No começo havia algumas pessoas felizes. Meu deus... Aquelas roupas que se usavam naquela época... Será que aquela menina ali era Esme? Ela devia ter o que? Dez anos?

Então ela apareceu... A mulher mais linda que já vi em toda minha vida. Ela tinha cabelos castanhos cheios. Batom vermelho. Dizia alguma coisa pra câmera, mas a emoção de ver minha mãe depois de tanto tempo não me permitia raciocinar direito. As lagrimas já haviam tomado conta.
Meu pai era um brincalhão. Emmett devia ter herdado esse pedaço dos genes da família. Houve um momento em que minha mãe passava e ele fazia um sinal tipicamente Italiano de mama mia.

-E é tudo meu... Você acredita nisso Adriano?

A imagem começou a balançar. Devia ser o cinegrafista respondendo.

A festa era muito animada. Eu não me lembrava de ter estado numa festa de família como aquela e então aconteceu...

Dizem que há limites na sua vida onde depois de ultrapassar certas barreiras você nunca mais se sentiria o mesmo. Isso aconteceu quando vi aquela parte do filme.

Meus pais estavam lado a lado. Em frente à câmera. Então minha mãe se virou para meu pai.

E eu o vi ali. O olhar dela pro meu pai. O olhar que Bella me deu desde a primeira vez que a vi, que tanto chamou a minha intenção. Que era desconhecido, mas inconfundível. Aquele brilho... Era ele que estava nos olhos dela ao me olhar, que estavam nos olhos da minha mãe a me ver.
Eu peguei o controle e parei a cena me levantando, me aproximando da tela, coloquei aquela parte em que ela olhava pra ele e se voltava pra câmera novamente. Agora que eu via de novo não havia duvidas... Era o mesmo olhar. Igual. Idêntico. O mesmo.
Eu não percebi como, mas meus dedos tocavam aquele rosto redondo da minha mãe, deslizando pelo nariz, parando nos olhos.
Isabella... Não. Bella. Bella me amava da mesma forma, com a mesma intensidade com que meu pai amou minha mãe e a forma como ele abraçava a sua cintura, carinhosa, mas firmemente era o jeito que eu mais gostava de tê-la junto a mim. Porque eu a amava também, com a mesma intensidade.

Tudo voltava a minha cabeça agora. Todas as mentiras. Todos os esforços. A forma como ela se mantinha junto a mim mesmo eu sendo a pior forma de ser humano existente. É lógico que ela insistiria. Ela me amava.
É claro que havia aceitado me deixar porque ela gostava de mim tanto a ponto de sofrer longe de mim se soubesse que isso faria bem a nós dois e ela só pensava daquela forma porque eu deixei. Será ainda muito tarde pra fazê-la mudar de idéia?

Acho que empurrei Rose quando subi correndo pela escada, pois escutei ela xingando todos os meus parentes até a décima geração.
Abri minha mala correndo e embaixo de tudo, lá estava ele... Enquanto eu fazia a mala eu sabia que ele seria útil de alguma forma.
Abri a capa roxa e fui direto a última pagina. E lá estava ela. Uma folha dobrada. Intocada. Minhas mãos estavam meio tremulas enquanto eu os desdobrava.
Como eu esperava. Era uma carta dela. Não muito longa. O suficiente pra resolver algo que já devia ter sido feito há tempos.

"Querido Edward... ou será melhor, Amado Edward? Bem... Delicioso Deus Grego. eu sei que se esta lendo esse recado é porque leu todo o diário e é porque ainda pensa em mim.
Eu sei que menti. que enganei você. mas eu te via todo dia e você nunca me olhava. eu sabia que se contratasse você como uma simples cliente nunca haveria chances de conquistar seu coração, por isso tentei uma abordagem diferente.
Sei que você nem me conhece direito, não a mim, Isabella de olhos azuis pelo menos, mas acredite, tudo o que você tem que saber é que Eu Te Amo.
Eu sei que ficara magoado. eu sei que tentará me punir pelo que fiz com atos e palavras indignas de serem dedicadas a uma dama, mas eu posso te garantir que mesmo depois de tudo isso eu ainda te amarei com a mesma intensidade que te amo agora.
Por isso, se um dia você acordar e por força de um milagre descobrir que corresponde aos meus sentimentos, mas que já me ofendeu tanto que pensa que já não há mais esperanças eu te dou a receita.


Vista uma regata branca e um short esporte azul marinho. Bagunce bastante o cabelo e tire uma sonequinha antes de me procurar pra estar com cara de sono ao me encontrar e, por favor, não se esqueça do mp4, ele é um item importante do vestiário do meu deus grego.
Quando já estiver devidamente a caráter, eu garanto, que ao te ver assim bastará arquear uma sobrancelha e passar a língua por esses seus perfeitos lábios e eu serei sua.

Para o todo sempre.
Todo tempo, toda hora, todo minuto… sua, só sua, eternamente sua.


Bella"

Eu não esperava por isso. Ela estava me dando dicas para reconquistá-la caso já estivesse feito burradas suficientes pra tudo estar uma merda. Eu não sei o que me fez ler aquela carta naquele momento, mas ela me disse as palavras certas, no momento certo. Estava na hora de voltar pra casa. E não. Não disse meu apartamento. Disse casa. Minha casa. Meu lugar. Que era ao lado dela.

Emmett conseguiu a passagem. Não perguntou porque, nem por quem, ele devia saber ou simplesmente já havia se conformado que o primo não batia muito bem.
Eu não era muito adepto a isso, mas eu queria chegar rápido ao meu destino então chamei um moto taxi. Percebi que fiz a coisa certa quando ele passou por duas calçadas seguidas sem nem balançar muito para podermos vencer o trânsito que estava horrível na avenida.
Não havia ninguém em casa. Foi o que Vincent me disse. Já mencionei que havia me tornado amigo dele? Pois é, ele estava lá no futebol de quarta feira então ele fez uma forcinha, parecia preocupado.

-Eu não tenho permissão pra te contar isso, mas - a voz dela meio que falhava - Senhorita Bella esta no hospital...

O sangue do meu corpo pareceu ter descido todo de uma vez para os meus pés.

-Eu não sei dizer ao certo - ele mexia nos cabelos nervosamente - Mas minha esposa que faz faxina aqui disse que ouviu senhorita Alice falar alguma coisa sobre um exame de sangue que deu positivo... Sobre ser igualzinho aconteceu com a mãe... Sobre cirurgia... O homem que era mais alto que eu e mais forte que o Emmett, se encostava ao meu ombro pra chorar.

-Essa família já esta sofrendo o suficiente. Todos ficaram assustados quando ela começou a ter dores fortes de dor de cabeça assim como a mãe quando ficou doente. Não sei se o senhor Charlie vai agüentar.

Dei umas batidas nas costas dele com algumas palavras de conforto. Era eu quem precisava disso agora, mas eu tinha que ser forte. Pelo visto, o pior dos meus temores havia sido confirmado. Bella estava coma doença da mãe.

-Fique aqui Vincent. Eu vou lá. Pode me dar o endereço?

Eu não me lembrava de como se pegava um ônibus então dei um jeito de ligar para o moto taxi de novo. Em dez minutos eu havia chegado ao hospital.

Meu corpo ainda estava entorpecido. Minha mente ainda não aceitava muito bem essa realidade, mas eu a amava, e ela também. Não havia mais como voltar atrás. Agente ia ter que ficar junto. Brigas e doença nenhuma impediria isso.
Dei uma ultima bagunçada no cabelo antes de entrar no prédio tirei meu mp4 do bolso colocando os fones em volta do pescoço.
Pedi à recepcionista que chamasse quem estivesse no quarto com ela.
Alice apareceu, os olhos inchados, mas pelo visto ela já estava recuperada. Provavelmente teria que ser ela a ser forte na família agora.

-Você já sabe não é? - ela perguntou descruzando os braços.

-É. Já sei.

Ela me pegou pelo braço me levando pelo corredor.

-Essa não é uma boa hora para falar com ela Edward.

-É uma ótima hora porque vai ser a última que ficaremos longe. Eu a amo Alice!

-Eu sei! - ela viu que o tom estava alto pra um hospital - eu sei, mas ela pode pensar que isso é se não é por isso mesmo que você voltou - ela me deu uma medida de cima a baixo estranhando as roupas que eu usava, provavelmente, mas eu não tinha tempo de explicar o porquê delas. Precisava dizer a Bella que eu estaria com ela para o que quer que fosse. - Ela pode achar que só quer ficar com ela por causa do que... Do que descobriram. Vai ser difícil pra ela entender você agora.

-A decisão de se acredita em mim ou não é dela Alice.

-Mas ela pode entender tudo errado.

-A decisão continua sendo dela - era ruim usar suas próprias palavras contra ela. Eu sei, mas eu tinha que usar as armas que tinha naquele momento.
Depois de um suspiro longo ela me fitou vencida, andou até o fim do corredor e subimos um lance de escada. No meio do corredor branco ela parou.

-Pode falar com ela agora, mas, por favor, não deixe ela nervosa.

Eu assenti e abri a porta. Dei uma respiração funda antes de entrar afinal eu não sabia em que condições a encontraria.
Ela estava deitada, a cabeça pendia pra um lado, o olhar perdido, olhar que tomou vida a me ver. É. Eu me sentia da mesma forma ao ver aquele rosto. Aqueles olhos azuis que eu havia aprendido a amar.

-Edward? - ela tentou levantar o rosto.

Ela não terminou de falar e meu corpo foi sozinho junto ao dela. Minhas mãos tomando posse do rosto que lhe pertenciam e minha boca tocando os únicos lábios que tinham o poder de me fazer perder o ar.
Ela demorou a corresponder ao meu beijo, suas mãos demoraram mais que de costume pra se enterrar no meu cabelo me puxando pra mais perto. A língua dela num movimento com a minha em que só nos dois sabíamos como é que gostávamos e cedo demais senti meu rosto sendo empurrado pra longe do dela.

-Não. Não pode - ela estava ofegante. Eu havia roubado todo o seu ar pelo visto.

-Porque não? - será que ao contrário de mim ela descobriu que estava melhor sem eu ao seu lado?

-Porque você não é mais meu.

-Mas eu preciso ficar com você - eu imploraria se precisasse, minha dignidade não me valia de nada sem ela ao lado.

-Eu até imagino porque pensa que precisa, mas você está enganado. Posso enfrentar tudo sozinha.

-Eu vou enfrentar essa doença maldita ao seu lado - eu disse talvez bruto demais junto ao seu rosto. Eu não ia me entregaria. Ela havia me dado as dicas. Lutaria por ela até o fim dessa vez.

-Doença? Mas e a...?

-A loira. Eu sei. Eu sei... - uma mão minha passeou por seu rosto, passando por seus lábios inchados pelo meu beijo... - Será que você pode me perdoar por te deixar pensar que aquela mulher era alguém importante quando era só minha prima?
Eu devia estar com cara de criança porque ela me olhava muito, muito confusa. Nem parecia que estávamos falando a mesma língua.

-Prima?

-É. É minha prima. Só a levei a festa porque pretendia a deixar distraindo James pra poder aproveitar um pouco da sua companhia.

-Mas James...

-Eu sei que ele não era nada seu, mas sei que você adorava conversar com ele sobre assuntos com os quais eu nunca poderia competir. Então usei as armas que eu tinha... Minha prima.

Ela ficou parada me olhando por mais um tempo...

-Mas não é só isso Edward... Minha... Doença?

-Eu não me importo - deixei meus braços do lado do seu corpo aproximando meu rosto do seu corpo deitado - Eu luto com você contra o que for, mas você tem que me perdoar por tudo o que fiz. Pode me perdoar?

-Só se você puder me perdoar também... - ela respondeu com um sorriso cansado.

-Eu já entendi porque fez tudo aquilo, você não precisa pedir desculpa porque nada daquilo foi errado. Não ao meu ver de agora.

-Mas não é sobre isso que estou falando... - o sorriso dela maior - Quero que me pedõe por te deixar pensar por mais tempo do que necessário que eu tenho alguma doença.

-Como assim? - meu rosto se afastava um pouco agora.

-Você entrou aqui pálido feito um fantasma, assustado e por essa conversa estranha pelo visto houve algum mal entendido. Não estou doente.

-Não?

-Não...

-Mas e o exame positivo? E o negocio de ser igual ao da sua mãe? Porque está nessa cama de hospital então?

Eu sei. Ela esperou que eu me calasse pra começar a responder ao meu um zilhão de perguntas.

-Estou nessa cama porque tive uma crise de apêndice e tive que ser operada, assim como minha mãe teve que operar e apendicite há oito anos atrás...

As mãos dela brincavam com meu cabelo enquanto falava, mas suas mãos se afastaram de mim repentinamente.

-Quanto ao exame - eu olhar fugia do meu agora - Eu estou com medo...

-Eu já disse que vou estar com você seja o que for Bella.

-Não é estar doente que me preocupa Edward.

-Então o que é?

Ela me encarou agora, nas ultimas três vezes que eu a havia visto ela estava assim, triste, senão chorando.

-Tenho medo de que você pense que fiz de propósito, mas eu juro que não vou tentar te prender por isso Edward. Você é livre pra seguir seu destino como quiser.

-De que porra você ta falando Bella?

-O exame deu positivo por que... - um sorriso bobo se formou em seus lábios - porque eu to grávida.

-Grávida? - o contrário parecia acontecer agora, ao invés de descer o sangue pros pés fazendo meu corpo ficar quase caindo, eu sentia minha cabeça ficando quente.

Ela mexeu a cabeça dizendo que sim e novamente ela tinha medo. Medo de eu fugir de novo ou de não acreditar que havia sido um acidente, mas nunca nos protegíamos, ela deixou claro que não tomava nenhum tipo de remédio, mas que merda estou perdendo tempo de pensar nisso... EU VOU SER PAI!

-Então agente vai ter que se casar mais rápido do que eu pensava... - respondi pegando sua mão com um sorriso enorme.

-Eu já disse que você não precisa fazer isso... - ela respondeu recolhendo a mão.

-Não quer se casar comigo? - perguntei magoado e ela me olhou assustada vendo que eu falava sério - Quer dizer eu estou parecendo um louco, com essa roupa de academia as duas da manha num frio danado, só pra te agradar e não serviu de nada?
O olhar dela começou um exame rápido pelos meus shorts, subindo pela regata branca, passando pelos fones do mp4 pendurados no meu pescoço e quando chegou ao meu rosto, arqueei uma sobrancelha, umedecendo os lábios, seu olhar perdeu o foco.

-Pelo visto andou lendo... - ela disse ainda com o olhar sem foco.

-Quer ser a senhora Deusa Grega Cullen?
Ela deu um longo suspiro, sua boca se contraia numa careta.

-E se ficarmos nos magoando? Não pelo passado, mas pelo que pode haver no presente?
Minha boca se aproximou do seu ouvido. Ela já engolia em seco só de sentir minha respiração ali.

-Só o que eu posso te garantir é que - a boca dela parecia procurar o ar que estava faltando - O sexo de reconciliação é o melhor.


hohooooooooy amores! estou superemocionada (novidade), mas ainda não acabou!

1. Eu quero que vocês que acompanham a fic indiquem uma música que tenha a ver com a história, as cinco melhores vão estar na playlist da fic *-*

2. Quem quiser deixar recadinhos para a autora, ou para mim (cof-cof) deixem uma review iniciada com: qurida autora/querida beta. ok?

3. Comentem sobre o que vocês gostaram mais, as melhores partes, as melhores músicas e por aí vai... , nunca foi tão necessário.

4. Até amanhã para o final de Como Conquistar um Garoto de Programa!

amo vocês!

PS: EU FIQUEI ASSIM :O NA HORA QUE ELE FALOU DA CARTA DOBRADA NO DIÁRIO DELA, EU JÁ TINHA ATÉ ME ESQUECIDO.