Notas da Autora
Ryuusou fica surpresa quando...
Hanako fica estarrecida, quando descobre que...
Capítulo 8 - A surpresa de Ryuusou
- Eu acho isso errado. Escravidão é algo muito ruim! Juro que farei de tudo para acabar com essas leis cruéis e idiotas! – Yukiko fala determinada – Por isso, por favor, se levante. Seremos amigas. O que acha?
A dragoa fica estarrecida, olhando dela para os outros, até que se levanta e fala ainda confusa com a atitude que não esperava testemunhar, ainda mais após tê-la atacado, quase a matando.
Então, vendo o olhar expectante da meia in-ookami, ela acena positivamente com a cabeça, para depois ser surpreendida com um abraço da criança que sorria imensamente, sendo que a cauda da mesma abanava animadamente.
- Vai se acostumando. – Hanako fala em um tom divertido.
- Então, é mesmo verdade que elegeu essa criança a sua mestra?
- Isso mesmo. Imagino que os meus doadores de espermatozoide e óvulo devem ter surtado. – ela fala em um tom de riso.
- Quando fala "surtado", foi pouco. Eles estavam possessos. Afinal, todos os demais souberam disso e passaram uma vergonha imensa. – Kibaryuu fala.
- Imagino. Eu acho que é bem feito para eles. Eu os odiava com aquela mania de superioridade por causa do clã.
- Percebo que de fato, a magia contida nessa lei a influencia a falar de forma coloquial em vez da informal, típica dos nobres e parece estar gostando de ser rebaixada. – a dragoa negra comenta surpresa.
- Nunca fui como os outros. – ela fala dando de ombros – Além disso, me sinto livre, de uma forma que nunca senti antes.
A dragoa negra fica surpresa ao ouvir que a dragoa a sua frene era mais livre como escrava, do que quando vivia livre com o seu clã. Ela nunca imaginou que ouviria algo assim e após se refazer da surpresa, fala:
- Isso explica o motivo de eu vê-la com um dragão branco de dorso verde e que era filho adotivo do grande dragão sábio. Mesmo sendo filho adotivo, ele não é descende de nenhum clã de renome ou prestígio. Mesmo assim, vocês pareciam bem amigos. – a dragoa negra comenta pensativa.
- Já nos viu juntos?
- Eu estava dentre o povo comum, enquanto via vocês voando. Eu lutei muito duro para ter o meu nível de poder e força. Fiz treinos intensos, ficando a beira da morte inúmeras vezes. Se bem, que acredito que os meus pais ou um deles, deve ter sido um dragão poderoso.
- Você não conhece os seus pais? – Yukiko, com uma feição triste, pergunta para ela.
- Não. Fui abandonada quando ainda era muito pequena e o senhor que era o antigo líder do grupo de mercenários que eu fazia parte, me acolheu e me treinou. Disse que os meus olhos lembravam os de sua neta, que foi morta por um nobre e que no final o mesmo foi absorvido por pertencer a um clã importante. Creio que herdei dele o ódio aos clãs que pertenciam a nobreza ou eram importantes. Ele acha que eu sou, talvez, filha bastarda de algum clã poderoso e importante. Inclusive, ele cogitou um clã e de fato, minha aparência lembra a deles e meus poderes são bem parecidos.
- Agora que você falou... Eu conheço um clã, cujos indivíduos lembram a sua aparência. – Hanako comenta pensativa.
- Nunca me aproximei deles. Um dia, eu desejo saber o que aconteceu e me vingar dos bastardos que me abandonaram. Ouvi dizer que eles não se dedicam aos treinos, pois, se consideram poderosos e que por isso, não precisam treinar, apropriadamente. Pude testemunhar o nível de um deles e era bem medíocre. Era tão medíocre, que poderia derrota-lo com apenas um braço.
- Pelo visto, isso é algo típico desses clãs. No meu também era assim. Eles não viam motivo para eu ficar treinando os meus poderes, ainda mais porque eu era tida como uma gênia. – Hanako comenta.
Então, a dragoa rosa tem uma ideia e decide que iria falar em particular com Kibaryuu.
Afinal, atualmente, não sentia rancor dela. Ela nunca mostrou estar feliz pela ideia de mata-la ao contrário dos outros dois. Ela percebeu que ela agia por ser uma ordem. Por ser o serviço que ela tinha que fazer e que não sentia empolgação em matar e sim, em apenas lutar. Não era uma assassina nata e sim, uma guerreira e isso mudava a sua visão sobre Kibaryuu.
Então, ambas são envolvidas em uma conversa animada com Yukiko, com Lillian sorrindo enquanto via a interação dela com as duas dragoas, até que se aproxima e fala:
- Você tem que terminar aquele gráfico, Yukiko-chan. Depois que terminar de estudar, você terá uma hora de descanso, antes do nosso treino.
- É mesmo! Ainda falta eu colocar alguns itens!
Então, ela volta a mesa de estudos e Kibaryuu fala respeitosamente a Lillian:
- Ficaria agradecida se tivesse algum lugar para mim. Pode ser um quartinho pequeno ou um porão. Não me importo e se puder ter algum lugar para eu treinar, sem abusar de sua boa vontade, ficaria agradecida.
- Não precisa tanta formalidade. Suba ao segundo andar e escolha um dos quartos. Hanako-chan está em um deles. Fique a vontade. Quanto a área de treino, tem um local a oeste daqui, nesse planeta, propício aos treinos e se quiser, posso fornecer ajuda para treinar. – Lillian fala sorrindo.
- Muito obrigada. Não tenho palavras para descrever o quanto estou feliz pela generosidade da senhorita. – a dragoa fala respeitosamente, curvando a cabeça.
- Já disse. Pode relaxar. Eu tenho alguns assuntos para cuidar e como disse, fiquem a vontade.
Nisso, ela se afasta, com Kibaryuu ainda surpresa pela hospitalidade da atendente do Deus supremo da Luta.
Vendo a face de assombro da dragoa negra, Hanako fala:
- É como disse. Você vai se acostumar. Vamos ao segundo andar.
Kibaryuu consente e ambas andam, com a dragoa falando:
- Estou surpresa por não ver ódio em seu olhar para mim, ainda mais após ficar caçando você, quando fazia parte do grupo de mercenários contratados pelos seus pais para matá-la.
- Você nunca foi uma assassina. Mesmo sendo mercenária, ainda mais porque foi adotada por um, você tem uma alma guerreira – a dragoa negra fica surpresa – Os outros dois sentiam prazer em matar. Você não. Você agia como se fosse uma ordem e a única vez que vi prazer em seus olhos, foi na luta contra Yukiko-chan e depois vi o pesar neles, quando tentou dar o golpe fatal nela. Além disso, você tinha honra e caráter, algo que aqueles dois não tinham. Um mercenário não tem nada disso. Pode ter alguns códigos de moral e tal, mas, estes envolvem apenas os seus colegas, não sendo algo profundo, por assim dizer, como era com você. Um guerreiro puro é diferente de um mercenário e a sua alma é de uma guerreira e não de mercenária.
A dragoa negra olha surpresa para Hanako e fala:
- Bem, de fato, você está certa. Nunca imaginei que alguém perceberia isso.
- Por que nunca deixou de ser mercenária?
Kibaryuu suspira e fala:
- Não sabia fazer outra coisa em minha vida. Além disso, precisava me sustentar. Mas, saiba que já tentei algum patrocinador para me dedicar as lutas, visando entrar em competições de batalhas.
- E como foi?
A dragoa negra sorri tristemente e fala:
- Alguns até me aceitaram, mas, ao descobrirem meu passado de mercenária, rejeitaram a ajuda. Nós pertencemos ao submundo. Eles sempre nos contratam, mas, nos veem como escória. Como se não fôssemos nada e que não prestássemos, mesmo quando algum de nós luta para deixar os assassinatos e as missões proibidas de lado, sendo estas missões solicitadas por hipócritas bastardos que nos contratam, pois, são os únicos com capacidade financeira de pagar os nossos serviços. – ela fala o final rosnando – Então, sem ter como mudar de vida e precisando ter uma fonte de renda, continuei sendo mercenária.
- Põe hipocrisia nisso. São um bando de bastardos. – Hanako fala, irada – Nunca imaginei que a vida era assim...
- Não estou surpresa por você não saber sobre esses detalhes. Você cresceu em uma família de alto prestígio. Vocês não tem noção de como é o mundo abaixo de vocês. Acredite.
- Isso é verdade – ela fala suspirando desanimada - Inclusive, eu fui como os outros por algum tempo e...
- Não acho que foi como os outros. Pelo menos, não totalmente. – Kibaryuu fala seriamente.
- Por que fala isso? – a dragoa rosa olha surpresa para ela.
- Você foi amiga daquele dragão branco, Haku, né? O filho adotivo do Grande dragão sábio. Afinal, nenhum membro de um clã tão importante, se tornaria amigo de alguém que não vem com uma descendência nobre de berço. Mesmo o Grande dragão sábio vindo de uma família proeminente, esse dragão branco foi adotado, sendo que dizem que veio de uma família bem humilde que faleceu por uma doença mortal e que antes de morrer, a mãe o levou até o Grande dragão sábio. Quando ele se prontificou a ajudar essa dragoa, já era tarde demais. Bem, foi o que eu ouvi.
- E é verdade. Ele cuidou do funeral de toda a família do Haku-kun, que sempre visita os túmulos de seus pais. Inclusive, eu já fui várias vezes com ele.
- É como eu disse. Você nunca foi como eles. Pelo menos, não em totalidade. Isso de ir aos túmulos de dragões de origem humilde, junto de um de mesma origem, sendo que ainda prestava o seu respeito, era algo que ninguém faria vindo de um clã nobre.
- Agora que você falou, é verdade. Sempre fiz coisas que os outros jovens de clã importantes achavam um absurdo, sendo que sempre criticavam a minha amizade com o Haku-kun. – ela fala pensativa, sendo que cora levemente ao pensar no dragão alvo.
Hanako se surpreende ao sentir a mão de Kibaryuu em sua testa, com a mesma comentando:
- Pensei que estava com febre, pois corou. Sabe, eu sempre pensei que só corássemos se estivéssemos febril.
Hanako cora ainda mais, enquanto afastava a mão de Kibaryuu, falando:
- Não estou com febre – então, ela exibe uma face surpresa e pergunta – Por que falou isso? É normal uma mulher corar se pensar em um macho que gosta.
- Não consigo entender o que você diz sobre os machos. O que sei é que eles têm muita força física. Mas, podemos quebrar tal força com a velocidade. Em matéria de força e resistência, competindo com uma dragoa de mesmo nível, terão vantagem. Por isso, devemos usar a velocidade, já que a disposição dos músculos nas fêmeas é diferente e nosso corpo, usualmente, é mais leve do que de um macho. Claro, há exceções e tal, mas, em termos de físico, resistência, força e velocidade, essas são as diferenças. Mesmo sendo fêmea, detonei vários machos que tiveram a ousadia de falar que eu era inferior a eles. Precisava ver como limpei o chão com eles. – ela fala animada, golpeando os punhos entre si.
Hanako exibe um "o" perfeito com a boca e depois pergunta receosa:
- Você nunca teve interesse em outros dragões. Bem, não precisa ser macho...
- Eu tive interesse em machos e fêmeas. – Kibaryuu comenta pensativa.
- E como foi?
- Derrotei todos eles. Os desafiei e acabei com o orgulho deles. Foi tão prazeroso mostrar que não basta ser famoso, se não treinar! – nisso, ela simula uns socos e chutes em um adversário invisível, sendo que narra algumas de suas lutas.
Hanako está com uma gota e pergunta, coçando o queixo, sem jeito:
- Assim, outros interesses, além de lutar. Nunca teve?
A dragoa fica pensativa e fala:
- Outros interesses sem ser lutar? Eu acho que sim.
Hanako suspira aliviada e pergunta, animada:
- E com quem foi?
- Como assim "com quem foi"? – Kibaryuu pergunta confusa.
- Hã?
- Você me perguntou outros interesses sem ser lutar. Eu adorava ver batalhas aéreas para definir quem voava melhor. Eram muito legais! Inclusive, venci alguns concursos. Também já participei de concursos de quem comia mais. Fiquei muito feliz quando derrotei raças tipicamente glutonas. Eles passaram mal, enquanto que eu ganhei deles por quatro mordidas. – ela fala orgulhosa.
Hanako abana a cabeça para os lados e pensa consigo mesma, desanimada:
"Será que ela consegue pensar em algo sem ser a próxima luta ou competição?"
Após pensar por alguns minutos, ela chega a uma constatação óbvia e igualmente desanimadora a seu ver:
"Não."
Kibaryuu olha o desânimo de Hanako, tentando compreender o que ocorreu, até que nota que ela olha para ela.
- Hã... Você sabe de onde vêm os bebês? – Hanako pergunta cautelosa.
- Por que deveria saber? Não desejo ter um filhote. – ela fala confusa.
"Ela é inocente nesse aspecto?"
Ela pensa consigo mesma, estarrecida por saber que a dragoa ao seu lado não tinha qualquer noção de onde vinham os bebês e acreditava que a inocência dela era porque só pensava em lutar.
Kibaryuu tentava compreender as reações de Hanako, até que para ao ver o corredor suntuoso e em seguida, um dos quartos, comentando assombrada:
- Lillian-sama deseja que eu escolha um desses quartos?!
- Isso mesmo. Eu estou naquele e a Yukiko-chan ocupa aquele. – ela mostra com os dedos os quartos – Fique a vontade para escolher.
Após se refazer da surpresa, se recuperando, ela fala:
- Ela é a minha mestra e é meu dever zelar por ela. Devo ficar próxima dela. – a dragoa fala determinada.
- Ela quer que sejamos amigas dela e não escravas. Fique a vontade para escolher o que mais lhe agradar.
- Tem que ser este. É o mais perto. É meu dever protegê-la com a minha vida ao servi-la!
Hanako fica com uma gota ao ver as chamas fervorosas e determinadas nos olhos de Kibaryuu, enquanto pensava consigo mesma:
"Ela é muito compenetrada e séria. Nunca imaginei que ela seria assim, além de faltar senso comum nela, pelo visto."
Então, após escolher o seu quarto, a dragoa rosa se aproxima dela e fala:
- Posso usar os meus poderes para descobrir tudo sobre os seus pais. O que acha?
- Como assim? Em tese, só pode realizar os desejos de sua mestra. – ela fala confusa.
- Yukiko-chan, deu carta branca para eu fazer o que quisesse. Ela falou que eu podia usar a minha magia da forma que eu achasse melhor. Logo, tenho total liberdade. Além disso, procure chama-la de Yukiko-chan ou só Yukiko. Ela vai se deprimir se chama-la de mestre e trata-la como tal. Então, voltando ao assunto de usar o meu poder e habilidade para descobrir sobre os seus pais... O que acha? Quer descobrir quem eles são e o motivo de terem abandonado você?
- Entendo. Vou fazer isso. Eu agradeço por me avisar. Sobre a habilidade do seu clã, por que você está me ajudando? Por que usaria o seu poder para alguém como eu? – ela pergunta, arqueando o cenho – Ainda mais pelo que eu fiz contra você, a caçando implacavelmente?
