- Sakura-chan, enquanto você não me falar onde arranjou esse machucado enorme eu me recuso à ir embora!
- Então fique plantado aí, dobe. - Sasuke virou-se para as árvores decidido à não escutar o que quer que Sakura fôsse responder.
Sakura observou a reação de Sasuke e abaixou a cabeça. Não conseguia acreditar que tinha dito aquelas coisas pra ele. Mas estava resoluta à manter sua promessa. Deixaria de amá-lo imediatamente, como devia ter feito anos atrás.
-"Por mais que me doa, eu preciso fazer isso." - Ela cerrou os olhos, desviando a atenção de volta para Naruto.
Os gennins estavam impacientes pra voltar pra Konoha, e esperavam afoitos junto com os demais na porta do alojamento enquanto Kakashi se despedia do caseiro da fazenda e pegava o pagamento pela missão.
A manhã estava nublada e tudo indicava que logo começaria a chover. Todos usavam capas de frio.
Naruto cutucava freneticamente a enorme mancha roxa no pescoço de Sakura.
- Já disse que não foi nada, Naruto! - A garota desferiu-lhe um soco na cabeça, aborrecida, enquanto Naruto ia pro seu canto praguejando baixinho.
Sai olhava de Sakura para Sasuke, pensando em alguma coisa, como se estivesse travando uma batalha mental consigo mesmo.
- Sasuke-sempai, por que o Kakashi-sensei está demorando tanto? - Perguntou um gennin de cabelos longos, entediado.
- Hn.
Sasuke deu de ombros, mas não tinha prestado atenção na pergunta.
Sakura tinha dado um simples "bom dia" pra ele. Nada de "Sasuke-kun, como você se sente hoje?" ou "Sasuke-kun, você vai precisar de uma esposa pra recontruir o seu clã, né?".
Essas frases assolavam sua cabeça à milênios atrás, apenas durante suas primeiras semanas de volta à Konoha.
E, agora que já não faziam parte de um cotidiano tedioso, pareciam estranhamente necessárias.
Lançou-lhe um olhar por cima do ombro.
- "Ela não estava falando sério ontem, não é?"
Ele estava resoluto à esperar que Sakura viesse se desculpar pelas palavras duras. Mas por que ela estava demorando tanto?
Por um lado, ele tinha que admitir que foi um grande alívio ouvir Sakura dizer que o amava. Claro que já havia escutado aquilo trocentas vezes, mas era a primeira que tinha prestado atenção.
Ficou tão surpreso por se sentir aliviado com isso que não pregara o olho durante toda a noite. Só que de nada adiantava esse alívio, já que ouvira muito bem quando a Haruno logo adicionou a sentença de que esse amor iria pro saco.
-"Iie. Está bom assim. Pelo menos agora tudo isso vai acabar." - Ele enfiou as mãos nos bolsos, fechando os olhos decidido.
- Yo! - Kakashi surgiu do portal da fazenda, enfiando um envelope nas vestes - Já peguei o nosso pagamento então creio que já podemos ir.
- Kakashi-sensei, vamos nos apressar, porque está começando a chuviscar. - Observou Sai estendendo a mão para as primeiras gotas de chuva que caíram do céu.
Assim que eles começaram a pular sobre as árvores, a chuva aumentou. E foi aumentando gradativamente até chegar ao ponto de que era difícil enxergar alguma coisa ao redor. Depois de mais ou menos meia hora, uma gennin loira gritou, alto:
- Kakashi-sensei, não conseguimos acompanhar direito... Está chovendo muito!
Os galhos roçavam neles à toda hora, e até Kakashi percebeu que, se continuassem, poderiam até se perder.
- Vamos procurar um abrigo até que a chuva passe! - Anunciou ele.
Todos acentiram, exceto Sasuke, que achou uma completa perda de tempo. Mesmo assim, teve que acatar a decisão geral, e desceu junto com os demais para a mata gelada e encharcada.
- Ali tem uma caverna! - Apontou Naruto para um amontoado de rochas perto de uma colina - Vamos logo, eu vou pegar uma gripe e a Hinata-chan não vai querer me beijar!
Naruto saiu na frente esbaforido, seguido de perto pelos demais. Assim que alcançaram a caverna, eles a ocuparam ofegantes, tirando os capuzes da cabeça e sacundindo a água para fora do corpo.
Um raio serpenteou pelo céu do lado de fora. Kakashi guiou os gennins para o fundo da caverna, pedindo que acendessem uma fogueira. Sai foi ajudar os garotos com o fogo enquanto Naruto se aprumou num canto, tremendo de frio.
Sasuke se sentou num amontoado de rochas, encostando-se na parede fria da cabera. Balançou os cabelos molhados, observando o arranca céu que fazia lá fora sem interesse.
Era bom aquela chuvarada passar logo. Queria voltar pra sua vida sem preocupações maiores do que reerguer seu clã; sem Sakura e suas palavras frias ecoando em sua cabeça.
-"Chega disso tudo."
Sakura passou por ele esfregando os braços com força. Estava sem capa.
- O que houve com a sua capa? - Perguntou antes que pudesse se conter. Sakura parou no mesmo lugar, girando os olhos para ele lentamente.
- O mesmo que aconteceu com o seu braço. - Ela piscou, apontando para o ombro do Uchiha, esquecendo-se de ficar abalada com a primeira troca de palavras dos dois naquela manhã.
Coisa que pareceu ao Uchiha uma imensa demonstração de frieza.
Mas Sasuke sequer havia percebido que tinha se rasgado nos galhos das árvores em meio à chuva. Só quando a garota apontou que ele notou a ferida aberta sangrando imensamente. Não doía muita coisa, ele não fazia muito caso.
- Isso não é nada. - Ele virou-se para encarar a chuva novamente. - Mas essa é uma boa hora pra você usar as suas habilidades.
A frase saiu antes que pudesse reprimí-la. Ótima desculpa pra que ela ficasse ali mais um pouco.
Sakura cerrou o punho escondido entre os braços cruzados. Sasuke não era uma pessoa mal educada, mas, como sempre, ele não demonstrava muita emoção ao falar com ela. Apenas falava.
Será que suas palavras não tiveram efeito nenhum sobre ele na noite anterior?
-"Claro que não." - Sakura sentiu vontade de rir de si mesma - "Nunca tiveram. Ele deve ter ficado aliviado. Bem, de agora em diante vai ser tudo diferente."
A menina aproximou-se e se ajoelhou na frente dele, tirando uma de suas luvas com os dentes. Agiria como uma ninja médica age com um companheiro de time ferido.
Chega de neuras com Sasuke.,
- Com licença.
Ela se curvou-se, erguendo a mão exposta e pousando sobre o braço ferido. Imediatamente uma luz esverdeada foi emitida da palma de sua mão, e Sasuke sentiu o machucado formigar.
Sem querer, baixou os olhos para o rosto da garota. Sua respiração roçava seu peito, e novamente ele foi tomado de um desejo voraz.
Mas ficou parado. Não moveu sequer um músculo. Apenas sentiu o efeito do ninjutsu médico agir sobre sua pele.
Ele sabia porque não tinha coragem de se mover. Levaria outro tapa, ouviria aquelas coisas de novo, e sentiria aquele desgosto inédito que nunca experimentara antes.
O desgosto de ser rejeitado.
Foi como se o tempo passasse muito devagar, porque a sensação de tê-la ajoelhada entre suas pernas e tão próxima de si o trazia uma estranha vontade de abraçá-la. Respirou fundo aquele cheiro característico.
Assim que terminou o trabalho, Sakura fêz menção de se afastar. Sasuke segurou seu braço por um instante, e ela o encarou firmemente. Percebendo o olhar, soltou. Mas tampouco ele mudou sua expressão.
- Pegue a minha capa. - Disse, simplesmente.
Sakura pareceu não entender. Apenas ergueu uma sombrancelha. Sasuke olhou para o canto, impaciente, e desfêz o fecho de sua veste. Contornou-a pelas costas e estendeu para Sakura. Ela olhou da capa para ele, indecisa.
- Pode pegar. - Ele empurrou a capa contra ela. A menina agarrou o tecido lentamente, ainda incerta.
Não disseram mais nada. Sasuke voltou à olhar a chuva e Sakura voltou à olhar a capa nas mãos. Apertou-a levemente.
- Arigatou. - E saiu dali.
E, de repente, enquanto a via se afastar na direção de Sai e os demais, Sasuke sentiu um baque.
Então ele percebeu. E arregalou levemente os olhos.
- Kuso. - Ele cerrou o punho em cima da perna.
Não é que ele estivesse apaixonado nem nada disso, até porque essa palavra não fazia parte de seu vocabulário. Mas, decididamente, algo estava muito errado com ele.
Não conseguia evitar aquela sensação de revolta. Como Sakura iria se distanciar dele daquela forma toda vez que se falassem? Ela realmente não o perseguiria mais? Por que ele não via nada de bom nisso?
Ela o amava, não é? O amava desde criança, desde sempre, então como ela podia simplesmente esquecê-lo assim?
-"Ela realmente pretende continuar com isso?" - Ele observou a kunoichi sentar-se ao lado de Sai, cerrando os olhos.
- Ei.
Sasuke piscou, virando-se para Naruto, que se projetara ao lado dele com os braços cruzados e um olhar reprovador.
- De onde você brotou, dobe?
- Você estava tão concentrado que nem viu eu me aproximar. - Naruto sentou-se ao lado dele, sem mudar de expressão - Sasuke, é mais sério do que eu pensava.
- O quê é mais sério?
- Você. - O loiro afilou o olhar - Sasuke... Eu acreditava que era humanamente impossível, mas você está mesmo...
- Pare de idiotices, Naruto. - Sasuke preveu as próximas palavras - Não sei do que você está falando.
- Ah, você sabe sim. Primeiro a história dos ciúmes e agora aconteceu alguma coisa entre vocês que nem você nem a Sakura-chan querem me contar. - Naruto ergueu o indicador para o canto onde Sakura estava - Eu vou falar só uma vez, Sasuke, deixa de ser um idiota e faça alguma coisa!
- Fazer o que? - Sasuke estreitou o cenho, impaciente - Naruto, não aconteceu nada entre eu e a Sakura.
- Olha, teme, eu posso não ser muito inteligente, mas até eu tenho uma namorada agora, e pode ter certeza que sei quando alguma coisa está rolando! Sou muito mais expert no assunto do que você!
- E o que diabos você está querendo insinuar?!
- Que se você não deixar de ser um medroso a Sakura-chan definitivamente vai arranjar alguém mil vezes melhor do que você. Alguém como o Sai, sei lá! Se tá acontecendo alguma coisa agora você tinha que se mexer ao invés de ficar por aí com essa cara!
Era inegável que Naruto tinha razão, mas Sasuke jamais, nunca, absolutamente admitiria isso pra ele. O fim da picada era estar escutando conselhos amorosos daquele dobe, e mais deprimente ainda era estar se encucando com eles.
- Naruto, dá um tempo.
Foi tudo o que o Uchiha disse, e Naruto encostou-se na parede xingando o amigo baixinho.
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- E aí, como foi a missão? - Perguntou Ino enquanto observava o céu azul.
Shikamaru, Ino e Sakura descansavam sobre uma pequena copa de árvores dos jardins que intercalavam a Vila, ao lado da pontezinha que voltava do Hospital de Konoha.
Shikamaru, encostado numa árvore, havia pego no sono e dormia com o queixo descansado no ombro de Ino, que estava sentada entre suas pernas, apoiada no peito dele e com um livro no colo.
Sakura observava o casal tão distraída que nem tinha prestado atenção na pergunta.
- Ei, testuda! Bateu esse pára-brisa em algum lugar, foi? - Ino balançou a mão.
- Fica quieta, porca. Só estava pensando como vocês dois não têm nada em comum. - Sakura riu, deitando-se na relva verde.
- Ah, é, o Shikamaru é um preguiçoso e não quer nada com nada. - Ino suspirou, lançando um breve olhar ao rosto do namorado desmaiado e dando um sorrisinho feliz - Mas mesmo assim ele é incrível, não é?! Ele é sincero, responsável, charmoso, e ainda por cima é um gênio! É a pessoa mais inteligente do país de Fogo!
Enquanto um coraçãozinho subia pela cabeça de Ino, Sakura começou à rir.
Ino torceu a cara na hora.
- Tá rindo de que, ein?
- Nada. Tava lembrando que você costumava elogiar o Sasuke-kun do mesmo jeito, enchendo ele de qualidades... Você sempre quer do melhor, né, Ino?
- Claro! - Ino aprumou-se mais contra o peito de Shikamaru, sorrindo - Mas isso é o de menos, sua tonta. As pessoas ficam juntas inevitavelmente, quando elas se amam.
Sakura ficou em silêncio por alguns minutos. Ino percebeu que havia causado algum efeito inesperado na amiga, e piscou, desentendida.
- Sakura... O que tá havendo com você?
A outra permaneceu quieta mais algum tempo antes de se pronunciar. Até que, com um longo suspiro, finalmente a moça decidiu que estava precisando desabafar.
- É o Sasuke-kun.
Ino fez uma careta;
- Ah, Sakura, você é mesmo muito boba! Até hoje? Achei que já tivesse esquecido essa história, assim como eu. O Sasuke-kun é bom demais pra qualquer garota, é como um príncipe inalcançável, duvido até que ele já tenha chegado perto de uma e...
- Então olha isso.
Sakura afastou algumas mechas dos cabelos compridos que cobriam o pescoço. Ino perdeu a fala imediatamente, olhando completamente aparvalhada para o colossal círculo roxo no pescoço da amiga.
Não foi preciso que Sakura dissesse mais nada.
- Não acredito. - Anunciou Ino, finalmente - Sakura... Vocês dois...
- Calma aí, porca, não tire conclusões precipitadas! - Apressou-se Sakura, com os olhos dilatados - Ele só fez isso, nada mais!
- Você ainda diz SÓ?! Sakura, você sabe o que você tem aí? - Ino parecia ter levado um soco no estômago - Isso é a prova material que o Sasuke-kun não é assexuado! Sakura, ele escolheu você, justo você, a testuda...
- Tá, tá, já entendi. - Interveio novamente a outra - Mas você está enganada, ele não me escolheu não.
- Então quer dizer que...
- NÃO, Ino, ele não está distribuindo essas coisas por aí! - Sakura levou a mão ao local lentamente - Ele só fez isso em mim.
Silêncio.
- Então vocês estão juntos? - Concluiu Ino abrindo um sorriso de meio metro.
- Também não... Isso aqui foi apenas um impulso dele. Ele mesmo disse. Coisa de homem, sabe? Mas esquece, eu estou bem.
- Está mesmo? - Ino ergueu uma sombrancelha, enquanto Shikamaru soltava um grunhido e se aconchegava mais à curvatura de seu ombro.
- Estou. - Sakura juntou suas forças no melhor sorriso que conseguiu dar - Na verdade, eu decidi esquecê-lo. Por isso estou assim. Vai ser difícil, já que eu o amei a vida inteira.
- Como assim você vai esquecê-lo? - Ino balançou o livro em seu colo no ar, abismada - Sakura, você poderia muito bem ter curado essa marca no seu pescoço à hora que quisesse! O fato de você ter mantido isso aí significa que você não quer esquecer coisa nenhuma!
Pronto, Sakura sentiu seu mundo desabar, porque Ino estava completamente certa. Se pudesse, ela deixaria aquele arroxeado ali para sempre, como uma tatuagem que a lembrasse o único momento em que Sasuke teve alguma atração por ela.
Mesmo que artificial, mesmo que falsa.
- Larga de ser idiota! - Urrou Ino.
- Eu não estou sendo idiota! - Sakura procurou se defender - Eu estou sendo realista, Ino! Eu estou cansada de perder as coisas por causa do Sasuke-kun, cansada de não conseguir me aproximar dele, eu inclusive já disse isso pra ele e...
- VOCÊ O QUE?! - Ino enterrou seu livro na cabeça de Shikamaru.
Shikamaru ergueu os olhos sonolentos com uma careta de dor para Ino.
- O... O que vocês duas estão fazendo? Por que você me bateu?
- Agora não, Shikamaru! - Ino soltou-se do namorado cuspindo os fogos do inferno, ficando de pé na frente de Sakura, que a observava atônita.
- Agora o Sasuke-kun pensa que você não o ama mais e agora sim nunca mais vai cogitar nada com você, testuda-burra! Vai nele e fala que era mentira, que ainda gosta dele e vai lutar por ele de qualquer jeito!
Sakura piscava atônita, levando as palavras de Ino na cara. Shikamaru, que fora violentamente atirado num canto, apenas coçava a nuca sem entender nada.
- Eu não perdi o Sasuke-kun pra uma covarde! - Ela virou-se rápida para Shikamaru - Não que eu me importe! - Voltou-se para Sakura - Então levanta daí e vai logo atrás dele!
Ino puxou Sakura pelo braço, forçando-a a ficar de pé. Sakura puxou sua mão de volta, desviando o olhar. Ino percebeu seus olhos verdes frios, e pareceu perder toda a motivação.
Deixou sua própria mão cair de encontro ao corpo.
Depois de alguns segundos, Sakura virou-se para ir embora.
- Sinto muito, Ino-porca. Eu não posso fazer isso. Eu decidi esquecer o Sasuke-kun e é isso que vou fazer.
Dizendo isso, Sakura saiu correndo para a ponte, sumindo de vista. Ino virou-se para Shikamaru com um semblante triste.
- Será que eu só piorei as coisas?
Shikamaru deu de ombros, olhando para o céu entediado.
- Como sempre você se mete em tudo, então não vou dizer nada. Mas você se preocupa com a Sakura, então deve ter feito a coisa certa. Eu acho né, já que não sei do que vocês estavam falando afinal.
- Ai, Shikamaru, você ein...
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Era uma conspiração. Sasuke tinha certeza. Ele estava sendo encurralado. Naruto o empurrou com força contra o banco da praça, e ele se deixou cair sentado absolutamente inexpressivo.
- Agora é oficial, Sasuke! Você só sai daqui quando resolver fazer alguma coisa!
O Uchiha olhou desinteressado para os olhos que o focavam. Naruto, Kiba, Sai e Neji. Akamaru abanava o rabo feliz da vida ali ao lado, e o Hyuuga estava ali apenas porque Naruto iria acompanhá-lo ao distrito dos Uchiha pra ver Hinata.
- Desembucha, teme! Confessa que você tá apaixonado! - Naruto apontou um dedo acusador.
Neji deu um sorriso sarcástico, surpreso.
- Ele? Que história é essa?
- É o Naruto sendo um débil de novo. - Sasuke pendeu a cabeça, desgostoso.
- Woe, nem vem que não tem! - Kiba enfiou as mãos nos bolsos, com um sorrisão - O Naruto já me contou como você anda estressado! Cara, logo você, eu nunca achei que isso fôsse acontecer!
- Hm... Então certas pessoas são incapazes de se apaixonar? - Sai se perdeu em devaneios. Sasuke olhou para ele irritado.
- Você não sabe nada sobre essas coisas, porque está aqui?
- AHÁ, então você admite! - Urrou Naruto.
- Não admito droga nenhuma. Só não sei porque o Sai está interessado nessa sua hipótese estúpida à ponto de me encher o saco também.
- Eu estou aqui porque a Sakura é alguém importante pra mim. - Sai tinha decorado aquilo de um dos seus livros de auto-ajuda, certo de que era a melhor resposta numa situação como aquelas. Mas isso só serviu pra deixar Sasuke puto de vez.
- Se a Sakura é tão importante assim então vá você atrás dela se declarar ou sei lá o que. - Ele levantou-se bufando, disposto à ir embora. Mas antes que se livrasse dos quatro, Akamaru entrou na sua frente, bloqueando o caminho.
Ele encarou o cão com um tique no olho.
- "Até você?"
- Você está sendo a besta mais besta de Konoha, Sasuke! - Naruto olhou para os companheiros pedindo auxílio - Vocês não acham, hein, hein? E você, Neji, você e a TenTen têm um caso, né? Então você me entende e...
- Ei! Você fala demais! - Interveio Neji, estendendo a mão - Não sei nada sobre isso.
- ARGH! - Naruto segurou sua própria cabeça, balançando-se - Por que diabos todos vocês não admitem uma coisa tão simples?! Quer saber, que se danem!
Naruto recompôs-se da raiva e respirou fundo. Saiu marchando em direção ao distrito dos Hyuuga.
- Pode ficar aí então Neji, não faço questão da sua companhia! Eu vou ver a Hinata-chan porque não sou um mané viadinho!
Eles ficaram encarando Naruto se distanciar meio abobados. Até que, por fim, Kiba aproximou-se de Sasuke suspirando.
- É, cara, você está em sérios apuros. - Ele deu um tapinha no ombro do Uchiha, que o olhou feio.
- Hn. O Naruto diz muitas coisas desnecessárias, mas às vezes ele tem razão. - Neji fechou os olhos, dando um meio sorriso. - Bem, acho que vou pra outro lugar, então. Até mais.
Neji virou-se, indo calmamente na direção contrária. Kiba fêz um sinal para Akamaru.
- Vamos embora também, Akamaru! O Neji com certeza está indo pra casa da TenTen então eu só tenho você, amigo!
Akamaru foi nde encontro ao dono. Antes de tomar seu rumo também, Kiba lançou um olhar divertido para Sasuke.
- Ne, Sasuke! Eu não deixaria que ninguém me chamasse de viadinho, se fôsse você!
Ele estendeu a mão em sinal de despedida, e sumiu pelas esquinas com Akamaru.
Sasuke ficou vários minutos ali em pé, parado. Passou a mão pelos cabelos um instante, pensativo.
Ele já tinha matado o próprio irmão. Ele já era um dos shinobis mais fortes da Vila. Já era um ANBU renomado e admirado. Sua única prerrogativa de vida era reconstruir seu clão, e fora isso sua vida era tão vazia como sempre fora.
Até aquela tarde em que viu Sakura e Sai se beijarem.
Se uma coisa daquelas havia mudado tão drasticamente seu comportamente, era hora de admitir que não tinha sido uma besteirinha qualquer. Ele soltou um grunhido de raiva e socou o poste ao lado de leve, dando um sorriso maroto.
- Que droga, Naruto. Você sempre me faz enxergar as coisas que não quero ver, dobe.
Ele tinha decidido, não é? Chega daquilo tudo.
Iria dar um ponto final nessa história.
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Sakura suspirou de novo, sentindo a brisa do fim de tarde balançar-lhe os cabelos. Apoiou a cabeça no tronco atrás de si.
As palavras de Ino ainda ecoavam em sua mente, e tudo o que ela precisava era ficar sozinha um momento para esquecê-las.
Ali, nos arredores da vila, sempre haviam lugares bonitos. Ela gostava daquele, em particular. O rio corria calmamente pelas rochas e pequenas cascatas, contornado pelas margens limpas e pelas árvores estrondosas.
Quando eles eram gennins, costumavam pescar ali. Missões tão bobas. Ela riu, pensando que, no fim das contas, apenas ela havia se tornado uma chuunin. Lembrou-se das palavras de Kakashi anos atrás, quando eles aprenderam como concentrar o chackra nos pés...
"-... Agora, a que está mais próxima de se tornar Hokage é a Sakura."
- Sasuke-kun era tão intimidador naquele tempo. - Ela abriu um pouco os olhos, encarando o céu alaranjado - O quanto você mudou, Sasuke-kun? Nada, não é mesmo?
- Sakura!
Ela olhou para baixo surpresa. Sai acenava com o braço pra que ela descesse do galho. A garota pulou até a grama calmamente, sorrindo.
- Yo, Sai. O que você está fazendo aqui?
- Vim te entregar uma coisa. Sabia que você estaria por aí pensando na vida.
Ele mexeu na mochila que tinha nas costas, procurando alguma coisa. Sakura piscou, um pouco curiosa. O rapaz finalmente achou o que estava procurando, e puxou uma folha de papel, sorrindo.
- Aqui. Espero que você goste. - Ele estendeu a folha.
Sakura recebeu o papel e perdeu o fôlego. Era um desenho dela própria, mas era muito diferente de todos os outros desenhos de Sai. Estava muito bem feito, cheio de detalhes e muito realista. No desenho, Sakura segurava uma flor entre as mãos, encarando o observador profundamente. Parecia um anjo ilustrado.
- Ah, Sai... - Ela olhou para ele, emocionada - Não acredito que você fez isso! É lindo, mas, por que?
- É pra você não se sentir mal por causa do Sasuke. Têm outras pessoas que pensam em você, e é importante saber disso. - Ele ergueu um dedo didático, ainda sorrindo - Como nós estamos cultivando nossa amizade, achei importante de dar um presente e...
Sai parou de falar, pego de surpresa. Sakura tinha se impulsionado com tudo e enlaçado-lhe o pescoço num abraço apertado.
- Obrigada, Sai! Você é sim um bom amigo, pode ter certeza! - Disse ela rindo, apertando o abraço.
Sai ficou alguns segundos sem reação, mas depois sorriu e retribuiu o abraço.
Sakura poderia se esquecer de Sasuke, afinal. Ela tinha amigos muito bons, como Sai. Incrível que admitisse isso, porque muitas vezes o desenhista conseguia ser um pé no saco, mas ela estava realmente feliz.
Tudo ficaria bem. Ela podia contar com Sai, com Naruto, com Ino, e continuaria sua vida como sempre e disposta à nunca mais voltar à cair em sua paixão doentia por Sasuke. Era uma perda de tempo gostar de alguém que nunca a daria aquele tipo de atenção.
Então ela foi puxada para trás com violência. Cambaleou um pouco, sem ação, e quase não conseguiu enxegar direito quando Sasuke puxou Sai para si e aplicou-lhe um poderoso soco na cara.
Sua mente não conseguiu processar a coisa toda de imediato. Sasuke, ainda com o punho armado, olhava friamente para um Sai caído no chão, que enxugava o maxilar com um filete de sangue saindo dos lábios, e olhava para o Uchiha surpreso.
- Sasuke... kun? - Sakura murmurrou totalmente abobalhada, segurando o desenho de Sai contra o peito. - Mas o que?...
- Eu entendo que vocês sejam amigos, mas nunca mais chegue tão perto dela. - Sasuke abaixou o punho, sério.
Sai sorriu. Levantou-se meio desequilibrado, terminando de limpar o sangue na boca.
- Gomen ne.
- Espera aí! - O cérebro de Sakura voltava a funcionar lentamente - Fui eu que o abracei, você não podia ter batido nele!
Sasuke virou-se para ela seco, com o cenho franzido.
- Então você fica por aí abraçando qualquer um?
- Claro que não! - Sakura ergueu a folha de papel - Ele me deu um presente, e foi muito legal comigo, foi só um abraço!
- Hunf.
Sasuke voltou-se para Sai, e ficou alguns minutos calado. Até que, muito à contragosto, girou os olhos.
- Ok. Desculpe.
- Tudo bem, Sasuke, acho que entendo o seu lado! - Sai não parecia nada afetado pelo clima horroroso que tomara conta do ambiente. Até abanava a mão, displicente - Eu mereci um soco, mesmo! Prometo que não vou mais abraçar a Sakura, nem beijá-la.
Sakura teve vontade de descer o segundo soco em Sai na hora, mas Sasuke não ficou surpreso ao ouvir aquilo. Ela olhou para ele indagativa. Ele já sabia?
- Hn. Certo.
- Então, eu estou indo! - Sai virou-se acenando, como se nunca tivesse levado uma porrada - Espero que vocês se entendam!
Enquanto Sai ia embora, Sakura considerava que aquela fora a cena mais bizarra que já vivenciara em toda a sua vida. Mas então um moinstro começou a crescer no seu peito, de repente.
- O que você está fazendo aqui?!
Sasuke pensou um pouco pra ter certeza se ela estava falando com ele. Como assim o que ele estava fazendo ali?
- Como assim o que eu estou fazendo aqui? - Virou-se para ela, aborrecido.
- Só "desculpas" é muito pouco pra quem bate em outra pessoa sem motivo nenhum! - Sakura guardou o desenho de Sai dentro da blusa, olhando para Sasuke com raiva.
- Se eu não tivesse feito isso, provavelmente vocês estariam aos beijos agora. - Sasuke fez uma careta de desdém, e aquilo tinha sido a gota d'água.
Ela deu um passo pra frente, complatamente irritada.
- Aos beijos?! Como você pode dizer uma coisa assim? O Sai não é como você que não tem nenhum pudor! Ele sabe a consequencia das coisas que faz!
- E o que você quer dizer? - Sasuke ergueu uma sombrancelha. Sakura deu mais um passo, impaciente.
- O Sai não me deixa sofrendo sem nenhuma explicação! Ele não acaba comigo igual à você! Por que faz isso, Sasuke-kun?! Só veio aqui pra me deixar pior, é?!
Sasuke apenas observava Sakura se alterar. Será que ela não entendia? Sera que aquela maldita garota irritante não entendia?!
- Isso aqui foi a pior coisa que você podia ter feito comigo! - Sakura mostrou o pescoço marcado com as lágrimas começando a saltar de seus olhos - E eu já vou começar a chorar de novo por sua causa! Por que eu me sinto feliz por você ter batido no Sai, sendo que eu sei que não é ciúmes?! Por que não me livro dessa droga de roxo e esqueço você de uma vez?
Sasuke abaixou a cabeça, absorvendo as palavras. Sua expressão continuava neutra, e aquilo só deixou a médica-nin mais brava ainda.
Ela fechou os olhos marejados com força, cerrando os punhos.
- E você nunca me diz nada! Me olha como se eu fôsse uma criança, mas faz tempo que eu deixei de ser uma tonta! Eu juro que vou deixar você pra trás Sasuke-kun, eu juro que...
Ela foi jogada pra trás novamente. Só que, dessa vez, seus pés falharam e ela sentiu as costas baterem força no gramado. Seus cabelos foram afastados com agilidade e, pela terceira vez, lá estava ele com seu corpo colado ao dela, com os lábios presos contra seu pescoço...
Teve vontade de gritar, gritar muito, mas ele a calava assim, com tanta facilidade...
Sasuke era um pouco pesado, mas não doía. Ela sentia cada mílimetro de si comprimido contra o chão, um arrepio intenso no lugar onde Sasuke parecia querer sugar seu sangue.
Ele iria se afastar e dizer que ela era sim uma idiota. Que só falava idiotices e que sempre cairia numa armadilha caso alguém a surpreendesse daquele jeito. Ela só era a Sakura irritante e isso nunca mudaria.
Ela apenas fechou os olhos e sentiu o que seria a última vez em que o teria assim tão perto. Mesmo que fosse uma ilusão, ela não pôde se conter, e só quis aproveitar aquilo. Era uma mentira necessária.
Uma mentira que valeria a pena, mesmo que só durasse alguns segundos.
Ele finalmente se afastou. Ela se preparou para as palavras. Ele deu um suspiro pesado e trincou os dentes.
- Você me irrita tanto, Sakura, é insuportável. Agradeça ao idiota do Naruto por isso, eu estou louco por você.
Ela arregalou os olhos. A últimas lágrimas desceram por sua bochecha e Sasuke soltou um grunhido, desviando o olhar.
- Não sou bom com essas coisas, então não me olhe assim, droga. É só o que posso dizer.
Pronto, tinha dito, e agora ela parecia ter partido prum outro planeta do qual não voltaria tão cedo, porque não respondia uma palavra. Apenas o encarava com aqueles olhos tão verdes, que agora se semi-cerravam.
- Você vai ficar calada? - Ele fechou a cara. Era assim que se respondia uma declaração daquelas? Ele tinha se penado a tarde inteira pra descobrir como diria aquilo, e ela ficava assim, estática?
- Sasuke-kun. - A moça falou, baixinho. Ele esperou as próximas palavras, mas elas não vieram.
As mãozinhas dela deslizaram por todo o seu peito, e por um momento ele ficou surpreso. Sentiu aqueles dedos delicados tornearem sua nuca e envolverem seu pescoço gentilmente.
Foi puxado para baixo e seus lábios se colaram.
Uma sensação indescritível tomou conta de seu corpo na hora. Tanto que não conseguiu fechar os olhos imediatamente. Era o primeiro beijo de toda a sua vida, e nunca achou que daria bola pra isso, mas agora percebia o quanto tinha perdido.
Fechou os olhos decidido, e enlaçou-a pela cintura.
Claro que chegaria um momento de sua vida que seu coração não estaria mais preenchido pelo ódio e pelo desejo de vingança.
Claro que chegaria um momento em que até ele iria se "apaixonar" por alguém.
E Sakura não ligava pra mais nada. Sasuke sempre a arrebatava de uma forma inesperada, e inevitavelmente ela sabia que sempre se deixaria nas mãos dele.
Porque o amava de todo o coração, sempre o amara, e Ino era a porca mais inteligente que havia naquele mundo.
Ficaram assim, com os lábios e corpos colados contra a relva. O pôr-do-sol se iniciava e Sasuke apertou mais aquela fina cintura, aprofundando o beijo com a língua. Sentiu a menina suspirar e afastar a blusa de seu kimono com uma das mãos lentamente.
Ela o empurrou de leve, desfazendo o beijo. Sasuke a olhou interrogativa, e ela sorriu.
- Ne, Sasuke-kun...
- Hn? - Ele piscou, encarando as longas pestanas da moça.
- O seu beijo. Tem gosto de dango. - Ela riu.
Sasuke não pôde reprimir um risinho também. Fechou os olhos, balançando um pouco a cabeça.
Não tinha jeito.
Ele não poderia deixá-la se afastar. Nunca mais.
A menina puxou-o de volta contra seu corpo, mas ao invés de retomar o beijo, colocou os lábios contra o pescoço do Uchiha.
Sasuke a apertou mais, sentindo um arrepio intenso passar por sua nuca. Ele poderia ficar ali para sempre, e Sakura poderia ser o quão irritante fôsse, o quão boba fôsse, ela também ficaria ali.
Realmente ficaria.
E os dois souberam que aquilo era só o começo. Afinal, eles tinham todo um corpo pra ficar roxo e todo um clã pra reconstruir.
OWARI
Muito obrigada à todos que leram e deixaram reviews pela fic!!! Adoraria saber o que vocês acharam desse final, e também gostaria de saber se tenho apoio à escrever novas fics SasuxSaku, huahuahua! Arigatooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooooou!
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Atrás de alguns arbustos, Sai, Naruto, Kiba e um Neji que não sabia exatamente porque ainda estava ali observavam a cena que ocorria à margem do rio assombrados.
- Ahá, eu nunca vou deixá-lo em paz depois dessa! - Disse Naruto socando o ar freneticamente.
- Shhhh! Eles vão nos perceber! Olha lá, o negócio tá ficando bom, hahaha, quem diria, logo o Sasuke. - Kiba segurava a risada, com a cara enfiada entre as folhas.
- Toda essa história daria um bom livro sobre o comportamento das pessoas. - Sai puxou um bloquinho de folhas, sorridente.
- Por que mesmo estou aqui? - Neji olhou para o céu, suspirando.
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XD
