Capítulo 2
Ponto
de vista de Edward Cullen.
Eu sei, eu sei. Eu
fiz cagada. Eu pensei isso ao chegar na porta da boate. Ouvi o som
forte que vinha de lá de dentro e ajeitei meu smoking, eu estava uma
hora e meia atrasado. O que eu fazia agora? Dizia na portaria: 'Hey,
eu sou o garoto de programa que veio tirar a virgindade da dona da
festa.'? Bom, se eu estava a fim de fugir de processos, talvez eu
desse tentar uma abordagem diferente.
Eu dei meu nome para a
mulher que estava na portaria e logo a porta foi aberta. Me dirigiram
até uma sala e me pediram para aguardar um pouco. Uns dois minutos
depois uma garota pequenina apareceu, ela tinha cabelos curtos e
espetados nas laterais, e seus olhos eram grandes e gritantes. Eu
conhecia aquele tipo de olhar, ele dizia: 'Tomei Smirnoff* em
exagero'. Ela me cumprimentou com um abraço exageradamente
efusivo:
- Eu nem acredito que você veio. Ai, Ai...
Ela me pegou pela mão e me fez dar uma volta para ela dar uma checada. Aquilo era típico. Todas elas, se não faziam aquilo, pelo menos pensavam em fazer.
- Oh God, man. Você vale cada centavo.
Eu virei de frente para ela novamente. Ela tinha um sorriso travesso no rosto, talvez a história da virgindade da amiga fosse só história mesmo, talvez elas quisessem um jogo a três. Eu sei lá, fazia tempos que eu não tinha 18 anos, não me lembro de como funcionam as mentes nessa idade.
- Vem comigo que eu vou te apresentar pra princesa da noite.
Ela me pegou pela mão e me arrastou pela escada. Me levou pela pista e de dança, e eu confesso que estava minimamente curioso para conhecer a tal garota que iria pagar 15 mil reais por uma noite comigo. Enquanto tentávamos passar por uma roda de pessoas ela chegou mais perto para falar no meu ouvido, já que a música estava muito alta.
- E quanto ao primeiro deposito? Estava tudo certo?
Ela falava dos dez mil que ela havia depositado na conta de Emmett de adiantamento, os outros cinco mil, lógico, iriam ser depositados após o serviço ter sido feito.
- Estava tudo certo sim.
Eu dei um meio sorriso para ela, o suficiente para aumentar o seu.
Alice apontou para um casal dançando. A garota estava de costas e eu podia ver o cabelo preto arrepiado de seu acompanhante. Ela não era gorda e também não era corcunda. Ela era normal. É, essa palavra se adequava perfeitamente a ela, alguém normal. Ela devia ter o que? 1,60 provavelmente, até que o corpo era legal, claro que não era mulher ainda, ela usava um vestido azul claro reto com alças finas e pequenos bordados nos peitos. Aquele não parecia ser um vestido saído do último de desfile de modas, mas combinava com ela. Porque eu estava decepcionado? Por ser menos do que eu imaginava ou por ser melhor do que eu esperava? Enfim, como sempre, eu tinha que pensar que não estava aqui para me decepcionar ou não, eu estava para trabalhar. Agora eu tinha que me aproximar, mas ela estava acompanhada. E agora?
- Vai lá garotão.
Alice disse cruzando os braços e olhando pra mim.
- Ela está acompanhada, como que eu posso ir lá?
Como eu ia tirar o garoto com cara de bobão de perto dela?
- Você é o profissional aqui meu querido, tenho certeza que vai conseguir ter uma idéia.
Ela deu mais um sorriso e começou a se afastar com os braços para cima batendo palmas conforma conforme o ritmo da música. Uma idéia estava se formando na minha cabeça...
- Espere.
Eu disse indo até ela e segurando seu braço.
- Você sabe o nome
dele?
- Sei sim. É Jacob Black.
Ela disse apenas isso e saiu, sem que eu pudesse falar mais alguma coisa. Já estava ficando tarde, talvez a garota tivesse que voltar logo de onde quer que nós tivéssemos que ir, então era melhor eu me adianta, esperando que o que eu tinha planejado desse certo. Encontrei novamente o casal, que ainda estavam dançando juntos e conversando. Eles não deviam ser namorados, um casal assim não iria rir assim durante uma festa, um casal agora estaria brigando porque ele havia olhado para o traseiro de outra. Eu estava a alguns passos deles quando coloquei a mão direita no meu ouvi e comecei a falar num ponto (como aqueles de apresentadores de TV) inexistente, até que eles notaram a minha aproximação, enquanto eu abaixei a mão do ouvido e coloquei no ombro do rapaz...
- Com licença, o
senhor é Jacob Black?
- Sou eu sim.
Ele disse com uma expressão confusa.
- Eu sou da segurança e tem uma senhora de procurando na recepção. Você pode chegar lá por aquela porta.
Eu apontei para o lugar por onde havia entrando. Até ele chegar lá eu já teria pelo menos conseguido falar com garota e saber para onde é que ela queria me levar.
Jacob se desculpou com a garota e começou a se afastar. Eu percebi que havia um vinco na testa da garota desde que eu havia me aproximado, talvez ela não soubesse quem eu era. É claro idiota, você tinha que se apresentar.
- Ola.
Eu disse com aquele sorriso que eu sabia que elas não resistiam.
- Eu sou Diego.
Mas o vinco continuou lá, e quando eu tentei puxar seu braço para chegar mais perto ela me empurrou...
- Mas que palhaçada é essa?
Ela estava de braços cruzados e parecia estar brava, muito brava.
- Qual o problema?
Será que Alice não havia dado meu nome pra ela?
- Meus seguranças não usam smoking.
Ah, então era isso, eu havia sido pego na mentira. Então eu tentei o truque do sorriso novamente. Eu não sei se funcionou, mas eu vi um brilho nos olhos dela. Tia Esme se ensinará desde pequeno que a única coisa que não mente é os olhos, e nos dela havia um brilho estranho que eu não reconhecia, mas aquela cara eu conhecia: Meu sorriso não estava funcionando.
- Me desculpe, mas eu estava esperando há bastante tempo e parecia que ele nunca ia sair.
Eu disse ainda sorrindo e apontando para onde o moleque havia ido.
- Eu tive que usar minha imaginação...
Boa Edward, agora, e se o cara estava ali fazia só 2 minutos? Ela pega você na mentira de novo fácil, fácil. Mas meu argumento parecia ter funcionando, pois ela relaxou a expressou e deu um meio sorriso descruzando os braços.
- Me desculpe, mas eu achei que você fosse um dos amigos bêbados do meu irmão.
Mesmo com uma expressão diferente nos olhos dela, aquele brilho no olhar ainda estava lá, mas enfim pelo menos ela não iria dar um escândalo. Isso era bom. Aproveitei que o humor dela estava melhor e me aproximei. Estava na hora de trabalhar. Já perto dela eu passei um dedo por seu rosto. Marine, uma das minhas freguesas mais assíduas adorava esse meu olhar intenso quando passava a mão em seu rosto, mas ela pareceu não gostar muito. Apenas se afastou ficando brava novamente, dando um passo para trás.
- What fuck? Quem convidou você para a minha festa hein? O que você veio fazer aqui?
Eu soltei uma risada de escárnio meio que sem querer. Ela estava se fazendo de difícil? Ah, qual é? Mas nem por um cachê de um milhão de reais eu iria aguentar um joguinho desses. Eu vou tentar só mais uma vez, se não eu vou só dar as costas e ir embora.
- Por que eu estou aqui?
Eu me aproximei de novo e ela tentou se afastas, mas eu não deixei. Desta vez eu a peguei firme pela cintura, essa seria a última tentativa. Me aproximei do pescoço dela e respirei fundo pra ela sentir. Deu certo, ela se arrepiou.
- Estou aqui para te dar a melhor noite da sua vida...
Eu olhei nos seus olhos então.
-... Na minha cama.
Eu me afastei um
pouco para ver o resultado, seria tudo ou nada. Ela teve três
reações ao que eu disse. A primeira foi espanto, ela parecia estar
pensando se ouviu o que ouviu realmente; Depois pareceu raiva, ela
parecia ter entendido algo que me escapou; E por último... Cara! Eu
estava preparado pra tudo, um beijo, um soco, um grito, mas não
estava preparado para aquilo. Aquilo... Aquilo era lagrimas. Oh man,
eu já sabia, eu já sabia. Agora ela ia começar a chorar feito uma
doida, puxar os cabelos, me chamar de tarado e contar pra mãe dela
que devia estar em algum lugar do salão.
Eu fiquei esperando por
isso, pelo ataque de loucura, pelo ataque verbal ou que ela me
pegasse pela mão e me levasse para algum quarto, mas só o que eu vi
foram mais lagrimas. Estavam saindo mais rápido agora, ela parecia
estar saindo do controle, e eu vi mais uma coisa também... Ela indo
embora. Indo em direção a porta e esbarrando em algumas pessoas em
seu caminho. Pessoas que não pareciam se importar que a pessoa que
estava pagando suas bebidas estivesse totalmente arrasada estivesse
abandonando a festa. O que eu fazia agora? Ia embora? Ia atrás dela?
Ia falar com Alice? Ou o mais óbvio: Ir na casa do Emmett e bater
nele até ele aprender que nunca da certo mexer com crianças. Eu fui
atrás da garota. Pelo visto ela não sabia mesmo quem era eu. Ela
merecia ao menos uma explicação, afinal parece que eu havia acabado
com a festa dela, pelo menos pra ela. Chegando na parte de fora eu
percebi que era um jardim, eu pensei que ela havia ido chorar no colo
de alguma amiga, mas não, ela estava encolhida, chorando perto de
uma árvore, sozinha. O que eu fazia agora? Eu me aproximei um pouco,
mas não muito, pois pelo visto ela estava precisando de um pouco de
espaço.
- Hm, me desculpe. Eu não... Não pretendia que você ficasse assim.
Ela não restou. Eu precisava saber de alguma coisa...
- É... Você está
bem?
- Eu to bem. Você pode ir embora agora.
A voz dela parecia meio abafada
- Eu realmente não
tive a intenção de...
- Escuta. Qual o seu problema hein?
Ela disse se levantando. Parecia estar lutando para que um pouco do cabelo parasse atrás da orelha.
- Você é o que?
Algum amigo que o Jasper mandou aqui pra me encher? Você já pode
ir. Cumpriu seu trabalho!
- Quem é Jasper? Não sei quem é
Jasper...
- Então você é o que?
Então aquele olhar de compreensão passou por ela, ela virou para olhar o salão novamente e se virou para mim.
- Foi a Alice não foi? FOI ELA NÃO FOI?
Aquilo parecia um grito, mas foi cessado por causa do choro.
- Você é o que dela? Primo, amigo, vizinho? Porque eu acho que ela já tentou tudo isso. Ela já não entendeu que isso não vai dar certo?
- Na verdade ela está me pagando para vir aqui.
Eu fui sincero, pelo visto ela já sabia do envolvimento de Alice...
- Ah, um michê.
Ela pareceu falar a palavra com um pouco de escárnio. Não gostei disso.
- É, até que ela foi criativa dessa vez.
Ela tentou colocar humor naquilo, mas não conseguiu. As lagrimas ainda saiam.
- Olha, me desculpa. De verdade. Mas você não acha que está exagerando um pouquinho não?
Eu não entendia. Só porque eu falei sobre sexo, e isso por que eu nem usei o termo em si, ela tinha que ficar dessa forma?
- Vai embora, por favor.
Eu sabia que devia ir embora antes de seus pais aparecerem. Por isso eu não gostava de me meter com garotas, afinal eu não era um monstro sem coração para largar ela aqui desse jeito sendo que eu sabia que a culpa era minha. Eu estava com pena dela, eram muitas lagrimas, parecia haver dor ali. Ela olhou pra mim, aquele brilho que eu citei antes continuava ali. Ela pareceu perceber que eu me sentia um pouco culpado, porque acabou dizendo:
- Olha.
Ela deu um passo em falso e acabou se sentando. Eu sentei ao seu lado, parecia que ela queria dizer algo.
- Não foi culpa sua, de verdade.
Ela limpava as lagrimas do rosto agora.
- Isso é entre mim e Alice. Não tem nada a ver com você.
Ela se calou e eu também. Ela ficou imóvel e eu também. Eu queria ouvir mais, e não me pergunte por que, ela pareceu perceber isso.
- É só que...
Ela parecia estar começando a chorar de novo.
-... Eu to cansada de Alice fazer isso. De tentar todos os dias me enfiar na cama de alguém, de me olhar como um alienígena só porque eu tenho 16 anos e ainda sou virgem. Será que ela não podia ter me dado uma folga pelo menos no dia da minha festa?
Ela pareceu perceber o que havia escapado e ficou vermelha.
- E eu nem imagino porque estou contando essas coisas pra você.
Eu tentei novamente lembrar de como era ter 16 anos. Parecia que foi a séculos. 16 anos... Espera aí! 16... 16 anos. Como assim?
- O quê? EU NÃO ACREDITO.
Eu não pretendia gritar, mas minha mente estava gritando também.
- Calma.
Ela se assustou com minha mudança de humor.
- Não fique bravo
com ela. Ela faz isso por que gosta de mim...
- NÃO!
Se controle, Edward...
- Não essa parte. Como assim 16 anos? Quem tem 16 anos?
Eu olhava assustado para ela, e ela olhava para mim como se eu fosse algum doente mental que estava deixando Passat algo muito obvio.
- Oras, quem.... Eu, lógico. Não sou eu a debutante aqui?
- Mas ela disse que era uma festa de 18 anos!
Ela olhou pra mim, dessa vez não parecia haver duvidas de que ela me achava um doente mental mesmo.
- Hm, e quantas debutantes de 18 anos você já viu?
Ela estava certa. Eram quinze anos geralmente, mas a moda americana do tal Sweet Sixteen havia pegado por aqui. Que droga, como eu deixei passar uma dessas? Se com 18 eu já estava com medo, imagina agora com 16 anos. Eu não sabia se queria me matar depois ou torturar o Emmett primeiro por me fazer entrar numa dessas.
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