Capítulo 11 - Não
Emily Benson
Cansada e extremamente irritada por não ter dormido. Isabela só teve alta as duas da manhã. A noite fora longa, mas, por sorte, James e sua adorada namorada me fizeram companhia. Ele nos deixou em casa e ajudou minha irmã ir para o quarto.
- Obrigada, James. – Agradeci exausta. – Por favor, agradeça a Lily por mim.
- Não precisa agradecer, sou seu amigo, estou aqui para isso. – James gentilmente beijou minha testa e foi para sua casa. Ele é um anjo.
Tomei um banho bem quente e fui dormir. Eu deveria ter passado a noite estudando para ter o final de semana livre para sair, mas não. Eu estava atrasada no conteúdo.
Acordei com o despertador estridente ao lado da cama, a claridade incomodou minha vista. Eu queria dormir mais, nessa hora lembrei o motivo que me deixara acordada até tarde e senti uma vontade imensa de estrangular Isabela.
Arrumei-me para a aula, me arrastando. Meu corpo reagia as informações que meu cérebro mandava com lerdeza. Tomei um café da manhã leve, frutas e cereais e fui para o quarto dela.
- Acorda. – Murmurei de mau humor.
- Ah... Emily, eu quero dormir.
- Eu também, estou exausta graças a você. – Apontei. – Posso saber o que diabos se passou nessa sua cabeça oca que só tem titica para tomar dez comprimidos de uma vez só?
- Estava com dor de cabeça. – Resmungou e se ajeitou no cobertor.
- Não seja ridícula, é claro que não foi isso. – Pausei. – Foi por causa do Sirius, para fazer charminho. – Deduzi.
- Então se já sabe, por que foi que você me acordou? – Ficou sentada na cama me encarado.
- Porque eu queria ouvir da sua boca essa idiotice.
- Pronto já ouviu. Agora me deixe dormir. – Deitou-se de volta e puxou o cobertor até cobrir seu rosto também.
Sai do quarto e bati a porta com uma força exagerada, pude ouvir por trás da porta ela reclamando alguma coisa. Dei de ombros e fui para Hogwarts um tanto cedo demais.
Estacionei o carro em uma vaga da sombra e fui caminhando até a lanchonete tomar um café. Remus estava sentado em uma das mesas com um café quente na mão. Ele ficava uma coisa do outro mundo quando estava de branco.
- Bom dia, Remus! – Eu abracei ele de costas fechando os seus olhos com minhas mãos. Meus lábios pousaram em seu pescoço.
- Bom dia. – Sua voz estava levemente mal-humorada.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei sentando ao seu lado.
- Você poderia ter me ligado ontem à noite. – Resmungou.
- Ah é isso. – Suspirei. Eu tinha me esquecido completamente de avisá-lo sobre a cunhada dele.
- É. É isso. – Fez uma pausa. – Você sabe como eu me senti quando soube que James foi quem te apoiou lá no hospital, porque eu deveria estar lá?
- James é meu amigo. – Eu murmurei, ele não ia ter uma crise de ciumes tão cedo, ia?
- E eu seu namorado. – Apontou decepcionado. – Mas que ninguém eu deveria estar lá mais que qualquer pessoa. Eu te liguei, mas seu celular estava desligado...
- Remus, me desculpe, mas eu estava tão estressada que nem liguei para meus pais, aliás, eu nem lembrava que eu tinha um celular.
- Tudo bem. – Ele deu um sorriso e me beijou.
Peter Pettigrew
Depois de conversar com meu pai fui para uma boate em Manhattan com uns velhos conhecidos da cidade. Cheguei às três da manhã em casa e larguei-me na cama completamente bêbado. Apaguei.
Acordei as onze com uma dor de cabeça infernal, foi preciso recorrer a gaveta de emergência e tomar dois comprimidos para ressaca. Tomei uma ducha gelada e desci.
- Peter, querido! – Minha mãe sorriu e andou depressa em minha direção para um abraço. – Nem te vi chegar ontem à noite.
- É. Saí com meus amigos e cheguei tarde.
- Entendo. – Continuava sorrindo. – Você se divertiu?
- Sim, bastante. – Tirando pela dor de cabeça infeliz. Eu não cheguei a completar. – Onde está meu pai?
- Onde você acha? – Me olhou incrédula. – Na empresa, é claro.
- Ah, claro. – Resmunguei. – Mãe, estou morto de fome.
- Já mandei preparar um café da manhã maravilhoso para você. – Sorriu novamente, radiante. – Tudo que você gosta,
- Obrigado, mãe.
Eu comi bastante, mamãe sabia me mimar. Chamei o motorista e fui até a empresa, eu precisava de uma resposta urgente. Subi até o andar do escritório dele e fiquei pelo menos duas horas esperando um cliente sair. Quando o homem de terno saiu, eu me enfiei na sala dele.
- Boa tarde, pai.
- Pode entrar, Peter. – Disse olhando para o computador. – Já tenho uma resposta.
- É? – Fiquei empolgado. – Qual?
- Consegui uma vaga para você em Princeton. – Ele não me olhava.
- Obrigado, pai! – Uma onda de felicidade me invadiu.
- Você começa semana que vêm, mas terá que abandonar o apartamento, morar no campus. – Fez uma pausa e me olhou de forma vazia. – Não vejo sentido para eu continuar mantendo o apartamento.
- Tudo bem. – Eu sorria feito uma criança. – Obrigado, pai.
- Você tem que ir para Chicago preparar suas coisas.
- Claro. – Balancei a cabeça. – Hei, a mamãe já sabe?
- Não, conversarei com ela enquanto você estiver em Chicago.
- Sim.
James Potter
Emily passou a manhã toda com um péssimo humor. De vez por outra ela murmurava alguns xingamentos e fechava as mãos em punhos. Por duas vezes ela arrancou duas folhas do caderno na tentativa de fazer uma redação. Meu senso de auto-preservação dizia que eu não deveria provocar a fera caso eu quisesse sair vivo, sabia-se lá se ela não estava preparada para enfiar o lápis no meu olho ou fazer má uso de outro material escolar.
O sinal tocou informando que era meio dia. Fiquei feliz por isso, aproveitaria para encontrar com Lily. Recolhi minhas coisas cuidadosamente na mochila e me virei para Emily que olhava cansada para o caderno. Só havia escrito um parágrafo.
- Calma, isso é para semana que vem. – Tentei acalmá-la. – Você não terá problemas para fazer isso quando estiver descansada.
- Claro. – Suspirou. – Então, quais os planos desta noite?
- Bem, eu vou estudar. – Repassei minha agenda mental. É, eu ia estudar. – Lily me dispensou para estudar também, só sairemos amanhã. E você?
- Eu ia sair com Remus, mas vou dispensá-lo como Lily fez com você. – A idéia não a deixava satisfeita.
- Amanhã podíamos sair os quatro. – Sugeri. – Vai ser legal.
- Claro. – Deu um sorriso fraco. – Eu te ligo depois, vou dormir antes que eu desmaie por aqui.
- Quer que eu a leve em casa? – Já que ela cogitava desmaiar, eu não a deixaria fazer isso ao volante.
- Não, obrigada. – A esta altura já andávamos pelos corredores. Ela percebeu minha expressão de preocupação. – Não se preocupe, James, eu chegarei viva em casa.
- Tem certeza? – Eu duvidei da capacidade dela de manter a direção firme.
- É, claro que tenho James. – Amarrou a cara.
- Tudo bem. - Eu não ia enfrentar a fera. – Quando chegar em casa me ligue avisando que está viva.
- Não se preocupe, se eu morrer, eu venho pessoalmente te informar. – Revirou os olhos. – Até mais, James.
Peguei o carro e fui para o bloco de Lily. Eu precisava vê-la, sentir seu cheiro e seus lábios sob os meus. Eu tinha urgência em ouvir o seu riso angelical e as conversas despreocupas. Lily Evans me fazia um bem inenarrável.
Ela não estava na porta, fiquei desapontado com isso e disquei para seu celular, no segundo toque ouvi sua voz suave.
- Oi, James.
- Oi, Lily. – Sorriu feito um bobo. Um bobo apaixonado.
- Estou com saudades, como você está?
- Com mais saudade que você, é lógico.
- Impossível. – Não pude deixar de sorrir mais ainda.
- Estou na porta do seu bloco, vamos almoçar?
- Ah, James, desculpa, mas eu combinei com Jennifer de almoçar com ela.
- Tudo bem.
- Mas, não saia do lugar, não se mova, não respire... Eu estou indo aí.
Eu gargalhei e ela desligou o aparelho. Troquei o cd para uma música mais suave e fiquei esperando relaxado com as mãos sob o volante. Uma batida suave no vidro me despertou, era ela.
Era incrível como ela ficava linda vestida de branco, parecia um anjo. Seus cabelos cheiravam a pêssego e deixava toda a essência no carro. Sentou-se no banco do carona e eu uni nossos lábios.
- James. – Ofegou. – Senti sua falta.
- Eu também, vamos sair amanhã?
- Lógico.
- Te pego às oito.
Amy Meester
Não, eu não ia fazer as aulas praticas de hoje. Eu podia prever uma depressão chegando. Era bizarro, eu não tinha motivos, mas eu sentia que eu precisava ter um momento Luma: me isolar do mundo, beber champanhe e me empanzinar de chocolate vendo um bom filme. Na verdade, eu não previa uma depressão, eu estava enjoada do mundo e das pessoas, então 'depressão' parecia ser uma justifica aceitável pelas pessoas pelo meu comportamento reprovável.
Sai do campus em meu carro amarelo berrante. Ele chamava muita atenção, eu adorava isso, os olhares invejosos e especulativos. Dei um sorriso para o retrovisor e acelerei cantando os pneus.
O final de semana começava ali. Passei em um supermercado e me abasteci as sacolas com sorvetes, chocolates e champanhe. Fiquei satisfeita com o que havia comprado. Em seguida parei em uma vídeo-locadora próxima e passei um bom tempo escolhendo os títulos que eu veria até domingo. Escolhi pelo menos uns vinte DVDs, entre eles: P.S Eu te amo; Quatro amigas e um jeans viajante; Na trilha da fama; O amor não tira férias e mais outros. O rapaz do caixa ficou me olhando como uma aberração, mas claramente satisfeito pelo meu aluguel.
- Cadê a gatinha mais linda da mamãe? – Chamei manhosa enquanto entrava no apartamento.
Deixei um recado bem claro na sala "NÃO ME INCOMODEM. A", eu esperava que resolvesse.
Não demorei muito para estar no conforto do meu quarto mutilado. Eu precisava chamar um decorador com certa urgência, ou talvez não, assim mostrava minha nova personalidade recém descoberta: rebeldia.
Liguei o ar condicionado e me enrolei no edredom, chamando Brucomela para ficar ao meu lado enquanto a maratona de filmes começava.
- Seremos apenas eu e você. – Falei para Brucomela. – Sem aquelas chatas, irritantes e incompreensivas. Ninguém entende que você é a bebê linda da mamãe, mas não se preocupe, ninguém vai tirar você de mim. Qualquer coisa, agente se muda para a casa do seu futuro pai. Sim, não me olhe com essa cara, ele vai ser seu pai sim, pode apostar. – Sorri.
Luma Schmidt
A manhã de aulas passou devagar, eu simplesmente não via a hora de sair correndo ou voando dali. A idéia de voar era bem receptiva em minha mente. Eu sempre sonhei em voar, mas sem todos os equipamentos que eu já usara. Provavelmente se eu tivesse algum distúrbio mental sério, eu iria até o fundo da lateral da sala e sairia correndo para pegar impulso e saltar a janela.
Eu iria parecer uma psicopata suicida e vez de uma linda borboleta, eu conseguia até ver a cena do meu "pouso silencioso". Um baque estrondoso e pedaços de ossos para todos os lados e principalmente sangue. Estremeci com a última parte.
Canalizei todos os meus problemas amorosos frustrados e a preocupação com Sirius desenhando. Fiquei feliz por mesmo distraída desenhando eu consegui assimilar toda a aula – ao menos eu pensava isso.
Sophie e Damian passaram toda a manhã tagarelando sobre o jantar desta noite. Não foi difícil não me empolgar diante da euforia dos dois. Uma onda de tristeza me invadiu quando eu sai de perto dos dois.
Depois da aula peguei um táxi e fui até o aeroporto. Retornei a ligação de meu pai, não nos falamos muito, apenas o essencial. Estava um trânsito infernal igual aos de Nova York. Impaciente e desocupada no banco traseiro do táxi amarelo berrante minha mente começou a divagar.
Eu sentia um vazio inexplicável, algo que eu jamais sentira em toda a minha vida. Era estranho, nem quando Jason ou Matt acabaram comigo eu me sentia daquela forma. Era forte demais para que eu pudesse entender o que era. Isso era frustrante, sentir-se mal sem saber o porquê. Talvez eu precisasse de um analista, aquilo não deveria ser normal. Eu precisava de algo que me completasse, mesmo eu não sabendo que me completasse.
Passei boa parte da tarde no aeroporto. O que deu no mundo? Estavam todos planejando viajar no mesmo dia? Por sorte consegui uma passagem de classe econômica para Nova York no outro dia pela manhã. Não pude deixar de dar um sorriso largo, finalmente, a sorte parecia estar ao meu lado. Minha mãe havia me ligado periodicamente a cada meia hora, já estava na sétima ligação e parecia que era a enésima vez que eu dava a mesma resposta.
- Não mãe, eu não vou desfilar. – Suspirei começando a me irritar.
- Mas querida, eu ia ficar extremamente feliz de vê-la em minha coleção. – Eu quase podia vê-la fazendo o mesmo beicinho pidão que eu fazia.
- Não. Mãe, por favor, pare de me assediar perguntando isso. – Resmunguei. – Minha palavra final é não.
- Mas...
- Amanhã, onde iremos almoçar? – Mudei drasticamente de assunto. – Poderíamos fazer uma reserva naquele restaurante francês que eu adoro.
- Claro, querida.
- Bem, mãe, vou desligar, preciso me arrumar para ir jantar com Sophie e o namorado dela.
- Tudo bem, ah, você vai ficar de vela?
- Não. – Suspirei. – Completamente. Damian estará lá.
- Oh, então você ficará com ele? – Eu podia ver a animação em sua voz.
- Claro que não! – Minha voz saiu em um grito histérico. Por sorte eu estava em meu quarto. – Mãe, Damian é gay.
- Ah, tudo bem. – Uma pausa breve. – Querida, eu acho que você deveria arranjar um namorado.
- Tchau, mãe!
Desliguei o aparelho rudemente e fui tomar um banho. Minha mãe e suas idéias absurdas de que eu deveria ter sempre um namorado. Minha mãe, sem dúvidas, bateu com a cabeça no útero de minha avó. É, ela tinha problemas de coerência.
Quase sem perceber eu já estava pronta esperando o táxi no hall. Eu estava de jeans acinzentado, uma blusa preta e um salto não tão alto. Com a minha altura, era vergonhoso demais sair sem nenhum auxilio.
Em meia hora eu estava esperando o porteiro do prédio ligar através do interfone um pedido de autorização para a minha entrada. Sophie morava no primeiro andar então eu sinceramente não via necessidade de esperar o elevador. Eu não podia ser uma pessoa mais sedentária que eu já era.
Subi cuidadosamente. Eu estava de salto mesmo sabendo andar perfeitamente, ainda assim, eu continuava sendo um caos ambulante. Eu estava na metade da escada quando eu escutei um barulho ensurdecedor, meu psicológico podia até sentir o chão tremendo. Era uma manada que estava descendo? Sim, crianças!
Eu me espremi contra a parede esperando que eles passassem, entretanto, se catástrofes não acontecessem comigo, simplesmente, não seria eu.
Passaram quatro garotos gordinhos tentando a disputa pela bola inanimada – como se eles não fossem bolas com vida – e um degrau atrás estava um que parecia o chefe da manada. Mais gordo e desastrado, o garoto perdeu o equilíbrio no degrau, caindo e levando todos consigo.
Eu cai por cima dos quatro garotos da frente e o mais forte caiu sob minha barriga. Eu perdi o ar ficando zonza. Algum tempo depois eu conseguia ver coisas de movendo e murmurando, somente nesta hora, eu me dei conta que eu continuava sob os garotos. Levantei cambaleando e procurando a parede para me apoiar, ainda com falta de ar.
- Velha boboca. – Eles saíram resmungando.
- Pirralhos obesos! – Mostrei a língua, mas eles já não estavam lá.
Olhei para mim, milagrosamente, eu não estava com nenhum osso quebrado. É, às vezes, a sorte lhe sorri e era justamente o que ela estava fazendo hoje.
Subi o resto das escadas analisando minha roupa. É, eu não estava tão ruim assim. Apertei o botão vermelho do apartamento 101.
- MALU! – Sophie me deu um abraço de urso me deixando sem ar.
- Sophie. – Ofeguei quando ela me soltou. Era alguma espécie de conspiração mundial me matar com asfixia?
- Charlie! – Ela me puxou animada para o apartamento. – Ah, ai está você! Charlie, Malu. Malu este é Charlie. – Ela gesticulava animadamente.
- Muito prazer, Charlie. – Estendi a mão.
- O prazer é todo meu em conhecer a famosa Luma. – Ele deu um sorriso. – Ah, você está pálida.
- Ah, é normal. – Sophie revirou os olhos rindo. – Luma é albina.
- Não, sou não. – Fiz beicinho e cruzei os braços. – Só não tenho tanta melanina e, Sophie, você não é a pessoa mais indicada a falar.
Charlie gargalhou.
- Bem, é que eu fui atacada por uma manada de crianças.
- Ah, você já conheceu o playground do prédio. – Ela riu.
- É, pode se dizer que sim.
Charlie era muito alto. Na verdade, para mim, todas as pessoas eram altas. Sua pele era morena bem clara – quase pálida – o rosto era oval com uma barba malfeita. Seu cabelo era divertido, um pouco volumoso e caracolado. Devia ser bem legal de mexer. Ele era super simpático, seus olhos eram estreitos e a íris era castanha.
A companhia tocou.
- É Damian! – Sophie saiu quicando até a porta. – Damian!
- Oi Sophie! – Ele sorriu animado.
A tia de Sophie e os dois primos dela estavam em Seattle, por isso ela aproveitou a oportunidade para o jantar. Charlie e ela ainda namoravam na clandestinidade. Eu achava bizarra a idéia de namorar escondido, eu simplesmente não conseguia imaginar eu escondendo um namorado de meu pai.
Ficamos conversando no sofá enquanto Sophie concluía o jantar. Fiquei admirada, ela não colocou fogo na casa como certamente eu faria.
O jantar foi bastante animado. Se minha opinião fosse relevante de alguma forma, eu certamente aprovaria o namoro dos dois. Bem, fiquei feliz por ter sido nomeada madrinha do casamento, coisa que o ex-namorado de Sophie não queria.
Petros era marrento demais. Ele me odiava e sempre culpou a mim pelo termino do namoro dos dois, embora minha vontade maior na época era de esquartejá-lo vivo por ser tão rude com minha amiga ou bater na cabeça dela com um bastão de beisebol para ela acordar para vida, Sophie acabou com ele. Depois daquele dia eu recebi ameaças de morte e recados como "é tudo culpa sua Barbie renegada". Nunca dei muita importância a isso.
Fui embora às onze, precisava dormir para viajar amanhã cedo. Damian disse que ia embora também, afinal, ele não estava disposto a ficar de vela, fiquei feliz por receber uma carona.
Lily Evans
Cheguei em casa exausta e cheia de coisas para estudar. Estava tudo escuro no apartamento, com cuidado para não tropeçar em nada – em meias palavras, dar uma de Malu – fui tateando a parede até o interruptor. Estava calmo demais, exceto pelo barulho suave da televisão no quarto de Amy.
Malu já deveria estar em casa, rindo ou cometendo alguma catástrofe, era estranho demais ela estar silenciosa. Não importava, desabei no sofá e vi um papel sob o centro de vidro "NÃO ME INCOMODEM. A". Suspirei, isso significava que Amy se isolaria do mundo.
Eu estava achando tudo aquilo super ridículo, toda a "rebeldia adolescente" vindo de maneira retardatária. Os cabelos parecendo cenoura desbotada, a "pintura" no quarto e o comportamento birrento. Aquilo não combinava com ela. Revirei os olhos e fui preparar algo para comer e imediatamente me enfiar nos cadernos, antes que meu senso de responsabilidade saltasse de pára-quedas do décimo segundo andar.
Na porta da geladeira tinha outro bilhete. Será que elas não conheciam telefone?
"Lily, como foi o seu dia? Bem, eu vou jantar na casa de Sophie para conhecer o novo namorado dela, sabe como é. Amanhã logo cedo estou indo para NY, talvez você esteja dormindo. Vou passar o fim de semana com meus pais. Aproveite bem esses dias com James, divirta-se. Voltarei na segunda feira. Beijos. LKS. P.S. JUÍZO!"
Suspirei, estava abandonada. Revirei os olhos e coloquei uma lasanha no microondas. Tomei um banho quente e fui comer meu jantar "apetitoso" voltando em seguida para meu quarto onde mergulhei em meus livros.
Luma Schmidt
Cheguei cansada da casa de Sophie e nem se quer olhei que horas eram, apenas desabei em minha cama. Acordei cedo e fiz uma mala pequena, eu ainda tinha um guarda-roupa em Nova York, mesmo que em desfalque. Ninguém estava de pé, não me admirava que uma das meninas estivesse acordada às oito da manhã. Parti sem me despedir.
O vôo foi tranqüilo, deu para tirar um cochilo breve entre as duas cidades. No aeroporto, um motorista de meu pai me esperava. Sem muito diálogo, ele me levou para um restaurante francês onde meus pais me esperavam para o almoço no Alain Ducasse.
Os dois estavam sentados em uma mesa reservada, serviam-se de vinho tinto e olhavam para diferentes lados do ambiente. Bufei. Eles eram os ex-separados mais problemáticos que eu conhecia.
Uma hora conversavam alegremente com sorrisos e uma mão sob a outra, como se jamais houvesse um divorcio entre os dois. Eu ficava feliz nessas horas. Entretanto, outras eram repletas de olhares amargurados e vazios. Um clima tenso no ar. Suspirei e marchei até os dois.
- Mãe, pai. – Dei dois beijinhos nos dois que ficaram de pé para me receber. – Senti saudades.
- Eu também, filha. – Meu pai deu um meio sorriso.
- Ah, querida, tanto tempo que não te vejo! – Mamãe exclamou chorosa. – Você está linda como sempre, é claro, mas, meu bem, você poderia se arrumar mais, se vestir com mais sofisticação! – Lá vinha ela com essa história. – Você realmente acha que você deve se vestir assim quando sua mãe é estilista? – Revirei os olhos, ela falava como se eu estivesse com trapos. – Claro que não. – Respondeu sem me deixar abrir a boca para reclamar. – Ora, Luma, você acha que vai arranjar um namorado dessa forma?
Meu pai se engasgou com o vinho. Bem, meu pai nunca desaprovou nenhum namorado meu (lê-se Jason, já que ele não teve a oportunidade de conhecer Matt), mas ele nunca fez questão que eu estivesse com alguém. Richard Schmidt tinha problemas.
É, meu pai tinha toda a pose de pai "liberal", mas na grande realidade era um maluco neurótico super-protetor demais. Ele tinha medo de seqüestros devido sua posição política e também que eu fugisse ou ficasse grávida. Na verdade, ele morria de medo que eu ficasse grávida. Revirei os olhos e respondi levemente irritada pelo tema.
- Pelo amor de Deus, mãe, dá para parar com isso?
- Isso o quê? – Ergueu uma sobrancelha.
- Isso de querer que eu arranje um namorado. – Bufei. – Sinceramente eu não entendo os pais, quando estamos namorando é rezando para que acabe, quando estamos solteiros é o inferno para que arranje alguém. Sabe, vocês poderiam se resolver.
- Eu sinceramente não faço questão. – Meu pai disse sério. – Acho que estamos prontos para pedir.
Ele chamou o garçom como forma de encerrar o assunto. Fiquei realmente grata por isso, mesmo sabendo que a mudança não foi porque me constrangia e sim porque o irritava.
Conversamos sobre muitas coisas, na sua grande maioria besteiras e como andava nossas vidas. Mamãe conseguiu tocar no assunto do desfile mais uma vez. Ela não ia desistir.
- Seu lugar está marcado. – Informou. – Ah, Luma, por favor, faça isso por mim. Desfile!
- Não quero mãe. – Suspirei. – Talvez, em um próximo.
- Luma, eu esperava isso de qualquer pessoa. – Começou a resmungar. – Às vezes, você como minha filha é uma decepção.
- Mãe! – Amarrei a cara.– Tudo bem, eu vou desfilar nessa droga de desfile. – Disse vencida em meio a um suspiro, ela ia me infernizar pelo resto da minha vida.
- Filha, eu amo você! – Ela deu um daqueles sorrisos enormes, aqueles que você quer mostrar para todos que tem trinta e dois dentes, mesmo quando todos sabem.
Nós saímos direto para o hotel que mamãe estava hospedada. O motorista de meu pai nos levou, embora ela estivesse muito relutante em aceitar uma carona, mas eu a convenci de ir, assim, passaria mais tempo com os dois. Durante todo o caminho minha mãe fez inúmeras ligações para cabeleireiros, maquiadores e pessoas ligadas a isso. Eu suspirei, seria uma tarde longa.
Depois de ser tão paparicada, eu estava pronta. Meu cabelo estava um pouco mais longo que o normal devido ao aplique. Não era um penteado, apenas estava solto, liso e com cachos grandes, abertos e soltos. Seria legal ter o cabelo daquele jeito. A maquiagem era de sombra esfumaçada em tons de marrom com preto e as bochechas estavam rosadas combinando com o batom rosa claro.
- Vamos, Luma. – Minha mãe saiu apressada do quarto em um daqueles vestidos de festa maravilhosos. – Temos que ir agora!
- Claro. – Suspirei.
Uma limusine preta estava a nossa espera na porta. Fiquei constrangida com os olhares dos hóspedes em mim, também, não era normal você ver na recepção alguém tão arrumado e trajando apenas um roupão de tecido. Tentei não pensar nisso.
O percurso até o local do desfile não foi longo, entramos pelos fundos onde eu fui para o camarim. Era uma correria incrível, todas as pessoas de um lado para o outro com várias coisas nas mãos.
Sentei em um sofá de couro macio preto e fiquei apreciando uma maçã, enquanto esperava alguém trazer o meu figurino. Saltei imediatamente do sofá quando minha mãe chegou com a roupa.
- Mas que diabos é isso? – Sem querer deixei derrubar a maçã.
- Sua roupa. – Minha mãe revirou os olhos. – É claro que é sua roupa.
- Mãe, isso é um vestido de noiva! – Exclamei.
Ela arrastava com dificuldade uma peça enorme. Eu não podia negar que era lindo, mas eu não podia desfilar de noiva.
O vestido era tomara que caia, com apenas uma alça caída sobre o ombro que era feita de rosas de tecido dourado. O corpete era justo e definia a silhueta, o tom era lindo um creme perolado com detalhes discretos em pedraria. A saia era enorme, na verdade, eram três saias uma sobre a outra que se encontravam (franzindo-se) no canto esquerdo da roupa fazendo um 'V' invertido. Várias rosas douradas igual a da alça caiam.
A saia de cima era em dégradé começava um dourado claro e ia para a barra voltando a ser o tom creme perolado do corpete, o único detalhe dessa saia eram as rosas de tecido. A segunda saia era o mesmo tecido, porém, com detalhes na barra, era um bordado de linha com flores. Por fim, a saia de baixo que era um tecido transparente perolado com detalhes abstratos dourados, ela fazia todo o volume da roupa.
- Mãe! – Eu gemi quando estava vestida.
Vestidos de noiva eram bem traumáticos para mim, não pela roupa em si, mas pela ocasião. Eu não tinha sofrido nenhum trauma na infância em alguma cerimônia, como derrubar alguma coisa na noiva e ela ficar furiosa e me estrangular viva ou eu tropeçar quando entrava de daminha de honra, mas a idéia pós cerimônia casamento e todos os problemas da vida matrimonial me deixava de cabelos em pé.
- Não seja boba, Malu, você não está indo casar de verdade. – Minha mãe me olhou séria. – Seu vestido vai ser mais lindo que esse e, francamente, parece até que você está vestida com um chapéu cheio de frutas na cabeça ou vestida de Pedrita. – Bufou. – Fique atenta, vou precisar ir a platéia dar entrevista e me sentar, boa sorte.
- Obrigada. – Murmurei.
- Ah, sim, já ia me esquecendo. – Ela pegou uma caixinha revelando um lindo anel de diamantes. – Use e não se esqueça de deixá-lo em evidência.
- Claro.
Eu não podia me sentar com aquela saia enorme, suspirei e fiquei andando de um lado para o outro. Eu queria cometer suicídio. Meu telefone tocou, no quinto toque eu atendi.
- Alô? – Atendi ofegante devido a complexidade que fora pegar a bolsa no chão e procurar o aparelho.
- Luma? - Era Sirius. Meu coração disparou e ficou em ritmo acelerado. Fazia tempo que eu não o escutava. Sua voz estava diferente, mais rouca que o de costume. Isso me preocupou.
- Sim, sou eu Sirius.
- Ah você reconheceu minha voz. – Continuava com a voz estranha. Eu corei, eu deveria ter dito "ah, quem fala?"
- Sirius, está tudo bem com você?
- Er... – Ele hesitou. – Na verdade, não.
- O que aconteceu? – Uma angústia percorreu o meu corpo.
- Bem, eu queria conversar pessoalmente, você pode?
- Eu estou no desfile. – Droga. Eu sabia que era algo importante, mas eu realmente não poderia sair, isso ia magoar muito minha mãe.
- Ah, tudo bem.
- Espera. – Eu disse rápido. – Não vou demorar, sou uma das primeiras, você vem para cá e me espera nos fundos, assim que eu desfilar com essa roupa idiota eu saio correndo e vou para o seu carro antes que alguém tente me enfiar outra roupa. – Minha voz era de pânico no final da frase.
- Claro. – Ele riu ainda sem humor. – Onde você está?
Expliquei o local, ele não estava muito longe. Houve a primeira chamada e houve aquele rebuliço de mulheres se preparando para entrar, fiquei na fila, pela ordem eu seria a quarta.
O apresentador do evento tagarelava demais, a minha vontade era de arrancar o microfone da mão dele e gritar "TODOS PARA CASA, JÁ!". Uma eternidade se passou até que as modelos começassem a entrar, o ritmo lento que elas andavam me deixava irritada. Por fim, minha vez.
Entrei com cuidado, com milhões de coisas na cabeça. Um pé na frente do outro, ombros retos, queixo erguido, mostrar o anel e não tropeçar. Isso exigiu um esforço mental muito grande, estava concentrada ao extremo para não cair, se eu já conseguia a proeza de cair sem estar de salto, eu deveria triplicar a minha cautela com aquele salto agulha e o vestido que parecia abranger todo o pano do mundo.
Assim que saí do campo de visão da platéia comecei a correr entre as modelos. É, eu era imbecil a ponto de correr daquele jeito, porque somente comigo objetos inanimados parecem criar vida e se materializar na minha frente. Eu tropecei em um sapato que estava abandonado no meio do camarim, era impossível visualizar alguma coisa no chão com aquela saia absurda.
Coloquei-me de pé depressa e levantei a saia com as duas mãos, as pessoas me olhavam como se eu fosse uma maluca. Não tive tempo de pegar minha bolsa, quando me dei conta já estava no ar frio da rua. Uma buzina me alertou.
Sirius Black
Eu estava plantado fazia horas naquele hospital. Aquele ambiente era tenso, eu estava cansado, angustiado. Minha mãe estava sentada ao lado de meu pai, não queria falar com ninguém, não queria escutar ninguém.
Os médicos já haviam dito que não adiantava ficar no hospital esperando, mas ela não queria arredar o pé dali, então eu me via obrigado a permanecer no local também. Fui a lanchonete comprar três cafés, seria preciso, fiquei com um e entreguei os outros aos meus pais. Sentei-me com eles esperando o inesperado, mas, no fundo, nós já sabíamos. Esperávamos por um milagre.
Um médico saiu do CTI e se dirigiu a nós. Ele estava com aquela cara, aquela cara de que não quer ser aquele a dar a notícia, aquela cara de que não quer ver os parentes chorar. Não foi preciso ele abrir a boca para eu entender o que tinha acontecido. Ela se fora.
- Eu lamento muito. – Nos informou.
Minha mãe caiu aos prantos nos braços de meu pai. Eu me coloquei de pé e marchei para fora do hospital, eu precisava ficar só.
Caminhei até meu carro temporário – um Vectra preto. Sentei-me no banco do motorista e deixei minha cabeça tombar no volante. As lágrimas foram inevitáveis.
Um filme se passou em minha cabeça. Toda a minha infância no sitio dela, as broncas que eu recebia e todo o carinho que ela me deu. Eu a amava muito, perdê-la me doía bastante.
Eu não sabia a quanto tempo estava ali deitado sob o volante absorto em minhas memórias. Dei um suspiro e peguei o celular, eu precisava espairecer a cabeça, eu precisava de alguma companhia que me fizesse bem. Sem pensar duas vezes, peguei o celular.
- Alô? – Ela atendeu. Sua voz doce me fez sentir um momento de felicidade. Era inexplicável.
- Luma? – Foi a coisa mais idiota, é claro que era ela.
- Sim, sou eu Sirius. – Luma respondeu, provavelmente achando que eu era um idiota.
- Ah você reconheceu minha voz. – A segunda coisa estúpida que falei em menos de um minuto. Ela não merecia isso.
- Sirius, está tudo bem com você?
- Er... – Eu hesitei, não era exatamente o tipo de coisa que se falava por telefone. – Na verdade, não.
- O que aconteceu? – Perguntou preocupada.
- Bem, eu queria conversar pessoalmente, você pode? – Eu precisava muito vê-la, ela tinha um jeito que me fazia bem.
- Eu estou no desfile. – Eu desmoronei. Tudo o que eu mais queria além de minha bisavó de volta era conversar com ela.
- Ah, tudo bem. – Suspirei.
- Espera. – Ela disse rápido, quase ofegante. – Não vou demorar, sou uma das primeiras, você vem para cá e me espera nos fundos, assim que eu desfilar com essa roupa idiota eu saio correndo e vou para o seu carro antes que alguém tente me enfiar outra roupa. – A forma com que ela falou parecia que alguém estava enfiando farpas de bambu em suas unhas. Não pude deixar de rir, embora fosse fraco.
- Claro. Onde você está?
Ela me explicou o local do desfile, não era tão longe de onde eu estava, principalmente com a velocidade que eu costumava dirigir. Fui para o local do evento com certa urgência e fiquei nos fundos, como o combinado.
Eu estava impaciente, olhava para a porta periodicamente a cada dez minutos. Isso não me parecia saudável. Na última vez que meus olhos se moveram até a porta eu pude ver uma mulher saindo ofegante levantando uma saia com muito tecido para não arrastar no chão. Hilário, era um vestido de noiva.
Observei-a por alguns instantes, ela olhava para os lados como se procurasse algo. Então olhei com mais cuidado e percebi que era Luma, ela não me achava, pois estava com um carro diferente do que ela conhecia. Buzinei e abaixei o vidro para que ela me visse.
Luma caminhou em minha direção de forma desajeitada, ainda segurando o vestido com certa dificuldade. Não pude deixar de achar engraçado. Era esse tipo de coisa que me fazia bem nela, seu jeito tão diferente de ser, sua fragilidade. Ela entrou no carro com dificuldade tentando colocar aquele monte de pano para dentro, ela resmungava palavras inteligíveis enquanto colocava o cinto de segurança.
- Luma, isso é um pedido de casamento? – Eu perguntei com uma sobrancelha erguida e um sorriso maroto nos lábios. – Eu juro que topo ir agora mesmo a Las Vegas me casar com você. – E eu realmente toparia.
- Não seja idiota. – Revirou os olhos. – Minha mãe me obrigou a colocar isso. – Apontou fazendo uma careta.
- Sua mãe quer que você case? – Perguntei incrédulo.
- Sirius, agente pode sair daqui antes que minha mãe descubra que eu não vou participar do resto do evento com mais vestidos de noiva idiotas?
- Claro, claro. – Arranquei com o carro dali.
- Você trocou de carro. – Comentou distraída.
- Esse é provisório.
- Ah sim.
- Podemos ir a algum bar? – Eu perguntei. – Eu realmente estou precisando.
- Sim.
Luma Schmidt
Nós íamos a algum bar, isso seria o ápice do constrangedor. É, certamente as pessoas iriam pensar "eles acabaram de casar, a noiva é psicopata que não entende que eles saíram de Las Vegas". Eu gemi internamente.
Sirius estava muito calado, a única coisa que falou foi a brincadeirinha sob meu "pedido de casamento". Eu sabia que havia algo de errado, mas não iria pressioná-lo.
Chegamos a um bar qualquer que eu não me dei ao trabalho de ver o nome. Ele desceu e fez a volta para me ajudar a descer. Ele era um cavalheiro.
Demoramos um pouco a entrar no bar com a minha dificuldade de me arrastar com aquele monte de pano. Era obvio deduzir que eu chamaria atenção de todas as pessoas ali. Suspirei.
Chegamos ao balcão e Sirius me ajudou a sentar. Eu ia acabar ficando mal acostumada com tanto paparicado. O garçom veio até nós e deu um sorriso.
- O que os recém-casados vão querer?
Sirius riu e eu amarrei a cara. Merda! Eu não estava casada, mas aquele anel cintilante e minha roupa não estavam ajudando.
- Não somos casados. – Falei de cara feia. Embora casar com Sirius não fosse uma idéia ruim, mas mesmo assim.
- Ah. – A expressão dele era de horror. – Você fugiu do seu casamento?
- Por favor, um uísque. – Sirius pediu vendo a minha cara ficar vermelha.
- Uma coca. – Eu pedi. Embora minha vontade maior fosse de encher a cara, algo me dizia que eu precisava ficar sóbria.
- Aqui estão. – O garçom entregou os copos e se afastou.
Houve um silêncio apesar de todo o barulho da música que tocava no local. Aquela situação era incomoda, eu queria abrir a matraca e perguntar várias coisas, mas eu achava que seria inconveniente.
Ele estava sério com um olhar vazio e distante. Eu me sentia agoniada, querendo consolá-lo por qualquer que fosse o motivo, queria ser útil. Como eu vi que ele não ia começar resolvi falar.
- Sua voz estava estranha ao telefone. – Belo começo idiota. – Aconteceu alguma coisa? Sabe se você não quiser contar tudo bem. – Eu devia cometer suicídio.
- É... Minha bisavó, ela morreu.
- Sirius... – Eu não sabia o que dizer. Sem pensar pulei nele envolvendo-o em um abraço protetor, encostei o rosto em seu peitoral e comecei a chorar. – Sirius, eu sinto muito...
- Luma, por favor, não chore. – Ele afagou meu cabelo. – Por favor, não chore.
Aos poucos eu fui me acalmando em seus braços, quando eu já estava mais calma olhei em seus olhos tristonhos.
- Eu sinto muito, lamento por ela.
- Eu também.
Ele bebeu a noite inteira doses e mais doses de uísque, debruçado pelo balcão enquanto eu mexia em seu cabelo sedoso, enquanto ele me contava histórias de sua infância. Já era quase seis da manhã.
- Sirius, já está bom você bebeu demais.
- Não bebi não. – Falou birrento. – Vou ao banheiro.
- Tudo bem, cuidado.
Eu fiquei sentada esperando por algum tempo.
- Hei, vamos dançar noiva em fuga... – Um homem bem atraente que deveria ter seus trinta anos me puxou pelo braço e eu sai cambaleando até o salão – Então, você deveria estar a caminho de Las Vegas para casar com o rapaz que você fugiu do altar.
- Ah não. – Fiz uma careta. – Eu não fugi da igreja, nem vou me casar com ele.
- Então, já que está livre, casa comigo?
- Ah, não obrigada e eu não estou disponível.
- Sou George Leavy.
- Malu Kopmidt – Eu não ia dizer meu nome a um estranho.
- Sobrenome engraçado.
- É. – Olhei para os lados e Sirius estava voltando do banheiro. Ao me ver dançando com o tal de George fez uma cara feia. Fiz um sinal com as mãos de que estava tudo bem.
- Então, Malu, não aceita casar comigo?
- Não.
- Aceita um beijo meu?
- Também não, na verdade, eu preciso ir. – Revirei os calcanhares.
- Não antes disso, lindinha. – Ele me puxou bruscamente e me beijou eu o empurrei de imediato.
- Atrevido!
Muito rápido, eu senti outro braço me puxar, era Sirius ficando em minha frente com os braços abertos.
- Não toque nela.
Deja vú. Aquilo me lembrava a boate com James.
- Ela não é sua.
- Não interessa. – Sirius ameaçou socá-lo.
- Sirius! – Eu gritei o puxando para trás, o outro homem era bem mais forte que ele e estava sóbrio.
- Seu moleque. – George tentou surrar Sirius, mas eu o puxei com mais força e gritei quando ele quase socou o nariz de Sirius.
- NÃO!
A confusão estava instalada. George estava acompanhado de dois amigos musculosos. Sirius estava bêbado e eu estava com aquela roupa.
- Não se meta com a minha garota, seu imbecil. – Sirius sibilou.
- Sirius, por favor, vamos embora. – Eu o puxava com toda a força que podia. Arrastei-o para fora do bar. Ofegante me lembrei que ele não ia poder dirigir. Eu ia ter que fazer isso se não quiséssemos ser esmagados em um poste.
- Talvez eu deva ir dirigindo. – Eu sugeri receosa.
- Hei, eu posso fazer isso. – Resmungou. – Eu posso fazer isso melhor que você em seu melhor dia. – Zombou rindo.
- Certo, mas você é incapaz de andar em linha reta no chão que dirá conduzir um automóvel. – Apontei.
- Mesmo assim, eu tenho reflexos melhores.
- Sirius, eu já gastei todo o meu esforço pessoal tentando te manter longe de confusão naquele bar. Na verdade, para te tirar vivo de lá. Não vou simplesmente deixar você dirigir um carro quando mal anda direito para virarmos milk-shake naquele seu lindo carro. Além do mais, eu sou sua amiga e os amigos não deixam os amigos dirigirem bêbados. – Eu ri com a última parte.
- Eu não estou bêbado. – Estava cético.
- Só embriagado. – Resmunguei, criatura teimosa.
- Um pouco, apenas.
- Sei. – Rolei os olhos.
- Anda, entra no banco do passageiro. – Ele hesitou. – Ah, vamos, um pouco de confiança, por favor, Sirius, fui sua aluna, isso não conta?
- Tudo bem. – Suspirou provavelmente lembrando da aula.
Ah diabos, como eu ia dirigir com aquela roupa de noiva? Eu mal podia andar que dirá pisar no acelerador e freio com aquela roupa. Entrei no banco traseiro e tentei desabotoar a roupa.
- Não sabia que o volante era ai atrás. – Ele ria feito um bobo. Sirius estava completamente bêbado.– O que está fazendo, é show de strip-tease? – Gargalhou.
- Cala a boca.- Reclamei.
Foi muito difícil tirar o vestido, por fim eu estava apenas com uma calçinha preta que parecia um shortinho e o corpete do vestido. Suspirei e voltei rapidamente para o banco do motorista.
- Onde você mora?
- Eu não sei. – Disse depois de um tempo.
- Ótimo. – Resmunguei para mim mesma.
Eu estava encrencada ao extremo e eu nem tinha feito o meu testamento ainda. A única opção que eu tinha era levá-lo para a casa de meu pai, eu não fazia idéia de onde ele morava. Um pouco relutante arranquei com o carro dali e fui para a minha casa.
Cheguei e fui barrada na entrada, abaixei o vidro do carro e me identifiquei, o porteiro pareceu aliviado e ligou para alguém. Sim, eu estava com problemas.
- Vamos, Sirius, chegamos. – Eu fui ajudá-lo a descer.
- Eu não moro aí. – Ele ergueu uma sobrancelha.
- Eu sei que não. – Suspirei. – Eu moro, anda desça do carro.
- Casa legal.
- Obrigada. – Revirei os olhos.
Eu o ajudava a andar com o meu braço esquerdo o abraçando pela cintura e na direita eu arrastava a saia do vestido. Como eu esperava na sala estavam meu pai e minha mãe aflitos e mais algumas pessoas desconhecidas.
- Luma! – Minha mãe exclamou. – O quê...
- LUMA KOPKE SCHMIDT! – Meu pai berrou incrédulo.
- Pai, por favor, me deixe colocar Sirius lá no quarto, ele está exausto, foi uma noite longa para ele.
Antes de ouvir a resposta eu o arrastei com dificuldade para cima e o levei para meu quarto. Ele murmurava coisas que eu não entendia.
- Sirius, vá para o banheiro e tome um banho gelado, ouviu?
- Arrã. – Ele olhava para os lados. – Quarto legal.
- Obrigada, por favor, vá para o banheiro e tome um banho.
- Sim.
- Ah, espere. – Corri até o quarto de meu pai e peguei um roupão de toalha branca e voltei para o quarto. – Use isso.
- Tudo bem. – Ele bateu a porta do banheiro. Peguei um roupão e desci relutante. Meu pai estava vermelho de ódio. – Voltei.
- Você sabe que está encrencada, não sabe? – Ele ficou de pé do sofá.
- É, eu sei.
- Você não deu nenhum telefonema ou deixou algum telefone. Eu não sabia com quem você estava, nem onde estava e nem quando... ou ... se iria voltar.
- Desculpe, pai, mãe.
- Aonde você se meteu?
Droga. Eu suspirei nervosa.
- Houve uma emergência. – Falei, ele me encarou pela minha explicação bem satisfatória. Depois as palavras fluíram demais.– Bem, eu estava no desfile de moda da mamãe, por isso a roupa de noiva, então eu recebi uma ligação de Sirius, meu visinho de Chicago, lembra o do jogo de basquete? Então ele precisava de alguém, já que os amigos estavam em Chicago e eu sou amiga dele. Por isso eu fui encontrá-lo só que ai ele bebeu demais, brigou no bar para me defender de um cara que tentou dar encima de mim ai eu o arrastei de lá e tive que dirigir, mas a roupa não deixava então eu a tirei e dirigi até aqui porque ele não lembra onde mora.
- Um bar? Carro? – Seu rosto estava furioso.
Epa dos grandes. Como se eu já não estivesse encrencada o suficiente.
- Pai eu estou bem, aliás, estamos bem.
- Luma, você nunca mais vai me fazer passar por isso de novo! – Ela quase rosnou. – Você sabe o que é no meio do desfile o segurança dizer que você simplesmente sumiu e que sua bolsa estava no camarim? Você tem idéia de como eu me senti quando descobri que minha filha havia sumido pela cidade de Nova York vestida de noiva e que tinha entrado em um carro preto de placa desconhecida, hein?
- Desculpe-me, mãe. – Abaixei a cabeça.
- SEM CARRO! – Meu pai gritou. – O seu carro, que estava na garagem te esperando, não está mais.
- Mas.. – Eu murmurei. – Tudo bem, pai. Bem, agora eu vou tentar localizar a mãe dele e informar que ele está bem.
Eu subi as escadas chorando. Meu carro, meu ex-carro. Sirius estava deitado em minha cama dormindo, tateei o bolso da calça e peguei seu celular procurando o '666' e liguei para sua mãe.
- SIRIUS BLACK, VOCÊ FAZ IDEIA DO QUANTO EU TE PROCUREI? - Bem, ela sabia gritar muito bem.
- Não é ele, sou Luma, amiga dele.
Expliquei a história superficialmente (só bastava um encrencado o suficiente pelo resto da vida) ela ficou aliviada por ele estar bem e agradecida pelos cuidados. O enterro seria a tarde, sugeri ela mandar alguém trazer uma roupa para ele ir direto daqui, assim ele poderia descansar pela manhã. Com isso resolvido, tomei um banho e fui para o quarto de hospedes.
Lily Evans
No sábado pela manhã acordei as dez da manhã ainda sob meus livros. Olhei se Luma ainda estava em casa, mas ela já havia partido. A TV do quarto de Amy estava ligada, por quanto tempo mais ela continuaria com esse comportamento patético?
Vesti-me para caminhar e fui até a cozinha beber um suco de laranja. Fui chegar as mensagens no telefone, mas não havia nenhuma. Fiz uma nota mental de ligar para meus pais, será que eles ainda lembravam que tinham uma filha?
Corri por uma hora no parque Garfield, era um lugar tão agradável. Eu queria ser mais velha, formada, casada e com um filho. Eu queria poder estar ali correndo de mãos dadas com James, o homem que eu amava, atrás de uma criança travessa. Nós seriamos felizes. Ao mesmo tempo que ansiava por esse dia eu gostaria de congelar no tempo, eu estava feliz demais daquele jeito.
Voltei para casa ofegante, fazia séculos que não treinava, estava ficando sedentária. Tomei um banho e peguei o telefone para ligar para minha mãe.
- Mãe?
- Lily! – Ela atendeu histérica. – Pensei que você tinha se esquecido de nós!
- Claro que não, mãe! – Fiquei ofendida. – Como estão as coisas ai? Estou morrendo de saudades!
- Está tudo bem, exceto por estarmos morrendo de saudades também.
Ficamos um bom tempo conversando, coloquei todas as notícias em dia, inclusive sobre James. Ela ficou desconfiada, achando que havíamos nos precipitado, mas ficou contente e ansiosa para conhecê-lo. Eu esperava que ele também, mas eu não iria forçar a barra.
Minha tarde não fora o que se poderia se chamar de produtiva para um sábado. Fiquei repassando a matéria de anatomia e fisiologia, agora era sério, pra valer, eu não podia simplesmente deixar tudo de véspera como no colégio.
Às cinco da tarde James me ligou para combinar a saída. Emily e Remus não iriam mais sair conosco, então íamos jantar e depois ir ao cinema. Estudei mais um pouco e fui me arrumar para encontrá-lo, não escolhi nada sofisticado: jeans, blusa azul marinho fininha com mangas e uma bota.
Às sete ele bateu a minha porta. Eu estava atrasada. Sai correndo do quarto - com uma bota no pé e a outra na mão, apenas de sutiã - até a sala e abri a porta ofegante, ele riu. Envolvi meus braços em seu pescoço em um abraço apertado e beijei-lhe com urgência.
- James! – Sorri quando nos largamos. – Estou quase pronta, vou pegar minha bolsa, pode entrar.
- Claro. – Ele sorria, provavelmente pensando "minha namorada tem problemas". – Não se preocupe, pode se arrumar, aliás, acho qie você deveria colocar uma blusa.
- Eu juro que não demoro. - Fiquei vermelha.
Fechei a porta dando-lhe um selinho breve, depois sai correndo para meu quarto de novo. Terminei de calçar as botas e vesti a blusa. Olhei para o meu aspecto no espelho, estava razoável então fui para sala encontrá-lo.
- Estou pronta.
- Por sinal, linda. – Revirei os olhos. – Que foi? – Ergueu uma sobrancelha.
- Nada não. – Eu ri. – Estou saindo! – Falei alto apenas por falar, Amy não estava me escutando.
Fomos ao cinema ver um filme de terror. Eu odiava filmes com fantasmas e ETs, eu era muito mais a favor com filmes extremamente mentirosos e com muito sangue, aqueles filmes que riamos dos "defeitos" especiais. Eu sabia que fantasmas e ETs não existiam, mas mesmo assim eles parecem sempre bem reais naquela tela enorme. Passei todo o filme agarrada no braço esquerdo de James que, provavelmente, ficou dormente. Ele achou engraçado esse meu pavor.
Depois fomos jantar em um restaurante italiano e dar uma volta de mãos dadas no parque. Cada minuto que passava eu o amava mais.
Acabamos a noite namorando em minha cama assistindo uma comédia romântica que passava na TV. Não prestávamos atenção, pois namorar pessoalmente era bem mais interessante que ver. Era quase uma da manhã, eu estava aninhada nos braços de James enquanto ele afagava meu cabelo, o celular dele tocou.
- Alô? – Ele atendeu e deu um sorriso. – Tia Walburga, quanto tempo! – Houve um silêncio. – Não, ele me ligou logo cedo, estava no aeroporto, mas agora noite não, ele não chegou aí? – James perguntou preocupado. Houve uma pausa. – Eu lamento tia, eu lamento mesmo. Eu irei amanhã de manhã, caso ele dê algum sinal de vida eu te ligo, prometo. – James desligou o telefone, sua expressão era triste.
- Aconteceu alguma coisa? – Perguntei preocupada.
- Sim. – Ele pausou. – A bisavó de Sirius faleceu e ele sumiu do mapa.
- Nossa. – Levei uma mão a boca. – Que barra ele deve estar passando.
- É. – Colocou-me sentada na cama. – Eu preciso ver se Remus ou Peter sabem de alguma coisa. – Suspirou. – E eu tenho que ir a Nova York, minha família é muito próxima a dele, eu tenho uma consideração enorme por Violetta.
- Claro. Qualquer notícia me ligue, por favor. – Ele assentiu beijando meus lábios brevemente e foi embora.
Remus Lupin
Na sexta-feira, depois da aula, eu recusei sair com os colegas de turma, eu precisava estudar. Então com meu carro inteiro de novo, fui direto para casa um pouco relutante, eu queria muito sair.
Em casa, vi um recado de Sirius informando que estava viajando. Não consegui pensar em alguma coisa que pudesse fazê-lo ir até Nova York, provavelmente, a mãe dele teve algum surto de carência e o chamou. Isso era uma coisa comum. Dei de ombros, depois eu ligaria.
Pedi uma pizza e fui tomar um banho, estava cheirando a formal. O entregador chegou eu paguei pela pizza e fiquei comendo enquanto estudava. Fui dormir as três.
O sábado foi um dia tranqüilo, passara toda a manhã e parte da tarde estudando até que fui até a casa de Emily. Antes disso passara em uma floricultura e comprei rosas vermelhas. Ela estava bem indisposta, com cólicas e dor de cabeça, resolvemos ficamos na casa dela. Isabela já se sentia melhor então saiu para a noitada com Narcisa e Bellatrix – as primas de Sirius.
Emily estava no seu quarto de pijamas e coberta com seu edredom. Preparei o jantar, macarronada de camarão, e arrumei a mesa. Jantamos tranquilamente escutando música romântica e depois fomos para o quarto dela ver filmes.
Eu fiquei encostado na cabeceira com ela deitada em meu peito. Eu afagava seu cabelo e vez por outra nos beijávamos carinhosamente e outras com mais desejo. Era uma paz estar ali.
- Quero que você vá conhecer minha família. – Eu disse enquanto tirava uma mecha do cabelo que estava em seu rosto.
- Já? – Ergueu uma sobrancelha.
- Claro. – Eu estranhei. Mulheres não adoravam esse tipo de coisa?
- Estranho. Homens parecem preferir ir à guerra a apresentar a família.
- Parece que você que não quer ir a guerra.
Ela revirou os olhos.
- Não, por mim tudo bem. – Um sorriso abriu-se em seus lábios. – Então você irá conhecer os meus também.
- Claro. – Engoli seco e ela riu. – Preciso fazer algum plano pré-vida?
- Claro que não bobo. – Fez uma careta. – Por favor, Remus, pega o meu remédio, até naquela caixinha.
- Qual, esse? – Mostrei uma caixa azul.
- É. – Deu um meio sorriso. – Obrigada.
- Você quer ir ao hospital tomar alguma injeção? – Eu perguntei sério. – Esse remédio é suficiente?
- Não, eu vou ficar bem. Não se preocupe comigo.
- Hmmm, precisa de alguma coisa?
- Bem, eu queria dormir.
- Claro, eu já vou. – Dei um beijo demorado. – Qualquer coisa, me ligue.
- Quer que eu o acompanhe até a porta?
- Não precisa. Descanse. – Beijei sua testa e sai para o carro.
Estava dirigindo para casa quando o celular tocou. Encostei o carro para atender.
- Sim, James?
- Cara, você sabe alguma coisa do Sirius?
- Ele está em Nova York, não está? – Ergui uma sobrancelha.
- Sim, quer dizer, não sei. – Ele pausou. – Tia Walburga ligou, Sirius sumiu depois que soube que a bisavó morreu. O celular está desligado.
- Nossa, eu não soube de nada.
- Eu estou indo para Nova York, você vai?
- Sim, estou quase em casa.
Luma Schmidt
Estava sem sono. Eu já havia ligado para tranqüilizar a mãe de Sirius sobre o paradeiro dele, eu não me atrevia a descer e encarar o olhar furioso de meu pai e o frustrado de minha mãe, eu havia desfalcado o desfile dela. Eu suspirei, sem carro. Ótimo, eu não precisava mesmo de um.
Peguei uma roupa no quarto e fui para o quarto de hóspedes. Tomei um banho lavando os cabelos e vesti uma roupa casual. Fui secar os cabelos e percebi que ainda usava o anel com diamantes que minha mãe havia me dado na noite anterior.
A porta se abriu e ela entrou no quarto. Era incrível como ela nunca perdia a pose mesmo depois de uma noite em claro.
- Mãe, desculpe-me pelo desfile. – Eu me sentia culpada.
- Não se preocupe querida. – Deu um sorriso gentil. – Eu fico orgulhosa que você tenha saído para ajudar um amigo vestida de noiva e tenha enfrentado o seu pai, quero dizer, sem contestar a decisão dele. Isso foi muito maduro.
Minha mãe sempre me surpreendia. Atrás de tantas roupa de marcas, de tratamentos de beleza e uma sintonia em coisas fúteis. Minha mãe era sensível e compreensível.
- Obrigada, mãe. – Eu a abracei.
- Ah, filha, que amigo-vizinho gato esse! – Ela comentou quando nos separamos.
- Pára, mãe. – Revirei os olhos.
- Quê? – Ergueu uma sobrancelha. – Você está tentando me convencer que ele não é lindo?
- Não... mas... ah mãe! – Fiz uma careta e ela riu. – Sim, ele é lindo.
- Eu sei, eu tenho olhos. – Revirou os olhos. – Será que ele quer ser modelo?
- Ah, não... – Fiz outra careta.
- Malu, eu quase me esqueci. – Ela balançou a cabeça. – Tem um rapaz te procurando lá embaixo, está na sala de visitas.
- Tem? – Ergui uma sobrancelha.
- Sim, por sinal, 'gaterrímo'! – Riu. – Mas, não lembro o nome dele.
- Mãezinha, me poupe.
Desci pela escada principal e fui caminhando até a sala de visitas. Havia um rapaz que deveria ter a minha idade sentado em dos sofás. Minha mãe não havia mentido no "gaterrímo".
Ele devia ter quase dois metros de altura, seus músculos eram definidos. A pele morena clara parecia ser macia. Os cabelos eram negros, curtos e bagunçados. Seus olhos profundos eram de um castanho escuro, quase preto. Tinha uma expressão séria, madura, mas que ao mesmo tempo era infantil. Colocou-se de pé ao me ver.
- Oi, desculpe-me o incomodo. Sou Jacob Black.
- Ah, Jacob. – Eu repeti o nome dele feito uma débil mental, sem conseguir formular nada descente.
Usava uma camisa amarela não muito folgada, era possível ver seu abdômen perfeitamente definido. Meu queixo caiu. Ótimo Luma, ótima bela primeira impressão ele vai ter de você: Tarada. Mas ele deveria ter uma ótima pegada. Mordi o lábio inferior tentando espantar meus pensamentos pervertidos. Ele riu com minha expressão confusa.
- Primo do seu vizinho, Sirius Black.
- Ah, claro! – Corei, que papelão eu estava passando. – Luma, Luma Kopke Schmidt, prazer.
- O prazer é todo meu. – Deu um sorriso sério. – Uma pena não te conhecer em uma situação melhor, você é muito engraçada.
- Sou? – Ergui uma sobrancelha, olhei para minhas roupas. Não eu não estava com nenhuma peça faltando.
- É sim. – Riu. – Bem, aqui está o terno dele, sapatos e tudo que ele possa precisar para ir até o enterro.
- Ah claro.
- Minha tia mandou este bilhete.
- Obrigada. – Peguei o envelope branco.
- Bem, eu preciso ir. – Pausa. – Novamente, foi um prazer em conhecê-la, espero revê-la em breve.
- Igualmente.
Ele deu um beijo em minha bochecha que acabou tocando metade dos meus lábios. Eu corei e ele foi embora. Pedi a um dos funcionários para levar as coisas que Jacob trouxera lá para cima.
- E ai, ele não é lindo? – Minha mãe cochichou.
- Mãe! – Eu ri.
Sirius Black
Eu me lembrava da noite anterior, com alguns buracos, mas lembrava. Ri sozinho com Luma vestida de noiva, dava até vontade de casar na igreja em uma hora daquela. Também me lembrei de minha bisavó, meu estomago revirou e uma angustia percorreu em meu corpo. Abri os olhos, o ambiente estava escuro exceto por uma luz de abajur próxima a janela.
O quarto era branco com detalhes roxos, havia muitas fotografias espalhadas, mas eu não conseguia ver rostos nítidos. Tinha um aroma suave, algumas bonecas e bichinhos de pelúcia.
Luma estava sentada em uma cadeira estilosa branca, estava com uma roupa casual e os cabelos úmidos lendo um livro. Olhei para mim, eu estava de roupão branco.
- Bom dia. – Eu dei um sorriso. Minha cabeça não estava doendo, fiquei feliz por ser resistente ao dia pós-álcool.
- Boa tarde. – Ela fechou o livro, me olhava com cautela. – Se sente bem?
- Sim, obrigado pela noite anterior.
- Não precisa agradecer. – Deu um meio sorriso. Eu tinha feito algo que não lembrava? – Aconteceu alguma coisa?
- Não, nada. – Ergueu uma sobrancelha. – Por quê?
- Sei lá. – Dei de ombros. Ela estava estranha. – Ah, já sei. – Claro, eu tinha a colocado em problemas, idiota!. – Eu te meti em problemas com o seu pai.
- Não, não. – Balançou a cabeça. – Não é nada com você, eu garanto.
- Ok. – Fiz uma pausa e olhei para mim. – Ah, eu preciso de minhas roupas.
- Ah, claro, estão no banheiro do meu quarto. – Apontou para a porta branca. – Pode usá-lo. – Ela fez uma pausa. – Er... Sirius?
- Sim?
- Bem, eu tomei a liberdade de ligar para a sua mãe.
- MINHA mãe? – Eu dei um salto. Droga, ela devia estar louca.
- Desculpe-me, maséqueeuvicomoosmeuspaisficarameeunãoqueriaquesuamãeficassedomesmojeitojáqueelaestácheiadecoisasdasua bisavómildesculpaseujuroquenaofoiquerendoteprejudicar. – Ela falou tudo muito rápido, tive dificuldade para entender.
- Calma. – Dei um sorriso e fui caminhando até ela. – Obrigado, a esta hora minha mãe deveria estar louca.
- Não ficou chateado? – Ergueu uma sobrancelha.
- Claro que não.
- Eu não falei nada demais. – Uma pausa breve. – Então, o enterro será agora a tarde, eu anotei o endereço do cemitério onde vai ser. Ah, eu também achei que seria melhor você passar a manhã descansando e ir direto daqui, sabe, ir de cabeça fria, então, eu pedi que ela trouxesse uma roupa para você usar na cerimônia. Seu primo Jacob trouxe suas coisas, está no quarto de hóspedes.
- Cara, Luma, você é minha anja da guarda. – Sorri e coloquei minhas mãos em seu rosto delicado, estávamos muito próximos, ela corou e arregalou os olhos.
- Err... – Ela balançou a cabeça, saindo de um estado de transe. – Eu acho melhor você ir se arrumar para poder comer alguma coisa antes de sair. Será no crepúsculo.
- Claro. – Eu me separei dela. Que imbecil, ela ia achar que eu estava me aproveitando.
Lily Evans
Acordei muito tarde no domingo, quase na hora do almoço. Sai andando pela casa de roupão parecendo uma morta-viva. Na cozinha, acomodei-me em uma cadeira enquanto pensativa bebia água. Pensei em ligar para James, talvez já houvesse alguma noticia de Sirius.
Eu estava caminhando para o banheiro quando a porta do quarto de Amy se abriu. Ela estava mais cadavérica que eu, também pudera, virar a noite toda na TV. Ela precisava de um psicólogo.
- Bom dia, Amy! – Eu sorri.
- Bom dia, Lily. – Estava de mau humor.
- E ai, dormiu bem?
- Não dormi, não percebeu?
- Uh, que áspera. – Revirei os olhos. – Eu espero que você já tenha se livrado da gata, sabe, é ridículo você ter uma sabendo que uma das pessoas da casa é alérgica. Você não mora sozinha. Ok?
- Lily, me faz um favor?
- Sim.
- Me erra. – Voltou para o quarto e bateu a porta com força.
Dei de ombros.
Depois disso, liguei para James, já haviam encontrado Sirius, fiquei aliviada. O enterro seria naquela tarde. Remus, Sirius e ele estariam na manhã seguinte em Chicago. O domingo passou rápido, tratei de estudar, o mundo não precisava de uma médica burra.
Na segunda de manhã, nenhum sinal de Luma ou dos meninos. Estudei mais um pouco, só teria aula naquela tarde. Não voltei a me encontrar com Amy, eu não sabia se ela estava enclausurada ou tinha ido para a aula. Depois do almoço improvisado – lasanha esquentada – peguei meu carro e fui para Hogwarts.
Eu já estava com saudades de James, era inexplicável como eu já era tão dependente dele mesmo com tão pouco tempo. Eu nunca havia me sentido daquele jeito.
À noite fui direto para casa, estacionei no subsolo e meu coração bateu mais rápido. O carro dele estava lá. Sai do carro tropeçando no cinto de segurança – um momento Malu Schmidt – e andei apressada para o elevador, eu tinha que me arrumar para vê-lo.
Girei a maçaneta da porta e abri devagar, quase gritei de susto e felicidade. Sentado no meu sofá, estava ele, James Potter, meu namorado. Ele parecia um Deus, com os cabelos molhados e os braços abertos repousados no sofá, ele via o noticiário local.
- James! – Eu abri um sorriso largo, fechei a porta e fui até o sofá me sentar ao lado dele.
- Lily, que saudade! – Ele me beijou. – Senti muita a sua falta.
- Eu também. –O beijei novamente. - Ah, como você entrou?
- Luma, Remus e eu viemos no mesmo vôo, depois que eu organizei minhas coisas vim aqui te ver.
- Ah sim. – Sorri.
Jantamos os três juntos, o que James preparou enquanto eu estava no banho. Eles me contaram como Sirius estava, Luma sobre o desfile, que havia perdido o carro. Foi um jantar legal, exceto porque todos estavam tristes pela perda do moreno. Depois da refeição, Malu se ofereceu para lavar os pratos. Fiquei agradecida, pois James e eu fomos para a sala namorar.
Conversamos sobre besteiras e matamos a saudade. Às dez e meia ele foi para casa.
Emily Benson
No domingo acordei muito cedo, já me sentia melhor, fiquei feliz por me sentir disposta. Tomei um banho gelado e coloquei roupas para correr, uma calça preta e uma blusa folgada branca, domei meus cabelos em um rabo de cavalo para trás.
Como eu imaginava, Isabela estava dormindo, era o cumulo como alguém podia ser tão inútil. Preparei um café-da-manhã simples, apenas uma salada de frutas e suco de laranja.
Olhei os recados no telefone, minha mãe havia ligado, só que ainda era muito cedo para retornar a ligação. Peguei o mp3 e fui bater na porta da minha vizinha da frente.
Sra. France era uma mulher de idade, setenta e dois anos, que era viúva. Era baixa, um pouco corcunda, com os cabelos tingidos de castanhos claros. Sra. France vivia sozinha, vez por outra, seus filhos a visitavam. Sempre que eu estava livre, ia visitá-la, ficávamos horas conversando sobre história e direito. Era fascinante ouvir todas as histórias de uma juíza aposentada.
Ela tinha um cachorro que lhe fazia companhia. Capitão Caverna era um chiuaua bem estranho. Acho que o cachorro mais feio que eu já vi na vida, ao menos, ele era simpático. Lê-se, nunca atacou minha canela. Ocasionalmente, eu saia para correr com Capitão Caverna.
Passei na casa igual a minha e peguei o cachorro, iria até o parque Garfield com ele, lá eu descansaria um pouco e depois voltaria para casa.
Comecei a andar segurando a coleira distraída, enquanto ouvia música. Hillary Duff, adorava me exercitar escutando a cantora. Eu já estava saindo do bairro, quando resolvi trocar de música, na verdade, iria colocar na freqüência de rádio para escutar as informações matinais.
Caverna estava muito inquieto, talvez isso fosse falta de fêmea. Revirei os olhos e ri com minha teoria, em um momento de descuido e distração, percebi que eu não segurava mais a coleira. Merda, o que eu ia dizer se Caverna fosse atropelado?
Sai correndo feito uma maluca pela rua, por sorte, não tinham tantas pessoas assim. Fiquei agradecida por ser um domingo. Ele ia bem mais a frente que eu que estava sem fôlego colocando a atleta que existia em mim para fora. Isso exigiu um esforço infernal.
No final da rua havia certa movimentação, quer dizer, um rapaz tirava malas do porta mala de seu carro. Era um volvo c30 prateado, diga-se de passagem um dos carros mais lindos que eu já vira. Caverna estava atrás desse homem, ficava de pé com as patas dianteiras para cima cavando na perna do individuo e o lambendo. Que vexame! Ao menos, ele não parecia irritado, pelo contrário, passava a mão na cabeça de Caverna, em um carinho gentil.
- Caverna! – Eu ofeguei.
Não era só o carro que era lindo, o dono também. Era alto, charmoso. Usava calça jeans clara, all star marrom bem surrado, uma camiseta branca e óculos Ray-ban. Era o dia do juízo final e Deus tinha resolvido visitar os meros mortais? Os cabelos estavam completamente bagunçados, tinha um tom peculiar, na minha opinião de daltônica, era bronze. Sua pele era muito pálida e parecia ser macia ao toque.
- Bom dia! – Ele falou sorrindo. Ah, e que sorriso. A propósito, isso era comigo?
- Er... – Olhei para os lados. Sim, só havia eu. – Bom dia!
- Seu cachorro parece ter gostado de mim. – Riu. Deveria ser proibido sorrisos tão lindos.
- Ah... er... bem... ele não é meu. – Gaguejei. Olhei para o relógio. Estava tarde, para nada, mas estava tarde. – Ah, eu tenho que ir, está tarde, obrigada. – Me atropelei nas palavras e sai correndo puxando a coleira de Caverna.
Saí morrendo de vergonha e ainda me lembrando da imagem divina presente na Terra. Estava em choque, existiam mesmo pessoas tão lindas assim no mundo, ou ele era um anjo que caíra do céu. Repreendi-me mentalmente por estar pensando na beleza de um homem estando comprometida, mas nem me culpei tanto, afinal, eu não era cega. Caminhei um pouco mais e fui para casa depois de devolver o cachorro a sua dona.
OooOooOooOoOOoOooOoOOoo
Amy Meester
O curso, definitivamente, não estava correspondendo as minhas expectativas, as poucas normais que eu tinha. Eu tinha plena ciência que ainda era o começo, não haveria nada chocante ou catastrófico demais para fazer, por exemplo, lidar com cobras e animais peçonhentos, mas fosse lá o que eu esperasse, eu não estava encontrando. Eu estava confusa.
Não gazeei aula, me sentia melhor depois da minha reclusão repleta de glicose e álcool. Não tinha amigos e, não fazia questão de nenhum, as pessoas eram estranhas, eu me sentia sintonizada em outro planeta. Apesar de toda indiferença a minha atividade, eu estava me dando bem, era elogiada, talvez eu tivesse um dom.
Saí tarde, às seis, e fui jantar em um restaurante japonês que tinha próximo. Comi sozinha, observando o lugar. Paguei minha conta e dirigi até o apartamento. Eu precisava de uma festa, uma noite sem limites, sim, que sábado viesse, eu já tinha planos.
Trancafiei-me em meu quarto, dei uma lida breve em histologia e dormi acariciando Brucomela.
Peter Pettigrew
Havia um clima desconfortável no apartamento depois da morte da bisavó de Sirius. Ele tinha voltado diferente de Nova York, abatido e sempre pelos cantos, pensativo. Ninguém se atrevia a interrompê-lo de seus devaneios. Deveria ser uma barra muito forte.
Não me senti no direito de contar que abandonaria a faculdade e o apartamento, eu sabia que eles ficariam chateados, tínhamos uma ligação muito forte. Meu celular entrou completamente fora de área, eu não precisava da pressão de minha mãe, tão pouco a lembrança que eu deveria sair dali. Aquele era o meu lar.
Afastei meus pensamentos dessa linha, às vezes, eu conversava com Sirius, quando ele estava mais situado na terra arrancando-lhe, vez por outra, sorrisos provenientes das minhas besteiras. Remus, meu colega de quarto, melhor amigo, estava muito ausente com as aulas de medicina.
Era tarde de terça-feira, eu jazia sentado no sofá folheando um gibi de Marvel. James estudava na casa de Emily e Sirius estudava calculo na mesa da sala de jantar.
Vi um jornal sob a mesa, comecei a folheá-lo distraído, eu sempre parava na sessão de esportes, checar os resultados dos jogos era algo quase que não me exigia pensar. Um artigo me chamou atenção.
- Sirius?
- Hum? – Ele ergueu a cabeça. – Sim, Peter?
- Está fazendo o quê? – Eu perguntei já sabendo a responda. Era patético, mas eu sentia a necessidade de conversar com ele.
- Er... – Ele ergueu uma sobrancelha, provavelmente, internamente, ele de questionava sobre meu Q.I. – Estudando?
- Eu sei disso. – Tentei deixar claro que eu não era tão idiota assim. – Eu quero dizer, porque você não vai escalar uma montanha?
- Ein? – Fez uma careta.
- É, porque você não vai participar disso. – Apontei para o jornal.
Relutante, Sirius foi até onde eu estava e leu o anuncio de uma equipe de corridas de aventura. Um sorriso malicioso se abriu, fiquei feliz por ter uma utilidade.
- Ah, é uma ótima idéia. – Agora ele tinha um sorriso "eu tenho trinta e dois dentes". – Sempre quis escalar uma montanha e, de qualquer forma, isso me distrairá, preciso tirar coisas da minha cabeça. Obrigado, Peter, você é um anjo! Cara, eu te amo, não sei o que faria sem você. – Ele me abraçou rindo.
- Conversa gay. – Revirei os olhos rindo.
Sirius Black
Já era o final de tarde de terça-feira, eu ainda estava triste com a morte de minha bisavó, vez por outra, em minha mente, surgiam lembranças da minha infância, aquilo doía muito. Como se não bastasse, minha mente me trazia outros pensamentos, também difíceis de lidar e de ignorar. Eu achava que estava me apaixonando, isso não era absolutamente nada normal, portanto, eu precisava desenfiar a idéia absurda da minha cabeça.
Com a sugestão de Peter, peguei o carro e fui até a agência, iria me inscrever para o time. Ia ser muito difícil, afinal, só havia uma vaga disponível para a equipe de seis componentes, mas não custava tentar. Preenchi os meus dados na ficha e peguei alguns folhetos, caso a idéia de entrar para o time não desse certo, eu teria outras coisas para me ocupar. Andar de patins e escalar o prédio já era atividade manjada.
Para o teste, eu precisaria saber nadar em mar aberto, andar bem de bicicleta, correr longas distâncias, rapel e outras coisas, nada muito difícil, pois eu já havia praticado todas elas, exceto, escalar uma montanha coberta de neve. Isso me pareceu muito bom.
Fui a uma loja de esportes e comprei algumas coisas que me seriam úteis, depois fui até um fast-food jantar. Em casa, organizei um horário para dar conta das matérias da faculdade e dos treinamentos, fiquei satisfeito, eu não teria tempo para ficar mofando no apartamento, conseqüentemente, pensando em coisas indevidas, mas, ainda assim, ainda teria tempo para sair com os amigos e pegar algumas garotas.
Na manhã seguinte, James acordou com um sorriso bobo nos lábios, revirei os olhos, pois isso fazia me lembrar do meu problema, aparentemente, eu não ia conseguir adiar isso por muito tempo, uma hora ou outra, eu teria que enfrentar a verdade comigo mesmo.
- O amor é lindo – eu ri enquanto me levantava.
- Cara, eu a amo demais.
- Quero ser o padrinho. – Eu comentei, na verdade, era uma exigência.
- Claro que será! – O sorriso dele ficou mais largo, então, ele realmente pensava em se casar. – Então, como você está?
Eu parei um pouco e olhei para mim. Não era óbvio?
- De cueca Box preta? – Ergui uma sobrancelha.
- Tudo bem - ele revirou os olhos. – Vou considerar isso como um "estou melhorando".
- Arrã.
Desliguei-me um pouco, distraído arrumando meu material da faculdade e uma mochila para ir nadar no clube. Seria relaxante e útil. Não demorei no banho, tão pouco me arrumando, logo eu estava tomando café-da-manhã, com os outros.
Jogamos conversa fora, besteiras, políticas, sobre a faculdade. James e Remus saíram logo, queriam encontrar com suas namoradas antes da aula. Isso me lembrou que eu estava na seca e de meus pensamentos proibidos. Peter não iria a aula, novamente, tranquei a porta e fiquei esperando o elevador.
O barulho me fez entrar na cabine, apertei o botão térreo e a porta do apartamento da frente se abriu, era Luma. A reação educada seria segurar a porta do elevador para que ela entrasse, mas eu simplesmente ignorei que ela estava ali e deixei a porta fechar na cara dela, o pouco que pude ver foi uma expressão incrédula.
Fiquei com remorso por ter Sido tão rude, mas era melhor daquela forma. Larguei minhas bolsas no banco do carona do carro e dirigi velozmente até Hogwarts para que eu não pudesse oferecer-lhe uma carona. Outro remorso, ela teria um carro se não fosse por mim. Passei toda a manhã me escondendo, era uma atitude ridícula e completamente desprezível. Ao toque do sinal da última aula, peguei minhas coisas me despedindo velozmente antes que qualquer um pudesse me ver.
Passei a tarde nadando, esquecendo completamente da realidade.
N/A:
olha só, a inutil da autora por aqui. gente, demorei, mas postei. é que a vida tá uma loucur, a faculdade me consumindo todos os neurônios e outras muitas coisas.
espero que gostem e comentem, afinal, este é o combustivel para as postagens sabiam? desculpem se há erros, mas nunca fui a pessoa mais fã de português e encontro-me sem uma beta disponivel.
beijos, comentem.
Jeh
