Ponto de Vista do Edward.
Eu sabia que ela não viria, mas mesmo depois de meia hora de espera ainda havia uma parte de mim que tinha esperanças de sentir a qualquer momento o colchão se abaixando com o peso do corpo dela se deitando.
Não sei quanto tempo já havia se passado, mas o sono não vinha e eu sabia exatamente onde estava o sonífero que eu precisava.
Pé ante pé entrei na sala, se ela ainda estivesse acordada eu daria um jeito de sair dali de fininho, mas não, ela estava encolhida deitada de lado no sofá grande, parecia com dor.
Eu não me orgulhava de ter feito aquilo com ela, mas era meu orgulho masculino ferido, ele era mais forte que eu.
Ele era mais forte. Mas não estava presente agora, voltei pro meu quarto e peguei um cobertor qualquer.
Dei um jeito de me encaixar atrás dela no sofá e cobri agente, nos últimos vinte minutos deviam ter caído uns 10 graus ou era simplesmente a falta de proximidade dela que fazia meu corpo esfriar?
Seu corpo se mexeu um pouco, quando me sentiu por perto. Achei que ela fosse acordar, mas apenas deu um jeito de se encaixar mais em mim e foi uma longa conversa interna com Ed Jr pra convencê-lo que a brincadeira da noite já havia acabado. Que o papai aqui havia estragado tudo como sempre, isso não era novidade.
Eu sabia que daria certo. Não precisei de muito tempo e a parede da minha sala havia se transformado nas paredes do escritório dela. A porta estava trancada e ela em cima da mesa desabotoando a camisa. Eu estava sonhando com ela. Mas aquilo também já era nenhuma novidade.
Já devia ter se passado algum tempo ate que senti seu corpo ficar tenso em frente ao meu. Ela havia acordado. Agora ia começar toda aquele de, quem você pensa que é, e blá blá blá...
Ela tirou minha mão da sua barriga e se levantou do sofá, indo olhar as horas.
-Droga - escutei ela reclamar baixinho.
A vi procurando sua bolsa no lugar onde havia deixado ontem, se sentado pra calçar as botas, mas ainda calada. Cadê? Onde esta o escândalo por ter dormido sozinha e acordado comigo?
-Será que você pode fazer o favor de abrir essa porta agora? - ela perguntou colocando a bolsa no ombro, me olhando, ainda parecia magoada. Muito. Muito magoada, mas eu sabia muito bem que. O tesão que ela tinha por mim seria maior que isso. O que eu tinha por ela havia sido maior do que suas mentiras afinal.
Peguei as chaves em cima do pote que havia em cima da geladeira e fui destrancar a porta da frente enquanto ela esperava pacientemente a alguns passos atrás de mim... Quando viu que eu já tinha aberto metade tentou passar por mim.
-Na-na-ni-na-não... - disse detendo-a e encostando a porta novamente - Onde está meu beijo de despedida?
Bella me encarou por um segundo, engolindo em seco virando o rosto pro outro lado pra eu não ver que estava queimando de raiva, ou de desejo, só deus sabe o que se passava na cabeça dessa louca.
-Sem beijo, sem rua - eu disse rindo e levantando uma sobrancelha.
Sem sair do torpor ela colocou a mão na minha nuca me puxando pra mais perto.
Sua boca procurava pela minha lentamente, minha língua tocou dela que passou pela minha, mas logo voltou pra dentro da sua boca mordendo meus lábios, soltando-os, contornando os com língua, prendendo mais forte meu cabelo, mordendo meu lábio, e mordendo de novo. Mas dessa vez mais forte, e mais forte e ai... Sinto gosto de sangue. E acho que e o meu. Tirei as mãos dela de cima de mim empurrando-a
-O que foi Edizinho, não chegou lá? - ela disse limpando o meu sangue que havia ficado em sua boca - Esse vai ser o seu castigo de hoje. Ela ultrapassou a barreira do batente da porta de saída - Vai sangrar.
O primeiro dia de trabalho depois daquele 'acontecimento' no meu trabalho foi monótono demais. Eu pensei em procurá-la nos outros dias do fim de semana, mas não. Ela teria que sentir saudades. Eu estava com medo de ela me rejeitar, eu admito.
Meu chefe me dispensou por telefone, como sempre, então fui fazer umas coisas pra tal Humbert, ou algo assim. Aqui nesse negocio só tem nome complicado.
Mas enfim, eu estou arrumando o arquivo do fulano, não imagino em que planeta ele tenha pago cem reais por um pacote de caneta bic, mas, eu não era ninguém ali. Só o assistente.
Terminei o que tinha que fazer e uma senhora se sentou no computador do dono da sala, com uma autorização em mãos, dizendo que seu PC tinha quebrado e iria usar aquilo.
Ela resmungava enquanto trabalhava o que não me deixava raciocinar muito bem e então ela começou a me fazer perguntas, todas referentes ao setor administrativo. Algumas coisas eu havia acabado de ver nas aulas, quando eu dizia pra ela.
-Bem, meu professor disse que nesse se caso se aplica...
Então ela batia mão na testa e agradecia dizendo que havia ficado cinco anos afastados da empresa por causa do filho que havia nascido, e só agora voltava ao trabalho. Pelo o que dizia, estava enferrujada, fiquei surpreso ao ver que ela não era uma mariposa. Muito menos uma senhora simpática, as perguntas que ela fazia eram plausíveis, não pareciam desculpas apenas para puxar assunto.
Ponto de Vista da Bella
Eu juro. Juro que se a Ângela aparecer com mais um requerimento no valor de cinco reais pra eu assinar vou da um piti daqueles bem feios, sair gritando feito uma louca pelo corredor. Parar antes de passar pela sala dele antes é lógico e depois continuar gritando ate minha casa e me afogar na banheira.
Ou simplesmente demitir a Ângela. Não. Ela tem que sustentar os irmãos gêmeos. Eu não seria capaz disso.
A solução era a única existente mesmo, deixar o encarregado de finanças voltar a fazer seu trabalho.
Quando tomei a frente das despesas totais e básicas era porque eu suspeitava que estava havendo algum desvio, ou sei lá, mas agora vejo que não de cinco em cinco reais vai muito dinheiro pra qualquer evento, ou ensaio necessário. eu tinha que me render, estava errada sobre Humbert, ele fazia bem seu trabalho e deveria ser colonizado por fazer essa coisa chata, porque eu não agüentava mais.
Eu ainda não havia terminado de passar os dados da recepção de contrato com 3 empresas que do nada resolveram dispensar nossos serviços pro computador. Tinha um almoço com os tais coreanos em duas horas e meia e provavelmente já haviam começado a reunião geral sem mim, como sempre. Eu precisa impor mais respeito como diretora e futura dona daquilo tudo, mas me preocuparia com isso depois, eu tinha que correr pro quarto andar agora.
Meus papeis caíram quase chegando na porta. Quando me abaixei pra pega-los e meu prendedor de cabelo se soltou, meu cabelo ficou todo bagunçado e eu entrei na sala chacoalhando a cabeça pra ver se eles iam pra trás e me deixavam enxergar alguma coisa.
Tomei meu lugar no topo da mesa e puxei meu cabelo pra traz. Eu não estava nem ai se estava parecendo um Cocker despenteado, eu era dona daquilo tudo.
Oh sheet, mas what fuck ele ta fazendo aqui?
-Bom dia - consegui soltar depois do choque inicial.
Ouvi uma resposta geral ao meu cumprimento, todos responderam, menos ele que continuava com aquele sorriso torto, estúpido, cínico, que deixava ele ainda mais gostoso.
A diretora do departamento de criação começou a falar. eu não entendia muito daquilo, eu realmente me importava em aprender o máximo que podia em menos tempo, mas a faculdade de antropologia e meu plano mirabolante pra conquistar um garoto de programa havia atrasado um pouco as coisas.
Depois de umas quatro pessoas falarem eu indiquei que era minha vez.
Tentei usar a maior quantidade de termos técnicos que podia pra deixar minha rendição, declaração de incompetência e completo horror a toda aquela chatice do setor menor de administração de finanças.
Beth foi a próxima a falar e eu espera realmente que houvesse uma boa explicação para o homem que tirou minha virgindade estar sentado na MINHA mesa, na reunião da cúpula da MINHA empresa. Não que antes eu já houvesse tido qualquer orgulho de possuir tudo isso, mas Edward Cullen despertava o que havia de pior em mim.
-Bem, eu estava fazendo uma revisão de custos pra a campanha dos coreanos que eles não nos escutem falando assim deles - ela fingiu uma reza e eu ri, era verdade, eles seriam capazes de se ofender - Há muitas despesas que podem ser cortadas, alias,
Ela colocou uma mão no ombro do Edward apontando com a cabeça - O rapaz aqui... Edward não é? - ela se virou pra ele, que confirmou com um aceno que nome estava certo - Ele foi de uma grande ajuda hoje, gostaria de conversar depois com você sobre ele.
Senti minha barriga gelar quando ouvi aquilo. Seria pior se todo o escritório não soubesse que ela era lésbica há muitos anos, que havia conseguido adotar uma criança há uns cinco anos. Por isso havia estado tanto tempo de licença.
Mas ela era uma pessoa respeitada na empresa, às palavras dela viravam ordens pela voz do meu pai e suas sugestões sempre eram aceitas.
Que tipo de interesse ela poderia ter por Edward? Recém calouro na faculdade de administração. O que ele teria a oferecer a alguém como ela?
A menos que soubesse de nos dois... Eu nunca havia parado pra pensar sobre como ter um 'relacionamento' com um empregado poderia afetar minha situação por aqui que já não era muito favorável. Eu ainda não era muito firme pra controlar aquilo tudo.
Edward estava com uma irritante expressão de segurança, de quem havia achado o pote de ouro antes de mim. O que o faria estar tão confiante de si mesmo em um território que para todas as hipóteses era totalmente meu?
-Eu acho que terminamos por aqui, mais alguém quer dizer algo? - Eu disse em voz alta, ignorando seu olhar firme sobre mim, depois de ouvir um longo relatório sobre tudo aquilo que eu já havia assinado nos últimos dois dias na minha sala.
-Eu gostaria - a nova protetora do meu ex-deus grego falou - Mas é em particular se você não se importar.
Todos saíram da sala assim que eu os liberei, menos Miranda e seu novo pupilo.
-E então Miranda, em que posso te ajudar?
Falava enquanto guardava tudo na minha pasta eu sentia o olhar dos dois sobre mim.
-Bem, é que hoje conheci este - ela o olhou por um instante antes de continuar - rapaz inteligente e sinceramente fiquei interessada.
Então entre na fila e faça plásticas pra parecer vinte anos mais nova, porque esse já tem dona meu bem.
-Você sabe que acabei de voltar de licença e conseqüentemente estou sem assistente - eu nunca havia me irritado com esse tom excessivamente educado dela, não ate agora. - Vim falar pessoalmente com você para evitar um monte de burocracia, acha que Edward estaria disponível para ser promovido a meu assistente?
E porque porra ela acha que virar assistente dela é promoção? Promoção seria casar comigo e virar dono, isso sim.
-Eu acredito que você tenha que resolver isso com o senhor Mars. ele ficou muito tempo sem assistente com a saída do Andy, não sei se vai querer abrir mão de seu assistente assim tão facilmente.
E porque mesmo que eu estava dificultando as coisas pra ela? Ah é, eu to com ciúmes... De uma lésbica. Cara eu preciso me tratar.
-Oh e falando em Andy, como ele esta? Será que já se recuperou da paixonite pela grande herdeira?
É impressão minha ou ela esta tentando se vingar por eu não ter entregado meu deus grego que eu consegui com tanto esforço de bandeja pra ela?
-Eu tenho certeza de que ele vai conseguir se focar no que realmente importa em sua vida, a carreira dele. - Respirei fundo, era hora de parar, mas todo mundo ainda falava que eu havia sido injusta com ele. O que não era verdade. - E não acredito que o termo paixonite se ajuste aos sentimentos sinceros do meu grande amigo Senhor Mesquita. Acho que todas nos sabemos como e ter que manter algo em segredo por muito tempo e depois ser obrigado a revelar.
Como ela havia feito sete anos atrás se casando com a minha secretaria depois de um longo namoro que elas achavam ser escondido, mas que ate os porteiros do local conhecia.
-Bom - eu havia acertado em cheio, ela ficou desconcentrada - Se o Sr Mars der algum parecer sobre o assunto do rapaz me avise, por favor.
Ela me passou um sorriso educado que eu retribuí e outro a Edward que mais parecia uma estatua de jardim parado ali do lado.
Assim que a porta se fechou senti suas mãos sobre mim, me prensando na parede.
-Mas o que diabos - sua boca já tampava a minha sem me deixar dizer alguma coisa - Pare com isso Edwar... - ele tentava me calar de novo...
Suas mãos e seu corpo não me deixavam escapar, metade do meu corpo já estava em cima da enorme mesa de reuniões.
-E eu achando que a sua mesa era boa - ele disse rente ao meu pescoço, me mordendo. Minhas mãos ainda o tentavam afastar - Essa aqui e tudo o que um cara pode querer.
Sua boca procurou a minha novamente, eu desviei uma, duas, três, ate que ele se tocou.
-Mau dia? - ele perguntou levantando uma sobrancelha.
Eu já disse como ele fica charmosos quando faz isso? A forma como seus olhos parecem estar mais brilhantes, sua boca se mexe num leve sorriso sem que ele perceba. É a imagem da perfeição. Era meu conceito de perfeição pelo menos.
-Preciso trabalhar... - eu disse irritada depois de duas tentativas frustradas de sair do meio dos seus braços.
Ponto de Vista do Edward
Eu não sei. Pode-se ate dizer que é delírio meu, mas eu tenho quase certeza de que ela esta com ciúmes. Ela tem todos os sintomas pelo menos, eu só não sei dizer do que é porque não houve uma mulher sequer que houvesse mantido contato visual comigo por mais de meio segundo naquela sala, somente Miranda. Oh, era isso. Ciúmes da coroa de terno grande demais.
-Eu espero você na minha casa hoje - eu estava com saudades, provavelmente a raiva pelo que havia acontecido no fim de semana já havia passado.
-Eu não vou - ela disse desviando o olhar, será que ela nunca se cansaria de negar e ceder depois?
-Você vai sim - eu disse apertando a bunda dela.
-Não, eu não vou - ela disse ríspida tirando minha mão dali - Jasper esta com virose e uma febre danada. Alice esta com ele, mas vai viajar de noite e eu preciso cuidar dele.
Irmãos, porque existem afinal? Se não são pra comer a irmã da gente, eram pra nos impedir de comer a irmã deles. Eram seres praticamente inúteis a meu ver.
-Eu vou pra sua casa então - respondi depois de pensar um pouco colocando uma mecha daquele cabelo bagunçado dela atrás da orelha.
-Nem sonhando - ela me respondeu fechando os olhos, sentindo minhas mãos em sua nuca.
-Dessa vez eu espero você abrir o portão, mas se vamos ficar assim por um tempo, vou precisar de uma copia da chave da sua casa e você uma da minha.
-Agente podia se casar de uma vez.
Eu já havia visto essa realidade em meus pensamentos, muitas vezes, mais do que ela podia imaginar. Também havia visto tudo ser destruído pelas mentiras dela.
-Sonhar é permitido em todos os países eu acho.
Dei um sorriso torto pra ela e me afastei, pra que ela pudesse se ajeitar também.
-Edward - ela me chamou quando eu já ia saindo, me virei pra ver o que ela queria.
-Ninguém aqui pode saber que temos... - ela hesitou – Que... nos... sabe... juntos... e... às vezes...
-Não Bella, não sei do que você está falando - disse me virando mais pra ela, rindo de seu nervosismo.
Ela percebeu que eu fazia de propósito, pegou sua mala com violência de cima da mesa.
-Eu juro que se alguém aqui dentro souber que ficamos juntos - seu rosto ficou próximo do meu - Você é um homem morto.
Ela saiu batendo a porta com violência atrás de si.
-Isabella, você não devia me provocar dessa maneira.
Ponto de Vista da Bella
Era só o que eu precisava agora, enquanto tentava conquistar um pouco de respeito daquelas pessoas, ficar me agarrando com o assistente de alguém pelos cantos não ajudaria nem um pouco.
Só agora com a mente limpa, eu percebia quão ridículo havia sido o papel que eu havia feito com Mirando dando respostas irônicas em relação a sua vida pessoal dificultando as coisas, sendo que seriam para o bem de Edward. Eu não costumava ser egoísta assim, eu me orgulhava de dizer que meu amor por ele era puro, talvez as coisas estivessem mudando, a imagem dele na minha mente pelo menos se modificava a cada segundo.
Depois de resolver coisas mais importantes, chamei Ângela pra saber a agenda de amanha.
-Bem, como você delegou uma parte importante do que estava fazendo ultimamente, ate que eu adéqüe, ou adiante os seus novos compromissos você terá a semana mais folgada, hoje, por exemplo, as quatro já estará liberada se quiser.
-Não, quero que você utilize esse novo tempo me trazendo currículos para eu analisar. O novo assistente do senhor Mars vai trabalha com Miranda agora e eu não posso deixar Jack por mais um mês sem assistente como eu fiz. Ele ficaria furioso comigo depois que eu escolher você marca as entrevistas para o longo da semana, nesse tempo que sobrou para eu mesma escolher o assistente.
-Certo, você quer começar a analisar as fichas hoje já?
-Não, vou começar amanha. Estou meio preocupada com o Jasper. Alice é meio avoadinha pra essas coisas, tenho medo que a febre aumente demais sem que ela perceba.
Cheguei em casa um pouco antes das cinco. Jasper estava relativamente bem, ainda vomitava às vezes, Alice tentava disfarçar, mas estava entrando em pânico por vê-lo tão pálido como estava, mas eu já estava acostumada, em dois dias ele estaria novo em folha.
Preparei uma refeição leve pra ele, e mandei Alice levar, ela era a única que conseguia o convencer a comer mesmo sem vontade...
À noite coloquei meu filme preferido pra ver: Ela e Demais. Esses clássicos de romances colegiais americanos dos anos noventa eram meus preferidos. É claro que eu não acreditava que aquilo pudesse acontecer de verdade no mundo real, eles estavam preocupados demais olhando pra bunda das bonitonas, pra perceber que a garota quietinha da sala teria algo a oferecer.
O filme já estava quase acabando, e meu celular tocou. Eu não queria atender. Eu sabia que com meia dúzia de palavras, não necessariamente bonitas, eu chegaria na casa dele em cinco minutos e eu não queria isso.
O sexo era incrível, depois da primeira vez, você não entende como pode sobreviver todo esse tempo sem, mas, o que eu temia era o que vinha depois...
Sempre acabava magoada. Sentindo-me culpada. Com pena de mim mesma. Era horrível o sentimento de culpa que ele conseguia impregnar em mim aos poucos. Minha dignidade me dizia agora que nem a melhor transa do mundo valeria esse preço.
A musica que eu havia colocado pra ele quando ligasse continuava soando pelo meu quarto. A dúvida continuava soando dentro de mim, mas no final, como sempre, eu era fraca demais. O verde acabou sendo apertado.
-O que você quer? - talvez um pouco de grosseria o fizesse desistir.
-Estou aqui no portão esperando.
-Você vai continuar ai então.
-Você não seria capaz, você não consegue me ignorar.
-Edward Jasper esta com febre alta, vomitando muito, e eu acho que vou ter que levá-lo ao hospital se ele continuar assim, porque vai acabar se desidratando. Eu não tenho tempo pra você agora.
-Isso é serio, ou você esta apenas se fazendo de difícil como sempre?
-Eu não brincaria com a saúde do meu irmão, você não vale tanto assim.
Como eu imaginava, tive que passar minha noite no hospital com Jasper. Ele estava muito mal, e como eu disse desidratado. Aquela era uma virose das bravas mesmo.
De manha, depois de duas horas de sono mal dormidas em uma poltrona e sabe se lá quantos cafezinhos, cheguei à empresa com uma cara de poucos amigos, e ele percebeu isso quando me seguiu ate minha sala. a quanto tempo será que estava esperando ali encostado na mesa da Ângela?
-Seja rápido - eu disse olhando pra ele enquanto entrava e fechando minha porta.
-Porque eu tenho a impressão de que um caminhão passou por cima de você? - ele perguntou rindo se sentando na minha cadeira e dando um giro.
Eu sei, minha aparência não era das melhores, mas minha preocupação com minha beleza diante dele já não era mais a mesma nos últimos dias.
-Tive que passar a noite com Jasper no hospital - eu respondi enquanto colocava as coisas em cima da mesa auxiliar.
Parei em frente a ele colocando minha pasta em cima da mesa demonstrando que queria usar a mesa, ele não se mexeu um centímetro, mas pareceu um tanto preocupado...
-Como ele esta?
-Bem. Volta pra casa daqui a algumas horas.
Ele não saia da minha mesa. Eu precisava usar meu computador então eu simplesmente me ajeitei no colo dele colocando as pernas de lado ficando de frente pra o computador que ainda ligava.
-O que você quer? - eu perguntei sem me virar para olhá-lo.
Ele ficou chocado com o que fiz. Provavelmente esperava por um escândalo da minha parte pra que saísse logo da cadeira. Depois do choque inicial, apenas passou a mão pela minha cintura, cruzando as mãos na frente do meu corpo.
-Queria saber o que vai fazer em relação a Miranda.
-Eu comecei a resolver isso ontem.
-Como? - ele perguntou meio descrente.
Ele achava o que? Que eu ia brigar coma mulher por ciúmes dele, até ela desistir e ficar com ele só pra mim? Não que eu não quisesse fazer isso, mas meu bom senso não deixava.
-Vou marcar entrevistas com candidatos a assistente assim que o senhor Mars tiver um novo você será todo da Miranda.
E eu tentei deixar essa ultima parte o mais irônica possível.
-Eu não sei por que você tem ciúmes dessa mulher - ele sussurrou no meu ouvido.
-Eu não sei por que você pensa que eu tenho ciúmes de você.
-Talvez porque eu seja seu 'deus grego'.
Frisando a parte do deus grego senti meu rosto queimar. Ainda bem que estava de costas pra ele agora. Comecei a abrir uns arquivos nada a ver movida pela vergonha que estava sentindo.
-Você deixou de ser meu deus grego a partir do momento em que saiu pela porta do meu quarto naquela noite.
Ele ficou calado por um momento. Talvez pensando no que eu havia dito.
-Nos dois sabemos que isso é mentira.
É. Aquilo que ele dizia era verdade. Ele ainda era meu deus grego, ele ainda era meu sinônimo de homem perfeito. Ele ainda era o homem que povoava meus sonhos e que me fazia sonhar acordada também, mas eu não segurava as palavras, queria que ele sentisse o desprezo que eu sentia agora.
Agora com a mente um pouco mais leve, liguei o programa que transmitia as câmeras de segurança. Seus braços permaneciam em volta de mim e naquele momento era impossível não sentir aquela sensação de ter achado meu lugar no mundo. Ali. Em volta dos seus braços.
-Oh droga! - gritei.
nada pra escrever gente ;/
bom só que essa semana e a próxima serão BEEEEEEEEEEM apertadas ;/ mas vou fazer de tudo pra manter o controle. Beijo pra TODAS e eu quero mais reviews.
PS: capítulo pra minha prima MA-RA-VI-LHO-SA. eu te amo Thayná!
