Hogwarts' Tale
Capítulo 3: Sob Efeito do Amor
Em poucos minutos estávamos eu e Sirius sob a capa da invisibilidade no corredor vazio que levava da Torre da Grifinória à da Corvinal. Michael Thompson, sétimo ano da Corvinal, estava na outra ponta do corredor, a espera de nosso sinal. O plano era o seguinte: Almofadinhas colocou Poção do Amor em um caixa de bombons que ele mandou anonimamente e via coruja para Taylor, como admirador secreto ou algo parecido. É aí que Michael Thompson entra na jogada. Todos sabem que ele tem uma queda do tamanho do Everest pela Taylor desde o quarto ano, por isso a Poção do Amor vai fazer a garota se apaixonar por ele. Como vocês podem ver, não foi difícil convencê-lo. Assim que Taylor comer os bombons, ela virá correndo na direção da Torre da Corvinal e encontrará Michael no caminho.
Esse é o momento em que eu faço minha entrada triunfal, quando Taylor vai me dispensar para ficar com o Thompson e eu ficarei livre para resolver meus assuntos pendentes com uma certa monitora-chefe ruiva. Pelo menos até o efeito da poção passar.
Almofadinhas olhava o Mapa do Maroto, atento a qualquer movimentação. Ele olhou para mim e fez um sinal positivo com as mãos. Ela estava chegando.
Mas a cena que esperávamos nunca aconteceu. O que realmente aconteceu foi que Taylor passou pela porta tentando segurar sua amiga, Lucy Bailey, que tinha um olhar meio determinado, meio desvairado no rosto. Merda!
A situação se complicou quando Lucy avistou Michael no final do corredor e correu até ele. Obviamente Taylor não conseguiu segura-la e logo a garota estava pendurada no pescoço do Thompson, dando-lhe um amasso fenomenal. O coitado tentava desvencilhar-se, mas Bailey tinha um abraço de aço. Foi quando a loira alguns metros a minha frente começou a gritar:
"Maldita Evans! Aposto como tudo isso é culpa dela! Eu vou matar aquela desgraçada!"
"Não!"
Eu não pude me controlar, e quando vi já tinha saído de baixo da capa. Taylor nos olhou como se eu tivesse acabado de anunciar que a professora Sprout seria a capa desse mês da Sexy Witch.
"De onde vocês saíram?!"
Eu olhei para Sirius, esperando que ele entendesse meu pedido mudo de socorro. Ele virou-se e foi tentar separar o 'casal ternura'. Melhor que nada.
Agora, vendo as coisas em perspectiva, esse plano não parece assim tão infalível.
Taylor ainda esperava uma resposta. Eu me aproximei. – "Ahh... é que... bem, Taylor, eu e o Sirius estávamos passando pelo corredor e acidentalmente ouvimos o que aconteceu. E eu, conhecendo a Lily por tanto tempo, sei que ela não faria uma coisa dessas."
Ela parecia ultrajada por eu estar tentando defender sua arquiinimiga.
"E como você poderia saber, James? Para mim parece que ela é a mais interessada na situação toda!"
"Mas para mim parece uma brincadeira de mau gosto dos sonserinos." – fiz uma careta para tentar convencê-la. – "Quero dizer, eles estão sempre tentando causar a ruína da vida dos outros e tudo mais..."
Ela ainda me olhava com desconfiança.
"Pode ser..."
"Finalmente!" – Foi a exclamação de Almofadinhas quando conseguiu separar "o desentupidor da pia".
"Aleluia!" – acompanhei. Eu e Taylor nos aproximamos deles. Sirius tinha a cintura de Lucy presa firmemente em seus braços. Ela ainda tinha o olhar um pouco desvairado, mas agora totalmente focalizado no garoto a sua frente. Taylor foi a primeira a se pronunciar:
"Vamos lá, Lucy. Nós temos que encontrar uma poção-antídoto para você." – Ela puxou a amiga pela mão, mas esta a ignorou.
"Eu não vou a lugar nenhum! Eu e o Mike vamos ficar juntos para sempre!"
Todos lançamos um olhar de expectativa para Michael. Ele tentou:
"Ahhnn... nós não vamos nos separar, Lucy." – Ele colocou uma mão na bochecha dela e a olhou fixamente. – "Nós só vamos dar uma volta, o que acha?"
Eu nunca vi um sorriso maior. "Sim! Claro, meu bem!" – ela pegou a mão dele e começou a puxá-lo para o fim do corredor. Almofadinhas aproximou-se:
"Pode deixar que eu cuido disso. Sou profissional em arrombamento de armário de poções." – e dizendo isso ele seguiu o casal, sem antes me mandar um pedido mudo de desculpas que eu sinceramente espero que Taylor não tenha percebido.
Então estávamos sozinhos naquele corredor, e eu sabia que essa era a hora. Se eu não fosse tão orgulhoso, até poderia ouvir a voz do Aluado em minha mente, cantando um sonoro "Eu te disse", mas só se eu não fosse tão orgulhoso.
"Taylor, nós precisamos conversar."
"James, eu não sei se essa é a melhor hora..."
"Tem que ser agora, Taylor."
Ela passou um momento refletindo antes de responder: "Tudo bem."
Nós nos dirigimos a um dos bancos que ficavam no corredor. Eu suspirei.
"Olha, eu não sou muito bom nessa coisa toda de terminar, mas acho que todos nesse castelo sabem o quanto a Lily significa para mim."
"Sim, James, todos sabem, mas todos sabem também que ela nunca correspondeu! E agora você aceitou sair comigo, não foi?"
"Foi. Mas o sábado já está no fim, Taylor."
Ela suspirou.
"O que isso quer dizer?"
"Eu quero dizer que talvez você devesse prestar atenção em outros caras. Alguém que possa realmente se interessar por você." – ela me encarou, e eu me senti péssimo, mas tive que continuar. – "Olha só pra você, Taylor. Tem vários caras loucos pra te levar a um encontro. O Michael Thompson, por exemplo! Ele te adora, não estaria nessa se não te adorasse."
"Não estaria nessa? O que isso deveria significar?"
Maldita boca grande.
"É...humm... o que eu quis dizer foi que ele não estaria lá em baixo com Sirius e uma garota descontrolada se ela não fosse sua melhor amiga. Eu acredito sinceramente que tudo isso foi por você."
Obrigado, Merlin, por me dar uma boca tão boa mentirosa.
"Talvez você tenha razão." – ela disse, desviando seu olhar para o chão. – "Mas então por que aceitou sair comigo?"
"Porque, como você disse, ela nunca correspondeu."
"Até hoje?"
"Até hoje."
Nós ficamos em silêncio. O corredor já estava escuro, eu não tinha percebido até aquele momento quanto tempo havia se passado desde que eu saíra da Ala Hospitalar. Os archotes já estavam acesos, formando uma mistura de luz e sombra sobre nós. Decidi quebrar o silêncio.
"Eu cumpri o prometido, Taylor, sai com você. Eu sinto muito por ter acabado da maneira como acabou, mas acho que agora você está livre para seguir em frente."
Ela me encarou por alguns segundos e respondeu: "É, acho que ninguém pode dizer que eu não consegui o que queria, não é?" – nós dois sorrimos.
"Afinal de contas, muitas pessoas nos viram em Hogsmeade juntos. Se a fábrica de fofocas de Hogwarts ainda não começou a trabalhar, eu até poderia espalhar alguns boatos de que foi um encontro espetacular." – comecei.
"Até eu decidir que já tinha tido o bastante e te chutar na saída do Madame's Puddifoot."
"É claro! Só que as pessoas não perceberam por que você foi bem discreta, na tentativa de não me humilhar publicamente."
"Exato! Mas isso não quer dizer que você não ficou arrasado." – agora ela fazia uma careta de falsa pena.
"Tão arrasado que quando cheguei a Hogwarts, tropecei no último degrau da escadaria, cai e bati a cabeça." – A essa altura ela já estava rindo.
"Fechado?" – estendi minha mão. Ela apertou.
"Fechado."
Ela me abraçou. "Você é um cara incrível, Jay. A Evans tem muita sorte."
Eu encostei o queixo no topo da cabeça dela e decidi ficar em silêncio. Passaram-se apenas alguns instantes até que ela levantasse a cabeça e dissesse:
"Ai Merlin! Me esqueci da Lucy! Será que eles estão bem?"
Levantei-me e ela prontamente fez o mesmo. "Vamos ter que conferir."
N/A: Pois é... capítulo três! Estamos na reta final... Próximo capítulo é o último!
Tentei fazer um Jay mau na medida do possível com a nossa vilã. Mas no final das contas ele ainda é o nosso super galã maravilhoso.
Minha beta está meio desaparecida, por isso a demora. Mas ela já mandou sinais de vida e tudo indica que vai estar aqui pra betar o ultimo capítulo!
Nos vemos logo! Não esqueçam das reviews!
