Capítulo 22- Ana ponto de vista:
A voz mais linda que eu já ouvi ficou trêmula e então parou.
"Não consigo mais cantar. Esta é apenas uma parte, pois esqueci muita coisa. É uma canção bem longa e triste, porque narra como a tristeza chegou até Lothlórien, Lórien da flor, quando os anões acordaram o mal nas montanhas".- Legolas disse.
Lágrimas estavam caindo dos meus olhos, eu me aproximei dele e o abracei.
"Mas os anões não criaram o mal".- Gimli rebateu.
"Eu não disse isso; mesmo assim o mal veio. Então muitos elfos do povo de Nimrodel deixaram suas moradas e partiram, e Nimrodel se perdeu lá longe, no Sul, nas passagens das Montanhas Brancas, e não voltou para o barco onde Amroth, seu amado, esperava por ela. Mas na primavera, quando o vento bate nas folhas novas, o eco da sua voz ainda pode ser ouvido perto das cascatas que têm seu nome. E quando o vento sopra do Sul, a voz de Amroth vem do mar, pois o Nimrodel deságua no Veio de Prata, que os elfos chamam de Celebrant, e o Belfalas, de onde os elfos de Lórien partiram em suas embarcações. Mas Amroth e Nimrodel jamais voltaram".- O belo elfo continuou.
"Conta-se que Nimrodel tinha uma casa construída nos galhos de uma árvore perto das cascatas, pois esse era o hábito dos elfos de Lórien, morar em árvores; talvez ainda seja. Por isso foram chamados de Galadhrim, o povo das árvores. Nas profundezas de sua floresta as árvores são muito grandes. O povo da floresta não morava no chão como os anões, nem construíam edifícios resistentes de pedra antes de a Sombra chegar".
"E mesmo nos dias de hoje, morar em árvores pode ser considerado mais seguro do que sentar-se no chão".- Gimli comentou, olhando através do riacho para a estrada que levava de volta ao Vale do Riacho Escuro, depois voltou seu olhar para os galhos escuros que cobria a cabeça dele.
"Suas palavras trazem um bom conselho, Gimli. Não podemos construir uma casa, mas esta noite faremos como os Galadhrim: procuraremos refúgio na copas das árvores, se pudermos. Ficamos sentados aqui ao lado da estrada mais tempo do que devíamos".- Aragorn disse.
"Então, o que estamos esperando? Vamos procurar abrigo".- Falei concordando com o guardião.
-Legolas ponto de vista:
Desviamos do caminho, mergulhamos nas sombras da floresta, seguindo para o Oeste ao longo do riacho. Não muito distante do Nimrodel, encontramos um conjunto de árvores.
"Vou subir. Sinto-me em casa em meio as árvores, perto da raiz ou do galho, embora essas árvores sejam de uma espécie que não conheço, a não ser por seu nome numa canção. São chamadas de mallorn, e são aquelas que ostentam as flores amarelas, mas nunca subi numa delas. Vou verificar agora seu formato e o modo como crescem".- Falei pra eles.
"Qualquer que seja, serão árvores realmente maravilhosas se puderem oferecer algum tipo de descanso durante a noite, que não seja para pássaros. Eu não consigo dormir num poleiro".- Pippin comentou.
"Então cave um buraco no chão, se isso for mais ao modo de seu povo. Mas precisa cavar fundo e rápido, se quiser se esconder dos orcs".- Respondi sacarsticamente.
Pulei e agarrei um galho que saia do tronco bem acima da minha cabeça. Fiquei alguns segundos pendurado, então ouvi uma voz:
"Daro!"
Cai no chão, estava ao mesmo tempo surpreso e amedrontado. Me encolhi contra o tronco da árvore.
"Fiquem quietos! Não se mexam e não falem nada!" – Sussurrei pros demais.
(Pessoal quero muito aprender as línguas élficas, mas por enquanto, como eu ainda não sei, vou colocar em português em negrito e itálico).
"Nossa! Eles respiram tão alto que podemos acertar uma flecha neles, com facilidade no escuro".
"Não precisam ter medo, sabemos de vocês há algum tempo, escutamos sua voz do outro lado do Nimrodel".
"Sim, sou o príncipe Legolas, filho do rei Thranduil, da Floresta das Trevas, saímos de Valfenda, já faz uns dias e estamos em apuros".
"Sabemos que você é um dos nossos parentes do Norte, por isso não impedimos sua passagem e de seus amigos, ouvimos sua canção".
"Agora queremos que você alteza, juntamente com o Frodo e a senhorita Ana subam até aqui para conversamos. Tivemos notícias do senhor Elrond, dizendo deles dois e de sua comitiva, assim decidiremos o que fazer".
"Sim, só deixe-me explicar pra eles".
"Quem são eles, e o que estão dizendo?" – Merry perguntou.
"São elfos. Não está escutando as vozes?" - Sam respondeu a coisa mais óbvia.
"Sim, são elfos. E estão dizendo que vocês respiram com tanto ruído que poderiam acertá-los com uma flecha no escuro".- Falei para os hobbits.
Sam colocou a mão na boca.
"Mas também estão dizendo que vocês não precisam ter medo. Eles já sabem de nós há algum tempo. Escutaram minha voz do outro lado do Nimrodel, e souberam que sou um de seus parentes do Norte; por isso não impediram nossa passagem. Depois ouviram minha canção. Agora estão permitindo que eu suba com Frodo e Ana; parece que tiveram alguma notícia deles e de nossa viagem. Pedem que os outros esperem um pouco e vigiem ao pé da árvore, até que eles tenham decidido o que fazer".- Continuei falando para os demais.
Uma escada feita de corda, cinza prateada, brilhava no escuro, subi na frente rapidamente, Ana também subiu com muita agilidade logo atrás, depois veio Frodo, e por último Sam, o amigo de todas as horas do Portador do Anel.
A/N: Vou parar por aqui, por enquanto, no próximo capítulo pretendo colocar meu momento favorito do Legolas e Gimli em Lórien, finalmente falta pouco para a história completa de Ana, e também nossos protagonistas vão ficar juntos pela primeira vez, aceito sugestões de como vai ser o primeiro beijo dos dois e a primeira noite.
Imaginei o que os elfos de Lórien falaram, isso não tem no livro, pois eu estava seguindo a perspectiva do Legolas, e é ele que conversa com os elfos.
Revisem, e tenham paciência que eu vou atualizar, sempre que puder, por enquanto a narrativa está lenta depois a história vai dar uma acelerada, de acordo até com o ritmo de Tolkien.
