Ponto de Vista do Edward
Como sempre, quando havia alguém 'importante' por perto, ela se afastava. Quer dizer... Ficar enfiada com o tal de James o dia todo no escritório não tem problema, conversar comigo no estacionamento e vergonhoso? Poupe-me Isabella. Eu não preciso disso.
Mas foi só entrar no carro e me lembrei da expressão triste em seu rosto. Eu não sabia, mas eu sentia. Havia algo engasgado nela. Algo que a estava deixando triste, eu ate queria, mas eu não podia virar as costas e deixar ela naquela situação.
Mandei uma mensagem pra que ela me seguisse. Eu sabia que ela viria. Estava escrito na testa dela e nas entre linhas daquele convite pra jantar que ela estava a fim de fugir de tudo e ir pra minha cama.
Ela ate poderia ir. Eu sabia que ela se sentia segura comigo, nos meus braços, mas primeiro teríamos uma boa conversa. Ela teria que ter uma boa explicação do porque é Bella psicopata apaixonada na rua e Isabella a chefe quadradona no escritório.
Entrando em casa, eu pensava e repensava uma forma de fazê-la soltar e exteriozar aquilo que parecia a estar corroendo por dentro, apagando aquele brilho intenso que havia antes em seus olhos.
Megie, a vizinha comprou outra geladeira porque a dela havia pifado. Ela tinha cinco filhos adolescentes, o que não me deixou nem um pouco surpreso quando ela trouxe todo aquele arsenal de comida congelada pra minha casa, ate que a geladeira nova dela chegasse.
Ela ficou irritada por causa daquilo. Eu percebi, foi a chance perfeita. Falei grosso com ela e deu certo. Ela começou a chorar, eu sabia que tudo aquilo não era só pela comida, ou por minhas palavras. Ela havia agüentado tudo calada por muito tempo, já era de colocar aquilo tudo pra fora.
Preparei o jantar e só pra constar a massa daquele canelone era fresquinha do mercado e eu mesmo preparei o recheio. Eu até tentei, mas depois de provar das receitas que ela havia me ensinado era impossível se acostumar com comida congelada.
Preferi jantar no escuro. Por quê? Simplesmente porque assim com o cabelo todo revolto por culpa da choradeira e com o escuro que não deixavam fazer diferença se seus olhos eram azuis ou castanhos como antes ela se parecia mais com minha Bella, aquela garota doce e dependente que eu havia conhecido.
Seus olhos já brilhavam no escuro, ou seja, embriagues. Por isso eu coloquei o vinho com o maior teor alcoólico possível na mesa, eu queria arrancar algumas respostas dela hoje.
Por isso não pude atender ao seu provocante convite ali dentro da minha camiseta com os olhos brilhantes me vendo pelado e me chamando de gostoso.
Disso eu me orgulhava, eu havia adquirido um grande controle sobre Ed Jr em todos aqueles anos de trabalho.
Frustração estavam evidentes em seus olhos quando ela veio se deitar comigo, mas eu ainda precisava de respostas. Depois que eu as tivesse, ela teria tudo o que quisesse.
Esperei que ela se ajeitasse melhor ali. Havia um travesseiro em especial que ela sempre pegava pra dormir. Havia ficado com o cheiro dela, não que eu tenha descoberto isso porque fiquei inspecionando todos ate saber qual deles tinham o seu cheiro mais forte, foi coincidência. [olhaproladoefazcaradeinocente]
Ela parecia nervosa, inquieta. Às vezes balançando o PE, às vezes ajeitando o cabelo quase seco. Ainda olhando fixamente pro teto.
Me virei pra ela, me apoiando num dos cotovelos.
-Você tem vergonha de mim? - soltei logo a pergunta. Queria a verdade, não daria tempo pra ela inventar uma desculpa boa o suficiente pra me enganar. Se ela fingisse não entender a pergunta era porque queria ganhar tempo, era culpa no cartório.
-Eu nunca teria vergonha de você - ela respondeu me olhando nos olhos.
Ela se virou pra mim, dessa vez interessada na conversa.
-Eu poço ter vergonha da minha altura, dos meus peitos ou do fato de ter tido de usar de lentes de contato pra me aproximar de você - seu corpo escorregou pra mais perto do meu, suas mãos tocaram meu rosto levemente - Mas eu nunca me envergonharia de você...
Seu sorriso torto e o brilho dos seus olhos me mostravam que ela falava a verdade.
-Porque foge de mim na empresa então? - perguntei franzindo a testa.
Compreensão passaram por seus olhos então ela ficou meio nervosa. Eu pude perceber, parecia ser algo... Vergonhoso? Algo chato pra ela dizer em voz alta.
Seu rosto voltou a se virar pro teto novamente.
-É que - vi que ela engoliu em seco umas duas vezes antes de continuar - Eles não me respeitam.
Esperei um pouco, pelo visto ela estava reunindo coragem pra dizer o resto.
-Quem não te respeita?
-Todo mundo. Dos diretores mais importantes ate os estagiários mais antigos. Pra eles eu sou uma garota mimada que não tem onde estrear seus sapatos Prada então resolveu bater cartão por lá.
Quando pareceu mais calma após dar uma respirada funda ela se virou pra mim novamente.
-Por isso tento parecer distante perto dos outros. Sei que me verem com você só vai fazer essa implicância deles comigo aumentar mais ainda. Se é que e possível...
-Você não parece se esforçar tanto perto daquele James.
Eu não estava nem ai se ela pensasse que eu estava com ciúmes daquele cara, eu podia ate estar... Mas naquele momento, só coloquei seu nome no meio pra ter certeza que ela estava falando a verdade, e não apenas uma boa mentira que havia me convencido.
Ela riu baixo com meu comentário, tocando meu rosto novamente.
-Uma vez Alice me disse que olho pra você como se fosse algo de comer... - ela deu mais uma risada então - Algo muito gostoso de comer por sinal, como ela diz.
Fiquei quieto querendo saber onde ela queria chegar com aquela declaração.
-Eu não preciso disfarçar nada perto do James. Eu não sinto nada por ele - seus dedos passaram por meus lábios então - Já você, às vezes eu tenho medo que escute o quanto meu coração dispara quando estou perto assim como agora. - seus lábios tocaram os meus levemente - Não é algo que eu possa ligar e desligar, então sempre acho que alguém nota o quanto fico vermelha de te olhar de formas indiscretas em momentos indiscretos.
A senti mordendo meu ombro, pulando pra ficar em cima de mim.
-Eu sei que me pegarem flertando com você não vai ajudar nem um pouco na minha caminhada pelo reconhecimento do meu trabalho por todos aqueles velhos de cem anos.
Ela me deu a volta com as pernas me deixando por baixo novamente.
-O que você acha de eu começar a testar minha liderança agora? - ela perguntou passando as mãos pelo meu peito.
-Acho que vou gostar disso - eu respondi colocando as mãos atrás da cabeça.
Eu realmente achei que ela só fosse querer fazer aquilo no segundo round, mas se tava afim, quem era eu pra reclamar?
Talvez antes tivéssemos mais pressa. Agora fazíamos questão e explorar cada canto, cada ponto de prazer que podíamos ter.
Loucuras e posições fantásticas não faltavam na minha vida anterior, mas vê-la assim, se derretendo em cima de mim, ofegante, eu não trocaria... Não trocaria mesmo.
Ponto de Vista da Bella
Ainda era noite. O corredor pro meu quarto parecia gigante e então já não era mais um corredor, parecia uma linha de trem, ou algo assim. Alice corria logo atrás de mim. Eu a via com o canto dos olhos, algumas luzes piscavam, eu estava com medo, muito medo porque eu sabia que havia algo me perseguindo. Algo perigoso que poderia me machucar. Eu queria... Não sei o que queria.
Minhas pernas estavam tremendo, eu já pensava em me entregar. Não agüentava mais correr da morte e então ele apareceu. Estava serio, andou mais rápido quando me viu.
Não sei de onde veio aquela sensação de segurança. Eu nunca havia sentido isso antes. Só sei que senti seu abraço, então eu já não via mais de dentro.
Estava do lado de fora do meu corpo. vi ele correndo pra mim. vi que quando ele me abraçou meu corpo simplesmente desfaleceu. Agora segura pela idéia de que estava protegida. Agora ele estava ali. Não com seu cavalo branco. Mas com seus braços fortes que me faziam ver que nada no mundo poderia me atingir enquanto eu estivesse ali com ele.
Ponto de Vista do Edward
Bella já havia dormido a algum tempo. Apesar de me sentir saciado como nunca estive antes, não conseguia dormir. Ficava pensando se o que ela havia falado era verdade, se o único motivo de não se aproximar de mim na frente dos outros era o medo de verem sua atração por mim e perder o resto do respeito que tinha.
Esse era outro ponto importante também, se era isso o que a incomodava como fazer para que todos vissem que ela poderia ser uma administradora competente?
Eu não entendia nada de hierarquia em empresas grandes como aquela, mas provavelmente como herdeira e quase dona ela poderia ter sua vontade imposta sem ter que passar pelo constrangimento de ter suas ordens discutidas a todo o momento.
Tentava arrumar uma solução pra esse impasse quando seu corpo se mexeu inquieto rente ao meu. Parecia ser dor aquilo em sua expressão, um pesadelo provavelmente, e parecia estar piorando também.
Eu já estava pronto pra acordá-la quando senti suas mãos que estavam ao redor do meu torço me apertar mais forte e então relaxarem. Parecia que havia acabado, um leve sorriso se formou em seus lábios.
Ponto de Vista da Bella
O som do despertador do meu celular me acordou devagar, essa era a intenção. o volume aumentava conforme a demora pra ser desligado.
Não fui eu quem fez ele parar de tocar, senti a cama se mover quando ele saiu dela pra fazê-lo se calar.
Veio o silencio então e senti um beijo seu no meu cabelo.
-O toque do seu celular é irritante.
Escutei ele rindo e indo pro banheiro.
E lá fui eu de novo ver ele tomar banho. Ele devia saber que eu iria porque deixou o Box aberto. Ah Jesus que homem é esse?
Ele estava esfregando xampu na cabeça. Será que ele acordava todo dia animadinho daquela maneira ou estava feliz em me ver?
-Porque você não vem aqui comigo?
Ah eu queria, eu queria muito vendo ele daquele jeito então, nem se fale. Mas eu tinha treze minutos pra estar no meu escritório pra ultima reunião com os acionistas antes da festa. Então meu deus grego vai fica na mão.
-Tenho uma reunião importante em dez minutos e ainda preciso passar em casa trocar de roupa - respondi saindo de lá, mais duas olhadas na bunda dele e eu mandava a reunião se fu#$.
Fui procurar minhas roupas pelo quarto. Minha camisa tava amassada. Eu tinha que me lembrar entre um chupão e outro de pendurar minhas roupas quando fosse dormir lá. Saber que isso poderia se tornar um hábito me deixava tão feliz.
Estava com a minha saia na mão, tentando alisar o tecido quando ouvi seus paços saindo do banheiro.
-Você devia trazer umas roupas suas pra cá - ele disse atrás de mim. Pelado e enxugando o cabelo como sempre. Ai Jesus. Segura os hormônios Bella. Foco, reunião importantes, coreanos... Que não eram nem um pouco gostosos.
-É, estive pensando nisso.
Senti ele me abraçando por trás. Ele tava pelado senhor! Eu não mereço tanto.
-Eu não me lembro de ter te beijado direito ontem.
Me virei pra olhá-lo nos olhos. Ele ficava tão lindo de cabelo molhado e sorriso torto.
-Deve ter sido o vinho... - eu respondi rindo, fazendo o sorriso dele aumentar também.
Seus lábios tocaram os meus levemente no começo. Eu realmente pensei que era apenas um beijo de despedida, mas então senti suas mãos deslizando pelo meu quadril. Pegando-me com força pra que minhas pernas abraçassem a cintura dele.
-E mais fácil te beijar quando você esta de salto, olha só o que eu tenho que fazer...
Minha boca procurou a dele dessa vez. Eu poderia sentir o seu gosto, sentir sua mão me apertar mais forte quando eu mordia seus lábios de leve ou quando simplesmente escondia minha língua da dele num beijo molhado, apaixonado. Não que paixão fosse o meu sentimento por ele. Havia ultrapassado essa barreira há muito tempo.
-Eu preciso mesmo ir Ed.
Ele me soltou deixando que meus pés tocassem o chão e me puxou para um ultimo beijo leve.
Dei um jeito de colocar minhas roupas rapidamente e ao passar pelo balcão da cozinha vi o molho de chaves que agora era meu. Eu poderia tê-las usado pra ir embora, sorte a minha que havia esquecido elas.
Meu dia hoje seria cheio. Um monte de providencia de ultima hora por causa da festa. o hotel em que os coreanos estavam hospedados estavam quase os expulsando por causa das brigas constantes entre dois deles, e James não conseguiu autorização pra usar o estacionamento que eu tinha em mente. Ai Jesus, Porque mesmo que eu não contratei logo um promoter pra fazer esse monte de coisa chata mesmo? Ah é, corte de despesas.
Andei pela cidade o dia inteiro com James pra conseguir a bendita autorização, ou pelo menos outro lugar. Na hora do almoço eu estava quebrada. Não conseguia mais nem andar direito.
Fomos pra um restaurante calmo, e não, nada de clichê sobre mesas reservadas, do jeito que estava calor, uma mesa no canto do restaurante nos mataria de calor.
Estávamos conversando sobre o tempo de colégio, ele estava contando sobre garotas, é claro.
-E foi assim ate que minha mãe falou, 'menino, se tu arrumar mais uma namorada que seja, te mando pra um internato'
Nos dois começamos a rir feito uns tontos, pelo visto, James se relutava a aceitar que teria que sair com uma garota só por vez.
-Mas nenhuma delas, nunca fez você querer se prender.
-É, claro que não. Elas davam em cima de mim e todo mundo, não tinha porque eu levar elas a serio também.
Continuamos rindo por mais algum tempo, das trapalhadas dele.
-Mas e você? Que tipo de aluna era? Nerd? Ou arrasa corações como eu? - pelo visto ele se orgulhava do apelido que a mão havia dado.
-Eu arrumei um namorado na quinta série, namoro que durou ate o terceiro, quando ele foi estudar fora, e acabou.
-Jura? - ele parecia estarrecido - Um namorado só?
-É - eu respondi rindo, mas ele continuava serio.
-E ele foi embora, assim, e te deixou? Cara, como alguém consegue fazer isso?
Tom de cantada, eu sei, mas eu juro que aquilo pra mim parecia pura curiosidade.
-Talvez o fato de eu ter deixado ele durante todo o tempo de namoro sem sexo tenha ajudado na decisão dele - Eu não podia ter deixado David de vilão, coitado, apesar de tudo ele foi um namorado legal.
James jogou um pouco do refrigerante pra fora ao me ouvir falar.
-Serio? - ele parecia mais bobo ainda agora - Mas o namoro durou quanto? Tipo, sete anos?
-É - eu respondi calma. Já ele parecia que ia ter um ataque do coração.
-E não rolou nada? Nada?
-Não - eu mexi minha cabeça pra que ele não tivesse duvidas.
-Por quê? - ele me olhava como se eu fosse um ET agora.
-Eu não sei - sorri meio com vergonha, não pretendia entrar em detalhes da minha vida sexual com ele - Falta de amor, sei lá...
-Mas você namorou ele por sete anos... - ele fez uma cara estranha ao dizer aquilo.
-Eu não sei por que, só não aconteceu.
Espero que ele tivesse entendido que a conversa sobre a vida sexual da Bella acabava por aqui.
-E agora? Você tem namorado?
É. Agora eu tenho que dar o braço a torcer, ele estava me cantando. Não com palavras, com o olhar.
Eu olhei em volta envergonhada, só agora eu me tocava... Eu não sabia a resposta.
-Uma coisa assim... - respondi enquanto colocava açúcar no meu café que havia chegado.
-É. Tenho coisas assim desde os meus dezessete anos.
Eu ri sozinha. Galinha. Eu devia ter adivinhado desde o começo.
-Faz tempo que você resolveu tomar peito de tudo? - pelo visto ele havia percebido que eu estava corada com o outro assunto.
-Minha mãe adoeceu, meu pai desabou junto, meu irmão e um irresponsável. Fui obrigada a dar um jeito.
-Eu sinto muito - ele parecia envergonhado de ter tocado em outro ponto sensível novamente.
-Ela já esta bem - disse tomando um gole do café.
-Mas você esta indo muito bem...
Fiquei vermelha novamente. Ninguém nunca havia elogiado meu trabalho durante todos aqueles meses eu só havia recebido duras criticas.
-Obrigada... - desviei novamente meu olhar, eu não era muito boa em receber elogios.
-A forma como você cora por tudo é linda sabia?
Ta. Agora com certeza ele estava me cantando e isso não era legal. Eu já queria enfiar minha cara em algum buraco.
-Obrigada - eu disse rapidamente e pedi a conta.
Aquilo era culpa minha eu sabia. Não devia ter dado detalhes da minha vida. Pelo visto aquilo havia dado abertura pra ele dizer aquelas coisas.
ele percebeu que eu havia ficado quieta depois do almoço. Trabalhamos em silencio o resto dia.
Eu já estava mais preparada pra enfrentar minha casa hoje, então fui embora no horário normal. Pensei em mandar uma mensagem pra ele, ou sei lá, mas acabei deixando pra lá. Ainda não estávamos nesse ponto de ter que se falar todo dia. Ainda éramos apenas um trato... Éramos... Não?
Não havia ninguém em casa quando eu cheguei, então apenas subi pro meu quarto e me tranquei lá. Já havia comido alguma coisa no caminho pra não ter que jantar. Apaguei as luzes e tentei dormir.
Acho que ainda não havia passado muito tempo. Eu tinha quase certeza disso. Abri meus olhos devagar e a claridade iluminava meu quarto, mas que horas será que eram? 6:10 da manha. Jesus, como eu consegui dormir doze horas seguidas?
Quem não havia gostado nem um pouco era meu estomago. já estava me ameaçando de morte, caso eu não o abastecesse ele.
Dois dias pra fechar o orçamento final. Quatro dias para o primeiro evento dirigido por mim. Sete dias para a minha glória ou a total desgraça na vida profissional.
Ponto de Vista do Edward
Já era. Já era. Eu pensava enquanto fazia cachorrão correr como nunca a caminho do trabalho. Ângela uma amiga minha me chamou pra conhecer o namorado que chegou da Austrália depois das aulas da faculdade.
Ben era legal. Estranho foi ela me pedir pra fingir que éramos amigos íntimos. No inicio eu achei que fosse uma cantada.
-Como assim amigos íntimos? - eu perguntei descendo as escadas da saída da faculdade.
-Bem... É que - ela ajeitava os óculos insistentemente, vergonha. - Ben se preocupa demais comigo sabe.
Ela me passou um sorriso sem graça. Não. Não era cantada. Mariposas não me olhavam educadamente, me olhavam famintas. Eu ia perguntar o que e que eu tenho a ver com isso, mas ela era uma garota legal. Não havia motivos pra eu ser mal educado com ela, então apenas esperei que ela continuasse.
-Ele fica insistindo em que eu preciso de mais amigos e amigas e eu só tenho uma, Bella. - ela me olhou então... - Aliás, eu acho que você a conhece.
-É. Conheço - eu não entrei em detalhes. O que eu ia dizer? Ela é minha... Minha... Namorada? Sendo que ela não era... Não era... Era?
-Bem, e ela e muito ocupada, a mãe esta doente, tem que cuidar da empresa dos pais enquanto ficam dando notas pra cada respiração que ela dá. Enfim, Ben anda preocupado achando que minha vida social esta falida.
-E não está? - eu perguntei com um sorriso divertido.
-Está - e ela arrumou os óculos mais uma vez - Mas o que ele não entende e que sou feliz assim. Não preciso de mais nada alem dele. Estou feliz em ficar sozinha e feliz de ter ele às vezes. Não preciso de muito pra ser feliz, e...
Ela se virou meio envergonhada pra mim então. Havíamos chegado à porta de saída.
-Acho que isso não e exatamente o que se deve dizer quando se esta pedindo um favor não é?
-Não - eu neguei com a cabeça - Mas eu vou te ajudar, conheço um lugar legal. O que você acha?
E o resto da noite, passei em um barzinho com Ângela e Ben. Ele era simpático comigo, mas eu percebi ciúmes, lógico. Nenhum homem em consciência gostaria de me ter perto da sua garota sem ele por perto. Eu só não sabia se Ângela havia me escolhido de propósito para causar ciúmes ou se era tão ingênua pra pensar que seu namorado iria gostar da idéia de que eu ficasse mais tempo perto dela do que ele.
Eu não achei que tivesse bebido tanto - VAI LOGO SUA VELHA, NÃO VIU O SINAL ABRIR? - essa gente que ainda pensa que pode dirigir, enfim, continuando... Eu só percebi o quanto havia exagerado na dose quando não ouvi o despertador tocar e sai pra trabalhar quarenta minutos atrasado. Será que essa seria a primeira vez que eu teria que usar minhas ligações com a dona de lá pra não ser demitido?
Ponto de Vista da Bella
James entrou assustado na minha sala com uma pasta nas mãos. Parecia estar um tanto perturbado.
-Fudeu Bella! - e quem deu permissão pra ele usar esses termos dentro do meu escritório? Aquele era um lugar de respeito. Ele não podia usar termos tão chulos... Tão indign... - Fecharam o quarteirão de cima como ponto de drogas e nosso estacionamento foi junto.
-Fudeu! - minhas mãos foram pra cabeça.
-Eu estou procurando uma solução, mas ainda não encontrei nem um lugar disponível num raio de cinco quarteirões.
Dor de cabeça é uma coisa bem proporcional se você comparar a uma cólica renal não é nada, você poderia conviver com ela para o resto da sua vida, mas se comparada a uma tarde em que você pretendia fazer pequenas coisas inúteis e depois fechar a noite com chave de ouro no seu travesseiro preferido, na sua cama favorita com seu homem favorito, ela se torna uma coisa bem frustrante.
Foram três horas em frente ao mapa da lista telefônica. Telefonemas infinitos e no final eu tive que fazer o que eu já desconfiava. Implorar. Implorar pra polícia, tive sorte. Consegui uma reunião pela cam. Quem me atendeu? Meu tio.
-Oi Sr Black - eu disse com um sorriso triste. Eu sabia muito bem o preço a pagar por aquilo.
-Que que isso menina. Sabe que é Billy pra você. Como está a menina do titio?
Meu sorriso aumentou milimetricamente. Se namorar um assistente poderia tirar meu prestigio imagine só ser chamada de menina do titio na frente dos outros? Pelo canto dos olhos eu via James prendendo uma gargalhada.
-Eu vou muito bem e o senhor?
-Bem, muito bem, diga ao seu pai que ele faz falta por aqui. Não nos esquecemos dele só porque virou um engravatado.
-Ele tem estado ocupado com meu pai. Sabe que ele nunca se esqueceria do senhor.
-Eu sei. Falei com sua mãe pelo telefone outro dia, ela parecia bem. Saiba que estou muito orgulhoso por você ter tomado a cadeira da chefia para ajudar seus pais.
-Obrigado.
Eu expliquei pra ele então sobre a festa. Como era importante pra empresa e sobre o estacionamento interditado. Eu sabia que ele poderia dar um jeito. Ele deu um jeito antes mesmo de eu desligar a web cam.
-E seu nariz, como está? – ah, eu sabia. Estava demorando. Será que ele sempre tinha que se lembrar do nariz?
-Está bem tio - mas eu sabia qual q pergunta que viria a seguir.
-Não vai ter que fazer plástica não né? - ah céus, por favor, me mate agora.
-Não tio - eu respondi calmamente. James já ria feito um descontrolado num canto da sala - A cicatriz ficou quase invisível quando eu fiz doze anos.
Disse mais umas palavras educadas e desliguei o computador. James sentou ao meu lado como nos últimos dias para resolvermos as ultimas coisas, agora que o estacionamento havia sido liberado... Depois se tudo quase terminado.
-O que seu tio quis dizer - ele chegou a cadeira pra mais perto, o rosto perigosamente perto - Com a historia do nariz...
Eu não consegui me prender e ele ficou rindo feito um tonto comigo durante alguns minutos.
Ouvi o movimento na frente da minha sala. As pessoas começavam a ir embora. Essa hora eles não perdiam, nunca. Lembrei-me de responder a James, senti sua respiração bater no meu pescoço.
-É que - eu ri mais um pouco - Quando eu tinha cinco anos eu ia todo dia à casa do meu tio, chamar Jacob, o filho dele pra brincar.
Dei mais uma parada pra rir mais um monte então. Sempre acompanhada pelo loirão.
-E então um dia coloquei meu nariz no buraco do portão porque eu chamava e ninguém atendia - aquele arrepio rotineiro chegou então – bem, Billy soltava sua pitbull quando saia de casa. Por isso ninguém atendia. Por isso notei que a cachorra tocou em mim, mas não senti nada muito forte.
Ele fez uma cara de quem não entendeu, devia estar se perguntando a parte da mordida.
-Estava escuro, eu apenas voltei pra casa. Quando cheguei à sala e olhei no espelho do hall - fiz um suspense básico - Minha mãe começou a gritar feito uma louca antes de eu perceber que havia sangue por todo o meu rosto.
Achei que James ia começar a rir mais forte ainda, mas não pareceu... Preocupado?
-Então o cachorro mordeu você sem ter percebido?
-Não! - eu disse meio indignada - Se ele tivesse me mordido nesse momento eu estaria sem um pedaço do nariz. Eu acredito que ele apenas tenha me arranhado.
Agora sim ele teve a reação que eu esperava, ria feito um tonto.
-O problema foi Billy. Queria dar Pitoca embora. Jake ficou ate doente, então ele me pergunta sempre se eu ainda tenho a cicatriz.
Ele chegou mais perto dessa vez. Eu podia ate ver meu rosto refletido em seus olhos... Eu estava... Excitada?
-E você tem cicatriz? - ele olhava meu nariz mais de perto. A boca perto da minha.
-Na... Não... - afastei um pouco meu rosto, mas ele continuava perto. - Foi só um arranhão, nada demais.
Desviei meu olhar para as sombras que passavam em frente a minha porta.
-Eu fui mordido uma vez por um cachorro - ele contou parando de rir.
-Sério? - eu parava de rir também. o incomodo pela proximidade voltava. - Onde?
Eu não sei porque, posso ate dizer como. Ele simplesmente começou a desabotoar a camisa. Não era costume de ele usar gravata nem terno, então quando me dei conta meus olhos já estavam no tanquinho dele que quase aparecia pela fenda que se abria na frente da camisa. Jesus abana.
Ele abaixou mais a camisa em um dos ombros então revelando a cara de um tigre. Eu já o havia visto antes, numa moto eu acho.
-Se você reparar bem, essa cicatriz que há no rosto dele é de verdade. Passe o dedo pra ver.
Ele havia tatuado um tigre por cima da cicatriz?
Meus dedos foram meio trêmulos pra pele bronzeada dele. O tigre era feito em tons de amarelo. Em seu rosto havia um risco em vertical. Meus dedos o tocaram ali. Era fundo, uma cicatriz verdadeira.
Eu não sei dizer exatamente o que me fez olhar pra aquela direção naquele instante, mas quando me virei, lá estava ele, com raiva nos olhos, a boca serrada em uma linha. Ele encontrou meu olhar. Uma risada de escárnio se formou em seus lábios.
-Edward?
Hohooooy gente! Recadinhos:
1º Dia 19 (quarta-feira) fazemos 2 meses de fic! *--------*. mas quem recebe o presente são vocês! [/nossaquecoisadecasasbahia --'], vai ter um SUPERESPECIAL cápítulo giga! motivo para mim receber reviews.
2º Dia 20 (quinta-feira) é meu aniversário! outro motivo para mim receber reviews. / PS: e em dobro.
3º Como algumas de vocês já perceberam que essa fic estava sendo postada em outro site, que porventura parou de postar, eu nesse capítulo, não só alcancei como passei o outro site! uhuu. outro motivo pra mim receber reviews.
4º E por último, mas não menos importante... ESTAMOS ENTRANDO NA RETA FINAL DE CCUGP [/játocomsaudade] & outro motivo pra mim receber reviews.
E é isso aí gente, um beijo SUPER pra todas. meu beijinho especial de hoje vai para: Darklokura que me enche, todo capítulo, de luxúria e comentários MÁ-G-NI-FI-COS! lov u :)
até o próximo :*
