Título: First Love
Autora: Eri-Chan
Beta: Samantha Tiger Blackthorn e Yume Vy
Fandom: Weiss Kreuz
Casal: Aya x Omi
Classificação: NC-17
Gênero: Yaoi, Romance, Fluffy
Disclamer: Os personagens de Weiss Kreuz pertencem a Takehito Koyasu (o dono do sorriso mais 'lindo') e Project Weiss
Sinopse: Acostumado a estar sempre sozinho em meio a uma multidão, Omi mascarou seus sentimentos. Por trás de seu sorriso sempre alegre se esconde uma gama de sentimentos confusos, normal em alguém da sua idade. No meio desse mar de hormônios como o jovem hacker reagirá à chegada de seu primeiro amor?
Observação: Plot desenvolvido para o 1º Amigo Secreto do LJ Secrets Place, e a amiga sorteada foi a Yoru no Yami.

First Love
Eri-Chan

Parte II

Algumas horas se passaram e Omi começou a ter a impressão de estar sendo observado. Pensando nisso, vez ou outra olhava ao seu redor procurando a origem dessa sensação, mas tudo o que via era as garotas histéricas de sempre ou Aya e Ken concentrados em seus afazeres.

Ouviu a campainha da porta anunciando a entrada de alguém. Esperando ser mais uma cliente viu que era Yohji voltando de suas entregas e um estremecimento percorreu seu corpo. Sabia que os amigos queriam conversar com ele e que uma hora não poderia mais fugir, mas com alivio viu o mais velho ir até onde Aya estava e lhe entregar os recibos para serem conferidos.

Mas sua tranqüilidade durou pouco. Seu coração palpitava pela sensação incômoda de estar sendo observado, queria entender o porquê daquilo, mas sempre que olhava ao seu redor, tudo estava normal, nada que pudesse justificar essa estranha impressão.

Algumas clientes entraram, sendo prontamente atendidas por Yohji e Ken. Aproveitando o pequeno intervalo Omi ficou observando disfarçadamente Aya trabalhar, encantado com os movimentos firmes, porém delicados do ruivo com os lírios que colocava no arranjo.

Quando sua mente voltava a ser invadida por mais imagens do sonho, uma senhora idosa entrou atrás de um arranjo de Magnólias. Andando rapidamente para buscar o pedido da senhora Omi viu Mio, sua colega de classe, a observá-lo do lado de fora da floricultura. O chibi automaticamente corou, recordando as palavras de Aki e Shun sobre os sentimentos da garota. Voltou sua atenção à senhora, mas com o canto do olho pôde ver a garota entrar e observá-lo com intensidade ainda maior enquanto caminhava por entre os diversos vasos de flores.

Assim que entregou o arranjo para a senhora, que saiu elogiando o bom trabalho do rapaz, Omi viu Mio se aproximando com passos lentos. Um doce sorriso lhe adornava o belo rosto de fada, seus olhos brilhando, alegres, ao deslumbrar o loirinho.

Ao chegar perto do chibi, a garota soltou os cabelos presos em um belo rabo de cavalo e o cumprimentou com sua melodiosa voz:

– Olá, Omi-kun!

– Yo, Mio-chan! – Omi percebeu os olhares de Yohji e Ken sobre si e respirou fundo.

– Eu não sabia que você trabalhava nessa floricultura. Faz muito tempo? – Continuou Mio, seus olhos cintilando ao perceber como o chibi ficava sem jeito em sua presença.

– Mais ou menos dois anos. – O loirinho estava inquieto. A intensidade do olhar da garota estava deixando-o extremamente incomodado.

– Bastante tempo. – Riu docemente enquanto colocava uma mecha de cabelo atrás da orelha. – Sempre elogiaram essa floricultura, agora sei o motivo. Bom saber que há uma floricultura de confiança por perto, assim não terei dúvidas de onde ir quando quiser flores.

– Gosta de flores, Mio-chan? – Omi perguntou polido, enquanto seu olhar recaía rapidamente no ruivo, que continuava compenetrado nos arranjos que fazia.

– Na verdade, as odeio. – A resposta pegou Omi de surpresa. Sua expressão demonstrando o choque, isso fez com que o sorriso de Mio aumentasse. – Mas só por poder vê-lo mais vezes fora da escola passo a adorá-las.

Omi sentiu seu rosto queimar pelo rubor intenso. Não sabia o que responder, como reagir. Agora tinha plena certeza que o que Aki e Shun lhe disseram não era uma simples brincadeira, mas uma pura verdade.

A garota o fitava, uma expressão de pura adoração lhe iluminando o rosto. Constrangido Omi perdeu as palavras, uma súbita vontade de sumir dali lhe invadiu o ser. Queria se afastar, ficar fora de alcance do olhar que parecia devorá-lo.

Sentiu-se claustrofóbico, precisava de ar, de espaço. Olhou para Yohji e Ken, mas eles estavam ocupados com mais clientes e não poderiam ajudá-lo.

Voltou a olhar para Mio e viu que a garota olhava perdida para as flores, como se estivesse em dúvida sobre qual escolher. Omi não podia negar que a beleza da garota era estonteante, mas isso não o abalava. Não gostava de coisas superficiais, apreciava muito mais o interior das pessoas. Suspirou, percebendo o olhar animado da garota sobre si.

– De que flores você mais gosta, Omi-kun? – Perguntou enquanto olhava meigamente para o loirinho.

– Frésias. – Omi respondeu sem saber a intenção da pergunta.

– Então, me faz um arranjo de frésias com jasmim? – Dizendo isso deslizou a mão direita sobre a alça do avental do chibi, um gesto sedutor que o deixou muito constrangido.

Caminhando até o balcão onde Aya trabalhava com os arranjos para casamento, Omi pegou um vaso e começou a montar o pedido de Mio. Sempre sob o olhar incisivo dos belos orbes cor de mel.

A cada segundo que passava o desconforto do jovem hacker aumentava mais. Preocupava-se com os sentimentos de Mio, não queria magoá-la, pois sempre tinha sido uma boa colega na escola, mas também não podia dar-lhe esperanças. Apesar de não saber a natureza de seus sentimentos com relação à Aya, sabia que era por ele que seu coração disparava, que seu corpo reagia, e não podia simplesmente ir contra algo tão forte, capaz de lhe fazer perder noites de sono.

As mãos do chibi, em geral habilidosas em fazer arranjos, estavam travadas, seus movimentos trêmulos pelo nervosismo que se instalava em seu ser dificultando o trançado com as flores. A tensão era evidente. Por mais que tentasse, não conseguia relaxar. Mesmo à distância, o olhar da garota o fazia ficar corado, embaraçado por não saber como agir nessa situação.

E a curta distância que havia entre Aya e ele não o permitia raciocinar direito, deixando-o ainda mais nervoso. O aroma de rosas que sempre emanava do ruivo o entorpecia, trazendo-lhe à tona todas as sensações provocadas pelo sonho.

Lutando para que o corpo não cedesse aos estímulos das imagens em sua mente, Omi apressou-se em terminar o arranjo. Sua cabeça já estava cheia demais e não queria ser pego em uma situação mais embaraçosa do que a qual já se encontrava.

Terminando o arranjo, o pegou com cuidado, tentando ser firme apesar de ainda estar trêmulo com as reações provocadas pela simples proximidade com o ruivo. Com passos lentos voltou para o lado de Mio... Era evidente a satisfação da garota por tê-lo ao seu lado e isso lhe provocou um calafrio de apreensão.

A campainha da porta soou mais uma vez, mas Omi não olhou para ver quem entrava, seus orbes estavam fixos na expressão de felicidade no rosto de Mio. Sentia-se extremamente culpado por não poder corresponder aos sentimentos da garota. Fitou Aya que continuava focado nos arranjos, procurando desesperadamente por algo que o afastasse da moça sem chateá-la. Viu Yohji passar para atender mais uma cliente, enquanto Ken o observava à distância, sem dar sinais que iria interferir na conversa. Contendo um suspiro, tentou impor um tom mais animado à sua voz:

– Aqui está seu pedido, Mio-Chan! – Omi tentou sorrir, como fazia com todas as clientes, mas não conseguiu, pois quando estendeu o vaso para entregá-lo a moça fez questão de acariciar-lhe as mãos antes de segurar o arranjo. – Espero que esteja de seu agrado.

Ouka, que tinha acabado de entrar na floricultura para ver Omi como fazia todos os dias, estacou em frente à porta ao se deparar com a cena e seus olhos se semicerraram, irradiando um brilho mortal. Com passos decididos, porém lentos, começou a se aproximar dos dois que ainda não tinham percebido sua presença.

Omi olhava encabulado para Mio que detinha um sorriso maroto. Agora a garota estava ficando inconveniente... Podia ouvir as reclamações e histerias das colegiais irritadas que observam a cena. Tudo o que mais desejava no momento era que Mio fosse embora para que pudesse voltar a se abrigar em seus pensamentos.

Mio deu um passo à frente, se aproximando mais do loirinho e tocou com uma das mãos o rosto do chibi com suavidade e depois se inclinou dando-lhe um beijo estalado na bochecha. Pego de surpresa, Omi recuou alguns passos, espantado com a ousadia demonstrada pela garota.

Sorrindo ainda mais com reação acanhada de Omi, a garota estendeu o arranjo em direção à Omi.

– É pra você, Omi-kun! – Disse extasiada pelo evidente rubor que tomou a face do loirinho.

Omi ficou sem saber o que fazer. Temeu em aceitar o presente e despertar falsas esperanças ou se negar a pegar e magoá-la. Não vendo alternativas e querendo evitar constranger a moça na frente de todos ali presente, o loirinho pegou o arranjo murmurando um agradecimento.

Ao ver Omi aceitar o arranjo, Ouka apressou o passo, sua voz antecedeu sua chegada:

– Konichu wa, Omi-kun! – Ela se aproximou notando o desconforto do rapaz.

Omi suspirou baixinho, evidentemente aliviado por alguém interromper aquela cena visivelmente lamentável.

– Você está bem, Omi-kun? Está tão vermelho e ofegante... – Ela falou com Omi, mas não tirou o olho da outra garota. – Tem alguma coisa te incomodando?

Ele bem que tentou responder, mas Mio não deixou, foi logo se adiantando:

– Ele está muito bem, estávamos conversando tranquilamente até nos interromperem. – Sua voz continuava em tom baixo, mas a acidez era perceptível.

A troca de olhares furiosos entre as duas garotas fez o alívio de Omi desaparecer, sendo substituído por apreensão novamente. O loirinho abaixou a cabeça observando o arranjo em suas mãos.

Ouka tirou os olhos por um instante da outra e seguiu o olhar do chibi vendo o arranjo. Com um sorriso pontuado pela ironia comentou:

– Que lindo arranjo! Parece que você adivinhou, vim encomendar um exatamente assim. Uma amiga minha faz aniversário hoje e adora frésias.

Omi olhou de Ouka para Mio pressentindo que aquilo não acabaria bem. Fechou os olhos com força, torcendo para que algum dos rapazes percebesse o que estava acontecendo e o tirasse desse sufoco.

Ouka encarou Mio, medindo-a da cabeça aos pés com ar de pouco caso, em seu rosto desprezo e desdém eram nítidos. Com um sorriso cínico pegou o arranjo das mãos de Omi, acomodando-o em seus braços. Isso fez com que o hacker abrisse os olhos e a encarasse com um brilho intrigado no olhar. Com uma voz meiga, Ouka falou enquanto ainda encarava a outra garota:

– Vou levar este mesmo. Ele é perfeito!

Lançando um olhar cheio de ódio, Mio se adiantou e tomou com brusquidão o arranjo das mãos de Ouka.

– Você não vai levar coisa nenhuma. Esse arranjo é para o Omi. – Sua voz saiu carregada de desprezo e fúria.

Sem perder a compostura, Ouka rebateu calmamente, enquanto abraçava o chibi pelos ombros:

– E quem disse que você pode dar presentinhos para o meu namorado? – Ao ouvir isso, Omi desfez logo o abraço e quando ia negar a afirmação foi impedido por Mio que se colocou entre ele e a garota.

– Você não é dona dele. Omi tem o direito de escolher quem quer ter por perto.

Ouka assumiu uma pose de deboche, uma mão na cintura, enquanto a outra gesticulava com desdém. Encarando a loira nos olhos disse:

– E você acha que ele preferiria ter alguém como você por perto? – Sua voz saiu mais aguda, em um tom de total incredulidade. – Duvido muito.

– Ah, eu é que duvido que ele tenha tanto mal gosto a ponto de preferir uma mocréia sem sal como você por perto. – Mio empinou o nariz.

– Se eu sou mocréia, você é o quê, loira aguada? – Sem se deixar abater, Ouka viu com satisfação sua oponente espumar de raiva, sem ter uma resposta pronta.

Respirando fundo, tentando recuperar o autocontrole, Mio virou-se para Omi devagar e entregou-lhe o arranjo novamente. Sorriu-lhe docemente e voltou a encarar Ouka, um sorriso vitorioso adornando-lhe o rosto de belos traços.

– Posso ser uma loira aguada, mas é comigo que Omi ficará no final. – Dizendo isso, jogou uma mecha de seus cabelos para trás, em um gesto de pura superioridade.

Omi ficou boquiaberto. Não acreditava que aquilo estava realmente acontecendo. Olhando em volta, viu que todos prestavam atenção na cena, surpresos demais para reagirem, somente Aya continuava aparentemente absorto em fazer seus arranjos, a mesma expressão séria no rosto, o barulho da discussão tirando sua concentração.

A porta da floricultura abriu-se mais uma vez. Manx, que carregava uma pasta contendo uma nova missão paralisou na porta, apreendendo rapidamente toda a situação.

Ouka colocou a outra mão na cintura, sua postura passara de deboche para desafio. Seu tom de voz era gélido:

– Isso se eu deixar.

Omi tentou interferir mais uma vez, pois não queria que essa discussão continuasse. Tentou falar, mas foi ignorado. A aura de ódio entre as duas garotas era palpável, e isso as deixava cegas e surdas para todo o resto, somente importando a disputa pelo coração do chibi.

"Por que isso está acontecendo comigo? O que eu fiz para merecer uma coisa dessas?" – O hacker respirou fundo enquanto mil perguntas passavam pela sua cabeça, e para nenhuma delas achava uma resposta.

A briga estava esquentando, mas mesmo assim ninguém conseguia reagir. Todos olhavam, chocados demais para fazerem algo.

– Você não tem que deixar, querida! – Mio fez um gesto de desdém, a ironia escorrendo entre suas palavras, principalmente ao destacar a última palavra. – Isso vai acontecer mais cedo ou mais tarde e ele será todo e só meu. O Omi pode até ficar um pouco ao seu lado, mas só para descobrir como ficar comigo é estar no paraíso.

Cansado de ser ignorado e chocado com todas as inverdades proferidas pelas garotas, o loirinho suspirou exasperado. Revirando os olhos, caminhou até o balcão onde depositou o arranjo que segurava e entrou com passos duros pela porta de comunicação.

As garotas estavam tão focadas em debaterem, que nem perceberam que o rapaz fora embora, continuaram com as insinuações e escárnios.

Ouka gargalhou, seus olhos cintilavam puro desprezo pelo ser a sua frente. Gesticulando com as mãos rebateu:

– Aí, você cai da cama e acorda, não é meu bem? – O cinismo em suas palavras provocou a ira de Mio.

– Sua... – A loira avançou para atacar Ouka, que permaneceu em sua posição de desafio.

– Chega! – Yohji interveio bem na hora, segurando Mio pela cintura antes que a garota conseguisse dar o primeiro tapa.

– Parem com isso já! – Ken segurou Ouka que também avançava, preparando-se para a briga.

As garotas se debatiam nos braços dos dois Weiss. A raiva fazendo com que perdessem totalmente o autocontrole.

Manx olhou para Aya e com um meneio de cabeça indicou que iria esperar na casa. Com passos rápidos, passou pela floricultura, sumindo pela porta de comunicação.

O ruivo levantou-se, deixando seus arranjos e caminhou rápido e silencioso como um felino até onde as garotas estavam sendo contidas pelos dois Weiss. Sua expressão fria fez com que elas estremecessem e se aquietassem. Parou em frente as duas, seus belos olhos violetas brilhando intensamente. Encarou-as por alguns instantes, sua fisionomia rígida e autoritária.

As duas já esperavam por um sermão, mas o que ouviram doeu no direto no orgulho:

– Retirem-se! – A voz autoritária demonstrava indiferença e quase repugnância, paralisando as garotas.

As duas apenas continuaram a se encarar. Vendo-as sem reação mais uma vez Aya se fez ouvir:

– E se for pra voltar aqui e fazer essa cena de novo, não voltem... Ou eu mesmo me encarrego de expulsar vocês. – Disse friamente, com seus olhos faiscando. - Aqui é um local de trabalho, não um botequim de esquina onde os clientes saem no tapa por briguinhas de amor! – O que era ridículo em sua opinião... Além de atrapalhar o resto da freguesia.

Mio foi a primeira a reagir. Soltou-se dos braços fortes de Yohji, o empurrando para longe de si e arrumando suas roupas amassadas, ajeitou os fios dourados novamente em um rabo de cavalo e foi até o balcão onde pegou o arranjo deixado por Omi. Em cima do mesmo deixou alguns ienes pagando pelo trabalho do chibi, caminhando resoluta até a porta, o nariz empinado, tentando manter o orgulho intacto, indo embora sem olhar para trás.

Apenas quando teve certeza que a garota estava em uma distância segura, Ken soltou Ouka. A garota olhou os três Weiss e fazendo uma leve e quase imperceptível reverencia também se retirou sem olhar para trás.

– Hora de fechar a Koneko. – Aya disse sem olhar para os outros dois, enquanto começava a recolher os vasos expostos do lado de fora.

Yohji e Ken se entreolharam, ainda espantados pelo acontecido. Ajudaram o ruivo, tentando driblar as colegiais que choramingavam por terem que ir embora tão cedo e não poder vê-los um pouco mais.

Enquanto organizavam as coisas, Yohji comentou suspirando:

– Que loucura! Não é à toa que o chibi está daquele jeito. Logo duas disputando a atenção dele.

– Realmente é uma situação delicada. Conhecendo ele, deve estar preocupado em não magoar nenhuma das duas. – Ken concordou, sua voz soando pensativa. – Bem que você disse que o problema dele era amoroso.

– Mas, sabe de uma coisa? – O loiro deu uma risada marota, um brilho no olhar que chamou a atenção de Ken que parou o que fazia para encarar o amigo. – Se eu fosse o pequeno pegava as duas.

Ken quase largou o vaso que carregava tamanha a indignação ao ouvir as palavras do loiro.

– Eu não acredito que ouvi isso, Yotan! – O moreno revirou os olhos exasperado enquanto o mais velho gargalhava.

Aya parou tudo o que estava fazendo e olhou para os outros dois. Sua expressão séria fez com que o sorriso de Yohji esmorecesse um pouco. As íris violetas cintilavam ainda mais intensamente.

– Terminem de arrumar isso aqui rapidamente. Manx nos espera com uma missão. – Dizendo isso entrou na casa, deixando os outros dois a se entreolharem tentando entender o que tinha acontecido para que Aya agisse daquele jeito estranho.

Em silêncio terminaram de recolher os vasos e fecharam as portas da floricultura. Não demorou muito e logo os dois estavam entrando em casa, indo direto para a sala das missões.

Chegando lá, todos já estavam presentes, somente esperando por eles. Ken sentou-se no sofá ao lado de Omi que permanecia de cabeça baixa, pensativo. Yohji ficou na escada, observando Aya que estava encostado na parede em sua posição habitual.

"Só pode ser isso. Não tem outra explicação." – O ex-detetive pensou enquanto Manx colocava o DVD com a missão, um sorriso maroto adornando seu rosto. Sua intuição nunca falhava e ao olhar novamente para o espadachim seu sorriso aumentou. Satisfeito com sua dedução, voltou a prestar atenção na missão.

ooOoo

À noite, em seu quarto, Omi estava deitado de bruços em sua cama, vestindo um confortável pijama de algodão. Mexia em seu notebook, pesquisando todas as informações possíveis que ajudassem os Weiss na missão do dia seguinte.

Os alvos eram o empresário germânico Dietrich Abramovich, o presidente de uma das mais conceituadas multinacionais do Japão e sua esposa. Eles usavam suas empresas como fachada, sendo que o principal negócio era o tráfico de crianças para trabalho escravo.

A missão era simples, executar Abramovich e sua esposa enquanto estavam em sua mansão, nos arredores de Kyoto e pegar o microchip que continha todas as informações das vítimas e seus compradores. Os quatro fariam essa pequena viagem para concluir a missão no dia seguinte.

O jovem digitava com rapidez, usando senhas e programas para quebrar as barreiras e acessar informações secretas. Logo estava com as plantas da mansão Abramovich. Pegou também mapas dos arredores, bolando rotas de fuga seguras.

Apesar de sua concentração na preparação do plano de ataque, sua cabeça estava longe dali... Cenas dos últimos dias dançavam em sua mente, fazendo com que seu coração se apertasse.

Sentia-se culpado pela discussão das garotas naquela tarde. Havia sido horrível vê-las se enfrentando por sua causa, sendo que não poderia corresponder a nenhuma delas. E tudo porque não parava de pensar no ruivo possuidor de belos olhos ametistas.

"Se eu ao menos desse uma chance pra alguma das garotas, será que conseguiria aplacar todo esse mar de sentimentos que me sufoca?" – Pensou enquanto rolava, deitando-se de costas.

Olhando pela janela, vendo a lua cheia irradiando seu brilho imponente. Respirou fundo e fechou os olhos tentando relaxar um pouco da tensão. Mais uma vez sua mente voou até o espadachim.

Suspirou, lembrando de cada detalhe do ruivo. Seus olhos ametistas faiscantes, sua boca que nunca se curvava em um sorriso, seu corpo forte e sensual, seu jeito felino de agir e de ser, sua voz grave, sua presença intimidadora e ao mesmo tempo encantadora. Tudo nele, por menor que fosse levava o chibi a se sentir nas nuvens.

Desde que vira o espadachim pela primeira vez, sentiu algo novo a lhe aquecer o coração. Achou que fosse simples admiração e amizade, mas depois de um tempo, sentiu que algo diferente crescia dentro de si. Uma atração arrebatadora.

Tentou com todas as suas forças reprimir esse sentimento, pensando que o tempo fosse acalmar seu coração, mas foi em vão. Mesmo se mantendo afastado de Aya, cada vez mais suas emoções ficaram à flor da pele. E o desejo, a atração, a paixão... Crescia cada dia mais e sua confusão também.

Quando os sonhos começaram então, um desespero tomou conta de seu ser. O chibi achou que não suportaria tanta pressão e perderia sua sanidade. Noite após noite enfrentava um paradoxo que o deixava cada vez mais confuso: tinha medo de adormecer, pois não queria sonhar, mas intimamente ansiava pelos toques do Aya do sonho.

Vivia se repreendendo por ser ingênuo a ponto de sonhar com coisas impossíveis de se realizar. Duvidava que o frio líder do Weiss o aceitasse, sejam quais fossem seus sentimentos, muito menos que um dia chegasse a correspondê-los, afinal ele era um homem.

Assim, dia após dia, sua armadura ruía. Sua máscara de felicidade estava caindo e seu sorriso alegre esmorecia... Tentava disfarçar, mas percebeu que seus companheiros já haviam reparado em suas mudanças e estavam preocupados. Sentia-se culpado, por ser fraco e não conseguir dominar seus sentimentos. Seu mundo parecia estar cada vez mais de pernas pro ar.

Tudo a sua volta perdia a graça e a beleza, refletindo seu estado de espírito. Não tinha ânimo para mais nada.

Sabia que não agüentaria por muito tempo, logo todos saberiam o que se passava em sua cabeça, pois seus gestos e olhares o entregavam. Seu corpo reagia à simples presença do homem que aparentava nem perceber sua notável tristeza.

Abriu os olhos, balançando a cabeça tentando espantar esses pensamentos. Tornou a olhar para a lua, sua eterna confidente e companheira de solidão, se levantando lentamente, indo se sentar no peitoril da janela. A brisa noturna acariciava com suavidade seu rosto, trazendo-lhe um instante de serenidade à sua alma conturbada.

Ao baixar o olhar para a rua viu um casal de namorados passeando abraçados, com a felicidade estampada nas fisionomias. Ficou ali por alguns instantes, observando-os até que sumissem de vista e sentiu um nó se formar em sua garganta, seu coração se apertando ainda mais.

O loirinho fechou a janela lentamente, mergulhando o quarto na escuridão noturna, a única fonte de luz vinha de seu notebook sobre a cama. Sentia seu corpo pesado e com passos arrastados foi até o aparelho, desligando-o e colocando-o sobre a mesinha de cabeceira.

Deitou-se em posição fetal, abraçando com força as pernas. Contemplou o quarto no escuro, tentando limpar a mente e acalmar as batidas aceleradas de seu coração, se cobrindo com o cobertor, afundando ainda mais no travesseiro.

Fechou os olhos com força quando as primeiras lágrimas surgiram e seu sussurro entrecortado pelos soluços quebrou o silêncio do quarto:

– Por que, Aya? Por que tem que ser assim? – As lágrimas caíam com abundância, tentando varrer toda a tristeza e solidão.

Não demorou muito para que o rapaz mergulhasse em um sono profundo, porém inquieto, sem sonhos em meios às lágrimas.

ooOoo

Omi acordou pela manhã abatido, sentindo-se extremamente cansado, pois apesar de não ter tido os sonhos habituais, também não conseguiu relaxar por completo. Levantou-se lentamente indo até o banheiro onde retirou o pijama e tomou um longo banho. Lavou os cabelos, deixando a água quente bater demoradamente em sua nuca, tentando assim relaxar os nós de tensão existentes.

Terminou o banho, enrolando uma toalha na cintura após se enxugar e rumou para o quarto, vestindo o uniforme de maneira automática, sem nem reparar no que estava fazendo.

Parou em frente ao espelho para ajeitar os cabelos e reparou com desgosto que seus olhos estavam vermelhos e inchados, olheiras escuras entregavam seu sono inquieto.

"Espero que ninguém tenha acordado, assim preparo o café da manhã rapidamente e saio para ir pra escola antes que vejam meu estado." – Pensando nisso apressou-se em terminar de se aprontar e arrumar o material escolar.

Antes de sair do quarto, foi até a janela e abriu-a, sentindo a luz intensa ofuscar-lhe a visão. Estranhando o fato de já estar tão claro, o loirinho olhou seu relógio, se assustando ao perceber que já estava atrasado e todos deveriam já ter acordado.

Pegando seu material, Omi saiu do quarto, descendo as escadas correndo, torcendo para que ninguém o visse, temendo que qualquer um dos amigos quisesse conversar sobre os acontecimentos dos últimos dias. Chegou ofegante até a porta da cozinha, parando para tomar um ar.

Andando normalmente entrou na cozinha, mas para desespero do arqueiro todos já estavam acordados o esperando com o café da manhã na mesa. Rapidamente abaixou o rosto, tentando evitar que percebessem seu abatimento.

– Ohayo! – O hacker disse em uma voz baixa e contendo um suspiro, caminhou lentamente sentando-se no único lugar vago na mesa.

Ken olhou para Yohji que observava o chibi com uma expressão preocupada... E mirando o garoto que permanecia de cabeça baixa, falou enquanto bagunçava os fios loiros com carinho:

– Dormiu bem, chibi? – Tudo o que recebeu em resposta foi um aceno de cabeça.

Um silêncio sepulcral se instalou na cozinha. Enquanto Omi se obrigava a tomar pelo menos um copo de suco, Yohji e Ken se entreolhavam, tentando entender o que aconteceu para que Omi ficasse nesse estado.

Aya tomava seu café, sua expressão mais sisuda que o normal, irritado porque os outros dois só se olhavam sem fazer nada para tentar ajudar o mais novo.

Após terminar seu suco, Omi se levantou da mesa, ainda de cabeça baixa e sem dizer nada pegou sua mochila e saiu.

Ken olhava para a porta por onde o chibi havia saído com a uma expressão mesclada de preocupação e tristeza. Omi era a alma do grupo, se ele não estava bem, o grupo também não estava. Angustiava-o ver o amigo daquele jeito e não poder ajudar, pois o garoto não se abria. O moreninho foi arrancado desses pensamentos pela voz séria de Yohji:

– Acho que o chibi não está sendo é correspondido em seus sentimentos. Essa é a hora certa de agir se quiser que tudo dê certo.

Ken, sem entender sobre o quê o loiro falava, olhou para Yohji e o pegou encarando Aya, que se levantou e saiu da cozinha sem dizer nada.

O ex-detetive olhou para Ken, que tinha uma expressão de confusão e deu uma risada cansada.

– Esse ruivo nunca aprende. – Tirando o maço de cigarros do bolso, Yohji pegou um e o acendeu, voltando a guardar o maço.

O loiro ficou em silêncio por alguns instantes, apenas tragando, sendo observado por Ken que tentava entender o que acontecia. Amassando o cigarro que estava pela metade, ele se levantou da mesa e, parando à porta da cozinha, comentou:

– Ah, esses dois não tem jeito.

Observando o loiro sair da cozinha, Ken tentou desesperadamente encaixar as palavras de Yohji para o que acontecia com Omi. Frustrado, começou a arrumar a louça do café da manhã.

"K'so, por que eu tenho que ser sempre o último a perceber as coisas?" – Pensou revoltado, tornando a olhar a porta por onde Omi saiu.

ooOoo

Diferente do dia anterior, Omi andava apressado. Em sua cabeça passavam milhões de coisas que ele tentava suprimir inutilmente. Além de confuso, agora estava triste e preocupado. Triste porque não achava uma saída para o que estava acontecendo, se sentia fadado a sofrer perdas a vida toda e preocupado porque via a máscara que levara anos para fortalecer e deixar sem falhas cair de uma hora para outra sem que pudesse fazer nada para impedir, revelando todas as suas fraquezas e incertezas. Temia que isso fizesse com que seus companheiros de equipe perdessem o respeito e confiança nele, por o acharem criança demais.

O loirinho olhou para o relógio, se surpreendendo com o horário. Estava muito cedo para que chegasse à escola... Por certo os portões ainda estariam trancados. Resolveu, então, parar na pracinha perto do colégio, aproveitando que quase ninguém aparecia por lá nesse horário. Precisava desse tempo para se recompor e tentar restaurar sua máscara, pois o dia prometia ser cheio.

Caminhou sem pressa até o centro da praça onde havia vários bancos. Escolheu um lugar mais afastado da vista de todos e sentou-se, admirando o céu por entre as copas das árvores.

Respirou fundo tentando se concentrar em reunir todas as suas forças e reassumir o controle de suas emoções, pois tinha que ficar bem para estar com Shun e Aki na escola sem que eles percebessem seu estado de espírito. Sem se esquecer que teria que enfrentar Mio depois da cena lamentável na floricultura... E ainda teria a missão e isso significava ficar perto de Aya.

A brisa da manhã soprou em seu rosto, fazendo o arqueiro fechar os olhos e o canto dos pássaros nas árvores o fez sentir por um instante um pouco de paz. Concentrando-se nisso ouviu ao longe alguns gemidos estranhos.

"Ei, esses gemidos não são pássaros!" – Pensou enquanto abria os olhos encabulado. Olhou ao redor tentando identificar a origem do som, percebendo que vinha de trás de uma das árvores perto de onde estava sentado.

Curioso, levantou-se e no mais absoluto silêncio e começou a se aproximar. Ouviu alguns sussurros e risadinhas deduzindo que era um casal de namorados aproveitando o horário calmo da praça para se curtirem. Resolveu voltar e escolher outro lugar para se sentar e dar privacidade ao casal, mas ao executar o primeiro passo escutou um nome que o fez paralisar em choque ao reconhecer a voz de quem falava:

– Ah, Aki, não faz isso! E se nos pegarem aqui? – Shun dizia com a voz entrecortada por gemidos baixos.

Não acreditando no que ouviu, Omi aproximou-se ainda mais das árvores tentando visualizar o casal e acabar com suas dúvidas. O volume dos gemidos e sussurros aumentava gradativamente enquanto o arqueiro avançava por trás das árvores até um lugar onde era possível ter uma boa visão sem ser descoberto.

Posicionando-se agachado entre dois arbustos e viu a cena que o deixou boquiaberto. Seus melhores amigos estavam abraçados sob um frondoso carvalho.

Akishino prensava Shun na árvore, colocando uma perna entre as suas, os braços enlaçavam a cintura do outro garoto, colando seus corpos enquanto beijava o pescoço alvo.

Shun jogou a cabeça para trás dando mais espaço para as carícias. Suas mãos acariciavam a nuca do mais alto, agarrando os fios negros enquanto gemidos cálidos espaçavam por seus lábios entreabertos. Sua respiração estava alterada e um suor escorria pelo seu rosto.

Subindo com as carícias, Aki fez uma trilha de beijo até chegar ao ouvido, onde sussurrou em tom provocante:

– O que você quer de mim, Shun-kun? – Mordeu de leve o lóbulo da orelha do amante adorando sentir como o corpo dele estremecia, soprando de leve em seu ouvido, provocando mais arrepios antes de acrescentar... – Farei o que você me pedir. Sou seu escravo.

– Ah, Aki... – Shun gemeu ao sentir a língua atrevida deslizar pela linha de seu maxilar até chegar ao pescoço onde foi mordido. – Quero que você me faça enlouquecer de prazer.

Um sorriso maroto iluminou as feições de Akishino que apertou ainda mais o abraço, esfregando sua perna no membro já teso, fazendo com que Shun ofegasse. Seus olhos faiscavam de desejo e sua voz saiu rouca:

– Seu desejo é uma ordem. – Sem esperar por qualquer reação, tomou os lábios do menor em um beijo quente e ávido. Suas mãos deslizaram pelas costas de Shun, agarrando-se à barra da camisa do uniforme escolar, erguendo-a lentamente. Apartando o beijo, terminou de retirar a peça, jogando-a no chão. Olhou para o corpo do garoto, era nítida a adoração em seu olhar. Tocou o peito alvo com a ponta dos dedos, deslizando-os devagar, circundando os mamilos, vendo-os eriçar com prazer.

Não suportando mais a tortura, Shun agarrou o mais alto pelos ombros e inverteu as posições, prensando-o contra a árvore. Esfregando-se contra o membro do outro, já rígido pela excitação, e disse com voz maliciosa:

– Demorou demais, agora é minha vez de mandar aqui. – Sorrindo, depositou vários beijos na base entre o pescoço e o ombro. Suas mãos arrancando a camisa que ele usava, jogando-a em cima da sua e a boca tomou um mamilo, sugando com vontade, enquanto seus dedos continuavam a descer abrindo a calça.

Afastando-se um pouco, os olhos cinza encontraram com os verdes... O desejo e o amor refletidos neles. Shun, então, ajoelhou-se devagar passando a mão pelo corpo definido, postando-se entre as pernas fortes. Terminou de descer as calças, retirando também a boxer, revelando uma ereção majestosa.

Sem deixar de fitar os olhos verdes, Shun passou a língua percorrendo a glande, circulando-a devagar, animando-se com o gemido profundo de Akishino... E o moreno fechou os olhos com força, ofegando extasiado, tamanho o prazer de sentir a boca do amado sobre seu membro.

Omi, não agüentando mais ver a cena, saiu correndo. Sentia o rosto queimar pelo rubor que o assaltava, não queria ter visto os amigos em uma situação tão íntima e agora nem sabia como poderia encará-los durante a aula, sem entregar que descobriu que eles estavam juntos.

Enquanto corria, tentava expulsar as cenas de sua cabeça. Não conseguia acreditar que realmente tinha presenciado seus dois amigos daquele jeito na praça.

Parando em frente à escola, puxou o ar com dificuldade. Recompondo-se um pouco, seguiu com passos lentos até a sala de aula, não encontrando ninguém lá, sentou-se no peitoril da janela de onde ficou observando a entrada agitada dos outros alunos com o olhar perdido.

A cena da praça teimava em não sair de sua cabeça. O choque causado foi muito grande! Estava muito surpreso por não ter reparado antes... Sempre foi um bom observador principalmente se tratando de pessoas próximas. Havia descoberto só de olhar o comportamento que Akishino tinha graves problemas em casa, uma coisa difícil de saber sem conhecer os outros familiares e, agora, não se conformava por ter deixado passar uma coisas dessas bem debaixo de seu nariz, uma vez que ficava o tempo todo junto a eles.

Refletindo melhor, reparou que os amigos deram várias indiretas durantes as longas conversas que tinham durante as aulas, e que ele por sempre estar pensando em Aya não prestara atenção.

O barulho dos alunos chegando à sala arrancou o hacker de seus pensamentos. Voltando rapidamente ao seu lugar viu quando Akishino entrou radiante vindo em sua direção. O loirinho engoliu em seco quando viu o sorriso de orelha a orelha do amigo, sentindo um rubor intenso queimar novamente seu rosto enquanto as cenas da manhã na praça inundavam sua mente contra a vontade. Levantou-se, escorando na mesa e tentou sorrir calorosamente, enquanto via Akishino saltar sobre seu corpo, o agarrando enquanto gritava:

– Ohayo, Omi-kun! – A alegria do moreno era evidente. Empolgado, apertou ainda mais o amigo no abraço. – Lindo dia, não?

Omi tentou responder, mas viu Shun passar pela porta com o rosto ainda corado, ajeitando a camiseta que estava torta e perdeu a voz, constrangido. Olhou para Aki que o soltara e foi correndo até o outro, percebendo como os olhos verdes irradiavam uma felicidade sem igual.

Depois de cumprimentar Akishino, Shun olhou para Omi, sorrindo meio sem jeito e se aproximou, sendo seguido pelo moreno.

– Olá, Omi-kun! – Sua voz saiu baixa, mais rouca que o normal e um sorriso lindo, mas tímido iluminou o rosto de belos traços.

Omi não conseguia dizer nada, sentia que sua voz falharia caso tentasse. Então, meneou a cabeça forçando mais um sorriso.

– Ei, Omi-kun, ficamos sabendo do que aconteceu ontem na floricultura. – Akishino falou em tom divertido. E acrescentou quando Omi olhou intrigado. – A irmã caçula do Nagai, aquele nerd do primeiro ano, estava lá e nos contou.

Omi suspirou, fechando os olhos com força. Como queria que um buraco se abrisse na terra para que pudesse sumir. Voltando a encarar os amigos, resolveu não dizer nad, mas se esqueceu que o moreno era persistente:

– Vamos, Omi-kun. Não seja tão chato. Fala, foi grande o barraco? – Akishino recebeu um olhar repreensivo de Shun, mas fingiu não perceber, enquanto cutucava o hacker.

– Akishino, isso é coisa que se pergunte? – Shun beliscou com força o braço esquerdo do moreno enquanto o repreendia.

– Aí, Shun! – Aki se encolheu, esfregando a mão no braço. – Isso doeu para valer.

– Essa era a intenção. – Shun deu de ombros, ficando de frente para Akishino e ao lado de Omi.

– Ah, vai dizer que você também não quer saber como foi? – Aki encarou os olhos mel, sorrindo debochado.

"E agora o que eu faço?" – Omi se perguntou em pensamento, não sabendo como reagir. Não conseguia agir naturalmente como sempre fazia, pois estava tão confuso... Tão... Perdido. Os amigos não tinham culpa, mas também não podia evitar que raiva e medo se misturassem ao pensar que eles estavam tocando em um assunto que não queria falar.

Shun olhou para Omi, balançando a cabeça em negação, tentando não perder a calma e não dar uma resposta má educada.

Omi estava desconfortável como raramente ficava quando se encontrava com os amigos. Tentava se divertir vendo a discussão, mas vê-los juntos o faziam lembrar mais avidamente do que não deveria nem ter visto. E para ajudar, Mio acabara de entrar na sala, lançando um olhar extremamente magoado para o loirinho.

"Hoje será um longo dia..." – Suspirou, enquanto se colocava entre Akishino e Shun que já se ameaçavam pegar de tapa, ficando de costa para a garota que observava cada movimento seu, de forma descarada.

Quando o professor entrou na sala, Akishino e Shun já estavam de bem de novo, mas as alfinetadas continuavam. Omi sentou-se em seu lugar, respirando mais aliviado por poder se afastar dos amigos sem que eles estranhassem seu comportamento.

As aulas passavam mais lentas que o normal para o chibi. Inutilmente, ele tentava prestar atenção nas explicações, mas as imagens o atormentavam cada vez mais... Perguntas e mais perguntas passavam em sua mente, e ansiava desesperadamente achar respostas satisfatórias.

Quando o sinal anunciou o fim das aulas, Omi se pôs em pé rapidamente e acenando para os amigos saiu correndo. Não queria passar pelo mesmo desconforto duas vezes.

Depois de passar pelos portões da escola, andou sem pressa alguma para chegar em casa, pois Aya tinha avisado na noite anterior que decidira deixar a Koneko fechada por causa da preparação da pequena viagem para a execução da missão.

Resolveu, então, ir por outro caminho, mais longo, que raramente usava, pois sempre corria para ajudar na floricultura... Esse caminho não passava em frente à praça. As lembranças frescas já davam muito prejuízo à sua cabeça, não queria instigá-las mais, passando em frente ao local onde tudo aconteceu.

Enquanto caminhava entre os transeuntes, Omi procurava pôr os pensamentos em ordem, limpando a mente de todas as imagens que a invadia, trazendo Bombay à tona para a execução da missão daquela noite.

Ao chegar em casa percebeu a movimentação intensa. Todos terminavam de organizar as coisas que usariam naquela noite. O loirinho subiu as escadas de dois em dois degraus e entrou no quarto sem se preocupar em fechar a porta, largou a mochila em cima da cama e foi direto ao banheiro onde tomou uma ducha rápida para tentar aliviar a tensão que já se formava em seus músculos.

Saiu do banheiro enrolado em uma toalha e sem demora ligou o notebook para que carregasse enquanto se vestia. Assim que terminou de colocar a roupa desceu correndo até a sala de reuniões onde pegou suas armas, examinando-as com cuidado e as levou para o quarto, deixando-as em cima da cama e se apressou para terminar de se aprontar.

Por várias vezes, viu os rapazes passando apressados pelo corredor, ajeitando tudo para que não houvesse falhas. Quando viu Aya entrar em seu quarto para trocar de roupa, Omi desviou o olhar, pois precisava estar neutro para o êxito da missão. Sentou-se então diante do notebook e conferiu o bom funcionamento de todos os programas que usaria. Satisfeito, desligou o aparelho guardando-o na mochila.

Levantou-se, indo até sua cama onde se sentou começando a colocar cada arma em seu devido lugar. Guardou alguns dardos e setas no bolso interior de sua jaqueta, checando mais uma vez a besta e a guardou junto com a munição e o notebook na mochila.

"Será que falta algo?" – Pensou preocupado enquanto olhava a mochila, conferindo se não se esquecia de nada. Satisfeito, pôs seu equipamento sobre os ombros e desceu novamente para a sala de reuniões.

Deixando a mochila sobre o sofá foi até o armário e pegou os intercomunicadores checando o funcionamento. Fazia tudo como de costume, centrado no que tinha pra fazer, mas não conseguiu reprimir a tristeza que sempre o assolava durante as preparações para as missões. Estava cansado de perder noites de sono pensando no sentido que sua vida tinha e que no rumo que estava tendo.

E quando pensava assim, Omi só imaginava como seria ser um garoto normal, sem tudo aquilo... Apenas atendendo na Koneko indo para a escola e... Rapidamente um flash do que aconteceu de manhã veio a sua mente, Aki e Shun se tocando debaixo daquele carvalho, os gemidos do amigo mais baixo, o mais alto tocando o corpo do outro... E isso bastou para que Omi corasse, ficando completamente perturbado... Mais uma vez.

Perdido em pensamentos, não notou que seus companheiros estavam chegando, se assustando ao ouvir Yohji chamando-o, virando-se rapidamente, percebendo que todos os olharam com preocupação e praguejou internamente.

– Está tudo bem, Omi? – Indagou Yohji, percebendo que o chibi estava realmente assustado.

– Ah, sim, apenas me assustei. Desculpa. – Sorriu o pequeno, tentando disfarçar.

Aya permaneceu em silêncio, vendo Ken agora se aproximar do amigo, tentando se certificar que estava mesmo tudo bem, no entanto, apesar de ver Omi afirmar e mais uma vez sorrir daquela maneira única, ele sabia, pelos olhos azuis, que o chibi não estava bem...

Omi se adiantou entregando para cada um dos Weiss os comunicadores. Esperou que eles colocassem e fez o teste final. Tudo estava nos conformes. Caminhou até o sofá e pegou a mochila com seus equipamentos.

– Vamos. – Chamou o líder, e todos concordaram, as feições sérias e compenetradas... E eles partiram para mais uma missão.


Continua...

Agradeço mais uma vez às minhas amigas de betas Samantha Tiger Blackthorn e Yume Vy por todo empenho e paciência.

E à Lady Anúbis por ser a melhor Mommis do mundo.

Eri-Chan

28 de Março de 2008 - 19h:34min