Capitulo 4: "Você sempre será"

Não entendo o que sinto quando a vejo.
Sempre ao meu lado... Sempre ao meu
alcance... Mas não posso tocá-la.
Tão perto, mas ao mesmo tão longe.
Não sei o que é esse sentimento que nasce
em mim...
Mas sei que sem ela, não posso mais viver.

- Potter, se você falar mais uma vez para eu comer alguma coisa, juro que enfio esse copo cheio de suco na sua garganta abaixo. – Gina falou entre os dentes, encarando os olhos verdes do amigo e o sorriso sobre os lábios firmes, enquanto ele acariciava seus cabelos da nuca num gesto amigável.

- Ora, Gininha. – provocou – Você tem que se alimentar bem.

Ela revirou os olhos e jogou o pedaço de bolacha sobre a mesa fazendo esta quebrar em duas partes, para logo em seguida fazer uma careta desdenhosa.

- Ser bem alimentada é uma coisa e ser estufada é outra completamente diferente.

Ele riu e pegou a bolacha para logo levá-la em direção a boca da amiga.

- Mas você escutou as orientações da enfermeira, tem que se alimentar bem. Agora abra a boca. – chegou mais perto e tocou os lábios dela com um dos pedaços quebrados – Vai, olha o aviãozinho.

Gina revirou os olhos e virou o rosto de modo que Harry não pudesse ver seu sorriso divertido. Depois de algum tempo se virou para o moreno e num gesto rápido pegou a bolacha e enfiou-lhe na boca, como se ele fosse uma criança teimosa.

Harry pelo susto deu um pulo no banco para logo começar a tossir e assim tentar tirar as migalhas entaladas em sua garganta.

- Vo-cê...é...- tossiu e levou a mão ao pescoço – Lou...ca.

A ruiva, rindo, se curvou para beijá-lo na bochecha, mas nesse momento Harry virou o rosto e seus lábios se tocaram levemente, como se fossem dois namorados que estivessem se despedindo para seguirem caminhos opostos.

Ela corou loucamente e arregalou os olhos, olhando atônica para Harry que a fitava com o mesmo espanto.

Seu corpo tremeu e o sabor da boca do amigo parecia que havia penetrado em seus lábios e o calor percorria seu corpo.

Colocando uma mexa vermelha atrás da orelha, levantou-se e murmurou:

- Até mais tarde. – e saiu do Salão Principal o mais rápido que pode, sentindo o olhar do melhor amigo em suas costas.

Corria pelos corredores como se quisesse chegar logo ao um destino incerto. Temia agora virar qualquer corredor e se deparar com Harry, sorrindo para ela como sempre e a abraçando, como se nada houvesse acontecido.

Gina, aquilo foi um beijo de amigos. Melhor. Um acidente!, Pensou sentindo seu peito dar uma pontada a sufocando.

Apertou com mais força o livro em seus braços e entrou em uma sala, sem perceber que alguém a seguia.


- Olha aqui Naty, eu já estou rondando esse colégio desde as seis horas da manhã, então minha filha, se a gente não achar a Gina daqui mais ou menos – olhou para o relógio – dez minutos, juro que até mesmo o Snape iria pedir misericórdia ao que eu pretendo fazer com você. – a índia falou, ajeitando melhor a mochila nas costas e olhando para amiga ao seu lado que observava tudo ao redor como um cão de guarda.

- Cala a boca, May. – disse simplesmente, balançando a mão num gesto de desdém – Se quiser ir pro Salão Principal e se ajuntar às cobras de sua linda casa – ironizou – pode ir. Não me importo.

A morena suspirou fundo e deu a volta nos calcanhares pronta para ir embora. Deparou-se no final do corredor um grupo de pirralhos da Corvinal e sorriu sarcástica.

- Meu dia esta começando bem. – murmurou baixinho indo até o grupo, com as mãos no bolso do casaco e a cara mais séria que continha. Balançou a cabeça num gesto que fez as mechas claras de seu cabelo castanho parassem de cair em frente de seus olhos negros.
Natalie parou de andar e revirou os olhos azuis, cruzando os braços e vendo o que a amiga iria fazer.

- Ah não. – resmungou – Só me falta, ela colocar os terceiranistas novamente pendurados de cabeça para baixo na parede.

May andou ate as crianças e parou em frente a estes, impedindo a passagem.
- Aonde vocês pensam que vão? – perguntou ríspida.

Os alunos tiveram um sobressalto e pararam de conversar no mesmo instante que escutaram a voz dela que se dirigiu a eles com frieza.

As crianças recuaram um passo e a fitaram com os olhos repletos de medo, sendo que alguns tremiam.

- Estamos indo para a aula de feitiços. – uma loira respondeu no mesmo tom que ela usara, a surpreendendo.

May aproximou-se e abaixou-se perante a menina, antes de sorrir como uma cobra, pronta para dar o seu bote e falar baixinho num tom perigoso:

- Vejo que você não tem medo de mim. – a garota ergueu ainda mais o queixo.

- Deveria?

May riu e assim, disfarçadamente, colocou sua mão dentro das vestes segurando com firmeza sua varinha.

- Oh sim! – estufou o peito de modo que a loira pudesse muito bem ver o broche de monitora – E se eu fosse você tomaria cuidado. Sou da Sonserina e as cobras muitas vezes picam, ou se infiltram em lugares que você pode muito usar e quando menos esperar – os olhos negros brilharam. – Ela estará pronta para dar o bote. – voltou a se erguer e pelo canto dos olhos pode ver que Naty estava encostada numa parede fazendo de tudo para não rir.

Sempre fora assim. Enquanto ela dava medo nos pirralhos, a morena ficava atrás de si, as gargalhadas. Mas muitas vezes ela era que ficara escondida vendo Naty cuidar de alguns pirralhos. Lembrou-se nitidamente, no ano passado, quando estava com fome – pois tinha se atrasado para o almoço - e não tinha nada para comer e a amiga atacou um aluno da Lufa-Lufa do quarto ano, mandando-o passar tudo o que tinha de comida nos bolsos, dando a ela assim sapos de chocolate. E quando o garoto tentou reagir, Naty fez questão de deixá-lo correr nu pelos corredores do castelo.

- Vão sumam daqui. – disse por fim, dando um passo para o lado. Fitou bem a loira que a olhava com repugnância, aonde aquele olhar não passou despercebido por Natalie, que sem pensar duas vezes colocou a mão para trás das costas proferindo um feitiço e quando a loira da corvinal passou por ela, num passe rápido, colocou uma cobra dentro da bolsa da criança que nem ao menos percebeu.

May arregalou os olhos e quando a amiga a fitou por cima dos ombros, e lhe piscou um olho, não pode deixar de conter a alta risada.

A morena veio ate si e a abraçou pelos ombros.

- Me diga uma coisa, May...- Naty falou, vendo-a limpar os olhos úmidos com os dedos – Você conhece uma amiga mais doida que euzinha aqui?

A índia negou com um gesto de cabeça, antes de se recompor do ataque de risos e pegar a varinha.

- Não. – disse, voltando a caminhar – Serio Naty, quero morrer sua amiga. – agora fora à vez da outra, rir.

Mas antes que Natalie pudesse responder, escutou passos e assim virou o rosto para ver se tinha alguém atrás delas. Franziu o cenho ao constatar que o corredor estava vazio, mas o som ainda predominava.

Ela deu um passe à frente e empunhou a varinha.

- Você esta escutando? – perguntou, olhando para os lados.

- Claro que estou. – a índia apertou com mais força a varinha entre os dedos – Não sou surda - Naty suspirou e passou a mão pelos cabelos negros.

- Por Favor! Sem ironias ago...- mas não pode terminar o que dizia, já que soltou um agudo grito quando sentiu algo gelado entrar por dentro de sua saia.

- Corpus Tintales. – May falou num tom firme, fazendo um jato verde sair da ponta de sua varinha e assim cair em cima sobre duas coisas que começavam a se revelar, graças à tinta.
Naty olhou para as duas muralhas idênticas a sua frente e pulou em cima de uma delas, caiando no chão e rolando, sem se importar se sujava suas vestes.

- FRED, SEU FILHO DA MÃE, EU VOU TE MATAR. – gritou, batendo no ruivo em baixo de si, que ria, segurando-a pelos braços, tentando se desvencilhar dos murros que ela dava em seu peito.

- Calma, Naty, foi só uma brincadeira.

A morena o olhou com os olhos azuis em fúria, fazendo-o engolir em seco.

- Jorge! – May disse num tom reprovador, olhando para o outro ruivo que tentou sair de fininho pelo seu lado – É bom você me explicar direitinho que invenção nova é essa, se não serei obrigada tirar pontos da Grifinória – cerrou os olhos e cruzou os braços – Mesmo que seja meu amigo, tenho que fazer meu trabalho como Monitora.

Jorge abriu a boca para responder, mas um novo grito vindo de Naty o interrompeu. A morena continuava rolando com Fred pelo corredor, não se importando com o chão que sujava ao redor.

Fred olhou-a bem e achou adoráveis os olhos, cor de água marinha faiscando de fúria e o rostinho angelical escondido pela tinta verde.

- PERA AÍ, VOCÊ VAI TIRAR PONTOS DA MINHA CASA, POR QUE ESSES DOIS PERVERTIDOS DESGRAÇADOS...- olhou para Fred e o segurou pelas orelhas – TOCARAM NA MINHA COXA POR DE BAIXO DA SAIA?! – deu um tapa no ombro do ruivo.

- Ai, Naty. Que mão pesada. – Fred reclamou.

- VOCÊ VAI VER OUTRA COISA PESAR, SE NÃO CALAR A BOCA.

May ergueu uma das sobrancelhas e olhou de lado para Jorge que fazia a mesma coisa. Os dois se entreolharam por alguns segundos, antes de começarem a rir descontroladamente.

A visão a frente realmente era tentadora de mais, e pela primeira vez na vida a índia desejou que Colin estivesse ali para tirar uma foto, e assim, colocá-la no mural de avisos.

Definitivamente, Paul, não iria gostar nada de ver sua namorada em cima de outro menino, batendo nele e os dois cobertos de tinta verde.

- Ou, o que você acha de irmos embora e deixarmos esses dois, aí? – Jorge comentou, a enlaçando pela cintura.

A índia deu os ombros.

- Ótimo, com certeza o Snape vai passar por aqui, assim não serei eu que ira tirar pontos da Grifinória e...- sorriu maldosa – Levar uma detenção por brigar.

Jorge correspondeu o sorriso e se virou, para logo começar a caminhar junto com a garota ao seu lado.

- Sinceramente, May, eu quero morrer seu amigo. - e os dois gargalharam.

Naty continuava a bater no ruivo e nem se deu ao trabalho de virar o rosto e ver que a amiga e outro gêmeo riam enquanto estavam virando o corredor.

Fred havia segurado seu pulso algumas vezes e ria divertido, fazendo-a sentir ainda mais raiva.

- SEU RUIVO MISERÁVEL. – xingou. – AI COMO EU TE O...- mas foi interrompida, já que Fred levantou a cabeça e lhe capturou os lábios, enquanto segurava os pulsos dela com força e assim girava o corpo ficando por cima. Prendeu-lhe de modo que ela não pudesse se mover e assim, abriu a boca para que o beijo se aprofundasse.

Sabia que Natalie tinha namorado, mas alguma coisa numa das melhores amigas da sua irmã parecia o enfeitiçar, ora dando um sorriso, ora os olhos azuis brilhando, ora o rostinho perfeito tomando uma tonalidade vermelha intensa de raiva. Enfim, nada mais importava naquele momento, só sentir o corpo da morena, delicado e quente, sobre o seu.

A respiração dela era pesada, graças ao forte ódio que sentira há pouco. Ah, ele sabia que iria escutar muito xingo dela, quando a soltasse. Então, por que não curti o beijo mais um pouco?

Sentiu a língua dela penetrar em sua boca, fazendo uma dança sensual junto a sua. Tudo ao seu redor rodava tão rápido que fora obrigado a soltar os pulsos dela e a abraçar com mais força contra si, com medo que a perdesse.

Naty instintivamente o abraçou pelo pescoço e abriu ainda mais a boca, dando a ele passagem para novas descobertas. As mãos do ruivo passeavam pelo seu corpo, por de baixo do, sobretudo, fazendo um rastro de fogo por onde passavam.

Gemeu baixinho quando Fred girou o corpo a deixando por cima de si, e assim subir as mãos pela sua perna indo ate a sua coxa.

O toque fora tão inocente que ela sentiu vontade de chorar. Nem mesmo com Paul chegara algum dia sentir aquilo que percorria seu corpo, nos braços do ruivo.

Borboletas pareciam voar, e seu sangue ardia como brasa. Seu coração batia rápido, acelerando ainda mais a sua respiração e aumentando o calor em seu corpo, que gritava dentro de si para ser libertado e assim explodir.

Abaixou o tronco mais ainda, e o modo que Fred colocou as mexas negras atrás de sua orelha, a fez lembrar das asas de uma borboleta, por tanta delicadeza. Com medo que pudesse quebrá-la com algum toque ou gesto brusco.

Sorriu entre o beijo e deu uma nova investida contra a língua dele e pode perceber que ele também sorria.

Natalie McBride, o que você esta fazendo?, Uma voz gritou no fundo de sua mente, como se fosse um berrador de aviso. Mas não deu atenção, apertou ainda mais o garoto e assim desfrutou das sensações que ele lhe despertava. Como se elas houvessem ficado adormecidas por todo esse tempo.

E quando suas mãos trêmulas tocaram a barriga dele por de baixo da camisa, o sentiu estremecer.

Estava preste a começar deslizá-las pelo corpo dele, quando o sinal de entrada as aulas tocou, os despertando.

Naty levantou-se e ficou sentada no colo dele, o olhando atordoada.

Fred colocou os braços atrás da cabeça e sorriu maroto. Os olhos castanhos brilhando.

- Sabe...- apoiando-se nos cotovelos ele voltou a aproximar os rostos, sentindo o aroma doce de canela soltar-se do corpo dela e penetrando em sua pele – Eu ia pedir um simples pedido de desculpas, mas um beijo me pareceu bastante tentador, já que você estava em cima de mim. – Naty corou e virou o rosto de modo que não o fitasse mais. Oh, céus! Acabava de trair o namorado com o irmão da sua melhor amiga. Definitivamente deveria ter ficado na cama aquele dia. Mas quando soube do acidente de Gina e que ela estava na Ala Hospitalar, saiu da cama, se trocou, e foi correndo para onde a ruiva deveria estar, mas quando chegou Madame Ponfrey disse que ela já havia saído e que estava indo em direção ao Salão Principal, e no caminho para o refeitório encontro May, tendo como sempre, uma discussão com Malfoy.

Esses dois se amam, ela havia pensado irônica. Sem se importar em dizer com licença, pegou a amiga pelo braço e fingiu que não ouvia as palavras fortes que ela lhe dizia aos berros na orelha.

Tampou o rosto com as mãos e respirou fundo.

- Naty? – Fred a chamou, sentando-se e a abraçando pela cintura. Tinha que ser rápido, provavelmente, aquele corredor ficaria lotado de alunos em pouco tempo, e tinha que sair dali, e limpar toda a bagunça antes que um professor visse.

Crispou os lábios ao ver que o irmão e May haviam deixado ele com todo o pepino, mas pelo menos o beijo que dera em Naty serviu para ser seu premio de consolação.

- Fred...- Naty disse baixinho o olhando com os olhos azuis num tom escuro, como se uma nuvem cinzenta houvesse coberto o brilho das íris claras – NUNCA MAIS TOQUE EM MIM. – ela gritou, levantando-se e indo embora, deixando um certo ruivo para trás atônico e ao mesmo tempo rindo, ao perceber que seu premio tinha acabado de lhe dar um tapa na cara e ir andando em direção pelos corredores bufando.

- Acho que esta na hora de renovar as idéias. – disse a si mesmo, começando a se levantar – As meninas estão começando a ficar um pouco, doidas, com os meus beijos.

E rindo, pegou a varinha, conjurou um feitiço de limpeza no corredor e em si mesmo.

Dando a volta nos calcanhares foi em direção a sua aula da Transfiguração, com um sorriso satisfeito nos lábios. O gosto dela ainda estava impregnado neles, e parecia que não ia sair tão cedo, junto com o perfume doce em suas vestes.

"Nunca mais toque em mim", As palavras dela ecoaram em sua mente o fazendo parar de andar bruscamente e virar a cabeça a tempo de ver Naty virando no corredor, sem antes mandar um grupo de alunos para um lugar pouco agradável.

Seu peito se apertou ao ver que não conseguiria ficar longe dela por muito tempo, aquela menina o enlouquecia. Alem do mais, depois de sua irmã, ela era a única que tinha coragem de dar um Shampo de presente ao Seboso no Natal.

Suspirando começou a andar pelo caminho que ela fizera, teria que se desculpar para ter sua amiga de volta.

- Amiga. – disse triste, abaixando a cabeça e tentando fazer parar de arder seus lábios, junto com os pensamentos que Natalie McBride tinha um namorado. – Nada mais que uma amiga. – suspirando, virou o corredor.


- Se você é surda eu não sei, mas o sinal já tocou, Virginia. – escutou ele falar numa voz arrastada, entrando na sala e fechando a porta.

Levantou a cabeça de seu caderno preto em seu colo aonde escrevia e fitou o loiro que lhe sorria irônico.

- Sim, eu escutei o sinal, Draco. – era estranho chamá-lo pelo primeiro nome, mas estava gostando do clima que se iniciou entre eles. Saindo do parapeito da janela, andou ate a mesa do professor e sentou-se sobre esta, colocando o caderno ao seu lado – E se eu não me engano você também tem aula. – falou sarcástica, correspondendo o sorriso dele, junto com um olhar brincalhão.

Draco deu os ombros e andou até ela sentando-se ao seu lado na mesa e fitando a cascata de mexas ruivas caírem sobre o rosto delicado. Algo estava errado. Não sabia ao certo, mas sentia. Ela não estava bem. Mesmo com o sorriso e o brilho nos olhos, eles não eram os mesmo de sempre.

- Tenho aula de Feitiços, mas não estou a fim de assistir a aula daquela velha. – Gina sorriu fraco. Colocou alguns fios cor de fogo atrás da orelha dela, antes de perguntar - Aconteceu alguma coisa?

Ela suspirou e apoiou a cabeça em seu ombro, fechando os olhos.

- Sinto como se um trasgo houvesse dançado em cima de mim. – Draco riu.

- Seria realmente interessante ver um trasgo dançar...- revirou os olhos, tentando não respirar muito, para que o perfume dela não chegasse em suas narinas, aguçando-lhe os sentidos – Mas em cima do Potter, claro.

Gina riu e deu-lhe um tapa no ombro.

- Seu bobo. – agora sim ela havia voltado, os olhos castanhos ficaram mais claros e o sorriso voltou a ser contagiante.

Draco Malfoy saia de perto dessa pobretona agora mesmo!, Sua cabeça gritava, o avisando que fazer amizade com aquele tipo de pessoa seria uma loucura.

Mas ele estava pouco se lixando.

Ficar perto de Gina era reconfortante. Sem esquecer que era linda.

Cerrou os olhos e a fitou bem. Definitivamente aquela saia negra que ia ate a metade da perna, as longas meias brancas e os sapatos serrados, junto o sobretudo com alguns rasgos, não combinava com ela.

Como Potter pode ser tão cego e não ver o que esta bem embaixo do nariz dele? Perguntou-se revoltado, dando um soco na mesa, fazendo Gina ter um sobressalto ao seu lado.

- MALFOY. – gritou, entre os risos – Quer me matar do coração? – levou a mão ao peito sentindo os batimentos fortes contra sua palma.

- Desculpe. – falou ríspido, passando a mão pelos cabelos platinados e olhando para a porta. Sabia que o Herói do Mundo Mágico era um verdadeiro cego, mas não enxergar a beleza de Gina, era algo alem de cegueira.

Ele já ta começando apelar para ignorância., falou consigo mesmo, soltando um resmungo baixo.

Gina riu ao ver as mil caras que o loiro ao seu lado fazia. Foi então que saiu de cima da mesa e ficou entre as pernas dele e com delicadeza tocou-o nos lábios com a pontinha dos dedos.

- Como esta o ferimento? – ele virou a cabeça de modo que seus olhos se encontrassem e uma corrente elétrica circulasse pelo corpo de ambos.

Draco sorriu e beijou levemente os dedos dela, num gesto que a surpreendeu.

- Melhor. – ele achou adorável o rosto dela ir tomando uma tonalidade mais avermelhada à medida que ia se aproximando.

Já havia enlaçado-a pela cintura e a respiração dela se encontrava amena como a sua, e os corpos estavam colocados como se o calor fosse de um único ser.

Gina sorriu, e lhe acariciou o rosto de uma forma meiga.

- Que bom. – falou baixinho. Claro que ela sabia exatamente o que estava acontecendo. E aquela atração que eles tinham um pelo outro era algo incontrolável, que não conseguiam segurar, pois, cada vez que eles ficavam assim, perto um do outro, aquele sentimento ia se apertando no peito deles numa forma crescente, e Gina sabia que a qualquer minuto aquela atração iria explodir e não seria mais capaz de se controlar. Se não podia ter Harry, por que não um Malfoy? - Então você esta, preparado para uma nova surra? – disse num tom mais alto, tentando descontrair e o olhando numa forma divertida.

Teve que segurar o fôlego, quando o loiro a puxou para mais perto dele com firmeza, e a fez colocar as mãos espalmadas sobre o peito másculo, de modo que pela palma da mão podia sentir os músculos se contorcendo ao toque de seus dedos.

Ele se inclinou em direção ao seu pescoço e murmurou numa voz rouca:

- Estou pronto para enfrentar qualquer coisa agora.

A ruiva sorriu e o abraçou com força, como se naquele momento tudo o que ela necessitava era sentir braços fortes a envolvendo de uma forma como se a protegesse de todo o mal que sentia.

- Sabe, Draco...- ela se desvencilhou dos braços dele e num impulso ficou na pontinha dos pés e lhe deu um beijo rápido nos lábios frios, que fora o suficiente para fazê-lo estremecer e olhá-la atônico, enquanto ela continuava a sorrir – Obrigada.

Ele piscou algumas vezes ate que ainda meio tonto perguntou:

- Pe...Pelo o que, Virginia?

Ela pegou seu caderno preto em cima da mesa e deu a volta nos calcanhares, sentindo o olhar de Draco sobre suas costas observando cada um de seus movimentos. Andou calmamente ate a janela e agachando-se colocou o caderno dentro da mochila para logo colocá-la nos ombros e assim, finalmente, voltar a encará-lo.

- Por ser meu amigo...- ela ia andando na direção dele, e sorriu vitoriosa quando o viu se ajeitar sobre a mesa e ficar com as costas retas, para logo sorrir da mesma forma para ela – Por de certa forma, xingar o Harry...- ele riu.

- Isso eu faço com o maior prazer, ruiva. – ela fez um gesto afirmativo com a cabeça.

- E acima de tudo. – voltou a ficar entre as pernas dele e ergueu a cabeça, fazendo os lábios ficarem próximos. – Obrigada por confiar em mim.

Ele afastou o rosto e franziu o cenho.

- Ei, quem disse que eu confio em...- mas antes que pudesse terminar a frase, Gina deu um impulso com os pés, colocou uma mão atrás de sua nuca e lhe beijou.

Um choque percorreu seu corpo e sentiu a brisa fria daquele dia entrar pela janela e penetrar em seu corpo, fazendo-o sentir como farpas perfurassem sua pele.

O sabor dela era doce, o aroma de rosas e os cabelos sedosos o enfeitiçavam. E a delicadeza que ela movia as mãos ou sorria fazendo os olhos cor de mel brilharem o hipnotizavam de um jeito como uma garota nunca havia feito antes.

Enlaçou-a pela cintura e a trouxe para mais perto de si, abrindo a boca e permitindo que a língua dela tocasse a sua.

Arrepios serpenteavam seu corpo, e os cabelos de sua nuca, aonde Gina apertava entre os dedos finos e gelados, se arrepiavam.

Gina gemeu baixinho, quando o loiro levou uma das mãos dele ate seu pescoço e a deslizou novamente ate o meio de suas costas, por debaixo do, sobretudo.

Sabia o que estava fazendo era uma loucura. Mas o sentimento de solidão e carência parecia tomá-la nos braços e fazê-la agir como uma donzela indefesa. E odiava isso. Mas Draco parecia ter um poder sobre ela, que Harry não tinha. Ele a olhava de uma forma, não como uma pobretona ou uma coisa nojenta, mas sim como uma garota, e aquilo a fez sentir-se melhor.

Precisava ser beijada, sentir o calor de um homem sobre seu corpo, na tentativa que aquelas caricias a fariam sair do poço negro aonde mergulhara.

Tinha que esquecer Harry.

Suspirou frustrada. Quantas vezes, dissera a si mesma que esqueceria e iria tirar o melhor amigo de seu coração? E nenhumas dessas tentativas deram um resultado positivo. Parecia que cada vez mais que tentava se distanciar de Harry, um imã o trazia para si, fazendo aquela amor, que a possuía como chamas, crescer cada vez mais.

Sentiu Draco a apertar ainda mais entre os braços fortes, e a língua dele brincar com a sua numa forma sensual, selvagem, quase faminta.

Vendo que ele estava mais relaxado, deixou-se sorrir e deslizou sua mão que estava no pescoço dele ate a alça de sua mochila. Quebrou o contato das bocas e o olhou com carinho.
Draco abriu os olhos e encontrou os olhos dela que pareciam brilhar mais que os próprios raios de sol.

Sorriu e acariciou o rosto dela.

- Weasley, você definitivamente não igual às outras garotas. – Gina riu e caminhou ate a porta.

- Eu sei. – encarou a maçaneta e a cobriu com a mão – Deve ser por isso que os garotos não reparam muito em mim. – e antes que o loiro pudesse protestar ela lhe mandou um beijo no ar e saiu da sala, sentindo a boca tremer.

Draco saiu de cima da mesa e andou ate a janela. Respirou fundo e soltou o ar com força pela boca.

Seus lábios ardiam e sua língua parecia que a qualquer minuto iria derreter como mel aquecido. Seu coração batia rápido, e sentia seus cabelos ficarem molhados graças ao seu suor.

Fechou os olhos e relaxou os ombros, encostando-se à batente da janela.

Tudo bem que Hogwarts poderia ter garotas fantásticas, mas alguma coisa naquela ruiva mexia com ele.

"Deve ser por isso que os garotos não reparam muito em mim", As palavras dela ecoaram em sua mente, fazendo-o estranhamente sorrir.

- Isso é que veremos, Virginia. – e voltou a observar a floresta proibida que era pouco iluminada pelo sol, naquela manha quente.


Parecia que a aula da Historia da Magia daquele dia parecia ter sido programada para matá-lo.

Rony dormia ao seu lado e sorria orelha a orelha mostrado que estava tendo um sonho bom. Mione do seu lado esquerdo, às vezes chegava a piscar os olhos varias vezes para se manter acordada e continuava a escrever o que o professor falava.

E ele apoiava a cabeça nas mãos tentando se concentrar na aula.

Impossível, concluiu quando sua cabeça tombou para frente pela milésima vez, fazendo-o bater a testa fortemente contra a madeira dura da mesa.

- Fico me perguntando no que essa maldita aula vai nos ajudar no futuro? – disse irritado, vendo a amiga sorrir ao seu lado, colocar a pena sobre o pergaminho e estralar os dedos, antes de soltar um logo bocejo.

- Hermione ainda está tentando descobrir. Encontrou um livro a respeito disso?

Mione suspirou e o encarou, com uma careta que o fez ter que segurar o riso.

- Calma, eu ainda estou lendo sobre isso. – riu baixinho. – Eu realmente não sei Harry, acho que essa aula serve para testar nossas resistências. – ele franziu o cenho e encostou as costas na cadeira.

- Como assim? – a amiga voltou a rir e pegando a pena continuou a escrever, enquanto falava:

- Você tem que convir comigo que essa aula, para mim, é melhor de que a de Adivinhação – fez uma careta de nojo – Aquela professora é louca, nem sei como você e o Rony a suportam. O que ela vai prever hoje? Sua morte, e a de Rony; que ele vai ser muito rico e terá muitas mulheres aos seus pés? – ela fitou o namorado e sorriu docemente.
- Mione, volte para o momento presente, sim.

- Ah, desculpa – colocou uma mexa escura do cabelo atrás da orelha e molhou a pena no tinteiro – Essa aula da tanto sono que talvez os professores queiram saber quanto tempo conseguimos nos mantermos acordados, ou, não perdemos o controle e mandarmos o professor para um lugar aonde o deixaria aterrorizado. – Harry riu, ao entender o que ela queria dizer.

- Então, vamos fazer o seguinte. – ele disse, recolhendo as coisas em cima da mesa e as colocando dentro da mochila – Você fica aqui, anota tudinho o que o professor ta falando, cuida do Rony e eu vou dar uma saidinha. – sorriu travesso – O que acha?

Mione arregalou os olhos e um grito escapou de sua garganta, fazendo alguns alunos reclamarem e o professor Bins olhar para ela numa maneira reprovadora.

- Você vai deixar todo esse inferno para mim? – franziu as sobrancelhas e apontou a pena para ele – Grande amigo você me saiu em Harry Potter.

O moreno beijou-lhe a bochecha e começou a sair de fininho, quando conseguiu chegar na porta sem ninguém o ver, a abriu e antes de fechá-la, murmurou:

- Valeu Mione, te devo essa. – a amiga balançou a cabeça, antes de dar um tapa na cabeça de Rony e o acordar, e assim, voltar a escrever sorrindo como se nada houvesse acontecido.

- Onde esta o Harry? – o namorado perguntou, esfregando os olhos antes de deslizar no banco ate ela e lhe enlaçar a cintura. Mione nada disse, só apontou com os olhos aporta e voltou a escrever, Rony pareceu espantado – Você ta querendo dizer que ele saiu da aula e nos deixou aqui? – ela fez um gesto afirmativo com a cabeça – E você escrevendo para ele depois copiar? – novamente o gesto – E agora você me acordou para te fazer companhia?
Mione sorriu ainda mais e o encarou, sentindo um arrepio circular sua espinha quando ele achou uma fresta em sua blusa e entrou por de baixo desta acariciando sua pele, enquanto sorria como não estivesse fazendo nada de errado.

- Isso mesmo, agora iremos compartilhar o mesmo inferno.

Rony passou a ponta da língua pelos lábios enquanto fixava seus olhos na boca da namorada.

- Mione, ainda não estamos na aula de poções. – anunciou, se inclinando para beija-lá.
Mione afastou a cabeça quando os lábios se tocaram levemente e riu provocante, mas o ruivo não deixou barato e a trouxe ainda mais, para perto de si e a beijou com vontade, antes de deitar no banco com ela por cima de si, para o professor não os ver.

Ela sentiu como se houvesse sido atingida por uma onde violenta, quando seu corpo se chocou contra o do namorado, que a abraçava e movia a língua contra a dela. Sorriu ao ver que como Monitora Chefe deveria se controlar e não fazer nenhuma loucura, mas desde quando ao lado de Rony conseguia manter a sensatez.

A pena escorregou entre seus dedos e caiu no chão para abraçar o ruivo e assim corresponder o beijo, fazendo ambos perderem o fôlego.

- Quem diria que a aluna mais inteligente do colégio poderia se agarrar com o próprio namorado na aula? – Rony falou, depois de um tempo que pararam de se beijar e voltaram a sentar.

A morena pareceu não se atingir com o comentário, e molhando sua outra pena, no tinteiro, respondeu a altura, com um sorriso venenoso:

- Bem, as pessoas muitas vezes podem impressionar. – passou a mão pelos cabelos, fazendo uma cascata cair em frente ao seu rosto – Mas se você preferir, posso me agarrar com outra pessoa nas aulas.

Rony deu-lhe um rápido beijo, antes de murmurar ao pé do ouvido dela e beijar-lhe o pescoço:

- Nem nos seus sonhos mais doidos vou deixar que algum garoto te toque. – se aproximou – Você é minha.

Mione revirou os olhos.

- Que novidade! – disse irônica, rindo e o abraçando, antes de voltar a se deitar por cima dele e voltar a beijá-lo com ardor, esquecendo-se que a aula ainda não havia acabado.


Olhou para o relógio em seu pulso e viu que ainda faltava apenas trinta minutos para bater o sinal e assim teria que ir para a sua aula de Defesa Contra as Artes das Trevas.

Sorrindo aliviada pela próxima aula ser uma de suas favoritas, passou por um retrato, que irritantemente a seguiu com o olhar ate virar o corredor.

- Quadros intrometidos. – falou ríspida, começando subir as escadas para o quinto andar.
Parou bruscamente de subir os degraus, quando um zumbido passou raspando por seu ouvido, a fazendo virar e olhar para trás, mas se deparou com o nada e a escuridão do corredor. Dando os ombros voltou a subir e escutou novamente o zumbido. Jogando a mochila com raiva no chão e colocando a mão nas cinturas, perguntou num tom de voz alto:

- Quem esta ai? – colocou uma mexa ruiva para trás do ombro.

Mas nada aconteceu e só serviu para deixá-la ainda mais irritada.

Gina voltou a pegar sua mochila e estava preste a subir as escadas mesmo que o som voltasse a atormentá-la, não iria parar. Mas não foi o zumbido que a fez ter um sobressalto.
Ao seu lado uma porta que sempre se manteve trancada, se abriu e dentro desta começou a ecoar uma musica de piano.

Pode observar que a sala, pela pequena fresta, estava escura, mas leves luzes brancas pareciam, piscar entre a escuridão desta.

Não sabia o por que, mas sentiu que seus olhos iam se fechando lentamente e seu corpo pareceu ter vida própria a levando para em direção a porta.

Respirou fundo vendo que sua razão parecia não querer voltar. Seu corpo parecia mole, como se estivesse dopada. Piscou os olhos algumas vezes, ate que os fixou nas luzes que brilhavam e dançavam entre o véu negro.

Quando levou a mão à porta sentiu a madeira fina entrar por entre seus dedos, causando-lhe um arrepio na espinha, fazendo os pelos de sua nuca se arrepiarem.

- Mas...- tentou falar, mas se assustou ao ver que sua voz não saia, como se alguma coisa estava a prendendo em sua garganta.

Dando um passo a frente abriu a porta e entrou na sala.

Sua mochila escorregou pelo seu ombro e quando caiu no chão, Gina pareceu não se importar com as coisas que se espalharam ao redor dela. Mas o caderno preto ela segurava de encontro ao peito, com força.

A sala tinha uma enorme janela de vidro e as cortinas vermelhas balançavam junto à brisa quente, mas por entre elas a ruiva percebeu que estava escuro e chovia furiosamente.
Franziu o cenho e olhou para o relógio; quinze pras dez, deveria estar dia e não noite como a paisagem, alem da janela mostrava.

Olhou para o outro lado e viu uma escrivaninha. Andando com passos pequenos foi ate ela e um grito escapou de sua garganta quando a porta atrás de si se fechou num rompante forte.
Estralando os dedos, passou a mão pela madeira da mesa e sorriu. Colocou o seu caderno em cima desta e olhou para o outro lado e seu sorriso aumentou mais ainda quando viu a sua frente um piano avermelhado de teclas brancas. As luzes piscavam, envolta do instrumento que parecia tocar sozinho por mágica.

Toque ele!, Uma voz ecoou em sua mente. Fechou os olhos escutando a melodia e pelo breu em seus olhos flashes apareceram.

Ela deveria ter apenas seis anos de idade, Molly estava sentada ao seu lado com a mão quente e carinhosa em cima da sua a acompanhando enquanto tocava o piano e riam juntas quando erravam.

A mãe cantava uma musica baixinho e ela tocava, ate que no final as duas cantavam juntas o refrão.

- Você vai ser uma ótima pianista e cantora minha filha. – a mãe disse, pegando-a no colo e a levando ate a cozinha para a ajudar a fazer o almoço.

Abriu os olhos marejados com a lembrança tão terna. Há quanto tempo não tocava um piano? Nunca mais chegara a ver um depois de seus oitos anos, quando o que tinha em casa tivera que ser vendido para colocar comida da mesa, pois a necessidade ainda fora maior. Mas como bons Weasley conseguiram passar por aquela barra.
Olhou para seus dedos finos e os estralou. Não sabia se ainda lembrava como se tocava, mas iria tentar.

Andou ate o piano e ficou fascinada quando as luzes começaram a dançar em volta de si ainda mais com alegria.

O banco do piano se afastou sozinho fazendo ela erguer uma das sobrancelhas. Balançando a cabeça não acreditando no que estava fazendo, sentou no banco que aos poucos foi se aproximando do piano, aonde este ia parando de tocar ate que um fino ruído rangeu e tudo ficou escuro e silencioso. As luzes sumiram e medo apertou-se em seu peito.

Respirando fundo, posicionou os dedos sobre as teclas e voltou a fechar os olhos.

Naquela manha tinha começado uma nova letra de musica, mas não pode terminá-la, pois teve um certo loiro que a interrompeu.

Sorrindo com a lembrança do beijo que dera em Draco, instintivamente seus dedos começaram a tocar o piano, e uma música leve e tranqüila começou a ecoar entre as paredes negras da sala, e o som da chuva aumentou. Aos poucos as luzes que brilhavam como estrelas começaram a voltar a aparecerem e devagar iam dançando em volta dela.

E sem perceber, começou a cantar, vendo a letra de uma musica ir voando em sua mente:

- Quando a lua tentar me encontrar. Diga a ela que eu me perdi, na neblina que cobre o mar. Mas me deixa te ver partir. – a sua voz saiu baixinho, como um murmúrio ao vento, uma insegurança tomou conta dela que fez contrair os dedos e parar de tocar, e novamente a escuridão pareceu engolir a sala.

Cante!, A voz de sua mãe veio à tona a fazendo abrir os olhos bruscamente.

- Isso ta parecendo coisa de doido. – disse a si mesma, levantando-se e pegando o seu caderno preto que estava em cima da escrivaninha e assim voltar a se sentar em frente ao piano. – Vamos lá Virginia, você não esta enferrujada, só uns treinos e você ira ficar brilhando. – revirou os olhos enquanto abria o caderno na parte da musica e a colocava em cima do piado – Merlin, to falando como se eu fosse um objeto de porcelana velho. – rindo ainda com a própria piada, voltou a colocar os dedos sobre as teclas e com um leve impulso começou a tocar novamente. Sorriu ao ver as luzes voltarem a aparecer e assim começarem a dançar e a circular a sua volta, como se a embalasse. Respirando fundo, começou a tocar novamente, agora com a voz num tom alto – Quando a lua tentar me encontrar. Diga a ela que eu me perdi, na neblina que cobre o mar. Mas me deixa te ver partir. – como mágica a imagem de Harry foi se formando pelas luzes a sua frente. Ele sorria e vinha em sua direção lindo como sempre – Um instante, um olhar. Vi o sol acordar. Por detrás do seu sorriso. Me fazendo lembrar... – voltou a cantar, como se a musica fosse para ele que parou em frente ao piano e a ficou observando com uma ternura que a fez perder o fôlego.
Fechando os olhos, sentindo o calor daquele olhar a aquecer e continuou a tocar.


O som e a voz doce vinham de algum lugar no final do corredor ao lado.

Com passos rápidos começou a correr em direção à voz que parecia embalar seu coração que batia mais rápido a cada passo que dava, e sua respiração amena às vezes saia forte graças a sua correria.

O corredor parecia não ter fim, e o medo de não chegar a tempo e saber quem era que tocava e cantava parecia arrebatar-se dentro dele.

- Que eu posso tentar te esquecer Mas você sempre será a onda que me arrasta. Que me leva pro teu mar. – a voz feiticeira e de alguma forma conhecida voltou a ecoar e misteriosamente um sorriso cortou seus lábios.

Chegou em frente à escada que levava direto para o quinto andar, olhou ao redor, mas não viu nada.

A musica estava mais alta, como se alguém estivesse bem ao seu lado tocando.

A letra da musica e o som romântico batucava em sua mente como um tambor e por alguma razão sentiu como se aquela musica fora feita para ele.

Passando as mãos pelos cabelos negros, fechou os olhos e deixou que seus instintos o levassem ate a doce voz.

Como tivesse vida própria, suas pernas começaram a andar em direção a sua direita e logo sentiu seu corpo se chocar com algo.

Abrindo os olhos bruscamente se deparou com uma porta.

- Mas ela sempre esteve trancada. – com o cenho franzido girou a maçaneta e a imagem que viu o fez perder o fôlego.

Entrou rasteiramente dentro da sala e fechou a porta com cuidado para não fazer barulho.
Gina estava bem ali na sua frente, com os dedos tocando um piano, os olhos fechados e os lábios contorcidos num sorriso doce enquanto se movimentavam e deles uma voz fina, como o canto de uma sereia, saia ecoando pelos arredores.

- Sinto a calma em volta de mim. O teu vento vem me perturbar. Me envolve me leva daqui. Me afoga de novo no mar. – ela cantou e o som do piano acompanhava a musica com perfeição.

Sabia que Gina cantava bem graças a um comentário orgulhoso feito por Rony no começo do ano.

"Um dia a minha irmã vai ser uma estrela!", ele havia dito, enquanto dava a volta nos calcanhares e ia atrás de Mione, tentar se desculpar por mais uma discussão.

Lembrava-se vagarosamente de ter pedido para a melhor amiga cantar para ele, só que a ruiva havia se negado bruscamente e o rosto tomando uma tonalidade vermelha.

"Por favor, Harry. Eu cantar bem? O Rony deveria estar delirando quando disse isso".

E agora, ele estava ali, vendo-a cantar e tocar com perfeição, e comprovando que Rony estava certo.

Andou devagar até a amiga, como se uma corrente estivesse o puxando em direção a ela. Parou em frente ao piano com cuidado e tentou segurar o riso ao imaginar a cara dela quando o visse em sua frente, a observando.

A voz dela aumentou graças ao refrão e o som do piano, fez a melodia ainda ser mais
bela.

- Me perco nos teus olhos. E mergulho sem pensar. – ela fez uma pausa e a melodia tornou-se mais lenta – Se voltarei...

Sorriu e o orgulho pela ruiva aumentou ainda mais dentro de seu peito.

Sentiu a boca ficar seca quando fixou suas íris verdes na boca dela que se movia com leveza.
Ela estava tão bela. O rostinho contorcido em uma alegria luminosa. Os cabelos se movimentando junto às mãos dela e os olhos fechados pareciam que eram um convite de surpresa para se aproximar e beijar-lhe a boca cor de carmim.

- Me envolve e me leva para longe daqui.

Oh sim, ele a envolveria nos braços, a beijaria e sentira o corpo dela sobre o seu. O calor, o gosto e o aroma doce penetrar sobre sua carne.

As mãos dela tocavam as teclas do piano como se fossem plumas, de tanta delicadeza. Parecia que ali, bem a sua frente, não estava a Gina que era sua melhor amiga, mas sim outra pessoa doce, amável, delicada e...feminina. Uma que ate agora nunca vira e que estava começando o anestesiar, tamanha a sensualidade que transbordava dela.

Aproximou-se ainda mais, parecendo que alguma coisa o empurrava, e colocou suas mãos sobre o piano, escutando a voz doce e perfeita penetrar sobre sua pele, e junto com esta vinha o perfume dela, que estava o enlouquecendo.

Sabia que teria que sair dali antes que fizesse uma loucura, mas seu corpo não o obedecia. Continuava parado, a observando de uma forma como fitava as garotas que gostaria de beijar. Mas com Gina ele sabia; nunca seria de uma única noite. Ela era uma garota que qualquer garoto gostaria de ter, para a vida inteira.

Escutou-a cantar novamente:

- Me perco nos teus olhos. – sim, ele se perdia – E mergulho sem pensar. – mergulharia naquele mar alucinante e excitante que seria tê-la com o corpo nu ao seu, o aquecendo, o amando – Se voltarei...- se um dia ela se fosse, ele iria atrás, pois sem ela, não conseguiria viver. E se ele tivesse que partir algum dia, ele voltaria para os braços dela.
Sentiu a sua respiração perder-se dentro de si, quando Gina abriu os olhos e o fitou com um certo espanto. Cerrou os olhos e percebeu que ela o olhava como se estivesse bêbada, ou anestesiada.


Ele ainda estava ali. Não brilhando como antes, mas estava. O calor daquele olhar, daquelas íris verdes que tantas vezes desejara se afogar, a aquecia, e um calor eloqüente estava começando a atormentá-la.

Fechou seu caderno e o segurou com força. Arrastou o banco para trás, fazendo um barulho fino e irritante atravessar a sala. Levantou-se e andou ate a miragem de Harry a sua frente.

Ele sorria e as mexas negras caiam em frente ao rosto dele.

Ele é tão lindo!, Pensou maravilhada, chegando perto dele e o fitando com carinho.
Ele não dizia nada, não fazia nada. Só fica ali parado, a observando como se fosse um anjo da guarda.

Mesmo que fosse uma miragem, ela teria que fazer o que há tantos anos vinha ansiando. Senti-lo. Tocá-lo. Beijá-lo.

Suas pernas tremiam e sentia o resto de seu corpo mole. Sua cabeça girava e o mundo parecia não existir mais.

Deixou seu caderno em cima do piano e com a mesma mão a levou atrás da nuca dele, sentindo os fios negros e arrepiados passarem entre seus dedos.

Senti-o tremer quando aproximou os lábios e murmurou:

- Sabe qual é a coisa que mais desejo?

Ele pareceu hesitar um pouco, antes de enlaçá-la pela cintura.

- O que? – escutou-o perguntar com a voz rouca e sensual perto de sua orelha, enquanto a respiração quente tocava na curva de seu pescoço.

- Você. – disse por fim, dando um impulso com os pés e o abraçando com força, desejando que aquele momento durasse para sempre.

Podia sentir a respiração dele pesada em seu pescoço.

Ele acariciava sua cintura com as pontas dos dedos que às vezes subiam por sua espinha, fazendo-a se arrepiar.

- Eu também. – ele respondeu num fio de voz, como se não pudesse ter mais controle pelo próprio corpo que agia involuntariamente ao desejo que estava o consumindo.

Com delicadeza, a afastou e deu um passo para trás, de modo que pudesse encarar a melhor amiga no fundo dos olhos. Desejando mergulhar naquele mar de águas escuras que brilhavam, somente para ele.

Sorrindo, acariciou o rosto dela, antes de deslizar as costas dos dedos ate o pescoço e assim segura-lá pela nuca. Sentindo os fios cor de fogo passar entre seus dedos.

Por alguma razão, o ar estava tentadoramente perigoso.

Eles estavam sozinhos, no escuro, e Gina, para seus olhos, estava mais bela do que nunca.
Podia ver o sorriso dela cortando os lábios doces, o aroma de flores percorrendo a atmosfera da sala e os olhos brilhando, como se iluminasse a escuridão. Os cabelos vermelhos caiam sobre o rosto dela como um véu e ia delineando o corpo ate um pouco embaixo do busto farto.

O céu! A queria tanto que às vezes chegava a doer.

Pelo amor de Deus, Harry, ela é sua melhor amigo!, Uma voz irritante fez o favor de lhe lembrar, mas fechando os olhos e inclinando a cabeça de modo que fosse beijar a ruiva, fingiu não a escutar.

Pode senti-la estremecer quando os lábios estavam quase se tocando.

E quando ela levou as mãos ao seu peito, de modo que pela palma pudesse escutar seu coração bater, algo estranho aconteceu.

Gina se afastou dele bruscamente o empurrando para trás com força, os olhos esbugalhados como se tivesse acabado de ver o seu pior pesadelo. Os dedos tremiam, a boca abria e fechava varias vezes.

- Gi...- chamou-a com cuidado, dando um passo à frente, com o cenho franzido.
Mas o que aconteceu?

Estava indo tudo tão bem e ela tinha que o afastar daquela forma. A amiga deu um passo apara trás, recuando, como ele fosse um mostro e a qualquer momento iria comê-la e limpar os dentes com os ossos dela.

Assustou-se quando ela contorceu o braço enfaixado e levou a mão ate o ferimento, algumas gotas de sangue pingavam no chão frio e quando ela retirou a mão de cima da gaze, pode ver que nos dedos dela, havia um pouco de sangue.

- O ferimento abriu. – disse, não se importando se ela o batesse ou voltasse o afastar como fizera. Aproximou-se e segurou o braço machucado com cuidado – Temos que cuidar disso.
E ela estava novamente perto de si. O calor penetrando sobre sua pele e o aroma chegando em suas narinas.

Ela o olhou com um olhar de medo, e isso o fez tremer.

Ela esta com medo de mim?, Pensou, não entendendo a reação dela.

Gina teve que morder o lábio para segurar um grito quando sua mente pareceu voltar ao momento presente, a impedindo de uma loucura.

No momento que sentiu o coração de Harry batendo, percebeu que ele não era uma miragem, mas sim o próprio menino que sobreviveu, que há tanto tempo marcara seu nome em seu coração com ferro em brasa.

Seu braço ardia e pareceu queimar ainda mais quando a mão quente do amigo o tocou.
Tomando coragem, levantou a cabeça e o encarou.

Os olhos verdes estavam opacos, mostrando uma magoa que ela todo dia mergulhava, ao saber que nunca o teria.

Harry já havia pegado o seu braço e o colocado sobre o próprio corpo, como se o estivesse cobrindo para que nada o atingisse e assim a fizesse sentir aquela dor formigante crescer. O calor do corpo dele percorria seu corpo, e estavam ainda mais próximos, se fitando como se nada ao redor existisse. Ele sorria meigamente, enquanto ela continuava com a mesma fisionomia magoada.

Respirando fundo, levou a sua mão ao rosto dele, acariciando-o com carinho.
Quando o viu fechar os olhos, para gravar o seu toque, sentiu que seu coração iria explodir tamanha a força que batia. Deu um passo para trás, sentindo suas costas tocarem a parede, e ele veio até si, a pressionando contra esta.

- O que está acontecendo entre nós Harry? – perguntou num sussurro, vendo-o abrir os olhos e a fitar.

Ele deu os ombros e se afastou.

Gina pode sentir que o calor que emanava dele ia sumindo aos poucos de sua pele graça a distancia que ele deu entre seus corpos, parecendo temer fazer algo que mais tarde não somente ele, mas principalmente ela, iriam se arrepender.

O vento da manha entrou na sala e circulou pela atmosfera tensa, até atingir o corpo da ruiva que estremeceu, ao sentir como se mil facas perfurassem sua carne e as feridas em sua alma se abrissem e começassem a sangrar ainda mais. Feridas de dor, de magoa, feitas por ele. Ela não o ocupava de fazê-la sentir-se tão pequena, de não corresponder o seu amor. Mas vê-lo com outra garota doía de mais. Uma dor inexplicável que dominava seu corpo como se cobras circulassem entre suas veias.

- Eu não sei...- Harry falou de repente, parecendo dizer aquelas palavras mais para si mesmo do que para ela. Ele se aproximou e com a outra mão a colocou sobre a parede no lado da cabeça da melhor amiga, enquanto colava a sua testa com a dela – Não sei!
Ela sorriu carinhosa e deslizou seus dedos ate o pescoço dele.

- Muitas coisas não podem ser explicadas. – retirou seu braço do corpo dele e o trouxe para o seu, sentindo o sangue se espalhar ainda mais sobre a gaze – Mas sim sentidas. – disse por fim, antes de dar um beijo na bochecha do moreno. Dando uma ultima olhada nas íris esverdeadas, deu a volta nos calcanhares, pegou sua mochila e foi embora a tempo de impedir que Harry visse as lágrimas escorrerem, por seu rosto penetrando em seus lábios, a sufocando.

- E o que sinto por você é amor. – disse baixinho, tampando a boca para abafar os soluços – E o que você sente por mim é carinho. – dizendo isso se encaminhou ate o Salão Comunal da Grifinória o mais rápido possível, antes que o sinal tocasse e os corredores ficassem cheios de alunos que pudessem ver a magoa em seus olhos.


Muitas coisas não podem ser explicadas. Mas sim sentidas. As palavras de Gina voltaram ecoar em sua mente.

Cerrou os punhos com força, e não se importou com a dor que sentia em sua palma, no momento que suas unhas começaram a perfurar sua carne. Uma raiva o atingiu como um furacão violento e num impulso deu um soco na parede.

A dor do impacto entrou entre seus dedos e pareceu ir em direção ao seu coração o apertando como se estivesse sendo enlaçado a ferro.

- O que eu sinto? – perguntou a si mesmo. Sentiu-se ainda mais idiota ao ver que não conseguia achar uma resposta, e talvez, nunca a achasse.

Passando a mão machucada pelos cabelos revoltos, num gesto que mostrava seu nervosismo, virou-se em direção ao piano.

Franziu o cenho ao ver que o caderno preto de Gina estava sobre o instrumento.
Andou até este e passou de leve os dedos sobre a madeira, até tocar, hesitando, sobre a capa dura do caderno. O pegou e levou-o ate os lábios de modo que o aroma doce da dona penetrasse sobre sua boca, fazendo sua língua começar a pedir alguma coisa que matasse a sede arrebatadora que começava a possuí-la.

Chacoalhando a cabeça, para afastar as imagens que começavam a fluir nela, abriu o caderno e pode ler na primeira folha, em letras caprichosas: Virginia Weasley. Virou-a e pode ver que letras viajavam pela segunda pagina, como se uma brisa as balançasse como folhas do outono. As palavras faziam formas enquanto flutuavam pela página amarela gastada, até que assim, uma nítida poesia pode ser lida:

O sol se encobre por névoas do meu pensamento
Largado por onde não sei para onde caminho
Deixo marcas pela a minha trilha
De esquinas de inesperados olhares
Me tentando guiar sem ostentar certezas
De um futuro para sempre incerto
Continuarei a cada passo, com coragem
Seguir sem temer o inesperado
Sempre para um futuro
Negando possível recuo
Para um passado já fechado em memórias
Quando um futuro me chega
Como um sinal para um destino
Neste árduo caminho
De não saber o amanhã
Quando já vivo o presente
Que encoberto pelo o ontem
Se tornou um passo para além
De certo possível destino

Logo, uma imagem começou a se formar. As palavras pareciam ir se desenrolando fazendo linhas negras que começavam a se mover ate que o rosto de uma pessoa começou a ser desenhado; lábios firmes foram os primeiros, antes de cabelos negros rebeldes. Harry gelou e segurou o caderno com mais força quando os olhos foram feitos e um aro redondo em volta deles, fazendo o óculos. Mas logo, o corpo começou a ser feito, e ao longo que ia sendo desenhado, uma cabeleira longa também ia sendo feita com traços, agora, mais suaves; os lábios delicados, nariz pequeno e fininho, olhos pequenos e levemente puxados como uma felina, dando um ar mistérios a jovem que ia se formando na folha da pagina.

Arregalou os olhos, quando o desenho acabou de ser feito, e a imagem perfeita dele, sorrindo encantadoramente, abraçando uma jovem por trás pela cintura movia-se com leveza. Gina havia coberto os braços dele com os dela, sendo que uma das mãos que se tocavam os dedos entrelaçados. Os olhos pareciam brilhar, mesmo que ali não tivessem cor. Os cabelos ruivos balançavam e caiam em frente ao rosto delicado.

Harry sentiu a boca seca, quando ela se virou, segurou-lhe o rosto e o beijou docemente.
E quando viu os lábios dela tocarem os seus, no desenho, o caderno escorregou entre seus dedos, fazendo um barulho agudo quando se chocou com o chão.

Sentiu seu corpo tremer como se fosse uma folha jogada ao vento. Seus olhos estavam ainda fixo na capa negra do caderno que se fechara, tamanho o impacto.

Seu coração batia descompassado que às vezes chegava a doer e seus lábios tremiam. O desenho apareceu em sua mente, a cores, e com uma leve continuação feita por sua imaginação, o atormentando ainda mais.

Respirando fundo, pode escutar o sinal tocar e assim, pegou o caderno no chão – sabendo que mais cedo ou mais tarde teria que devolvê-lo para a melhor amiga – e o colocou dentro de sua mochila, antes de sair daquela sala, com o pensamento de que nunca mais entraria nela.

Continua...