Eu fiquei gelado com aquilo. Eu já tinha tido revelações bombásticas o suficiente pra um ano não tinha? O que ele ia me dizer agora? Que na verdade era uma mulher? Ou que estava apaixonado por mim? Depois do que eu tomei, eu esperava por qualquer coisa.
Eu o vi tirando um cartão da carteira dele, junto com o que parecia ser um extrato de banco. Ele colocou em cima da mesa pra eu poder pegar. Aquilo era o extrato de uma conta de banco. Com, uau, com muito dinheiro. Já sei. Agora ele ia me contar que era traficante de drogas...
-Sabe... Quando seus pais morreram, ou melhor, quando seu pai morreu, eu me senti a pessoa mais impotente do mundo.
Tentei ver se ele estava fazendo algum trocadilho com impotência. Não, estava serio.
Olhei pra ele, estava emocionado, lagrimas nos olhos do Emmett por eu estar tendo uma dor de corno?
-Eu dizia pro meu pai que eu queria ajudar de alguma forma. Você era muito jovem, sua mãe estava tão sensível e então ela morreu também e nossa, eu fiquei realmente revoltado.
Ele parou e eu fiquei olhando pra ele. Onde diabos ele queria chegar?
-E então meu pai chamou você pra morar com agente... Você sempre foi meu irmaosão, sabe disso. - ele esticou o punho e eu bati no dele, nosso toque - Quando você fez dezessete anos me fez lembrar de mim mesmo nessa idade, perdido. Às vezes saia com aqueles caras do bairro. Eu estava mesmo preocupado nesse ponto, mas eu era tão jovem quanto você. Não havia muito que eu pudesse fazer.

Eu sabia aquela historia de cor... Quando ele começou a me fazer sair com ele e as "amigas senhoras" dele, era por que os outros rapazes estavam se envolvendo com coisas erradas. Eu tinha que agradecer muito e ele por ter me ajudado, talvez eu estivesse preso com um deles agora.
-Por isso meu pai nunca criticou o fato de você trabalhar no que trabalhava, e muito menos por ser eu quem ajudava você porque ele sabia que se eu estava fazendo aquilo era pra não deixar você ir pras ruas...
E ajudou mesmo, minhas clientes me deram mais que dinheiro, me proporcionaram uma educação e visão de mundo que dificilmente eu conseguiria em outras ocasiões.
-Mas eu avisei pro meu pai, pra minha mãe, e talvez se Rose soubesse desde o começo muitas brigas entre vocês pudessem ter sido evitadas, mas eu não queria que você se sentisse enganado... - ele pegou o cartão e me entregou - eu nunca ganhei um tostão nas suas costas mano. Tudo, exatamente tudo que eu tirei das suas saídas, desde a primeira ate a ultima ta no banco, esperando por você.
Eu fiquei da única forma que poderia ficar. Chocado, mas não muito. Perto do que eu estava esperando, ate que aquilo não era muito ruim.
-Você não ganhou nada por me ajudar com a velharada então? - eu disse levantando uma sobrancelha.
-Lógico que eu ganhei cara! - ele disse levantando as mãos - Ganhei um primo legal, um irmão companheiro. Eu fiquei tão frustrado quando vi você sozinho, sem poder faze nada, eu só consegui sossegar quando arrumei esse trampo pra você. Pode perguntar pro meu pai. Eu ficava correndo atrás de curso, trabalho e o escambau a quatro pra poder te ajudar. Às vezes meu pai me dizia que eu estava me iludindo que você era meu filho.

E então a sessão revelação acabou. Porque ele arrancou a camiseta e segurando um mamilo me falou

- Vem mama na mamãe vem? - fazendo bico...
Eu não consegui segurar e comecei a rir alto. Joguei uma almofada na cara dele e voltou. Ai. Emmett não sabia brincar, ou controlar a força. Tenho que admitir, estava com medo. Pensei que talvez nunca mais fosse poder rir novamente. Mas lá estava eu com a barriga doendo de tanto rir. Emmett veio se sentar do meu lado me dando aquele abraço de urso.
-O pulmão Emmett, o pulmão - eu disse ficando vermelho sem ar... - Por que. - puxei o ar de volta - Por que resolveu contar tudo isso agora? -disse intrigado
-Bem, você disse que precisa mudar de ares. Vai viajar - ele pegou o cartão e balançou-- vai ser um bom investimento pra sua grana.
Ele me entregou o cartão então se levantando, colocou a camiseta de volta e foi buscar as chaves do carro.
-Eu tenho que ir agora - ele disse colocando a carteira de volta no bolso - Você acredita que Rose ta grávida?

-Eu sinto muito pela criança - eu dei um sorriso torto e ele me deu um soco no ombro que, ai, doeu.
-A Ali... - por um momento eu pensei em dizer que Alice também estava, mas eu parei... Eu não sabia se isso era verdade. Eu não sabia nem se Alice era mesmo noiva do irmão dela. - Nada. Eu vou pensar no negocio da viagem e depois falo com você.
-Certo. Espero não ter que fazer o papel de entregador de comida de novo pra poder falar com você - ele disse com um sorriso nos lábios indo pra porta.
-Pode deixar, me desculpe por isso.
-Ta firme... - ele me deu um abraço - O tempo cura tudo irmão, só isso que eu posso falar pra você.
-Obrigada - eu fechei a porta. Esse era o problema, tempo. Eu tinha muito tempo e ele estava passando muito devagar. Eu teria que arrumar uma maneira de fazê-lo passar mais rápido.

Eu me decidi pela viagem. Emmett tinha razão. Ficar um tempo fora seria bom pra mim. Pra escolher o lugar eu recorri a uma velha amiga minha, Dri. Ela ficou toda feliz quando eu liguei pensando que eu tinha decidido viajar com ela. Eu expliquei que não. Quem acaba de sair de um atropelamento não sai correndo pra uma avinda movimentada. Eu precisava ficar um tempo sozinho. Optei pelo tal cruzeiro dela, mas deixei claro que não seria seu acompanhante. Eu não descartava uma noite com ela, nem com nenhuma outra garota que eu pudesse encontrar, eu não descartava mais nenhuma possibilidade pra minha vida ultimamente.

Ela ficou de arrumar tudo pra mim e eu apenas faria o deposito pra ela. eu teria dois meses inteiros de mar e belas vistas para desintoxicar minha mente dela.

Faltavam dois dias pra viagem. Minhas malas estavam prontas. Emmett estava dando pulos de alegria porque eu tinha voltado a lavar o cabelo e Rosalie me ligou dizendo que se eu precisasse de alguma coisa ela estava lá. Pelo visto meu primo tinha razão... Se Rose soubesse dos motivos dele pra me ajudar teria evitado muitas brigas. Mas depois ele mudou de idéia, dizendo que a mudança da esposa era porque eu tinha uma conta de seis dígitos agora, e o navio pra onde eu iria, teria muitas jóias pra comprar, bem, eu daria um presentinho pra ela. E eu não brinco quando digo que será, uma lembrancinha.

Eu estava preparando meu café quando a campainha tocou. Sedex?

Não havia remetente. Um pacote no formato de um caderno. Assinei a prancheta pro rapaz e fechei a porta.

Me sentei na sala e abri o embrulho e... E eu conhecia aquele caderno. Ou diário pra ser mais exato. Capa roxa, cadeado e as chaves? Mas o que diabos aquele doente estava pensando?

Havia a ponta de uma folha de papel escapando. Eu puxei e era um bilhete dela:

"Naquela noite, naquela gaveta, havia duas opções para você ler: minha razão e meu coração. Infelizmente você escolheu minha razão para ler primeiro. queria te dar a oportunidade de ler a outra parte dessa historia. meu coração. porque ele será para sempre seu.

Não me atrevo a pedir seu perdão Edward. só que descobri que não consigo viver com a idéia de que você me odeia.

Bella."

Eu fiquei olhando pra aquele caderno. Pelo visto ela achava que havia algo escrito ali que poderia mudar o fato dela ter criado uma pessoa imaginaria pra eu amar. O que eu fiz com o tal diário? Joguei na gaveta da minha cômoda onde há tempos estava jogado meu coração despedaçado, intocado. Eu não queria saber o lado dela da historia. O meu já era doloroso o suficiente.

O dia estava quente, ainda bem. Os meteorologistas ficavam ameaçando, todo dia diziam que haveria uma tempestade e nada vinha. Procurei pela Dri e a encontrei encostada a uma barraquinha tomando água de coco. O sorriso que ela abriu a me ver faria qualquer um se sentir brilhante, mas eu já havia descartado a luz da minha vida.

-Olá - eu disse com um sorriso torto que ela respondeu.

-Como eu invejo os homens... Nessas malas que você tem eu coloquei só os meus cosméticos - ela me ofereceu um pouco da água e eu neguei agradecendo.

Fomos pra reunião antes de embarcar. Aquilo tudo era muito chato. Quem havia inventado de dar um workshop sobre primeiros socorros antes de embarcar?

Estava sentado lendo um livro de bolso sobre espanhol que rose havia me dado quando vi que ela havia se sentado do meu lado numa pedra a beira mar.

-E então, do que você esta fugindo? - ela disse tirando os óculos escuros.

-Por que você acha que estou fugindo de alguma coisa? - eu respondi sem tirar os olhos do meu livro.

-Ah meu bem, os anos não serviram apenas pra me dar rugas. Ensinou-me a conhecer as pessoas também - e eu queria algum removedor que tirasse da minha testa: 'uma garota me magoou'.

-Não é nada importante - eu sabia que não adiantaria ficar negando, então era melhor eu me desvencilhar.

-Seu cabelo esta horrível como nunca esteve, e sua barba totalmente mal feita. Um nível três, no mínimo. E olha que o limite é quatro.

Ela tinha um sorriso amigável enquanto falava. Não havia olhar de mariposa ali, mas não havia naquela outra também. Eu não confiava mais no meu radar, mas eu sei lá. De repente eu queria falar. Falar do que eu sentia, do que me machucava.

-Você já se sentiu tão ferido por alguém - eu disse colocando meu livro de lado - Que quisesse matar essa pessoa, mas que a idéia de vê-la morta, causasse uma dor maior ainda do que ela te causou?

Ela me olhou pacientemente com olhar de medico avaliando minhas palavras, medindo a intensidade.

-Você quer perdoar, mas não consegue, é isso?

Não. Claro que não. Perdoar ela não havia nem passado pela minha cabeça. não mesmo, nunca. Não daria. Eu não conseguiria.

-Eu não posso voltar pra ela - eu olhava pro mar enquanto falava - Porque eu iria jogar isso que aconteceu na cara dela pro resto das nossas vidas. Matando aquilo que havia de bom entre nos dois, deixando apenas ódio, rancor.

-Então você acha que está vivo o que ha de bom entre vocês dois? Por que você acabou de dizer que poderia matar. Não que está morto.

Ah, não dava pra conversar assim. Ela iria ficar torcendo tudo o que eu falava o jogando contra mim?

-Ela mentiu, calculou, enganou. Você não sabe de tudo. Por isso acha que e simples assim.

-Se imagine perdoando-a - ela me disse calmamente... - é um bom começo - a voz dela era calma. Lógico, não havia sido ela naquele quarto. Vendo seu mundo todo desabar.

-EU NÃO VOU...

-Ei. Calma. Não estou te dizendo pra fazer isso, só pra imaginar. Vamos lá - ela colocou uma mão em meu braço - feche os olhos. Se imagine dizendo a ela que perdoa. que esqueceu. Como você se sente?

-Eu não sei por que não consigo me imaginar fazendo uma coisa dessas.

-Faça um esforço meu bem - parecia que ela estava ensinando o filhinho a usar o piniquinho - Você pode tentar. Isso não vai mudar quem você é. Seu ego permanecerá intocado. Ninguém vai saber. Deixe isso acontecer. Dentro da sua mente. Apenas dentro dela. Como você se sente? - ela apertou mais meu braço.

Por um momento. Um milésimo de segundo. Durante uma piscada. Eu obedeci. Deixei minha mente viajar por um universo alternativo onde eu entendia o lado dela. Entendia que ela precisava chamar minha atenção...

"Eu não sei se posso amar essa pessoa que você é, mas eu vou tentar." eu diria a ela. Olhando em seus olhos azuis com as mãos em seus ombros perfeitamente posicionados.

"Isso é suficiente pra mim." ela responderia. E eu sentiria o gosto de seus lábios novamente. Tão leves. Tão frágeis. Podendo fugir a qualquer momento e seu cheiro de maracujá me inebriaria uma vez mais, seu toque leve me faria sentir sensações que antes eu desconhecia. Eu me sentiria tendo um lugar no mundo. Sentiria que eu pertencia a algum lugar novamente...

Mas não era esse o cheiro que eu sentia agora. O cheiro era salgado. O gosto era salgado. Eram minhas lagrimas. Eu olhei pra Dri que observava elas saindo. Ela não conhecia esse meu lado, mas não parecia chocada.

-E então. Como você se sentiu? - ela perguntou baixo.

-Completo - foi só o que eu respondi pra ela.


eu to parecendo uma idiota me emocionando com todos esses capítulos --'

Bom, algumas coisas para comunicar: Gente, a Alice, a autora da história, passou aqui pra esclarecer uma falha que trouxe muitos problemas. (UIAHSIAUHSIAUSH') sabem aquela parte do capítulo 17 onde a Bella fala assim: 'E eu achei que a loura havia finalmente chegado'? ouve um SUPER erro de correção, e a forma certa é : 'E eu achei que a loucura havia finalmente chegado', é, engolimos uma sílaba. Perdoem-nos por isso ;/

Desculpa mesmo, principalmente para as meninas que comentaram isso achando que era a Rose. Mas com esse capítulo e essa correção temos uma coisa boa pra afirmar: pelo menos o Emmett é fiel, UIASIUHASIUH *-*

Outra coisa, volta às aulas pra mim. mas eu não abandonaria isso aqui de forma alguma. mas vai ficar mais complicado as atualizações sabe? Então eu dou duas opiniões pra vocês: capítulos diários de tamanho médio (como esse, por exemplo) ou capítulos intercalados, dia sim e dia não, de tamanho grande (do tamanho do capítulo 9 ou 13, por exemplo). escolham. a maioria vai ser lei :) [essa votação vai ficar aberta até o dia 28/07/09, ou seja, amanhã. até às 18:00]

A ultima coisa que ficou para ser decidida foi a trilha sonora, que pela maioria, vai continuar. o/ (yeeeees!)

Nesse capítulo deu pra dar uma relaxada né? foram dois capítulos tensos seguidos. IUAHSIUASHIUASHIUS' eu já disse que eu amo o Emmett? *-*

Reviews pro próximo capítulo, à proposito, eu amo cada letrinha que vocês escrevem, das reviews com uma letra até as de 2 páginas. IUAHIAUHS. é tão bom compartilhar com vocês, trocar opiniões e saber o que vocês estão achando, é a base pra isso aqui continuar firme.

É, eu falei demais, mas fazia tempo que eu naõ desabafava. IUAHSIAHSIAUSHU' beijo pra vocês, TODAS e pra Alice.