Até agora: Draco beija Harry durante a detenção e Chikage resolve ir atrás de quem o está prejudicando em Hogwarts.

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SERPENTES E LEÕES

Só havia um ser que despertava temor em Era, seu nome era Andrew e pouco se sabia sobre ele. Seus registros eram quase inexistentes e pouco se sabia sobre o famoso bruxo de cabelos negros e cujos poderes, dizia a lenda, eram incalculáveis, possivelmente superiores aos de uma Nick.

Seu maior feito registrado havia sido construir sozinho o Castelo Negro que dera de presente a bruxa que se autointitulava Rainha.

E dentre as poucas certezas que existiam sobre ele estavam o amor por seu filho mestiço Maxxcy, um rapaz prodígio que herdara boa parte do poder descomunal do pai, e por seus dois protegidos a quem chamava de melhores amigos, e que ninguém se atrevia nem mesmo a olhar feio. Para desgosto geral, Lucien e Anastácia eram tudo, mesmo seres incrivelmente mágicos ou fortes, na verdade, um era trouxa e a outra uma sangue-ruim de pouquíssima magia.

Cap 18 – Dúvidas e incertezas

Harry poderia jurar para si mesmo que estava mesmo tentando terminar sua lição de casa. Contudo, depois do que acontecera, era simplesmente impossível que conseguisse se concentrar nas palavras que lia/escrevia. E não só porque sua mente estava um turbilhão, mas porque também se sentia como um bicho acuado. Não sabia como agir, o que pensar, como olhar para Malfoy, como justificar o que tinha acontecido.

Como pudera... como pudera permitir...

Céus, não conseguia nem verbalizar em pensamento o que tinha feito. Feito, não, tinham feito com ele. Tudo bem que ele demorara para reagir, mas tinha reagido. E não tinha começado. E...

Droga, o que, pelas barbas de Merlin, tinha acontecido ali?!

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A primeira lembrança que tinha era de um ser sem rosto apertando as mãos em seu pescoço, de uma dor se alastrando por seu corpo e então, fim. Aquela foi a última sensação física que sentira.

A segunda lembrança era a de acordar com Lucien a sua frente, chamando-o, chorando e abraçando-o com força, enquanto perguntava se ele estava bem.

– Sim. – foi tudo o que sua mente entorpecida conseguiu formular. Naquele momento, não sabia quem era o homem moreno que o apertava com aparente força, nem quem era o homem de cabelos cumpridos atrás dele, onde estavam e... nem quem ele próprio era. Forçou a memória, tentando se localizar, tentando identificar aqueles rostos que pareciam conhecê-lo, tentando lembrar de algo, de qualquer coisa. Mas sua mente era um enorme buraco negro. – O que aconteceu? – foi o que conseguiu perguntar.

– Você... um cara, tentou te matar e nós o ajudamos.

– Nós? – Perguntou, debilmente.

– Não sabe quem somos? – perguntou o homem de cabelos cumpridos, ajoelhando ao seu lado e tocando seu rosto. Erick sentiu o toque, contudo não identificou o calor da pele do outro. E isso despertou um medo enorme dentro de si.

– Não. – disse, assustado, olhando ao redor, tentando saber onde estava, quem eles eram, quem ele era.

– Meu nome é Andrew. Você não me conhecia pessoalmente, sou amigo do Lucien aqui. – disse o homem de cabelos cumpridos, ainda ajoelhado na sua frente.

– O que aconteceu? – perguntou, sentindo mais medo quando viu a forma que ambos os homens se olharam. – Por favor, me diga! Me diga a verdade! Eu aguento. – pediu desesperado, nada poderia ser pior do que aquele vazio que sentia.

– Você foi assassinado. – Andrew disse, com certo cuidado – Lucien não conseguiu chegar a tempo e me pediu para salvar sua vida, não sou capaz de devolver a vida aos mortos, mas sou capaz de paralisar seu corpo e o tempo ao redor dele, para que não corra e assim você não morra. Fiz isso e tranquei sua alma dentro de você. Desculpa, era o melhor que eu podia fazer nas circunstâncias.

– Eu morri? – perguntou, incrédulo.

– Em termos técnicos, sim. Mas na prática, está bem vivo, não?

– Mas, ainda não sinto nada. – disse, ainda assustado. Tentou inspirar profundamente e não sentiu o ar entrando em seus pulmões – Por que não sinto nada?! – Erick perguntou, temendo a resposta e temendo mais ainda a falta de uma.

– Por que você, em muitos aspectos, não está mais vivo. – Andrew disse, após trocar outro olhar bastante significativo com o tal Lucien. Era como se naqueles poucos segundos eles decidissem se diriam a verdade ou só parte desta.

– Por que não me lembro de nada? – insistiu.

– Experiências de quase morte podem ter efeito colaterais, a maioria das pessoas não se lembra do que acontece nos momentos anteriores. – disse Andrew, calmamente. Ele havia optado pela verdade.

– Mas, eu não me lembro de nada. Nada mesmo.

– Nem do que aconteceu ontem? – Lucien perguntou, colocando a mão em seu ombro. E ele deveria ter sentido esse toque, mas não sentiu.

– Nada, nada mesmo, nem meu nome, nem onde os conheci, nem quem sou.

– Hm... talvez eu tenha agido um pouco tarde. – Andrew disse. – Você foi sufocado, isso corta a oxigenação do cérebro de forma irregular antes de levar a morte. Eu agi menos de 5 minutos após isso, mas talvez algumas partes do seu cérebro já tivessem sido danificadas de forma permanente.

– O que isso quer dizer? – perguntou, num fio de voz.

– Que provavelmente a área da sua memória tenha morrido alguns segundos antes, teremos que esperar um tempo para saber quais outras sofreram o mesmo efeito. Sinto muito, tenho muito poder, mas não posso trazer de volta o que morreu, essas áreas perdidas, ficarão perdidas para sempre.

– Mas não se preocupe. – disse Lucien, lhe abraçando de novo – Vamos construir novas memórias, vamos lhe dar uma nova vida e um novo caminho. E logo você estará bem novamente. Você renasceu e pode se tornar quem quiser.

Não conseguiu dizer nada, eram muitas informações de uma vez para sua mente vazia.

– Não se preocupe, seres humanos são altamente adaptáveis, em pouco tempo estará habituado a sua nova realidade e verá que ela pode ser muito satisfatória. – disse Andrew, levantando-se. – Mas por hora, você vem para casa com a gente. Acho que precisa de um tempo para associar tudo isso.

E foi assim que Erick começou sua nova vida ao lado de Lucien, Andrew e Anastácia.

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Nos vários anos que vivera com Lucien, Erick foi feliz e aprendeu muito sobre o mundo, a magia e as sociedades trouxas e bruxas. Em contrapartida, sobre si mesmo, foram diversas as lacunas deixadas. Nunca conseguiu recuperar nenhuma de suas memórias e nada sabia sobre si mesmo, nem a menor informação retornara e ele teve que aprender a viver sem saber quantos anos tinha, seu verdadeiro nome, onde morava ou quem era sua família e, infelizmente, Lucien não possuía nenhuma dessas informações. Descobrira que seu relacionamento com o outro era recente e fora muito mais físico do que qualquer outra coisa, ambos haviam se conhecido num desses clubes proibidos onde as pessoas usam máscaras e nomes falsos e desde então vinham se encontrando em bares e estalagens, sempre bebendo, rindo, falando sobre a vida, mas nunca sobre eles mesmos. Era para ter sido algo rápido e fugaz, contudo se tornara sério e antes que ambos pudessem falar sobre isso, Erick morrera. Esse breve histórico cheio de segredos fazia com que Erick se perguntasse se tinha uma esposa, alguém que lhe fizesse ter tanto medo de se revelar, se já sabia que era um bruxo e por isso tinha medo de envolver Lucien (na época, havia um forte preconceito a qualquer tipo de envolvimento com os trouxas). Sem saber nada sobre seu passado, optara então por concentrar-se no futuro.

Começou conhecendo, dessa vez de verdade, as três pessoas com as quais morava agora, aquelas que tinham lhe abrigado e incluído em suas vidas.

A principal era obviamente, Lucien. A primeira coisa que notara em seu novo amante era que este era o tipo de pessoa simpática e divertida, que adora dar risada, fazer caretas e experimentar coisas novas. Tinha curtos cabelos negros e olhos escuros, era alto para a época (tinham a mesma altura) e possuía um jeito meio francês, especialmente de falar. Era trouxa e tinha algumas dezenas de anos disfarçados sobre um feitiço temporal de Andrew (muito parecido com o que o bruxo usara em si, mas menos congelante, já que Lucien nunca passara por uma experiência de morte), que conhecera há muito tempo e fora seu primeiro contato com o mundo bruxo. Parecia estar constantemente ligado no 220, correndo e querendo experimentar o mundo, era o tipo de cara que podia passar o dia correndo num parque de diversões, a noite jantando sob música suave e vinho e a madrugada dançando, sem que no dia seguinte demonstrasse nenhum cansaço e já estivesse pronto para pegar uma praia, um trem ou conhecer um novo restaurante. Tratava Erick com amor e paciência e adorava demonstrar publicamente o seu afeto pelo rapaz de olhos bicolores. Felizmente a magia de Erick sempre os tirava dos problemas que isso causava quando se morava na Europa do século XV.

Já Andrew era o tipo de cara que nunca ficava bravo e adorava uma boa vida! Ele era um bruxo muito alto e possuía cabelos negros e ondulados, que gostava de deixar cumpridos, os olhos eram grandes e tinham o mesmo tom lilás que Maxxcy herdaria, possuía pela clara, feições bonitas e masculinas, um jeito naturalmente sensual e era muito despreocupado. Amante da boa comida, do calor e do sol, era capaz de passar o dia todo deitado numa rede só bebendo água de coco e vendo o mar. Gostava de festas e conversas, mulheres, sossego e se esquivava-se de qualquer tipo de responsabilidade. Era um bon vivant e aplicava o Carpe Dian para cada dia de sua vida, sendo assim, odiava qualquer coisa que desse trabalho, encheções de saco e reclamações (uma vez Lucien contara que o bruxo só construíra o Castelo Negro para dar a Era o reino que a bruxa tanto almejava e assim ficar livres dos resmungos dela sobre a necessidade de segregação entre os seres vivos (fossem eles mágicos ou não). Ele poderia ter acabado com ela, mas isso daria mais dor de cabeça do que lhe dar um reino e deixá-la bancar a rainha em paz). Erick tinha dificuldade em acreditar que ele era o ser mais forte que existia e que poderia destruir um planeta facilmente se assim quisesse. Sabia, claro, que Andrew era incrivelmente poderoso, não só por ter sido trazido de volta por ele como pelos feitiços de tempo que este fizera em seus dois melhores amigos, Lucien e Anastácia, como também pelo receio que o moreno despertava nos poderosos. Ninguém, em lugar nenhum, parecia disposto a contrariá-lo de alguma e quando perguntara se ele alguma vez pensara em dominar o mundo, este respondera:

– Dominar o mundo? Para quê?

– Sei lá. Poder para isso você tem e poderia mandar em todo mundo se quisesse. – Erick respondera, meio sem jeito. Andrew o olhava como se, de repente, tivesse ganhado uma segunda cabeça.

– E eu lá quero esse tipo de trabalho? Estou muito bem aqui, obrigado. – respondera o outro, espreguiçando-se na rede e fechando os olhos.

Andrew definitivamente não precisava de poder para ser feliz.

E havia também Anastácia, uma sangue-ruim russa de cabelos escuros e olhos alaranjados, uma moça alegre que conseguia transitar da calma e delicadeza a coragem e audácia em minutos. Podia ser doce e cruel, alegre e sádica e de muitas formas seu jeito lembrava o de Maxxcy. Ania, como gostava de ser chamada, era aventureira e uma boa parceira para as loucuras de Lucien, gostava de fazer piadas com o fato de ser uma sangue-ruim com poderes bastante limitados e com a incapacidade de Erick de sentir qualquer coisa física, gostava de esgrima e de se vestir de homem (mas também adorava se adornar com vestidos e colecionava admiradores). Juntos eles tinham visitado praias exóticas, terras além mar, atravessado o Nilo e escalado o Everest (o que fora incrivelmente mais fácil para Erick, que não sentia frio, fome ou cansaço físico). Haviam participado de bailes, sido caçados pela inquisição (que graças a Andrew nunca fora um perigo real), grandes bruxos e até mesmo por um dragão raivoso uma vez (Lucien teimara que queria experimentar omelete de ovo de dragão).

Fora um recomeço de vida feliz e divertido em vários aspectos. Tanto que muitas vezes Erick até se esquecia de que não sabia quem era, por que havia morrido, quem deixara para trás ou do fato de que seu coração nunca mais bateria.

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Andava a passos rápidos e duros, pisando com força no chão de pedra negra, buscando pela bruxa morena. Um bruxo cruzou seu caminho irritando-se por ter sido ignorado.

– Ei, sangue-imundo! Onde pensa que vai com tanta pressa? – perguntou o bruxo no qual quase esbarrara, mas o oriental nem se preocupou em responder. Além de ser um costume de Chikage ignorar seus colegas, foi nesse momento que viu a bruxa que procurava, e ela estava apenas dois corredores acima. Era uma jovem alta, de 19 ou 20 anos, cuja pele possuía um belo tom de chocolate, assim como os olhos e os cabelos, um pouco mais escuros, que escorriam lisos em uma imensa cascata castanha, com roupas que mesclavam belamente o negro com tons suaves de rosa, lilás e amarelo. Lédi era uma das poucas que usava em suas roupas, tons escuros como o preto.

Sem se importar com o bruxo irritado que cruzara seu caminho e parecia muito nervoso por nem ter sido ouvido, Chikage simplesmente desapareceu, cruzando os dois andarem que os separavam, e reaparecendo na frente da bruxa mais velha em menos de 2 segundos. Se ao menos tivesse prestado atenção no bruxo que ignorara, o ouviria xingando. Uma das coisas que mais irritava os bruxos de Era era o fato daqueles quatro malditos mestiços poderem fazer algo que deveria ser direito apenas da Família Real: aparatar dentro do Castelo Negro. E eles faziam isso o tempo todo, esfregando o fato de que apesar de seus sangues impuros eles conseguiam fazer algo que os outros não podiam.

– O que quer, tampinha? – Crow perguntou, a voz carregada do mesmo nojo com o qual todos direcionavam a ele naquele lugar. No entanto, fazia tempo que isso não o afetava mais. Num movimento rápido, Chikage ergueu a mão enluvada fechando-a no pescoço fino da bruxa mestiça, empurrando-a na parede e ouvindo o corpo dela fazer um som abafado ao se chocar com a pedra negra sem que ela soltasse nenhum som. Apesar da dor que deveria ter sentido, seus olhos continuaram impassíveis.

– Você tem um minuto para me explicar o que está tramando e por quê. – ameaçou o oriental, num tom baixo que acentuava muito a rouquidão de sua voz.

– Ou você poderia usar esse minuto para me soltar. Quem sabe assim eu deixe você ir inteiro. – Lédi retrucou, seus olhos nada demonstravam, diferente da sua voz, que também continha um tom bastante ameaçador.

– Não me provoque, Lédi.

– Não me provoque você, Chikage.

Os dois se encaram, numa briga muda, medindo até onde poderiam ir um com o outro. Ambos sabiam que ela era muito melhor duelista do que ele, mas a força explosiva dele era um páreo duro para qualquer um.

Optando por enfrentá-la, Chikage apertou ainda mais o pescoço da colega.

– Se atreva a pisar em Hogwarts mais uma vez e eu mato você. – ameaçou, a voz perigosamente baixa, o rosto de anjo tomado por uma expressão séria e assassina que não despertou nenhum tremor na mestiça – Mato você, assim como matei Danare.

A bruxa até pensou em retrucar, defender-se, iniciar ali mesmo a batalha que o outro queria, mas no momento, isso não era inteligente. Engoliu seu orgulho, optando por confrontar o mais jovem depois, pois os dedos ainda lhe apertavam a garganta dificultando sua fala e respiração, com certeza deixariam marcas profundas. No entanto, não desviou o olhar. Ele podia estar falando sério, e ela podia não saber se era ou não mais forte que a antiga bruxa maldita Danare, contudo enfrentar o oriental num momento de fúria deste não era prudente, não era sábio enfrentá-lo de frente.

Ok então, ela esperaria ele estar de costas.

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Draco sentia como se tivesse num sonho muito estranho, do tipo que você não sabe se é bom ou ruim. E beijar Harry, praticamente conversar com ele e então precisar agir como se tudo não tivesse acontecido doía. Porque por mais que soubesse que qualquer coisa além disso não tinha nenhuma possibilidade de acontecer, lá no fundo, bem no fundo, havia uma vozinha que teimava em sonhar com o impossível e em dizer que sim, que devia ter esperanças.

Esperança do que, por Merlin?! De Harry o notar? De Harry se apaixonar e querer ter algo com ele? Isso não tinha chance nenhuma de acontecer. Não só porque eles eram inimigos, por estarem em lados opostos da guerra, mas por Harry ser hetero. Draco lembrava claramente do namoro que o moreno tivera com a chinesa da Corvinal. Eram tantas as razões que tornavam qualquer esperança em algo tolo e sem sentido que ele se sentia ainda pior por ouvir, mesmo que sem querer, aquela vozinha irritante.

No entanto, Harry aceitar seu beijo também era algo impossível e ele aceitara. Harry aceitara.

Harry aceitara, mesmo que por um curto espaço de tempo, ele permitira que ele, Draco, o beijasse. E ele ainda não fazia ideia de como entender isso.

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Uma das coisas que Erick mais gostava em Chikage era a sua organização! Achava impressionante como o japonês sempre sabia onde guardava as coisas enquanto ele próprio tinha a maior dificuldade de achar qualquer um dos seus pertences. Sério, suas coisas pareciam enfeitiçadas para se locomover quando não estivesse olhando, não havia outra explicação racional para a forma como até mesmo suas roupas mudavam de lugar! E tudo o que queria no momento era achar algo para prender o cabelo, mas elásticos de cabelo eram os campeões em sumir!

– Ah! Que se dane! – exclamou, abrindo uma gaveta qualquer, pegando a primeira coisa que achou (uma pena), transfigurando-a em um elástico e prendendo os cabelos em um rabo de cavalo alto – Bem mais fácil.

Um novo feitiço e as coisas que tinha retirado e espalhado no quarto voltaram para as gavetas e armário, sem qualquer ordem.

– É, não é a toa que eu perco tudo. – comentou consigo mesmo, sentando-se na cadeira da escrivaninha e puxando um gibi de cima de uma pilha de revistas – Preciso de gibis novos, faz tempo que o Maxxcy não me traz nenhum. – resmungou, folheando de forma desinteressada a revista. Sentia falta de quando podia simplesmente sair e comprar o que quisesse, sem depender de Maxxcy, Chikage ou Lucien. Era duro ser um dos poucos que, independentemente de ter ou não permissão, tinha poder suficiente para aparatar para fora do Castelo Negro – com ele, apenas 13 bruxos tinham esse privilégio – e era o único que não podia fazer isso porque sua biologia e magia entravam em colapso quando saia daquela terra morta. Às vezes, cansava ser tão dependente. E cansava ainda quando se vivia num lugar cujo tempo estava parado há tantos séculos, sem dia ou noite, sem nada além do crescimento dos bruxos que indicasse um fluxo de tempo.

Sentia falta do dia, do sol, do inverno, do verão, de ver a natureza mudando de acordo com as estações, das festas e bagunças do mundo trouxa. E dos carros. Adorava carros, motos e velocidade. E gatos! Queria muito poder ter um gato novamente, mas não existiam gatos ali, somente criaturas com considerável sangue mágico podiam viver nas terras de Era.

Jogou o gibi para um lado qualquer, encarando o homem moreno da foto em cima da mesa que ria e mandava beijos de forma exagerada. Sorriu, lembrando de como Lucien nunca conseguia ficar sério numa foto, todas as que tinha mostravam o outro fazendo algum tipo de palhaçada, careta ou mandando beijos e isso era uma das coisas que mais amava no outro.

Lembrava quando se conheceram (ou de quando ele conhecera Lucien novamente) e do período que moraram juntos. Sentia muito a falta dele e se perguntava quando voltaria a vê-lo.

Estava imerso nesses pensamentos quando a porta de seu quarto abriu e Chikage entrou por ela, aparentando estar muito irritado.

– Nossa, que bicho te mordeu? – Erick perguntou, girando na cadeira e vendo o outro rapaz sentar em sua cama, sem a menor cerimônia.

– Estou a um passo de matar Lédi Crow.

– Nossa, o que ela fez para deixar você tão irritado? – indagou o mais velho, surpreso. Chikage não era o tipo de pessoa que dizia coisas desse tipo facilmente.

– O que ela fez foi nascer. – respondeu o recém-chegado – Ok, não foi isso. É que já tem um tempo que eu sei que ela anda se intrometendo na minha vida em Hogwarts e em dezembro eu estava bem disposto a acabar com isso, mas Maxxcy achou prudente esperar porque só assim saberíamos exatamente o que ela planejava. Ok, concordei em fingir não perceber as intromissões dela, que a cada dia eram maiores, e hoje descobri que está se metendo até com Hermione! E eu posso fingir não perceber que ela está se metendo comigo, mas não vou permitir que ela se intrometa com Hermione!

– Ok, devagar, vamos devagar. Desde quando você sabe que Lédi está se intrometendo na sua vida lá embaixo?

– Desde o início de dezembro. – disse, porém lembrou-se que o tempo não corria de forma natural no Castelo Negro e emendou – Lembra quando contei que haveria um passeio a um vilarejo próximo, totalmente bruxo, e até trouxe algumas lembranças para vocês? – num lugar onde não havia noite e dia e a hora era sempre a mesma, a única forma de contar o tempo era por meio de lembranças e fatos marcantes. – Num dia que foi uma confusão porque parecia que tudo daria certo e Nihany me avisou em cima da hora para eu manter um olho em Draco e Potter? Aí ocultei os dois e passei o dia seguindo-os, mas não foi suficiente e eles acabaram alvo de um diabinho?

– Sim, lembro disso. Você ficou bem chateado.

– Então, quando parei para pensar direito no que tinha acontecido, percebi que eram coincidências demais para tudo ter sido natural. A começar pelo fato da Ni já ter dito que o dia seria tranquilo e que eu não precisaria interferir. Depois disso não foi difícil perceber que havia um dedo de Lédi nas coisas. – Chikage contou, relembrando os fatos que havia juntado há tão pouco tempo (apesar de que parecia ter sido há muito mais) durante uma aula de história: o diabinho que empurrara Harry e Draco, fazendo-os cair na neve suja, e por mais que pudesse acontecer de um diabinho se alojar as margens de um lago e não de um rio, como era seu costume, nenhum deles seria ágil o suficiente para aparecer sem que Chikage o notasse (mesmo que estivesse distraído com Hermione), ou ágil e forte o suficiente para empurrar dois bruxos adolescentes a ponto de fazê-los cair, e mesmo que tudo isso pudesse acontecer, por mais que a neve derretida a beira do lago estivesse suja a ponto de formar poças de lama, nenhuma delas era grande o suficiente para cobrir da forma que o fizera os dois bruxos. Ele sabia que tudo fora proposital, mas a quem interessaria fazer isso? Chikage só podia pensar que Lédi queria causar uma briga entre Potter e Draco para fazer com que Chikage se sentisse culpado em não ter cuidado direito do amigo (o que de fato acontecera).

– Que tipos de coisas?

– Bom, primeiro meu diário sumiu e você sabe que eu não esqueço onde guardo minhas coisas, além de ter colocado um forte feitiço repelente nele. Mas então, um mês depois ele aparece nas mãos do diretor de Hogwarts, que coincidentemente sabe ler amarico e japonês e sem os feitiços de proteção.

– Lembro desse dia. Foi quando enfeiticei um copo azarado e ele explodiu? Até hoje não descobri quem foi o imbecil que fez isso!

– E isso sem falar do fato de Maxxcy não estar em Zefir quando Trancy foi até lá, permitindo que ele descobrisse que nunca estive lá. Nihany não costuma perder as coisas importantes...

– A menos que esteja vendo outra coisa no momento... – Erick completou. Caramba, o plano de Lédi para driblar os olhos da Nick não podia ser mais simples! – É por isso que as princesas não param de pedir para que ela use os olhos! Aposto que as irmãs dela estão sabendo de algo!

– Mas não acredito que se juntariam a Lédi. Por motivo nenhum. Só consigo pensar que a princesa Janini captou o plano de Lédi e de forma "não intencional" está ajudando.

– Mas porque elas estão fazendo isso? Só te atrapalhar? Isso não explica.

– Não, nem faz sentido... assim como não faz sentido quererem prejudicar Potter ou Draco. Eles não significam nada para elas... para ninguém daqui. E agora Hermione? Por quê?

Erick ficou calado, pensando. De fato, não havia motivos para Era ou qualquer um dos bruxos malditos se envolverem com os bruxos ingleses, ainda mais com estudantes. E apesar de que havia sentido em fazerem isso para afetar Chikage, ao mais velho parecia que era trabalho demais apenas para irritar o outro. Não era do feitio de ninguém ali. Talvez de Maxxcy, mas não havia motivos para Max fazer algo contra o oriental, e ele nunca deixaria tantas pontas soltas. Ele se daria um motivo, falso, mas um motivo, para desviá-los do foco principal. Maxxcy nunca fazia nada pela metade.

– O que fizeram com a garota que te deixou tão irritado? – perguntou o mais velho.

– Incluíram um livro nosso, oculto por um feitiço camaleão e tradutor, com o conto da lenda das Gêmeas em um aparente livro de fábulas e mitos. E Hermione nem mesmo gosta de livros assim!

– Não entendi. O que isso tem de mais? Para ela, não passa de uma lenda.

– Mas que ficou na cabeça dela. – resmungou Chikage, irritado. – Não entendo porque colocar justo essa história. Por que se dar a esse trabalho. Algum motivo tem aí e eu vou permitir que ela continue.

– Não sei porquê, Chikei. Não entendo o que isso mudaria na vida dela ou como poderia ser usado. – Erick disse, pensativo – Mesmo o trabalho de usarem um feitiço cameleão num livro nosso não justifica. Por que não apenas incluir a lenda num livro de lá? Tem certeza que o livro não estava azarado?

– Não captei nenhuma magia além do feitiço cameleão que usaram e Hermione não foi amaldiçoada. Apenas teve acesso a um livro nosso, enfeitiçado para que parecesse um velho livro inglês. E isso não tem lógica.

– Se for só isso mesmo, então relaxa, vamos descobrir o que Lédi está tratamento e lá ficará tudo bem. Como eu disse, para sua amiga tudo não passará de uma lenda.

– Não sei, isso não me deixa tranquilo. Lembro que me disse que a lenda das Nicks não existia lá embaixo por causa de Era.

– Sim, Era apagou todos os registros referentes ao que ela imagina ser direito dela guardar. Com isso, a lenda das Gêmeas desapareceu do mundo lá embaixo. Na verdade, apenas o instituto do Canadá tem algum conhecimento sobre as Nicks ou este castelo, mas é bem escasso. – Erick explicou – Era acredita que somos superiores, se acha por ser mãe de uma das Gêmeas, e acredita que somos tão especiais que nem saber sobre nós os não-bruxos-malditos merecem. Mas o motivo é só esse, sendo assim, ela não se dará ao trabalho de atingir sua amiga só porque ela sabe que existe uma lenda antiga na qual não acreditou.

– Realmente, não merecem saber. – Chikage disse, cabisbaixo – Ninguém merece nem mesmo ser um bruxo maldito. Ser um bruxo de Era é uma maldição. Não é para menos que ela escolheu esse nome para nós.

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Depois de horas e horas em sono profundo, os pequenos amassos tinham resolvido testar o quanto conseguiam berrar. E a mamãe amasso não parecia nem um pouco interessada em conter a gritaria que estava deixando os rapazes loucos. Draco tentava fazer um deles comer enquanto um Harry desesperado tentava niná-los, ambos sem sucesso.

– Como faz para eles calarem a boca? – esbravejou o moreno.

– Não faço ideia! Aquele meio gigante idiota não falou que eles não davam trabalho?

– Não chame Hagrid de meio gigante! – Harry respondeu enfurecido.

– Posso chamá-lo só de idiota então?

– Não! – Harry gritou, o que fez os amassos ficarem ainda mais agitados – Por Merlin, eles não calam a boca!

– Você não tem nenhuma ideia? Sua amiga Granger não tem um amasso?

– Um mestiço de gato e amasso! E eu nunca me dei bem com ele! Tirando minha coruja nunca tive animais de estimação! E você?

– Tive um cachorro quando criança. – respondeu o loiro, enquanto tentava, em vão, alimentar outro dos filhotes. – Não é fome! Eles não querem comer!

– Vamos... apagar as luzes e aumentar o fogo! Hagrid falou que gostam do escuro e do calor. E ficar o mais calados possível!

– É uma ideia! Ok! Incêndio! – disse o loiro, a apontando para a lareira, que passou a queimar mais. Harry correu para apagar as velas. A lareira tinha um pano preto em cima, já colocado para diminuir a claridade e assim que a escuridão atingiu a cabana, os dois rapazes só faltaram para de respeitar para fazer mais silêncio. A princípio, a ideia não pareceu surtir muito efeito, contudo alguns minutos depois os miados estavam mais baixos e em meia hora todos os filhotes dormiam, para alívio dos dois. Só que, apesar de inicialmente, ambos terem visto no silêncio total um alívio, logo a necessidade de ficarem completamente quietos num ambiente totalmente escuro, começou a incomodar, causar sono e inquietude nos rapazes que já cansavam de ficarem sentados sem fazer nada.

– Pensando bem, gostei da sua ideia de nos revesarmos para dormir. – sussurrou Harry, bocejando. Um dos filhotes de amassos se mexeu, mas não acordou.

– Ok, mas já que a ideia foi minha, eu durmo primeiro. – Draco respondeu, no mesmo tom baixo de voz. E esse tom, usado naquela escuridão toda, por algum motivo bizarro causou um arrepio no grifinório.

– Tá, pode ser. Você dorme duas horas e depois eu faço o mesmo. – Harry respondeu, virando a cara, nervoso. E dessa vez, ele sabia que seu nervosismo era pela situação que estavam. De novo. E isso o apavorou. Precisava aprender a ignorar Malfoy para não cair mais nessas ciladas, antes que sua cabeça pirasse, como já parecia vir fazendo. Precisava se afastar dele antes que... não sabia, mas também não queria descobrir. Ou... queria?

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Como Draco não aceitou de forma nenhuma deitar na cama do professor, restou a ele retirar o sueter para poder usar de travesseiro, deitando a cabeça sobre a mesa. Não dormiu rapidamente, todavia quando o fez engatou num sono profundo que deu a oportunidade de Harry olhar para ele pela segunda vez. A primeira havia sido uma coisa inesperada e estranha, e ocorrera meses atrás numa masmorra suja, mas agora o outro dormia e ele podia olhá-lo com calma e cuidado, sem ser percebido. Com a pouca luz não podia prestar tanta atenção nos detalhes, no entanto podia ver o quanto o cabelo do sonserino era fino, liso e parecia muito sedoso, com pontas que quase chegavam aos olhos, o nariz e os lábios eram finos e ele possuía uma expressão tranquila ao dormir, seu rosto chegava a ser até mesmo bonito com aquela expressão, tão serena e sem carregar nenhum desdém. Gostou de vê-lo daquele jeito e por isso continuou olhando-o até também adormecer na mesa, onde ficou até Hagrid chegar porque o outro não o acordou até ouvir os passos do professor de TDCM (não queria que Trancy soubesse que haviam dormido). Por ter dormido também, Harry não soube que Draco fizera o mesmo que ele, observando-o dormir.

– Não vai entrar, Potter? – perguntou o loiro ao ver Harry não se mexer para entrar no Castelo, logo assim que Hagrid os deixara na porta.

– Vou daqui a pouco. Pode ir na frente. – disse o moreno, no que foi estranhamente atendido sem perguntas. O que foi um alívio porque não sabia como explicaria sua intensa necessidade de ficar sozinho e pensar. Pensar e refletir no que vinha acontecendo consigo e porque Malfoy o afetava tanto, de uma forma que, para seu desespero, estava ficando cada vez mais consciente.

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A pequena bola roxa batia no chão e então na parede, voltando para a mão enluvada de Chikage que estava sentado na sua poltrona de sempre, próximo a lareira já quase apagada. Não sabia há quanto tempo estava ali, jogando repetidamente aquela maldita bola, tentando se distrair enquanto o tempo parecia não passar. Já tentara estudar, tentara ler quadrinhos, distrair-se com Kimiyona (o esquilo que transfigurara por acidente num ser pra lá de esquisito e que, desde que voltara a sua forma original, resolvera se instalar no quarto dele, mais especificamente dentro de seu malão e lá ficara desde então), conversar com os elfos domésticos da escola. E isso sem contar o tempo que perdera no seu confronto com Lédi e sua conversa com Erick. Tentativas em vão, o que queria mesmo fazer era ir até Draco e ver como o amigo estava. Ele não parecera nada bem quando saíra e Chikage tinha certeza que ficar perto de Potter não era algo que o loiro precisava neste momento. O loiro ainda estava sensível e bastante abalado pelo que acontecera em dezembro e, apesar de estar fingindo indiferença, até que muito bem, era óbvio o quanto ainda estava machucado, e isso não era nada inesperado já que um coração partido não e algo que cicatriza fácil ou rápido. Por isso, várias vezes ele decidira ir até o loiro, mas a lembrança de que não pudera fazer nada para ajudá-lo da última vez o impedia. De que serviria ir e não servir para nada, como da última vez?

Já tinha olhado no relógio tantas vezes que o tinha retirado e por isso não fazia ideia de que horas eram quando a porta do salão comunal se abriu e um Draco cabisbaixo entrou.

– E aí? – Chikage falou, anunciando sua presença ao amigo recém-chegado, que tomou um susto ao notar que não estava sozinho.

– Chikage! Que faz aqui? Não devia estar dormindo?

– Não consegui dormir.

– Não tomou a Poção do sono?

– Não. Já tomei duas vezes essa semana e prometi a você parar de me automedicar. Também queria estar aqui quando você chegasse. Como foi? Como você está?

– Não precisava ter ficado acordado. Podíamos conversar depois. Sabe que horas são?

– Não, deixei o relógio no quarto.

– São 8h30 da manhã.

– Foi uma detenção bastante longa. Como você está?

– Bem, por que não estaria? – respondeu, dando de ombros, tentando aparentar uma indiferença que não sentia.

– Ah, você sabe, várias horas com o Potter dificilmente não renderia brigas.

– Nos ignoramos a maior parte do tempo, então até que não foi difícil evitar discussões.

– Isso é bom. – Chikage sorriu, não acreditando no amigo.

– É, eu acho que é. – Draco disse, deixando sua máscara de indiferença cair por um minuto. – Já tomou café?

– Não.

– Vamos lá? Depois tentamos dormir um pouco. Estou cansado e você não devia passar a noite inteira acordado. Aposto que está com fome.

– E estou mesmo! Ok, vamos lá. – Chikage disse, pulando da poltrona e pegando na mão do loiro e foi como se pela primeira vez Draco notasse, de verdade, esse estranho hábito que havia adquirido com o japonês. Andar de mãos dadas? Sério isso? Olhou então para o perfil do amigo, prestando atenção nos seus traços, nos olhos levemente puxados que possuíam cílios longos para um rapaz, nos lábios canudos que formavam um sorriso aberto e espontâneo na maior parte do tempo, no nariz fino, nos cabelos armados que emolduravam o rosto, com pontas que várias vezes batiam nas bochechas rosadas e davam a Draco a impressão de que deviam fazer cócegas. Olhou então para as mãos unidas, percebendo que a mão de Chikage era bem menor que a sua, com dedos finos que escapavam das luvas que o outro sempre usava (pensando agora, não lembrava de já o ter visto sem as luvas negras). Já havia notado antes que o amigo era bonito (quem não notaria?), não era o tipo de beleza que Draco admirava, ele preferia traços mais masculinos e Chikage tinha traços muito andróginos e femininos, era esguio, baixo, com uma pele muito lisa, que somados a seu jeito bastante expansivo e teatral, passavam longe do que Draco via como seu tipo.

"Mas quem liga para tipos quando se tem uma pessoa como ele a seu lado." – pensou, observando mais uma vez o outro sonserino – "Por que eu não podia gostar de alguém como ele? Por que, por Morgana, eu tenho que gostar de Potter?"

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Já eram quase 10 horas quando Harry chegou na torre da Grifinória. Passara as horas anteriores andando pelos arredores do Castelo sem rumo, pensando no que acontecera na cabana de Hagrid. Pensara tanto e não chegara a uma conclusão. Nem a uma explicação. Sua cabeça estava uma confusão e ele só queria que as coisas fossem mais fáceis...

– Harry até que enfim você chegou! Estávamos preocupados! – Rony disse, pulando da poltrona e indo até o amigo – Onde esteve? Nem tomou café da manhã! Ficamos te esperando até depois das 9h!

– Está tudo bem, Harry? – Hermione perguntou visivelmente preocupada.

– Sim, está. Não estava com fome e por isso fui andar um pouco, mas fiquei próximo ao Castelo o tempo todo, juro! – Harry acrescentou, rápido, ao notar a expressão preocupada da amiga – Tomei cuidado!

– Você sabe que não deveria ficar lá fora sozinho, Harry. – ela disse, com um ar cansado – Não sei quando vai entender que ficar lá fora é perigoso. Hogwarts é segura, mas não dá para dizer que é impenetrável e você é o principal alvo de Voldemort e ele não perderia uma oportunidade de te fazer mal. Se ele achar uma brecha, ele vai usar. E tudo o que podemos fazer para segurá-lo é não dar essa brecha. Queria que você entendesse isso Harry. – ela suspirou – Não estamos sendo chatos por que queremos, mas porque nos preocupamos com você, coisa que você mesmo não parece fazer.

Hermione sera muito boa em fazer com que Harry se sentisse bem, mas também era mestra em fazer com que se sentisse como um idiota quando fazia coisas impensadas.

– Desculpa, Mione não foi minha intenção... não queria... eu só... desculpa.

– Puxa, Hermione, não precisa ser tão dura assim! – Rony disse, defendendo o amigo.

– Não é uma questão de ser dura Rony, é uma questão de que eu e preocupo com o Harry, não apenas com o que ele quer ou sente, mas também com a segurança dele. Claro que quero vê-lo bem e sei o quanto ficar preso é ruim. Mas para que ele possa estar bem, ele tem que estar vivo.

– Desculpa, você tem razão. É só que o tempo estava bom, eu precisava muito pensar e não achei que a ideia fosse ruim.

– Eu te entendo, Harry. Não pense que não. Mas isso não me impede de me preocupar.

– Não que tenha sido uma falta tão grave assim. – Rony disse – Ele nem saiu do Castelo. E estamos e Hogwarts, o lugar mais seguro do mundo.

– Sim, mas isso não impediu que Comensais da Morte não só entrassem aqui como colocasse a vida de Harry em perigo. Mais de uma vez. – Hermione disse sensatamente.

– Eu sei Mione.

– Eu não concordo. – Rony disse – Você está agindo como se ele tivesse morrido e tudo que ele fez...

– Foi agir impulsivamente e sem a intenção de fazer nada de errado ou perigoso. E por isso não percebeu que o que fazia era perigoso e podia não ter acabado bem. E tudo o que estou pedindo é que pense nisso antes, por que eu não quero te perder Harry. Não quero te perder. – disse a garota, com uma emoção nos olhos que tocou a alma de Harry, por isso, num impulso ele deu um passo a frente e a abraçou.

– Você não vai me perder, Mione, não vai. Prometo. – Harry disse, sentindo a garota retribuir o abraço, sem que notassem o olhar culpado e levemente enciumado do rapaz ruivo a seu lado.

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Como Draco não estava afim de encarar o Salão Principal, ele e Chikage resolveram pegar algo direto da cozinha. Foi estranho para o loiro ir na cozinha, nunca tinha ido lá e para ajudar, encontrou com Dobby. E foi muito mais estranho perceber que estava sem graça por rever o antigo elfo doméstico. Draco nunca pensara que as coisas que fazia com Dobby eram erradas, sempre fora assim, por que seria errado? Mas agora estava sem graça por suas ações. Por que se sentia assim? Seria por que Chikage tratava o elfo bem e parecia gostar dele? Ou seria por perceber a alegria do elfo em ser liberto? Pensou em seu pai, trancafiado em Askabam, pensou em sua família, presa sobre a mira de Voldemort vigiada pelo olhar atento de sua tia louca. Nele mesmo, preso a uma expectativa da qual deseja ardentemente fugir. Não gostava de trouxas e sangue ruins, mas isso não significava querer matar todos eles! Não gostar não significava querer exterminar! Havia uma grande diferença em não querer conviver com eles e em querer vê-los morrer! E pensou em como ficaria feliz se ficasse livre de tudo isso. Era um Malfoy e como tal era esperado que fosse tantas coisas que ele não queria ser. Assim como Dobby era um elfo doméstico que não queria ser o que se esperava dele...

– Você está calado. O que foi? – Chikage perguntou, enquanto comiam um pouco de torta.

– Estava pensando em algumas coisas.

– Hm. E já sabe o que vai querer fazer hoje? – Chikage quis saber, mudando de assunto e como sempre respeitando a vontade de Draco de não falar sobre algo. Ele entendia que ser lacônico era o jeito do loiro de fugir das respostas que não queria dar. Pansy nunca entendera isso.

– Não sei. – Draco respondeu, depois de pensar um pouco. – Mas não quero ir dormir agora. Perdi por completo o sono.

– Hoje é domingo, podemos fazer o que quisermos!

– Não exatamente, temos uma tonelada de deveres de casa. – Draco lembrou.

– Isso é o de menos! Já fiz os meus, podemos aproveitar hoje e depois te ajudo nos seus!

– Isso não parece ser muito honesto. – ponderou o loiro, sem realmente se importar – mas ok, podemos fazer isso!

– E o que anos fazer? – perguntou novamente o japonês, demonstrando um entusiasmo quase infantil.

– Não sei... estou com vontade de voar. O que acha? Sei que não gosta de quadribol, mas não quer jogar comigo?

– Que mal há em experimentar?! Podemos tentar, só não vale se aproveitar do fato de que nunca joguei, se fizer isso eu te azaro. – Chikage brincou, fazendo Draco rir e Dobby esbugalhar os olhos (se é que isso era possível), pois não se lembrava de já ter isto o jovem Malfoy rindo depois que saíra da infância. Quando criança, seu antigo jovem mestre tinha um sorriso fácil e aberto, no entanto isso mudara de acordo com o seu crescimento, a cada aniversário Draco parecia mais sério e menos expansivo. Rir daquele jeito transformava o jovem loiro a sua frente em outra pessoa, que não lembrava em nada o menino maldoso e mimado que havia se tornado. E Dobby ficou tão chocado quando, ao ir embora, Malfoy o agradeceu pelo café da manhã que por pouco não derrubou a travessa que segurava.

Chikage obviamente notou o agradecimento, como também notou as bochechas coradas do loiro quando se encararam e sorriu sem dizer nada. Aproveitando o silêncio entre eles enquanto iam da cozinha ao vestiário de quadribol, pegar a vassoura de Draco e alguma outra da escola que Chikage pudesse usar.

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– Harry, desculpa se hoje de manhã fui muito dura com você. – Hermione disse quando saíram do almoço, parecia ter esperado Rony sair de perto deles (ele havia ido ao banheiro) – Não queria ter sido tão dura, mas fiquei preocupada e Rony, e você também, não conseguem ver o quanto algumas coisas são perigosas.

– Eu entendo, Mione. – Harry, disse. Ainda estava um pouco chateado, era verdade, mas entendia a amiga o suficiente para saber que ela estava certa. No passado, já havia cometido o erro de ficar zangado com a amiga por que ela julgara sua atitude perigosa, se afastara e ficara chateado, para depois descobrir que ela tinha razão, bom não exatamente, mas ainda assim tinha razão. Harry lembrava bem de quando ficara indignado com ela por ter contato a professora McGonnagal que ele havia ganhado anonimamente uma vassoura de corrida, mesmo sabendo que havia um Comensal da Morte solto que o caçava. Hermione errara sobre a vassoura oferecer algum perigo a Harry, mas acertara em cheio ao desconfiar da procedência da mesma. E ele não cometeria novamente o erro de julgar a preocupação a da amiga exagerada já tinha aprendido que ela normalmente estava certa e não a escutar era burrice.

– Mesmo? – ela perguntou, insegura, o que fez Harry agir por impulso e abraçá-la novamente, garantindo que entendera e que não estava chateado, que inclusive sentia muito por tê-la preocupado de novo e que ficaria mais atento aos perigosos que suas ações impensadas podiam resultar. Isso confortou a garota, fazendo-a abraçar de volta o amigo. Gostava tanto dele!

Ambos não viram a expressão de Rony ao sair do banheiro e vê-los abraçados pela segunda vez no mesmo dia.

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– Viu, não é tão chato como você achava! – Draco gritou para Chikage, quando este fez mais um gol. Por serem apenas dois, ambos jogavam um contra o outro usando apenas a goles.

– Bom, eu gosto de voar e só atirar a bola nos aros é quase como jogar basquete! Eu gostava de basquete, apesar de ser péssimo jogador. – Chikage respondeu, atirando a goles para o loiro. – Sabe o que é basquete?

– Nunca ouvi falar.

– Um jogo de bola trouxa. É mais difícil do que parece.

– Tem quantas bolas?

– Uma só e sete jogadores em cada time. Todos artilheiros. Tem uma cesta parecida com os aros de quadribol em cada canto da quadra e os jogadores tem que correr com a bola e fazê-la entrar na cesta, o difícil é que não podem segurá-la, tem que batê-la no chão. – tentou explicar o japonês.

– Não entendi.

– É, eu não sou muito bom em explicar...

– Parece um jogo estranho. – disse o loiro, antes de dar um looping e jogar a goles, marcando um gol. – Um dia você me mostra como é porque sua explicação não foi... ei, do que está rindo?

– Só imaginando o que Crabbe diria se ouvido você me pedindo para te mostrar como é um jogo trouxa.

– Pansy não te encheu o saco o mês inteiro para que você ensinasse como era o dia dos namorados no Japão? – Draco respondeu, com um bico.

– Bom, sim, mas é meio diferente. Na verdade, você está meio diferente. Nunca imaginei que se importaria em saber como funciona algo do mundo trouxa.

– Por que nunca tive interesse nisso antes. – respondeu o loiro, pegando a goles, mas não a passando para o outro – Mas você gosta dessas coisas e fico curioso em saber porque.

– Então é por mim? Obrigado!

– Não tem pelo que agradecer. – resmungou o loiro, atirando a goles para o amigo, tentando esconder seu próprio constrangimento, mesmo sabendo que era em vão. Chikage era muito perspicaz e o sorriso que deu ao pegar a bola deixava isso muito claro. – Seu cabelo está soltando. – disse, tentando disfarçar a falta de jeito. Chikage havia prendido os cabelos num desarrumado rabo de cavalo.

– É, está fazendo cócegas no meu nariz. Vou prender de novo, segura para mim? – perguntou o japonês, devolvendo a goles recém-recebida e soltando o cabelo para prendê-lo de novo.

– Não mudou quase nada. – Draco zombou, voltando a voar e marcando mais gol, rindo quando Chikage bancou o indignado pelo roubo da bola e voou atrás dele, tentando tomá-la. O que nunca daria certo, principalmente pelo fato da vassoura do japonês ser muito mais lenta que a Nimbus 2001 do loiro.

– Sabe, você tem rido bastante. – Chikage comentou, quando Draco comemorou seu terceiro gol consecutivo. – E devia continuar fazendo isso, você fica mais bonito.

A provocação cumpriu seu intento e Draco ficou novamente com as bochechas vermelhas. Chikage achava que ele não fosse responder, por isso foi uma grata surpresa ouvir:

– Acho que estou sendo influenciado. Você ri o tempo todo. Pensando bem, você tem me influenciado bastante! Como faz isso? – perguntou, fingindo uma indignação muito falsa. Agindo assim, ele quase parecia com o japonês quando assumia seu ar teatral.

– Encararei isso como um elogio. – brincou o japonês, roubando a goles para si – Falando sério agora, não acho que dizer que eu estou te influenciado seria o mais correto. Prefiro pensar que apenas estou te dando a liberdade de ser você mesmo.

– Que convencido! E por que acha que eu não sou eu mesmo com os outros?

– Por que você é diferente com eles, porque tem essa necessidade te atingir as expectativas, de ser aceito, seguido, admirado, mas eu te conheço há menos de seis meses, comigo, você pode ser você mesmo. E eu adoro o você que tem sido revelado a cada risada. – e Chikage podia não estrar provocando dessa vez, mas o resultado foi igual a se tivesse: um tom vermelho colorindo as bochechas pálidas do amigo.

– Não tenho essa necessidade! – Draco protestou. Sabia ser verdade, mas o elogio inesperado o fez sentir necessidade de mudar o rumo da conversa.

– Tem, sim. Você odeia frustrar os outros, sejam seus pais, Pansy, Zabini ou Crabbe e Goyle. Não sei se você os considera amigos de verdade ou apenas está acostumado a eles, mas você se importa com o que eles pensam de você. Apesar de eu ter minhas dúvidas se Crabbe pensa... Enfim, não é fácil atingir expectativas, às vezes os outros esperam da gente atitudes que não são nossas, são deles. Isso causa confrontos, decepções e até culpa. – disse o japonês, lembrando da conversa que tivera com Pansy na noite anterior.

Draco podia negar, mas para que negaria? Era verdade mesmo. Ainda assim, entrar na defensiva foi tão automático que só percebeu o que falava depois de ter falado: – Se sentir mal por decepcionar é normal, nunca ouvi falar de alguém que não fique chateado por isso.

– Sim, concordo. Querer ser admirado e causar orgulho é normal também. Em algum grau todos querem isso.

– Nem, todos. Potter não quer. – pontuou o loiro, abaixando a cabeça e errando a goles, que dessa vez não marcou um gol, o que causou um bico emburrado no loiro.

– Talvez, não tenho muita certeza disso. Ele com certeza não gosta de fama, mas todo mundo gosta de ser querido, de causar orgulho e ser admirado em algum grau. Ele não gosta é que as pessoas vejam apenas o menino-que-sobreviveu e não o Harry Potter.

– Faz sentido. Quando eu era mais novo não entendia isso, mas agora entendo.

– Que menino de 11 anos entende isso? – Chikage perguntou, com um dar de ombros, marcando outro gol. Ele tinha uma pontaria melhor que o esperado.

– Se entendesse isso, talvez minha relação com Potter fosse melhor hoje. Vocês têm estudado juntos, né? Como tem sido? – perguntou o loiro, pela primeira vez tocando no assunto do grupo de estudos que o japonês formara com os grifinórios (e que causava bastante estranhamento nos colegas).

– Hm, normal. Ele não gosta de História, mas quem gosta! – Chikage zombou, tentando animar o outro – Eu não converso muito com ele, falamos mais de estudos mesmo e acabo conversando é com a Granger, até porque, ele não ia muito com a minha cara no início, mas não tem muita diferença de estudar com qualquer outro aluno. Ele é normal. E fica irritado quando o tratam como se fosse diferente. Mas não querer ser tratado de forma diferente não significa não querer, ou não precisar ser aceito. Todos querem ser aceitos por aqueles de quem gostam.

– Isso é uma fraqueza.

– Você acha?

– É sim. Pelo menos é quando as pessoas que você quer que te aceitam e deseja orgulhar esperam de você coisas que você não gosta ou não quer fazer. – Draco respondeu, olhando para baixo.

– Bom, eu não sei quem você queria orgulhar. – mentiu Chikage, pois já conhecia Draco bem o suficiente para saber que o loiro falava de seus pais e o quanto esse assunto o abalava – Mas, se serve de consolo, acredito ser a pessoa que melhor viu o Draco Malfoy que você tenta esconder e eu gosto muito mais desse Draco do que o que você tenta ser para os outros. Adoro a pessoa que você mostra ser para mim e tenho muito orgulho de ser seu amigo e de poder ver esse seu lado. E aposto que muitos sentiriam o mesmo que eu sinto por você, se pudessem te conhecer como eu conheço.

Draco não conseguiu responder, por isso, deu graças por Chikage ignorar a falta de resposta e voltar a jogar, como se nada tivesse acontecido. Depois, quando parassem de jogar, o loiro perceberia que não dissera ao japonês o quanto também gostava dele e o quanto presava sua amizade. O quanto tinha orgulho de ser seu amigo e o quanto queria continuar sendo. Não só porque precisava dele, mas porque o admirava, independente de se conhecerem há tão pouco tempo e dele ser mestiço, sangue-ruim ou qualquer outra coisa.

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Já fazia um tempo que Hermione vinha prestando mais atenção em Harry. Seu comportamento havia mudado bastante nos últimos tempos, variando entre o antigo Harry e um novo Harry mais irritadiço, nervoso e teimoso. Isso sem mencionar sua crescente obsessão por Draco Malfoy. Harry parecia pensar nele o tempo todo e reagia a sua presença (ou falta dela) de forma exagerada e muitas vezes irracional. E se Hermione tinha qualquer dúvida sobre isso essa deixou de existir naquela manhã. Logo após o almoço, eles haviam decidido ir até o corujal juntos, para que Hermione pegasse Edwiges emprestada. Eles já voltavam para o Castelo quando avistaram duas pessoas jogando quadribol e qual não foi a surpresa ao verem Malfoy e Chikage nas vassouras. Aquilo não era nada demais, nem deveria ser, afinal todos sabiam da amizade entre os dois sonserinos, mas Harry ficou claramente irritado com a cena. Ele não disse nada e Rony não pareceu perceber, contudo era difícil não notar o quanto o moreno ficou incomodado com a aproximação dos dois jogadores, que voavam próximos demais. E ela até quis chegar mais perto, Chikage estava de cabelos presos e ela nunca o havia visto assim, ficou curiosa para saber como ele ficava, como voava e teve vontade de trocar algumas palavras com ele, mas Malfoy estava junto e apesar de o japonês dizer que o loiro era na verdade muito diferente do sonserino que ela conhecia Hermione não estava a fim de aguentar as provocações dele (apesar de algo no seu íntimo dizer que ele não faria isso na frente do amigo). E com Harry incomodado como estava e Rony sempre pronto a ofender o sonserino loiro, ir até lá definitivamente não era uma boa ideia. Por isso, entraram no Castelo e passaram o resto do dia jogando xadrez e snap explosivo na Sala Comunal. E não passou despercebido a ela que Harry passou a tarde com um olho neles e outro na janela. Na janela que dava justamente para a quadra de quadribol.

Continua...

Junho/2017

N/A: Não tenho palavras para pedir desculpas pelo atraso de um ano. Eu tento, mas escrever se torna cada dia mais difícil e várias cenas foram escritas várias e várias vezes (o passado de Erick e Lucien foi escrito quatro vezes!) para ficar aceitável e com alguma qualidade. Espero que nenhum de vocês tenha expêriencias com a depressão, pois essa doença é realmente capaz de nos destruir. Felizmente, depois de mais de 3 anos, em abril encontrei um remédio que finalmente fez algum efeito e desde então, tenho conseguido, com dificuldade e aos trancos e barrancos, tentar retomar minha vida. Espero continuar saindo do buraco negro que estava. E enquanto vou tentando, deixo aqui mais um capítulo, escrito com todo empenho para aqueles que ainda me acompanham e não desistiram dessa história. Espero que tenha agradado!

Agradecimentos: A todos vocês que veem acompanhando essa fic enrolada e não desistem mesmo com a minha enorme demora. Não tenho nem palavras para agradecer todo o incentivo de vocês! Então, muito, mas muito obrigada! Especialmente a Diana, MadameNutso, Sikt, Allie B. Malfoy, Aiko Sayuri Falc, Ninnha Malfoy Potter, Matheus Lestrang, Tai Bluerose, Diih Black, Lenny Ávila, Juliana, Exotic e Ryuuaka, seus comentários, mensagens e incentivos são o que me dão forças para sentar e continuar tentando. E um obrigada especial ao Paulo Matos, cujas mensagens me deram uma enorme força.