***NÃO SE ASSUSTEM! - digo eu, entre as teias de aranha, poeira, a peruca do Valderrama e resto das caxirolas que sobraram da Copa.***

Bem, antes de mais nada (re)posto esse capítulo aqui porque eu amo demais essa fic! E também, é uma forma de avisar que não pretendo desisti de escrever, por mais trabalho que se dê fazer isso na vida adulta!

Bem, não sei se todos lembram, mas algo muito importante aconteceu no primeiro Thanksgiving desse Dudu e dessa Bellinha. E como a data é mais que sugestiva, resolvi colocar no ar outra vez esse capítulo tão importante para esse casal.

E já que hoje é dia de agradecer, de antemão sou grata a todas vocês pela paciência e carinho com essa autora fuleira! Obrigada pelo carinho de sempre, mesmo com 1 ano sem postagem! (se esconde)

No mais, espero que vocês curtam os novos detalhes dessa estorinha!

Boa leitura!


Não sei se as coisas acontecem assim para todo mundo, mas é engraçado perceber como a vida, de repente, pode dar uma guinada completa naquilo que estamos tão acostumados. Eu pensava que esse tipo de "virada" só acontecia em filmes bobos que passam na TV ou quando se ganha na loteria, porém,aqui estava eu, vivenciando uma situação que há seis meses atrás consideraria impossível acontecer: dormindo agarrada com um homem seminu em meu quarto.

Nunca esteve nos meus objetivos conhecer alguém e acabar me apaixonando. Vim para Nova Iorque apenas com o intuito de estudar e trabalhar, e em momento algum previ uma distração para os meus planos. Porém, o destino havia aprontado das suas, e agora, eu era mais uma daquelas garotinhas bobas que vivia suspirando pelos cantos, com um sorriso bobo na face e que o coração acelerava apenas em ver o nome dele no visor do meu telefone.

Por mais estranho que pareça, Edward e eu continuávamos firmes desde a noite do nosso primeiro encontro e, mais incrível ainda era que a cada dia que passávamos juntos, me via mais e mais apaixonada. Ele era exatamente o que eu procurava em um namorado, mesmo que não estivesse procurando um relacionamento. Engraçado, gentil, carinhoso... Edward tinha fisgado meu coração de tal forma que chegava até a me assustar algumas vezes.

Não que achasse que ele estivesse brincando com meus sentimentos; apesar de agir como um bobo idiota em alguns momentos, Edward já havia demonstrado que nossa relação não era simplesmente um passatempo, e que gostava de verdade de mim. Mas, mesmo assim, eu não podia deixar de questionar a razão de ele ter me escolhido, quando existiam centenas de garotas mais bonitas e mais interessantes do que eu a disposição dele.

Sim, eu era mesmo uma mulher insegura, mas quem não ficaria quando se é a namorada do médico bonitão que era objeto de desejo de 10 entre 10 enfermeiras do hospital onde ele trabalhava? E isso sem mencionar a ascensorista do prédio dele, a garçonete da Starbucks aqui perto de casa, a outra estagiária que escrevia comigo no Daily... até a desgraçada da minha colega de quarto, a russa maldita chamada Irina... Era concorrência demais para lidar, uma vez que todas pareciam desejar Edward Cullen.

O pior disso é que nas vezes em que tinha comentado isso com ele, Edward simplesmente rolou os olhos, me aconchegou em seus braços e me chamou de boba ciumenta, antes de me puxar para um beijo de tirar o fôlego. E sinceramente, não restava muita coerência em meu cérebro depois que ele fazia algo parecido com isso...

Mesmo que já estivesse desperta há algum tempo, não queria me desvencilhar daquele abraço gostoso em que me encontrava. Mesmo com o pouquíssimo espaço da minha cama de solteiro, nunca aquele lugar pareceu tão confortável como agora, quando nossas pernas estavam emboladas umas nas outras e o ressonar suave da respiração dele fazia cócegas em minha nuca. Naquele momento, eu duvidava muito que pudesse existir algo melhor do que acordar ao lado de quem a gente ama.

Se bem que eu sabia que existia algo bem mais íntimo e prazeroso do que aquilo...

Aos poucos, sexo vinha deixando de ser um tabu para mim e tudo isso graças à paciência infinita do meu namorado. Durante esses quase quatro meses, eu descobri ao lado de Edward, o quão bom poderiam ser os beijos, toques e carícias; como poderiam me levar a níveis de prazer que só imaginava existir em livrinhos de romance comprados em banca de jornal. Com a ajuda dele, eu tinha superado os traumas que eu tinha vivido anos atrás naquela ruela de Port Angeles.

O início não foi fácil para nenhum de nós dois; Edward era como qualquer outro cara e obviamente, esperava mais de nosso lance desde o principio. Eu meio que fugia um pouco quando os amassos tendiam a esquentar, pelo medo incabível de que ele pudesse de alguma forma me machucar. Mas aí, em uma atitude mais que romântica, Edward tinha reservado um quarto no Four Seasson para nós dois. Só que ao invés de termos uma noite inesquecível, eu passei pelo meu pior pesadelo quando me vi encurralada e tive que lhe dizer o que eu havia passado no pior dia de minha adolescência.

Quando paramos em frente ao hotel e me dei conta das intenções de Edward ao me fazer essa surpresa, percebi que já era hora de contar a ele sobre aquela noite que mudou de vez a minha vida. Ainda dentro do carro, me expus completamente, tendo que falar para alguém que ainda era praticamente um estranho, a experiência terrível que poderia ter se tornado trágica, se não fosse por meu próprio instinto de sobrevivência aflorado. Edward escutou tudo com atenção, segurando minha mão enquanto seus olhos transpareciam uma montanha-russa de emoções a cada novo fato que eu lhe dizia. As visitas à terapeuta, meu medo de me relacionar durante a faculdade... Apesar de estar completamente vestida, nunca me senti tão nua como naquela noite.

Eu jurei que nosso breve romance teria acabado ali. Ele cancelou a reserva e me deixou na porta do meu apartamento e, com um beijo na testa havia se despedido. Passei o resto daquela noite chorando, o tempo todo sentindo meu coração em pedacinhos porque acreditava que nunca mais veria Edward, afinal, qual era o homem que suportaria uma garota tão cheia de carga emocional negativa como eu? Porém, no dia seguinte, lá estava ele outra vez, com um buquê de flores e meu sorriso torto favorito, agindo e falando como se nada demais tivesse acontecido.

Acho que foi nesse momento que eu comecei a amá-lo de verdade.

Foi por conta dele que eu resolvi superar os meus temores e me permiti começar a aproveitar um relacionamento como qualquer outra garota de vinte e três anos. Não vou dizer que foi simples; voltei a procurar uma psicóloga e a aprender a ter confiança em mim mesma, só assim eu consegui exorcizar grande parte dos fantasmas que me perseguiam desde o final da minha adolescência. Aos trancos e barrancos eu vinha superando meus receios e acho que hoje eu poderia dizer que estava preparada para chegar aos finalmentes.

Porém, quem vinha agora sendo receoso quando a isso, era Edward. Quando eu lhe contei que me sentia pronta para transar, há duas semanas atrás, meu namorado cismou em dizer que nossa primeira noite teria que ser especial. Tal afirmação só fez com que eu me sentisse mais e mais frustrada, achando uma enorme idiotice que ele pudesse estar "atrasando" uma coisa que deveria ter começado faz tempo. Eu tentei questionar, reclamar, brigar, entretanto, nada disso pareceu funcionar direito. Edward estava irredutível e nada que eu dissesse poderia mudar a opinião dele.

Então,agora só me restava esperar. E o pior é que eu não tinha muita paciência.

Holiday na versão original de 1983 começou a tocar no despertador do meucelular, me tirando de meus devaneios. Eu tinha escolhido essa música especialmente para a ocasião, já que em poucas horas, Edward e eu estaríamos voando de volta para Washington, para passarmos o feriado de Ação de Graças. Seria a primeira vez que eu levaria um namorado para casa, em Forks e minha mãe estava mais do que empolgada para conhecer o cara que havia roubado meu coração. Porém, meu estômago se retorcia em nós só de lembrar que Edward faria a mesma coisa comigo; me apresentar ao restante do famoso clã Cullen em Seattle.

Não demorou muito até ouvir Edward reclamando por conta do barulho do refrão da canção que ressoava alto entre as paredes de meu minúsculo quarto. Ele me puxou mais apertado contra o seu corpo ao mesmo tempo em que enterrava seu rosto no meu cabelo, murmurando coisas incoerentes. Eu sorri e virei-me em seu abraço para começar a brincar com seus cabelos, que estavam mais confusos do que o habitual. Aos poucos, ele abriu seus olhos de esmeralda inflamados de vermelho nas bordas e seu rosto se franziu provavelmente mal humorado por ter seu sono interrompido.

– Bom dia, dorminhoco. – eu sussurrei, sem parar meus afagos contra seu cabelo macio.

Ele fez uma careta, mas se manteve com os olhos fechados – Porra, Bella como é que você acorda com uma porcaria dessas tocando nessas alturas?

Automaticamente meu sorriso caiu e sem um pingo de remorso dei um tapa em seu ombro - Não ouse falar mal da Madonna de novo !

– Aí cacete, amor! – Ele resmungou, esfregando a palma da mão onde eu tinha acabado de bater. – Só tô falando a verdade, ué! Nenhum macho que se preze merece ser acordado por uma música gay como essa!

Apesar da minha cama não me permitir muito, me afastei dele e cruzei os braços sobre o peito. – Eu não sei por que você tem tanta implicância com a Madonna! Por acaso você tem noção do quanto essa mulher influenciou o cenário musical nos últimos anos?

– Claro que sei! Britney, Aguilera... graças a essa velha, hoje existem muito mais dessas porras que cantam gemendo. Todas farinha do mesmo saco.

Grunhi de raiva e dei um empurrão nele, com a intenção de derrubá-lo da cama, no entanto meus esforços foram em vão. Edward apenas gargalhou alto da minha ira, me puxando de volta para ele e rolando até que seu corpo pairasse sobre o meu.

– Alguém já te disse que sua revolta é adorável? – Ele perguntou, na medida em que afastava algumas mechas de cabelo que estavam espalhadas sobre o meu rosto.

Franzi meus lábios e tive raiva de mim mesma por minha resistência ser tão fraca ao ponto de não conseguir ficar zangada o suficiente. – Você faz isso de propósito só para me irritar.

– Eu não tenho culpa se você fica sexy pra caralho toda enfezadinha.– Ele retrucou com seu melhor sorriso torto antes de se inclinar e juntar seus lábios aos meus.

Era em momentos assim que eu ansiava em dizer para ele aquilo que já tinha certeza há tanto tempo. Estava louca para dizer para ele aquelas três palavrinhas que quando unidas, poderiam significar tanto, no entanto, ainda tinha medo de que isso pudesse estragar alguma coisa. Sabia que Edward gostava de mim, mas amar era algo totalmente diferente, por isso, preferia continuar sendo covarde e guardar esse sentimento para mim mesma. Pelo menos por enquanto.

A língua de Edward pediu passagem entre meus lábios e eu lhe permiti o acesso, não importando a mínima para o fato de não ter escovado meus dentes ainda. Nossas bocas coladas travavam uma deliciosa batalha, onde nenhum dos dois sairia perdedor naquela guerra. Minhas mãos foram rápidas ao buscar suas costas, tocando a pele lisa, quente e cheia de sardas, subindo até seus ombros onde cravei minhas unhas curtas. Ele gemeu e aquele som fez com que uma descarga elétrica percorresse toda a minha espinha, me deixando trêmula em seus braços.

Ele puxou meu lábio inferior entre os dentes antes de descer com seus beijos pelo meu pescoço e encontrar um ponto sensível um pouco abaixo da minha orelha. Arfei alto e ergui uma de minhas pernas para me enroscar em seu quadril, procurando um melhor encaixe para nossos corpos. Bastou aquele mero contato para saber que Edward estava tão afetado quanto eu.

No entanto, para minha completa frustração Edward foi desacelerando o ritmo até que tudo o que restou foram apenas alguns selinhos em meus lábios e então ele se afastou totalmente. Franzi meus lábios em um biquinho ao mesmo tempo em que ele desengatava minha perna de seu corpo e deixava mais um beijo em minha testa.

– Se continuarmos desse jeito, nós vamos perder o avião. Sem contar que você sabe muito bem como estão os aeroportos nessa época do ano. – Ele comentou, saindo da cama e pegando o jeans apoiado na cadeira do computador.

Eu bufei, cruzando os braços sobre o meu peito – Você parece que só sabe provocar.

Edward riu, vestindo rapidamente sua calça e pegando alguns objetos na mochila que ele tinha deixado separada desde ontem. – Isso também não é fácil pra mim, amor. Só estou te pedindo um pouquinho mais de paciência.

– Eu já não te fiz esperar o suficiente? – perguntei num tom de brincadeira, mas realmente querendo dizer aquilo.

Ele me olhou de uma maneira tão ardente que devia ser proibido e se aproximou novamente da cama, abaixando os lábios para sussurrar ao meu ouvido. – Eu quero que nossa primeira noite seja especial para nós dois, Bella. Eu vou fazer essa demora valer a pena.

Tomei uma respiração profunda quando ele se afastou, sentindo todo o meu corpo em chamas com aquela simples afirmação proferida por ele. Edward se afastou com um sorriso presunçoso enquanto caminhava lentamente até a porta do quarto e só a distância permitiu que eu pensasse de forma coerente.

Ele já estava alcançando a maçaneta quando eu dei por mim do que esta prestes a acontecer. - Ei! - Gritei ao dar um pulo da cama e em uma rara demostração de agilidade, corri até chegar à porta antes que Edward saísse. - Vista a camisa.

– Hmm?

Rolei os olhos e fechei a porta que já estava entreaberta. – Eu tô te pedindo para vestir a camisa.

O cenho dele se franziu e ele me encarou como se eu fosse maluca. – Por que?

– Irina está em casa. – eu expliquei enquanto ia buscar a camisa que ele havia deixado dobrada ao lado do meu armário – Eu não quero aquela vadia da Sibéria babando por algo que é meu.

Seu, é?

Rolei os olhos e empurrei o tecido no peito dele. – Você sabe o que eu quis dizer. Agora, veste logo isso.

– Ok, patroa.

– Hãn? Do que foi que você acabou de me chamar?

Ele vestiu a camisa e começou a abotoar alguns botões à medida que me respondia – Você sabe que é toda mandona mesmo. Como é que você queria que eu te chamasse? Docinho?

– Eu não sou mandona!

– È claro que é.

– Quando é que eu mando em você?

Ele deu de ombros, enquanto finalmente colocava a peça de roupa. – O tempo todo.

– Isso é um absurdo, Edward!

– Não, é sério, Bella. Eu acho que você mais mandona do que meu próprio chefe. E eu, como seu eterno escravo faço tudo o que você quer. – ele balbuciou, e depois completou ao lançar um sorriso diabólico – Sem contar que eu acho que combina com você: patroa.

– Isso é brega, Edward! E grosseiro, ridículo, sexista, sem criatividade e estúpido!

Seu sorriso aumentou exponencialmente – Eu não acho. Sem contar que eu gostei de te chamar de patroa.

– Sem essa de patroa! – eu revidei enfática.

– Por que não?

Pus minhas mãos na cintura, em uma posição defensiva. Não podia acreditar que depois de tanto tempo juntos, ele fosse inventar de colocar esse apelido ridículo em mim. Sem contar que estávamos um pouco crescidinhos para colocarmos apelidos estúpidos um no outro. E quanto mais algo tão feio e nojento como... patroa.

– Porque não e pronto! Agora anda, vá se arrumar porque eu ainda quero passar na padaria e comprar alguns donuts pra gente.

Edward riu baixinho, pegando a toalha que estava pendurada atrás da porta, me deu um último beijo e saiu do quarto. No entanto, antes de fechar totalmente a porta, ele colocou a cabeça no vão e me inquiriu – E que tal se eu te chamasse de chefinha?

No mesmo instante, peguei a coisa mais próxima do meu alcance, que era um short, e joguei na direção dele. Mas, para o meu azar e sorte dele, o imbecíl foi mais rápido e conseguiu fechar a porta antes que batesse dele. Escutei sua risada alta ressoar através do corredor e eu mesma não resisti e acabei sorrindo também. Esse espírito brincalhão, doce e provocante do meu namorado fez com que eu me apaixonasse a cada dia mais por ele.

Eu podia ter sido insegura durante o inicio dessa relação, só que hoje, Edward tinha conquistado a confiança que nem eu mesma sabia que precisava. Com sua paciência, carinho e compreensão, aos poucos ele havia me transformado em uma garota normal outra vez. E o que eu mais queria a partir de agora era viver tudo,deixando que a paixão dominasse nossos instintos. Eu ansiava poder me entregar de corpo e alma para ele, mas eu respeitava a decisão dele de esperar um pouco mais, afinal, esse seria intimo e que seria outro divisor de águas em nosso relacionamento.

Eu só não sei até quando eu poderia resistir.

[...]

Nossa ida para o estado de Washington foi infernal, como seria qualquer viagem alguns dias antes de um grande feriado. Aeroportos lotados, empurra-empurra, mal atendimento no check-in... Se eu não tivesse comprado essas passagens há tanto tempo, com certeza eu não iria me arriscar a voltar para a casa dos meus pais, na cidadezinha de Forks.

Para completar, Edward e eu não conseguimos assentos lado a lado, devido ao fato de termos comprado as passagens em datas separadas. Nós bem que tentamos convencer o velho gordinho mal-humorado a trocar de lugar com ele, no entanto, o senhor estava irredutível em sair do assento no corredor. Eu só pude sorri de lado para Edward, que caminhava de volta para seu lugar, três poltronas a frente da minha, encarando mortalmente o pobre velhinho.

Aproveitei o voo tranquilo para me atualizar em alguns artigos e publicações acerca do meu trabalho. Meu estágio não era exatamente o que eu esperava, mas o tempo todo eu lembrava que estava ganhando experiência dentro de uma redação de verdade. O dia-a-dia de uma jornalista era bastante corrido, sem contar que eu ainda tinhas as aulas de pós-graduação na Columbia. E com tão pouco tempo para dividir entre namorado, faculdade e trabalho, minha alimentação se resumia a Big-Macs e Whoppers entre cada atividade. Lógico que Edward sendo médico, vivia falando besteiras como a de que eu iria morrer por conta de veia entupida com menos de 35 anos, no entanto, eu não me importava nem um pouco com isso. Cheguei a um ponto onde eu podia apostar que ficaria tremendo se acaso não tivesse minha dose diária de colesterol.

Depois de uma rápida escala em Dakota do Norte, nosso voo de quase seis horas finalmente chegou em Port Angeles, o aeroporto mais próximo à minha minúscula cidade natal. Depois de tanto tempo separados, Edward e eu finalmente saímos de mãos dadas da aeronave, tendo que ouvi-lo resmungar até chegarmos à esteira barulhenta onde pegaríamos nossas bagagens.

– Ainda acho que aquele monte de gordura ambulante poderia ter sido um pouco mais gentil. Porra, será que o espírito de bondade do feriado não o influenciou só um pouquinho? – Ele retrucou, colocando minha mochila nas costas enquanto arrastava sua mala.

– Ele estava no direito dele, Edward.

– Que seja, mas ele poderia ter sido menos estúpido.

Eu ri e abracei sua cintura, desfrutando da oportunidade de finalmente estarmos próximos outra vez. – O que importa é que estamos juntos agora.

De repente, Edward parou no meio do saguão. – Bem, agora eu posso fazer uma coisa que quero sem ter ninguém para me impedir.

Senti minhas sobrancelhas se cruzando em frustração – O que?

– Isso. – Ele segurou meu rosto entre suas mãos enormes e inclinou-se para juntar seus lábios aos meus.

E não foi um beijo qualquer; Edward sorveu minha boca em um contato tão íntimo, que só nos permitíamos quando estávamos a sós, não em público como naquele momento. Porém, não achei motivos em mim para me sentir constrangida por conta disso, pelo contrário; levei uma de minhas mãos até sua nuca e puxei-o ainda mais próximo de mim. Edward gemeu e desceu suas mãos até minha cintura, me apertando mais forte contra ele.

Eu estava tão perdida com o beijo dele que quase não escutei alguém limpando a garganta ao meu lado.

– Então, que dizer que esse aí é o doutorzinho?

No mesmo instante, me afastei de Edward e me virei em direção àquela voz grossa mas tão cheia de carinho. Senti meus lábios ainda inchados subirem em um sorriso ao ver aquele homem de bigode farto, fardado com uniforme de policial e usando o seu distintivo de Xerife completamente polido. Seu porte alto e forte como um touro chamava atenção no meio do pequeno aeroporto, mas eu sabia que seu coração era mais mole do que uma geleia.

– Pai!

Charlie abriu um sorriso e eu me aprecei para envolvê-lo em um abraço apertado. Eu não via meu pai desde que eu tinha me mudado para o outro lado do país e estava morrendo de saudades dele. Por mais que tivesse saído de casa quando fui estudar em Seattle, eu sempre fui muito ligada à minha família e por isso, passava todos os finais de semana ao lado de meus pais. Então, sendo a única filhinha deles, passar sete meses inteiros sem vê-los, parecia muito, muito tempo.

– Ei, Bells! – Charlie sibilou, dando um beijo no topo da minha cabeça. – Como você está, garota?

– Eu estou ótima, papai.

Ele retorceu seu bigode, e percebi que ele queria esconder um sorriso. – É, eu vi. Tanto que já se acha grandinha o suficiente para beijar seu namorado bem na frente do seu velho aqui.

Mesmo sentindo minhas bochechas quentes, eu não evitei que um sorriso brotasse em meu rosto. Eu nunca tive um namoro sério antes, por isso eu não tinha ideia de qual era a opinião dele sobre o fato de trazer um homem para nossa casa durante o feriado.

Pigarrei, com o intuito de tomar coragem para fazer as apresentações. – Papai, eu quero que você conheça, Edward. Edward, esse é o meu pai, Charlie.

Quase gargalhei ao ver o quão branco meu namorado estava ao apertar a mão do meu pai. – È um prazer conhecê-lo, Sr Swan.

– Então foi você que roubou o coração da minha filha, huh?

Edward sorriu sem graça e limpou a garganta antes de acrescentar – Eu espero que isso não seja considerado um crime por aqui, senhor.

Charlie riu, envolvendo um de seus braços ao redor de meus ombros – Nem se preocupe quanto a isso. Mas lembre-se que se você machucá-la, eu tenho porte legal de armas válido por todo território nacional.

Eu corei em 500 tons de vermelho – Pai!

– Nunca faria nada contra a Bella, senhor. Eu a.. a respeito demais para fazer algo que a prejudique.– Edward murmurou em resposta

– É bom saber. E pare de me chamar de senhor, apenas Charlie.

– Como quiser, sen... Charlie.

Charlie deu um tapinha no ombro dele e começou a caminhar em direção ao estacionamento. - Espero que você não se importe de andar na viatura. A velha caminhonete da Bells parou e não tive tempo de ver o motor.

Finalmente, Edward abriu um sorriso um pouquinho menos constrangido – Contanto que o sen... você não me leve pra cadeira, eu não tenho problemas.

Nós rimos e por dentro eu soltei um suspiro aliviado. Mesmo sendo um pouco intimidante, meu pai tinha um bom coração, porém, isso não me garantia se Edward iria ser aprovado de cara por ele. No entanto, os primeiros passos foram dados, e eu tinha a leve impressão de que tudo tinha ido muito bem para um primeiro momento. Poderia parecer bobo, mas a opinião de Charlie e Renee sobre meu namorado significava muito para mim; eu precisava que meus pais aprovassem o homem de sorriso fácil pelo qual eu estava apaixonada e só podia torcer para que durante os próximos dias, tudo desse certo.

O trajeto de quase uma hora entre as duas cidades foi rápido, uma vez que meu pai estava no seu modo tagarela e preenchia o silêncio com perguntas sobre Nova Iorque, a faculdade e o meu novo trabalho no jornal. E mesmo tendo uma grade de ferro separando o banco traseiro de nós dois, Edward participava sem problema algum da conversa, respondendo tranquilamente a inquisição pela qual o Chefe Swan o fazia passar. Na verdade, quando dei uma rápida olhadinha na direção dele, meu namorado parecia estar se divertindo por ter que viajar na parte destinada para criminosos da viatura.

Já em casa, minha mãe tinha preparado uma verdadeira festa apenas para nossa chegada; sério, a única coisa que faltou foi uma faixa na porta de entrada. Suspirei pesadamente, e mal cheguei a abrir a porta do carro para que Renee saísse num rompante de dentro de casa.

– Belly Bella! – ela praticamente gritou, me puxando para um abraço triturador de osso – Oh, minha bebê está finalmente em casa!

– Oi, mãe... – consegui dizer meio que sufocada, enquanto era beijada e esmagada por vários minutos.

Senti minhas bochechas arderem tamanho o constrangimento que estava sentindo por conta dos carinhos extremos de Renee. Era em momentos como esse, que eu desejava ter no mínimo uns cinco irmãos para que não fosse tão sobrecarregada com as demonstrações publicas de vergonha ao qual minha mãe me fazia passar.

Depois do que pareceram ser séculos depois, Renee me soltou e voltou sua atenção para Edward, - Aposto que você deve ser o Edward. – ela sorriu, puxando-o para um abraço. – Bella, ele é muito mais bonito do que você havia me falado!

– O-obrigado, eu acho. – Edward respondeu, com um sorriso tímido.

– Deus! – eu retruquei envergonhada enquanto a risada do meu pai soava ainda mais alta.

Ao entrarmos na casa, me assustei com a quantidade de coisas que ela tinha feito; apesar de ser a véspera de Ação de Graças, Renee já tinha adiantado metade das receitas que ela iria testar naquele ano e tinha pego os primeiros enfeites de Natal para decorar nosso pequeno lar. Somente ao rever toda aquela empolgação dela e a implicância do meu pai por conta disso, foi que me dei conta do quanto eu sentia falta de casa. Tudo o que eu sou hoje devo a esse casal, que abdicou de tantas coisas em suas vidas apenas por mim.

O restante da quarta-feira foi bastante tranquilo em nossa casa. Renee e Charlie agiram como quaisquer outros pais corujas e me mataram de vergonha, mostrando cada fotografia sem noção de minha infância. Eu odiava a época de minha adolescência em que usava aparelho e era mais magricela que as outras garotas do colégio, porém Edward cochichou em um momento de distração que se tivéssemos nos conhecido naquela época, ele teria se apaixonado por mim do mesmo jeito. Rolei os olhos porque sabia que de forma alguma, um cara que estava na faculdade iria gostar de uma caloura do ensino médio feiosa como eu, no entanto não pude ignorar meu coração aos pulos pelo fato de ele ter dito, mesmo que entrelinhas, o que sentia por mim pela primeira vez.

Já bem tarde da noite, meu namorado foi destinado a dormir no velho sofá da sala, enquanto meus pais e eu subíamos para o primeiro andar. Foi engraçado escutar as passadas do meu pai no corredor, logo depois dos primeiros minutos após termos nos recolhido, no entanto, antes mesmo que a primeira hora tivesse se passado por completo, ele já havia desistido de me vigiar e tinha sucumbido ao sono. Tanto que antes mesmo de terminar de organizar meus relatórios da faculdade, já conseguia escutar os roncos dele vindos do final do corredor.

Uma vez que tinha concluído tudo que precisava e a vontade de dormir não tinha chegado, decidi fazer uma visitinha ao Edward, no andar de baixo. Andei na ponta dos pés, tentando não fazer tanto barulho por conta dos degraus de madeira da escada e cheguei até a sala, onde, pela penumbra, notei o corpo dele encolhido no sofá mínimo para os seus 1,87m. Aproximei-me devagar e alisei seus cabelos bagunçados, e me inclinei sobre ele para unir levemente nossos lábios.

Apesar do meu movimento ter sido mínimo, aquilo despertou Edward e o mesmo praticamente surtou quando me viu lá embaixo.

– Que porra você está fazendo aqui embaixo, Bella? – ele sussurrou, meio que grunhido.

– Vim te dar meu beijo de boa noite. – respondi ao recostar meus lábios contra os dele.

Mas antes que eu mesmo pudesse aprofundar o beijo, meu namorado se afastou e levantou meio trôpego antes de me arrastar de volta para as escadas, resmungando com a voz pesada alguma coisa como "amor às suas bolas. Isso só fez que eu soltasse uma gargalhada bem alta, e imediatamente, Edward tapou minha boca, me pôs no colo e subiu, só parando quando chegamos a porta do meu quarto outra vez. Deixou um beijo no topo da minha cabeça, e murmurou algo tão baixinho enquanto fazia isso, que não fui capaz de compreender.

Fiquei ali com um sorriso fixo em minha face, observando-o praticamente se rastejando de sono até voltar para a escada. Podia ter sido só por um instante, mas o fato de tê-lo visto só um pouquinho já seria suficiente para que pudesse por fim, ter minha noite tranquila e sem sonhos.

No dia seguinte, meu pai e Edward passaram a manhã vendo jogos de baseball - uma paixão que ambos pareciam ter em comum - enquanto minha mãe e eu permanecíamos na cozinha, terminando os assados para o jantar de mais tarde. Renee aproveitou que estávamos sozinhas e pediu para que lhe contasse cada mínimo detalhe do meu namoro com Edward. E, para completar, me matou de vergonha ao falar sobre todos os métodos contraceptivos que ela lembrava, justo no momento em que meu namorado apareceu para pegar mais cervejas na geladeira.

Se ela bem soubesse…

Por volta das três da tarde, toda a casa já estava incensada pelo cheiro do peru assado, do purê de batatas e da enorme torta de abóbora. Havia comida suficiente para duas famílias inteiras, mas levando em consideração o batalhão de amigos que meu pai recebia mais tarde, duvidaria muito que sobrasse alguma coisa para o jantar de amanhã.

– Então, – minha mãe sibilou, colocando o enorme peru sobre a mesa da cozinha. – Quem de vocês irá fazer os agradecimentos esse ano?

– Eu já fiz no ano passado. – me apressei em responder. – Acho que agora é a vez do papai.

Balançando a cabeça negativamente, ele respondeu. – Não, Bells, no ano passado foi minha vez. lembra? Sobre agradecer por sua bolsa para Columbia?

– Ah, foi. E pela vitória dos Seahawks nas quartas de final. – eu disparei com um sorriso conspiratório.

Minha mãe suspirou audívelmente antes de dizer – Bem, como eu fiz isso isso no ano anterior ao de Charlie, acho que isso sobra pra você, Belly… A não ser que Edward queira fazer as honras.

O olhar assustado do meu namorado fez com que meu pai e eu rissemos baixinho do visível desconforto dele. – Hmm, bem… – ele retrucou, as bochechas ganhando um tom vermelho que era tão tipico meu. – Eu não sou muito bom em discursos mas…

– Tudo bem, baby. – eu comentei, percebendo a troca de olhares de meus pais pela forma que eu tinha me dirigido ao meu namorado. – Já que que eu não posso escapar do meu destino, vamos a ele.

Pus-me de pé e todos as minha volta me acompanharam para logo em seguida darmos nossas mãos. – Acho que tenho bastante coisa para agradecer pelo último ano… Primeiro por meus pais que apesar de estarem a cada dia mais velhos, ainda estão com saúde de sobra para me encherem pelos próximos 50 anos.

Recebi uma cotovelada nada discreta de minha mãe enquanto meu pai revirava os olhos. Sorri para ambos e continuei. – Bem, também tenho que agradecer pelo meu emprego, que apesar de ser meio louco, finalmente me faz pagar as contas em dia… Pelos meus professores da pós serem bastante compreensivos com meus prazos e também por não ter nenhum atraso no meu trabalho final. Agradeço pelos meus amigos, colegas e especial por Edward.

Assim que disse o nome dele, seus olhos intensos se voltaram para mim e seus dedos se entrelaçaram mais firme entre os meus. – Bem, eu agradeço por ele ter encontrado a… peça que eu achava que eu tinha perdido para sempre. – retruquei baixo, fitando-o intensamente, esperando que ele entendesse o que eu queria dizer com aquelas palavras.

Obrigada por me fazer com que eu me sinta normal. Como qualquer outra garota apaixonada.

– Por favor, eu espero que essa peça perdida não tenha a ver com um quarto. – meu pai retrucou.

– NÃO! – Edward e eu balbuciamos ao mesmo tempo enquanto minha mãe dava um tapinha no antebraço de Charlie.

– Eu só estava brincando, mulher! – meu pai resmungou antes de se voltar para mim. – Mais alguma coisa a acrescentar, Bells?

Balancei a cabeça negativamente, notando que minha mão continuava segura entre a de Edward. – Acho que é isso.

– E por essas e outras coisas damos graça. Amém – Charlie balbuciou rapidamente, antes de começar a atacar o peru no centro da mesa.

Enquanto meus pais discutiam sobre a melhor forma de cortar a ave, Edward se inclinou e sussurrou brevemente no meu ouvido. – Você também me ajudou a encontrar minha parte perdida, amor. – e então, puxou nossas mãos entrelaçadas em direção ao seu coração. – Eu am-

– Edward, querido, você prefere a parte do peito ou da coxa? – minha mãe perguntou com um sorriso.

Ele deixou um leve beijo na minha têmpora, antes de dizer. – Para mim tanto faz, Renee.

Mais feliz do que nunca, tive o prazer de ter aquela enorme refeição ao redor das pessoas que eu mais amava. E agora, eu tinha quase certeza de que a recíproca deles era verdadeira.

Mesmo que um deles nunca tivesse me dito diretamente, eu estava ciente que eu era especial especial para ele.

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Mais tarde, finalmente os amigos da coorporação onde Charlie trabalhava vieram se juntar a nós para o principal jogo daquele dia. Quem também apareceu foi o melhor amigo dele, Billy, chefe da reserva indígena que ficava vizinha à Forks. Minha mãe e eu já estávamos acostumadas a ficarmos fadadas à cozinha durante todo o feriado, devido à quantidade absurda de homens que meu pai convidava para assistir estes malditos jogos. No entanto, foi mais do que bem-vindo o par extra de mãos que recebemos, o auxílio de Edward.

Não sei se ele foi solícito porque se sensibilizou com a quantidade de pratos que havia na pia, ou se foi porque já estava envergonhado por meu pai - que alegrinho demais devido à várias doses a mais - começou a se vangloriar a cada cinco minutos que genro era um médico conceituadíssimo em Nova Iorque.

Sério, além de ele ter inventado que meu namorado tinha um Aston Martin na garagem de seu "triplex" - o que era uma mentira sem tamanho, afinal Edward não era nenhum bilionário e muito menos o 007 - ainda tive que escutá-lo tagarelar sobre nosso provável casamento no próximo verão. No fundo, eu sabia que Charlie estava apenas brincado, provavelmente por estar influenciado pelo álcool circulando em seu organismo, mas mesmo assim, odiei que ele estivesse fazendo piadinhas prepotentes como essas, só para se gabar diante de seus amigos.

Não sabia o porquê de Edward já não ter pegado as malas e fugido para bem longe.

Quando balbuciei isso para Edward, me desculpando pelas excentricidades de minha família e seus amigos, ele riu alto, beijando o topo da minha cabeça.

- Não se preocupe com isso, amor. - ele respondeu, retirando mais uma fornada de salgadinhos do forno - Sou eu quem deveria estar com medo de você sair fugindo assim que conhecer minha irmã, Alice, logo após uma maratona Black Friday.

Vários pratos de petiscos e mais alguns packs de cerveja depois, a casa foi finalmente se esvaziando. Meu pai depois de ter bebido meia cervejaria, estava morto para o mundo no sofá, provavelmente sem saber qual foi o time que tinha ganhado o último jogo. Nós três tentamos dar um jeito na bagunça que eles fizeram na sala, a medida em que minha mãe maldizia até a sétima geração de Charlie. Pelo canto do olho, percebi os cantos da boca de Edward tremendo e eu mesma tive que engolir uma risada para que minha mãe não ficasse ainda mais estressada com toda essa situação. Rebocamos meu pai até o quarto dele, onde ele caiu imediatamente, como se nada e nem ninguém tivesse interrompido o seu cochilo. Renee, que estava visivelmente esgotada, pediu desculpas a nós dois e se retirou para seu merecido descanso.

Desta vez, foi o próprio Edward que nos arrastou para o meu quarto, imprensando seu corpo contra o meu assim que fechamos a porta. Não sei o que foi que motivou meu namorado a agir deste jeito; talvez tenha sido a certeza de que meu pai estava muito bêbado demais para vir nos impedir ou quem sabe, ele apenas estivesse sentido falta de mim quanto eu tinha dele. Seus beijos saíram de meus lábios e desceram para meu pescoço, enquanto suas mãos deixavam um rastro de fogo pelas minhas costas, até chegar a minha bunda e apertar com um pouco mais de força.

Eu gemi e fui içada em seus braços, voltando a ter minha boca atacada pela dele. Minhas mãos se embolaram nos cabelos de sua nuca, e senti minhas costas sendo desencostadas da madeira áspera da porta e poucos segundos depois foi agraciada pelos lençóis macios de minha cama de infância. O corpo dele sobre o meu fazia com que várias sensações desconhecidas fossem despertadas em mim, e a única coisa que se passava por minha mente era a necessidade de mais contato.

Seus lábios não pararam nem um segundo sequer e eu aproveitei para levar meus dedos aos botões de sua camisa, desabotoando-a rapidamente. A cada pedaço de pele revelado, eu não podia deixar de me perguntar de que maneira Edward encontrava tempo para manter seus músculos tão trabalhados desse jeito. Não era justo que apenas uma alimentação saudável fosse capaz de fazer com que o físico dele fosse tão perfeito.

Edward desceu sua mão, indo até a parte de trás do meu joelho, fazendo com que minha perna ficasse engatada em seu quadril. Arfei alto ao sentir nossas partes mais íntimas roçando uma na outra e não pude evitar que me quadril se erguesse, buscando mais e mais atrito. Isso fez com que Edward grunhisse em minha boca e repentinamente nos girasse, invertendo a nossa posição.

O movimento brusco fez com que a madeira desgastada da cama gemesse e nós dois ríssemos por conta disso. Porém, não demorou muito para que ele voltasse a me beijar, sua língua quente e macia desbravando cada canto de minha boca, mandíbula, pescoço e clavícula, me deixando ainda mais acesa e desejosa do que já me encontrava. Na medida em que Edward fazia isso, as palmas de minhas mãos não se cansavam de explorar os músculos de seu peito, sentindo a maciez dos poucos cabelos que havia ali, sentindo seus mamilos tão eriçados quanto os meus. Edward me provocava da mesma forma; seus dentes arranhando a lateral de meu pescoço ao mesmo tempo em que continuava sem parar de massagear o meu bumbum.

Estava tão perdida com seus toques que quase não notei uma de suas mãos se enfiando por debaixo da minha camiseta, alisando toda a extensão de minha barriga. Arqueei minhas costas e rapidamente, ele se desfez de minha camiseta, deixando nossos torsos separados apenas pelo top bege de lycra o qual usava.

– Isso aqui não é muito sexy – ele retrucou, contornando meus seios com a ponta dos dedos.

Sorrindo, eu respondi. – Mas é bastante confortável para quem passou metade do dia cozinhando. E além, disso, há outra vantagem.

- Qual?

Peguei o pulso dele e afastei um pouco a malha fria, fazendo com que meu mamilo enrijecido tivesse contato com a palma da mão dele. – Fácil acesso - sussurrei muito próxima ao lábios dele.

Edward gemeu alto, e atacou minha boca com fome, ao mesmo tempo em que instigava ainda mais a pele sensível de meu peito. Nós já havíamos feitos isso várias vezes antes, mas eu parecia nunca meu acostumar com seu toque. Ter as mão de Edward em mim só me deseja mais e mais desejosa.

Exceto, quanto ele propositalmente escorregava a mão de meu seio e atacava minha costela com cócegas.

Eu recuei rindo e aprovei para dar um tapa em sua mão. – Para com isso, seu bobo!

– O quê?– Edward perguntou com uma cara de inocência fingida.

– Você sabe que eu tenho cócegas!

– Sério? – piscou, como se aquilo que eu tivesse afirmado fosse uma novidade. – Deixa eu ver...

Antes que eu pudesse escapar, uma de sua mãos laçou minha cintura à medida que a outra atacava as minhas meu ponto fraco. Eu gargalhei alto, mesmo que por dentro eu estivesse roendo de raiva porque eu simplesmente odiava que alguém fizesse isso comigo. Bagunçamos a cama inteira, por causa das tentativas de me desvencilhar dele, no entanto, Edward era infinitamente mais forte do que eu. Não conseguia chutar, apertar ou até mesmo beliscar, tudo com a intenção de impedi-lo de continuar fazendo aquilo.

– Para, Edward! Eu não aguento mais! PÁRA! – Eu meio que gritei entre as gargalhadas e o barulho da cama velha se movimentando.

Finalmente, ele pôs um fim ao ataque de infantilidade. – Shhh, Bella! Seu pai pode estar chapado, mas tenho certeza que se você continuar assim, ele vai querer saber por que diabos você está gritando tanto.

Tomei respirações profundas, tentando recuperar o meu fôlego. – E... qual é... o problema, nisso? – consegui questionar entre as respirações profundas.

– Sério que você ainda pergunta, Bella? – ele retrucou, posicionando meu sutiã de volta no seu devido lugar – Charlie está bêbado, não louco! Se seu pai aparecer por aqui agora, vou levar um tiro de espingarda na cabeça e ter meu corpo enterrado no quintal. E sinceramente, ainda tenho muito que fazer antes de morrer.

– Não seja exagerado, Edward. – retruquei rolando os olhos. Encaixei uma das minhas pernas entre as dele e senti minhas bochechas quentes – Podemos voltar para onde paramos?

Ele riu e beijou o topo da minha cabeça – Apesar do convite ser tentador, é melhor não. - imediatamente formei um bico de decepção que ele beijou, antes de continuar – Nós estamos na casa de seus pais.

– Eu quero profanar minha cama de infância. – brinquei, com um sorriso sugestivo.

– Baby, se continuarmos eu não sei se vou poder me controlar.

– Mas eu não quero que você se controle...

Ele grunhiu, colocando uma das mãos sobre os olhos – Porra, Bella, você não pode me dizer essas coisas...

Sentei-me na cama e cruzei os braços sobre o peito. – Então porque nós simplesmente não acabamos logo com isso?

Ele retirou o antebraço que cobria o rosto e acariciou minha bochecha – Porque eu não quero que isso seja apressado e em uma cama pequena na casa dos seus pais. É a sua primeira vez... a nossa primeira vez. Então eu vou me dar ao luxo de dizer que agora, não.

Bufei emburrada, mesmo sabendo que estava sendo infantil. Edward rolou os olhos e me puxou para perto dele, voltando à posição que estávamos anteriormente.– Eu vou fazer amor com você, Bella. Quando voltarmos para Nova Iorque, juro que nossa noite será inesquecível.

– Promete?

Em resposta, ele me deu mais um beijo que sugou todo o fôlego que existia em meus pulmões, porém quando pensei que ele voltaria ao ponto onde paramos anteriormente, ele abrandou e concluiu tudo com um beijo em minha testa. Fiz um careta, não conseguido deixar de ficar decepcionada e ele riu, me puxando para mais perto do seu peito.

– Sua cama é bem confortável. Acho que nós dois podemos dormir aqui. – ele comentou, depois de algum tempo de silêncio entre nós dois.

Sorri com a perspectiva, mas não pude deixar de provocá-lo um pouquinho. – Não é muita tentação?

– Eu posso lidar com isso.

– Tem certeza? – inquiri, brincando com os fios dourados logo abaixo de seu umbigo.

– Ele pegou minha mão, levando-a até seu lábios. – Absoluta.

– E quanto ao meu pai? – perguntei outra vez, apoiando meu queixo em seu peito.

Edward ergueu um pouco o quadril, metendo a mão em um dos bolsos traseiros de sua calça e tirando seu celular – Eu vou programar o despertador do telefone.– ele retrucou, chutando os tênis dos pés e mexendo em alguns botões do aparelho. – Pronto, problema resolvido.

Abri um sorriso e dei um selinho rápido em seus lábios. – Então me deixa somente trocar de roupa.

– Você vai tirar esse caralho sutiã medonho, né?

Eu ri – E ficar sem nada por baixo da blusa do My Little Poney.

– Sorte minha que ela é transparente. .

Pulei rápido e fui até minha cômoda pegar o pijama que havia deixado ali na noite anterior e sai em disparada para o banheiro. Acho que nunca troquei de roupa e escovei os dentes com tanta velocidade em minha vida e em poucos minutos já estava de volta ao meu quarto, onde encontrei Edward com os braços cruzados sobre a cabeça e vestido nada além de sua boxer; a imagem do conforto.

Assim que ele me viu, abriu um de seus famosos sorrisos tortos e bateu na lateral do colchão. - Vem cá.

Eu ri, e fui me deitar novamente perto dele, e no mesmo instante senti seus braços laçando minha cintura, me confortando e me aquecendo melhor do que qualquer outro cobertor. Seus lábios pousaram em minha cabeça, para logo em seguida ele sussurrar – Boa noite, amor.

Ali, no conforto de meu antigo quarto e nos braços do homem que eu amava, comecei a me sentir sendo tragada para o mundo dos sonhos. O calor de seu abraço era o meu aconchego mais perfeito e o ritmo de sua respiração cadenciado era meu embalo que me levava à inconsciência, melhor que qualquer canção de ninar.

No entanto, antes que o sono me dominasse por completo, não pude deixar de refletir que muito em breve talvez, nós estaríamos deste mesmo modo, exceto pelas roupas que ainda restavam entre nós. Quando finalmente seríamos apenas um, agindo como qualquer outro casal apaixonado.

continua…


Okey, Okey! Antes das tentativas em massa de homicídio, eu tenho que dizer que esse capítulo é muito grande, por isso que eu dividi-lo em dois!

No final de semana eu venho com o restante, beleza?

Beijos e até muito breve! DE CERTEZA!

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