Notas do Autor
Graças a Hanako, Kibaryuu descobre que...
Capítulo 9 - A descoberta de Kibaryuu
- Você estava apenas cumprindo ordens. Além disso, as suas atitudes durante a luta, evidenciavam que era uma guerreira ao contrário dos outros dois que agiam como assassinos.
- Entendo.
- Então, deseja saber?
- Bem, sempre quis saber.
- Ótimo. Vamos para fora. Preciso assumir a minha verdadeira forma.
Após saírem, ela assume a forma de um dragão rosa peludo e olha para Kibaryuu, falando:
- Agora, fale eu desejo ver os meus pais e o meu passado.
- Entendo. Eu desejo ver os meus pais e o meu passado.
Então, com os olhos azuis de Tsukishiro, brilhando, um clarão as envolve e quando Kibaryuu abre os olhos, percebe que está no planeta natal delas, mas, com o corpo meio translúcido, enquanto que Hanako está ao lado dela, com um corpo também translúcido e fala:
- Eles não podem nos ver. Estamos vendo ecos do passado. Não conseguiremos intervir, pois, somente nos transportei ao passado na forma de expectadoras.
A guerreira observa um suntuoso palácio e elas são deslocadas até lá, sendo que eles avistam uma imensa dragoa debilitada, segurando um ovo ao seu lado, deitada em uma espécie de ninho bem elaborado e um dragão próximo dela, com a dragoa falando fracamente:
- Promete que vai cuidar de nossa cria?
- Prometo.
- Mesmo se for uma fêmea?
Ele hesita por um segundo, até que fala:
- Sim.
A dragoa sorri aliviada, antes de morrer, abraçada ao ovo, com Kibaryuu chorando, pois, era amada pela sua mãe que faleceu na sua frente, com Hanako pondo a mão no ombro dela para confortá-la.
Após ela morrer, o dragão orienta sobre os procedimentos, sendo que fala palavras e a toca, fazendo a sua esposa assumir uma forma semelhante a humana, sendo que ele ordena que uma serva fiscalize o fogo em volta do ovo para chocá-lo.
De fato, havia espécies de caldeiras em torno do ninho e havia um calor imenso no ambiente que é abandonado por todos. Era o que chamavam de câmara do ovo, usado para chocar os ovos dos dragões que botavam ovos, sendo a maioria esmagadora deles, com exceção dos que eram mamíferos, sendo estes, raros. A raça de Tsukishiro era de dragões mamíferos. Inclusive, por isso eram peludos.
Kibaryuu nota que os dias avançam rapidamente, com a lua surgindo, depois descendo, o sol nascendo e em seguida o sol sumindo no horizonte para dar lugar a lua e assim fica consecutivamente, com o local sempre vazio, tendo uma serva que entrava esporadicamente para verificar o ambiente, sendo que tocava no ovo. Dentre o fogo no entorno, sendo um local escuro, era possível ver um pequeno filhote se desenvolvendo, sendo que estava em posição fetal, com Kibaryuu sabendo que ela era, ali.
Então, após inúmeros dias, a serva entra e ao por a mão, sorri e sai do local, sendo que os dias param, com o homem entrando, que compreendeu ser o seu pai.
Após o ovo se remexer, ela, bebê rompe a casca, revelando uma pequena dragoa negra, com a serva indo até ela, para depois ficar cabisbaixa, se aproximando do homem impaciente, até que fala:
- Lamento, mas, é uma fêmea.
- Uma fêmea?! Após tantos meses de espera, nasceu uma fêmea?!
Kibaryuu rosna, pois, em nenhum momento viu o seu genitor na câmara do ovo, como era chamado o local onde os ovos eram colocados para serem chocados.
- Não tínhamos como saber o sexo.
- Eu queria um filho varão! O meu primogênito tinha que ser varão! Nunca iria querer uma fêmea bastarda! São umas inúteis! Só servem para promover acordo como moeda de troca e olhe lá! Droga!
- Posso leva-la ao seu quarto? – a serva pergunta servilmente, sendo visível a sua angústia.
- Claro que não! Nunca iria querer um lixo desses! Só não mando mata-la, pois, sinto muito carinho pela mãe dela, já que eu a vi crescer.
- O senhor prometeu que... – ela fala em um fio de voz ao ver o olhar de ira dele contra ela.
- Prometi, apenas, para que ela morresse em paz. Queria dar paz a ela em seus momentos finais. Apenas por isso. Agora, retire esse lixo da minha frente! A leve daqui e abandone em algum lugar! Quero essa escória fora daqui o quanto antes!
A serva olhava com pena para o pequeno filhote que mal havia aberto os olhos e olhava inocentemente para a cena, abanando a caudinha, sendo que acaba perdendo o equilíbrio no ninho e rola para baixo, para depois fazer um som débil como se chorasse.
A serva se aproxima dela, assumindo a sua forma de dragão, que não era muito grande, com Kibaryuu vendo as lágrimas da serva, enquanto a pegava quando era um filhote, com ela filhote sorrindo imensamente para a serva, provavelmente julgando que era a sua mãe, esticando as patinhas, enquanto abanava a caudinha e levemente as asinhas, fazendo sons de alegria.
O dragão sai bufando dali, enquanto que a serva a pega com delicadeza em seu colo, se afastando, sendo que abrem as portas duplas imensas, para ela sair voando pelo ar, embalando protetoramente a pequena dragoa em seus braços.
Longe do castelo, ela fala ao bebê em seus braços, que a olhava de forma inocente, com Kibaryuu e Tsukishiro as seguindo:
- Não vou abandoná-la por aí. Sei de alguém muito bom que irá cuidar de você. Recentemente, ele perdeu a sua filha, sendo que ela tinha o mesmo tom de escamas que você.
Então, ela desce, aterrissando com leveza para não assustar o filhote, sendo que em uma parte afastada da cidade, havia um dragão que Kibaryuu reconheceu como aquele que a criou como neta e lhe deu um lar.
O dragão avista a dragoa com um filhote e pergunta, visivelmente, surpreso com o pequeno filhote que ela tem em seus braços:
- Não sabia que tinha uma filha! Já faz algum tempo que não nos vemos. Quem é o pai?
- Já faz tempo, amigo. Venho lhe pedir um favor. O filhote não é meu, quanto ao pai...
Ele fica surpreso, sendo que ela explica tudo, fazendo o dragão rosnar, após ouvir toda a história.
Afinal, apesar de liderar um grupo de assassinos, ele tinha alguns princípios e abandonar um filhote indefeso, feria um desses princípios.
- Que bastardo! Ele deu a sua palavra de honra! Bem, se ele manda abandonar um filhote por aí, isso já demonstra a falta de caráter dele!
- Sim.
- A sorte desse filhote foi que ele ordenou a você para abandoná-la e imagino que o motivo de vir até mim, é para que eu a adote e a crie como neta.
- Sim. Você é a minha única opção. Eu preciso desse emprego para sustentar os meus queridos avôs que são idosos e que não tem mais forças para trabalhar. Eu sou a única fonte de renda da família. Sou eu que levo comida e que cuido deles. Preciso do emprego. O meu patrão iria me mandar embora, sumariamente, se soubesse que a peguei para criar e não obstante, não duvido que iria mandar matá-la para extirpá-la desse mundo.
- Não duvido... Como eu queria destroçar esse bastardo! – ele fala rugindo com ira.
- Não ouse fazer isso, por favor! Ele é de um clã influente. A sua vida será destruída e ela ficará órfã. Pense nesse bebê e contenha o seu desejo de destroça-lo. Além disso, há os outros. Precisa pensar neles, também. – ela implora com lágrimas nos olhos.
- Entendo. Não se preocupe. Vou conter o meu desejo por esse pequeno bebê e pelos outros. – ele pega o bebê e o coloca em seus braços, afagando a cabecinha dela paternalmente que abre os olhinhos, olhando curiosa para ele, para depois sorrir, se mexendo animada.
Ele sorri bondosamente e fala:
- Vou dar o nome da minha filha a ela.
- Muito obrigada. Agora, eu tenho que voltar.
- Espera!
Ela arqueia o cenho, enquanto ele se afastava com o bebê, sendo que após alguns minutos, ele retorna de uma espécie de caverna próxima dali, com a ossada de um pequeno animal alado, cujo crânio lembrava o de um filhote de dragão. Inclusive, tinha o mesmo tamanho do bebê.
- Eu cacei um hyale, há algumas horas atrás. Leve essa ossada e a despeje nas planícies Yorish, mais precisamente, na área pantanosa de Miertg. Na parte rasa. Procure afundar os ossos, parcialmente, assim não será possível confirmar pelo odor se são os ossos dela ou não. Além disso, vou fazer algo que vai cortar o meu coração, mas, é necessário.
Ele leva uma de suas patas ao rosto do filhote e murmura palavras mágicas, fazendo ela adormecer, profundamente, enquanto ia até a cauda dela e fazia um pequeno corte, fazendo sair um pouco de sangue em um recipiente. Depois, murmura algumas palavras e o pequeno corte para de sangrar, para depois ele fazer um curativo.
Em seguida se afasta e volta com um líquido rubro, com ele murmurando novas palavras mágicas, sendo que o conteúdo da garrafa brilha, para depois voltar a ficar carmesim, sendo uma garrafa grande.
Ele pega o sangue da pequena e vira na garrafa grande, mexendo, após deixar a filhote, temporariamente, no colo da dragoa, que olha curiosa, sendo que o dragão ergue a pata em direção a garrafa e murmura mais palavras, com o liquido se agitando dentro do recipiente e após terminar tudo, ele fala, dando a garrafa a ela:
- Eu anulei o sangue de um rewnt que cacei, inicialmente, para fazer um prato delicioso e depois juntei ao sangue dela, sendo que usei magia para reforçar o odor do sangue dela, misturado ao liquido. Essa garrafa tem a quantidade esperada de sangue no corpo de um bebê.
- Eu devo afundar a ossada parcialmente e depois, na planície, derrubar sangue em um local, respingando no entorno e depois fazendo a trilha até a ossada, para fingir que ela foi morta por algum animal.
- Isso mesmo. Ele pode mudar de ideia e querer eliminá-la. Precisamos impedir que ele a torture para saber onde a levou. Em contrapartida, nunca irei contar a verdade sobre ela e sobre os seus pais.
- Obrigada. Vou fazer isso.
Se despedindo dele e da pequena que ainda dormia, ela se afasta e o dragão fala paternalmente ao bebê nos seus braços:
- Vou cuidar de você, pequena. Eu prometo.
Sorrindo, ele volta ao seu lar, levando a pequena dragoa em seus braços protetores.
Kibaryuu sorri emocionada, pois, de fato, recebeu muito amor dele e que no final, quando teve a vida poupada por Yukiko, ele havia ajudado ela a fugir, já que a sua influência entre o grupo diminuiu e muitos odiaram o fato dela não ter salvado os outros dois, além de ter se tornado escrava.
Ele proporcionou a fuga dela, enquanto demonstrava preocupação e chorava preocupado pelo futuro dela, servindo como escrava a alguém que ela quase matou, falando que não iria condená-la se ela se suicidasse para escapar de um possível martírio.
A cena é cortada, com a serva terminando de fazer os procedimentos no local, para depois se afastar dali, com algumas horas se passando, até que o pai dela, perturbado, aparece no local, abaixando o focinho para a poça de sangue, seguindo o rastro até o local dos ossos.
Ela viu o dragão negro cair de joelhos, começando a chorar.
- Provavelmente, se arrependeu do seu ato. – Tsukishiro fala.
- Isso não muda a minha raiva e o meu ódio por ele. – ela fala friamente – Meu único pai foi aquele que me criou.
O dragão havia se arrependido e implorava pelo perdão de sua companheira falecida, enquanto que debilmente, havia conjurado um lençol, recolhendo as ossadas com as mãos tremulantes, chorando copiosamente, para depois enrolar com carinho o pano, abrindo as suas asas para voar dali.
A cena mostra o dragão enterrando a ossada, junto ao túmulo de sua companheira, caindo novamente de joelhos, chorando.
- O que aconteceu a serva? – Kibaryuu pergunta preocupada.
A cena mostra a serva bem, trabalhando, sendo que não viu a reação dele.
Depois, mostra o pai de Kibaryuu bebendo em sua forma humana, com um aspecto sujo e com roupas rotas, bebendo sem parar em seu escritório, até que após vários dias, abre as suas asas ao assumir a sua forma verdadeira e voando, cambaleante, ele se aproxima de um vulcão, chorando e fecha as suas asas, mergulhando no poço de lava escaldante, gritando, enquanto morria consumido pela lava.
- O bastardo me privou de destroça-lo! – Kibaryuu rosna irada – Eu precisava destroça-lo, até pela a minha mãe. Ele não tinha o direito de me privar de minha vingança!
- Bem, não nego que você tem esse direito. Deseja que eu ressuscite ele em algum local para você poder se vingar dele?
- Faria isso por mim? – ela pergunta surpresa.
- Claro. Agora, somos amigas e posso usar a minha magia como desejar.
- Não quero que ele saiba quem sou eu até o final. Não quero que ele venha com essas lágrimas desprezíveis. Então, antes de dar o golpe final, vou revelar quem sou.
- Aonde deseja que eu o ressuscite?
Ela pergunta, após elas voltarem da viagem no tempo, sendo que Kibaryuu percebeu que só se passaram alguns segundos.
Ela fala o local e a dragoa rosa consente, levando Kibaryuu até um planeta longe dali, para depois, os olhos de Hanako brilharem, sendo que surge o pai de Kibaryuu na frente dela com os olhos fechados, até que os olhos de Tsukishiro param de brilhar, enquanto que o dragão negro abria os olhos, confuso, olhando para os lados, com a dragoa rosa falando:
- Bem, vou deixa-la sozinha. Volto assim que você terminar aqui.
Ela fala se retirando do local, pois, tinha noção dos enormes poderes de Kibaryuu e que a mesma estava sentindo muita ira, sendo que, a sua nova amiga sempre odiou os nobres. O fato do dragão a frente dela ter falado tudo aquilo para ela, quando bebê e que não havia matado ela, apenas por consideração a mãe dela, além de considerar ela menos do que um lixo, aumentou a sua ira e mesmo após ver o arrependimento dele e depois, o pai bebendo, até que se suicidou, morrendo de forma extremamente dolorosa e de agonizante, o seu ódio não havia diminuído.
Além disso, o suicídio dele, somente a deixou, ainda mais irada, pois, nem se vingar, ela conseguiria, senão fosse os poderes de uma dragoa capaz de conceder desejos como ela.
- Está na hora de acertamos as contas, seu bastardo e eu vou adorar fazer isso. – a dragoa fala com um sorriso maligno no focinho.
- Quem é você? O que está acontecendo?
- Você só tem que saber de uma coisa, por enquanto. Eu serei aquela que vou destroça-lo! Não o ressuscitei para conversamos!
Então, assumindo a sua forma verdadeira que era mais imponente que a do dragão negro a sua frente, a imensa dragoa negra abre as suas asas e avança com ódio contra ele, que mesmo sem compreender, abre as suas asas e avança nela, percebendo no olhar da dragoa a sua frente, o nítido desejo de destroça-lo, enquanto que achava ela familiar, como se já tivesse a visto, embora não conseguisse identificar quando e onde, enquanto que compreendia que havia sido ressuscitado.
