Olá pessoas!

Demorou mas enfim, o segundo capítulo chegou! Em uma ou duas coisinhas novas, mas a criança mais adorada do Titio Edward continua a mesma: PAULINE BRAC... ops.. CULLEN!

Agradecendo de coração a sister mais fofa de todas, Nath Guimarães pela dicas, critícas, conselhos, puxões de orelhas e correção de tudo relativo a essa reedição de NDQVE. Muito obrigada little sistar!

Bem, agora vou deixar vocês curtirem!


– Por favor, papai! Não deixa ele me pegar!

– Pauline...

– Ele vai me machucar, papai! Vai doer, eu sei! Por favor, por favor, papai! Não deixa, não!

– Paulie, ele não vai te machucar, florzinha. Ele só vai cuidar pra que você não fique dodói.

–Mas ele é um monstro do mal! Vai doer, e eu não quero sentir dor!

Houve um alto suspiro. Não sei se eu, por conta do cansaço ou do homem que parecia ter esgotado todo o estoque de "como convencer uma criança" nos últimos minutos aqui dentro da sala.

Quando decidi ser pediatra, minha motivação não foi simplesmente seguir o legado do meu pai. Eu adorava crianças, de verdade! Podia passar horas ouvindo cada coisinha que saia de suas imaginações férteis, me deleitando com a inocência que era encontrada nelas; eu era o tipo de pessoa que passava horas brincando com algum jogo de tabuleiro e sempre era o primeiro a me disponibilizar para brincar de pique esconde. Essas coisas podiam ser considerado absurdo para um cara de quase meia idade, porém não via problema nenhum nisso.

No entanto, não havia nada que me tirasse mais do sério do que uma criança extremamente mimada e birrenta. Daquelas que não se importam com nada além delas mesmas e que faziam qualquer coisa para ter o que quisessem. Sério, isso me irritava pra cacete.

Principalmente quando essa criança fosse minha própria sobrinha.

Pauline era a mais nova e única menina do clã Cullen. Apesar de ter somente quatro anos, aquela garota tinha uma teimosia de um velho de oitenta. Não havia doces, promessas ou brinquedos que pudessem mudar sua mente quando ela insistia em seja lá o que fosse. No caso de hoje, a menina em questão não queria de forma alguma tomar a vacina imunizadora do surto de meningite que assolava a capital atualmente.

Engraçado é que ninguém ao olhar para aqueles olhinhos azuis, grandes bochechas rosadas e cabelos dourados exatamente como um anjo, podia desconfiar que ela era uma verdadeira pestinha. A garota tinha um geniozinho filho da puta, e às vezes, desconfiava que Pauline tinha sido a primeira experiência de clone humano. Tanto física quanto psicologicamente ela era a cópia exata de sua mãe Rosalie

Minha sobrinha enrolou seus bracinhos em volta do pescoço do meu irmão e choramingou baixinho antes de dizer. – Eu não quero tomar injeção, papai. Meu bracinho vai ficar dodói.

– Paulie, meu amor, você não confia em mim? – Emmett respondeu tentando passar confiança. – Juro para você que só vai ser uma formiguinha.

– Não é não, Paizinho! E eu não quero esse homem chato aqui!

Emmett suspirou, me olhando como quem pedia desculpas. – Florzinha, esse é o Tio Ed. Aqui é o consultório dele, lembra? Você tem vindo aqui desde que era só uma bebezinha.

Ela continuou me encarando, a sobrancelha franzida de indignação. – Eu sei quem é esse chato. E eu nunca, nunquinha, gostei dele!

Dentre todos os meus sobrinhos, Pauline foi minha primeira paciente, quando pegou catapora alguns meses depois de completar dois anos. Bella e eu tínhamos acabado de nos mudar de volta para Washington e poucas semanas antes eu tinha participado de um simpósio sobre doenças virais da infância. Mesmo que meu pai fosse A Referência no que se tratava de pediatria, toda a família confiou que eu era a pessoa mais preparada para lidar com a garotinha.

Minha relação de amor e raiva com Pauline começou naquela semana; apesar de ainda ser apenas um bebê, eu nunca tinha lidado com um serzinho tão teimoso. Cada remédio que eu lhe dava, ela cuspia de volta, sempre choramingando a porra do tempo todo. E quando cogitei que para o bem dela, a melhor forma seria ministrar a medicação por via intravenosa, quase fui capado por isso por cada uma das mulheres da família, incluindo minha própria esposa.

A verdade era que por ser tão ansiada, Pauline acabou sendo tratada como uma princesa pelos pais, avôs e tios. Quer dizer, o único tio que era louco por ela era meu cunhado Jasper, porque eu particularmente não suportava todas as manhas dessa menina.

Emmett olhou para mim de forma suplicante, entretanto não podia fazer muita coisa. Da mesma maneira que Paulie não era minha paciente favorita, tinha certeza que eu nem de longe era o médico dos sonhos dela. Isso se é que crianças sonham com pessoas de jaleco branco. E eu duvidava disso.

O pior era que eu já havia perdido uma vacina por conta da teimosia dela; a fórmula não podia de dar ao luxo de ficar muito tempo em temperatura ambiente, ou do contrário perdia o efeito por completo. E mesmo que isso não fosse descontado do meu bolso, eu tinha pena de Emmett que estava prestes a pagar 100 dólares a mais por causa de sua filha.

Respirei fundo e usando a minha voz mais calma, me voltei para ela – Olha só Pauline, se você deixar que eu aplique só essa injeçãozinha aqui, prometo que te dou um pirulito não só um, mais dois pirulitos, ok?

– Não, seu feio! Eu num quero nadinha de você! Paizinho, pu favô!

Emmett suspirou e numa rara ocasião resolveu falar duramente com sua única garotinha. – Agora já chega, mocinha! Você não vai me fazer pagar outra vacina! Eu vou segurá-la, Edward. Pode vir!

Com isso, minha sobrinha começou a berrar ainda mais alto, seus gritos ecoando pelas paredes de meu pequeno consultório. Podia apostar que se tivesse mais algum paciente lá fora, estariam todos eles assustados, agarrados as pernas dos seus pais, implorando para darem o fora daqui.

– Emmett, eu não sei se essa é a melhor forma de lidar com isso... – Eu comecei entre a choradeira de Paulie. – Talvez seja melhor que...

– Corta essa merda, Edward! Já são 4h30 e eu tenho que pegar os garotos no treino. Vá em frente e termine logo com isso.

Respirei fundo e me aproximei lentamente da loirinha. Sinceramente, aplicar injeções não era minha função como médico, porém, certas merdas você só faz pelos seus parentes. Meu irmão teve a brilhante ideia de que Pauline ficaria menos assustada se fosse eu quem aplicasse aquela medicação, o que acabou sendo uma puta de uma mentira.

Entre os gritos, levantei um pouco a manga da blusa rosa que ela vestia. O suor brotava das minhas têmporas e eu me concentrei e colocar a agulha no local certo, apesar dos movimentos contantes de seu bracinho, querendo impedir a todo custo o que eu fazia. Mas, apesar de tudo consegui aplicar corretamente a vacina, e a sensação que tinha era que tinha feito o maior home-run da história da medicina ao finalmente conseguir proteger minha sobrinha.

– Pronto, princesa. Acabou. – Eu disse com um sorriso cansado, enquanto acariciava seus cachos dourados.

Ela levantou seu rosto do pescoço de Emmett, olhou pro seu braço e voltou a me encarar. – Nem doeu!

– Eu te disse isso, florzinha. – Meu irmão murmurou exausto, como se tivesse acabado de se derrubado por uma manada de búfalos.

Pauline sorriu brilhantemente, balançando suas perninhas pedindo para ir pro chão. Assim que Emmett fez o que ela queria, minha sobrinha correu até a mesa onde eu trabalhava, pegou dois pirulitos. E quando eu pensei em sorrir para a sagacidade dela, ela bradou:

– Seu chato malvado do mal! Você é o homem mais feio e mais antilipático do mundo inteirinho, Titio Edwood!

Senti meu queixo cair ao mesmo tempo em que meu irmão mais velho tentava segurar uma risada. Entretanto, a graça que ele achou naquilo só durou até sua filha resolver falar de novo

– E eu vou dizer à mamãe que você disse um bocadão de palavrinhas feias, papai! – E assim, ficou na ponta dos pés para alcançar a maçaneta da porta e abriu-a, mas não saiu sem antes dizer – Agora vou procurar o vovô e dizer tudinho pra ele!

Se eu não estivesse tão enfadado eu teria rido. A família toda estaria fodida quando essa garota se tornasse uma adolescente.

– Foi mal, cara. – Em se desculpou, jogando-se na cadeira a minha frente. – Paulie pode ser meio geniosa para uma menina de quatro anos.

Tirei meu jaleco e esfreguei com força a minha nuca, sentindo a tensão nos músculos do pescoço ao dizer. – Ela fará cinco em poucos meses, Emmett. Pauline precisa de limites. E se ela é tão geniosa assim, parte da culpa também se deve a genética da mãe dela.

Para o meu desgosto, o desgraçado abriu um enorme sorriso – É, mais eu sei como domar minha mulher, prova disso são quatro crianças dentro de casa.

– Quatro filhos não prova de que você sabe domar sua mulher. – retruquei ao começar a arrumar a mesa, colocando alguns documentos e textos científicos que eu precisaria levar pra casa. – Isso só justifica que você e Rose são dois ninfomaníacos desocupados.

Meu irmão riu alto, seguindo em direção a porta. – Você é que tem sorte, mano. Não tem nada pior do que ser interrompido no meio da foda por conta de uma briga entre irmãos.

– É, devo ser mesmo um puta sortudo. – Murmurei um pouco frustrado.

Emmett me encarou por alguns segundos antes de se levantar e colocar sua mão em meu ombro. – Vai por mim,cara. Em breve, você vai ver o quão sortudo era.

Mas, antes que eu pudesse questioná-lo sobre o que havia dito, ele se afastou, indo em direção a porta. – Agora eu preciso ir atrás de minha princesa antes que ela vá nos dedure para o velho. Valeu por mais essa, Edwood.

– Sem problemas, Emmett. Até mais

Assim que fechou a porta, eu me afundei pesadamente em minha poltrona. Todos sabiam o quanto esse assunto era delicado para mim, no entanto, vez ou outra algum deles sempre o traziam a tona.

Contemplei por um momento o único porta-retratos em minha mesa, uma foto de Bella e eu juntos no nosso primeiro aniversário de casamento. Tínhamos passado dez dias em Belize, já que quando nos casamos não pudemos ter uma lua-de-mel decente. Na fotografia, nos dois estávamos abraçados, com sorrisos idiotas no rosto enquanto olhávamos um para o outro, tendo o mar do Caribe ao fundo. A imagem capturava com perfeição nossa alegria naquele momento.

Nessas pequenas férias, Bella óbvio, tinha adorado a oportunidade para conhecer mais um país da América Latina. Quanto a mim, estava feliz pelo fato de poder ver minha mulher desfilando por nosso chalé com minúsculos biquínis. Isso é, quando eu a deixava livre tempo o suficiente para ela por de volta os biquínis.

Foram dias maravilhosos, como tivemos tantos outros ao longo dos últimos anos juntos. No entanto, por mais que Bella fosse tudo pra mim, sempre havia aquela sensação de algo faltava entre nós. Algo que nem eu e nem ela conhecíamos e parece que a natureza insistia para que continuássemos sem saber.

Era irônico como eu passava minha vida cuidando dos filhos dos outros e não podia ter os meus próprios. Como eu adorava brincar com meus sobrinhos – e sim, nisso incluo também a mini-Rosalie com seu temperamentozinho filho da puta – no entanto, nunca poderia amar incondicionalmente algo que fosse a mistura genética entre Bella e eu. Parece que nós dois tínhamos sidos fadados a sermos os "titios".

O problema não era falta de prática: Deus sabe que isso definitivamente nunca foi um problema para nós dois. Entretanto, mesmo que transássemos feito coelhos, os resultados eram sempre negativo.

Teoricamente não havia nada de errado com conosco; ambos éramos saudáveis e férteis segundo todos os exames que fizemos. E eles não foram poucos, incluindo nisso os constrangedores espermogramas, onde eu entrava numa sala para "bater uma" e saia de lá com um pote cheio de gozo e tendo que entregá-los para uma enfermeira anciã. Duvido que existisse algo que me deixasse mais envergonhado do que isso.

E para piorar a situação, parece que meus irmãos gostavam de esfregar nossa incapacidade a todo momento, enchendo a família de crianças.

Não me interpretem mal, eu realmente amo todos os meus seis sobrinhos, mas às vezes, eu queria que não fossem tantos. Parece que cada um deles mostrava um pouquinho tudo aquilo que estava perdendo: ensinar a andar de bicicleta, comemorar a primeira estrela dourada no jardim de infância, apartar as brigas... Não era a mesma coisa sendo apenas um tio.

Não era para mim que eles olhavam com adoração, como se eu fosse uma especie de super-herói. Não era para a minha cama que essas crianças corriam em busca de proteção quando havia uma tempestade... Essas coisas eram apenas para seus pais. Algo que acho que nunca chegarei a ser.

Resolvi ignorar esses pensamentos dolorosos e resolvi terminar de arrumar minha maleta. Não gostava de pensar nisso porque acabava me lembrando de que por conta de todo esse sofrimento de não termos filhos, eu quase acabei perdendo a coisa mais importante de minha vida. Minha Bella.

Nunca pensei que a ausência de crianças poderia afetar tanto nossa vida conjugal. Depois de muitos meses tentando e tentando, nossa vida virou uma rotina onde tudo que poderíamos pensar eram técnicas concepcionais, reprodução assistida, fertilização in-vitro e outras merdas relativas a concepção. Houve até uma certa fase onde o sexo, que sempre foi tão espontâneo entre nós, acabou virando algo com hora e dia marcados.

Aos poucos, tudo isso foi minando o nosso matrimônio; nossas conversas só giravam em torno desse assunto, como se não existisse nada além. A bagunça dela já não era tão engraçada, assim como minha mania de organização deixou de ser um defeito charmoso para virar uma implicância sem fim.

Então, brigas sérias foram acontecendo pelos motivos mais banais. E geralmente não acontecia sexo de reconciliação, salvo se Bella estivesse em seus dias férteis. A verdade, é que chegamos ao ridículo ponto de transarmos com raiva um do outro, apenas porque segundo seu ciclo, era o melhor dia daquele mês.

Nós dois estávamos tão obcecados que não percebíamos que a pior coisa seria trazer um bebê naquele ponto de nosso casamento. Nos ignorávamos, sem nos importar com os sentimentos do outro. Estávamos em crise e só pude perceber quando Bella decidiu por fim colocar um basta naquilo. Da forma mais dolorida possível

A verdade é que com um pouco mais de dois anos de casados, cheguei em casa para ver minha mulher de malas prontas, afirmando que estava indo para Forks. Nós discutimos e choramos como loucos naquela noite, mas nada impediu de horas depois vê-la embarcando. Ela tinha desistido do seu emprego como colunista social no New York Daily, algo que provava o quanto estávamos afastados; Bella simplesmente odeia qualquer coisa relativa a vida de celebridades. A não ser, é claro, que estivéssemos falando da velha e desgraçada Madonna.

Por fim, depois de seis dias de afastados, eu estava quase enlouquecendo sozinho em nossa casa. O apartamento já não era o mesmo sem as bolinhas com anotações rejeitadas por ela jogadas no canto, ou com a falta da louça suja acumulada na pia e principalmente sem o som de sua voz que o combustível para minha vida.

Sentia-me um fracasso; como homem, companheiro, marido. Eu tinha batalhado tanto por alguém como ela e simplesmente tinha a deixado escapar por conta de algo que nenhum dos dois tinha controle. E assim, depois de uma semana inteira longe da única mulher que eu amei, pedi licença no Presbyterian e partir de volta para o estado onde eu nasci, a fim de reconquistar o meu tudo.

Eu devia estar parecendo uma cópia fiel de um zumbi quando cheguei a porta da pequena casa onde minha mulher tinha passado a infância. Bati freneticamente na porta de madeira, quase como um desesperado que se agarrava ao último fio de esperança. Esperança essa que aumentou absurdamente assim que a morena de olhos inflamados de vermelho apareceu no patamar de entrada.

Nossa reconciliação não foi fácil; ambos estávamos ressentidos e culpávamos a si mesmo a falta de filhos e conseqüentemente, a crise no casamento. Foram horas de conversa a sós e com um terapeuta de casal, em busca de consertar aquilo que tínhamos perdido por causa de nossa obsessão. Tivemos muitas discussões, boas brigas e várias sessões de sexo de reconciliação incríveis. Aos poucos, nosso casamento estava começando a voltar às boas graças.

Certa noite, Bella comentou se não estava na hora de abandonarmos Nova Iorque e voltarmos definitivamente pra Seattle, como sempre planejamos. Apesar de desejar muito isso, foi uma decisão difícil pra caralho para mim. Eu que sempre me orgulhava por ter conquistado um nome em um hospital renomado, acabaria vindo trabalhar do outro lado do país para ser praticamente "apadrinhado" pelo meu pai.

No entanto, nem precisei refletir tanto assim, afinal o que era algumas dezenas a menos em meu salário em troca da felicidade da mulher que eu venero?

Descobri que minha escolha foi mais do que certa.

Por fim, como Alice costumava dizer, nós dois tínhamos sobrevivido à crise dos sete anos de relacionamento. Não sei se essa merda era só coincidência ou realidade, mas o fato era que estávamos juntos e fortes outra vez.

Meus devaneios foram interrompidos por uma batida na porta. Mal tinha percebido que já passado cinco da tarde quando olhei de relance o relógio em meu pulso e balbuciei um "entre" para a pessoa do outro lado.

– Ainda por aqui? – Meu pai questionou enquanto entrava em meu consultório.

– Eu lhe faço a mesma pergunta, pai. Afinal de contas, você não se aposentou oficialmente mês passado? – rebati, erguendo minha sobrancelha.

Ele riu e veio se sentar a minha frente. – Tente passar 24 horas ao lado de sua mãe, para saber como eu me sinto. Juro, a idade está a deixando mais tagarela do que ela já é. Acredita que hoje de manhã ela me acordou apenas para perguntar o que vamos fazer no final de semana?

– Isso parece algo bem típico da mamãe.

Carlisle meneeou a cabeça antes de dizer – Seu velho precisa de um tempo, também. E, modéstia a parte, esse lugar é uma bagunça sem mim.

Mesmo que Carlisle tivesse oficialmente me passado o cargo de pediatra diarista do Swedish Medical Center, ele continuava trabalhando aqui fazendo parte do conselho administrativo do hospital. Ele sempre foi um homem muito ativo, todos nós sabíamos de que ele nunca conseguiria ficar parado depois dos sessenta e ficar somente curtindo os netos.

–Mamãe deve está furiosa com você. Vocês não estavam planejando fazer um cruzeiro ou algo assim? – perguntei, me certificando de desligar o computador do escritório.

–E vamos, em duas semanas. – resmungou, brincando com algum dos carrinhos coloridos que eu tinha em cima da mesa. – Esme só quer se certificar de algumas coisas antes de partimos para o Alaska e rever a maluca da sua tia Carmen.

– Que coisas?

Ele deu de ombros. – Você sabe, provavelmente alguma coisa do voluntariado dela. – e então, ele sorriu amplamente –Soube que você teve um tempo duro com Pauline hoje.

Eu bufei irritado, só de relembrar as birras dela. – Sério, seu filho mais velho é um retardado. Aquela garota me odeia e ele pede justamente para que eu a imunize.

Carlisle riu novamente e completou. – Não seja tão duro com a tadinha, Edward. Ela apenas uma garotinha.

– Ela é muito mimada, isso sim!

–E tem que ser. É a nossa única neta, por enquanto.

–É, tomara que Alice fique grávida o quanto antes de uma menina. – Retruquei de saco cheio, porque ninguém entendia que Pauline poderia se tornar uma verdadeira pestinha se continuasse agindo desse jeito.

–E porque Alice é a incumbida dessa missão? Bella pode muito bem carregar à próxima Cullen.

Senti meus ombros retesarem com esse comentário. – Sério, pai. Se isso era para ser engraçado, não teve a mínima graça. – Rebati incomodado com o comentário.

Carlisle pareceu confuso. – Hey, porque de tanta hostilidade? Eu não quis...

– Você sabe muito, pai que esse lance de ter filhos não é para mim. Já perdi há muito tempo qualquer esperança.

Carlisle me encarou por alguns segundos antes de virar o rosto, como se tivesse enfim compreendido. – Edward, eu não quis dizer desta forma. Eu

–Tudo bem, pai. Foi mal. – respondi, segurando forte a ponte do nariz. – É só que isso me frustra pra caralho. Não vai acontecer pra nós. Bella e eu já tentamos e isso quase nos separou. Então simples, nós desistimos.

Não o escutei se levantando, só de depois de alguns momentos pude sentir o aperto de sua mão em meu ombro. Encarei seu rosto envelhecido por um tempo, seus olhos parecendo estar em conflito enquanto me avaliavam. Por fim, ele respirou fundo e disse.

– Eu não vim aqui por isso. Na verdade, só passei para avisar que Esme quer vocês dois jantem lá em casa hoje. É possível?

– Claro, não é como se tivéssemos muito mais pra fazer. – murmurei, sentindo o sarcasmo escorrer pelas palavras.

– Edward, eu...

– Não tudo bem, pai. Desculpe, eu falo das birras da Pauline e estou agindo exatamente como ela. – expliquei-me levantando finalmente da cadeira. – Não falei com a Bella ainda, mas pode dizer para a mamãe que nós iremos. Aliás, aquelas duas andam tão juntas ultimamente que Renee começou a ficar com ciúmes. Tem ideia do porque disso?

Rápido demais, ele respondeu – Nenhuma. Nos vemos às sete?

–Tudo bem. Até mais, pai.

Tirei o estetoscópio do pescoço e sai da minha sala indo em direção ao estacionamento. Cumprimentei alguns outros colegas de trabalho em meu caminho, só chegando finalmente ao meu Volvo uns 10 minutos depois. O céu estava nublado como sempre e uma fina garoa caia sobre a cidade. Mesmo assim, não demorei muito até chegarmos ao bairro onde morávamos, no subúrbio de Seattle, mais ainda próximo a baía. Essa era mais uma entre tantas vantagens de ter voltado a morar aqui; por mais que a cidade fosse relativamente grande, nunca mais precisava enfrentar quilômetros de engarrafamento, ainda que fosse horário de pico.

Ao chegar a porta da nossa casa, vi que Bella já tinha estacionado seu veículo do lado de fora e (como sempre) muito afastado do meio fio da calçada. Rolei os olhos, ainda sem entender como é que aquela mulher tinha conseguido retirar sua carteira de habilitação.

Sério, nunca admitiria pessoalmente isso para ela, mas Isabella Cullen era uma motorista ruim pra cacete. Depois que ela arranhou pela terceira vez a pintura do meu carro ao tentar estacionar na garagem anexa a nossa casa, nós tínhamos chegado a um acordo onde somente eu poderia colocar seu Honda na outra vaga. O pior é que ela sequer tentou discutir; simplesmente deu de ombros e me entregou suas chaves, dizendo que eu era o melhor marido do mundo.

Já que sairíamos em poucas horas, não me importei em guardar o carro de Bella naquele exato instante. E eu duvidava que qualquer ladrão quisesse roubar um carro tão riscado e acabado quanto o dela.

Uma casa espaçosa e com quintal, dois carros – apesar que somente um deles estivesse na garagem... A única coisa que faltavam eram os dois filhos e meio, para vivermos o tão sonhado sonho americano.

A verdade é que ao escolhermos essa casa, nós tínhamos sim o intuito de enche-las de crianças. Depois que nos mudamos, Bella e eu conversamos bastante e decidimos entrar no processo de adoção. Chegamos até mesmo preencher alguma papelada para isso, porém após a primeira visita que fizemos a um orfanato nos arredores de Tacoma, tudo mudou.

Lá encontramos por volta de vinte e cinco crianças, umas ainda bebê e outras que já tinham um pouco mais do que três anos. Todas tão diferentes e com o mesmo laço em comum: o abandono. Elas eram adoráveis, lindas e carentes de algo que nós dois estávamos dispostos a oferecer, o amor por um filho.

No entanto, assim que saímos de lá, eu me surpreendi ao ver que Bella estava chorando.

O que foi, meu amor. – eu lhe perguntei, surpreso pela reação dela.

Desculpa, Edward. – ela retrucou, ao esconder seu rosto no vão do meus pescoço. – Mas eu não consigo fazer isso.

Abracei-a mais apertado ao mesmo tempo em que lhe perguntava– Fazer o quê, Bella? O qual é o problema.

Acho que não tenho emocional para isso. Esse é apenas a primeira visita e eu já estou surtando porque não posso levar todas elas para casa.

Eu sei, baby. Me sinto desse jeito também.

Então, ela se afastou minimamente e eu pude ver o misto de dor e determinação em seu olhar. – Não posso fazer isso, Edward. Eles são seres humanos, e eu me senti como se estivesse escolhendo um novo cachorrinho em um abrigo para animais. Me desculpa, Edward, mas eu não consigo!

Nós ainda estávamos da lista de adoção do Estado, entretanto, nenhuma das crianças encaminhadas até nós até agora parecia despertar aquela impressão de que era nossa, que apenas com um único olhar. Pela experiência que os outros pais adotivos nos contavam, era quase que mágico quando nós encontrávamos A Criança. E por mais que eu desejasse com todas as forças para que isso ocorresse o quanto antes, nós estávamos sem sorte até agora.

Da garagem, parti direto para a cozinha onde meu sorriso se ampliou assim que abri a porta, ao ouvir alguma música da Björk sendo acompanhada da voz estridente de minha mulher. Hoje, essa besteira tinha um significava muito mais para mim. Poder chegar na sala e escutar seu canto desafinado vindo do andar de cima, enquanto ela mantinha o laptop dela ligado no canto e um monte de post-its espalhados por todos os móveis era meu paraíso pessoal.

Subi as escadas com pressa, somente para poder vê-la o quanto antes e matar de vez esse sentimento de falta que ficava sempre em meu peito enquanto estávamos afastados. Ao chegar à porta do quarto, a vi cantarolando, vestida apenas com uma short curto e minha velha camiseta do Pearl Jam erguida na altura dos seios, enquanto ela admirava seu corpo no espelho.

–O que? Emagreceu ou engordou dessa vez? – Questionei brincalhão, caminhando rápido em sua direção para laçar sua cintura e aspirar o cheiro de seus cabelos.

Bella pareceu levemente assustada e se desvencilhou rapidamente do meu abraço. – Nem uma coisa nem outra, seu idiota. E a propósito, oi. – ela completou selando nossos lábios em um beijo rápido, uma, duas e uma terceira vez. – Como foi seu dia?

– Nada muito ruim... Só passei o dia inteiro cuidando de crianças resfriadas, pais mais dramáticos do que os vilões de suas novelas e pra completar tive que aturar a pirraça de minha própria sobrinha. Normal pra caralho, eu acho.

Escutei sua risada vinda do fundo do armário. – Amor, Pauline é só uma garotinha. E ela é um doce, o problema é que você não sabe lidar com ela.

– Eu não sei lidar com uma criança? – resmunguei irritado, tirando a camisa que vestia e jogando-a no chão. – Cara, eu sou pediatra há quase dez anos e por isso que estou dizendo que aquela pestinha não é normal. Ela deve ter alguma coisa maligna como aquela pirralha do Exorcista.

– Edward! Como você pode dizer isso da sua própria sobrinha?!

Eu bufei resignado. – Tá, eu só estava brincando. Mas a Pauline é demais, Bella. Quando ela tiver 14 anos e ninguém mais conseguir controlá-la não digam que não avisei.

Ela saiu do closet rolando os olhos, carregando nas mãos uma calça e uma camisa limpa para mim. – Edward para alguém de 34 anos você pode ser muito mais infantil do que ela.

– Pode até ser, mas você sabe que eu tenho razão.

– Sabe o que eu acho o que significa essa sua implicância toda sua?

– O quê?

Minha mulher abriu um amplo sorriso antes de responder. – Ciumes por não ser o titio favorito dela.

– Ah, tá. Com certeza, tudo o que eu mais queria era que Paulie vivesse me atazanando aqui em casa, como ela faz com os avos dela!

– Por falar nos avos dela, sua mãe ligou e...

Rolei os olhos. – Já sei, pediu para que fossemos jantar por lá.

– Bem, então é melhor você ir se arrumar logo. – ela murmurou e sorriu ao alisar minha bochecha. – Afinal, daqui que você consiga terminar de fazer a barba, nós só vamos chegar a tempo para a sobremesa.

– Tem certeza de que quer ir? – inquiri, erguendo uma sobrancelha. – Nós podíamos fazer coisas bem mais interessantes por aqui...

–Proposta tentadora... – ela murmurou, inclinando levemente seu pescoço para que eu o beijasse. – Mas não podemos fazer isso com a Esme.

– Eu posso ligar dizendo que você está doente. – sugeri, puxando seu corpo de encontro ao meu ao mesmo tempo em que ela erguia sua mão para agarrar minha nuca.

– Ela iria se preocupar, eu não quero fazer isso com ela.

– Porque ela iria ficar preocupada? Ela sabe que o filho dela é médico.

Bella retirou as mãos de meu pescoço e desceu-as até alcançar meu peito, onde me afastou devagar. – Não Edward, nós iremos sim. – e com um meio sorriso, completou – Quando chegarmos em casa nós podemos continuar com isso.

– Tem certeza, baby? Podemos...

– Edward? Não! Deus, e você ainda ousa dizer que não sabe de quem a Pauline puxou toda teimosia! – Ela disse exasperada, se soltando do meu abraço.
– Não é teimosia, sou apenas um cara de objetivos fixos. – me defendi, soltando o cinto e colocando-o em cima da cama. – Tem certeza de que não quer vir tomar banho comigo?

Bella sequer respondeu, e simplesmente colocou as mãos no quadril ao mesmo tempo que franzia a sobrancelha. Apesar dessa pose ser sexy pra cacete, eu meio que temia quando ela fazia isso. Portanto, resolvi me dar por derrotado e seguir direto para o banheiro, um tanto que frustrado por não poder nem sequer um aliviozinho antes de passar duas horas bancando o filho perfeito para a mamãe.

Quando estava prestes a entrar na suíte, Bella me chamou. – Ei, garotão!

Imediatamente, senti o sorriso crescer no meu rosto – O que? Mudou de ideia?

Ela somente apontou com seu queixo a minha camisa amontoada de todo jeito em cima do carpete. Eu ri e voltei até lá para pegar e colocá-la no cesto.

– Sabe como é, a gente acaba pegando alguns maus-hábitos dos outros. – Me justifiquei com um sorriso amarelo e logo em seguida ela deu um tapa na minha bunda e falou.

– Vai tomar banho Edward, ou então nós vamos chegar atrasados.

– Ok, patroa.

– Urgh! Não me chame desse apelido idiota!

– Tudo bem, chefinha.

Ela deu as costas e saiu furiosa do quarto, retrucando alguma merda que ela sempre dizia quando estava frustrada.

Um dia eu ainda escutaria essa porra direito.

[...]

Depois que sai do banheiro, barbeado e arrumado, desci as escadas já pronto para sairmos de casa. Mas ao chegar à sala, encontrei Bella ao lado do telefone, chorando compulsivamente.

Preocupado, me aproximei o mais rápido possível, minha mente criando diversos cenários cada um pior que o outro. – Bella, baby o que foi? Quem ligou? Aconteceu alguma coisa?

Ela enxugou as lágrimas, fungou alto e finalmente falou. – Lembra daquele cara da Time, James Hill?

– O filho da puta que ficou babando nos seus peitos durante o jantar que tivemos na semana passada?

Apesar de ela estar enxugando o canto dos olhos, eu percebi o ar de exasperação com minha pergunta. – Ele não estava fazendo isso, Edward.
– Eu lembro muito bem a direção dos olhos deles, baby. – resmunguei contrariado. – Mas o que é que tem o desgraçado?

– Ele acabou de ligar. – ela disse, com um enorme sorriso dividindo o seu rosto em forma de coração. – Disse que decidiram publicar minha matéria sobre o Império do Narcotráfico na Colômbia. Provavelmente na próxima edição. Eu consegui, Edward!

Não pude deixar de sorrir orgulhoso para minha garota. O cara podia ser um retardado, mas sabia reconhecer o talento de uma verdadeira jornalista. Bella vivia escrevendo matérias como freelance, mas até então nunca tinha conseguido algo próprio de grande circulação nacional. Já estava mais do que na hora desses filhos da puta reconhecerem o talento dela.

– Parabéns, baby! – disse com sorriso brotando facilmente em meu rosto. – Eu estou extremamente orgulhoso de você!

– Você sabe mais do que ninguém Edward o quando eu sempre quis isso. – Ela disse, fungando alto. – Todas aquelas malditas horas na faculdade, pós-graduação, pesquisar sobre a vida de riquinhos fúteis em Nova Iorque... Eu nunca, nunquinha mesmo pensei que poderia chegar até aqui, sabe?

– Shhh, baby. – sibilei, puxando-a para um abraço enquanto ela fungava ruidosamente. – Você devia está feliz, não chorar desse jeito!
– Eu sei, mas eu to tão, tão alegre que não consigo!

Bella sempre foi muito emotiva, no entanto, há alguns dias parece que os canais lacrimais dela tiveram alguma espécie de distúrbio e tudo poderia se transformar numa torrente de lágrimas. Certa noite cheguei em casa, só para encontrá-la de frente ao computador, chorando só porque tinha visto no Youtube um vídeo de um pinguim recebendo cócegas. A porcaria não tinha nada demais: só uma ave esquisita que fazia um barulho engraçado quando era acariciada na barriga. Mas isso foi o suficiente para fazer com que minha mulher visse aquela cena umas quinhentas vezes na mesma noite, dizendo que aquela era a coisa mais fofa que ela já tinha visto no mundo.

Talvez fosse a hora de convencer Bella a fazer uma consulta com sua ginecologista pelo bem da minha sanidade mental. Eu não sei até quanto eu poderia suportar mais essa TPM prolongada. Mesmo um marido legal como eu tinha limites.

– Nós devíamos comemorar, não ficar chorando aqui. – disse ao passar meus polegares abaixo dos seus olhos – Quer que eu cancele com meus pais? Nós podíamos sair ou ficar só aqui em casa.

– Não, vamos. Eu preciso contar isso pra Esme.

Franzi meu cenho e inquiri curioso. – Ok, o que diabos está acontecendo entre você e minha mãe?

Bella riu, secando as últimas lágrimas que tinham descido por sua face. – Nada, Edward. Não precisa ficar com ciuminho.

– Não estou com ciúmes. Só acho tudo isso muito estranho.

– Você está reclamando de boca cheia. – ela se defendeu. – Já imaginou se eu vivesse em pé de guerra com a Esme?

– Sei lá... Ela é sua sogra, então o mais normal era que eu chegasse em casa e te escutar falando mal dela.

Bella suspirou pesadamente e pegou sua bolsa para logo em seguida puxar minha mão, nos arrastando em direção a garagem – Deixa de falar besteira seu bobo e vamos logo porque eu não quero chegar tarde.

Revirei os olhos e segui atrás dela. – Tá, eu sei que você deve estar ansiosa para contar a novidade para a sogrinha.

Meus pais não viviam muito longe da nossa casa. Com menos de dez minutos dirigindo, nós finalmente chegamos a mansão onde eu tinha crescido. Apesar da fachada e do jardim serem os mesmos, minha mãe adorava mudar a decoração interna todos os anos. Esme sempre adorara decoração e era por isso que hoje em dia, meu antigo lar tinha um contraste muito bacana entre o novo e o moderno.

Assim que chegamos, Carlisle já nos esperava na sala vendo mais um episódio do Animal Planet. Sério, eu as vezes me perguntava se ele na verdade não sonhava em ser veterinário. Desde que eu me entendia por gente, meu pai via aquela porcaria, sem nunca ter perdido um episódio sequer. Ele mal nos cumprimentou quando entramos na sala, somente para não ter que desviar os olhos da cena muito sanguinária de um ataque de tubarão que passava no televisor.

Ao meu lado, escutei o som de um engasgo e quando virei o rosto na direção da minha mulher, Bella estava literalmente verde.

– Bella, você está bem?! – perguntei preocupado ao mesmo tempo em que assistia ela levar sua mão esquerda até a boca.

– Com licença. – ela pediu, e saiu apressada em direção ao banheiro no fundo do corredor.

Meu pai ao perceber finalmente o que se passava, levantou-se. – Droga. Desculpe, meu filho, eu não sabia que Bella era sensível.

– Geralmente ela não é.– retruquei intrigado. – Só me dê um minuto que eu vou vê-la.

Ele assentiu e no mesmo instante refiz o caminho que Bella tinha feito. Bati na porta levemente antes de verificar se a mesma estava trancada, o que não era o caso. – Bella, meu amor, eu vou entrar está bem? Ela não protestou e compreendi isso com um assentimento de sua parte. Abri a porta devagar e a encontrei sentada sobre o vaso, respirando profundamente.

– Você está bem? – perguntei assim que me agachei a sua frente.

– Sim. Eu tô bem melhor. – ela retrucou enquanto respirava profundamente. – Só foi todo aquele sangue, eu acho.

Eu ri, colocando uma mecha que escapara do seu rabo-de-cavalo atrás da orelha. – Vomitou?

Ela balançou a cabeça negativamente. – Não tinha nada pra colocar para fora, Edward. Acho que foi por causa da violência do ataque, talvez.

– Violência do ataque? Para uma garota que vê UFC, você está muito molenga.

– Eu não vejo UFC. – ela retrucou no mesmo instante. – Eu só faço companhia para o besta do meu marido, porque ele adora essas porcarias.

– E é por isso que ele ama você. – respondi colocando um leve beijo em sua testa.

Ajudei-a a levantar e quando estava se encaminhando para a pia, minha mãe apareceu no patamar, com a expressão mais preocupada do mundo gravada em sua face.

– Bella, querida, você está bem?

O rosto de minha esposa ficou vermelho intenso antes de ela responder baixinho. – Estou sim, Esme. Foi só um susto.

Ainda com o rosto franzido de preocupação, minha mãe acrescentou. – Precisa de alguma coisa? Algum remédio, um copo de água, um pouco de ar fresco?
Em resposta Bella apenas sorriu timidamente. – Obrigada, Esme, mas não precisa.

Minha mãe sorriu para ela, como se fosse normal alguma de suas noras passar mal dentro de sua casa. – Então eu só vou adiar o jantar por uns minutinhos, apenas para que você se recupere está bem?

Por incrível que pareça, Bella conseguiu ficar ainda mais corada do que o normal quando timidamente, ela retrucou de volta. – Na verdade, Esme, é que eu estou morrendo de fome.

Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, minha mãe sorriu amplamente. – Então vamos todos comer!

Esme deu as costas e voltou para a cozinha, como se nada tivesse acontecido. Intrigado, observei enquanto Bella jogava um pouco de água fria no rosto. Sem poder conter a preocupação não pude deixar em inquirir. – Você quer mesmo comer agora?

Ela deu de ombros. – Claro que sim! Você não esta sentindo esse cheiro delicioso que vem da cozinha?

– Tem certeza?

Ela assentiu, pegando minha mão e arrastando para fora do banheiro. – Absoluta.

– Sério, você deve tá com alguma coisa aí na barriga. Como uma solitária, por exemplo.

Pensei que ela fosse me dar um tapa ou no mínimo rolar os olhos, mas para minha surpresa ela apenas sorriu, entrelaçando com mais firmeza as nossas mãos já unidas. E isso só me empertigou ainda mais, afinal eu tinha me casado com uma mulher estranha, mas parecia que ultimamente, minha Bella estava estranha demais.

O episódio anterior foi logo esquecido assim que chegamos a sala de jantar e começamos a nossa refeição. Durante o jantar, a conversa fluiu com facilidade entre os quatro presentes ali na mesa. Bella anunciou sua publicação na Times, meu pai e eu trocamos algumas ideias sobre as novidades do mundo científico da pediatria e minha mãe ralhou com a insistência de meu pai continuar trabalhando no hospital.

No fim, Bella logo após dar a última garfada de seu prato, elogiou.– O risoto estava uma delícia, Esme.

Meu pai que reabastecia nossas taças com vinho, enfatizou as palavras de minha mulher. – Bella tem razão, querida. O jantar todo estava perfeito.
Minha mãe sorriu orgulhosa. Ela tentava disfarçar, mas todos sabiam o quanto ela gostava de ser admirada por seus dotes culinários.

– Obrigada, queridos. Eu fiz torta de amora pra sobremesa. Alguém aceita uma fatia?

Antes que alguém pudesse dizer alguma coisa, o estômago de Bella rosnou alto, fazendo-a corar. – Eu acho que vou querer bem mais que uma fatia, Esme.
–Algo me disse que você estaria muito afim de torta de amora, meu bem. – Minha mãe falou com um sorriso complacente.

– Que tipo de regime é esse, Bella? – perguntei sorrindo de canto. – Não bebe vinho, mas pode se acabar comendo uma bomba calórica como torta?

Bella tentou balbuciar alguma coisa, porém meu pai foi quem acabou a defendendo. – Edward, filho, eu pensei que depois de tanto tempo de casados você já tinha aprendido a nunca questionar uma mulher e suas dietas.

Voltei minha atenção para a minha mulher, esperando encontrar uma carranca feia em seu rosto, entretanto fiquei surpreso ao notar o pequeno sorriso que ela carregava ao olhar para meu pai. – Porque vocês não vão para a sala e eu levo a sobremesa? – Esme sugeriu gentilmente, pegando algumas travessas.
– Podem ir meninos. Eu fico para te ajudar, Esme. – Bella pediu, já se levantando para arrumar os pratos próximo a nós dois.

– Não, querida! Vá para a sala . Eu posso arrumar tudo sozinha.

– Eu faço questão, Esme.

– Nada disso, querida. – Esme enfatizou, tocando levemente no ombro de Bella. – Vá para a sala você também, mas nada de tubarões famintos por hoje.
– Sério Esme, eu prefiro ajudar.

– Não se preocupe com isso, meu bem. – Mas, Esme eu...

– Bella, se acostume. Você precisa muito paparicada pelos próximos seis meses.

Então, tudo pareceu acontecer ao mesmo tempo; Meu pai começou a tossir expelindo o pouco do líquido bordô que tinha na boca, Bella deixou cair no chão algum dos pratos de louça chinesa que tinha sido presente de casamento dos meus pais e Esme levou as mãos aos lábios, aparentemente chocada pelo o que tinha acabado de dizer.

Eu? Minha mente ficou em branco.

O que levaria minha mulher a ser tratada de forma diferente por minha mãe pelas próximas vinte e seis semanas? Esme sempre tratou a todos de forma justa, nunca foi muito de mimar pessoas, exceto seus netos ou quando alguma mulher da família ficava...
De repente, tudo veio como em um filme.

"– Vai por mim, cara. Em breve, você vai ver o quão sortudo era."

"– Bella pode muito bem carregar à próxima Cullen."

"– É só um enjoo, Edward. Devem ter sido os malditos rolinhos primavera que eu comi ontem à noite."

" – Pode trazer alguns macarons daquela delicatessen pra mim?"

Bella admirando seu corpo na frente do espelho. Deixando de subir as escadas correndo, sempre segurando no corrimão. As crises inexplicáveis de choro. A vontade repentina de vomitar. Não bebendo vinho durante o jantar...

Será que tudo significa que minha mulher está.

– Porque eu sempre sou a última a saber? – A voz de Alice explodiu lá da sala, o clique de seus saltos ecoando pelo ladrilho. – Até o Emmett já sabe! Será que ninguém nunca ia me contar que minha cunhada finalmente vai ter um bebê? Por acaso eu deixei de ser da família ou... Ah, merda!
As divagações de minha irmã pararam exatamente quando ela entrou na sala, soltando a mão de seu filho mais velho Taylor para cobrir seus lábios, exatamente como minha mãe tinha feito momentos antes.

– Baby... – Eu balbuciei ainda meio incoerente. – Você está grávida?

Bella assentiu levemente, seu lábio inferior tremendo. – Dez semanas. Eu ia te contar no próximo sábado, como presente de aniversário de casamento.
Finalmente, depois de quase quatro anos cheios de tanto sofrimento, nós tínhamos conseguido. Enfim, eu iria poder ver a barriga de Bella crescer, carregando o resultado do que um sentia pelo outro.

O nascimento, os choros fora de hora durante a madrugada, os primeiros passos, as primeiras palavras, o primeiro dia no jardim de infância, o primeiras travessuras... Porra, agora tínhamos deixado de ser meros expectadores dessa felicidade ao ver nossa família e amigos criando frutos.
Tinha chegado nossa hora. Agora, nós dois seriamos pais.

– Edward? – Meu pai perguntou, indo até Alice e tirando o pequeno Shade do seu colo. – Você está bem?

– Eu? EU TÔ BEM PRA CARALHO! PUTA QUE PARIU, BELLA, EU VOU SER PAI! – gritei o mais alto que pude, sorrindo ao ponto de doer ao me levantar e varrer minha mulher em meus braços, ignorando os cacos de louça que estavam no chão.

Sem me importar com nada nem com ninguém que estivesse ao nosso redor, eu segurei seu rosto corado com minhas mãos e colei nossas bocas em um beijo profundo, daqueles que só nos dávamos direito a compartilhar quando estávamos a sós.

Ficamos tão concentrados naquele ato que quase não escutamos a pergunta que o Taylor fez para Alice.

Quase.

– Mamãe, o que é caralho?

[...]

Não demoramos muito mais na casa dos meus pais depois que eu descobri que seria pai. Não sei se foi pelo fato de minha mãe estar ressentida consigo mesma, pedindo desculpas a Bella a todo o momento. Se foi por que, de repente, minha esposa parecia ainda mais gostosa pra mim e eu estava louco de tesão por ela ou se a verdadeira razão seria o olhar maligno de minha irmã Alice, que me encarava com ira sempre que Shade, de apenas 20 meses dizia em alto e bom som a nova palavra aprendida: calalio.

O fato foi que assim que minha mulher deu a última garfada na sobremesa, eu a arrastei de volta para o Honda, sem sequer nos despedirmos direito do resto de minha família. Percebi que Bella estava meio que tensa assim que entrou no carro, no entanto, nem procurei saber o motivo disto antes de puxá-la em minha direção para roubar outro beijo que tirou o nosso fôlego.

O caminho até a nossa casa foi uma verdadeira tortura; tudo o que mais queria era pisar fundo no acelerador e chegarmos o quanto antes, entretanto, tinha que manter em mente que agora eu estava conduzindo as duas pessoas mais importantes de minha vida. Meu senso protetor falou mais alto e por mais que estivesse louco para atacar a Bella, tentei ser o mais responsável possível enquanto dirigia.

Por fim, assim que chegamos em casa (e dessa vez, colocando o carro dela de todo jeito dentro da garagem) a primeira coisa que fiz foi arrancar a roupa de minha mulher, deixando um rastro de casacos, camisas, jeans e roupas íntimas que parava na porta do quarto. Eu até que tentei ser um pouco mais cuidadoso, já que ela tinha em seu ventre a carga mais preciosa do mundo para mim, mas seus gemidos roucos e o aperto intenso de suas mãos em minha bunda fizeram com que eu jogasse o cuidado ao vento.

E no mais, eu não sei até quando eu poderia foder minha mulher, uma vez que em poucos meses, haveria uma bola de basquete entre nós dois em nossa cama

Agora, estávamos ambos ainda nus, suados e exaustos, mas nem um dos dois tinha vontade de nos desvencilhar daquele abraço estranho que nos encontrávamos. Meus braços circundavam o quadril dela e minha cabeça pousava em sua barriga, a qual enfim, percebi que estava um pouco maior e mais retesada do que o normal. Meu lado profissional, aquele que acompanhou várias mulheres grávidas durante seu período de estagiário nos primeiros anos de carreira, se considerava um idiota por não ter percebido tudo isso antes.

Mas eu estava feliz pra caralho para ficar com raiva desses detalhes .

Bella que mantinha-se acariciando meu cabelo, arrastando suas unhas levemente na minha nuca do nada quebrou o silêncio – Edward?

– Hmm?

– Jura que você não está com raiva por ter sido o último a descobrir?

– Baby, eu pareço alguém com raiva? Sério, eu acho que nem se a Terceira Guerra Mundial começasse hoje, nada arruinaria isso. – eu falei, arrastando minha mão por seu abdômen para logo em seguida deixar um beijo na altura do seu umbigo.

– Mas o que eu fiz foi injusto. Tipo, todo mundo já sabia que nos teríamos um bebê menos você, o próprio pai.

– Você queria me fazer uma surpresa, baby.

– Mesmo assim... Devia ter te falado primeiro.

Dei de ombros e voltei a acariciar lentamente a extensão de sua barriga. – Bella, eu nem acreditava mais que poderia ser pai algum dia. Como eu poderia ficar chateado por você está carregando um milagre? Nosso pequeno milagre.

O sorriso que ela me lançou em resposta foi doce – Obrigada, Edward. Essa compreensão toda só mostra o quanto você vai ser um pai perfeito pro nosso bebê.

Eu tive que fungar para segurar as lágrimas naquele momento. Acho que aos poucos a ficha de que eu realmente teria uma criança em meu colo em poucos meses estava começando a cair.

– Sabe, A mamãe pensou que você ia pirar por eu não ter te contado antes. – Bella sibilou, enquanto fazia um cafuné no meu cabelo bagunçado.

– Renee e Charlie também já sabem?

Ela meneou a cabeça levemente, mordendo seu lábio inferior. – Na verdade, ela até veio aqui na semana passada para minha primeira ultrassonografia. Foi hilário ela entrando no hospital com uma jaqueta horrorosa e um óculos de sol enorme no rosto, só para que você não a reconhecesse.

– Peraí, você já fez até um ultra? Lá no hospital onde eu trabalho? Porra, como diabos eu não fiquei sabendo disso?!

– Vantagens de ser nora do ex diretor-chefe do hospital. – Ela disse, se inclinando um pouco seu corpo em direção ao criado-mudo.

Ela ligou o abajur e retirou um pequeno papel preto e branco dali – Aqui, essa é o oficialmente a primeira foto de seu filho, Dr. Cullen. Ela me passou a imagem e eu pude admirar aquele ser minúsculo, que se eu não tivesse passado alguns anos dentro de uma faculdade de medicina, não conseguiria nem distinguir a cabeça dos pés.

Senti finalmente as lágrimas vindo aos meus olhos, como se aquilo fosse a prova concreta que eu precisava para crer que por fim, nossa família iria aumentar. – Ela é linda, Bella. – Eu conclui, passando a mão pelo meu rosto já molhado.

Ela? Amor, não sou médica, mas até eu sei que não dá pra distinguir nada ainda. Vamos ter que esperar mais um pouquinho.

Balancei a cabeça, e falei confiante. – Eu sei que é uma menina, baby. A garotinha do papai!

– Edward, sinceramente? Nós passamos quatro anos para conseguirmos isso. Eu não me importo com o que seja, contanto que seja saudável pra mim está mais que perfeito.

Rolei meus olhos e a puxei de volta para mim. – Eu também, não me importo. Mas eu sei que é uma menina.

– Como você pode ter tanta certeza?

Dei de ombros. – Instinto paterno, eu acho. –

Bella estava prestes a falar alguma coisas, mas a impedi colocando meus dedos sobre seus lábios. – Além do mais, já está mais do que na hora de alguém derrubar o posto de rainha da família de Pauline.

– Pelo amor de Deus, Edward! – ela falou exasperada – É essa sua mentalidade de pai ao se trocar com uma menina que sequer está na pré-escola ainda?

– Mas eu tô falando sério, Bella. Mal posso esperar pra ver a cara daquela pestinha quando descobri que ela não será mais a única neta.

– Caramba, não sei por que eu quis tanto uma criança, já que aparentemente eu convivo com uma!

Eu devia estar enganado quando afirmei que nada me excitava mais do que minha mulher grávida. Eu tinha que mencionar que Bella grávida e puta da vida era melhor do que qualquer afrodisíaco já inventado pela humanidade. Rolei nossos corpos para que eu pudesse pairar sobre ela e atacar seu pescoço com meus lábios e dentes.

– Edward.,. – ela meio que gemeu meu nome, provocando uma reação automática no companheiro entre minhas pernas. Qualquer discussão sobre o sexo do nosso bebê ou sobre a minha verdadeira idade mental foi esquecida assim que ela cruzou seus braços sobre meu corpo, fincando suas unhas curtas nas minhas costas.

– Baby, em duas semanas você vai entrar no segundo trimestre, certo? – Eu perguntei, descendo beijos até atingir o topo de seus seios.

– Sim... isso mesmo. – Ela meio que grunhiu baixo.

Segundo semestre, conhecido pela loucura dos hormônios onde tudo em que as mulheres grávidas conseguiam pensar era sexo e mais sexo... Eu era um tremendo de um sortudo mesmo!

– Então... – Eu sibilei, mordiscando seu mamilo enrijecido para depois soprar meu hálito levemente sobre ele. – Isso significa que nós temos até novembro para aproveitar, antes que Lizzie chegue até aqui.

Lizzie? Edward, eu não sei se é uma...

Interrompi suas palavras com meus lábios urgentes e nada mais foi discutido depois disso.

Mas que amanhã, que Titio Edwood faria questão de ligar para a adorada sobrinha Pauline, ah ele faria!


Bem, como algumas de vocês já sabem, essa fic é absolutamente drama free. No entanto, não existe um enredo certo, apenas cenas que possam acontecer entre Bella, Edward e os Cullen. Por isso não se assustem quando houver pulos no tempo ou voltas ao passado, tá bem?

Para quem já leu a versão antiga, vou avisando irão existir capítulos novos (acho que mais dois, além daqueles que já postei antes), mas nada fixo por enquanto: assim que puder, vou atualizando as coisas por aqui também.

Ah, já viram que eu tenho coisas nova? Uma shortfic de um Edward meio que valentão e uma enfermeirazinha chamada Isabella. O nome é Risin´Up To The Challenge e o primeiro capítulo já está online no meu perfil. Espero vocês por lá também!

Por favor, reviews são o sazon da minha comida!

Bjos

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