Capitulo 2: Pensamentos Perturbados

Posso passar anos presa sobre este amor...

Posso viver sem ter o que realmente desejo...

Mas meu corpo sempre irá clamar pelo dele...

Aquele que me ensinou a amar... Me fez feliz... Me fez viver...



O sol daquela manhã quente passou pelas cortinas vermelhas, iluminando o dormitório com a sua luz alaranjada.

Gina soltou um bocejo no momento que o facho de luz lhe cobriu o rosto, obrigando-a a virar para o outro lado.

Pelo barulho, pôde ver que as colegas de quarto começavam a se arrumar, para encararem um novo dia.

- Dani, me passa o batom que esta aí ao seu lado. – uma delas falou com a voz fina e irritante que ecoou na cabeça da ruiva, fazendo-a latejar.

Com um resmungo pegou o travesseiro e tapou a cabeça, de modo que as vozes fossem abafadas.

Foi então que sentiu um tapa em sua bunda.

- Ei. – reclamou com os cabelos em frente ao seu rosto, em desalinho.

- Hora de acordar dorminhoca. – Naty chamou-a, antes de se jogar na cama e cair em cima dela, rindo.

Gina sorriu e empurrou a amiga pro lado, sentando-se e jogando o cabelo ruivos pra trás.

- Naty se você prezasse sua vida saberia que eu odeio ser acordada antes das... – olhou para o relógio – seis e meia da manhã.

A morena voltou a rir e levantou-se da cama, indo em direção ao banheiro.

- Desculpe, querida. Mas eu prezo a minha vida, mas se você se esqueceu... – entrou dentro do boxe – Hoje é um grande dia. – e assim ligou o chuveiro e começou a cantarolar.

"Grande dia?" Gina pensou franzindo o cenho e jogando as cobertas no chão.

Andou até a janela e abriu as cortinas. O céu estava num tom de azul profundo. As árvores balançavam graciosamente em conjunto com as nuvens brancas. O sol brilhava como uma grande bola de fogo, dando várias cores vivas às flores silvestres e ao gramado verde. Fitou as águas do lago e sorriu.

Sim aquele dia seria muito belo, e agradecia a Deus por sua primeira aula ser de herbologia, em conjunto com o sexto ano da Grifinória.

Estremeceu ao se lembrar que teria que ficar perto de Harry já logo de manhã.

Sem que percebesse respirou fundo e fechou os olhos, logo começou a cantar uma música, baixinho e sua voz doce começando a circular pelo quarto. Logo, todas as meninas antes que falavam histericamente se calaram e olharam para a ruiva na janela que cantava alegremente.

- Touch my tears with your lips. Touch my word with your fingertips. And we can have forever. And we can love forever. Forever is ours today.

Algumas meninas que se encontravam em pé sentaram-se na cama, outras desligaram o chuveiro e colocaram a cabeça pra fora do box, para apreciar a bela voz que entrava em seus ouvidos como se fosse uma canção de uma fênix, as tranqüilizando.

Quando Gina abriu os olhos pôde ver pelo reflexo da janela todas as garotas a olhando, no mesmo instante seu rosto ruborizou.

Foi virando-se devagar, fazendo seu coração bater mais rápido a cada movimento.

Quando ficou totalmente de frente, viajou seus olhos pelo quarto, fitando cada menina que se encontravam atônitas.

- Nossa... – uma murmurou com os olhos esbugalhados – Você canta muito bem, Weasley.

A ruiva corou mais ainda, chegando a um tom de vermelho mais forte do que os próprios cabelos.

- O... Obrigada! – murmurou baixinho, pegando a sua toalha dentro do armário e correndo para o banheiro o mais rápido que pode.

Olhou para o relógio em seu pulso mais uma vez e suspirou frustrado ao se deparar que ela estava atrasada há quase meia hora.

Se continuasse assim, iria perder o café da manhã e seu estômago já estava dando sintomas de fome.

Passando a mão pelos cabelos negros, Harry fixou seus olhos nas cinzas crispadas da lareira a sua frente, e a lembrança dele e Gina deitados naquele sofá quase se beijando veio à tona, fazendo-o estremecer.

- Pare com isso. – censurou-se pela quarta vez naquele dia.

Havia Acordara suado e a respiração pesada naquele dia. No sonho que tivera, uma dama de vermelho vinha em sua direção, os cabelos balançavam em sintonia com a brisa fria daquela noite iluminada pelo forte esplendor prateado da Lua. Os olhos cor de mel brilhavam como estrelas e o rosto de pele alva fazia um contraste perfeito com os lábios vermelhos que se encontravam curvados num sorriso sexy. Não podia muito bem dizer quem ela era, já que o rosto estava tapado com uma fina máscara também vermelha que cobria os olhos e ia até à ponta do nariz.

Harry fechou os olhos e tacou a cabeça para trás, encostando-se ao sofá e relaxando o corpo.

A jovem, vinha em sua direção com passos delicados, o corpo movendo-se em movimentos sensuais junto aos seus gestos insinuantes. A barra do vestido também era balançada com leveza e mostrava com perfeição uma das pernas bem torneadas da jovem, que estava exposta por uma fenda que o deixou sem fôlego.

Ele ia falar alguma coisa, só que ela o impediu, levando os dedos delicados até seus lábios, para logo em seguida, com a pontinha destes, delinear a sua cicatriz.

Com um gesto inesperado, ela lhe deu um beijo ardente o fazendo se sentir no paraíso. Foi como se um furação o atingisse com violência e o levasse para um recanto de sentimentos e sensações arrebatadoras no fundo do mar, o fazendo enlouquecer. Apertou-a de encontro ao próprio corpo e o calor da jovem misturou-se com o seu. Com um giro de corpo, ele encostou-a no tronco de uma árvore e prensou o corpo delicado e perfeito contra o seu, que estava ardente de desejo.

Nunca havia se sentido daquela forma. Impulsos e desejos pareciam ter o consumido por inteiro não lhe dando a chance de pensar, ou tentar trazer a sensatez novamente para a sua cabeça. Tudo rodopiava e apertava a jovem cada vez mais entre seus braços, temendo perdê-la. As línguas se enroscavam numa dança sensual, parecendo famintas uma pela outra, prontas para, a qualquer minuto, se fundirem.

Suas mãos viajavam pelo corpo da jovem, que gemia baixinho entre o beijo que ficava cada vez mais ardente. Ele estava pronto para começar a acariciá-la de forma mais ousada quando uma fortíssima rajada de vento bateu contra seu corpo, fazendo-o quebrar o contato dos lábios e baixar a cabeça de modo que pudesse proteger seus olhos da poeira. Porém, quando voltou a abrir os olhos a única coisa que se deparou a sua frente fora o tronco da árvore. Olhou ao redor e não viu ninguém, a dama sumira e agora estava sozinho nos jardins. E foi no momento que levou a mão aos lábios inchados que acordou.

- Foi só um sonho. Nada demais. – disse a si mesmo, abrindo os olhos e fitando o teto do Salão Comunal. – Mas pareceu tão real...

Seu coração batia acelerado e seu corpo tremia levemente. As sensações que sentiu com aquela dama misteriosa em seus braços foram maravilhosas, ela era tão delicada, meiga e os lábios... Lábios que o fizeram delirar como nunca. Infelizmente não fora capaz de lhe desvendar o semblante, já que estava escondido pela máscara. Mas uma coisa que nunca esqueceria dela era o toque tão meigo, dos dedos finos em sua cicatriz e o sabor doce dos lábios.

Chacoalhou a cabeça no momento que vozes de um grupo de garotas ecoou ao redor. Levantou-se do sofá em um pulo, e andou até as escadas, se deparando com as garotas do mesmo ano que Gina que, para seu azar, não estava entre elas.

- Olá meninas. – disse formal subindo um degrau das escadas e se juntando ao grupo. Sorriu satisfeito ao ver que elas calaram-se no mesmo instante que escutaram sua voz e assim o fitaram com olhares quase famintos.

- Olá, Harry... – disse num tom meloso uma oriental, descendo um degrau e fazendo os rostos ficarem próximos. – Em que podemos ajudá-lo? – e com um gesto insinuante levou a mão até o tórax dele e deslizou suavemente até o cinto da calça.

Harry cerrou os olhos e deu um passo para trás, quebrando o contato. Colocando os braços em frente ao peito e observou a garota que passava a ponta da língua pelos lábios vermelhos.

Realmente ela era bonita, concluiu. Os cabelos negros curtos caiam sobre os ombros, os olhos grandes e cinzentos davam um ar misterioso, e as pernas expostas graça à curtíssima saia e a blusa desabotoada dando a quem quisesse ver a visão da tentadora curva dos seios firmes, dificultava alguma alma masculina resistir.

Porem aquilo não o atraia e sim lhe dava repugnância. Era incrível como aquele tipo de garotas podia se rebaixar a tanto.

Respirando fundo para manter a paciência, disse num tom seco:

- Eu gostaria de saber se a Gina vai demorar muito para descer?

As garotas fizeram uma careta e trocaram olhares que o deixou ainda mais aborrecido.

- Ah Harry por que você quer saber daquela Weasley? – uma outra garota perguntou num tom de voz arrastado dizendo a ultima palavra como se fosse um, xingamento – Nós aqui somos muito mais interessantes. – as outras concordaram.

- É mesmo. – a oriental voltou a falar, passando a mão pelos cabelos que caíram entre a curva dos seios – O que você viu naquela coisinha de cabeça vermelha, sem graça?

Um ódio arrebatador o atingiu em cheio, como se tivesse sido trazida pela brisa quente daquela manhã, o consumindo por inteiro. Cerrou os punhos com força e seus olhos, escondidos atrás das mexas negras de seu cabelo, faiscavam como se fossem capazes de explodir qualquer coisa naquele momento.

Seu coração batia descompassado, fazendo o seu sangue correr cada vez mais rápido entre suas veias, o obrigando a respirar várias vezes para manter a calma.

Então, colocando a mãos dentro do bolso do casaco e fazendo a cara mais sexy que podia, foi até a oriental que sorria de orelha a orelha, mas o sorriso logo apagou quando disse com um tom de voz calmo, mas perigosamente ameaçador:

- O que eu vejo na Gina? – disse com um sorriso sarcástico nos lábios, deixando-o ainda mais belo – Simples! Vejo que você não chega aos pés dela. Vejo que você é uma garota do tipo que eu posso beijar quando eu quiser e te largar ao vento, pois é tão fácil, que garoto qualquer é capaz de pegar. Sei também que nenhuma de vocês aqui se preocupam em se dar ao respeito. – chegou mais perto, quase tocando o seu nariz com o da oriental que tinha os olhos cerrados em fúria, assim como as outras garotas atrás dela – A Gina é minha melhor amiga, e gosto dela do jeito que ela é. Ela não precisa ficar mostrando o corpo para chamar a atenção, já que é bela tanto fisicamente como na alma. Ela é doce e delicada e muitos outros adjetivos... Mas acho que uma garota da sua capacidade mental nunca entenderia isso, não é mesmo? – olhou para cada uma das garotas, como se fosse perfurá-las.

A oriental o fuzilou com os olhos e dando mais um passo a frente, respondeu com o queixo erguido:

- Então é verdade... – vendo que ele não havia entendido continuou – Que você e a Weasley estão namorando.

Harry abriu a boca para responder a altura, quando uma voz doce vinda do alto das escadas tomou a sua frente:

- Se eu e ele namoramos isso não é da sua conta, Sayuri.

Tanto como Harry, as meninas olharam para a direção que viera a voz misteriosa e se depararam com uma certa ruiva que vinha descendo cada degrau da escadaria com calma.

Harry teve que segurar o fôlego para segurar um gemido de satisfação ao ver Gina aparecer no alto da escada, seus olhos se esbugalharam ao ver como ela estava diferente naquela manhã e incrivelmente... Linda.

Olhou-a de baixo para cima, querendo gravar cada detalhe, foi subindo os olhos pelas pernas bem torneadas que sempre foram escondidas pela saia longa, que desta vez estava curta, acima do joelho. A camiseta branca tinha o primeiro e o último botão desabotoados de modo que a silhueta fina e delgada ficasse amostra assim como o tamanho perfeito dos seios firmes que estavam cobertos pelos cabelos ruivos molhados. O pescoço de pele delicada estava com um leve cordão de couro negro dando um toque quase selvagem a ela.

E quando seus olhos verdes se encontraram com os, cor de mel dela, foi como se uma onda violenta o arrebatasse e o levasse para um recanto desconhecido do mar, até então. Um recanto alucinante que o fazia suar frio e seu coração acelerar.

Os cabelos moldavam com perfeição o rosto de boneca e os lábios cor de cereja, que continham um leve brilho, estavam curvados num sorriso perigoso, como se fosse um convite tentador para serem capturados num beijo ardente.

E quando ela se colocou ao seu lado, sentiu todo os pelos de seu corpo ficarem arrepiados, assim como seus sentidos quando aspirou o perfume doce dela, que se espalhou pela atmosfera tensa.

Gina ainda sorrindo, pegou sua mão e entrelaçou os dedos numa forma carinhosa que começou a queimar como se estivesse sendo mergulhada em água fervente.

- Sabe Sayuri, até hoje eu acho impressionante que você não tenha arranjado um namorado. – Harry arregalou os olhos e abaixou a cabeça, tapando a boca com a mão para segurar uma gargalhada. Se tivesse alguém na face da Terra que sabia como se livrar de momentos complicados usando somente a inteligência e as palavras, essa pessoa era Gina. – Por que você é uma menina bonita que todos os garotos gostariam de ter ao seu lado. – ela olhou para o seu lado, encontrando os olhos verdes de Harry que a fitavam com uma intensidade como se fosse capaz de ler sua alma – Não é verdade, querido? – perguntou, frisando a ultima palavra.

Ainda tentando controlar a alta risada ele a abraçou por trás, colocando o queixo sobre o pescoço dela e falou com desdém:

- Oh sim. Com certeza... – Gina sorriu pelo canto dos lábios numa forma de cumplicidade, tentando ignorar os arrepios que serpenteavam o seu corpo, graças à pesada respiração de Harry em seu pescoço. Voltando a encarar os olhos cinzentos da japonesa, continuou:

- Olha Sayuri vou te deixar uma coisa bem clara e quero que preste bem atenção, pois não irei mais repeti-la. – agora a voz saía perigosa, como uma cobra pronta para dar o seu bote – Não se meta mais na minha vida e muito menos na vida do Harry. O que fazemos é de nossos interesse e não do seu. – ela deu um passe à frente se desvencilhando dos braços do amigo em sua cintura – E se eu vir você novamente dando em cima do meu namorado... – engoliu a risada ao se dar de conta da mentira que estava contando – Você vai se arrepender de ter nascido. – pode ver que a oriental havia cerrado os punhos com força – Porque eu o vejo como um ser humano, como um garoto lindo e atraente de dezesseis anos e não como o menino que sobreviveu – ironizou, fazendo um gesto impaciente com as mãos.

Harry sorriu abertamente revelando os dentes brancos e perfeitos. Uma enorme alegria aqueceu seu coração. Sempre soube que Gina o via como um garoto normal, mas nunca a ouvira falar nada disso abertamente. E naquele momento a vendo o proteger daquela forma tão perigosa, fazia-o ter certeza que não existia ninguém melhor que ela. Como um flash, os momentos que viveu com aquela ruivinha vieram à tona em sua mente; lembrou-se que fora com ela que desabafara realmente sobre o assunto delicado da morte de seus pais. Fora com ela que compartilhou o primeiro sorriso depois de descobrir que Siríus estava desaparecido desde o ano passado. Com ela que compartilhou sua detenção no começo do ano, ao serem pegos jogando bomba de bosta na porta da sala do professor de poções. E acima de tudo, foi aquela ruivinha que o fez se sentir vivo, lhe permitindo que chorasse em seu ombro. Em todos os momentos difíceis de sua vida, ela estava ao seu lado, e era eternamente grato a isso.

Suspirando, voltou a dar atenção as palavras da melhor amiga.

-... eu o vejo muito mais que isso. Ele é uma pessoa que sei que não poderia viver sem sua presença. Você não sabe como é maravilhoso para mim, acordar de manhã e ser presenteada com um sorriso verdadeiro que Harry sempre me dá, ou até mesmo um beijo de boa noite. Sem ele na minha vida, eu não seria o que sou hoje, sem ele eu simplesmente poderia deixar de viver, pois minha vida não iria ter sentido. – respirou fundo para tomar fôlego. Sabia que Harry estava bem atrás de si e sentia o poder aquecedor do olhar dele em suas costas, aquecendo-a até a alma e fazendo seu coração bater cada vez mais rápido. Suas palavras estavam saindo de sua boca de uma forma que não conseguia pará-las. Palavras vindas do recanto mais profundo de seu coração, que gritavam para serem libertadas. – Já você, o vê como um herói, e isso só mostra quanto baixa é, que só se preocupa com a fama, popularidade. Tenho certeza Sayuri que um dia você vai cair com a cara no chão e abrir esses olhos e ver que a ambição não é a única coisa que realmente importa nessa vida. Você acha que elas... – apontou para cada uma das colegas que estavam no alto da escada a fitando com os braços cruzados – São suas amigas verdadeiras? Pois eu lhe digo, não são, pois como você, são ambiciosas que só se importam com a própria imagem. E você vai ver que quando elas conseguirem andar com as próprias pernas e não será preciso ficarem se escondendo atrás de você como sombras, você irá ver o quão idiota foi ao confiar nesses vermes sanguessugas. – dando a volta nos calcanhares, abraçou Harry pela cintura e se encaminhou até a porta do Salão Comunal, mas antes de passar pela porta deste, deixou uma frase no ar, encarando a jovem por cima dos ombros – Lembre-se Sayuri, às vezes vemos um mundo ao nosso redor como desejamos que ele seja, tapando os nossos olhos e não nos dando a permissão de ver o que realmente está ao nosso redor. – olhou para Harry e sorriu. – Eu pelo menos sei o que me rodeia e tenho um profundo orgulho de ser o que sou e de ter o que tenho. E o Harry... – sorriu para a oriental – É meu. – e saiu pelo retrato da mulher gorda com um sorriso vitorioso estampado nos lábios.

O quadro foi se fechando lentamente, enquanto eles continuavam a caminhar, e quando este finalmente se fechou, não fora o bastante para que se separassem. Continuavam andando abraçados pelo longo corredor vazio, sentindo aquela sensação maravilhosa os invadirem.

Harry tinha uma das mãos na cintura de Gina num jeito como se não fosse mais soltá-la. Tinha medo de respirar e assim sentir o aroma doce e embriagador dela e com isso, um impulso tomar conta de seu corpo e encostá-la na parede e saborear-lhe os lábios tão provocantes.

"Pare já com isso" Censurou-se mentalmente, ao perceber que certos pensamentos começavam a fluir em sua cabeça, fazendo-o engolir em seco.

- Você esta bem? – Gina perguntou de repente o pegando de surpresa. A ruiva parou de andar e o fitou com uma das sobrancelhas levantadas.

Gina não se sentia diferente quanto ele. Às vezes era obrigada a morder o lábio inferior para que de sua garganta não saísse um gemido; tinha a cabeça quase encostada ao peito de Harry e o perfume cítrico desprendia-se do corpo másculo penetrando em seu corpo a fazendo quase cair no chão graças a suas pernas que bambeavam algumas vezes. Deixando-a tonta. E naquele momento, seu grande erro fora olhá-lo e encarar aqueles olhos verdes feiticeiros que tantas vezes havia mergulhado, como se fossem águas profundas. Os rostos estavam próximos, lábios entreabertos de modo que podiam sentir o hálito quente um do outro junto com as respirações amenas.

- Estou. – Harry disse baixinho ainda a fitando intensamente.

Um arrepio percorreu sua espinha, as íris claras dele tinham um brilho diferente que, pela primeira vez, não conseguia definir o que estavam querendo dizer.

Segurou a respiração no momento que o viu fixar os olhos em seus lábios e sorrir pelo canto da boca.

Harry estava fervendo por dentro, como se o tivessem jogado dentro de um vulcão que logo entraria em erupção, em poucos minutos, ele sabia, não seria mais capaz de se segurar e iria começar a dar ouvidos aos seus desejos e impulsos, que era de ter aquela ruiva em seus braços.

Num gesto que chegou a surpreender a si mesmo, virou-se para a amiga e levou uma de suas mãos ao rosto delicado e levemente corado dela.

E como se sua voz tivesse vida própria disse, rouco:

- É bom eu te avisar desde já... – aproximou os rostos, sentindo uma corrente de excitação percorrer por todo o seu corpo – Que você irá ao baile comigo.

Gina arregalou os olhos e um baixo grito escapou pelos seus lábios fazendo-a sentir-se desconcertada.

"Ele tá me convidando para o baile?" Pensou. Aquilo soava como música para os seus ouvidos e por alguns instantes temeu que estivesse dentro de um sonho. Seu coração acelerou e sua mochila escorreu pelo seu ombro para logo se chocar com o chão e assim, fazer que várias folhas e alguns cadernos se espalhassem ao redor deles.

Acordando do transe tentou disfarçar dando algumas risadas e se abaixando para pegar seu material.

- Você só pode estar louco.

Recusava-se a ser mais uma na lista interminável dele. Já sofrera o bastante nos últimos anos, e não iria se machucar novamente.

"Merlin, não sou masoquista" Disse consigo mesmo emburrada, começando a recolher seus livros, rápido e de uma maneira brusca.

Harry ficou a observando por um tempo; o jeito como os cabelos sedosos caiam sobre o rosto corado, os lábios se movendo dizendo coisas indecifráveis, as sobrancelhas cerradas e o corpo se movendo em gestos graciosos.

Céus! Ela era encantadora mesmo quando emburrada, pensou achando graça ao vê-la quase entrando num colapso quando tentava enfiar um de seus cadernos dentro da mochila.

- Ei ruiva. Vai com calma. – falou rindo, agachando-se ao lado dela fazendo que seus braços se roçassem levemente – Vai rasgar as folhas dos cadernos assim. – e começou a ajudá-la a guardas as coisas, antes que a jovem pudesse ficar ainda mais estressada – Por que te incomoda tanto a possibilidade de ir comigo ao baile, Gi?

Respirando fundo, a ruiva ergueu a cabeça e o fitou.

- Não me incomoda. – mentiu – Só acho que você pode ir com alguém mais interessante. – e voltou ao que fazia.

Harry riu e colocou a mão no ombro dela, de modo que a fizesse voltar a encará-lo e parasse de recolher as coisas. Com um tom de voz doce, ele disse, ao pé do ouvido da amiga:

- E quem mais seria interessante do que ir com a pessoa que me ama?

Gina engoliu em seco e sentiu que seu ombro começava a arder, graças ao forte calor da mão de Harry que começava a incendiá-la por inteiro, como chamas que haviam ocupado o seu sangue e corriam por todo o seu corpo.

Respirando fundo, colocou uma mexa ruiva atrás da orelha e esticou o braço para pegar um caderno preto no mesmo instante que Harry também o fez, tocando em sua mão por cima.

- Potter... – começou entre os dentes, tentando ignorar o carinho que ele fazia em sua palma com o polegar – Entenda uma coisa – encarou-o fundo nos olhos e pode perceber que a distância entre eles estava ainda mais curta – Eu te odeio. – ele riu e entrelaçou seus dedos com os dela.

- Não! Você me ama. – afirmou, sentindo o calor dela passar como uma corrente elétrica pelo seu corpo o arrepiando. Um desejo carnal o invadiu como uma onda violenta, fazendo-o ter uma vontade avassaladora de comprovar se toda a pele dela era tão quente e macia, como a mão delicada mostrava ser.

- Você é impossível. – Gina argumentou quebrando o contato dos corpos e pegando o seu caderno num gesto brusco e o abraçando com força sobre o peito, como se sua vida dependesse daquilo.

- Irresistível. – Harry a corrigiu, sorrindo ainda mais e se levantando junto com ela. Agradecia aos deuses pelo último verão ter crescido, dando-lhe a chance de chegar à mesma altura que Rony e agora ser obrigado a inclinar um pouco a cabeça para baixo e assim poder encarar a melhor amiga que o olhava séria naquele momento. Gina também não era nem um pouco baixa, correu os olhos pelo corpo dela e contrastou que os um e sessenta e cinco eram bem distribuídos.

Ela bufou.

- Você é um idiota, desgraçado, convencido e...- ele a interrompeu rindo, achando graça no rosto dela ficando cada vez mais vermelho na medida que ia o xingando.

- Sexy, gostoso, sensual? – a ruiva o fuzilou com os olhos, antes de dar a volta nos calcanhares e começar a andar em direção aos jardins, para ter sua aula que começaria em poucos minutos.

- Ei, pera aí Gi! – escutou Harry a chamar no momento que virou o corredor. Sem olhar para trás falou, irônica:

- Vai pra sua aula Potter, e tente dessa vez pensar com a cabeça de cima. – crispou os lábios tentando ignorar o aperto em seu peito que começava a sufocá-la.

Por que ele brincava daquela maneira com ela? Era tão burro ao ponto de não perceber que o amava mais a cada dia, que seu corpo e seus lábios clamavam pelo seu toque.

Respirou fundo e passou a mão pelos cabelos. Já tinha quinze anos e estava na hora de começar a olhar para a frente e não cutucar mais o passado que tanto a fizera sofrer, chorar. Lágrimas que não valeram a pena serem derramadas.

Mas ainda era duro olhar para ele e ver que em seus olhos só havia como uma simples amiga, a quem confiava seus maiores segredos... Mas ela queria não só seus desabafos, mas sim seu coração. Sua alma.

As lágrimas começavam a sufocar sua garganta e Gina teve que engoli-las para não começar a dar sintomas da antiga garota que um dia se submeteu a ser. E agora, sentia vergonha de saber que no passado fora tão fraca e ingênua. Mas de certa forma fora forte também, pois, não era qualquer um que com apenas onze anos de idade conseguiria sobreviver a alguma maldição lançada pelo bruxo mais temido de todos os tempos. Sorriu orgulhosa. Se naquela época a coragem que tinha em seu coração a ajudou a sobreviver, nos tempos presentes ela não queria nem pensar no que seria capaz de fazer.

Continuou andando, mergulhada em seus pensamentos, sentido a brisa fria tocar em seu rosto parecendo que era capaz de levar embora todos os seus problemas.

Então para a sua surpresa, pôde sentir uma mão firme e quente segurar seu braço num toque gentil, mas firme. E aquilo a fez estremecer. A mão forte e puxou para trás, de modo que ficasse encostada na parede e a frieza desta fizesse um arrepio percorrer seu corpo.

Harry colocou os braços, um de cada lado de sua cintura não lhe dando a chance de poder fugir.

Gina virou o rosto no mesmo instante que ele os aproximou. Tinha medo de encará-lo, perder o controlo e assim fazer uma loucura.

- Não tão rápido, mocinha. – ele falou brincalhão, deslizando sua mão pelo braço dela, até a curva alva do pescoço, fazendo um rastro de fogo – Gina olhe para mim. – pediu, ao ver que os olhos dela estavam fixos em algum ponto atrás de si – Por favor. – pediu num tom mais doce, sabia que quando pedia alguma coisa daquela maneira ela não resistia. Segurou a pontinha do queixo dela e virou-lhe o rosto para si, esperou alguns instantes para ela finalmente mover seus olhos para suas íris esverdeadas, que brilhavam intensamente naquela manha ensolarada.

- Fala logo, não tenho o dia todo. – Gina falou grossa, tentando controlar as lágrimas que teimavam em escorrer pelo seu rosto.

Harry a observou bem, de modo como se fosse capaz de ler a alma da jovem. Sentiu um aperto no coração como se ele houvesse parado de bater, no momento que viu os olhos da amiga húmidos. Franziu o cenho não entendendo a atitude dela.

Acariciando o rosto de porcelana com o polegar voltou a pedir:

- Vá ao baile comigo.

- Não! – ela respondeu sem hesitar, como se aquela proposta fosse a coisa mais absurda que já ouvira em toda sua vida. Revirando os olhos e soltando o ar com força pela boca voltou a fitar a janela.

Pôde ver que o tempo já começava a ficar ainda mais claro. As nuvens brancas se aproximavam cada vez mais do castelo, tapando o tom de azul profundo do céu, graças à ventania que começava a ficar cada vez mais forte. As folhas secas e coloridas circulavam pelo ar como se estivessem dançando e com delicadeza caiam sobre o lago que fazia formas circulares em sua superfície cristalina.

Teve que cerrar os punhos com força para segurar um grito quando uma nuvem tapou os raios de sol, deixando o corredor escuro.

- Gi. – Harry disse com delicadeza. Ela sentiu um arrepio percorrer a sua espinha ao contrastar que tanto como seus corpos, os rostos também estavam mais próximos. – Não irei levá-la para a Sala Restrita. – disse divertido.

"Mas é isso que eu desejo" Ela pensou, suspirando fundo e passando a mão pelos cabelos fazendo que uma cascata de fogo caísse sobre seu rosto.

Sabia perfeitamente o que acontecia dentro daquela Sala e só de imaginar que ele havia compartilhado momentos tão íntimos com aquelas garotas tão repugnantes, seu coração apertava em seu peito.

Harry a conhecia muito bem e sabia que qualquer passo falso que desse ele iria poder perceber que algo estava errado.

Tomando coragem o encarou e dando um grande sorriso falso, lhe acariciou o rosto e disse brincalhona:

- Ora, Harry, agora você acabou com todas as minhas esperanças. – fez um biquinho. Harry riu e entrou na brincadeira, enlaçando-a pela cintura e a rodopiando até que ela ficasse inclinada e suspensa a poucos centímetros do chão, em seus braços.

- Mas se você quiser isso eu posso resolver agora mesmo, baby.

Gina também riu e lhe deu um tapa no braço.

- Não seja ousado Harry Potter.

Harry voltou a colocá-la em pé num gesto rápido, fazendo-os quase cair no chão. Teve que fazer um esforço enorme para não seguir com os olhos, os fios vermelhos que entravam dentro da blusa dela caindo sobre a tentadora curva do busto farto.

- Tudo bem. - ele engoliu em seco e olhou pro outro lado – Estou vendo que você não vai mesmo ao baile comigo. – ela confirmou com a cabeça – Mas ô ruiva teimosa você é. Por Merlin!

Gina sorriu e ajeitou melhor a alça da bolsa em seu ombro, antes de ir até o melhor amigo e lhe beijar a bochecha delicadamente, ainda mantendo o sorriso falso estampado no rosto, falou:

- Também te amo, baby. – por alguma razão as palavras não saíram da forma irônica como desejara, mas sim como se fosse quase uma declaração, e aquilo a fez se sentir mais leve. Foi como se o peso do mundo tivesse saído de cima de si, lhe dando a permissão de voltar a respirar com mais facilidade. Deu a volta nos calcanhares e começou a caminhar até os jardins com passos rápidos, para impedir que Harry visse seu rosto corado.

Ele havia lhe olhado espantado quando a escutara dizer aquilo, e pela sua fisionomia Gina pode entender que o tom suave não fora somente percebido por ela.

"Sua burra" Censurou-se bruscamente, sentindo novas lágrimas começarem a embaçar sua visão. Por que tinha que se sentir tão vulnerável ao lado dele?

Ela não era a única garota que tinha reparado nas mudanças que Harry havia tido nos últimos anos.

Reparou com mais intensidade do que queria na boca dele, em suas mãos firmes que ao seu toque uma mulher viria a enlouquecer, seu pescoço e na linha do maxilar. E graças ao Quadribol ele estava com um corpo incrível. Tinha que admitir que Harry não era excepcionalmente alto, mas era esguio, tinha músculos rijos e se movia com passos confiantes e relaxados. E aquilo parecia fazer enlouquecer a população feminina de Hogwarts.

Agora... O que uma ruiva, sem graça, que não era vaidosa, possuía um jeito um pouco masculino – graças à convivência com os irmãos, principalmente vinda dos gêmeos – e que vivia se escondendo por de baixo das vestes escuras, poderia vir a interessar a algum rapaz? Tinha tido um caso passageiro com Michael e Dino no começo do ano, mas nada que pudesse se transformar em algo sério. Suas únicas amigas eram Natalie, May, Mione e Luna, já que era bastante conhecida pela população masculina onde sempre estava entre eles em alguma roda, sendo como de costume, o centro das atenções, já que era a única menina; alegre e engraçada que todos em sua volta sempre riam e sentiam-se relaxados, mas nada, além disso. Os garotos não se sentiam atraídos e muito menos a achavam pelo menos, bonita.

Pelo menos, era isso que pensava...

Suspirou e passou de leve a língua pelos lábios, os umedecendo. Passou pela porta que levava aos jardins e levou a mão à frente de seus olhos para protegê-los dos fortes raios de sol.

"Então está na hora de mudar" As palavras de Natalie, ditas na noite passada ecoavam em sua cabeça a atormentado ainda mais, enquanto colocava o casaco.

Caminhou pelo jardim com a cabeça baixa, podia sentir o aroma das flores circulando pelo ar, seus cabelos balançando num ritmo calmo assim como as folhas secas das altas arvores que caiam sobre si como uma chuva de cores.

Fechou os olhos, sentindo aquela leve brisa tocar em seu corpo, na esperança que pudesse levar embora sua dor, solidão... Seu amor.

Não conseguindo controlar a própria voz, estufou o peito e uma melodia doce e bela saltou de sua garganta, ecoando pelos arredores do jardim:

- I dream about you to my side. But I only noticed that with you cannot be. I am not woman, but I am not also one more girl. – Sorrindo, aumentou o tom - Oh baby, look at me with other eyes. Come for me. I feel alone much. I want the heat of his body.

O vento tornou-se ainda mais feroz e sua saia balançou bruscamente.

Andou até uma arvore e encostou-se ao tronco desta, escutando o pio dos pássaros que voavam perto da floresta proibida.

Foi abaixando o tom de sua voz aos poucos até que sobrasse somente um suspiro fundo e triste. Olhou para baixo e ficou brincando com uma pedrinha, até que uma raiva a atingiu e a chutou com força, fazendo esta ir em direção ao lago e ficou observando-a a afundar aos poucos.

- E é assim que está indo a minha vida. Cada vez mais mergulhada em tristezas, não podendo impedi-las. – disse a si mesma.

- Isso não é verdade. – uma voz falou atrás de si, fazendo-a ter um sobressalto.

Gina virou a cabeça em direção a voz, assustada, mas relaxou ao contrastar que era a namorada de seu irmão, que vinha até ela com os braços cheios de livros.

- Você me assustou, Mi. – sorriu.

A morena também sorriu e se aproximou, parando ao seu lado e encostando-se na árvore para apreciar o lago e o sol que se refletia sobre a superfície deste.

- A aula vai começar daqui cinco minutos, você já deveria estar lá perto das estufas, não é mesmo? – a ruiva confirmou com a cabeça. – Já estão todos lá, até mesmo o Harry. – Mione observou bem a fisionomia abatida da amiga no momento que citou o nome do moreno – Ele estava preocupado com a sua demora e pediu pra eu vir aqui te buscar.

Gina deu uma risada forçada e revirou os olhos.

- Obrigada pela parte que me toca.

- Gi...- tocou-lhe com leveza no ombro – Você não pode continuar assim.

- Assim como?

Mione respirou fundo e soltou com força o ar pela boca. Voltou a olhar para o lago, com os olhos fixos na lula que se movia sobre as águas cristalinas.

- O Harry é um idiota. – começou, apertando os livros com mais força entre os dedos que começavam a ficar esbranquiçados – Gina, você tem que começar a pensar mais em si mesma. Nesses últimos dias, pude perceber, que o seu mundo só está girando em volta dele e que está te matando cada vez mais. Sua vida só esta mergulhando em um mar de tristezas, porque você esta permitindo isso.

A ruiva segurou a alça da bolsa com mais força e olhou para trás, a tempo de ver Harry conversando com várias garotas que faziam um círculo em volta dele.

Sentiu seu coração despedaçar ao vê-lo abraçar uma bela jovem e sussurrar algo em seu ouvido para logo vê-la corar loucamente.

- Eu não agüento mais. – disse se rendendo à mágoa que finalmente a possuiu e caindo ajoelhada no gramado, tapou o rosto com as mãos permitindo o que há muito tempo não fazia. Chorar. Chorar como uma criança perdida. Completamente sozinha.

As lágrimas caiam sobre seu rosto e penetravam sobre os lábios, chegando algumas vezes a sufocar. - Eu não agüento mais isso. – falou entre os soluços – Não consigo mais estar ao lado dele sem poder tocá-lo. Sem poder sentir o meu coração se apertar quando alguma menina chega perto dele. Sinto às vezes vontade de morrer, para ver se essa dor que sinto em meu peito desaparece. Não consigo mais suportar, toda vez que fecho meus olhos, eu o vejo; ou nos meus sonhos, ou ao meu lado... Em toda parte. É uma coisa que está me perseguindo e não me permite viver mais. – Gina destapou os olhos e as lágrimas escorreram por sua garganta, começando a molhar a sua blusa.

Sentia como se a coisa mais importante de sua vida estivesse escapando por entre seus dedos, para que logo uma ventania viesse e a jogasse dentro de um poço de águas profundas que não lhe davam o direito de respirar. As trevas pareciam a consumir como chamas negras aos poucos. Seu coração batia devagar e seus pulmões pareciam não conseguirem mais puxar o oxigênio. Seus olhos perderam o foco, para logo se encontrarem na perfeita escuridão. Seu corpo tremia como se fosse jogado ao encontro de lanças, ferindo-a, e a deixando jogada num canto como se fosse um nada, um ser insignificante que não merecia compaixão.

O que fizera para merecer tanto sofrimento? Era pecado agora amar alguém? Amar com cada fibra de seu ser, por cada batimento de seu coração, por cada suspiro.

- Oh Deus. – Mione disse chocada, jogando os livros no chão, se ajoelhou e abraçou a amiga com força, na tentativa de acalmá-la – Eu sabia que o que você sentia por ele era algo forte. Mas não tanto assim.

- Ele é como se fosse o meu coração. – Gina murmurou, limpando as lágrimas que ainda escorriam por seu semblante fazendo um rastro de tristeza, com as costas das mãos trêmulas – Sem ele não poderia viver.

- Não importa o tanto duro que seja, mas você tem somente duas escolhas a fazer, Gina, mesmo não sendo elas, de seu agrado – a ruiva ergueu a cabeça, de modo que pudesse fitar os olhos da amiga, que lhe sorria ternamente – Ou você levanta essa cabeça e começa a viver sua vida, e esquece o Harry definitivamente, ou, está na hora de você começar a agir, e mostrar a ele, não essa garota engraçada que esconde a sua beleza por debaixo dessas vestes escuras. – Mione pegou um pequeno lenço do bolso de seu casaco e o usou para limpar o caminho que as lagrimas fizeram pelo rosto da ruiva – Você não tem que somente mostrar a Harry o que realmente é, mas sim a todos do colégio. Mostre a eles, essa garota fantástica, bela e acima de tudo corajosa. Essa menina que eu conheço. – a abraçou – Vamos lá, eu estarei com você nessa. Nunca estará sozinha.

Gina sorriu e correspondeu o abraço, antes de colocar uma mexa de seu cabelo atrás da orelha.

- Obrigada Mi. – agradeceu, fungando e se levantando.

A morena pegou os seus livros esparramados do chão, e colocando eles em ordem alfabética os pegou, para logo se erguer.

- Mione, Gina! – elas escutaram alguém chamá-las ao longe.

Gina virou o rosto a tempo de ver Harry acenando para elas com um dos braços, enquanto com o outro segurava a cintura da mesma jovem que ela o vira sussurrar algo em seu ouvido, que o abraçava como se ele fosse um brinquedo novo, e temia que a qualquer minuto pudesse quebrar.

Gina fechou a cara e cerrou os punhos. Respirou fundo e ergueu o queixo.

- Vamos lá, Mione...- a amiga a olhou espantada, por causa do tom tão firme que a ruiva usara – Está na hora de mostrar ao Potter e aquelas garotas, que com uma Weasley não se brinca.

Mione riu, e colocando a mão dentro de suas vestes empunhou sua varinha e a apontou para o rosto de Gina.

- É assim que se fala, mas deixe-me arrumar essa sua cara que tá parecendo que foi pisoteada por um batalhão de hipogrifos. – e com aceno de varinha o rosto da jovem ficou perfeito; os olhos castanhos brilhavam, o caminho feito pelas lagrimas sumira, dando lugar ao rosto alvo dela, junto com os lábios cor de carmim que estavam curvados num sorriso meigo.

- Pronta? – Mione perguntou.

- Como sempre estive. – e rindo, colocou a mochila nas costas e começou a andar em direção ao grupo de alunos.

O vento balançava seus cabelos vermelhos num ritmo sensual junto com a bainha do casaco, que algumas vezes se afastava levemente, fazendo Harry perder o fôlego ao ter a visão tão encantadora das pernas dela.

A amiga vinha se aproximando dele, com passos, que de alguma maneira que ele já vira, mas não se lembrava aonde. Ela sorria, e aqueles lábios contorcidos a deixavam ainda mais bela. Os raios de sol davam várias cores de bronze aos cabelos cor de fogo, que caiam sobre os ombros como seda.

E no momento que ela se aproximou de si, lhe dando a chance de sentir o aroma doce dela. Harry jogou a garota a quem estava abraçado longe, para ficar ao lado da melhor amiga e a enlaçar pela cintura.

- Mais um pouco a senhorita iria perder a aula. – ela riu e também o abraçou, sentindo os músculos do abdômen definido se contorcerem aos seus dedos que o acariciavam levemente, num gesto ousado que não passou despercebido por Harry, que estava começando a sentir uma chuva de arrepios serpentear sua espinha.

- Obrigada pela preocupação, Harry. Mas como a aula é de Herbologia, não me preocupo de perdê-la, já que minhas notas são as melhores da turma. – se gabou orgulhosa, fazendo ele rir para descontrair. Harry achou adorável a expressão convencida no rosto dela.

- Ora, disso eu não duvido, mas da Mione você não passa.

Gina parou de andar e o fitou, com as mãos na cintura falou num tom brincalhão:

- Você está me subestimando? – apontou o dedo indicador para ele, que para a sua surpresa, pegou sua mão e beijou-lhe o pulso. Ele tinha a cabeça inclinada de modo que a olhava somente com um único olho, já que a outra metade do rosto as mexas negras o tampavam, dando-lhe um ar sensual.

Mas mesmo a fitando somente com um único olho amostra, ele ainda continha aquele poder arrebatador de fazer suas pernas tremerem somente com um único olhar daquelas íris verdes que sempre a faziam mergulhar em águas fundas. E quando os lábios firmes fizeram contato com sua pele, estremeceu, ao sentir um arrepio percorrer sua espinha, e censurou-se mentalmente ao permitir que ele percebesse dando-lhe de bandeja um dos recantos mais sensíveis de seu corpo que a fazia delirar com qualquer contato. Pode vê-lo sorrir vitorioso, e aquilo só a fez sentir mais dificuldade de controlar o seu desejo que estava a queimando por dentro.

Droga!

Queria agarrá-lo pelas vestes e trazê-lo para perto de si, saborear aqueles lábios para matar a sua sede, passar seus dedos por aquelas mexas negras e despenteá-las ainda mais, e se afogar naquela tão intensidade das íris claras que estavam escondidas atrás das lentes redondas dos óculos.

"Controle-se!" Ela disse a si mesma, erguendo uma das sobrancelhas e mordendo o lábio inferior numa perfeita demonstração de desejo.

- Vamos? – Harry disse de repente, num sussurro ao pé de sua orelha, a trazendo para o mundo real e obrigando-a a morder a língua para engolir um gemido, quando o hálito quente, tocou na curva de seu pescoço.

Ah! Sabia que ele adorava provocá-la daquela maneira e vê-la sem graça. Então, por que não pagar na mesma moeda? Como Mione e Natalie falaram: Estava na hora de mudar, e abrir os olhos do grande Harry Potter, e fazê-lo enxergar o que estava bem na frente de seus olhos.

Respirando fundo e fazendo uma nota mental para mais tarde tentar suicídio, deu um passe à frente colando seu corpo com o dele sentindo os músculos delineados pressionarem contra sua pele, tocou-lhe na pontinha do nariz com o dedo, num gesto brincalhão e disse sorrindo de modo que seus olhos brilhassem como estrelas:

- Claro! Não quero perder o espetáculo de ver os garotos da Sonserina perdendo pontos, por que no lugar de cuidarem das plantas, eles as matam de vez. – dando a volta nos calcanhares, ela se encaminhou até o grupo de amigos do mesmo ano.

Harry passou as mãos pelos cabelos e logo as enfiou dentro do bolso. Cerrando os olhos, tentou enxergar o corpo da amiga por debaixo do casaco. Ela era tão encantadora que às vezes tinha vontade de abraçá-la e nunca mais largá-la, sempre tê-la daquela forma, ao seu lado, sempre lhe sorrindo e o ajudando nas horas que sempre precisou de um ombro amigo.

Aquilo o assustou. Tinha medo de se apegar tanto àquela ruiva que temia que algum rapaz a tirasse de si, não lhe dando mais a chance de abraçá-la, provocá-la ou até mesmo, tentar beija-lá.

A lembrança dos dois deitados no sofá no Salão da Grifinória invadiu sua mente, fazendo-o sorrir e balançar a cabeça de modo que não acreditasse que quase beijara a melhor amiga. E para sua surpresa se arrependia de não ter saboreado os lábios da maneira que desejara. Fora somente um toque, que somente servira, não para lhe matar a sede e sim aumentá-la.

- Essa ruiva ainda vai me enlouquecer. – disse a si mesmo num murmuro, erguendo a cabeça e fitando Gina que estava no meio da roda dos rapazes, rindo junto a eles. Divertindo-se. Os olhos brilhavam, os dentes brancos e perfeitos estavam à mostra e os cabelos caiam sobe o rosto branco grudando na pele acetinada graças ao suor. As bochechas estavam rosadas graças ao calor daquele dia.

Seu coração disparou quando um dos colegas chegou perto dela e colocou-lhe uma mexa dos cabelos cor de fogo atrás de sua orelha, mas antes que pudesse fazer alguma coisa a professora havia chamado os alunos para começarem, finalmente, a aula.

Suspirou frustrado.

Aquele seria um longo dia, concluiu, pegando suas coisas e se ajuntando a Rony e a Mione.

Continua...