N/A: Olá, leitores lindos! Bom, primeiro capítulo já está aqui e eu realmente espero que vocês gostem. Escolhi começar com James Sirius, porque nunca tinha escrito nada focado no personagem e estou adorando a experiência. Espero que vocês também apreciem!
Boa leitura! 3
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JAMES SIRIUS
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As olheiras escuras e arroxeadas deixavam bem claro que o rapaz não havia dormido bem. Na verdade, mal conseguira fechar os olhos na maldita noite que se passara. Sendo assim, não houve nada mais complicado do que levantar-se da cama naquela manhã chuvosa. Em outros tempos não se levantaria, jogaria as cobertas sobre o rosto e aproveitaria o delicioso som da chuva para dormir até que entrasse em coma, pouco se importando com qualquer compromisso que pudesse ter. Infelizmente, os tempos haviam mudado e ele já não podia se permitir certos luxos.
Às vezes ele sequer se reconhecia. O James Sirius Potter de hoje não era nada como James Sirius irresponsável, despreocupado e avoado de alguns anos atrás. E como a maioria das mudanças na vida de um homem, essa também acontecera por amor. O nome da amada era Rebekah e para James não havia garota mais linda ou maravilhosa no mundo. Ainda assim, sua opinião não poderia ser considerada imparcial, afinal pais têm certa tendência a acreditar que seus filhos são as criaturas mais perfeitas do universo. O jovem Potter não era diferente. Na verdade, ele entraria fácil para ranque dos dez pais mais coruja de todos os tempos. Não conseguia evitar, Becky, apelido que havia dado a filha, era simplesmente a pessoinha mais adorável que poderia existir.
No entanto, era também a razão de sua noite mal dormida. Para ser honesto, a menina era a razão de todas as suas noites mal dormidas dos últimos quatro anos e, segundo seus pais, aquilo só pioraria a medida que ela crescesse. James não se importava verdadeiramente, mas não conseguia deixar de pensar, amargamente, que seu cansaço seria menor se Alexia ainda estivesse ali. Não gostava de pensar sobre a garota, mas jamais entenderia que tipo de mãe era capaz de abandonar a filha recém-nascida.
Alexia Wood poderia ter um milhão de defeitos, ele conhecia muito bem cada um deles, mas também havia algo bom na garota. Pelo menos, era nisso que o rapaz acreditara pelos dois anos que estiveram juntos. A mulher que ele amou não o teria abandonado e, principalmente, não teria abandonado a filha, mas ela o fez, provando que todo o tempo que namoraram foi uma grande farsa. Ele conseguia entender que ela ficara apavorada com a gravidez, afinal eles tinham apenas 17 anos e uma criança definitivamente não estava em seus planos, mas jamais conseguiria perdoá-la por aquilo.
De alguma forma, James sempre soubera que a moça só levara a gravidez até o fim, porque ele insistiu. A garota não queria aquele bebê e nunca ficou verdadeiramente feliz com seu nascimento. Ainda assim, o rapaz não esperaria que poucos meses após do nascimento da filha, quando os medi-bruxos constataram que a menina nascera surda, Alexia iria os deixar. Era o momento mais difícil de sua vida e ela simplesmente foi embora. Dissera que não conseguiria lidar com aquilo e partira sem olhar para trás. Merlin era testemunha de como ele a odiara por isso.
Ainda assim, aquilo estava no passado e o rapaz não tinha tempo para lembranças infelizes. Dirigiu um olhar para a cama em que Becky dormia como um anjo e soltou um suspiro preocupado. Ela tivera febre a noite inteira e só conseguira adormecer quando os primeiros raios de sol surgiam. James caminhou até ela, retirando cuidadosamente as mechas de cabelo castanho que caiam em seu rosto, e depositou um beijo carinhoso em sua testa. Após isso enviou uma coruja a sua avó, perguntando se ela poderia ficar com a criança durante o dia. Molly Weasley estava sempre pronta para ajudar e, naquela quarta-feira, o rapaz não poderia faltar ao trabalho.
De toda forma, chegaria atrasado e já se preparava para as reclamações dos duendes. Aquelas pequenas criaturinhas mal humoradas eram definitivamente a pior parte de se trabalhar no Gringotes. Não que houvesse muitas partes boas em seu emprego burocrático e entediante, mas quando se tem uma filha pequena para criar e contas a serem pagas deve-se agradecer pelo simples fato de estar empregado. O jovem sabia que sempre podia contar com a ajuda dos pais, principalmente para as questões monetárias, mas um dos fatos que fez dele um grifinório foi seu orgulho. Fora homem suficiente para fazer aquela filha e seria homem suficiente para criá-la, não importando o quão difícil aquilo parecesse.
Tomou um banho rápido, vestiu as primeiras roupas – completamente amassadas – que encontrou no armário e bebia sua terceira xícara de café, quando recebeu a resposta positiva da avó. Molly sempre adorou crianças e se deleitava com qualquer oportunidade de ficar com a bisneta. James se sentia infinitamente grato, já que a babá havia resolvido não ir trabalhar pela segunda vez naquela semana. Terminou o café observando as contas atrasadas sobre a mesa. Uma ruga de preocupação se formou em sua testa. Tinha 21 anos, mas havia momentos em que se sentia com o dobro.
Rapidamente juntou algumas coisas da filha em uma bolsa e a pegou no colo cuidadosamente, tentando não acordá-la. Aparatou n'A Toca e sentiu um peso no coração quando teve que deixá-la ali. Todo dia era a mesma coisa, sabia que ela seria muito bem cuidada, mas havia se transformado no pai coruja e protetor que nunca havia imaginado ser. Na verdade, antes de Lexi lhe contar que estava grávida, nunca havia pensado em si mesmo como um pai.
Tudo aquilo havia sido uma loucura e James não se lembrava de já ter se sentido mais assustado. Quando descobriu que Rebekah era surda chorou por dois dias, não tinha ideia do que fazer. Por Merlin, ele tinha 17 anos! Havia acabado de se formar em Hogwarts, com notas nada excepcionais, mal sabia o que queria fazer da vida e tinha uma filha deficiente para criar. Então, sua namorada foi embora e ele sentiu que o mundo havia desabado. Era um pai solteiro adolescente, mas a pior parte era que amava a desgraçada da Wood como nunca havia amado ninguém e ela o deixou, abriu um buraco em seu peito e partiu sem olhar para trás.
Dessa vez, ele chorou por uma semana inteira, até que se lembrou que tinha uma filha e não podia deixar que seus pais cuidassem dela eternamente. Agora ele era um pai e tinha que agir como tal. No início, não foi nenhum pouco fácil. Noites em claro, fraldas sujas, choro, choro e mais choro, mas sua família sempre esteve ali para ajudar e James se sentia grato por isso. A parte boa em ter um milhão de tios, tias, primos e primas era essa. Seu tio Bill lhe arrumou um emprego no Gringotes e, mesmo odiando a função, ele aceitou. Quando não estava trabalhando, ou cuidando da filha, estudava linguagem de sinais e tudo sobre o universo surdo como nunca havia estudado nada na vida.
Grande parte de sua saga estampou o Profeta Diário por meses. Não importava quantas vezes processassem Rita Skeeter, aquela infeliz simplesmente não parava de se intrometer no que não lhe dizia respeito. Ela e uma outra série de jornalistas de fofoca. Toda comunidade bruxa teve o prazer de ler sobre o filho adolescente do famoso Harry Potter engravidando a filha adolescente de Oliver Wood, um dos maiores jogadores de Quadribol daquela geração. Todos souberam quando, como e onde a Becky nasceu, que a menina era surda e se deleitaram quando a filha do grande goleiro do Puddlemere United deu um pé na bunda no filho do Menino que Sobreviveu.
No início James sentia uma raiva absurda daquilo, mas com tempo aprendeu a ignorar, afinal tinha preocupações maiores. De certa forma, ele sabia que ninguém acreditava muito nele, não achavam que o irresponsável do Potter seria capaz de cuidar de uma criança, sendo assim, o jovem sentiu um imenso orgulho ao provar que todos estavam errados. Cometeu alguns erros no percurso, é verdade, teve que fazer vários sacrifícios e abrir mão de muita coisa que queria. Sua vida estava longe de ser perfeita, ou o que um dia sonhou, porém, havia conseguido.
Havia anos que ele, um dos maiores galinhas que Hogwarts conheceu, não namorava e sua fase de festas estava mais do que acabada. Quando conseguia uma noite de folga, pois seus pais queria ficar com a neta, tudo o que o rapaz queria era dormir. Provavelmente poderia parecer uma vida incrivelmente deprimente, mas toda vez que James olhava para a filha, sua menina dos olhos, sabia que valia a pena.
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N/A: Bom, sei que isso pode parecer bem diferente do usual, mas essa história está aqui para isso. Sempre fiquei um pouco incomodada com James super maravilhoso, perfeito, "o cara" que vejo por aí, então resolvi escrever algo bem distante disso. Espero que tenham gostado! O que acharam?
Beijinhos...
Thaís
