Olá beninas!

Oh, nem vou me prolongar muito por aqui pois o capitulo tá enoooooorme! Só lembrem de ler o comentário final porque tem uma surpresinha para vocês, tá bom?

Boa leitura!


Ansiedade. Essa era a palavra que me dominava enquanto dirigia pelas ruas caóticas de Nova Iorque até o apartamento de Edward. Todas as células do meu corpo estavam tão agitadas quanto o tráfego naquela noite e tinha plena consciência que a única coisa que poderia controlar esse meu estado eram os beijos e carícias daquele belo ruivo que me aguardava em sua casa.

Sabia que isso era diferente: das outras vezes que acabamos em seu apartamento, foi porque já estávamos um tanto que embriagados e aquele era o lugar mais próximo para ter nosso momento de intimidade. Desta vez não foi diferente; ele me convidou para ir até lá quando estava sóbrio e consciente de seu pedido - mesmo que de certo modo, sua atitude tenha sido impulsionada por puro ciúmes.

Sim, eu não podia negar que uma parte de mim ainda se sentia culpada pelo que havia dito, entretanto, apenas a ideia de perdê-lo para uma outra mulher era demais para suportar. Não podia permitir que o único homem pelo qual realmente me interessei desde o fim do meu casamento escapasse de minhas mãos, mesmo que isso envolvesse algumas falsas asserções capaz de magoá-lo. Eu estava lutando por Edward, coisa que a tal Isabella parecia não querer.

Sério, quem coerente poderia dispensar alguém como ele? Porque tanto receio para um simples encontro? Porque ela fingia que não era interessada por Edward, quando todos no hospital sabiam que ela o queria tanto quanto qualquer outra?

Se bem que, eu não podia reclamar da atitude idiota da garçonete. Afinal de contas, era eu quem iria passar aquela noite com ele. Seja lá qual for o motivo que a fazia dispensá-lo, pouco importava para mim naquele momento.

Cheguei ao bairro onde Edward morava um pouco atrasada devido ao trânsito terrível. Mesmo tendo conseguido sair quase uma hora mais cedo do hospital, tinha perdido tempo demais me preparando para nosso encontro. No entanto, tinha certeza de que a demora valeria a pena assim que os olhos deles pousasse na lingerie de seda preta que havia escolhido especialmente para aquela noite.

Sim, eu estava usando todas as armas.

Consegui uma vaga bem próxima ao prédio dele e caminhei apressada até o local e ao me anunciar na portaria, não houve demora alguma para que Edward confirmasse minha entrada e logo me indicarem o lugar do elevador. E a medida em que o andar dele se aproximava, todo meu corpo em arrepiava em antecipação pelo que estava por vir aquela noite.

Sai do elevador, e dei alguns passos até a porta de Edward. Ao tocar a campainha, não demorou muito para que ele abrisse a porta, usando nada além de uma bermuda caqui bem abaixo em seu quadril, revelando todo esplendor do seu tórax e abdômen definidos. Seu rosto estava recém barbeado e os cabelos molhados ganharam quase um tom castanho devido banho que ele devia ter acabado de sair.

Edward não disse absolutamente nada; apenas me puxou com um dos braços para perto de seu corpo enquanto a outra mão tratou de trancar a porta atrás de mim. Quando seus lábios reivindicaram os meus, eles eram possessivos, quase como se quisesse me consumir por inteira. Fui rápida em levar minhas mãos até a nuca dele, puxando os fios recém lavados com força e isso despertou algo em nele que grunhiu alto, sem deixar de atacar meu pescoço com beijos e chupões cada vez mais intensos. E estava pouco me importando para as marcas que isso causaria na manhã seguinte: pelo contrário, até iria gostar das provas de sua posse marcadas em minha pele.

Quando sua boca voltou para minha, desci minhas mãos de sua nuca, arrastando minhas unhas vagarosamente pelos seus ombros, peitoral e barriga até chegar no botão da bermuda que ele usava. Sorri entre seus lábios e mudei nossas posições para que agora ele ficasse então recostado contra a porta da entrada de seu apartamento.

— Quero te sentir na minha boca, Edward. — Sussurrei ao seu ouvido e escutei ele tomar uma respiração profunda com minhas palavras.

Sentindo-me vitoriosa, comecei a refazer o mesmo caminho que minhas mãos fizeram anteriormente, desta vez com meus lábios, passando em alguns momentos a ponta da minha língua para sentir o gosto de sua pele em meu paladar.

Já estava na altura do umbigo dele, quando senti suas mãos em meus ombros, afastando-me dele. — Merda, Hannah. Não dá!

Meu cenho se franziu. — Não dá o quê?

— Transar com você. — Ele disparou, se desvencilhando de mim. — Hoje não vai rolar.

Não vai rolar?! Nós nem sequer começamos!

— E nem vamos continuar. — Ele respondeu, caminhando até o sofá de sua sala e se jogando nele. — Foi um erro ter te chamado até aqui. Me desculpe.

— Você só pode estar brincando! — Praticamente gritei, caminhando até ficar de frente para ele e notar que ele estava encarando o teto. — Eu vim até aqui a troco de nada?!

Ainda sem me encarar, ele simplesmente disse. — Desculpe.

Com agilidade, sentei-me sobre seu colo e puxei rapidamente seu rosto em minha direção para voltar a atacar seus lábios com os meus. Porém, era como se eu estivesse beijando uma estátua de mármore: Edward estava completamente paralisado e não correspondia nenhum dos movimentos da minha boca sobre a dele, mesmo que eu estivesse tentando a todo custo uma resposta.

Frustrada, levei uma de minhas mãos para dentro de sua bermuda em busca de seu pênis, porém, finalmente ele resolveu agir ao me tirar de cima dele e me colocar de todo jeito em cima do sofá.

— Porra, eu já disse que não quero nada, Hannah! — Ele disparou, se erguendo e indo até a cozinha.

— Então você vai simplesmente brochar? — Crispei ao mesmo tempo que eu o seguia, vendo a maneira casual em que ele abria a geladeira e tirava uma cerveja de lá. — Nem sequer cheguei a tocar em você!

Edward deu de ombros. — Isso acontece com qualquer cara, você bem sabe disso.

— Não, esse não é o motivo. — Sibilei, estreitando meus olhos na direção dele. — Você não quer porque está pensando nela, na garçonete idiota!

O repentino silêncio dele foi justamente a resposta que eu procurava. — Então é isso? — Eu meio que ri enquanto chegava a minha conclusão. — Você não vai transar comigo só porque não consegue parar de pensar naquela putinha de quinta da cafeteria?

Seu tom foi extremamente duro. — Isso não tem nada a ver com Isabella Swan!

— Duvido! Você não me quer agora só por que não consegue parar de pensar nela! Vai negar?

— Cala a boca, Hannah!

No entanto, eu não pude deixar de continuar. — Enquanto você está aqui perdendo a oportunidade de ficar com alguém que realmente te valorize, ela deve estar com o outro enquanto te faz de besta.

Edward sorveu um grande gole antes de falar. — Já chega, tá bom? É melhor você voltar para sua casa!

— Aposto que nesse exato momento ela deve estar gozando no pau de um qualquer! — Retruquei em tom de provocação. — Gemendo e gritando o nome de outro que não seja um brocha como você!

De repente, a garrafa que estava em suas mãos voou até a parede a sua frente, se espatifando em milhares de pedaços, me assustando completamente. Olhei para Edward, e percebi que ele estava de olhos fechados e apertando a ponte do nariz com força, como quisesse se acalmar. Só então, percebi que meu ciúme descabido tinha despertado um lado que eu nunca vi e aquilo me deixou receosa: ele não parecia ser uma pessoa violenta, mas tinha que confessar que eu havia passado dos limites com por conta das palavras que eu tinha acabado de proferir.

Estava prestes a pedir desculpa quando finalmente ele voltou seu olhar para mim e falou. — Hannah, será que você poderia voltar para sua casa, por favor?

— Edward, eu não qu-

— Você pode ou não? — Ele indagou, com uma paciência descomunal para tal situação.

— Nós precisamos conversar. Eu me e-

— Então sinta-se à vontade em minha casa, mas eu não vou ficar aqui. — E com isso, ele saiu da cozinha e partiu em direção ao seu quarto.

— Edward, eu posso me explicar! — Falei logo atrás dele, contudo ele fechou a porta do seu quarto com força. — Desculpa por ter dito essas coisas, eu não queria te magoar!

O silêncio dele era ainda pior do que sua fúria; de certo modo estava acostumada com a raiva descontrolada, como sempre acontecia nas brigas entre meu ex-marido e eu, contudo esse silêncio conseguia ser ainda pior. Tentei diversas vezes bater na porta de seu quarto e pedir para que ele me ouvisse, no entanto eu mal escutava o que acontecia do outro lado.

Todavia, ele não demorou muito tempo lá dentro e quando saiu, ele estava completamente vestido com uma camisa polo, calça jeans e tênis.

— Você vai sair? — Eu inquiri, ainda sem acreditar enquanto ele pegava as chaves e a carteira em cima do aparador da sala.

— Vou sim. — Ele disse casualmente. — Tem cerveja e vinho no refrigerador, mas precisar comer alguma coisa, vai ter que ligar para algum delivery. Tem um monte de opções nos imãs da geladeira.

— Eu não acredito que você vai me deixar aqui sozinha! Nós temos que conversar!

Ele ignorou meu pedido, e simplesmente disse. — Quando decidir ir embora, tranque a porta com a chave reserva que fica embaixo do extintor lá do hall. Eu não confio muito nesse meu vizinho da frente.

— Edward, para de agir como uma criança e volta aqui!

Ele abriu a porta de entrada e falou por cima do ombro. — Tenha uma ótima noite, Hannah. — E assim, ele acabou me deixando sozinha em seu próprio apartamento.

[...]

Eu havia acordado com uma dor de cabeça infernal.

Talvez tivesse sido uma péssima ideia ficar acordada até quase às duas da manhã, aguardando que Edward retornasse para casa dele, no entanto, demorei um bom tempo para perceber que ele com certeza tinha ido curar sua frustração com outro alguém que não era eu. Por um instante, até pensei que essa pessoa poderia ser ela, entretanto, acho que ele não sabia o telefone ou endereço daquela garota. Pelo menos ainda não, pensei comigo mesma.

Quando me convenci que ele não voltaria para sua própria casa naquela noite, sai do seu apartamento me sentindo mais do que humilhada, embora a frustração comigo mesma era ainda maior do que qualquer outro sentimento. Será que eu não tinha sido boa o suficiente em convencer Edward que a garçonete não queria absolutamente nada com ele?

Ter tentado semear a dúvida na mente dele tinha sido uma das minhas últimas cartadas para fazer com que ele voltasse aos meus braços, porém depois dessa quase transa fracassada, não sabia mais o que arriscar para convencê-lo de que ele deveria ficar comigo.

Entretanto, não podia pensar nisso agora. Hoje seria mais um daqueles dias infernais no hospital, onde a principal atividade do dia não eram nossos pacientes e sim uma reunião orçamentária com Conselho. Justamente o que minha enxaqueca precisava: números em milhões, diversos gráficos e ameaça de corte às pesquisas médicas. Por conta disso, umas das primeiras coisas que fiz naquele dia foi tomar duas aspirinas com café em busca de ânimo e energia para mais um dia de trabalho.

Ao chegar no hospital, a primeira coisa que fiz foi verificar o ponto eletrônico, apenas para ser surpreendida ao notar que Edward já se encontrava na ativa desde antes das onze da noite de ontem. Uma mistura de raiva e alívio me tomou em proporções iguais quando percebi que ele obviamente tinha conseguido dormir algumas horas na sala dos residentes invés de ter passado a noite na cama de outra.

Isso também facilitava as coisas: uma vez dentro do Presbyterian, ele não tinha como escapar da necessária conversa que teríamos

Eu tinha diversas pendências naquela manhã, no entanto, fui atrás da minha maior prioridade: a conversa com Edward.

Como chefe dele, também tinha noção em que setor ele estava apenas olhando o sistema de atendimentos do hospital, por isso, foi muito fácil localizá-lo na ortopedia, cuidando de um braço quebrado. Algo simples, que com certeza daria tempo para resolvermos qualquer pendência sobre ontem à noite.

Quando finalmente eu o encontrei, o timing foi quase que perfeito uma vez que ele estava praticamente quase terminando o atendimento, explicando a mãe do garoto os cuidados que ela precisaria tomar nas próximas semanas. Aguardei que ele encerrasse tudo e somente me aproximei quando ele já havia se virado para seguir para o próximo caso.

— Dr. Cullen. — Eu chamei, fazendo que ele voltasse sua atenção para mim. — Eu preciso que você venha até o meu escritório imediatamente.

— Existe algum problema com algum dos meus pacientes, Dra. Thompson? — Ele indagou formalmente enquanto continuava a caminhar pelos amplos corredores do hospital.

— Não, mas eu quero falar com você.

— Tem a ver com minha conduta médica? Ou como devo lidar com algum dos meus casos?

— Não, mas….

Ele simplesmente me interrompeu. — Bem, se não tem a ver com nenhuma das situações que comentei, eu não tenho nada a falar, Dra. Thompson.

Senti o desespero em minha voz, quando lhe pedi. — Você precisa me escutar, Edward! Ontem à noite eu não estava no meu normal!

— Eu não tenho nada para falar, Hannah. — Ele disse com calma.

— Mas eu quero me desculpar pelo que aconteceu ontem.

Ele sorriu sarcástico. — Vamos só fingir que a noite de ontem nunca aconteceu, está bem? Agora se você me der licença, eu realmente preciso de um pouco de cafeína porque eu não estava nem um pouco preparado para assumir um plantão que não era meu.

— Você não tem amor próprio? Já vai atrás da garçonete? — Disparei com excesso de veneno.

— Não que isso seja da sua conta, chefe, mas não. — Ele respondeu no mesmo tom. — Soube que consertaram a cafeteira na sala dos residentes. Daqui a cinco minutos eu volto para reassumir meu plantão.

E com isso, Edward deu as costas e caminhou seguramente na direção oposta à que o levaria até Isabella. E por mais que ainda estivesse frustrada por não ter me explicado, havia um certo alívio em mim pelo fato de ele começar a evitá-la. Talvez aquele pequeno gesto fosse apenas o início para que Edward finalmente pudesse esquecer qualquer atração que sentia pela garçonete.

Ainda não era o fim. Pelo menos por enquanto.

[...]

Julho

Em tese, verões em hospitais infantis deveriam ser um pouco mais calmos, já que havia as férias escolares e o clima mais seco diminua a incidência de asma, ocorrência que sempre acabava lotando as emergências. Mas a realidade era bem diferente do esperado; parece que com mais tempo livre, os pequenos estavam mais propensos a quedas, escoriações, traumas, insolação, desidratação… enfim, diversas outras emergências que estavam me deixando extremamente sobrecarregada nas últimas semanas.

Some-se a isso o fato de ter quatro novos internos altamente deslocados, a tal ponto de me questionar a todo momento onde diabos eles tinham cursado a faculdade. E para completar, tinha que justificar todos os gastos do meu setor para a diretoria hospitalar do Presbyterian. havia protelado tanto para entregar as planilhas que em breve o Conselho poderia questionar minha capacidade como chefe da pediatria.

Por um lado, toda essa enxurrada de coisas para fazer era muito bem-vinda, uma vez que não me sobrava mais tempo para pensar nos últimos acontecimentos de minha vida, como por exemplo, o cheque no valor de 300 mil dólares da venda do meu antigo apartamento em Miami. Aquele pequeno pedaço de papel retangular guardado no fundo do meu criado-mudo era o ponto final da relação que eu tive meu ex-marido. Sabia que precisava depositá-lo em minha conta bancária, porém não queria encontrar tempo para sepultar de vez a vida que eu levava há pouco mais de dois anos.

Meu passado amoroso tinha acabado de receber o ponto final. E o futuro parecia que sequer teria chance de ter o primeiro capítulo iniciado.

Durante as duas últimas semanas, Edward continuava absolutamente frio comigo. Todo e qualquer assunto que discutimos era sempre relacionado ao trabalho. Confesso que por inúmeras vezes tentei me desculpar pelo ocorrido em seu apartamento, mas ele prontamente se esquivava, dizendo que aquilo não tinha importância e que eu mesma devia superar. No entanto, desde então eu não sabia o que era receber um toque casual ou até mesmo um sorriso afetuoso vindo dele.

Mas aparentemente eu não era a única a qual estava sentindo a indiferença de Edward: a garçonete Isabella até onde sabia, também não recebia mais as visitas dele com frequência. Ele mal pisava na lanchonete desde que soube da sua aprovação na residência e seu fatídico pedido de encontro. Agora, na maioria das vezes, ele frequentava o lugar somente nos horários em que ela não estava atendendo ou acabava usando a péssima cafeteira guardada na sala dos funcionários.

De uma forma estranha, eu até tinha adquirido uma certa empatia por Isabella, por saber exatamente o que ela estava passando. Há alguns dias atrás, numa das poucas vezes em que Edward entrou na cafeteria na presença dela, eu mesma pude observar através da vidraça a maneira indiferente a qual Edward a tratou. Apesar do amplo sorriso dela e de suas várias tentativas de puxar conversa, ele tinha apenas pegado seu café – agora servido num copo de viagem – e a deixado completamente no vácuo e sozinha.

Era estranho, mas ambas agora também tínhamos a estranheza de Edward em comum.

Meus devaneios foram interrompidos quando houve uma batida na porta. Suspirei pesadamente e disse — Entre, por favor.

A face redonda e jovial da nova residente, a doutora Lee apareceu na porta. — Bom dia, Dra. Thompson, desculpe lhe incomodar, mas será que a senhora sabe falar Espanhol?

— Como é? — eu inquiri curiosa.

— É que tem um casal de estrangeiros no ambulatório e o filho deles está com febre alta e gânglios linfáticos da garganta bastante inchados.

— E?

Ela riu nervosamente. — O doutor Cullen e eu estamos a atendendo esse caso, mas não fazemos ideia de como perguntar o histórico de saúde do garoto, entende?

Bufei exasperada, com mais esse problema para ser revisto. — Eles são ilegais? Tem algum número de seguro social para verificamos alguma informação.

A garota de origem oriental apenas sorriu. — Foi por isso que pensei em lhe chamar, doutora. A senhora morou em Miami não foi? Por acaso lá não ensinam Espanhol no colégio por causa da quantidade de hispânicos que vivem por lá?

Encarei furiosamente a residente. — E por acaso eu devo presumir que você saiba falar mandarim só porque tem ascendência chinesa?

— Bem… na verdade minha família é de origem vietnamita, senhora, mas mesmo assim eu não sei falar nada.

Levantei-me do meu lugar exaurido. — Chega! Apenas me leve até o lugar onde estão os pais da criança! E logo em seguida procure a assistência social para ver se consegue alguma ajuda com eles.

Rapidamente fui levada até o lugar onde eles estavam e qual foi minha surpresa ao me deparar com ninguém mais, ninguém menos que a Swan no ambulatório.

Ela estava com sua típica farda bege, os cabelos escondidos por uma touca grotesca e tênis pretos. Estava falando alguma coisa com a mãe do garoto que lhe respondia gesticulando freneticamente e apontando para o menino encolhido em uma das macas hospitalares.

— … y además de la fiebre alta y de la dificultad que Victor tiene para tragar, ¿cuáles otros síntomas usted percibió que él teníya?

— En la noche pasada él vomitó mucho y ahora por la mañana se quejó de dolores debajo del pecho.

Isabella se voltou para Edward e começou a falar — Ela disse que na noite passada ele vomitou muito e esta parte embaixo do peito estava dolorida.

Edward assentiu e começou a apalpar levemente a lateral do pescoço do menino. — Pergunte para ela se o garoto teve algum quadro de faringite ou amigdalite nos últimos meses.

Seus olhos castanhos se voltaram assustados para ele. — Edward, eu sou fluente, mas não sei como perguntar esses termos tão técnicos! E se -

— Toma. — Ele disparou, destravando seu celular e entregando nas mãos dela — Procura a palavra certa aí no Google.

— O que diabos está acontecendo aqui? — questionei irritada.

— Eu lembrei que Bella fala espanhol — Edward respondeu com naturalidade ao mesmo tempo em que a garçonete me olhou assustada. — Então eu pedi que ela viesse até aqui e ajudasse a me comunicar com os pais dele.

— E isso está certo? — bradei, chamando a atenção dos outros médicos e pacientes dali. — Por acaso ela é formada em medicina? Ou será que os assistentes sociais que trabalham neste hospital são meros objetos decorativos?

Edward retrucou de volta. — Bella não é médica, mas eu sou. Quanto a assistência social, quantas delas você acha que sabem falar Espanhol? É necessária tanta burocracia para só então examinarmos o menino?

— Você deveria ter respeitado os procedimentos! — afirmei categoricamente.

— Foda-se o procedimento se eu posso acelerar um diagnóstico!

Discretamente, Isabella murmurou — É melhor eu ir embora...

— Não! — Edward disparou. — Você fica. Já encontrou as palavras que precisava?

Ela assentiu, mas olhou para mim ao questionar. — Posso perguntar para a mãe dele?

Uma parte de mim queria muito dizer não. Mandar que ela voltasse imediatamente para seu lugar e nunca mais ousasse chegar perto de uma sala de emergência, principalmente se nela estivesse Edward. Entretanto, eu sabia que havia uma criança precisando de ajuda, e que tinha que fazer valer o juramento que eu fizera ao me formar

— Vá em frente.

Isabella se voltou mais uma vez para mãe aflita. — ¿Su hijo alguna vez ha tenido faringitis o amigdalitis?

— No, pero mi ahijado ha tenido parotiditis en el mes pasado. iYo estaba tratando de decir esto a ese médico desde que llegué aquí!

— Por favor, ¿puede repetir otra vez el nombre de la enfermedad?

— Parotiditis, señorita.

Isabella olhou entre nós dois e disse. — Ela está desconfiada que o menino esteja com parotiditis. Esse nome lembra alguma coisa para vocês?

Balancei a cabeça negativamente e Edward apenas comentou. — Tradutor, Bells.

Rapidamente, ela digitou a palavra no visor do telefone e um pequeno sorriso se abriu em seus lábios rosados. — Ah, isso é caxumba!

Antes mesmo que eu pudesse registrar direito o que a criança tinha, Edward já havia colocado a garçonete atrás do seu corpo. — Tá, obrigado pela ajuda, Bella. Agora vaza!

— Não precisa se preocupar. — Ela respondeu com um breve sorriso ao fitar a expressão preocupada dele. — Lembra quando te contei que fiquei doente durante meu mochilão pela América Central? Eu tive caxumba! Só que na Costa Rica eles costumam falar paperas, por isso não associei de imediato!

O cenho dele continuou franzido enquanto eles se olhavam — Tá, mas você foi vacinada?

— Bem… não que eu me lembre…

— Fizeram exame sanguíneo confirmando a doença?

As sobrancelhas dela se crisparam discretamente. — Era preciso?

Ele colocou as mãos nos ombros delgados dela, começando a afastá-la. — Bem, já que não temos certeza, é melhor você ir embora.

— Mas me disseram que essa doença só se pega uma única vez. — Ela retrucou quase que retoricamente.

— Bella, eu me sentiria bem melhor se você não estivesse próximo de alguém com uma doença infectocontagiosa.

— E tem alguma chance de alguém pegar isso duas vezes?

Edward lançou para ela um sorriso torto. O meu sorriso torto. — Com sua sorte, prefiro não arriscar.

Limpei minha garganta, quebrando finalmente a pequena troca entre eles. — Será que podemos voltar a focar no paciente?

A garota corou profundamente e Edward finalmente pareceu notar que eu continuava ali o tempo todo. De um jeito bruto, ele me lançou uma máscara descartável e disparou — Então, Dra. Thompson, será que agora podemos seguir o protocolo para doenças infectocontagiosas?

Encarei-o por um segundo além da conta, sentindo um misto de emoções. Raiva, ciúmes e dor era algum dos sentimentos que me dominavam esse exato instante. — Mas é claro, Dr. Cullen.

No entanto, antes de pôr a máscara em meu rosto, virei-me para Isabella, e lhe pedi — Pode acompanhar algum dos pais até a recepção para preencher a ficha de cadastro?

— E-é claro, — ela praticamente gaguejou, apreensiva.

— Consiga o máximo de informações que puder, como tipo sanguíneo, alergias, se eles moram aqui ou se estão a turismo, se possuem algum tipo de seguro saúde. — Murmurei, enquanto colocava um par de luvas — Enfim, dê o seu melhor.

Ela assentiu brevemente e então esticou o braço para entregar de volta o celular de Edward.

— Fica com ele. — Ele comentou, com um sorriso. — Talvez o tradutor te ajude com alguma coisa. A senha de desbloqueio é 8-4-9-6.

— Okay. Eu te devolvo mais tarde, então. — E com isso, ela se voltou para a mãe do garoto, guiando-a até o balcão de recepção.

Tentei me controlar, mas o impulso foi mais forte. — Senha de desbloqueio do telefone. Pensei que vocês tivessem deixado de ser amiguinhos?!

Faça seu melhor? — ele rebateu, sua voz dura como aço. — Não seria mais justo agradecer pelo que ela acabou de fazer?

— Essa mulher não deveria sequer estar aqui, para início de conversa!

Ele riu sem humor algum. — Você preferia que o coitado piorasse até encontrarmos alguém oficial? Porra, ele já está apresentando sinais de pancreatite!

Não me dei por vencida. — Sua atitude será discutida mais tarde em meu escritório Dr. Cullen.

— Tudo bem, chefe. — Ele sibilou com bastante veneno. — Agora, se vou levar uma suspensão por ter feito a merda de uma coisa certa, eu prefiro continuar a cuidar do meu paciente sozinho.

— Você sabe muito bem que em qualquer hospital tem regras e normas a serem seguidas! — Rebati exacerbada.

— Certo. — Ele retrucou, — Pode fingir para mim que tudo isso não é porque a Bella estava aqui.

— Então ela é só Bella para você. — Eu desdenhei. — Você bem que podia ter um pouco mais de decoro no ambiente de trabalho invés sai flertando com toda e qualquer garota que aparece na sua frente.

— Sério que você quer falar de decoro, Thompson? — Ele sibilou. — Logo você que come os residentes escondida no almoxarifado?

Senti meu coração se apertar um pouco no peito com a resposta dele — Como você ousa...

Ele levantou as mãos para o ar. — Dra. Thompson, prefiro discutir qualquer porra mais tarde, ok? Agora se me der licença, eu vou levar esse menino para a radiografia.

E sem mais uma palavra, Edward se virou para o pai angustiado que via nossa discussão sem, graças a Deus, entender absolutamente nada. — Con permiso señor, yo tengo que levar seu hijo. Qualquer coisa hablar com aquela chica hermosa que estava ajudando aqui, ok?

E sem nem esperar o consentimento do senhor, Edward começou a empurrar a maca para o setor onde ficava a máquina radiográfica, sem sequer olhar de relance para trás. Contei mentalmente até dez, para impedir que eu fosse atrás dele e continuasse meu jorro verbal de acusações. Ali não era hora e nem o momento e tinha que pensar como sua chefe, e não como a mulher apaixonada que estava se roendo de ciúmes.

Virei-me rapidamente com o intuito de voltar ao meu escritório, porém meus passos travaram assim que vi a garçonete conversando com a mãe latina. Ela apontava para algum dos formulários e a mãe hispânica concordava profundamente às palavras dela, parecendo muito mais serena agora que alguém a compreendia plenamente.

Pelo visto, além da beleza mediana, a garçonete era gentil e solícita, ou seja, o estereótipo perfeito da donzela submissa que vivia em perigo, fazendo com que os homens se sentissem o próprio Lancelot prontos para proteger a virtude da princesa.

Nesse exato instante, ela percebeu que eu a observava e sua pele ganhou um tom profundo de rubor. Idiota.

Virei meu rosto e comecei a caminhar seguramente pelos amplos corredores do ambulatório. Tinha que terminar meus gráficos e mais uma vez não podia fazer qualquer outra coisa que não fosse aquilo naquele momento. Entretanto, necessitava falar de verdade com Edward e mostrar o quanto ele estava sendo tolo. Assim que ficássemos a sós novamente, faria questão de mostrar o quanto ele estava sendo imbecil ao se reaproximar de uma garota mediocrezinha como Isabella Swan.

[...]

Após uma longa reunião justificando os gastos do meu departamento, tive que fazer uma visita de urgência a um dos meus pacientes neonatais. No total, já havia se passado mais de duas horas desde o ocorrido na emergência quando fui em busca de Lee, a interna que estava acompanhado Edward naquele dia para obter informações do paradeiro dele.

— O Dr. Cullen está na enfermaria junto com a Bella. — Ela retrucou, assim que a encontrei — Ele vai imunizá-la contra a tríplice ou algo assim.

— É claro que ele iria fazer isso. — Retruquei comigo mesma.

— Devo ir para a emergência? — a residente indagou esperançosa. — Sabe, talvez para acompanhar algum trauma pediátrico por lá?

— Não. — Afirmei categórica. — Você vai acompanhar a garotinha que fez a colostomia ontem. Fique o resto da tarde por lá e observe o mínimo dejeto no saco coletor. Fui clara?

Ela fez uma careta, mas não ousou dizer mais nada enquanto se dirigia até o quarto da paciente. Controlei a mim mesma por alguns segundos e me dirigi até o local onde com certeza eu iria reencontrar Edward e Isabella juntos.

Não demorou muito até achá-los juntos, sentados sobre a maca que ficava canto mais afastado, próximo a geladeira onde estavam as vacinas de imunização. Ela riu alto de algo enquanto devolvia o celular dele e Edward sorriu em sua direção, guardando o aparelho no bolso do jaleco, para logo em seguida pegar a ampola e a seringa que já tinha separado em cima de uma bandeja.

Suavizei meus passos, e me esquivei do olhar deles afim de escutar o que diabos eles conversavam para causasse todo aquele alvoroço em um lugar onde o silêncio era fundamental.

— Mas falando sério, Edward, eu preciso mesmo tomar essa vacina? — Ela indagou, recuando um pouco o braço quando ele fez menção de aplicar a injeção. — Eu não iria mentir inventando que já tive caxumba, né?

— São as regras, Bells. — Ele murmurou, usando a mão que não estava com a injeção para erguer levemente a manga da farda dela. — Você esteve ao lado de alguém que tem uma doença contagiosa, não tem nenhum cartão de vacina aqui em Nova Iorque e tampouco seu histórico hospitalar apresenta algum registro de caxumba.

— Eu estava numa praia no meio do nada que só tinha um único hospital! — Ela explicou, quase desesperada — É óbvio que não vai ter nenhum registro disso no meu histórico hospitalar aqui na América!

Edward ergueu uma das sobrancelhas. — Agora você quer me fazer inveja dizendo como é estar numa praia do Caribe?

— Na verdade, essa praia em que fiquei era na parte continental da Costa Rica, portanto, não era no Caribe propriamente dito. — Ela respondeu com um sorriso.

— Está bem, deusa da Geografia, — ele falou com um rolar de olhos antes de tentar puxar de volta o braço dela. — Já saquei que você tá só me distraindo.

— Eu posso ligar para minha mãe! — Ela comentou, meio que desesperada. — Ela pode confirmar o que eu tive em Puntarenas!

Ele apenas manteve o ar de riso. — Bella, você pode me enrolar para um monte de outras coisas, mas dessa vacina você não escapa.

Ela suspirou derrotada e logo em seguida fechou os olhos com força. — Vai, aplica logo essa porcaria!

Edward pareceu sorrir triunfante enquanto injetava a agulha e ela fez uma pequena careta de dor. — Pronto. acabou, sua medrosa. — Ele retrucou, após descartar a seringa e segurar um pequeno chumaço de algodão no lugar onde ela tinha sido furada. — Nem foi tão ruim assim, foi?

— Eu odeio agulhas… — ela retrucou, distraidamente.

— Porra, você é muito molenga. — Ele acusou, agora acariciando levemente o antebraço dela. — Para quem diz que passou a infância inteira dentro de uma emergência, uma injeção subcutânea não devia ser nada.

— Você é um bruto na aplicação — a garçonete rebateu, — Coitados dos seus pacientes! Eu devia te denunciar para que você não receba nunca sua licença!

— Tarde demais, — ele retrucou, abrindo um band-aid cor de rosa e ponto do braço dela. — Meu diploma do Conselho de Pediatria chegou há dois dias no meu apartamento.

— Então você agora é um médico do quadro do Presbyterian? — Ela indagou.

— Ainda não. Meu contrato como residente vence em de outubro, mas eu já tenho todas as responsabilidades quanto qualquer outro médico efetivado.

— Então, você deve estar mais ocupado, não é?

Ele sorriu levemente. — Você nem imagina o quanto.

A garçonete pareceu um tanto que envergonhada quando voltou a falar. — Tanto que nem dá tempo mais de aparecer na cafeteria?

O clima entre eles mudou, e Edward ficou um tempo em silêncio, apenas alisando com seus dedos nas rugas invisíveis do curativo dela até finalmente responder. — É… eu sei que sumi de lá.

— Eu sinto sua falta. — Ela murmurou, ganhando um tom de vermelho enquanto encarava o próprio colo. — Não são muitas as pessoas que tem paciência para escutar minhas besteiras aqui em Nova Iorque.

— Bem, talvez você pudesse encontrar mais pessoas que estão dispostas a te ouvir se achasse um tempo para se divertir. — Ele retrucou meio que acusatório.

— Mas eu não preciso de novas pessoas. — Ela explicou, ainda cabisbaixa. — Só de você, meu velho amigo, Edward.

Ele levou uma de suas mãos até o rosto dela, erguendo levemente seu queixo para fitá-la. — Se você diz ser minha amiga, porque então nossa amizade precisa ficar limitada às paredes desse hospital? Qual é o mal de sairmos em algum momento?

— É complicado…

Edward respirou fundo para então perguntar. — Você deixou alguém em Washington? Namorado, noivo…? É isso que te impede de sair com um cara, mesmo que ele seja só um amigo?

— Não! — Ela disse, parecendo surpresa. — Eu não tenho ninguém lá.

Edward se aproximou ainda mais, seus rostos a meros centímetros de distância um do outro. — Então me diz, Bella. — Ele praticamente sussurrou, enquanto ela encarava descaradamente os lábios dele. — Porque você não me dá uma chance?

A garçonete permaneceu em silêncio, enquanto eu notava a maneira carinhosa que Edward permanecia a observando. Ele nunca havia me olhado desta forma. Por mais íntimos que tivessem sido nossos momentos, nenhuma vez ele me fitou como se eu fosse a única pessoa do mundo.

Como se eu fosse a mulher que ele amava.

Minha epifania fez com que eu cambaleasse para trás e derrubasse na sequência todo material de sutura que estava em uma bandeja atrás de mim. O barulho foi alto suficiente para chamar a atenção deles, e fazer com que os dois afastassem-se de repente.

Meus olhos se encontrassem com os dele e não sei ao certo o que ele havia registado ao me flagrar, mas foi o suficiente para pedir licença a Isabella e logo em seguida sair da cama e vir em minha direção. No entanto, sequer me dei o trabalho de aguardá-lo: fugi porque não queria escutar as palavras que fariam acabar de vez qualquer hipótese de um dia Edward ser meu.

A minha visão ficou turva por conta das lágrimas não derramadas enquanto eu praticamente corria pelos corredores do hospital. Porém, não demorou muito para escutar os passos apressados dele atrás de mim, ao mesmo tempo em que chamava meu nome. Tentando me esquivar, disparei dentro do almoxarifado mais próximo e tentei fechar a porta, porém o braço forte de Edward impediu meu movimento.

— Vá embora, Edward… — eu falei com a voz embargada.

— Você mesma disse que queria falar comigo, Hannah. — Ele disparou, de um jeito tão impessoal que me inflamou.

— O quê? Você vai tentar se defender mentindo ainda mais para mim?

Sua sobrancelha se franziu ligeiramente. — Mentir? Quando foi que menti para você?

— "Não quero me envolver com ninguém." — disparei cheia de mágoa. — "Não quero compromisso por enquanto."

Edward respirou fundo e com calma, entrou de uma vez na sala e logo fechou a porta que ainda estava entreaberta atrás dele. Por fim, ele se recostou na parede mais próxima enfiando as mãos nos bolsos do jaleco. — Hannah, eu não estou envolvido com ninguém.

— Eu não sou idiota, Edward! Eu te vejo com aquela garçonete!

— Bella e eu somos bons amigos.

— Para de mentir para mim! — Praticamente gritei — Você está caidinho por aquela piranha!

Ele fechou os olhos com força, para logo depois me encarar com o olhar mais frio que já vira dele. — Hannah, eu peço que por favor você respeite a Bella.

Eu ri, entretanto, as lágrimas a essa altura já desciam livremente por minhas bochechas. — Você realmente gosta dela, não é?

— É claro que sim. — Ele respondeu de pronto, mas defensivo demais. — Ela é minha amiga.

— Não. Você realmente está apaixonado por ela, não está?!

Para minha surpresa, suas bochechas ganharam um tom cor de rosa enquanto ele tentava olhar para todos os lugares menos para mim. — Eu ainda não sei…

Meu coração afundou ainda mais em meu peito. — Você está apaixonado. E nem sequer a beijou ainda, não foi?

— Por favor, eu não quero falar sobre isso…

— Quantos anos você tem? Cinco? — Alfinetei cheia de sarcasmo e para minha frustração ele permaneceu calado. — Você tem o mínimo de noção do quanto isso soa como se você estivesse no jardim de infância?

Seu olhar transparecia uma mistura de raiva e frustração. — Você acha que eu não sei disso? Que eu não me sinto a porra de um palhaço por gostar tanto de uma mulher que nem sequer... Merda!

— Que nem sequer o quê, Edward?

— Hannah, eu-

Dei um murro em uma das prateleiras e a força do impacto derrubou alguns soros fisiológicos empilhados — Diga! — eu bradei.

— Me vê da mesma forma que eu a vejo! — Ele disse finalmente, para depois continuar desabafando tudo de uma única vez. — E está sendo foda ter que lidar com isso todos os dias! Eu tentei me afastar, procurar outras pessoas… tentar algo a mais com você. mas não dá! É como se ela tivesse a porra de um imã que me atrai para perto dela!

Sua admissão era ainda mais dolorida. Saber que ele só esteve ao meu lado para se manter longe da garçonete só fez com que minha autoestima se afundasse ainda mais. Mais uma vez o destino tinha aprontado comigo e estava praticamente sendo traída pelo outro homem que me apaixonei.

— Você me usou. Você é um cafajeste, sabia disso?!

Devagar, Edward caminhou em minha direção e então tomou uma de minhas mãos sob a dele. — Hannah, eu sei que você tem sentimentos por mim, e sim em fui um canalha filho da puta por ter me aproveitado disso. Desculpe se te magoei de alguma forma nos últimos meses. E acredite, eu entendo bem como você está se sentindo agora.

Ele entende? Como ele ousava medir meus sentimentos de amor não correspondido com a estúpida insegurança dele?

— Não ouse dizer saber como eu me sinto. — Balbuciei, afastando as mãos que ainda nos uniam. — Você não sabe o que é ser rejeitado!

— Acredite em mim, Hannah. Eu sei. — Ele afirmou.

Fiquei o encarando, à medida que ele continuava fitando alguma coisa no linóleo do chão. Será que ele era cego? Ou somente idiota? Afinal, era óbvio para todos naquela porcaria de hospital sabiam o quanto a garçonete estava caída por ele! Como ela parecia ficar aérea quando ambos estavam na mesma sala ou a forma como os olhos delas seguiam cada passo que ele dava. Será que Edward não conseguia mesmo ver o quão óbvio ela também estava apaixonada por ele?

— Eu não sei se consigo continuar aqui com toda essa indiferença dela. — Ele retrucou, ainda cabisbaixo. — Então, acho que já está na hora de te dizer que eu que ainda não respondi ao Conselho sobre minha permanência no Presbyterian.

Aquilo era novo para mim. Até então, eu tinha sua permanência no quadro do hospital como certa. — C-como assim?

— Não há mais nada mais que me prenda à Nova Iorque. — Ele murmurou. — E dentre as propostas de trabalho que recebi, uma delas é no hospital onde meu pai é chefe. Então, talvez eu volte para a Seattle. Quem sabe a distância ajude a superar as merdas que fiz nesse último ano.

— Você é idiota? — disparei, ainda sem acreditar nas palavras dele. — Deixar o Presbyterian?

— Charlize Cullen é a referência em Pediatria na Costa Oeste. — Ele disparou em defesa. — Você mesma disse que aprendeu lendo diversos artigos dele.

— Só que você não vai para lá para aprender com seu pai, mas sim por causa dela!

Edward não falou absolutamente nada e eu me impressionei com o quão covarde ele era. E aparentemente a garota da cafeteria era tão pávida quanto ele, já que estava prestes a perdê-lo assim que ele rescindir o contrato aqui em Nova Iorque e voasse volta a Seattle.

Que belo casal de imbecis!

— Eu sinto muito, Hannah. — Ele pediu, quase que suplicando compreensão — Você é uma mulher incrível e não merecia tudo isso. Eu espero sinceramente que algum dia você possa me perdoar.

Por que não poderia ser eu? Tudo seria tão mais simples se ele estivesse apaixonado por mim também! Por que eu não podia ser a mulher que fazia com que ele expressasse sentimentos nunca antes ditos? O que Isabella Swan tem que eu não tinha?

Eu estava morrendo de ódio, mas ainda assim eu o amava. E ainda porque tinha este sentimento por ele, não poderia deixar que ele fizesse a mesma besteira que tinha feito quando comecei a me envolver com ele.

— Será que você poderia me fazer um favor, Edward?

— Qualquer coisa.

Respirei fundo antes de dizer. — Eu não quero e nem posso ser sua amiga nesse momento. A partir de agora, eu só quero falar com você se for pelo bem de algum paciente, entendeu?

Ele me olhou fixamente por um bom tempo, para depois assenti. — É justo.

Comecei a me dirigir até a porta, mas antes de sair virei-me em sua direção para falar. — E não é porque não quero ser sua amiga que irei deixar de te dar um último conselho.

Ele suspirou pesado antes de dizer. — O quê?

— Não finja ser somente amigo dela. — Disparei já abrindo a porta —. Ou você deixa de ser covarde ou vai acabar exatamente como eu. — E assim, fechei a porta atrás de mim, deixando ali com ele, meus sentimentos e meu coração.

[...]

Apenas uma única linha azul.

Eu me senti uma completa idiota, enquanto ainda encarava o pequeno bastão do teste de gravidez. Era óbvio que o resultado ia ser negativo, afinal, já havia se passado mais de dois meses desde a minha última transa com Edward. Contudo, não pude negar que o mínimo fio de esperança tinha crescido em meu peito quando minha menstruação tinha atrasado no início da semana.

Seria estranho, mas ao mesmo tempo maravilhoso realizar meu sonho de ser mãe, mesmo que mal estivesse falando com aquele que seria o pai do bebê. Entretanto, tinha plena certeza de que essa criança apenas complicaria minha delicada relação com Edward.

Já fazia dez dias que ele finalmente tinha admitido seus sentimentos por Isabella para mim, e desde então, eu podia contar em uma única mão todas as palavras que trocamos desde então. Ele estava respeitando o meu pedido ao se manter o mais afastado possível de mim, embora eu sabia que ele havia voltado a frequentar a lanchonete durante seus intervalos. Na verdade, era só uma questão de tempo até que os dois começassem a ter um relacionamento amoroso.

E eu ainda não estava preparada para isso.

Sai de uma das cabines do banheiro feminino e joguei o teste de gravidez na lixeira ao lado da pia. Enquanto lavava minhas mãos, encarei a estranha que estava à minha frente no espelho. Não reconhecia a mim mesma ali; o vinco permanente entre as minhas sobrancelhas, as olheiras profundamente roxas, a pele que já não tinha mais o mesmo viço de 10 anos atrás… era tantas mudanças que era quase impossível imaginar que a residente recém-casada que vivia em Miami era a mesma pessoa que estava no reflexo.

Eu precisava me cuidar: e não só fisicamente. Tinha que admitir que estava no precipício da depressão e precisava começar a me tratar o quanto antes, ou do contrário iria me afundar ainda mais nesse buraco negro que minha vida se transformara nos últimos dois anos.

Respirei profundamente e consciente disso, saí dali. Eu iria procurar ajuda o quanto antes, mas por enquanto, eu tinha uma ala inteira cheia de crianças enfermas para cuidar.

Caminhei ao posto de enfermagem e pedi a atendente de plantão que me passasse os prontuários das crianças que deram entrada no hospital no dia de hoje e agradeci mentalmente por não haver nenhum caso realmente grave. Pelo visto, tanto os residentes quanto os internos estavam fazendo um bom trabalho naquela tarde e isso me deixou um pouco satisfeita ao reconheci que pelo menos nisso, eu tinha sorte de ter ótima equipe de médicos.

— Não! Não pode ser! Você deixou meu garotinho morrer?!

O grito alto e desesperado chamou a atenção de todos ali. O pranto sofrido vinha de uma mãe que estava na sala de espera, que mesmo estando a quase cinquenta metros de distância de onde eu estava, era sonoramente audível para todos.

— Porque? Porque deixou meu filho morrer?! — Ela continuou a lamuriar, agora começando a esmurrar o peito médico que estava de costas para mim. — Ele era só um bebê! Foi para isso que você virou médico, seu desgraçado?

Como uma boa míope, franzi meus olhos levemente para tentar reconhecer qual dos meus colegas estava enfrentando aquela situação. Porém, meu coração deu uma guinada para depois voltar a acelerar loucamente quando percebi os fios acobreados por baixo da touca cirúrgica.

Olhei para o meu lado, e vi que uma da enfermeira que eu mais conhecia no hospital também encarava a cena, meio que consternada. — Michelle, — eu pedi, sem também conseguir desviar os olhos da cena. — Ligue para a segurança agora.

Comecei a caminhar na direção deles, porém finalmente algum parente da mulher a abraçou, impedindo que ela continuasse a atacar Edward. As lágrimas escorriam livremente pela face dela e seus gritos de dor eram sofríveis, no entanto, estava preocupada mesmo era com o homem responsável por dar aquela triste notícia para aquela família. Até onde sabia, ele nunca tinha passado por algo minimamente parecido.

Ao chegar mais perto da cena, eu escutei a voz estranhamente mecânica dele. — Nós fizemos tudo possível, Sra Miller. Seu filho já chegou com ao hospital em um estado muito crítico, com poli traumatismo no peito, abdômen e cabeça. Infelizmente, não pudemos fazer muito.

— Ele só tinha quatro anos! — Ela vociferou. — Meu bebê! Eu perdi meu bebê!

— Eu sinto muito. — Edward respondeu, com a voz trêmula e então, se virou na direção em que eu estava, se afastando o mais rápido possível da família recém enlutada.

De imediato, percebi seus olhos cheios de lágrimas enquanto ele caminhava de frente para mim. Meu instinto protetor se aflorou e sequer me lembrei que mal estávamos nos falando, quando o parei para segurar sua mão.

— Você está bem? — Inquiri preocupada. — O que aconteceu? Porque você está paramentado como se estivesse no bloco cirúrgico?

Ele me empurrou o prontuário e ainda sem parar de caminhar, falou. — Todos os cirurgiões pediátricos dessa merda de hospital estão em cirurgia. E algum filho da puta lembrou que fiz uma especialização em trauma ano passado. Me chamaram para emergência e... deu nisso.

Ainda acompanhando seus passos, olhei de relance o prontuário do garoto. Hemorragia interna, costelas quebradas, laceração do fígado e pâncreas e um provável traumatismo crânio-encefálico. — Edward… você não tem culpa! Não havia nada para ser feito.

— É esse o maldito ponto, Hannah! — Ele quase que gritou, deixando uma lágrima solitária escorrer por sua bochecha. — Eu virei médico para salvar, vidas e não para ver ela se esvaindo pelas minhas mãos sem que eu pudesse fazer merda nenhuma!

Sua dor era tão tangível que tudo o que consegui fazer foi tentar abraçar para confortá-lo, porém. ele deu um passo para trás e impediu o meu avanço. — Olha, eu só preciso ficar um minuto sozinho.

— Mas Edward, talvez-

— Caralho, Hannah! Me deixa em paz, tá bom? — E nisso, ele se afastou e se dirigiu até as escadas de emergência, abrindo a porta de lá e batendo-a com força atrás dele.

Olhei ao redor, e percebi vários outros funcionários assistindo aquela cena constrangedora. Respirei fundo, e tentei ignorá-los ao caminhar de volta até balcão das enfermeiras, entrando logo em seguida no pequeno espaço. Fiquei de costas, fingindo procurar alguma coisa nos grandes armários que ficavam atrás do balcão de mármore quando na verdade eu queria apenas esquecer a dor da rejeição dele.

Perder um paciente em suas mãos nunca foi fácil, especialmente para alguém que sempre fez questão de não passar nem perto de situações onde havia risco de vida para uma criança, como Edward sempre fazia. É óbvio que ele estava mal e precisava de apoio, mas acho que nós dois chegamos ao ponto onde seria impossível haver alguma interação, mesmo que de colegas de trabalho. Pelo visto, ele sequer confiava mais em mim para dividir sua dor, seja como amiga ou como chefe.

— Com licença… — uma voz delicada que eu reconhecia muito bem disse. — Edw… Dr. Cullen, por favor?

Eu não sei como, mas aparentemente Isabella Swan já sabia do ocorrido. Isso, ou ela tinha um feeling surpreendente incomum para saber que Edward precisava de alguém naquele momento.

— Ele está ocupado, garçonete. — A voz aguda de Michelle sibilou com desdém. — Se quiser, pode se sentar ali e esperar como qualquer um.

Eu não sei ao certo o que me impulsionou, mas finalmente eu me virei e disparei para a enfermeira. — Não seja idiota, Michelle. Ela não é qualquer uma, mas sim a namorada dele.

Os largos olhos da enfermeira pareceram se ampliar ainda mais com minha declaração. Era nítida a enxurrada de pensamentos que vi em seus orbes negros: surpresa, curiosidade e vergonha. Pior ainda era saber que mesmo que estivesse encarando apenas aquela enfermeira, havia no ambiente no mínimo mais dez pessoas que estavam pensando exatamente a mesma coisa que ela.

— Desculpe, Dra. Thompson… — ela murmurou, olhando para baixo e saindo de trás do balcão e caminhando em direção a algum dos quartos.

Após a saída dela, Isabella voltou a falar em um tom muito discreto. — Doutora… eu não sou-

Ergui minhas mãos, sem paciência alguma para escutar a mesma ladainha sem fim sobre o relacionamento entre Edward e ela. Com isso, voltei meu olhar para todos os outros funcionários que assistiam aquilo como se fosse a cena mais esperada de uma série televisiva.

— Vocês já sabem que tivemos perdas demais por hoje. — Disparei, olhando friamente para cada um deles. — E tenho certeza de que existem coisas melhores para serem feitas do que ficar fazendo fofoca!

Com isso, imediatamente todos começaram a se dispersar como a neve durante a chuva. Seu sentia que Isabella estava me observando, mas eu não tinha coragem suficiente para encará-la. Nem eu mesma podia dizer qual era o principal motivo para isso; talvez a vês ali procurando por ele era só o lembrete de que o jogo tinha acabado para mim.

Assim que percebi que não havia mais ninguém por perto, disparei. — Edward está nas escadas de emergência. Disse que não quer ver ninguém agora, mas creio que você seja uma exceção.

— Dra. Thompson, — ela falou nervosamente enquanto encarava os próprios pés. — Nós somos apenas amigos. Não existe nada entre nós.

— Não importa para mim que tipo de relacionamento vocês tenham. — Sibilei com raiva — Edward precisa de apoio agora. — De repente, minha garganta pareceu se fechar e foi difícil completar a última frase. — E ao que parece, você é a única que pode fazer isso de agora em diante.

Com isso, apontei de todo jeito qual era a porta das escadas e saí o mais rápido possível dali. De forma alguma eu sabia que iria quebrar e não precisava de uma plateia para isso. Não poderia chorar aqui, principalmente na frente dela.

Não sei porque, mas enquanto praticamente corria para a saída do hospital, algo em meu coração gritava que aquele era o momento onde o fim havia chegado para mim. A partir de hoje, eu era apenas uma página virada para Edward; apenas mais uma que tivera o azar de se apaixonar por ele e não ser correspondida.

Quando cheguei no pequeno jardim que ficava em frente ao hospital, as lágrimas já escorriam livremente por minha face. Sentei em um dos bancos instalados ali enquanto minha mente traiçoeira rebobinava todas as memórias alegres que Edward e eu compartilhamos. Os risos, as vitórias no hospital, as noites quentes ao lado de seu corpo… era como se cada uma fosse uma punhalada em meu peito, que dificultava até meu respirar.

Porque tinha que passar por tudo isso outra vez? Uma única vez não tinha sido suficiente com o meu ex-marido? Será que realmente merecia tudo isso outra vez? Mal eu tinha conseguido me reerguer e agora o destino fez com que meu coração caísse em uma nova armadilha, isso seria justo?

Fiquei ali por um tempo, e mesmo o sol quente do verão nova iorquino não era suficiente para me aquecer e camuflar o frio que minha alma sentia. Além da dor de ter perdido algo que sequer tive a chance de desfrutar por completo, havia também essa terrível sensação de injustiça por estar sofrendo por amor outra vez.

De repente, eu vi ao longe a figura de Isabella Swan saindo do hospital. O sorriso dela era amplo, até mesmo para alguém que se encontrava a boa distância dela, como era meu caso. Ao contrário de mim, ela parecia radiantemente alegre e tinha certeza que o motivo de sua felicidade era justamente o da minha tristeza.

Naquele instante, eu quis ter raiva dela, porém não consegui sentir nada além de um sentimento muito mais mesquinho: a inveja. O desejo imenso de poder estar no lugar dela e enfim dividir todo e qualquer momento ao lado de uma pessoa maravilhosa como era Edward. Acompanhei-a com meu olhar, vendo-a praticamente correr até a estação do metrô que ficava a poucos metros de distância dali e me perguntei se aquela mulher desajeitada merecia mesmo ser alvo do apreço dele.

Ela tinha ideia do quanto era sortuda? Do quanto eu gostaria de estar no lugar dela e ser alvo da afeição verdadeira dele, que sequer precisou beijá-la ainda para ter certeza de que estava apaixonado? Será que ela seria capaz de corresponder todo o sentimento que Edward tinha por ela?

Sinceramente naquele instante, eu não sabia se torcia pelo sim ou pelo não.

Meu bipe tocou e enxuguei o restante das lágrimas que escorriam pelo meu rosto. Eu precisava voltar a me concentrar no meu trabalho, afinal, foi para isso que vim para Nova Iorque. E eu não poderia fugir daqui, como tinha feito com Miami há mais de um ano atrás; precisava encontrar forças e encarar o martírio de estar apaixonada por alguém que não correspondia meu sentimento sem deixar que isso afetasse nenhum dos meus pacientes.

Levantei-me e suspirando profundamente, decidi juntar mais uma vez os pedaços do meu coração partido e seguir em frente. Seria doloroso, mas poderia fazer isso; mais uma vez.

Só esperava ser forte suficiente para encarar tudo isso.

*FIM*


Cabôoooooo! Para quem tinha curiosidade para saber como foi o comecinho desse Beward, acho que esses capítulos no POV da Hannah foram bem interessantes, não foi?

Agora vocês sabem a surpresa que falei logo no início? Pois bem, tem mais um extra na visão dela! E garanto que todas as Bewards vão curtirão esse mini capitulo! Mas como nem tudo são flores, venho fazer comenchantagem sim! Só quem irá receber esse link para o extra são aquelas que comentarem as últimas postagens!

MAS LINE, EU SEMPRE COMENTO ANÔNIMA! COMO EU FAÇO PARA RECEBER?

Bem, eu vou deixar o exemplozinho do e-mail para que vocês coloquem nos comentários, ok?

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Eu estarei aguardando ansiosa os feedbacks de vocês!