Capítulo 3: Simples aviso
Sei que sou capaz de resistir a você.
Mas nunca ao seu, doce olhar.
Que tantas vezes me enfeitiçou...
O dia parecia não passar.
O Sol escaldante fazia brotar gotas de suor em sua testa, que várias vezes havia limpado com a manga da camisa.
- Vamos lá, queridos, tomem cuidado com as folhas e principalmente com os dentes das plantas. – a professora Sprout anunciou, andando entre os alunos os observando atentamente.
Gina estava logo a sua frente no canteiro, adubando com cuidado a planta carnívora adormecida. Observou o cuidado e a habilidade dela com as mãos, o modo que cerrava as sobrancelhas e mordia os lábios, tentando se concentrar para não errar em nenhum movimento que pudesse danificar a planta.
- Não sei como você gosta dessa matéria. – falou no momento que colocava a planta carnívora de qualquer jeito no buraco que fizera na terra do canteiro, e esta tentava morder seu dedo. – Essas coisas são canibais. – Gina riu.
- Deve ser porque elas não gostam de você. – ele ergueu os olhos e encontrou os dela que tinham um brilho brincalhão. – Ou porque...- ela não conseguiu completar a frase por que começou a gargalhar.
Harry sentiu as gotas salgadas do suor penetrarem em seus lábios, fazendo sua boca ficar seca o obrigando a umedecer os lábios com a pontinha da língua. Era tão bom escutá-la rir daquela forma tão doce e ingênua que era como se fosse uma canção para seus ouvidos, tranqüilizando seu coração. O vento brincava com os cabelos ruivos, e os ruídos da brisa junto com as folhas das árvores se perdiam com aquela risada tão bela.
Ficou ali parado só observando os movimentos graciosos dela enquanto continuava a rir. Quando finalmente controlou o ataque, ela explicou, sentindo um pouco a falta do oxigênio em seus pulmões:
- Ou porque você fede. – levou as costas da mão até a boca, para abafar uma nova risada.
Harry franziu o cenho.
- O que você quer dizer com, "fede"?
Ela quebrou o contato visual e levou os olhos para a planta que tinha entre as mãos cobertas pelas luvas brancas.
- Bem... Muitas das plantas quando estão agitadas, como a sua - apontou para a planta que gritava e tentava a todo o custo morder o dedo do moreno – ou é porque você não sabe ser delicado, ou porque o seu cheiro é tão forte que a incomoda.
Agora fora a vez de ele rir e olhar para a planta revoltada que segurava.
- Olha aqui sua coisa, se você chegar novamente perto do meu dedo com esses dentes, juro que te queimo.
Gina vendo a luta dele com a planta, largou a sua e colocou suas mãos sobre a dele, sentindo o seu calor passar pelas luvas e percorrer seu corpo como uma corrente elétrica.
- Olha, faz assim e ela fica quieta – e mostrando como se fazia, não demorou muito para que a planta se encolhesse, abaixando a cabeça e as folhas para que logo soltasse um ruído como se estivesse murchando e assim, adormeceu.
- Você poderia ter feito ela se acalmar todo esse tempo? – ela confirmou com um gesto de cabeça – Então por que não fez isso antes? – perguntou emburrado.
Gina deu os ombros.
- Tava engraçado vendo você lutar contra ela aí. – sorriu – Além do mais, provavelmente ela vai acordar logo, por causa do seu cheiro.
Harry revirou os olhos e bateu uma mão na outra para tirar a terra.
- Para a sua informação eu não estou fedendo. – Gina ergueu uma das sobrancelhas.
- Não mesmo?
Ele cruzou os braços em frente ao peito e assoprou uma mecha negra que caia sobre seus olhos, fazendo esta voar e balançar no ar.
- Tá bom, Harryzinho. - provocou-o se levantando da grama – Me deixa ver se você cheira bem, como tá falando. – tirou as luvas e andou até o outro lado do canteiro, parando ao lado do amigo e sentando-se.
Harry sentiu uma sensação boa quando a amiga inclinou-se sobre ele e levou a mão fria até seu pescoço, o fazendo sentir um arrepio pelo corpo. Prendeu a respiração, no momento que ela o puxou de modo que se inclinasse sobre ela e inspirou o seu perfume. Instintivamente colocou uma de suas mão na cintura dela e virou a cabeça pro lado, de modo que seus lábios ficassem próximos.
Sentiu o sabor dela e a vontade de a beijar voltou a apurar-lhe os sentidos.
- Você tem razão...- ela disse quase num murmúrio trazido pelo vento – Não cheira mal. – Muito pelo contrário! Pensou sorrindo.
Harry também sorriu, e levou sua mão esquerda aos lábios da amiga.
- Shhh...- olhou-a nos olhos e uma sensação de plenitude o invadiu, o fazendo respirar fundo, e o aroma doce dela empregar-se sobre sua pele. Deslizou os dedos dos lábios dela até a curva alva do pescoço, fazendo ela ceder ao seu chamado e chegar ainda mais perto de si.
Tudo naquele momento pareceu irreal.
Gina era sua melhor amiga e estava em seus braços, com os olhos fixos nos seus, com um brilho, que parecia chamá-lo, e os lábios entreabertos era um convite tentador para serem capturados, como há muito tempo ele vinha sonhando... Ansiado, por aquele contato.
Ela não estava se sentindo diferente, o perfume cítrico dele ainda podia sentir, junto com a respiração quente sobre sua pele. Os olhos de íris esmeraldas estavam iluminados como fossem tochas e os lábios curvados num sorriso lindo, que a deixou sem fôlego.
O vento balançava trazendo consigo não somente o som das folhas balançando e dançando sobre o ar, mas o embalo da paixão que circulava sobre si.
O Sol brilhava no alto céu azul, e os alunos ao redor nem percebiam o que estava, realmente, acontecendo ali.
Gina já havia fechado os olhos e inclinado a cabeça pro lado, assim como Harry. Estavam prontos para se sentirem, quando algo aconteceu.
Um grito! Pior. Um grito conhecido.
Gina se afastou bruscamente do amigo e virou o rosto, a tempo de ver uma das plantas carnívoras crescer monstruosamente e assim ir em direção a Neville, com a boca aberta pronta para devorá-lo.
O amigo estava caído no chão, tremendo e as lágrimas quase escorrendo por seu rosto gorducho.
- Nev! – Gina gritou, empunhando sua varinha e correndo até o amigo.
Os alunos gritavam apavorados enquanto Draco Malfoy e outros alunos da Sonserina riam descontroladamente, achando graça da cara de Neville que se encolhia cada vez mais.
Harry levantou também e foi para o lado de Mione que estava segurando Rony, que tentava correr até a irmã e impedir que esta fizesse uma loucura.
A professora que estava no outro lado da estufa também corria, tentando chegar a tempo para impedir que alguma coisa acontecesse, mas já era tarde.
Harry sentiu o coração parar de bater quando viu Gina pular na frente do amigo e a planta mordê-la com força no braço, cravando seus dentes afiados na carne dela, que fechou os olhos e gritou com força, fazendo o grito agudo de dor chegar até si e perfurar seu peito como se fosse uma faca.
- GINA! – gritou o trio assustado.
A ruiva abraçou o amigo e rolou para o lado, impedindo um novo ataque da planta sobre eles.
- Você está bem? – perguntou aflita. Neville estava atônito e a voz pareceu lhe escapar da garganta o fazendo, simplesmente, balançar num gesto afirmativo com a cabeça.
Ela suspirou aliviada. O sangue corria solto por seu braço, sujando suas vestes de uma grande quantidade de sangue.
Cerrou os dedos, envolta da própria varinha e reunindo todas as força que ainda lhe restavam, girou o corpo no momento que a planta veio novamente contra si, com a boca aberta, pronta para uma nova investida.
Seu braço tremia sobre a dor, mas mesmo assim gritou no instante que se levantava:
- Replefixos. – um jato roxo atingiu a planta em cheio, fazendo esta soltar um grito como se fosse um animal e em segundos a luz a consumiu fazendo-a explodir em pedacinhos e uma chuva de raízes e terra cair sobre todos os alunos.
Pode escutar Malfoy, ao longe, murmurou algo como: "Maldita Weasley" e deu a volta sobre os calcanhares indo, em direção ao castelo, sendo seguido por seus capangas e Pansy que estava pendurada em seu pescoço.
Gina sentiu como se tudo parecesse girar e sua varinha deslizou entre seus dedos para logo cair sobre o gramado ao lado de seus pés.
Não escutava e não sentia mais nada. As pernas não conseguiam mais segurar o seu corpo em pé e foi aí que o corpo cedeu. Virou o rosto a tempo de ver Harry correndo em sua direção, seguido por Mione e o irmão, e pegá-la nos braços antes que seu corpo chocasse com o chão, e quando os braços fortes a seguraram com força, cambaleou a cabeça para o lado e perdeu os sentidos.
Abriu os olhos com cuidado. Podia sentir seu braço direito arder como se tivesse sido mergulhado num barril de água escaldante.
Gemeu baixinho, quando tentou mexê-lo.
- Gi...- alguém a chamou, com uma voz distante.
Levantou as pálpebras devagar, sentindo os fracos raios de sol, iluminarem seu rosto, fazendo-a virar para o lado oposto da luminosidade.
- Gi...- escutou a mesma voz, que conhecia muito bem, chamá-la novamente num tom calmo e carinhoso.
Uma mão quente tocou sobre a sua e a dor que sentia em seu braço pareceu sumir como num passe de mágica.
- Onde estou? – perguntou, fraca, abrindo os olhos e se deparando com as mesmas íris verdes que tantas vezes tentou esquecer. Apagar de sua memória.
Harry estava sentado ao seu lado, segurando sua mão, enquanto Mione e Rony estavam do outro lado da cama, abraçados, olhando-a aflitos.
- Você está bem, Gi? – Rony disse, soltando a namorada e levando a mão até os cabelos cor de fogo da irmã. – Você nos deu um baita susto.
Gina sorriu levemente e deixou que sua cabeça caísse sobre a mão do irmão.
- Já estive em dias melhores.
Harry respirou fundo e passou a mão pelos cabelos.
- Na próxima vez, vê se não volta a fazer uma loucura daquelas.
A ruiva virou o rosto no mesmo instante que o escutou dizer aquilo, e com o cenho franzido, respondeu grossa:
- E você queria que eu fizesse o que? – ela balançou o braço bom, num gesto que mostrava seu nervosismo – Sentasse no chão, cruzasse os braços e ficasse vendo o meu amigo ser quase devorado por aquela planta carnívora?
Mione deu um passe à frente e segurou a mão de Gina.
- Gina, se acalme. Harry disse isso para você tomar cuidado na próxima vez, e não fazer algo que possa te prejudicar gravemente.
- Por Merlin, só levei uma bendita mordida no braço. Não foi nada de mais.
Gina suspirou e correu os olhos pela Ala Hospitalar.
Pode ver pela janela o pôr do sol, e a brisa da calada da noite trazer consigo o aroma das flores silvestres. O céu, aos poucos, ia escurecendo, e dando visão a milhares de estrelas que começavam a brilhar.
Abaixou a cabeça e mordeu o lábio inferior.
As mexas vermelhas caiam sobre seu rosto, tapando a tristeza de seus olhos.
Por que tinham que a tratar como fosse ainda uma criança? Estavam querendo dizer que o que fizera fora uma loucura e que nunca fariam aquilo que fizera para salvar a vida do amigo, por ela?
Apertou com força a mão de Harry que estava sobre a sua e o encarou.
- Desculpe. – ele sorriu e acariciou-lhe o semblante corado.
- Tudo bem. Eu teria feito o mesmo se fosse com você.
Aquilo soou como música para os ouvidos de Gina, que fechou os olhos de modo que aquela frase ficasse gravada em sua mente. Teve que sorrir, para segurar o pedido que ele repetisse o que acabara de dizer.
- Eu sei. – murmurou, olhando para ele. Foi como se um arrepio serpenteasse a sua espinha quando aquelas íris verdes brilharam somente para ela. E os lábios que tantas vezes sonhara em beijar estavam ali, perto de si, curvados no sorriso que ela amava. Um sorriso que ele dava somente para ela.
Correspondeu o sorriso e abriu os braços para recebê-lo neles. Harry sorriu mais ainda e se aproximou, sentindo o aroma doce da amiga cada vez mais e de uma forma estranha aquilo fez estremecer, e quando a abraçou foi como se todos os problemas que tinha jogado em suas costas, desaparecessem. Não existia mais Voldemort, não existia mais mortes, guerra, ou pessoas inocentes sofrendo.
Foi então que sentiu Gina estremecer. A soltou a tempo de ver os olhos dela fixados em alguma coisa por cima de seus ombros.
– Mas o que aconteceu com o Malfoy?
Mione segurou um riso enquanto Rony fez questão de gargalhar alto.
Gina olhou bem para Harry e se assustou por não ter percebido antes o estado do amigo; ele tinha um leve corte na sobrancelha e no canto dos lábios. Enquanto Malfoy parecia que tinha acabado de sair duma guerra sangrenta.
- Harry Potter. – disse num tom reprovador, segurando o queixo dele, para que a encarasse – O que você andou aprontando, enquanto estive aqui nessa maldita cama, desacordada?
Ele fez uma careta e corou levemente.
- Deixa, eu ter esse prazer de contar. – Rony anunciou, sentando na cama e tentando controlar o ataque de risos – Quando descobrimos que foi o Malfoy que jogou alguma poção na planta do Nev para que crescesse, o Harry ficou louco e foi tirar satisfação.
Mione abraçou o namorado pelos ombros e pelo canto dos olhos pode ver Harry abaixar a cabeça e corar ainda mais. Sorriu de uma forma enigmática.
- Aí você já viu o que aconteceu – ela continuou e apontou com um gesto de cabeça a cama onde um certo loiro estava.
- Só que essa Monitora aqui, chegou bem a tempo de impedir que os dois se matassem lá. Sendo que estava na melhor parte da briga. – Mione soltou-se do ruivo e o olhou de uma forma reprovadora.
- Ronald Weasley. – colocou as mãos na cintura – Eu não poderia permitir que dois alunos brigassem no meio do corredor. Você também como Monitor, deveria saber. – apontou o dedo para ele – E se não me engano, você só entrou em ação – ironizou – quando eu cheguei para separar esses dois. Bonito não?
Gina trocou uma olhar com Harry que, ainda de cabeça baixa, não pode deixar de corresponder. Ele apertou com mais força a mão da amiga num gesto que ela sabia que ele estava fazendo de tudo para conter uma gargalhada, assim como ela.
Rony havia aberto e fechado a boca várias vezes, mas nenhum som emitia, enquanto Mione, com os braços cruzados sobre o peito e batendo a ponta do pé no chão esperava por alguma explicação.
- Bem...- Rony começou, coçando a nuca. Mas para sua sorte a porta da Ala Hospitalar abriu bruscamente, revelando duas cabeleiras ruivas idênticas.
- Gininha!!! – Fred e Jorge disseram juntos.
Gina fez uma careta quando os ouviu chamá-la daquele jeito tão infantil, que a irritava profundamente.
- Você esta bem, não é mesmo Gininha? – Fred perguntou, colocando sua vassoura ao lado da cama da irmã.
- Fred...- Gina o chamou baixinho.
- Não, por que eu não quero nem ver a cara da mamãe quando souber o que aconteceu com você, Gininha.
- Fred...- ela o chamou novamente, com os olhos cerrados num gesto perigoso que fez Harry estremecer.
Quando ela fazia aquilo, bom sinal não era.
- Meu deus, ela vai nos matar. – Fred lamentou, cobrindo o rosto com as mãos, num gesto de desespero – Oh! Gininha o que iremos fazer com você?
Gina passou a mão pelos cabelos e apertou com mais força a mão de Harry.
- Eu estou avisando, Fred...
- Mas esta tudo bem agora, quando o Malfoy menos esperar os Irmãos Wealseys – trocou um olhar cúmplice com Harry, que apenas acenou num gesto afirmativo com a cabeça - entrarão em ação. Vamos proteger você desses crápulas, Gininha.
A ruiva mordeu o lábio inferior e girou as orbes, para logo movê-las para o melhor amigo.
- Acho que seria mais sensato você se proteger, maninho. – disse venenosa, sem tirar seus olhos do moreno que a observava de uma maneira que a aquecia até a alma.
- Oh, não diga uma coisa dessas, Gininha.
Ela respirou fundo e assim gritou, fazendo todos ao seu redor terem um sobressalto:
- POR MERLIN, FRED. ME CHAME DE GININHA NOVAMENTE E EU ACABO COM A SUA RAÇA!
Jorge sorriu e passou a mão pela cabeça da irmã.
- Ora, essa é a Gininha que eu conheço. Ela voltou pessoal. – logo estavam todos rindo, até mesmo Gina que balançou a cabeça num gesto de derrota.
Não demorou muito para que Rony e Mione começassem uma nova discussão enquanto os Gêmeos faziam suas gracinhas irritando o casal ainda mais.
Gina ria com a cena, não se dando conta que um certo par de olhos verdes a observava com carinho.
Harry sorria divertido ao escutar as gargalhadas da ruiva, e do modo que os cabelos balançavam a seus movimentos delicados.
Ela era tão encantadora.
As cobertas finas da cama a cobriam até a altura da cintura, lhe dando a chance de poder saborear a tentadora visão dos seios fartos, que estavam cobertos por uma fina camisola branca.
Mordeu a própria língua e revirou os olhos, tentando conter a excitação, que estava começando a atormentar. Por Merlin! Gina era sua melhor amiga e não uma garota qualquer como as que estava acostumado a beijar. Ela era algo a mais em sua vida. Algo que não conseguia explicar. A presença dela virou como se fosse uma droga. Um, vício que não conseguia largar, mesmo se quisesse. Queria que ela sempre estivesse ao seu lado; na alegria e na tristeza, no amor e na guerra, nas brincadeiras e nas brigas, nas diversões e nos estudos, enfim, em tudo.
Suspirou e passou a mão nos cabelos. O ódio que sentiu de Malfoy, foi uma coisa incontrolável. Nunca havia sentido algo tão puro como naquele momento. Quando o viu rindo com os amigos, enquanto Gina se encontrava desacordada na Ala Hospitalar, se descontrolou e quando deu por si, estava sendo retirado de cima do loiro, com uma leve dor no lábio e na sobrancelha, enquanto o loiro estava desacordado no chão.
Riu ao se lembrar da frase sussurrada por Rony, enquanto Mione falava das nove regras de Hogwarts quebradas por ele, Por que você não me esperou para quebrar também um pouco a cara daquela Cobra Sanguessuga?
Mas com certeza, mais tarde, ele iria cumprir as palavras e Malfoy voltaria para aquela mesma cama e se possível também desacordado.
- O que foi? – uma voz doce chegou aos seus ouvidos, arrepiando os pêlos em sua nuca. Virou o rosto e encontrou um par de olhos cor de mel brilhante, junto com um sorriso que aqueceu seu coração, fazendo aquele ódio sumir e ser levado pela leve brisa daquela tarde.
- Nada. – respondeu simplesmente, acariciando o rosto da amiga com os dedos – Só estava me lembrando como foi bom quebrar a cara daquele ali. – fez um gesto impaciente com a cabeça, mostrando o loiro na cama à frente – Como ele pôde ser tão baixo desta vez?
- Bem... Ele é um Malfoy, mas você esta assim por que não foi com você que ele atingiu desta vez. – Harry a olhou e franziu o cenho – Harry, você sempre esteve acostumado a ser o alvo das provocações do Malfoy, e desta vez que ele atingiu um amigo próximo seu, você ficou irritado. Eu também ficaria, e como você me conhece bem até demais, - revirou os olhos, divertida - eu teria feito um estrago bem maior nele, se ele houvesse feito o que fez comigo com você.
Ele sorriu.
- Ah! Disso eu não tenho dúvidas – riu divertido, ao imaginar a cena - Já posso até vê-lo andando numa cadeira de rodas. – os dois riram, chamando a atenção dos outros.
- Posso saber o motivo da graça? – Jorge perguntou, sorrindo maroto.
- Eu e o Harry estávamos aqui discutido sobre um livro...- Gina respondeu, sorrindo e piscando um olho para o amigo.
- Que livro?
Harry deu os ombros.
- Ah Mione, um nada de mais para você, mas acho que para o Rony iria ser perfeito e também para Fred e Jorge. – ele e Gina apertaram ainda mais a mão um do outro, para segurar o alto riso.
- Então fala logo qual é esse livro? – Rony perguntou, colocando-se entre a namorada e Fred, que olhavam o casal à frente com um certo ar misterioso.
- Mil e umas maneiras de como matar um Malfoy. – Harry e Gina responderam juntos, para logo começarem a rir.
- Ai, por Merlin. – Mione falou, escondendo o rosto com as mãos, rindo também.
Fred e Jorge jogaram a cabeça para trás não se preocupando se a alta gargalhada iria acordar os outros pacientes.
Rony encarou a irmã por alguns segundos, antes de rir também.
Eles continuaram a rir por mais alguns minutos, mas foram interrompidos por Madame Ponffrey entrando na Ala com uma cara carrancuda.
- Mas o que estava havendo aqui? – pelo tom de repreensão todos se calaram – Não vê que isso aqui é uma enfermaria, e que os pacientes não podem ser incomodados? – os jovens se entreolharam e abaixaram a cabeça envergonhados, fazendo a enfermeira suspirar fundo para manter a paciência – Tudo bem, desta vez passa. Mas agora saiam, a Senhorita Weasley precisa descansar.
- Quando eu poderei sair daqui? – Gina resmungou fazendo uma cara de tédio. A enfermeira a olhou e sorriu.
- Oh! Espero que logo, querida. – fez um calculo mental – Acho que amanhã mesmo, você já poderá sair daqui.
Harry soltou um sorriso de orelha a orelha e se levantou da cama em um pulo.
- Então, amanhã eu me encarrego de vir buscá-la aqui, para irmos tomar café.
Gina deu um meio sorriso e segurou sua mão, puxando-o até si levemente.
Um simples toque que fez que seu coração acelerasse. Graças ao seu puxão, Harry teve que colocar uma mão entre suas pernas e abaixar, fazendo os rostos ficarem próximos.
Oh Deus! Eu não mereço isso, ela pensou, vendo as íris claras a fitarem com uma intensidade que a fez perder o fôlego.
- Harry não precisa se incomodar, eu posso ir sozinha e...
- Mas nem pensar! – Ponfrey a interrompeu – Você ainda esta fraca, seria melhor que por um tempo alguém sempre andasse com você. Pode a qualquer hora desmaiar, o veneno da planta é muito forte e pode dar tonturas.
Gina soltou a mão de Harry bruscamente bufando, virou o rosto para o lado da janela, mas pelo canto dos olhos pôde ver que o amigo não havia se mexido e continuava olhando para ela, como se não tivesse ouvido uma única palavra da enfermeira. Parecia enfeitiçado.
- Então deixa por conta do Harry...- Fred provocou – Os dois são chicletes.
Nessa hora, o moreno pareceu acordar de um sonho bom, chocalhou a cabeça e corou levemente, enquanto se levantava.
- Oh sim! – enfiou as mãos no bolso da calça – Eu cuido dela o tempo que for necessário.
- Já falei que não é preciso. – a ruiva teimou novamente, começando a deitar na cama e se cobrir. Olhou para a enfermeira que a repreendeu com um olhar – Esta bem! – Harry sorriu ao ver a cara de desdém da amiga – Mas não se empolgue. – avisou, virando de lado e começando a dormir.
- Isso nem passou pela minha cabeça. – Harry mentiu, engolindo a provocação que estava entalada em sua garganta.
Gina fez uma careta e o mostrou a língua, enquanto afundava a cabeça no travesseiro.
- Bem, acho melhor irmos, daqui a pouco vão servir o jantar e estou morrendo de fome...- Mione falou divertida, olhando para todos e apontando para a porta num gesto de cabeça – Até amanhã, Gina.
Harry foi até a amiga e lhe deu um beijo na bochecha, antes de lhe sussurrar no ouvido de uma forma carinhosa:
- Até amanhã, Gi. – e assim seguiu os outros que já estavam saindo porta fora.
Quando escutou esta se fechar, Gina suspirou e levantou a cabeça, de modo que pudesse contemplar o começo da noite.
Sim, aquela seria uma longa noite que, como as outras, um certo moreno de olhos verdes iria atormentá-la em seus sonhos.
Girou sobre o colchão e fitou o teto, colocando o braço bom atrás da cabeça.
Por que tudo tinha que ser tão difícil?
Ela poderia ser muito bem uma garota fútil e popular como a maioria, mas o ponto principal era; ela não era.
Ela era, Virginia Weasley, uma garota de quinze anos, normal que tinha muitos amigos do sexo oposto, pouco atraente e com um jeito masculino. Sem esquecer que é mais forte que alguns garotos, graças às brigas de tapas com os irmãos na infância e também os treinos de Quadribol.
- Essa não. – resmungou, olhando para o braço ferido. Naquelas condições seria impossível treinar.
Agora, além de ficar sempre com Harry cuidando de si como se fosse sua sombra, teria que ficar sentada num banco vendo o time da Grifinória treinar.
E ela, que sempre classificou o "voar" como um dos maiores prazeres da vida, teria que ficar de lado. Era realmente magnífica aquela sensação do vento batendo em seu rosto e balançando seus cabelos. A sensação de liberdade era inexplicável. E lá no céu, sentia como se fosse capaz de tocar as nuvens e o menino-que-sobreviveu, não podia chegar até si e machucá-la como a tempos vinha fazendo.
Não que ele a ferisse, literalmente. Era uma dor estranha no peito, uma dor que sabia que teria que levar para o túmulo. Poderia muito bem ficar com alguns garotos, mas não conseguia. Qual seria a diferença beijar um garoto se pensava noutro? E essa era a questão, com o grande Harry Potter em seu coração, não conseguia viver.
De duas escolhas, tinha que fazer uma... Teria que levantar a cabeça e aturar o melhor amigos por um bom tempo, sendo que ele era bastante preocupado, principalmente quando o motivo era ela mesma, mas por outro lado, poderia fugir.
Nem morta, não vou dar uma de donzela indefesa, pensou aborrecida, virando para o lado e fechando os olhos com força, tentando uma vez na vida, esquecer a pessoa que a cada dia, amava mais.
Tudo ao seu redor estava rodeado de alegria e gritos de felicidade.
O campo de Quadribol estava cheio de alunos, assim como as arquibancadas que tremiam graças aos pulos de alegria da Grifinória.
Pôde ver Rony sorrindo para si e gritando algo que não podia entender. Mione também ria sobre a felicidade do namorado.
O lado da Sonserina estava vazio, e pôde ver ao longe os alunos irem entrando no castelo com caras aborrecidas. A cabeleira de Malfoy se destacava entre eles, e parecia estar discutindo com alguém que não podia identificar.
Sorrindo também, virou o rosto a tempo de ver algo que fez tudo ao seu redor congelar.
Sua visão ficou embaçada e não escutava mais nada, tinha os olhos fixos num ponto que a fez perder o fôlego.
Podia sentir algo gelado em sua mão que escorregou por entre seus dedos trêmulos e foi indo de encontro ao chão, junto com aquele vulto que não podia identificar, que havia escorregado da vassoura e ia caindo cada vez mais, fazendo a distância do corpo e do gramado ir diminuindo. Pôde ver uma forte mancha de sangue sobre a boca da pessoa junto com as vestes de Quadribol.
Seu coração parou no momento que o vulto trombou com o chão, e foi rolando pelo campo, seu corpo cambaleando e os cabelos balançando bruscamente sobre o rosto, até que uma hora parou de rolar e ficou completamente imóvel.
Tudo girou bruscamente. Sua respiração pesou e seu coração pareceu se despedaçar em mil pedaços.
- Nããããããããão!!! – gritou, sentindo uma dor inexplicável apertar sobre seu peito, enquanto se pendurava na arquibancada e via o corpo estirado sobre o gramado, sangrando e inconsciente.
Seus olhos embaçaram e as lágrimas começavam a escorrer por seu semblante, vermelho.
- Não! – murmurou, fazendo gestos negativos com a cabeça. Não sabia quem era aquela pessoa no campo, mas vendo-a daquela forma, sem poder fazer nada, foi como se uma lança cortasse seu coração. Era pior que a Maldição Cruciatus.
Cerrou os punhos com força e fechou os olhos, tentando segurar os soluços e controlar a dor que se apossava de si como chamas negras, vindas do recanto mais doloroso do inferno.
E quando os abriu dando a quem quisesse a visão de seus olhos mergulhados numa dor que faria qualquer um desejar a morte, viu-se em outro lugar.
Agora os alunos haviam desaparecidos, junto com o campo.
Estava numa sala de paredes brancas e algumas pessoas circulavam uma cama, onde nesta estava deitada uma pessoa.
As pessoas choravam, sendo que a mulher aparentemente de idade mais avançada, estava desmaiada nos braços do marido.
Engoliu em seco, quando uma voz atrás de si murmurou:
- Eu sinto muito, Senhor Potter. – olhou para trás, assustado, a tempo de ver uma mulher vestida de branco o fitando com os olhos negros profundos – Ela faleceu, não podíamos fazer mais nada para salvá-la, a doença era incurável.
E a última coisa que se lembra, antes de acordar, foi sua cicatriz arder intensamente e assim sentir seu corpo ceder para logo cair no chão, desacordado.
Sentou bruscamente na cama com os cabelos negros grudados sobre seu rosto suado. Passou a mão pelo cabelo e sentiu seus dedos tremerem descontroladamente.
Seu peito subia num ritmo rápido, de cima para baixo.
Olhou para a janela e pôde ver a noite amena e escutar o canto dos grilos em sintonia com o som das folhas e dos galhos se mexendo junto com a brisa.
- Merlin! – disse, jogando-se para trás na cama e passando as mãos pelo rosto, retirando o suor – O que foi isso? – perguntou, olhando para o seu relógio que indicava quinze para as quatro da manhã.
Como um flash, o pesadelo, apareceu diante de seus olhos e seu corpo tremeu duma forma que lhe fez lembrar de ser medo...
Suspirou e tentou raciocinar com clareza; não pôde ver quem era que havia caído da vassoura e se chocado com força sobre o gramado do campo de Quadribol, mas seu coração doeu de uma maneira que parecia lhe mostrar que ali, estava a pessoa mais importante de sua vida. Por outro ponto, o pesadelo estava dividido em duas partes; a do acidente e a da sala que lhe pareceu ser a Ala Hospitalar do colégio... Não pôde ver os rostos de ninguém, só se lembra dos olhos negros e profundos da mulher vestida de branco lhe dizendo as palavras que fizeram o mundo desmoronar sobre sua cabeça.
Estalando os dedos das mãos, cobriu-se com os lençóis até a cabeça e fechou os olhos com força na tentativa de conseguir voltar a dormir e esquecer aquele aperto no peito que estava o sufocando.
Mesmo que tivesse sido um misero sonho, aquilo pareceu o abalar de uma forma como se um trovão houvesse o rachado ao meio e a dor jogasse sem parar.
- Pare com isso e volte a dormir. – disse a si mesmo, se ajeitando melhor sobre as cobertas – Amanhã você tem que ir buscar a Gina, e não pode se atrasar. – como um passe de mágica, toda a sua apreensão pareceu sumir ao se lembrar da melhor amiga que naquele momento deveria estar dormindo como um anjo.
Sentiu uma vontade enorme de pegar sua capa de invisibilidade e ver como ela estava. Mas antes que pudesse fazer qualquer movimento o sono chegou, fazendo-o adormecer e assim sonhar com aquela ruiva que mexia com ele de uma forma, que se recusava a aceitar e a ver.
Mas pelas barbas de Merlin!, Reclamou sentando-se na cama e tentando ver entre a escuridão quem é que estava fazendo aquele barulho infernal.
Se for mais uma dos gêmeos ou do Harry... Irei os estrangular e a crucificação vai ser pouca para a minha vingança. Disse a si mesma, afastando as cobertas e colocando as pernas para fora da cama.
Com a pontinha dos pés, colocou-se em pé, ignorando o arrepio que serpenteou o seu corpo quando o chão frio contrastou com sua pele quente.
Andou com a varinha em punho até o barulho, que a cada passo seu aumentava. Seu braço ainda estava dolorido, e a ferida podia a qualquer momento se abrir a cada movimento brusco seu.
Andando com mais cautela, chegou ao lugar da onde o barulho vinha, mas graças à escuridão da noite que banhava a Ala Hospitalar não podia ver o que estava a sua frente, e seja lá o que fosse a tal coisa, iria se arrepender de tê-la acordado no meio da noite e de um sonho tão bom.
- Lumus! – exclamou com voz baixa, para no mesmo instante uma luz fraca aparecer na ponta de sua varinha, iluminando ao seu redor. Moveu seus olhos para o lugar do som e se assustou o que viu.
Draco Malfoy estava bem ali na sua frente, deitado na cama, como se fosse uma criança indefesa.
Agora seria um momento perfeito para fazê-lo pagar por ter me machucado, concluiu com um sorriso perverso se formando sobre os lábios.
O loiro gemeu mais uma vez e se contorceu na cama, e pela primeira vez na vida, Gina poderia dizer que sentiu pena de um Malfoy. Com cuidado se aproximou mais da cama onde ele estava e pode ver que do lábio escorria em filete de sangue.
O observou e ficou impressionada ao confirmar que ele era realmente muito bonito; os cabelos platinados estavam mais compridos e caiam sobre o rosto dele lhe dando a fisionomia de um menino, os olhos cerrados tremiam mostrando que o sonho que ele estava tendo não era dos melhores, os lábios finos e gelados estavam entreabertos, e a pele pálida lisa dava-lhe uma aparência de estar morto, mas mesmo assim a beleza predominava.
Virginia Weasley, dê meia volta e vá se deitar, disse a si mesma, mas seus pés não saíram do lugar. Continuava ali, contemplando aquele loiro e o sangue que escorria pelo rosto pálido.
Suspirou e colocou sua varinha sobre a mesa ao lado da cama.
- Eu vou me arrepender disso. – murmurou, se abaixando e pegando uma vasilha com água e um pano.
Mesmo querendo mais que tudo sair de perto daquele garoto e ir dormi, não conseguia. Agora se fechasse os olhos a visão de Draco Malfoy iria atazaná-la até a noite dar lugar ao dia.
Sentou-se na cama, ao lado dele e molhou o pano na água com cuidado, o torceu e assim o levou até os lábios de Malfoy. Mas antes de poder sequer tocar nele, o garoto sem abrir os olhos segurou seu pulso e falou entre os dentes:
- O que pensa que está fazendo, Weasley?
Gina engoliu em seco, e sentiu um medo crescente apertar seu peito. Soltou o pano sem querer, fazendo este cair em cima do rosto do rapaz, que fez uma careta desdenhosa.
Draco soltou bruscamente a mão da ruiva e pegou o pano, para logo jogar dentro da vasilha fazendo algumas gotas espirrarem sobre seu rosto. Mas não se importou, fitou com ódio a garota que ainda parecia estar num certo transe.
- Vamos, fale logo Weasley, o que você pensa que estava tentando fazer? – perguntou ríspido, mexendo-se sobre a cama para se ajeitar e encontrar uma posição mais confortável – Me matar?
Gina balançou a cabeça, para logo fitar o Sonserino com raiva. Cerrou os dentes com força e disse entre estes num tom venenoso:
- Até que essa é uma proposta tentadora, Malfoy. – começou, balançando a cabeça para trás num gesto que afastou as mexas ruivas de seu rosto, sem se dar conta que aquele simples movimento mexeu de uma maneira estranha com Draco, que engoliu em seco e apertou com força o lençol para segurar o impulso de passar os dedos entre os fios sedosos cor de fogo. – Mas eu não sou dessa laia assassina, como a sua família. – ela continuou, fazendo-o despertar e voltar ao momento presente.
A luz fraca da Lua entrava pela janela e iluminava o leito vazio da ruiva que estava ao seu lado. A luminosidade da varinha dela dava vários tons de vermelho aos cabelos e lhe dava a possibilidade de observar-lhe o rosto corado. Nunca parou para a observar, também, não iria perder seu tempo para ver como a caçula daquela família de pobretões poderia de alguma forma mexer com ele. Os cabelos vermelhos caiam sobre o rosto alvo que continha alguns arranhões, a boca exprimia num sorriso irônico e os olhos cor de mel cerrados de um jeito que para ele era cômico.
Uma das mãos estava repousada sobre o braço ferido, de uma maneira que pareceu que ela estava querendo proteger o machucado de alguma coisa. As unhas curtas – por causa do Quadribol - e bem feitas deslizavam pela longa manga da camisola fina, fazendo formas imaginarias.
- Olha Weasley, use uma vez na vida essa inteligência que eu duvido que você tenha na cabeça e pense; Se quisesse realmente me matar deveria usar um feitiço e não com um pano molhado. O que pretendia? – levantou uma das sobrancelhas – Me afogar?
Gina desviou os olhos dele e pegou o pano e o torceu, o esticou e o enrolou uma vez em cada mão.
- Afogar não seria a palavra certa. – falou baixinho, num tom que fez o loiro engolir em seco, pôde vê-la abaixar o tronco e aproximar os rostos, o sorriso aumentou dos lábios vermelhos, dando-lhe a chance de ver os perfeitos dentes brancos dela. – Eu poderia muito bem o asfixiar. – pressionou o pano contra o pescoço dele – O que acha?
Draco mordeu a língua e arregalou os olhos. O que ela pensava que estava fazendo?
O pano apertava cada vez com mais força seu pescoço e o ar já começava a falhar no caminho aos seus pulmões.
Com uma cara de horror, segurou a ruiva pelos ombros e a empurrou, fazendo que o perfume dela não chegasse mais em suas narinas.
- Não chegue perto de mim, não quero me contaminar com coisas como você. – respondeu, soltando-a como se fosse uma cachorra abandonada. Gemeu quando seu lábio começou a sangrar ainda mais – Olha o que você fez. – acusou-a frio, passando os dedos pelos lábios para logo lhe mostrar o sangue.
- Eu não fiz nada. – Gina se defendeu, jogando o pano dentro da vasilha – Você que é um idiota e fica aí gemendo não me deixando dormir.
- Eu não gemo.
Gina riu com desdém e jogou a cabeça para trás, fazendo os cachos vermelhos caírem como cascata pela extensão de suas costas.
- Não, magina. O grande Draco Malfoy não geme. Então me diga...- olhou-o com um certo desafio – Como eu acordei e vim para a sua cama? – ela nunca pensou que poderia vir a se arrepender de suas palavras, claro que havia percebido o duplo sentido da frase e pelo sorriso que Malfoy lhe deu, ele também havia notado.
Merlin, aquele não era o seu dia, melhor, sua noite de sorte.
- Bem... Que garota resiste a mim e não vai parar em minha cama depois de...- ela o cortou rápido.
- Cala a boca e me deixa limpar esse seu sangue. – voltou a pegar o pano e o pressionou contra o ferimento, fazendo o loiro gemer alto.
- AI! – ele segurou a mão dela e a puxou para perto de seu rosto, de modo que pudesse sentir a respiração quente dela sobre seu pescoço – Vai com calma, Weasley, não sou um cachorro para você bater ou mal tratar dessa maneira. Além do mais, não pedi a sua ajuda.
Um arrepio serpenteou sua espinha quando ela riu.
- É verdade você não pediu minha ajuda, mas eu estou com sono...
- Então vai dormi. – ele a interrompeu.
Gina revirou os olhos.
- Mas não vou conseguir dormi sendo que você tá aí ferrado, gemendo que nem um desolado. – ele iria protestar, mas com um gesto de mão ela o impediu – E não se atreva a falar mais nada, Draco Malfoy – ele achou estranho ao ouvi-la chamá-lo daquela forma brincalhona – Deixe-me terminar de limpar a sua boca para nós dois finalmente irmos dormi. – ela segurou o queixo dele com delicadeza e se inclinou um pouco mais para ver o ferimento e assim limpá-lo, tentando de todas as formas se concentrar no que estava fazendo, mas Draco a observava quieto e algumas vezes movia seu braço até o dela e o acariciava levemente com a pontinha dos dedos, a provocando.
Gina suspirou e voltou a limpar, pressionou com mais forma o ferimento e o viu fazer uma careta de dor.
- Desculpa.- murmurou, molhando o pano, dando graças a Deus por ter se afastado um pouco e aquele clima ter se quebrado. Mordendo a pontinha da língua, se inclinou novamente sobre ele e voltou a limpar o sangue que ainda escorria pela pele pálida.
- Por que você esta me ajudando, Weasley? – ele perguntou de repente, pegando-a de surpresa.
- Não sei. – deu os ombros – Mas prefiro ajudar a ver você aí se contorcendo de dor.
Ele pareceu hesitar um pouco. Ninguém nunca lhe deu aquele tipo de atenção, nem mesmo a própria mãe. E vendo a pessoa que deveria odiar, ajudá-lo e o tratar com tanto carinho o fez se sentir um pouco desconcertado.
- Mas... Somos inimigos. – Gina parando de limpar o corte dos lábios dele, levantou o rosto e o fitou com as íris escuras sorrindo.
- Mas entre inimigos, pode haver respeito.
Draco respirou fundo e não falou mais nada.
Tudo bem que ele e os Weasleys nunca se deram bem, e não seria diferente com a caçula da família. Seria?
Sentiu os dedos dela tocarem em sua covinha no queixo e aquilo de certa forma o fez sentir cócegas e não conseguiu segurar uma risada.
Gina estranhou, mas achou-o adorável rindo daquela forma.
- Sabe... Você deveria rir mais. – ele parou e segurou a mão dela.
- Por que? – ela engoliu em seco.
- Você...- corou – Fica mais bonito.
Draco sorriu e olhou para ela com as íris claras brilhando e Gina jurou que aquele fora o par de olhos cor de águas marinhas mais lindas que já vira.
- Eu sou inteiro lindo, Weasley. Esteja eu sorrindo ou não. – se gabou.
A ruiva revirou os olhos e colocou o pano dentro da vasilha, antes de sair da cama.
- Aonde você vai? – o loiro perguntou, franzindo o cenho.
- Já terminei de limpar seu machucado. – respondeu, começando a guardar as coisas – Agora vê se dorme e se tiver um pouco de caridade, deixe-me dormir também, não vai demorar para o Sol aparecer e os alunos começarem a acordar. – ela estava pronta para ir se deitar quando o sonserino segurou seu pulso, como se ela fosse algo que não conseguia viver sem.
- Não sei quanto a você, mas quero que o que aconteceu aqui fique só entre nós. – apertou com mais força o pulso dela – Tudo bem?
Gina deu os ombros e passou a mão pelos cabelos, num gesto que mostrava seu cansaço.
- Como quiser Malfoy, agora será que posso ir dormir? – bocejou.
Ele a soltou de uma forma brusca e se ajeitou na cama para ir dormir também.
- Vai, some da minha frente.
Gina estava com tanto sono que nem se deu ao trabalho de revidar a provação e muito menos de perceber o que estava fazendo.
Andou até o loiro e beijou-lhe levemente a bochecha antes de murmurar ao pé do ouvido dele:
- Boa noite, Draco. – e assim, dando a volta nos calcanhares foi se deitar.
Se olhasse para trás, poderia ver muito bem um certo Malfoy acariciando o lugar aonde ela havia tocado com os lábios, que formigava levemente e a olhando com um olhar espantado.
- Boa noite, Virgínia. – ele sussurrou mais para si do que para ela, antes de se deitar e fechar os olhos, não acreditando no que havia acontecido. – Um banho seria muito bem vindo agora. – ironizou, se virando de lado e tentando conter a vontade de ficar observando uma certa cabeleira ruiva dormindo no leito a frente, que era banhado pela luz da lua.
Continua...
