Capítulo 3
Ponto de Vista de Edward Cullen.

Enquanto eu pensava em várias formas de arrumar uma amante fictícia para o Emmett perder a esposa e sofrer bastante, eu percebi que a garota estava sorrindo. Isso era bom, ela estava melhor e eu poderia ir embora.

- Eu não sei se isso serve de consolo para toda essa raiva que você parece estar sentindo de alguém...

Estava tão visível assim?

-... Mas você até subiu um pouco no meu conceito agora.

- E por quê?

Não que eu me importasse muito com os conceitos que ela tinha de mim.

- Digamos que eu não achei muito... hãn, louvável da sua parte aparecer na festa de uma garota de 16 anos para transar com ela, mas você pensava que eu tinha 18, então isso ajuda um pouco.

Enquanto falava, ela se aproximou um pouco. Ela cheirava a maracujá, era bom... Um pouco doce demais. E foi então que eu vi seus olhos... Castanhos estranhos. Eu nunca havia visto castanhos daquele jeito, e olha que eu já vi muitos olhos nesses anos de profissão.

- Bem, eu vou indo então.

E por mais louco que pareça, quem disse isso foi ela e não eu. Eu não me lembrava qual havia sido a última vez que uma garota dizia tchau antes de mim.

Eu fiquei quieto enquanto via ela ir até uns armários que havia perto da porta de entrada e pegar uma bolsa de lá.

- Seus pais já te deixam dirigir?

- Não. Eu vou chamar um táxi.

Qual é? Táxi as 3 da manhã? Era difícil encontrar operadoras que trabalhassem nesse horário. Ela ficou uns dois minutos ali tentando, e então eu percebi que ela começava a tirar os sapatos de salto. O que diabos ela estava fazendo?

- O que você ta pensan... Oww, calma.

Ela deu um pulo quando eu falei que parecia que havia algum tipo de fantasma por perto.

- Desculpa. Não percebi que você ainda estava aí.

Ela ergueu a outra perna para tirar a sandália. Ta bom, eu assumo... Até que ela tinha umas boas pernas para uma garota de 16 anos. 16 anos Edward, que merda você ta pensando?

- Por que ta tirando os sapatos?

E de novo ela me olhou com aquela cara de que eu estava perdendo alguma coisa.

- Não encontrei um táxi, então eu vou embora a pé. Fica só a uns 20 minutos daqui.

Ela ia embora a pé, as três da manhã, sozinha, com umas pernas daquelas? Digo, com uma roupa daquelas...

- Você precisa mesmo ir embora? Por que não espera seus pais ou algum amigo?

- Meus pais já foram embora faz tempo. Eu ia com Alice, mas no estado que eu to, se eu encontrar com ela agora eu juro que mato.

Ta certo. Ela estava zangada ainda, e eu também. Alice podia ter mencionado o fato da garota não saber do presente inusitado dela. E agora... o que eu fazia? E afinal, por que eu tinha que fazer alguma coisa? Ela podia ir pra casa e eu ficar sem meu dinheiro extra. Pronto, ela estava andando em direção a portaria, que droga, por que eu ia fazer o que eu ia fazer?

- Você... quer... uma... carona?

Isso era clichê demais, não combinava comigo, então porque eu estava fazendo? Eu a vi parar para escutar o que eu estava dizendo depois continuou andando.

- Não, obrigada. Posso perfeitamente ir a pé.

- Escuta...

O que? Eu ia insistir? Meu Deus, eu nunca insisti para uma garota entrar no meu carro.

-... Eu estraguei sua festa, você chorou por minha causa. Apenas aceite a minha carona para eu poder dormir em paz essa noite. Eu tenho que malhar amanhã, preciso dormir bem.

Esses eram os melhores argumentos que eu poderia dar a ela, e seriam os únicos também. Se ela não aceitasse agora ela iria a pé, eu já estava ultrapassando as barreiras da minha personalidade.

- Me desculpe, mas é que eu quase não conheço você. Não precisa preocupar, esse não é um bairro perigoso.

- Eu só ofereci porque eu ia passar por lá mesmo.

- Mas como você pode saber, se não sabe onde...

Eu sorri para ela, e ela entendeu a piada. É eu sei, quebrei a minha promessa, mas eu realmente não queria a garota andando por ai descalça na madrugada por minha causa. Ela que antes parecia imune ao meu sorriso matador, já não parecia mais tão imune assim, pois se aproximou com o rosto um pouco vermelho.

- Tem certeza que não vai ser um incomodo para você?

Ela tinha um modo de falar bem estranho para uma adolescente, mas enfim...

- Claro que não.

Eu passei por ela para abrir o grande portão de saída dos fundos e deixei que ela passasse na minha frente... Eu realmente gostava daquele perfume com essência de maracujá dela.

Andrei até o estacionamento em frente a boate e desativei o alarme do carro. Ela pulou com o barulho. Eu me dirigi até meu Sedan Corola preto, ou, meu cachorrão, como eu costumava chamá-lo. Ela ficou bastante hesitante ao perto do carro, então eu coloquei a minha mão em cima do capo, fazendo carinho.

- Até que é um carro bom para um michê, não acha?

Ela não respondeu. Apenas abaixou a cabeça sorrindo porque estava corada de vergonha. Ela devia ter pensando nisso antes de usar termos chulos para descrever minha profissão. Eu entrei no carro e abri a porta para que ela entrasse também. Eu podia perceber claramente que ela estava desconfortável ali. O que diabos ela pensava que eu era? Um estuprador de criancinhas? Eu podia não ter a profissão mais digna do mundo, mas tinha dignidade e isso tinha que contar para alguma coisa. Eu tinha que puxar conversa com ela?

Quais eram as regras de etiqueta de um garoto de programa em relação a uma garota de 16 anos? Emmett nunca tinha mencionado essa parte. Enfim, era melhor eu falar com ela, porque eu tinha a impressão que ela ia pular pra fora do carro no primeiro sinal vermelho que eu parasse.

- Eu não costumo fazer isso sabe...

Que foi? Eu nunca conversava com garotas, eu não sabia o que falar.

- Espero que não esteja falando sobre dirigir...

Ela tentou fazer uma piada. Isso era bom...

- Não. Eu estava falando sobre... sair com garotas da sua idade.

- Então seus programas geralmente são com homens?

- Na verdade não, porque seu irmão já não procura tanto o meu agente...

Ela me olhou assustada, mas não liguei, eu só havia retribuído. E quando eu achei que ela estava brava, ela estava sorrindo novamente.

- Se eu não ouvisse os gemidos de Jasper com Alice durante a noite, eu até ficaria preocupada com seu comentário.

- Sua amiga é namorada do seu irmão?

Aquilo era bem típico, então por que eu estava chocado?

- Não é que sejam namorados. É que a Alice simplesmente acha mais confortável partilhar a cama de casal do Jasper do que o colchão de hospedes do meu quarto, porque ela diz que quarto de hospedes sozinha nem pensar.

Ela estava rindo livremente agora, nem parecia que estava se afundando em lagrimas agora há pouco, será que sair daquela festa havia sido bom para ela? Eu passei pela pista que ela havia indicado e entrei no bairro. Ela foi me indicando as ruas, até que chegamos. Certo, agora era só eu abrir a porta e ela ia embora, simples assim. Porque as portas ainda não estavam destravadas então?

Ela estava vermelha, estava esperando o que? Um beijo de despedida? Beijos custavam caro no meu ramo...

- O que você estava tentando me dizer antes de eu começar a insultar você?

- Ah, é...

Era por isso o rubor então. Ela percebeu que eu havia me ofendido.

- Eu só estava dizendo que não é do meu costume sair com adolescentes. Minha freguesia é de outra faixa etária.

- E o que Alice te deu em troca para você fazer uma exceção tão rara?

- Não teria feito essa exceção se soubesse que você tem 16 anos.

Era bom que ficasse bem claro que eu não gostava de crianças.

- Eu sei dessa parte.

Ela já havia olhado para o lado da casa dela umas 3 vezes, devia estar com pressa de ir embora.

- Alice usou dois artifícios para eu fazer essa exceção. A primeira foi aproveitar a falta de massa cinzenta do meu agente.

Sim, eu usava a palavra agente para me referir a Emmett, ele não gostava muito do termo 'cafetão' afinal eu era praticamente irmão dele.

- E ela usou de 15 mil reais também.

Ela teve a reação que eu imaginava, as pupilas se dilataram, os olhos arregalaram e o queixo caiu, quase a mesma que eu tive quando Emmett me contou.

- É, eu pensei isso também. Sua amiga gosta mesmo de você...

- Uau. Você já tem algum plano pra esse dinheirão?

Na verdade eu tinha, não tenho mais. Afinal a grana ia ser devolvida, sem serviço, sem pagamento. Eu e Emmett éramos certinhos demais para ficar com a grana. Ela estava esperando uma resposta. Que mal tinha contar pra ela? Depois de hoje provavelmente eu nunca mais ia vê-la mesmo...

- Eu pretendia guardar para minha faculdade que eu vou começar no mês que vem.

Ela estava de boca aberta de novo.

- Até que ta bom para um michê, não?

Ela corou de vergonha de novo, eu não era malvado, mas não me importava o suficiente com os sentimentos dela para me obrigar a segurar essas palavras.

- Me desculpa por usar esse termo. Parece que você não gosta muito, né?

- Você não gosta de chamada de pirralha não, né?

- Não.

Havia um leve sorriso nos lábios dela ao dizer essa palavra. E aquele brilho voltou aos olhos dela, eu apenas mexi os ombros, mostrando que eu me sentia da mesma maneira.

- Me desculpa de qualquer modo. Eu acho legal que você se interesse em mudar de vida.

E ela corou novamente.

- Não que eu ache que essa que você leva seja errada ou algo assim...

Eu me calei. O número de vezes que ela havia olhado para o portão aumentou para 14, ela devia realmente querer ir embora. Ela ia se abaixando para pegar a bolsa no piso do carro quando pareceu se lembrar de alguma coisa e então se virou para mim novamente.

- Só para você saber, durma e malhe direitinho amanhã.

Ela riu e me olhou me medindo. Tava demorando a começar os olhares de mariposa.

- O que não parece estar fazendo muito efeito.

Eu ia dar uma resposta bem dita para ela, quando ela me impediu com sua mão.

- Calma. Isso foi só uma piada. O que eu quero dizer mesmo é que eu já estava querendo ir embora daquela festa. Minha única amiga estava se agarrando com meu irmão em um canto, Jacob e sua insistência me deixam a beira de um ataque de nervos e aquele salto estava me matando.

Ela colocou a mão sobre a minha então. Não parecia que ela estava me cantando, parecia só... agradecida.

- Obrigada. De verdade. Você valeu cada centavo que Alice gastou com você.

- Eu estou ouvindo muito isso hoje.

Ela apenas sorriu e se abaixou para pegar a bolsa. Ela deve ter pego de algum jeito errado, pois quando percebi estava voando tudo de lá de dentro. Um batom, por exemplo, voou no meu colo.

- Droga!

Ela tentou recolher as coisas. Cara! Como uma mulher consegue guardar tanta coisa numa bolsa pequena daquelas?

- Droga!

- Você anda dizendo muito isso...

- É que eu não to achando meu celular. Ele tava aqui, guardei durante a festa.

Eu comecei a olhar em volta para ver se achava, e nada...

- Você tem um celular aí?

- Por que?

Eu sabia, ela já estava querendo meu número. Ela não era diferente.

Eu estava me cansando daquele "SEU DEMENTE" em sua teste para me falar alguma coisa. O que eu estava perdendo dessa vez?

- Quero um celular pra ligar para o meu. Ver se ele esta aqui.

Porque ela estava falando tão devagar? Eu peguei meu celular dentro do bolso interno do smoking e entreguei para ela. Eu tinha quase, quase certeza que ela ia querer dar um jeitinho de pegar meu número disfarçadamente. Pois bem... Eu dava um jeito de trocar de chip em menos de uma hora.

Eu não preciso dizer que ela não tentou pegar meu número, preciso? Ela discou os números com uma rapidez incrível e se inclinou no banco para ver se ouvia alguma coisa.

'I'm holding on your hope, got me teen feet off the ground, and…'

Percebi que o som vinha da parte de trás do carro. Vi a garota se inclinando para pegar ele atrás do meu banco. Eu já mencionei que eu gostava do perfume dela? É, eu sei que sim.

- Ei bebê, tava se escondendo ai é?

Ela fez uma voz fanhosa estranha pra dizer essa frase, que eu não agüentei e tive que cair na gargalhada...

- Eu aposto que você não tem cachorro.

Ela disse com cinismo. Ela estava errada, eu tinha meu cachorrão sim, mas poucas pessoas entendiam meu amor pelo meu corola...

- Bom então boa noite.

Ela parecia confusa, o vinco no meio da testa estava lá de novo-

- Me desculpe eu não lembro seu nome...

Diego... esse foi meu primeiro impulso, mas teoricamente ela não era uma cliente, então teoricamente eu não precisava mentir meu nome pra ela não é? Não é? Qual é, Edward, por que você quer dizer seu nome para ela?

- É... Edward.

Ela olhou pra mim de um jeito estranho.

- Nossa, parece que doeu pra dizer seu nome;

Ela estava sorrindo. Na verdade quase doeu mesmo...

- Não. É só... dor de estomago. Eu sofro de gastrite.

Nossa man, isso foi o melhor que você pôde pensar? Bem eu estava pensando em algo diferente agora...

- E eu não sei o seu.

Ela ficou olhando pra mim.

- Seu nome, eu não sei seu nome. Alice não me disse...

- Ah. Meu nome é Bella. Muito prazer.

Ela estendeu a mão pra mim. Aquilo era ridículo, mas eu não podia deixar ela no ar daquele jeito, eu era educado demais pra isso. Apertei a mão dela então, e quando ela deu a trigésima segunda olhada para o portão da casa dela eu destravei a porta pra ela poder sair. Ela me deu um meio sorriso...

- Eu tenho que ir agora. Tchau.
- Tchau.

Ela estava indo embora, tava indo embora.

- E...

Eu disse colocando a mão no ombro dela.

- Me desculpe por tentar tirar sua virgindade.

Ela corou violentamente, mas eu tava com vontade de fazer uma piada, e aí?

- Me desculpe por ter te chamado de michê.

Ela sabia retribuir minhas ironias na mesma moeda. Eu gostava daquilo...

- Acho que estamos quites então.
- Estamos sim.

Ela sorriu e saiu do carro. Rápido demais... Qual é? Eu tava cheirando mal?

Ela deu a volta no carro e abriu a bolsa, parecia estar procurando algo...

- Hãn, Bella?

Qual é, man? Deixe-a ir embora logo. Mas como? Eu já estava abaixando o vidro do carro...

- Você já tentou mentir?

Ela tirou as chaves de dentro da bolsa e a fechou antes de levantar a cabeça pra prestar atenção em mim...

- Tentei mentir sobre o que?
- Sabe... mentir pra Alice sair do seu pé. Dizer que rolou mesmo sem não ter rolado, já que essa insistência dela te incomoda tanto.

E por que isso seria da sua conta? Alias, por que você se importava, Edward Cullen? Eu preciso parar de falar comigo mesmo na terceira pessoa. Urgh.

- Ahh.

Será que ela gostava de ficar vermelha assim ou eu estava desacostumado a conversar com garotas?

- Eu já tentei sim. Três vezes, mas não deu certo. Alice e esperta demais pra cair nessa.

- Ah, eu imaginei.

Claro que ela já havia tentado, você achava o que? Que com sua brilhante inteligência ia resolver os problemas dela em dois minutos?

- Mas talvez eu tente uma ultima vez amanhã. Ela vai saber que nós saímos juntos da festa. Quem sabe a mentira cola dessa vez?

Eu vi um par de faróis atrás de mim, olhei pelo retrovisor para ver se iria estacionar ali ou algo assim, e quando me virei pra onde ela estava... Nada, ela havia entrado sem nem ao menos dizer tchau... Claro que não seu estúpido. Ela disse tchau sim, você é que não deixava ela ir embora. Enfim... isso não importava, não é?

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(N/A): Bom gente, é aqui que paramos, eu vou continuar se tiver alguém lendo, então se manifeste, deixe sua opinião, sugestões e críticas. É muito importante. Um suuuuper beijos pra Alice, ninguém mandou ela ser tão incrível e escrever um história dessas. É dela, por ela e para ela. Review pro capítulo 4 :*