se ao menos tivesse a mesma confiança que tinha ao jogar xadrez. Havia sugerido que o amigo o ajudasse com os planos de jogo e, excelente estrategista como era, Rony tinha se saído muito bem nisso. Mas ele desejava mais do que isso.
Harry pensava em como ajudá-lo.
Talvez devesse conversar com Hermione a respeito. A amiga tinha sempre uma boa ideia! Alias, tinha bastante coisa com a qual queria conversar com ela e uma delas era sobre Kakinouchi. Depois do incidente com o bicho-papão, no dia anterior, Harry havia pensado demais no japonês e isso o havia feito perceber muitas coisas, várias das quais não gostara. A principal fora que antipatizara com o sonserino apenas por ele ser amigo de Malfoy e a pior foi perceber o quanto estava sendo chato ultimamente. Era como se vivesse mal-humorado, com raiva do mundo e de todos. E com pena de si mesmo.
E ele não era assim!
Tinha seus maus dias, fato, mas nunca antes tinha sido tão ausente perante os amigos e tão irritado com tudo. E tudo por que? Estava com raiva. Com raiva de Voldemort, da guerra, da morte de Sirius, de Malfoy e com isso descontara naqueles que não mereciam. Foi parando para pensar nisso que percebeu que seus últimos dias eram quase sempre preenchidos por alguma crise de mal-humor causada, principalmente, por algo que envolvia um certo sonserino loiro. E o pior disso tudo? Perceber que se isso era verdade, significava que ele andava pensando demais no sonserino em questão. Muito mais do que era saudável!
Talvez devesse ter ouvido seus amigos desde o início.
Mas agora iria ouvir!
Queria tanto conversar com a amiga sobre tudo isso. Porque ela sempre estava ali para ele e sempre era sincera com ele, por mais que ele não quisesse ouvir.
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Draco abriu a porta do quarto ao lado do seu. Ainda estava vazio.
– Onde você se enfiou, Chikage?
Desde que acordara, não vira o amigo em lugar algum. Como haviam dormido demais e haviam perdido o café, o loiro não estranhou, realmente, o sumiço do colega na hora do almoço, provavelmente havia passado na cozinha antes e estava sem fome. contudo, procurou por ele a tarde, e não o achou em canto nenhum. Procurou por ele quando os colegas chegaram de volta a escola e mais uma vez, não o achou. Mas quando o jantar terminou sem que tivesse visto o amigo em parte alguma, Draco ficou realmente preocupado! Onde Chikage teria se enfiado?
Fechou a porta, descendo as escadas e fechando o casaco, decidido a procurá-lo novamente. Em algum lugar ele tinha que estar!
Passou pela entrada da Sonserina, ignorando os olhares dos colegas. Desde a prisão de seu pai, não falava com a maioria deles. Ignorando e sendo ignorado. Ouviu o chamado de Goyle, mas não respondeu. Não que não gostasse do amigo, talvez gostar nem fosse a palavra certa, estava acostumado a estar com ele, apenas isso, contudo, ao crescer e amadurecer, passara a desejar que ambos também o fizessem. Que seu pai nunca soubesse, mas muitas vezes invejara os amigos de Potter durante as refeições e as aulas, perguntando-se porque o outro podia ter amigos legais e ele só possuía amigos, bem, desprovidos de alguma inteligência. O que seu pai até gostava, pois sempre dizia que servos não deveriam ser muito inteligentes, caso contrário pensariam demais. O problema é que Draco desejava mais do que servos. Perguntava-se se não tinha capacidade de ter amigos legais. Ou o excesso de parentesco entre os puro-sangue estavam realmente afetando os cérebros de seus colegas.
Mesmo assim, não se afastara de Crabbe e Goyle. Não faria isso com eles. Porque por mais estranhos que fossem, estiveram sempre ali e Draco nunca abandonaria um amigo. Não os deixaria para trás, nem que para isso arriscasse a si mesmo. [2]
Quando voltasse conversaria com eles (ou tentaria). Pediria desculpas por tê-los ignorado e tudo ficaria bem. Depois, o fazia por uma boa razão.
Com isso em mente, começou a procurar em todos os cantos possíveis pelo amigo desaparecido. Procurou por quase 4 horas. Visitou a biblioteca, a cozinha e até a enfermaria, entrou em diversas salas, mas não achou nem a ele, nem alguém o tivesse visto. Ok, sabia que ele era bom em sumir, mas isso já era demais! Será que haviam se desencontrado? Ou estava metido na Sala Precisa? Questionava aonde mais poderia quando ouviu um poof de aparatação e uma das elfas da cozinha apareceu na sua frente.
– Tricie apenas passou para avisar que encontrou o Sr. Chikage no dormitório dele – disse a elfa fazendo uma reverencia exagerada e desaparatando logo em seguida.
Sem pensar duas vezes desceu correndo as escadarias, indo direto ao dormitório. Passar na cozinha e avisar aos elfos fora mesmo uma boa ideia, como Chikage ia muito ali, para o prazer dos pequenos seres que o adoravam, seu "sumiço" havia despertado em todos a vontade de procurá-lo. Sabia que não agira certo, mas num Castelo daquele tamanho, toda a ajuda era bem vinda. Agora como tantos deles haviam demorado tanto para encontrar uma única pessoa?
A Sonserina já estava vazia quando entrou, ainda ofegante. Subiu as escadas, pulando os degraus, e abriu a porta do dormitório vizinho. Todos já dormiam. Caminhou lentamente até a cama do amigo, apenas para ter certeza que a elfa Tricie não se enganara. Chikage dormia profundamente. Na cama, o vidro com a poção do sono que ele tomava estava vazio.
Sentou-se na cama, observando o amigo adormecido.
"Onde você esteve?" – perguntava-se – "Sei que gosta de sumir, mas sumir por dois dias? Isso me faz achar que está com algum problema. E fico preocupado com você".
Em seu sono, Chikage nem ao menos se moveu.
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Todos sabiam que só havia um bruxo mais poderoso do que Era e por isso mesmo, era o único que a Rainha obedecia. Fora ele que empurrara por sua garganta o amargo e nojento fruto que Era era obrigada a engolir: a admissão dos mestiços Erick, o amante de Lucien, e Maxxcy, seu filho. Ele que desejara a entrada dos dois no panteão de bruxos malditos e por isso esta se efetivara. Mas estar nas boas graças de Andrey não impedia que todos demonstrassem abertamente o ódio e o nojo que sentiam por eles.
Infelizmente, esses não eram sentimentos compartilhados pela jovem Nihany.
Desde que conhecera Maxxcy, se encantara com ele. Ele foi seu primeiro amigo e sabia tanto para alguém de só 9 anos! Não foi nada difícil para ela se encantar com o conhecimento que seu amigo mestiço tinham sobre o mundo que ela ainda não via.
Era odiava a relação dos dois, contudo não tinha coragem de proibir a aproximação de Maxxcy e sua caçula. Até tentara, mas uma vez que Andrey, querendo saber do filho, vivia dando o ar de sua graça no Castelo Maldito, ficava difícil a Rainha impor-se. Suas irmãs também se manifestaram contrariadas com a situação e todos faziam o que podiam para coibi-la, o que não funcionou. Erick, o bruxo elegido por Andrey para cuidar do filho na sua ausência, mantinha sempre um olho bastante atento no comportamento de todos, para depois relatar ao bruxo pai detalhe por detalhe do que se passara.
Maxxcy, Era era obrigada a aturar. Já com Erick era diferente. E essa amizade ela não ia permitir. Só que ela não contava que Maxxcy fosse contar ao pai o que acontecia. E logo que Andrey apareceu para tomar satisfações Nihany nunca mais ouviu algo relacionado a "não se aproximar dos mestiços nojentos". E 20 anos se passaram.
E quanto mais Maxxcy crescia, mais características do pai se faziam presentes, junto com a certeza de que ele herdara mais de Andrey do que a qualquer um agradaria. Para piorar, o jovem era bastante ciente de sua imunidade ali, e assim demostrava claramente seu desrespeito por Era. Seus santos definitivamente não se bicavam. E a Rainha era obrigada a manter vivo aquele mestiço que não se ajoelhava quando ela passava, que a olhava nos olhos e a enfrentava, que se atreveu a conseguir ali um cargo que apenas os mais puros bruxos tinham direito: o de professor, função dada apenas ao melhor dos bruxos, nunca ao segundo melhor. Só que Maxxcy era o melhor em Maldições, para o desagrado total de todos os outros. Haveria humilhação maior do que ter um mestiço lhe ensinando? Não. Por isso, muitos preferiam acreditar que tudo na verdade se dera pela vontade do papai Andrey, esquecendo-se que há 10 anos ninguém via ou ouvia algo sobre o excêntrico bruxo.
Antes dele, Nihany não sabia o que era amar, mas descobriu esse sentimento com ele. Antes dela, Maxxcy não conseguia se importar com ninguém, mas encontrou nela uma professora de primeira. Ela lhe deu seu coração, ele lhe deu sua vida.
Foi esse romance que fez com que Nihany deixasse de ser aquela menina sozinha que não conseguia quebrar as regras da mãe, para tornar-se uma princesa fria e distante, que chocava a todos por envolver-se apenas com os três mestiços do Castelo. Ela estava sempre junto de um deles, fosse onde fosse, como se fosse um deles.
Com eles ela conseguia rir, com eles ela sentia seu coração leve.
Por isso, ela ignorava o que sabia. A razão pela qual, há nove anos, Lédi fora o primeiro caso de mestiça que ascendia sozinha ao hall de alunos. A razão pela qual, há três anos, o inexperiente Chikage chegara a eles. Porque pensar e perceber os fatos nunca ditos nessas duas exceções fazia com que Nihany sentisse como se colaborasse com a mãe e por isso preferia agir como se nada percebesse.
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Chikage estava definitivamente estranho. Não que ele normalmente assistisse as aulas de História, mas ele ao menos costumava fingir. Olhou novamente para o lado, onde Chikage dormia com a cabeça apoiada nos braços cruzados, a cabeça virada para o outro lado, os cabelos espalhados sobre os pergaminhos.
"Sei que não é tudo o que queremos compartilhar com os outros. Entendo isso. Mas queria que você me contasse o que aconteceu, Chikage" – Draco pediu em pensamento mais uma vez enquanto observava o amigo, a cabeça apoiada na mão – "Nunca o vi dormindo durante o dia."
Ouvia a voz do professor Bins ao fundo, alheio aos muitos alunos que também dormiam na aula ou rabiscavam sobre outros assuntos. Pansy corria com a lição atrasada. Já ele não conseguia se concentrar em nada, preocupado com a aula conjunta da tarde com Potter (a qual faltaria) e com o sono do oriental. Mesmo que a aula de Bins fosse o melhor remédio natural para insônia que ele conhecesse, ninguém com problemas para dormir dormiria numa aula se não estivesse entupido de remédio.
Isso o afligia e o deixava sem saber como agir. Manter-se calado frente a isso ou invadir a privacidade do amigo com perguntas? Eles eram parecidos quando o assunto era presar sua intimidade, então duvidava que o outro quisesse ser questionado e se tinha uma coisa que o loiro respeitava era o direito dos outros ao silêncio. Entendia muito bem que não é tudo que se deseja falar, mas seria esse o certo a fazer quando via o amigo se automedicando? E o que de tão grave teria acontecido para que ele quisesse tanto dormir? Ele nem gostava de dormir!
Estava preocupado.
Perguntava-se se tinha o direito de questionar o japonês, uma vez que este ainda respeitava seu silêncio. Nunca lhe contara o que acontecera no dia do passeio a Hogsmeade (era vergonhoso demais que ficasse tão arrasado apenas por ter tomado um fora mesmo que nunca tenha tido esperanças de tê-lo) e Chikage apenas ficara do seu lado sem perguntar nada. Sendo assim, isso era tudo o que podia fazer? Se fosse, o faria de bom grado.
O que ele podia/devia fazer agora?
Tirou a própria franja dos olhos, segurando-se para não fazer o mesmo com o excesso de cabelo que caia por sobre o rosto do japonês, contendo-se porque sabia o que aconteceria se agisse assim na frente de seus colegas, os conhecia bem o suficiente para saber que interpretariam tudo errado. E essa foi a sorte de Chikage, porque senão Draco teria visto que ele não dormia, apenas fingia, mantendo seus olhos bem abertos, hora fitando o tampo de madeira da mesa, hora a janela aberta. Abominando os tons vermelhos que os tingiam. Sabia que tal coloração era fruto de sua mente, que não estavam ali na realidade, mas a cada vez que abria os olhos, vislumbrava o tom rubro que tingia paredes, objetos e pessoas. E então fechava os olhos e os tons invadiam com mais força ainda sua mente. Um beco sem saída. Por isso, mesmo sentindo o olhar do loiro sobre si, continuou imóvel, sentindo o braço já dormente. Preferiu continuar ali, fingindo. Porque do contrário, se estivesse acordado, teria que sorrir. E sorrir era a última coisa que conseguiria fazer. Não quando até suas mãos e cabelos estavam tingidos. Então era melhor dormir, mesmo que não conseguisse fazer isso sem ajuda já há muito tempo. Afinal, era na noite que os pesadelos reinavam. Pesadelos em tons de vermelho.
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Dentro do espaço reservado ao Castelo de Era, havia uma parte na qual poucas pessoas entravam. Não porque fosse proibida, mas porque todos consideravam que o espaço habitado por criaturas inferiores não devia nunca ser pisado por eles, bruxos puros. Por isso, uma das detenções mais comuns estava em obrigar o infrator a passar uma semana cuidando do cativeiro. Para alegria da maioria, essa tarefa parecia pertencer integralmente ao grupo dos mestiços, que por aprontarem além da conta, estavam sempre em detenção.
Ah, se Era soubesse que esse trabalho em nada os afetava!
Mesmo que com Maxxcy fora (estava no mundo trouxa, junto dos primos) e Chikage longe (em Hogwarts), todo o trabalho ficasse nas mãos de Erick.
Ah, se Era soubesse que Nihany muitas vezes os ajudava no serviço, pelo simples prazer de acompanhá-los!
– Obrigado pela ajuda, Ni – disse o mais velho, ao abrir as portas duplas do imenso galpão – O respeito que eles tem por você é tão grande que só a sua presença ajuda muito! Quando venho sozinho, eles ficam ameaçando me comer, ao lugar da refeição.
– Tudo bem, sabe que eu não ligo em ajudar. Nem em sujar as mãos – respondeu a loira. Ao seu redor, os habitantes das jaulas permaneciam quietos, num enorme sinal de respeito. Totalmente diferente do que ocorria quando ele entrava ali sozinho – Onde está Yukina?
– Na jaula dos fundos. Duvido muito que alguém vá até lá atrás dela – respondeu Erick enquanto puxava um barril cheio de crustáceos – Chikei não vai gostar de saber que a prendi aqui de novo. Nada mesmo. Nem em saber que estavam atrás dela.
– Não. Ele aceitaria qualquer coisa para que ela não caísse nas mãos de outro bruxo. Esse é o problema de lugares pequenos, todos sabem quando você realmente gosta de algo.
– Mesmo que ele não gostasse dela, só o fato de Maxxcy a ter tirado daqui para em seguida dá-la de presente já seria mais do que motivo para todos quererem machucá-la, principalmente com seu dono longe.
– Uma vingança aos muitos trotes de vocês.
– É, sei que eu deveria ficar com ela enquanto isso, mas ela não gosta muito de mim. Tem ciúmes. Acredita? – Nihany nem se dignou a responder e, sorrindo, pegou uma das travessas oferecidas pelo moreno de olhos bicolores. Era hora de trabalhar.
O cativeiro como um lar para os "selvagens" que não aceitavam ser "domados", todo feito de vidro e bastante escuro por dentro, era feito de forma a permitir a visão dos animais livres do lado de fora, das árvores e do lago, da liberdade perdida. Depois de algum tempo preso, muitos acabavam aceitando a coleira que os libertariam das jaulas. Dentre eles, só uma pequena minoria tinha a chance de portar a coleira de animal de estimação porque só uma pequena parcela de bruxos tinha o direito de os possuir. Chikage e Erick não tinham, mas Maxxcy, sim. E um presente de Maxxcy era o mesmo que um presente de Andrey: algo que Era, mais uma vez, fora obrigada a aceitar.
Tratados e criados como animais em jaulas, sua única resistência eficaz era a greve de fome. E era isso que o centauro que teimava em lhe virar as costas (algo tido como crime gravíssimo!) fazia. No entanto, Nihany era paciente. Já Erick, logo ameaça transformar o grevista em ração. Com Erick isso nunca funcionava, com Maxxcy, nunca falhava.
– Que droga! – Erick xingou, aparecendo com um pano vermelho na mão – Aquela maldita sereia do tanque C me mordeu de novo! Estou avisando, se essa daí me morder mais uma vez, juro que a mando para a cozinha a fim de virar sushi! El... onde vai, Ni? – perguntou o rapaz ao ver a moça abandonar a travessa ainda recusada e se dirigir a porta, que abriu com um mínimo movimento de sua mão.
– Temos uma visita.
– Uma visita? – perguntou o rapaz surpreso, Maxxcy tinha dito que não voltaria antes dia 14, então quem mais os visitaria ali? – Quem?
A moça não respondeu com palavras, dando apenas um sorriso enigmático. O mistério não durou muito. Segundos depois, um rapaz aparecia a porta de cabeça baixa.
– Chikei! O que faz aqui? – perguntou aproximando-se e envolvendo o amigo pelos ombros, trazendo-o para dentro. Com outro gesto, Nihany fechou a grande porta, sem lembrar trancá-la. Por sempre saber quem se aproximava, a jovem nunca havia cultivado esse hábito, além disso, ninguém além de seus irmãos e seus amigos se arriscaria a chegar sequer perto do lugar onde se encontrava a princesa-regente se tivesse escolha – Ei, o que houve? – Erick voltou a perguntar, buscando o olhar do amigo, oculto pelo mar de cabelos que escorriam por seu rosto – Ei, não var me contar? Vamos, sei que é importante, você não viria aqui num horário no qual qualquer um pode te ver, mesmo que todos saibamos que não cumpre a ordem de não voltar aqui até julho. Chikei?
Chikage não respondeu, nem chegou a ergueu o rosto, simplesmente avançou mais um passo, até estar próximo demais de Erick e apoiou a cabeça em seu peito, fechando os olhos e deixando as lágrimas caírem livremente. As palavras finalmente saindo de seus lábios, lentamente e baixas demais para qualquer outro:
– Não podia continuar lá, não agora. Não quando não consigo sustentar outra expressão que não essa.
– Calma, só estamos nós aqui – Erick disse no mesmo tom baixo, os braços envolvendo a cabeça do menor num abraço apertado – E estamos com você – desejando tanto poder dizer mais do que isso, poder verdadeiramente consolar o amigo, contudo sabia que não havia o que pudesse dizer.
Olhou para Nihany, mas a moça também não tinha o que falar. Ela nunca havia sofrido uma dor intensa, então não conseguia entender, não sabia o que era isso e sentia que qualquer coisa que falasse seria pura hipocrisia. Assim com Maxxcy, que mesmo tendo fatos dolorosos em seu passado, não era capaz de reagir a eles. Erick sentia que talvez, se não tivesse tido todas as suas memórias roubadas, ficando eternamente privado de qualquer conhecimento sobre sua vida antiga, pudesse dizer algo. Mas não podia, pois fora privado de seu nome, de sua idade, onde nascera ou quem era sua família, cada pequena cena havia sido extraída de si há tanto tempo que ele mal pensava nisso. Apenas uma se mantivera. A das mãos de seu assassino sem rosto fechando-se em seu pescoço. Nada de lembranças amargas ou doloridas, nada que o fizesse sentir tanta dor. Mesmo assim, ele era o único que às vezes se arriscava a falar algo, pois acreditava que se essas lembranças não existissem ele não sentiria seu coração tão pesado e angustiado a cada vez que relembrava a sensação de ser sufocado.
Voltou a embalar o amigo, desejando saber o que fazer para cortar a dor dele, desejando pegá-la para si. Sua ação fez com que as mãos do mais novo se erguessem, agarrando a parte de trás de sua blusa com força enquanto ele começava a soluçar.
Nihany ainda esperou alguns minutos antes de se aproximar, mas ao ouvir seus passo, Chikage ergueu o rosto e ao ver a mão dela se aproximando de sua face, começou a balançar a cabeça numa negativa fraca, enquanto seus lábios diziam "não" sem emitir som algum e assim continuaram, mesmo quando ela encostou seus dedos indicador e médio em sua têmpora e no segundo seguinte, Chikage caía desacordado, segurado pelos braços fortes de Erick.
– Ele só precisa descansar, daqui a pouco estará bem. Vem, vamos levá-lo para o quarto – ela explicou, recebendo como resposta apenas um aceno afirmativo do mais velho. Às vezes Erick achava que perder tudo não fora mesmo um castigo.
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Pulou o último degrau, caminhando de forma quase saltitante em direção a biblioteca. Fingia alegria, é claro, mas não podia continuar agindo como se o mundo tivesse desabado sobre sua cabeça. Forçou um sorriso, esperando que este logo fosse natural novamente. Juntava com esforço os pedaços de si mesmo e exibia a todos que passavam um sorriso despreocupado. Esse era o problema em ser popular, não se pode ficar triste sem que todos queiram saber o que aconteceu. E como ele não pretendia dizer, continuou fingindo. Era falso e doloroso.
Ah, queria voltar a seu quarto.
Ou melhor, fazer algo realmente divertido.
Qualquer coisa que o fizesse esquecer.
Esquecer que tentava colar com cola barata os pedaços de si mesmo.
Entrou na Biblioteca, correndo os olhos pelo lugar a procura de Hermione. Não foi difícil avistá-la com os amigos. Hum... ruim, Potter não parecia estar gostando muito dele atualmente. Balançou a cabeça, jogando os cabelos para trás e pensou nos amigos. Ele não ia parar de viver. Não se daria esse luxo. Numa postura alegre e altiva, caminhou em direção aos colegas.
– Olá gente boa! Como foram de férias?
– Você gosta de assustar os outros, não? – Hermione perguntou, falsamente irritada, já Harry e Rony o olhavam surpresos, sem saber o que responder. Rony por fim conseguiu responder um fraco "bem".
– Não foi culpa minha, vocês é que estavam distraídos.
– Você parece bem – Harry disse, encarando o sonserino como se visse um enigma. Hermione percebeu a mudança de tratamento e o tom de voz quase gentil de Harry e o olhou interrogativamente.
– Sim, sim, estou 100% – Chikage respondeu com seu maior sorriso – Ei, Granger, você está olhando de Potter para mim, de mim para Potter, seguidamente. Já fez isso cinco vezes. O que foi?
– Nada – a garota respondeu, um tanto sem graça e confusa. Harry não gostava de Kakinouchi, certo? E ele e Kakinouchi nunca se falavam! E Rony estava com aquela cara de quem está tentando entender a próxima jogada do adversário. O que havia acontecido enquanto ela estava fora? – Aconteceu alguma coisa?
– Hum... nada digno de nota – respondeu o japonês, mordendo suavemente o indicador, como se tentasse se lembrar de algo. Hermione percebeu que ao fazer isso ele bateu o salto da bota duas ou três vezes no chão – Estava muito frio então todos ficamos trancados no Castelo. Na Sonserina, jogamos Snap explosivo até não aguentar mais!
Não era preciso ser atenciosa para perceber o trocar de olhares de Harry e Rony ao ouvir isso. Ela os indagou com outro olhar e Rony respondeu hesitante. Será que Kakinouchi queria manter em segredo o incidente do bicho-papão?
– Nós procuramos Trevo juntos. Por pelo menos uma hora.
– E olha, eu achei que estava acostumado a procurar coisas! Mas esse sapo é com certeza um campeão na arte de se esconder! – Chikage exclamou, quebrando o estranho silêncio que se formou após a declaração de Rony.
– Acostumado? Você é do tipo bagunceiro ou perde tudo? – Harry perguntou, não apenas por estar tentando ser amigável, mas porque não imaginava o outro assim. Mas também não o imaginava do tipo muito organizado. Na verdade, não o imaginava de forma alguma, pois nunca tinha parado para pensar realmente nele, nas pequenas características e manias que compunham a pessoa que ele era.
– Sou do tipo que sempre sabe onde guardou as coisas. Mas também porque eu não tenho quase nada para perder. Mas tenho grande habilidade de só conviver com pessoas que adoram perder tudo. E então, como não acham as delas, pegam as minhas e perdem também! Mas e você, como foi de férias? Fez algo bom ou também ficou trancada em casa por causa da neve? Eu peguei até um resfriado aqui!
– Fui para a Grécia com meus pais. Estava frio, mas foi bem legal.
– Hum... imagino que tenha sido mesmo. Mas é o tipo de lugar que eu iria no verão. O mediterrâneo deve ser lindo num belo dia de sol. E muito quente. Eu gosto do calor. Mais do que do frio.
– Eu fui pro Egito, há 3 anos. Mas só vi o Nilo – disse Rony, pensativo. – Estava mais interessado em ver as pirâmides.
– Wow, Egito também deve ser legal.
– Meu irmão morava lá. Tenho outro irmão na Romênia, ele cuida de dragões lá. Mas para lá, só meus pais e minha irmã foram.
– Que triste isso.
– Triste? – Harry perguntou. O que era triste? Não ter ido a Romênia?
– É. Tudo bem que estes não são lugares muito distantes e basta uma chave de portal internacional, mas ter dois irmãos tão longe deve ser bem triste. Mesmo que você ainda tenha sua irmã.
– Não só ela – disse Rony, quase emburrado – Ainda tenho mais 3 irmãos. Somos em 7. Sou o sexto filho.
– Hum... posso sentar aqui? – indagou, apontando a cadeira vazia do lado de Hermione – Então, isso não deixa tudo ainda mais triste? – perguntou, movendo a cabeça levemente para a direita. Uma mania que só se manifestava quando ele estava realmente curioso ou interessado em algo. Maxxcy sempre brincava com isso.
– Por que seria? – Rony respondeu ao mesmo tempo em que Hermione concordou que o sonserino sentasse com eles. Dessa vez foi Harry que a olhou surpreso. Ela não estava sendo exatamente simpática, mas estava claramente mais receptiva. Hermione desviou os olhos do oriental, para encarar os olhos verdes do amigo e então sorriu. Aquele sorriso cumplice que dizia "te conto mais tarde". O moreno retornou o gesto. Pelo visto, não era só ele que tinha coisas para contar.
Chikage notou a troca de olhares dos dois, mas fingiu não ter percebido. Ao sentar, jogou a mochila no chão e olhou para Rony, sem, contudo, deixar de observar com o canto do olho a interação entre a garota e o rapaz moreno. Sabia que os três eram íntimos, o que o fazia lembrar da sua relação com seus amigos.
– Porque agora você está sozinho. – Chikage respondeu com um dar de ombros – Quando você nasceu, eles estavam lá, e estiveram lá por toda a sua infância. Então, uma hora um se foi, e então o outro. E agora você está aqui, e só tem sua irmã com você. Não sente falta de seus irmãos? Mesmo que ainda morem com seus pais, você está a maior parte do tempo longe deles.
– Só moramos eu e Gina com meus pais agora. Percy e os gêmeos saíram de casa quando eu estava no 5º ano. Não me leve a mal, eu gosto dos meus irmãos, mas também gosto de como as coisas estão. Quando se tem um monte de irmãos... é difícil... ser você mesmo. Sempre estão te comparando. – Rony respondeu, sem saber porque estava revelando um fato tão pessoal ao sonserino. Será que ele também faria piada com o fato dele, por ser pobre, sempre ter que ficar com as sobras dos irmãos?
No entanto, Chikage apenas manteve o cotovelo apoiado na mesa, o queixo na mão, olhando fixamente o ruivo por alguns segundos. Então, jogou o peso para trás, equilibrando-se nas pernas traseiras da cadeira.
– É, imagino que sim.
– E você não conhece meus irmãos! – Rony emendou, sentindo uma súbita vontade de justificar o que tinha dito, parecia... errado, que ele reclamasse dos seus irmãos perante aquele que se mostrara tão abalado por perder o seu – Gui foi monitor chefe e melhor aluno do seu ano, Carlinhos foi capitão do time, Percy também foi monitor chefe e os gêmeos sempre foram engraçados, inteligentes e admirados. Então todos esperam o mesmo de mim, mas mesmo que eu faça algo incrível, não será o mesmo, porque eles já fizeram isso.
– Sério que não há mais nada para você? – Chikage continuou, ainda equilibrando-se na cadeira – Não acho. Você faz parte da equipe de quadribol, pode não ser capitão, mas dizem que é um excelente estrategista. Somou a isso a função de monitor. E pelo que entendi seus irmãos eram ou um ou outro. Os gêmeos eram inteligentes? Fiquei sabendo que você conseguiu ganhar um jogo mortal de xadrez, protegendo quatro peças, três a mais do que o normal. E isso deve ser difícil pra caramba. E como se não bastasse ter somado as qualidades de seus irmãos, é o melhor amigo de Harry Potter, posto que muitos nessa escola com certeza almejam. E não dá para esquecer da Granger aqui, tido por qualquer um que a conheça como "excepcionalmente brilhante". Bom, não são amigos para qualquer um. Será que eles fariam isso se você não fosse, pelo menos para eles, especial?
Chikage ainda esperou um pouco, enquanto os três o olhavam espantados, para finalmente acertar-se na cadeira e concluir – Se você fosse o meu irmãozinho, eu teria orgulho de você.
Na parte racional de seu cérebro, Rony queria dizer que ele podia ser um bom estrategista, mas não alcançava nenhum dos seus irmãos em inteligência, que ele não era um bom jogador e que não queria ser bom por ser amigo dos outros, mas essa era a primeira vez que alguém, fora Gui, o enaltecia de tal forma. Normalmente, seus irmãos zoavam com ele, normalmente as pessoas lembravam das diferenças que existiam entre eles, mas não era isso que ele desejava, ser bom só porque era diferente. Fitando o rapaz a seu lado, Rony não conseguiu articular nenhuma palavra.
– Eu não acho que ser nosso amigo devia estar incluso nessa lista – Harry disse, meio hesitante, meio revoltado.
– Mas não é assim que os outros pensam, Potter – Chikage respondeu – Muitos aqui não ligariam a mínima desde que pudessem ficar ao seu lado. Um amigo íntimo? Seria 10, mas não necessário. Ao mesmo tempo, aposto que muitos também adorariam não ter contato nenhum com você. Explico porque. Você é um imã de problemas, Potter. Sério, eu já ouvi falar de pessoas que passaram por apertos, mas você tem um dom! E um amigo, bem, amigos até podem ter o poder de escolher, mas um amigo não abandona outro numa situação difícil, por mais que a tema. Enfrentam por amor ao amigo, para ajudá-lo e para estar do seu lado. E isso é bom. Mas quando seu melhor amigo tem o dom de se ver anualmente frente a um perigo mortal, olha, tem que gostar muito mesmo de você. Ou Voldemort, Basiliscos, um assassino em série mortal, lobisomens e comensais da morte são considerados por você apenas uma aventurazinha para espantar o tédio?
– E uma acromântula – Rony completou, lembrando-se de quando ambos ficaram frente a frente com Aragogue. Um dia que ele odiava recordar. Temia mais do que tudo as aranhas, mas vira-se diante de uma gigante. Tudo por uma chance de salvar Hermione. E faria isso de novo.
– Nossa, isso também! Potter, eu simpatizo com você, mas já aviso que não desejo morrer tão cedo! Sendo assim, conte comigo, mas me mantenha longe de criaturas transformagas, por favor!
– E por que eu deveria contar com você? – Harry perguntou surpreso. O fato de Chikage ter dito "criaturas transformagas" ao invés de bicho-papão também não passou despercebido.
– Bom, Granger aqui finalmente aceitou me ajudar com aulas. Acho que podemos chamar isso de grupo de estudos! – ele respondeu sorrindo – E vai saber o que vão pensar disso! Ou o que pode acontecer! Sendo próximo a você, até um livro pode ser perigoso!
– De fato, já tivemos acesso a um livro perigoso uma vez – disse Hermione e então abaixou-se, mexendo na mochila. Harry por um momento pensou que ela pegaria o diário de tom Riddle (o que era impossível, ele o havia devolvido a Lucius Malfoy), mas riu divertido ao vê-la retirando o Livro Monstruoso dos Monstros. Essa ele queria ver! – Aqui.
Chikage olhou o livro desconfiado. Percebeu as expressões risonhas dos grifinórios enquanto pegava o livro.
– Ele não é muito bonito, né? – disse, abrindo-o com cuidado. Não adiantou e o livro só não lhe mordeu a mão porque Chikage a puxou mais rápido e então, com um livro grosso que ninguém lembrava de ter visto em suas mãos, acertou com tudo o livro de TDCM. O livro fechou-se e soltou um barulho abafado, ficando imóvel em seguida. – Ai caramba, acho que matei seu livro, Granger! – disse o japonês, ainda segurando no alto com as duas mãos o livro que usara como arma.
Os três não aguentaram e desembestaram a rir!
– Hermione, porque você ainda carrega isso? – perguntou Rony, as mãos na barriga dolorida por causa do riso intenso.
– Mesmo que Hagrid tenha desistido de usá-lo em aulas, achei que poderia ser útil, mas costumo usar os da biblioteca.
– Bom, se ele o matou, eu lhe darei o meu com todo prazer – Harry respondeu. Com certeza, o sonserino fora o mais original em conter seu livro!
– Que livro é esse que está lendo, Kakinouchi? – Hermione perguntou, recebendo então o livro que Chikage usara para abater o outro, que ele agora cutucava cuidadosamente com o dedo, na tentativa de fazê-lo se mexer. – Grandes Magos da História?
– Vamos estudar História, não? – ele perguntou de modo inocente – É, acho que esse aqui passou dessa pra melhor. Desculpe por isso, Granger. Se quiser, te dou outro.
– Tudo bem, não se preocupe – a garota disse, ainda risonha, agora folheando o livro que o sonserino trouxera.
– Hum, acho que vocês não gostavam mesmo dele. Se quiser, podemos fazer um funeral.
– Então, nós vamos estudar juntos agora? – Rony perguntou, ignorando a proposta ridícula do oriental.
– Sim. Achei que podia ser uma boa. Se incomodam? – Hermione respondeu, mas seus olhos estavam fixos nos de Harry.
– Por mim, tudo bem – respondeu o moreno com um dar de ombros.
– Legal! Qualquer coisa na qual eu puder ajuda, estou aqui! – Chikage disse com seu costumeiro sorriso. – Ah, deixa eu perguntar, estava conversando com alguns colegas, mas não entendi bem como funciona o sistema de aulas aqui. Escolhemos matérias a partir do 3º ano e do 5º em diante estudamos só aquelas nas quais fomos aprovados nos NOMs, é isso?
– Basicamente, sim. Antigamente podíamos desistir de algumas matérias, mas como muitos ainda não sabem bem o que querem fazer depois da escola, agora cursamos todas as disciplinas nas quais somos aprovados [3].
– Mas você não pode reprovar de propósito na matéria que quer desistir?
– Os NOMs são notas de formatura. Não é prudente fazer isso.
– Hum... Eu teria reprovado com prazer em Herbologia – Chikage respondeu – Mas eu reprovei assim mesmo então não tenho do que reclamar.
– Você já reprovou? – estranhou Rony. O que foi bom, ou Harry teria perguntando o que o japonês fazia nas estufas com Draco Malfoy se não cursava a matéria. Mas isso não era prudente por dois motivos: mostraria que ele os vira e o faria lembrar de Draco. E ele não queria pensar em Draco nunca mais!
E isso porque ele tinha prometido a si mesmo parar de pensar em Malfoy e ser o antigo Harry...
– Sim, reprovei em Herbologia. Não sou bom em História, nem em Astronomia. Com Transfiguração sou mais ou menos. Até pensei em fazer Adivinhação, mas não é uma ciência muito exata, né? Não tenho muito talento para isso. Na verdade, a última vez que tentei prever algo, não acertei em nada.
– Adivinhação é super impreciso.
– Mione não gosta de matérias nas quais os livros não ajudam muito – Rony cochichou, como se confidenciasse um segredo a Chikage, mas numa voz alta o suficiente para qualquer um próximo a eles escutar.
– E quantas vezes a professora Trelawney acertou algo? – Hermione perguntou – Não tenho culpa se não acredito em nada disso.
– Eu acredito – respondeu o sonserino. – Muito mesmo! Tenho uma amiga que é excelente nisso! Dá até medo! Ela nunca errou! Mas desistiu de me dar aulas depois que durma numa delas.
– Mas você concorda comigo que é impreciso, né? – a garota questionou e Chikage ficou calado por um instante.
Sim, era uma arte bem imprecisa que podia dar muito errado. Mas quando se convivia com Nihany, a princesa cujos olhos tudo viam, esse detalhe era sempre esquecido. Era o poder das Nicks. Mas mesmo que ela não fosse uma das Gêmeas acreditaria nela. Porque ela era sua princesa e acreditar nela era algo natural. Era como obedecê-la. Ele não conseguia negar suas palavras ou refrear o amor que sentia por ela, um amor diferente daquele que sentia por Chiaki ou por qualquer outra pessoa. Não era o amor de um homem por uma mulher, pois ela não era uma mulher para ele, ela era muito superior a isso, como se fosse algo sagrado. E era. Era a pura e intocável princesa que erguera a mão para o mestiço sujo e quebrado. E mesmo que a servisse por toda sua vida, não poderia nunca pagar esse gesto. O gesto que o salvara e lhe devolvera a vida que sua mãe roubara.
E Nihany não se importava de estar sempre lá, para trazê-lo de volta quando o inferno parecia querer drená-lo.
Passou a mão esquerda na face, ainda sentindo o calor do toque dela. Fazia menos de uma hora que acordara em seu quarto no Castelo Negro. Assustado. E ela estava lá. Para sentar a sua frente e pegar seu rosto nas mãos, gesto ao qual ele respondeu fechando os olhos, sentindo apenas o contato de suas luvas.
– Calma. Vai ficar tudo bem. Não foi sua culpa. Não foi – ela disse, a voz num tom suave, mas firme, vibrando dentro dele e atingindo cada célula de seu ser, o tom de voz etéreo que somente as Nicks possuíam – Vai ficar tudo bem – ela repetiu e encostou a testa na dele, suas respirações se cruzando. Não precisou abrir os olhos para saber que ela ainda o olhava. Sentiu seus polegares limparem o rastro salgado que as lágrimas tinham deixado em seu rosto, mas demorou para efetivamente fitar os orbes verdes que eram os olhos dela.
E naqueles minutos em que ficou ali, era como se mais nada no mundo existisse além de sua princesa.
– Sim, para alguns, é realmente impreciso. Definitivamente, eu não confiaria no dom de ninguém mais – respondeu. Se estava ali, se conseguia estar ali agora, era por causa dela. Se agora conseguia enxergar outras cores além do vermelho, era porque ela assim quisera.
SL&SL&SL&SL&SL&SL
– Onde esteve, Chikage? – Draco perguntou assim que o oriental cruzou a entrada da Sonserina, o que assustou e o fez pular dramaticamente para trás, com a mão no peito.
– Que susto, Draco! Ai, meu coração. Quer me matar?
– Onde esteve o dia todo? Te procurei em todo canto!
– Bom, deve ter esquecido um, eu estava lá. – a essa resposta, o loiro fechou a cara, mas antes que pudesse falar algo, foi interrompido – Será que posso entrar?
Draco não respondeu, apenas avançou dois passos e pegou no braço do amigo, guiando-o sem muito cuidado até o dormitório. Chikage sorria, nada incomodado com o ato extremo do loiro. Já estavam quase na escada quando Pansy os interrompeu, chegando de repente e pulando sobre o pescoço de um loiro mal-humorado. Atrás dela, Dafne Grengass via a cena com inveja da relação que a amiga possuía com o garoto que ambas amavam.
– Meninão, não consigo falar com você desde que cheguei! Como foi de Natal? Senti saudades sabia?
– Pansy, você voltou ontem! E estou ocupado agora, será que...
– Você está sempre ocupado. Olá, Chikage, como está? Passou bem o Natal?
– Sim, sim, tivemos uma ceia muito boa! Mas senti falta de poder curtir a neve, há muito tempo não brinco na neve – ele respondeu, o sorriso de sempre intacto.
– Ora, mas ainda podemos curtir a neve este mês. Caminhar ao anoitecer na beira do lago é lindo!
– Não podemos sair ao anoitecer por causa da guerra – Draco cortou, tentando subir as escadas mais uma vez, sem sucesso. Sabia que estava sendo rude com as meninas, sabia que nem sequer tinha o direito de exigir algo de Chikage, uma vez que ele próprio ainda guardava para si suas dores mais profundas, mas quando o amigo sumira completamente depois da aula de história, havia se decidido. E se para obter suas respostas o necessário seria uma troca de informações, assim seria. Passara o dia pensando nisso e resolvera que não deixaria Chikage continuar se entupindo de poção do sono como fizera nos últimos dias e o único modo de ajudá-lo era sabendo o que acontecera.
– Meninas, só vou ver uma coisinha com o Draco e já volto – o loiro escutou o amigo dizer antes de entrar pela escadaria que os levaria até seus dormitórios. Sempre educado. Não ligou. Andou rápido e abriu bruscamente a porta de seu dormitório, que não estava vazio. Brian Kinney estava deitado na cama lendo, ao mesmo tempo que Crabbe tentava enfiar seu malão embaixo da cama.
– Saiam, por favor – pediu, entrando no quarto.
– Algum problema, Malfoy? – perguntou Kinney, por cima da revista. – Me parece meio agitado.
– Preciso falar com Chikage, a sós.
– Ok, ok – disse o moreno, erguendo-se da cama. Kinney era, com Crabbe, Goyle e Blaise, seu companheiro de quarto. Um rapaz alto e moreno, dono de uma beleza masculina bastante atraente e muito charmoso. Um rapaz que gostava de se fingir de mal, filho e irmão de comensais, mas que teimava em se intitular neutro na guerra. Crabbe não gostava dele, pois o achava um "traidor do sangue, assim com aquela amiga dele, Lindsay Peterson", no entanto ambos raramente brigavam. Brian era um excelente duelista e Crabbe estava longe de ser um bruxo perigoso. O que Draco mais gostava nele era o fato dele nunca se meter na vida de ninguém.
– O que você precisa falar com ele que não podemos ouvir? – perguntou Crabbe, quando ficaram sozinhos no quarto – Você nunca teve segredo com a gente, Draco. Mas agora, raramente fala conosco. Só anda com ele.
– Vicent, não quero discutir, ok? Por favor, saia. É pessoal.
Crabbe não saiu, mantendo-se imóvel no quarto, em desafio. Já fazia algum tempo que ele vinha agindo assim com o loiro, o que o irritava um pouco. Poderia brigar e se impor, mas já tinha passado dos 12 anos, não agia mais com seus amigos como se fosse seu chefe há muito tempo.
– Ok, depois eu converso com você. Só preciso de uns minutos!
Crabbe resmungou e olhou torto para o oriental, antes de sair.
– Sabe, ele não gosta nada de mim – Chikage comentou com um sorriso.
Não havia notado isso. Na verdade, havia muitas coisas que não vinha notando em seus amigos nos últimos tempos. Uma falha que já percebera e que tentaria mudar. O que não seria fácil, haja vista que não fora criado para ter amigos. Apenas servos. Quando criança acreditara que isso nunca mudaria. Há uns anos tinha mudado de ideia. Agora, com Chikage, entendia o que significava ter um amigo. No entanto, isso não o deixava no direito de excluir os seus amigos antigos. Mesmo que estes não fossem os melhores amigos que alguém pudesse ter e muitas vezes tivesse desejado mais, ainda gostava deles. Assim como gostava de Blaise e Pansy, que eram uma ótima companhia. Um carinho, uma mão amiga. Fora ela a pessoa na qual mais confiara no passado, a quem contava quase tudo. Quase, por que o tudo era só para ele mesmo, dizia seu pai. Porque o tudo lhe poria na mão dos outros. Porque um segredo só é segredo quando mais ninguém sabe. E por isso nunca também confessara a ninguém o que sentia por Potter. Era seu maior segredo e por mais que quisesse confiar nos outros, esse ele levaria para o túmulo. Depois, o que contar mudaria sua vida? Mas se contar agora fizesse Chikage se abrir, ele contaria. Contaria até mesmo os detalhes mais vergonhosos se isso pudesse fazer com que o amigo voltasse a ser o mesmo de sempre.
– Onde esteve? – voltou a perguntar. Não cairia mais no conto "estou sorrindo, então estou bem".
– Na Biblioteca, estudando História. O que houve, Draco, você não costuma agir assim.
– Estou preocupado com você.
Não era a primeira vez que pensava no quanto tudo fora rápido entre eles. Conhecia o amigo há muito pouco tempo. Comparativamente a seus velhos amigos, quase nada. Dois meses, pouco mais de 60 dias de amizade e convivência. Mas gostava tanto dele. Como se as conhecessem há muitos anos. Era estranho demais! Mas não era um sentimento que enfrentaria, não lutaria contra isso. Até porque, lutara tanto contra o que sentia por Harry e nunca funcionou! Porque funcionaria agora? Depois, nem queria que desse certo dessa vez. Ter o japonês por perto, o fazia se sentir menos sozinho, de uma forma que seus amigos antigos não conseguiam.
De forma irracional e sem explicação, era assim que seus sentimentos funcionavam.
– Eu estou ótimo! Palavra! Não vê?
– Está fingindo, não está?
– Por que eu fingiria?
Era isso o que queria saber. A resposta mais óbvia é que Chikage não confiava nele. E essa doía muito. Fechou os olhos, ignorando seus sentimentos por hora, não era ele o foco ali.
– Porque então está se entupindo de poção do sono?
– Não estou! – Chikage defendeu-se.
– Tomou-a hoje de novo. E ontem. E antes de ontem. Três dias seguidos.
– Ontem foi porque tive um sonho ruim e quando acordo não consigo voltar a dormir, precisei dela porque ainda era cedo, caso contrário, não passaria bem o dia. Como estava meio sonolento, devo ter exagerado na dose. Tranquilo Draco, estou bem! Não tomarei a poção hoje e pronto. Já fiz isso antes.
– Está com algum problema?
Dessa vez, Chikage demorou para responder. E então, balançou a cabeça negativamente.
– Tenho problemas para dormir há 3 anos. Antigamente eu tomava a poção todos os dias. Não me faz mal. Às vezes preciso mais vezes, outras não. Não estou com problema nenhum, apenas meio sensível devido ao frio, acho. É um problema que sempre se acentua no inverno. 'Tá tudo bem, sério. Já estou bem melhor.
E agora? Era ou não verdade, essa história? Confiaria nele? Mantivera seus olhos fixos nos orbes verdes do oriental o tempo todo, mas sentia que isso não o impediria de mentir porque ele próprio conseguia mentir sem nem mesmo piscar. Mas queria acreditar nele. Contudo, sua história estava mais uma vez vaga. Era sempre assim, ele sempre respondia o que lhe perguntava, mas sempre contando só os fatos questionados. E ele não gostava de perguntar. Sempre privando a própria privacidade não conseguia invadir a dos outros. Como oferecer então, uma troca?
– Obrigado.
– Pelo quê? – perguntou confuso. Como queria superar aquela barreira entre ambos! Ser para o amigo o que este era para si. Pela primeira vez, sentia que queria derrubar suas próprias barreiras. O que não significava que estivesse confiante sobre contar a ele sobre sua sexualidade. Não acreditava que seria menosprezado por isso, mas sentia medo. Muito medo. Por que era tão difícil falar? Se abrir?
– Por se preocupar. De verdade, obrigado – Chikage respondeu com um sorriso sincero – É sério, estou bem.
– Se você estiver sempre fazendo essa cara, sempre vou ficar na dúvida, pois não saberei quando mentir.
Nesse ponto ambos eram tão iguais. Ele também lacrava muito bem suas próprias dores. Guardadas de forma sufocante.
– Hum... Já sei! – respondeu o mais baixo, sentando na cama do loiro – Senta aqui e me dê sua mão esquerda.
Sem perguntar nada, Draco obedeceu estranhando quando Chikage cruzou seus dedos mindinhos.
– No Japão, o mindinho é chamado de "dedo da verdade" – explicou o oriental – Por isso, quando um membro da Yakusa, a máfia japonesa, mente, ele tem seu mindinho arrancado e, ao fazer uma promessa que não pode ser descumprida, cruzam-se os mindinhos. "Se eu quebrar minha promessa, comerei 100 agulhas". Não é um voto perpetuo, é um voto de confiança. E minha promessa é: prometo que se algum dia eu não estiver bem, por menor que seja a ajuda que você pode me dar, eu lhe contarei.
Draco permaneceu quieto por alguns segundos, olhando para seus dedos entrelaçados, um calor gostoso tomando conta de seu peito. Então fixou seus olhos nos verdes e fez a sua promessa.
– E eu prometo que sempre farei tudo o que estiver ao meu alcance e se nada puder fazer, vou ouvi-lo com prazer – e então pensou um pouco antes de completar – E prometo fazer o mesmo com você, me abrindo com você, o que vai ser difícil, pois não sou bom em falar, mas para minha sorte você é muito bom em perceber quando preciso de você.
– É um dos meus dons! – Chikage brincou – Mas sabe, deveria treinar essa parte mesmo, manter tudo dentro de si, não faz bem. Vai fazer com que você inche como um balão até explodir! E isso não é nada saudável. Além de causar envelhecimento precoce. É sério, não ria! Então, se não puder expulsar as palavras, expulse a dor. De alguma forma – continuou, sua voz séria, mesmo que sorrisse suavemente. Draco nem percebeu quando ele ergueu a mão direita e tocou com o polegar embaixo de seu olho – Se me permite dizer algo, sabia que chorar quando doer não te torna mais fraco ou menos homem por isso?
– Por que voc...?
– Você mesmo disse que eu sou bom nisso! Eu sei que ainda está ferido, e agradeço por se preocupar comigo mesmo quando deveria estar pensando em você, mas não entendo porque tem que segurar o que sente! Você não pode impedir o sangue de correr quando se corta, assim como não pode impedir a dor. Isso não é vulnerabilidade. A meu ver, aceitar e lidar com a própria dor é mais difícil do que fugir dela.
– Não estou fugindo, só que tem coisas que não tem saída. Ou solução. Não perco tempo com elas.
– A única coisa sem saída ou solução é a morte. Todo o resto pode ser mudado. Mesmo o inferno, pode ter sem lado bom. É sério! Não passamos frio!
– Você sempre faz piada de tudo, não?
– Eu vivo. E viver é mais difícil do que morrer. Por isso não vivemos sozinhos. Se o fizéssemos não aguentaríamos o peso. Sabia que não precisa engolir a dor? Se tentar ela vai te engolir. Você não chora, não conta seus problemas, não explode, não faz nada que acredita lhe deixar vulnerável. Isso é infantil, Draco! E bobo também. Só alguém sem coração aguentaria isso. Ou você não tem um coração? – perguntou, sua mão direita descendo pela face pálida, pelo pescoço, alojando-se do lado direito do peito coberto pelo uniforme de inverno – Se não tem, o que é isso que estou sentindo?
Draco prendeu a respiração por mais um longo minuto, sem saber o que falar. Chikage estava distraindo-o, como sempre, não estava? Não iria cair nessa!
– E quanto a você? O foco aqui não sou eu!
– E porque eu não posso aproveitar o momento? – ele sorria, sem, contudo, esconder o que pensava. Os orbes verdes que eram seus olhos tão fixos nos seus... Desviou o olhar, fugindo da situação. Fugindo da dor que essas palavras relembravam. Uma dor que puxava a outra o fazendo sentir como se a gota que transborda o copo tivesse enfim, caído. Libertando a dor presa com tanta força, a frustração, o medo, tudo ao mesmo tempo!
A dor de perder o pai, a dor da mãe, a dor de ter sido rejeitado, o medo que a guerra causava nele, o desejo de ter sua vida antiga de volta, sua família, tanta coisa que ele vinha guardando no último ano. Sentiu os olhos marejados, contudo, engoliu o choro novamente. Não queria chorar.
– Não faça isso. – Chikage disse com a mão mais uma vez em seu rosto – Agora a pouco, o que você quis dizer é que eu não estou sozinho. E você também não está. Mas para isso você precisa se libertar também.
– Eu não choro, Chikage.
– Eu não disse para você chorar – ele brincou e sorriu levemente ao ver as bochechas de Draco ficarem tingidas de rosa – Mas faz dias que seus olhos estão carregados. Não precisa fazer isso na frente de ninguém, mas solte isso. Por para fora é bom, é a prova de que você ainda está vivo, que ainda é capaz de sentir – Não tinha percebido que suas mãos ainda estavam unidas.
– Se eu te contar... tudo. Você me conta o que está havendo com você?
– Não.
– Por quê?
Será que suas dores não valiam o mesmo que as dele?
– Porque não quero que você me conte algo assim. Quero que o faça porque deseja e não como se sua dor fosse uma moeda de troca. Se um dia precisar, estarei aqui e não quero nada em troca disso.
Ao dizer isso, Chikage levantou-se, soltando suas mãos, pronto para sair do quarto. Mas não deu nem um passo a frente, seu pulso foi novamente segurado e Draco, sem pensar (e com certeza se envergonharia muito desse ato mais tarde) apoiou a cabeça no peito dele, fechando os olhos. Ele não fez nenhum ruído enquanto as lágrimas presas por tanto tempo escaparam.
Não era para ter sido assim! Ele é que deveria ter consolado o amigo, não o contrário! Como a situação tinha se invertido assim?
Não soube bem quanto tempo ficou ali, tendo seus cabelos acariciados pelas mãos pequenas do japonês. Não houve mais nenhuma palavra entre eles. Chikage nada perguntou, escondendo para si suas perguntas, entendendo bem demais o que Draco dizia com aquele gesto e engolindo uma confissão amarga: nunca cumpriria a promessa feita. Draco não era capaz de ajudá-lo. Nem ele, nem ninguém. Estava destinado a sempre derramar lágrimas de sangue. Sangue vermelho. O maldito vermelho.
SL&SL&SL&SL&SL&SL
Ventava forte. Estavam no verão e o calor, agravado pela falta de vegetação, era sufocante. Para qualquer lado que se olhasse nada mais era visto além de pedras e terra dura. Os cabelos eram castigados pelo vento e os cabelos vermelhos dela agitavam-se para todos os lados. Suas roupas eram coloridas e muito diferentes e seus olhos eram malignos, seu sorriso debochado. E ele sentia medo. Era uma criança, claro que sentia medo! Olhou para os lados, perdido. Onde estava todo mundo?
– Chikage.
Onde estavam Kei-san, Chiaki, Ju-chan, Rey e Spy?
– Chikage.
De quem era a voz que ouvia?
– Chikage.
Onde estava todo mundo?
Estava tremendo, mesmo com o calor de 45º que castigava sua pele já tão queimada, estava com medo, estava sozinho. Mas aquela era sua casa, não queria nunca partir dali, gostava da terra seca, do vento forte, do calor infernal, das pessoas, da sua família.
Aquele era seu lar.
Por que estava sozinho em seu lar?
– Porque você matou todos – veio a voz feminina sussurrada em seu ouvido. Ele se assustou e virou-se para trás, procurando por algo que não sabia bem o que era.
E o vermelho tingiu a paisagem. Gritos de dor, de desespero, vermelho fogo, vermelho sangue, vermelho dos cabelos dela ao vento.
E dor, muita dor.
Era como se seu coração fosse esmagado no peito. Era como se sua garganta fosse estourar de tanto gritar.
E o vermelho tingia o céu, o chão de terra árida e a si mesmo.
Roupas vermelhas, mãos vermelhas, rosto vermelho, lábios rubros de sangue. Sangue daqueles que amava.
E ele gritava. Gritava sem parar.
E ela ria. Ria sem parar.
E no chão os olhos azuis de Chiaki o encaravam. Mortos.
Chikage pulou da cama, jogando as cobertas no chão e sentindo o corpo tremer, sua respiração estava completamente descompassada e ele arfava, respirando pela boca. Seus lábios tremiam enquanto sua mente tentava se desligar do pesadelo e voltar a realidade.
Hogwarts. Estava em Hogwarts. Fora um sonho, apenas um sonho. Não era realidade. Não era!
Dobrou os joelhos, apoiando os braços neles enquanto enterrava as mãos nos cabelos com força, puxando-os e causando dor. Um sonho. Apenas mais um sonho. Sentiu as lágrimas correndo. Rápidas demais, impossíveis de serem contidas, uma atrás da outra, um rio salgado que corria por seu rosto, num choro alto sem que ele pudesse conter os soluços, o desespero, a dor, as lembranças.
Seu corpo tremia sem parar, insensível a dor causada pela força com que abraçava a si mesmo.
Tinha que parar, alguém podia acordar, contudo, as lágrimas não cessavam, a dor não partia e a voz não voltava e nem um abafiato ele conseguia lançar. Estava com falta de ar. Tinha que parar. Vislumbrou o brilho roxo do frasco de cristal na cabeceira da cama e sem pensar agarrou o pequeno recipiente e quebrou a tampa com o polegar. Não sentiu a dor do corte, mas tremeu diante do vermelho do sangue. Vermelho como o sangue que o banhara. Sangue vermelho de Chiaki. Vermelho dos cabelos dela.
Virou o conteúdo inteiro na boca, sentindo a ardência habitual do lábio cortado pelo vidro. Engoliu tudo: poção e sangue. Seu sangue. O sangue dele.
O líquido normalmente quase sem gosto desceu queimando por sua garganta e logo Chikage sentiu a dormência costumeira. Tantas vezes havia ingerido aquele líquido (e todas pelo mesmo motivo) que estava mais do que adaptado a ela. Sentiu o corpo relaxar e o vidro escorregar de sua mão, caindo na cama sem nenhum ruído. Pouco depois ele estava deitado novamente, a mente livre de qualquer lembrança, livre dos tons de vermelho e azul em choque. Livres do grito de dor e angustia. Livre de seu passado e de seu peso. Sua consciência enfim protegida pela escuridão daqueles que vivem, dos que não tem a felicidade de partir no mar de sangue e fogo que a tudo consumia.
Continua...
Junho/2012
Nota: [1] – courino – Tecido sintético que visualmente se assemelha ao couro ou vinil.
[2] – Draco nunca abandonaria um amigo. Não o deixaria para trás, nem que para isso arriscasse a si mesmo – No 7º livro, quando Crabbe põe fogo na Sala Precisa e morre com isso, Harry resolve salvar Draco, mas não consegue sozinho, pois Draco não solta Goyle, que está inconsciente, arriscando-se a morrer com ele, mas nunca a deixá-lo para trás.
[3]– cursamos todas as disciplinas nas quais somos aprovados – Como já disse, criei essa fic antes do 6º livro, assim, tinha que arranjar um porque eles ainda cursarem TDCM. Espero que tenha ficado bom.
N/A: Acho que posso dizer que este foi um capítulo de transição, com um foco bastante grande no Chikage e na Nick, sem nada de Drarry. Foi diferente do que esperava, mas gostei bastante dele. No geral, também foi um capítulo fácil de escrever, mas que demorou demais por vários motivos externos: até maio tive muito serviço, a ponto de eu trabalhar de 12 a 20h diárias, e então tive que correr com todos os textos e trabalhos atrasados da faculdade e então resolvemos reformar um pedaço da casa e lá se foram meus fds, assim como meu sinal de internet. Escrevi esse capítulo aos poucos e por cenas, na hora do almoço e nos minutos livres. Espero que não tenha ficado com grandes problemas... uma beta faz falta T.T Também não sei se devia ter deixado a cena final de Draco e Chikage... Tenha a sensação de que deveria tê-la cortado...
Já sabem, se algo ficou confuso, basta perguntar! Alias, recebi uma pergunta que achei legal responder aqui também. Me disseram que o cap 11 ficou confuso, imagino que isso tenha acontecido por causa do excesso de personagens sonserinos que apareceram pela primeira vez. Desculpem se não consegui ser clara, é que queria mostrar um pouco o outro lado dos sonserinos, aqueles que não são malvados, comensais, segregacionistas e tal. E que Harry percebesse isso! Por isso, deixei na escola, no período de natal, apenas os alunos: 4 grifinórios (Harry, Rony, Gina e Neville), 2 corvinais, 1 lufa-lufa e 5 sonserinos (Brian Kinney (que divide quarto com Draco, de quem Neville já recebeu ajuda e tem muita amizade com lufa-lufas), Lindsay Petersnon (melhor amiga de Brian), Robert Grach e Alexandra Rosier).
Agradecimentos: Até agora não consigo acreditar! Recebi 7 reviews no último capítulo! Sério, para quem chegou a não receber nenhuma e na maioria das vezes recebia 2, isso me deixou supercontente! Eu trabalho pra caramba nessa fic e dou meu melhor nela e mais de uma vez desanimei a continuá-la porque tinha certeza que não estava agradando. Só não parei porque tinha prometido a mim mesma que não o faria e porque não achava justo fazer isso com aqueles que a acompanham. Mas muitas vezes me perguntei porque ainda a escrevia. Então, vocês imaginam minha felicidade, né? Assim, muito, mas muito obrigada a todos vocês que perderam seu tempo em me dizer o que pensam e me fizeram tão feliz! Eu mal conseguia acreditar a cada e-mail novo que chegava! Muito obrigada mesmo a: Mary Sumeragi, Nick Evans, Maatheus Lestrange, Henrique, Daniir, BiaMalfoy79, Allie B. Malfoy e Sikt. Valeu mesmo!
E para aqueles que não deixaram e-mail para resposta:
Henrique: Essa deve ter sido uma das melhores reviews que já recebi! Muito obrigada mesmo! Você notou um monte de coisas que eu vinha colocando nas entrelinhas e isso me deixou muito feliz! Deve ter sido o primeiro a notar tantos detalhes da história! E claro que pretendo responder todas as suas perguntas, algumas já nos próximos capítulos. Aliás, sua review me deu uma boa ideia de como introduzir um fato que há tempos eu queria. Obrigada, de novo!
Sendo bem sincera, pensei mesmo em desistir da fic várias vezes no fim do ano passado. Só fico triste que apenas em março comecei a editar os capítulos, você poderia ter relido os melhorzinhos ^^"
Agradeço demais ao posto de "melhores fics que já leu", vou me esforçar para que ela não decepcione! Também fiquei muito feliz por ter gostado da abordagem do Chikage, eu o adoro e dá um trabalhão dosar as informações sobre ele que vão aparecer em cada capítulo. Quanto ao casal principal, agora as coisas vão começar a andar! Sei que demorou, mas quis algo que mostrasse bem como esses sentimentos evoluíram, gosto de fics que mostram essa transição. Claro que não esperava um Harry tão cabeça dura, mas até o Draco foi bem cabeça dura e demorou bastante para aceitar. Realmente, amar seu "inimigo" não deve ser fácil =PP
Sobre a cena que você perguntou, essa é uma das que tentarei deixar mais clara, mas o que aconteceu foi: quando Harry e Draco voltavam para o castelo um diabinho (animal que mora a beira de rios e gosta de pregar peças), os assustou, pulando por cima deles e fazendo com que ambos perdessem o equilíbrio por causa do chão coberto de neve. Só que neve perto de terra, fica suja, como se fosse lama (acho). O que intrigou a Hermione foi o fato de ninguém ter visto a queda de ambos, assim como o fato de ambos terem se sujado demais para a quantidade de neve suja / lama que havia no chão. Agora QUEM estava em Hogsmeada, acho que só no capítulo 15...
Daniir: Muito obrigada! Também adoro Dramione (é meu segundo casal favorito!), mas sempre quis escrever uma Drarry, porém confesso que nunca imaginei que a história ficaria tão cheia de detalhes ^^" Tinha pensado em algo bem mais simples. Assim como não esperava um Harry tão cabeça dura! Até eu já estou de saco cheio dele! Mas não se preocupe, logo ele cede ^ ^ Não vou esperar 28 capítulos para uni-los, pode ter certeza! Alias, nos próximos capítulos a relação Drarry já começa a andar (devagar, mas eles vão chegando lá).
Personagens originais são problema, ou se gosta deles ou odeia. Fico feliz em saber que o Chikage te conquistou! Principalmente porque é fácil e difícil lidar com ele! Ele conduz as cenas e às vezes muda tudo o que planejei =PP (como fez com a penúltima cena desse capítulo) Mas o adoro também. É tem gente que acha que ele é malvado T.T Pobrezinho, só porque está envolvido no maior mistério... Espero que tenha gostado desse capítulo, tivemos um outro lado do Chikage aqui.
Sikt: o site não aceita e-mail ou sites, então ele simplesmente elimina todas as palavras com ou ligadas por pontos. Respondi por meio de uma MP, pelo seu endereço no site. Se puder mandar seu e-mail de novo...
Prévia do próximo capítulo (que espero, realmente, vir ainda em julho/agosto):
– Nem se preocupe em procurar um parceiro, Poter, você já tem um par –anunciou.
– O quê?
– Isso mesmo, venho comigo, sim. Rápido, rápido.
– Mas...
– Sem "mas", para que perder tempo com argumentos que não serão válidos? Sua dupla já foi definida. Agora, vamos logo, sim?
Vendo-se sem escolha, Harry o seguiu, mas estacou ao ver-se diante da mesa de Malfoy.
– Senhor Kakinochi, será que poderia fazer o favor de fazer dupla com outro aluno? O senhor Malfoy, fará dupla com o senhor Potter aqui.
