Capitulo 5: Cada ação tem sua Conseqüência

Quando ele passa sinto algo em meu coração.

Quando ele me toca, sinto fogo em minhas veias.

Quando ele me beija, sinto o meu mundo girar.

Mas quando abro os olhos vejo que foi tudo ilusão.

E o meu mundo solitário... Sem ele...

Volta a existir.

Corria de cabeça baixa, sentindo os fios ruivos de seu cabelo grudar em seu rosto, contorcido de dor.

Seus olhos ardiam e a mágoa estampada neles era tão grande que qualquer um poderia pensar que aquilo era base do sofrimento da perda de algum ente querido. Mas de certa forma era uma perda. Uma perda que seu coração não aceitava, que sua mente lhe mostrava e que seu corpo chamava. Ela o via como um garoto normal, alguém com quem gostaria de estar abraçada e passar o resto de sua vida. Enquanto ele a via como uma criança, a irmã mais nova do melhor amigo... Uma amiga. Uma simples garotas, que era excluída pelas outras, por ser feia.

A brisa tocava em sua pele a fazendo ficar ainda mais gelada e os raios de sol não conseguiam a aquecer. A magoa era grande de mais. As lagrimas escorriam por sua face avermelhada e os lábios tremiam em sôfrego.

Virou o corredor e continuou com a cabeça baixa. O peso de sua mochila em suas costas, estranhamente aumentou e seu peito parecia ter se fechado não aceitando mais o oxigênio que tentava respirar.

Não conseguiu segurar um soluço. Levou a mão tremula ao peito, sentindo uma falta de ar, horrível. Tudo ao seu redor pareceu girar rápido de mais, o frio que sentia antes, se arrebatou a um calor insuportável e sentiu que a resistência de seu corpo ia diminuindo. Suas pernas tremeram e gemeu quando trombou com força em alguém no corredor e assim caiu no chão, sentindo a força do impacto contra seu corpo.

- Gina? – escutou alguém chamá-la. Seu estomago estava embrulhado como se a qualquer minuto pudesse vomitar. Tinha os cabelos em frente ao rosto, impedindo-a de ver quem estava a sua frente e caída no chão embaixo de si.

- Olha Gi, eu sei que sou linda mais não precisa chega a ponto de ter que me agarrar. – outra voz, num tom irônico, chegou em seus ouvidos.

Tirando a cascata de fogo da frente de seu rosto, os atacando para trás num gesto de cabeça, pode ver que May estava em baixo de si a olhando como se fosse uma louca e Naty bem ao lado com o cenho franzido.

Levantou-se e desamassou suas roupas, antes de esticar a mão para ajudar a amiga a se levantar.

- Desculpe, May. – pediu baixinho, pegando suas coisas no chão, tentando impedir que elas vissem seus olhos vermelhos.

A índia riu e colocou uma mexa dos cabelos castanhos atrás da orelha.

- Tudo bem, já estou acostumada com esse agarra-agarra. – Naty deu uma cotovelada nas costelas da morena que a fuzilou com o olhar, quanto tentava segurar o gemido de dor na garganta.

Naty pode ver que a índia falou um xingamento baixinho, mas a olhando com desdém, foi ate a ruiva que se levantava do chão e colocava a mochila nas costas.

- Gi, você esta bem? – perguntou doce. Gina abaixou ainda mais a cabeça antes de se virar pra elas e responder com um gesto de cabeça.

May parou de massagear as costelas e andou ate as amigas.

- O que foi? – perguntou, vendo que Gina recuava, como se temesse que elas se aproximassem e a pudessem machucar. – Por Merlin, o que esta havendo? – voltou a perguntar, agora pegando a ruiva pelos ombros e a obrigando levantar o rosto para fitá-las.

Naty permitiu que os livros que segurava caíssem no chão, fazendo um barulho rouco, enquanto a índia sem pensar duas vezes, jogou a própria mochila no chão e abraçou a ruiva que se permitiu chorar em seu ombro.

- Sabe quando as coisas mais importantes da sua vida começam a fugir entre seus dedos e você as vê se distanciando...- soluçou – indo embora levando junto um pedaço de seu coração, ate que não reste mais nada e...- outro soluço – você fique completamente oca por dentro?

May abraçava cada vez mais com força a amiga nos braços, enquanto Naty acariciava os cabelos vermelhos de Gina.

As duas se entreolharam e pela primeira vez não sabiam o que fazer.

May pode escutar as portas das salas de aula irem se abrindo e os passos e vozes dos alunos indo em direção ao corredor onde estavam.

- Vamos. – Naty avisou, pegando suas coisas no chão e a mochila da índia. – Não podemos ficar aqui.

Andaram com cuidado ate a primeira sala vazia e quando entraram, May fez questão de fazer um feitiço para que ela não pudesse ser aberta.

Levou Gina, que ainda chorava, ate uma carteira e sentou-se logo a sua frente, enquanto Naty ficava encostada na porta com os braços cruzados as observando.

- O que, exatamente, aconteceu Gi? – Natalie perguntou fazendo que as duas amigas sentissem um arrepio na espinha.

Não era normal e nem feito de Naty perguntar daquela maneira tão seria e fria.

May virou-se para a amiga na porta a tempo de vê-la cerrar os olhos e fazer que os olhos azuis brilhassem ainda mais entre a escuridão.

A voz saiu gélida, mas mesmo assim o tom de preocupação estava nítido.

O que sabia sobre a vida de Naty?, A índia perguntou-se.

Enquanto elas sabiam tudo de sua vida, ate mesmo de Gina que era um verdadeiro livro aberto, Naty fazia questão de se manter fechada, sempre alegando que elas não estavam prontas para saber sobre sua vida e muito menos seu passado.

Lógico que ela e Gi já haviam percebido as cicatrizes que Naty continha no pulso e nas costas, e aquilo a intrigava cada vez mais.

E a mudança de personalidade dela quando tocavam na palavra "pais" era radical. Já que sempre fora uma garota alegre, atrapalhada e engraçada. E quando essa palavra vinha átona nas conversas ela ficava fria, distante e uma magoa enorme afogava as íris azuis.

Grifinórios. Quem os entende?, Pensou consigo mesma, dando os ombros e voltando-se para a ruiva que havia se sentado melhor sobre a cadeira e as lagrimas não rolavam mais pelo rosto dela.

- Pode falar. Vai desembucha. – falou alegre, tentando descontrair um pouco o clima tenso. Desejou que Naty houvesse feito isso, já que ela sempre fora boa para fazer as pessoas rirem, mas por que não tentar? – O que aconteceu? Foi o Kevin? – a ruiva negou com um gesto de cabeça com os olhos perdidos em algum ponto do chão – Jack? David? Mark? Thomas? John? Pedro? Simas? – outro gesto de cabeça – Então quem foi o filho duma p.

- MAY! – Naty falou num tom alto o suficiente para abafar o palavrão.

Ah sim, ela havia voltado.

May sorriu para a morena que andava na direção delas e sentava-se na cadeira à frente de Gina.

- Deixa que as piadas fiquem comigo, okay? – a índia revirou os olhos, e assoprou uma mexa castanha de seu cabelo que lhe caia em frente ao rosto.

- Como desejar. – falou irônica.

Naty sorriu e colocou uma mão no ombro de Gina, que graças ao toque chacoalhou a cabeça e a fitou, como se tivesse acabado de sair de um pesadelo tamanho eram os olhos esbugalhados.

- Tudo bem. – Gina disse, suspirando e passando a mãos pelos cabelos – Pra começar, eu beijei...- mordeu o lábio inferior.

- VOCÊ O QUE? – as duas amigas perguntaram em uníssono, agora ajoelhadas a sua frente.

Balançando a cabeça num gesto afirmativo, continuou:

- Beijei... – apertou uma mão na outra - Draco Malfoy. – e antes que pudesse falar mais alguma coisa, Naty fez questão de desmaiar enquanto May pulava em cima de si como se fosse matá-la.


Estralou os dedos das mãos que estavam dentro do bolso do, sobretudo.

O corredor estava cheio de alunos e por onde passava podia sentir o olhar das garotas sobre suas costas. Sorria quando uma ou outra suspirava.

- Saiam da minha frente. – falou ríspido, fazendo que o bolinho de alunos sobre o quadro de avisos lhe abrissem caminho.

Os alunos obedeceram à ordem e o fitaram.

- Sumam daqui. – voltou a falar, tirando a mão dos bolsos e passando sobre os cabelos platinados. – Vamos ver a lista de hoje. – sorriu e levou seus olhos para o pequeno jornal preso sobre o quadro.

JORNAL DE HOGWARTS – Ultimas noticias

Como todas as semanas, o Jornal – No Mundo de Hogwarts – não poderia deixar de faltar a tão esperada lista; onde falamos sobre as pessoas mais belas do colégio, e também entre elas, as mais feias.

Pelo incidente na ultima edição do jornal – a garota votada em 1° lugar como a mais feia, tentou queimar o estúdio – a nossa equipe resolveu colocar ao lado do quadro de avisos uma caixa, onde criticas poderão ser colocadas e assim no final te toda a semana ela será – depois de lida por nossa equipe – discutida, e as respostas virão por aqui mesmo nas ultimas paginas.

Agora, o Jornal de Hogwarts deseja a você uma boa leitura.

Lista das garotas mais LINDAS:

1°- May Su – Sonserina – 6° ano

Draco arregalou os olhos ao ver que como na edição anterior, a índia conseguira o primeiro lugar entre as alunas mais bonitas do colégio.

Fez uma careta não acreditando no que os próprios olhos lhe mostravam.

- Deve ter algum erro nisso aqui. – falou, pegando um exemplar em cima da pequena cesta enquanto ia direção à sala onde haveria sua próxima aula; DCADT.

Lógico que ele não era cego ao ver como May era bonita; os cabelos lisos e castanhos com mexas claras faziam o rosto bronzeado de sol ficar ainda mais sensual. Os lábios sempre cortados ora num sorriso doce ou gélido fazia qualquer garoto enlouquecer e os olhos negros sempre tão penetrantes. Tinha que concordar, que quando ela o fitava com ódio ou certa provocação, o fazia estremecer.

- E por Deus, ninguém sabe que o verdadeiro nome dela não é esse? – perguntou-se, entrando na sala e sentando-se numa das ultimas cadeiras. Colocou os livros sobre a mesa e se sentou, colocando o jornal sobre seu colo.

Não era qualquer um que sabia que, May era apelido de Talamay, graças a origem índia puxada do pai que era um dos braços direito do Lord das Trevas.

Ele seria um dos primeiros a comprar ingresso para ver a cara dos alunos quando descobrissem o sobrenome dela. Um sobrenome ate mais temido que pelo próprio "Malfoy".

Revirou os olhos, enjoado, ao se lembrar que suas famílias eram tão amigas.

"Ai Draco, você ia fazer um casal perfeita com a May, ela é linda", Sua mãe sempre fazia questão de lembrá-lo.

Ele não era cego o suficiente para ver que May era realmente bonita, mas por outro lado, extremamente irritante.

Deu um soco na mesa, sentindo seus ossos se contorcerem em raiva.

Odiava aquela garota que fazia questão de sempre o atormentar com suas provocações e a língua sempre tão afiada.

- Mas ela vai ver. – disse a si mesmo, estralando novamente os dedos tensos.

Os alunos começaram a entrar na sala e algumas garotas da Grifinória fizeram questão de sentar perto de si, na outra fileira.

Não se importando com os olhares delas sobre si, voltou a atenção para o jornal.

2°- Natalie McBride – Grifinória – 5° ano.

3°- Katherine Malfoy – Sonserina – 4° ano.

4°- Sayuri Matonobi – Grifinória – 5° ano.

5°- Catherine Huston – Corvinal – 7° ano.

6°- Cho Chang – Corvinal – 7° ano.

Ficou impressionado e ao mesmo tempo orgulhoso ao ver que a própria prima conseguira o terceiro lugar como uma das mais lindas.

- Tinha que ser uma Malfoy. – riu satisfeito. Virou a pagina e começou a ver a segunda lista.

Lista das garotas mais FEIAS:

1°- Hermione Granger – Grifinória – 6° ano.

Gargalhou para valer ao ver que a Sangue-Ruim, fora realmente classificada como uma das mais feias.

Bem, o jornal não estava tão errado assim com suas pesquisas.

Com aqueles olhos castanhos, rosto gorducho, cabelos crespos e volumosos e os dentes grandes, como é que alguém poderia gostar daquilo?

- Tinha que ser um pobre mesmo, para namorar, aquilo. – ainda rindo, continuou vendo a lista.

2°- Pansy Parkinson – Sonserina – 6° ano.

Arregalou os olhos.

Oh Sim, Pansy iria ficar uma fera.

3°- Virginia Weasley – Grifinória – 5° ano.

Engasgou com a própria saliva e se ajeitou melhor sobre a cadeira.

Como assim Gina era a terceira garota mais feia do colégio? Será que como o Garoto da Cicatriz, os repórteres eram tão cegos a ponto de não verem a beleza tão magnífica daquela ruiva?

Certo; cabelos mal penteados, roupas sujas e rasgadas não era algo que ajudava a ver a beleza daquela garota, mas qualquer bom observador viria que ela estava ali.

Passou a mão pelos cabelos platinados e deu um soco na mesa, revoltado.

Ah sim, aqueles desgraçados que fazem a pesquisa do jornal iriam ver uma coisa. Iria obrigá-los a abrir os olhos e verem que, Gina Weasley, era capaz de parar quarteirões, e a ajudaria a mudar. Mesmo que fosse a força.

"Deve ser por isso que os garotos não reparam muito em mim" As palavras dela ecoaram em sua mente, trazendo junto à lembrança do sabor tão doce dos lábios vermelhos, fazendo sua boca ficar seca. Sorriu pelo canto dos lábios ao saber que alem de bela, aquela ruiva sabia beijar bem e acima de tudo, sabia ser sensual e fazer um homem cair a seus pés. Ela precisava somente de um empurrãozinho.

Abaixou a cabeça para continuar a ver a lista, mas algum tumulto vindo do corredor, no lado de fora, chamou sua atenção.

Levantou-se num pulo quando a voz estridente de uma garota ecoou. Pior. Grito de uma voz conhecida, e logo em seguida risadas masculinas.

Fechou o jornal e o dobrou, para logo guardá-lo na mochila e se encaminhar para o corredor empunhando a varinha dentro do bolso da calça.

Quando passou pela porta e viu o que estava acontecendo, seu sangue gelou, e uma raiva o invadiu.

Cinco garotos do quinto ano faziam uma roda envolta de uma primeiranista.

E ao identificar quem era a menina, um ódio arrebatou-se em seu peito.

Apertou com mais força a varinha na mão e andou com passos firmes ate o grupo.

- Ei, bando de urubus. – falou com a voz fria, fazendo os garotos erguerem a cabeça e o olharem com espanto. – O que bando de inúteis como vocês, que mancham o nome da Sonserina, estão fazendo com ela? – e apontou para a menina que tinha o joelho ralado e um leve corte nos lábios.

- Ora Malfoy, não me diga que esta dando um de Herói. – um dos sonserinos falou, segurando a menina pelos cabelos, que já tinha lagrimas banhando o semblante corado – O que uma menina tão inofensiva como ela pode fazer contra a gente?

Draco cerrou os olhos, fazendo que suas íris acinzentadas ficassem ainda mais frias, e as mexas platinadas que o cobriam faziam com que seu rosto ficassem ainda mais perigoso.

Aproximou-se do grupo e olhou para a garota. Ela era realmente muito parecida com a irmã, comentou, observando os cabelos negros ate os ombros, os olhos levemente rasgados cor de mel e a pele morena.

- Draco. – pode vê-la mover os lábios, chamando-o como se estivesse pedindo socorro.

O coração do loiro se apertou e o ódio aumentou. Ah sim. Estava na hora de fazer aquelas cobras voltarem para seu buraco.

- Largue, ela. – falou num tom baixo, fazendo as palavras saírem como farpas venenosas.

O garoto sorriu mais ainda, enquanto os outros recuavam para trás, quando o loiro se aproximou e entrou no circulo.

- Me diga Malfoy, por que tanta preocupação com essa garota? – puxou com mais força os cabelos dela que gemeu – Por acaso é mais uma na sua lista?

Draco revirou os olhos e sorriu pelo canto dos lábios frios.

- Não, ela não é mais uma na minha lista. – começou devagar, enquanto se aproximava cada vez mais – E de certa forma, Gardellin, eu estou sim preocupado com ela – sorriu mais ainda – e com pena de vocês.

O moreno franziu o cenho, e Draco deu os ombros, explicando com um tom de voz despreocupado:

- Se vocês não sabem essa menina ai que você esta, maltratando – riu com gosto – É a irmã menor da May Su.

Draco teve que aperta com mais força a varinha na tentativa de se manter em pé quando um ataque de risos ameaçou explodir.

Os garotos da Sonserina arregalaram os olhos e tremeram.

A garota conseguiu se desvencilhar dos braços fortes da cobra que a segurava e correr para o loiro que se ajoelhou e abriu os braços para recebê-la neles, num gesto de proteção.

- Draco. – Mia disse com a voz abafada, afundando a cabeça no ombro do loiro e soluçando – Eles...eles...

- Shhh! – a interrompeu, passando a mão sobre os cabelos dela. A segurou com mais força e se levantou, olhando para cada um dos Sonserinos que ainda estavam num certo transe, parecendo que estavam pensando num plano para escapar da vingança da índia mais velha, quando descobrisse que machucaram a irmã. Ergueu a varinha e disse por fim. – Isso não chegara aos pés ao que ela ira fazer com vocês, mais irei facilitar as coisas para a Su os acharem – e antes que os garotos pudessem fazer alguma coisa, o loiro proferiu – Estupore Sonserin. – uma luz verde em forma de aspirais se expandiu da ponta da varinha dele, chicoteando os quintanistas em cheio. Eles arregalaram os olhos e soltaram gritos e uivos de dor, quando o feitiço os atingiu jogando-os com força contra a parede, para logo caírem desacordados no chão.

- Vamos sair daqui. – Draco falou, beijando levemente a testa da menina e se encaminhando para a Ala Hospitalar.


Sentiu os músculos de suas costas se retraírem quando se chocou contra o chão frio da sala, fazendo um grito agudo escapar de sua garganta.

- Naty rápido! – May falou num to firme, virando o rosto e vendo a morena caída no chão, ainda atônica – Precisamos de cândida, álcool, desinfetante... Qualquer produto de limpeza.

Natalie demorou algum tempo antes de chacoalhar a cabeça e voltar ao tempo presente. Os olhos azuis estavam brilhando, fazendo a fisionomia dela parecer ainda mais abobalhada.

- Gi, você disse que beijou o Malfoy? – perguntou, como se não houvesse ouvido o pedido feito pela índia que a fuzilou com as íris negras.

- Pois é né. – Gina falou sem graça, dando um sorriso fraco – POR MERLIN, MAY, DA PRA VOCÊ ME LARGAR? – gritou, sentindo a amiga começar a lhe abrir a boca e a examinar.

- Ah, mas nem. Tenho que ver se o veneno ainda esta aqui ou se você já o engoliu. – sentou-se e cruzou os braços – VIGINIA WEASLEY, O QUE VOCÊ TINHA NA CABEÇA QUANDO BEIJOU AQUELE, AQUELE...SER?

Gina riu e segurou a amiga pelos ombros, antes de empurrá-la para o lado, a fazendo sair de cima de si. Sentou-se e jogou uma mexa ruiva para trás do ombro.

- May, quem não te conhece, ouvindo você falar assim – piscou para Naty – vai pensar que você gosta do Draco.

A índia bufou e se levantou do chão, indo até a janela. Balançou a mão numa forma de desdém e a olhou com um sorriso irônico.

- Gininha, minha linda. – começou – Draco e eu poderíamos ter sido criados juntos desde pequenos. Passamos os verões inteiros juntos; discutindo, eu o empurrando do cavalo, colocando uma cobra dentro da cama dele. – seus olhos se perderam em algum ponto da sala, como se estivesse lembrando da própria infância, mas fez uma careta de nojo quando continuou: – E ele se vingar; jogando musgo no meu cabelo, colocando laxante na minha bebida ou quando eu abria alguma porta um belo – ironizou – balde de esgoto caíssem em cima de mim. – encarou a ruiva nos olhos e sua irritação aumentou quando a viu as gargalhadas, apoiada em Naty que também ria histericamente – Se você acha que eu o amo, esta completamente enganada. EU O ODEIO. – gritou a ultima frase, olhando com força para a janela, fazendo o vidro desta explodir e os cacos caírem sobre o chão, fazendo um ruído fino ecoar.

Naty ergueu uma das sobrancelhas e os olhos tomaram uma tonalidade mais clara, e o sorriso perigo nos lábios fez Gina perceber que algo, ela iria aprontar.

- Muitas vezes o ódio serve para esconder o amor, Mayzinha. – ela falou vitoriosa, vendo a índia ir, em sua direção como uma cobra.

Estava pronta para retrucar a provocação, quando parou bruscamente de andar. Seus olhos voltaram a se perder em algum ponto da sala e sua boca abriu de uma forma como se ela houvesse acabado de ver algo terrível.

As pernas da índia bambearam e ela foi obrigada a se apoiar numa das cadeiras para não cair no chão e se cortar sobre os cacos de vidros espalhados ao seu redor.

Levou a mão ao peito, sentindo as batidas fortes do próprio coração contra a palma.

- May! – Gina gritou, indo ate a amiga e a segurando pelos ombros, enquanto Naty erguia a cabeça dela de modo que seus olhos se encontrassem.

- O que houve? – a morena perguntou, vendo os olhos da amiga se encherem de lagrimas.

- Alguma coisa...- May murmurou, se apoiando melhor e erguendo-se – Meninas vejo vocês mais tardes, alguma coisa aconteceu com a Mia. – e sem dizer mais nada correu em direção a porta e saiu da sala, deixando uma certa ruiva e uma morena, atônicas para trás.

- Você entendeu alguma coisa? – Gina perguntou, erguendo uma das sobrancelhas.

Naty deu o ombro e pegou a mochila, antes de abrir a porta e responder:

- E desde quando se entende um Sutramy. – sorriu – To com fome, que tal passarmos na cozinha e comermos alguma coisa?

Gina pegou seus livros também e saiu da sala, vendo a amiga fechar a porta e assim começarem a andar pelo corredor vazio.

- Mas temos aula agora. – avisou, vendo Naty virar os olhos e fazer uma careta.

- Quero mais que aquela aula de Adivinhação se dane. Nesse lado tenho que concordar com a Granger, aquela aula é inútil. – e sem dizer mais nada, foram ate a cozinha.


"Tudo bem, respira, respira" Falou consigo mesma enquanto corria pelos corredores, esbarrando em alguns alunos que deveriam estar na sala de aula, onde gelaram e suspiraram quando ela passou por eles como um tornado sem ao menos notá-los ou repreendê-los.

Virou o corredor e voltou a correr. A brisa do dia estava morna e batia sobre seu rosto, fazendo que o suor transpirar em sua testa e escorrer pela sua pele.

- Ei vocês! – gritou, indo ate um grupo de alunos que a olharam atônicos e encostaram-se à parede em fila como soldados – Vocês viram a minha irmã?

Os alunos arregalaram ainda mais os olhos e se entreolharam.

May passou a mão pelos cabelos tirando o suor. As bochechas estavam rosadas e os olhos tinham um brilho que a deixavam ainda mais bela. Levou a mão ao peito e respirou fundo, a falta de ar estava começando a afeta-lá.

- Vimos mais cedo uns alunos do quinto ano jogados no corredor, inconscientes. – um garoto disse olhando para os lados e apertando as mãos.

- E pelos boatos, eles deveriam estar "brincando" com ela. – agora era uma garota, onde agarrou o braço do rapaz e se encolheu pelo olhar de fúria da índia.

- Obrigada. – falou ríspida, dando a volta nos calcanhares e voltar a acorrer.

O ódio apossou de seu peito e os batimentos de seu coração aceleraram fazendo como se uma chama negra começasse a percorrer entre suas veias.

Os olhos cerrados faziam que uma linha escura a deixasse com uma fisionomia quase demoníaca, avisando que; quem se aproximasse, morria.

Num gesto rápido, prendeu os cabelos num baixo rabo de cavalo e virou o corredor se deparando com cinco garotos caídos no chão.

- Se eles ousaram tocar um dedo na minha irmã...- falou baixinho, ameaçadoramente. Assoprou uma mexa de seu cabelo que lhe caiam em frente ao rosto e andou em direção aos quintanistas, que quando a olharam tremeram.

"Eles tocaram nela" Concluiu e a raiva cresceu ainda mais. Cerrou os punhos, não se importando com a dor de sua unha cravando em sua carne.

Parou em frente a um dos Sonserinos e passou uma de sua perna por cima dele e se agachou. Aproximou o rosto, e o olhar de medo que ele lhe lançou a fez sorrir fria pelo canto dos lábios.

Segurou com força a gola do casaco dele e o trouxe para perto de si, fazendo um gemido rouco escapar graças ao puxão brusco.

- Eu vou perguntar uma única vez. – falou pontualmente, fazendo as palavras saírem ainda mais venenosas. – Onde esta minha irmã, Gardellin?

- Eu... eu... eu...- gaguejou, sentindo as unhas dela começassem a apertar seu pescoço o sufocando. Onde fora se meter...

Depois do dia que ela entrara no meio do jantar no Salão Principal, segurando um vulto negro nos braços e o atacando enfrente a mesa dos professores, e olhando diretamente para Dumbledore que simplesmente a olhava com um brilho estranho nos olhos e um sorriso escondido pelas barbas brancas, ficou bem claro que era melhor não se meter com ela.

May Su; poderia ter um rosto lindo e um corpo perfeito, mas aquela beleza poderia ser muito bem usada como uma arma de guerra, e ela havia provado isso no ano passado.

- Ousem tocar em alguém de minha família novamente e eu não terei tanta piedade como tive com esse ai. – ela falou retirando a capa negra e revelando um Auror sem língua e cego estirado no chão, tremendo.

Todos os alunos viram a cena, horrorizados. Algumas meninas saíram do salão, com lagrimas nos olhos e outras desmaiaram, enquanto os meninos tampavam a boca tentando segurar o enjôo, tamanho era o choque.

O único que parecia estar se divertindo era Malfoy, que fez o favor de rir com entusiasmo.

A índia voltou a encarar o diretor do colégio, sem antes dar um sorriso para o professor de poções que simplesmente balançou a cabeça e voltou a comer.

- Sei perfeitamente o que o Senhor é, como sei o que meu pai é. – ela disse, jogando a capa no chão e começando a sair do salão – Mas não ficarei de braços cruzados, vendo um bando de vermes maltratar minha família. – deu uma ultima olhada ao redor e por fim sorriu abertamente – Tenham uma boa noite. – e saiu, cantarolando, sem antes pegar uma batata no prato de um aluno e enfiá-la na boca.

- O cara, isso ta muito bom. – as palavras dela puderam ser ouvidas, antes que as portas do Salão de fechassem."

Estava perdido!, Essas palavras ecoavam direto na cabeça do Sonserino, enquanto a morena o segurava com mais força.

Não tinha culpa se não sabia que aquela pirralha do primeiro ano era a irmã dela. Tinha? Pois muito bem, se ele soubesse daquilo, teria passado longe e nunca sequer levantado a mão para aquela primeiranista.

A índia o balançou com força, fazendo sua cabeça bater contra a parede atrás de si.

- Onde esta minha irmã? - ela voltou a perguntar agora com os rostos mais próximos.

- Ma...Malfoy esteve aqui e a levou para a Ala Hosp...- ela não permitiu que o garoto terminasse, num gesto rápido lhe deu um golpe na nuca fazendo este perde os sentidos e ficar desacordado, antes de, num pulo, se levantar e voltar a correr.

"Eu vou matar aquele loiro aguado", Pensou raivosa, subindo a escadas em dois degraus de cada vez. "Como não pensei nisso antes? Lógico que ele é o culpado. Sempre foi. Ah! Se ele se atreveu a tocar na minha irmã...", crispando os lábios, se pôs em frente a grande porta da Enfermaria. Sem esperar por delicadeza, girou a maçaneta e empurrou a porta com força, fazendo um estrondo quando esta se chocou com força contra a parede.

- Senhorita Su, como ousa entrar aqui dessa maneira tão brusca? – Madame Ponfrey a repreendeu, sem se virar, continuando de costas para ela – Aqui é lugar onde os alunos devem descansa e não ser perturbados por alunos escandalosos, como a Senhorita ágil nesse momento.

Revirando os olhos e respirando fundo para manter a calma, falou, colocando as mãos no bolso do casaco:

- Desculpe. – a voz não saíra tão doce como planejara. Mas também a tamanha raiva que estava sentindo tudo que menos as pessoas poderiam pedir agora era que ela fosse delicada e calma. – Mas eu queria saber se minha irmã esta aqui?

A enfermeira se virou e May teve que morder a língua para segurar uma gargalhada. A velha curandeira estava com um olho roxo enquanto no braço havia vários arranhões leves.

Ponfrey fechou a cara ao ver as lagrimas que começaram a aparecer sobre os olhos da índia, tamanha era a força que ela fazia para segurar a risada.

- Sua irmã. – pareceu falar as palavras certas, já que May fechou a cara e ergueu uma das sobrancelhas – Ela estava machucada...

- Machucada? – interrompeu, começando a andar para trás, em direção à saída, mas sem tirar os olhos da enfermeira que balançou as mãos no ar com desdém.

- Sim, o Senhor Malfoy a trouxe, mas pelo que vejo, ela odeia curandeiros. – May balançou a cabeça num gesto positivo. Se tinha algo que a irmã odiava, isso se resumia a duas palavras; curandeiros e hospitais. – Mas com MUITO esforço – apontou para o olho roxo. – eu consegui fazer os curativos e o Senhor Malfoy a levou para a Corvinal.

- Obrigada. – agradeceu, antes de começar ir, em direção à casa da Corvinal, onde sua irmã fora levada.

Ficara chocada, assim como seus pais quando soubera que Mia havia ido para a Corvinal e não Sonserina como seu pai e o resto da família. Lógico, retirando sua mãe que era trouxa assim como seus dois irmãos mais velhos, Kheiron de vinte anos e Kardec de vinte quatro, onde eram lutadores profissionais de artes marciais.

Suspirando fundo, passou pelos quadros mostrando que já estava na Ala da Corvinal, já que em cima das janelas, havia o brasão da casa, sendo que o azul ao redor era bastante usado.

- O que esta fazendo aqui? – uma voz arrastada se dirigiu a ela, a fazendo parar de correr e virar o rosto. Não fora preciso virar para saber quem era, só a voz irritante que fazia sua cabeça latejar já a fizeram saber de quem se tratava.

- Vim ver como esta a minha irmã. – falou num tom frio, encarando a oriental que a olhava com nojo.

- Você não pode esperá-la no hall ou no Salão Principal na hora do almoço? Pois...

- Não! – cortou sem se importar com o olhar feroz que a outra lê lançou.

A oriental girou os olhos puxados e sorriu desdenhosa.

- Mas é proibida a entrada de qualquer aluno que não seja da Corvinal aqui. Seu lugar é junto com as cobras, Su. – Chang provocou, colocando uma mexa negra atrás da orelha.

May sorriu venenosa e segurou a varinha com força dentro das vestes.

- E o seu lugar, Chang, é junto com as corujas lá no Corujal. – respondeu seca – E se eu vim ver como esta minha irmã é problema meu, então...- aproximou os rostos de modo que seus narizes quase se tocassem – Cuide de sua vida. – e virou nos calcanhares, mas antes que pudesse fazer alguma coisa, a Oriental a pegou pelo braço com força, cravando as unhas vermelhas sobre sua carne.

- Você não vai fugir desta vez, temos contas a tratar.

A índia ergueu uma das sobrancelhas.

- Contas a tratar? – repetiu as palavras dela num tom de deboche – Desculpe, Chang, mas tudo o que eu tinha a tratar com você já foi resolvido no dia que Cedrico morreu. É duro saber que enquanto ele te beijava ele pensava em mim, não é mesmo? – ela sabia que estava entrando num terreno perigoso, mas estava bastante interessante ver o rosto da oriental se contorcer em raiva à medida que falava – É ruim saber que ele morreu sem ao menos dizer uma palavra para você que para mim ele falava direto... – puxou o braço e riu – Eu Te Amo. – Chang levantou o braço para esbofeteá-la, mas antes que pudesse fazer alguma coisa a índia se abaixou lhe dando uma rasteira fazendo-a bater a cabeça com força contra o chão de pedra.

- Você irá me pagar, junto com aquela sua amiguinha Weasley...- Cho falou rindo com desdém – Ela não perde por esperar, o Potter será meu. – May se aproximou dela e a pegou pelo colarinho a levantando do chão e a prensando com força contra a parede, e antes que a Oriental pudesse fazer alguma coisa, a índia já estava com as palavras venenosas na ponta da língua:

- Escute bem Chang. – bateu as costas dela contra a parede – Você já fez muito a mim e eu fiquei quieta, engoli a minha humilhação que VOCÊ me fez passar, mas...- bateu novamente – Faça alguma coisa contra a Gina e juro que o inferno será muito pouco pelo que farei você viver ate o fim de sua vida. – e sem dizer mais nada jogou a Oriental longe, antes de dar a volta nos calcanhares e seguir seu caminho.

Suspirou e passou a mão entre os cabelos retirando o elástico que o prendia num rabo-de-cavalo.

Por que tudo, de certa maneira tinha que acontecer com ela?

Já bastava esconder sua verdadeira identidade a todos naquele colégio usando o sobrenome "Su".

- Ridículo. – murmurou, girando os olhos e virando o corredor.

Levantou a mão e puxou a manga da blusa deixando a mostra seu pulso que tinha uma pulseira de couro que escondia a tatuagem negra, marca de sua família. Fechou os olhos e trouxe a mão de encontro ao próprio peito, como se temesse que alguém pudesse ver o brasão.

"Você é tão linda, mas ao mesmo tempo tão fechada e fria. Deve ter acontecido alguma coisa com você no passado que deve ser realmente traumatizante, mas lembre-se que você não foi à única que sofreu nessa vida", as palavras de Naty, no começo da amizade entre elas, ecoou em sua mente, fazendo lagrimas marejarem sobre seus olhos. Quando ela lhe falara isso a magoa que cobriu os olhos azuis como uma nevoa acinzentada era algo realmente incrível, que não chegava na tristeza a qual sentia naquela época. Mesmo nunca sabendo do passado da amiga, 'não estando pronta' como ela mesma alegava, sempre estaria ao seu lado, assim como estaria no de Gina que como a outra, conseguira sua admiração.

Passou a língua sobre os lábios e continuou a andar de olhos fechados.

Estava preste a subir as escadas ate o Salão Comunal da Corvinal quando sentiu seu corpo trombar com o de alguém, a fazendo abrir os olhos bruscamente e levar a mão à cabeça quando esta bateu com força contra o chão, como seu corpo.

Ergueu as orbes a tempo de ver um loiro a olhar com um certo divertimento. Os olhos frios e cinzentos estavam com um brilho travesso que se escondiam entre as mexas platinadas que lhe caiam sobre o rosto branco. Os braços fortes cruzados sobre o peito e o jeito que estava parado a fizeram lembrar de um modelo numa seção de fotos.

- Pelo que eu saiba você não é cega, Su. – mesmo ele sabendo que este não era o sobrenome dela, não arriscaria e continuaria sempre com a formalidade. A índia se levantou do chão e começou a desamassar as roupas enquanto o fuzilava com os olhos. Tinha que concordar que com o rostinho contorcido em fúria ela ficava ainda mais bela. E os braços fortes assim como o corpo delineado mostrava o pesado trabalho como batedora no time da Sonserina.

Quando ela terminou de se arrumar, deu-lhe um sorriso irônico e disse entre os dentes, era incrível a facilidade que aquele loiro aguado tinha de irritá-la profundamente:

- E pelo que eu saiba sua casa é do outro lado, o que aconteceu? – chegou mais perto, rastejando os pés como uma cobra – Veio ver se achava alguma caça aqui? – apontou para o grande retrato que guardava o salão comunal – Ou veio ver se machucava ainda mais a minha, irmã? – agora ela já estava quase com o corpo colado ao dele, o encarando cara a cara, com os olhos cerrados e uma linha de fúria.

Draco ergueu uma das sobrancelhas e a olhou como estivesse louca.

- Ei, pêra ai Su. – disse passando a mão pelos cabelos – Não sei o que falaram para você, mas eu não bati na sua irmã. – a índia riu.

- Oh não? – o loiro negou com a cabeça – Então se não foi você, quem foi?

Draco se aproximou dela ainda mais, com um sorriso enigmático cortando os lábios frios e finos.

- Se eu falar você vai bater neles?

May riu e cruzou os braços em frente ao peito e correspondendo o sorriso respondeu com simplicidade:

- Tenha certeza disso.

As íris escuras do Sonserino pareceram brilhar, as fazendo ficarem ainda mais gélidas. Se ele estivesse olhando daquela maneira para outra pessoa, provavelmente, ela iria sair correndo. Mas com May era diferente. A índia mantinha-se firme o olhando, sem desviar o olhar, que como ele, ela também sabia o deixar de uma maneira que ate mesmo o próprio padrinho temeria.

Sentiu um arrepio percorrer sua espinha quando ela colocou-se entre suas pernas e murmurou perto de seus lábios, perigosamente:

- Onde esta minha irmã, Draco? – seu nome sendo pronunciado por ela, ficou estranhamente sensual e ele desejou que ela repetisse.

- Esta no dormitório dela.

E antes que ele pudesse fazer mais alguma coisa, a índia simplesmente roçou os lábios nos seus, o fazendo sentir um arrepio serpentear sua espinha.

A índia deu a volta nos calcanhares e começou a caminhar em direção a retrato.

- Ei...- chamou-a, quando conseguiu recuperar a voz – O que vai fazer?

May sem se virar respondeu, fazendo um gesto impaciente com a mão.

- Volte para a sua toca Malfoy, o almoço vai ser servido daqui a pouco.

O loiro correu até ela e a segurou pelo braço a fazendo virar-se e o encarar nos olhos.

May teve que conter um grito na sua garganta quando seu corpo se chocou contra o dele e uma cobra pareceu serpentear até seu coração o fazendo acelerar os batimentos.

- O que você esta pensando em fazer? – ele perguntou frisando cada palavra com os olhos cada vez mais sombrios.

Suspirando fundo, respondeu com um sorriso irônico:

- Olha Malfoy eu não estou afim de discutir com você, então daria para me largar?

Draco apertou com mais força o braço dela, sabendo que se continuassem iria ficar uma bela marca roxa.

- Não enquanto você não me responder. – a índia girou os olhos, completamente aborrecida. Tudo bem que seu braço estava começando a ficar dormente, mas a proximidade que estava seu rosto com o do loiro estava começando a atormentá-la.

- Quero ir ver como esta minha irmã. – disse por fim, puxando o braço e voltando a caminhar enquanto passava a mão pelo lugar onde ele apertara.

Draco respirou fundo para manter a calma e seguiu a índia, temendo ver como ela iria deixar a mulher do retrato se não a deixasse entrar no Salão Comunal para ver a irmã.

- Abra essa porta. – May falou olhando a mulher nos olhos que simplesmente arregalou os olhos e olhou bem o seu uniforme.

- Me desculpa, mas você é da Sonserina, não pode entrar aqui. – a mulher disse erguendo o queixo e a olhando com superioridade, a fazendo ficar ainda mais aborrecida.

- Olha – começou com a voz baixinha – Minha irmã esta machucada e eu gostaria de vê-la, mas ela esta ai dentro, então, abra a porta...- crispou os lábios – por favor.

- Mesmo sendo sua irmã não pode entrar.

May num gesto rápido pegou a varinha de dentro das vestes e apontou para o meio da cara da mulher, com os olhos cerrados em fúria.

- Acho que não me apresentei. – deu um passe à frente – Meu nome é Talamay Sutramy. – ao ouvir o sobrenome da jovem, a mulher do quadro deu um grito histérico e correu para trás de uma arvore que estava no fundo da pintura.

- Mesmo assim, não irei permiti sua entrada.

May estava pronta para proferir um feitiço, quando sentiu o aroma cítrico de um garoto ao seu lado, e no momento que a voz dele chegou a seus ouvidos, sentiu sua mão tremer a fazendo abaixar a ponta da varinha.

- E se junto estiver um Malfoy, a Senhora abriria? – Draco falou com firmeza, apontando a própria varinha para o quadro. Olhou de canto para a índia e lhe piscou um olho, a fazendo bufar.

- Eu posso cuidar disso, sozinha. – May protestou.

Fora à vez de Draco bufar.

- Faça um favor a nós dois e cale a boca. – ele voltou a encarar o quadro – Estou esperando uma resposta. – ergueu uma das sobrancelhas e apertou ainda mais a varinha entre os dedos, fazendo a mulher arregalar ainda mais os olhos.

- É bom não serem pegos. – ela avisou com a voz tremula, enquanto suspirava e assim abria a porta do salão comunal da Corvinal.

May sorriu e abaixou a varinha enquanto passava pelo quadro e entrava. Agradeceu aos deuses por tudo ao redor estar vazio, se não iria ser obrigada a estuporar algum aluno, e como monitora isso estava fora de sua ética.

"E desde quando eu obedeço às éticas de monitoria?" Disse a si mesma divertida, guardando a varinha dentro das vestes e observando o salão.

Tudo parecia com o da Sonserina, só que no lugar de verde, as cortinas e as paredes eram azuis num tom tão forte que a fizeram fechar os olhos que começaram a arder.

- Fala sério, isso aqui é mais baiano do que você quando estava vestido de mulher na praia quanto tínhamos sete anos.

Draco colocou-se ao seu lado e fuzilou com os olhos frios cinzentos.

- Toque nesse assunto de novo e eu acabo com você. – disse entre os dentes.

May riu.

- Oras, mas você tava tão bonitinho com aquela saia e aquele top florido, dançando...

- Silencio! – o loiro disse apontando a varinha para a índia antes que ela terminasse a frase, a fazendo se calar.

May tentou emitir algum som, mas a voz parecia ter sido arrancada de sua garganta. Levou a mão ao pescoço, assustada.

Draco se aproximou e lhe segurou o rosto pelo queixo e sorrindo triunfante, provocou:

- Sabia que você fica linda quando esta com a boca fechada? – e o que ele menos esperou, ela fez. May o empurrou e como o velho ditado dizia; se não pode falar, faça em gestos, ela lhe mostrou o dedo do meio, de modo que fez o sonserino gargalhar.

May cruzou os braços em frente ao peito e girou os olhos.

Tudo bem que nunca deveria o ter provocado com aquela lembrança de quando eram pequenos. Mas a imagem dele, dançando na sua frente com aqueles trajes havaianos nunca iriam sair de sua mente.

Sentiu uma vontade enorme de acompanhar o loiro na risada, mesmo sendo por motivos completamente diferentes. Mas a risada dele, a verdadeira, era divertida e de certa forma, contagiante.

Passou a mão pelos cabelos e o observou em silêncio; o jeito que os olhos dele brilhavam fazendo o tom cinza ficar claro quase num tom profundo de azul era magnífico, os cabelos platinados balançando junto com seus movimentos relaxados e a boca fina e fria contorcida numa risada, o fazia ficar ainda mais sexy.

Balançou a cabeça, estava ficando doida. Aquele era Draco Malfoy, um garoto arrogante, frio, idiota, irritante e... Suspirou, lindo.

Não podia negar que a paranóia de suas mães, de um dia os verem juntos era ridícula, mas quando parava para pensar no assunto, era impossível impedir as imagens dos dois se beijando invadirem sua cabeça.

"Já chega! Talamay ponha-se em seu lugar, agora mesmo" Uma voz parecendo um berrador de alerta vermelho ecoou em sua mente.

Cerrando os punhos com força andou até o sonserino e num piscar de olhos o pegou pelo colarinho e o jogou no sofá, para logo o prender pelas pernas e levantar o punho, ameaçadoramente, para lhe dar um soco.

Draco arregalou os olhos e gemeu quando suas costas colidiram com o sofá duro.

May estava em cima de si, o ameaçando se não retirasse o feitiço.

O Deus, os lábios dela crispados com os olhos mergulhados em fúria davam a ela um toque quase de uma menina travessa. Uma nova onda de risadas voltou a se apossar de si, mas teve que segura-lá se, realmente, prezasse sua vida.

- Calma aí, Mayzinha. – a índia cerrou ainda mais os olhos e apertou o punho com mais força. Draco engoliu em seco.

May balançou a cabeça de modo que estava, mandando, ele tirar o feitiço, antes que perdesse a pouca paciência e fizesse uma loucura.

Respirando fundo, Draco se ajeitou melhor sobre o sofá e pegou sua varinha, para logo balançá-la e proferir o contra feitiço, fazendo a voz da índia voltar ao normal.

- SEU GRANDE FILHO DA MAE. – foi a primeira coisa que a índia baniu, antes de pular em cima de si e começar a socá-lo – Eu juro Malfoy, se nossas famílias não fossem tão unidas eu acabava com você.

O sonserino ria enquanto dava tapas na mão da morena, desviando a mão dela para as almofadas.

Ela bufou e colocou mais força nos socos, enquanto ele ria cada vez mais alto, parecendo se divertir com sua raiva.

- May, calma, foi só uma brincadeira. – o loiro tentou se defender, quando a índia o pegou pelo colarinho e aproximou os rostos, de modo que seus narizes quase se tocavam.

A brisa leve daquele dia entrou pela janela do salão e tocou sobre seu rosto fazendo-o sentir um arrepio, onde disse a si mesmo que fora a causa do frio e não do corpo da morena que estava sobre o seu e os lábios quase se tocando.

O corpo dela estava quente graças à raiva, contrastando com sua pele fria.

Suspirou e fixou suas íris nos olhos dela. Ela realmente merecia o mérito de garota mais bonita do colégio, os cabelos num tom de castanho claro e os olhos negros eram umas misturas perigosas para qualquer alma masculina.

- Ah! Brincadeira é? – a índia perguntou sarcástica, fazendo um sorriso maldoso cortar seus lábios, e o sangue do loiro para de correr entre as veias – Então, se eu cortar – empunhando a varinha novamente, a apontou para o ninho entre as pernas de Draco – o seu "reprodutor" de criaturinhas – riu – você ira levar na brincadeira?

- Opa! – Draco arregalou os olhos e com o dedo indicador tirou a varinha dela da mira do meio de suas pernas – Ai já é apelação.

Ela ia responder mais a porta do Salão começou a se abrir e isso a interrompeu.

Draco a pegou pela cintura num gesto rápido e a jogou para trás do sofá e logo pulou por este, se colocando ao lado dela.

Duas garotas do quarto ano entraram tagalerando e rindo histericamente, enquanto se ajeitavam no sofá.

- Ferro. – a índia gesticulou os lábios, de modo que Draco pudesse ler e fazer uma careta como resposta.

- Ah, você viu que a Su foi eleita como a garota mais bonita? – uma das Corvinalistas disse num tom de nojo – Não sei o que viram nela, é tão sem sal.

May cerrou os olhos e teve que ser segurada por Draco, que tinha o rosto enterrado na parte de trás do sofá abafando a risada, a impedindo de fazer uma loucura.

- E o Malfoy? – a outra comentou, fazendo o loiro parar de rir e aguçar o ouvido – ele não é grande coisa, é tão pálido e magrelo.

May sorriu para o sonserino e o olhou com deboche.

- Elas vão ver só o magrelo aqui. – ele segurou a varinha e se levantou, sendo seguido pela morena. Os dois ficaram lado a lado fitando as duas garotas que demoraram algum tempo para perceber a presença deles. E quando viraram a cabeça e os viram, ficaram pálidas.

- O que vocês estavam falando mesmo? – Draco perguntou apontando a varinha para elas que gelaram e a única coisa que faziam era abrir e fechar a boca varias vezes sem emitir um único som.

- Nós...nós...- uma delas gaguejou. May revirou os olhos.

- Sumam da minha frente, antes que eu acabe com vocês. – não foi preciso falar duas vezes para que elas entendessem a mensagem, e logo estavam correndo para seus dormitórios.

May suspirou e guardou a varinha no bolso antes de sair do lado do loiro e começar a subir as escadas também.

- Vou ver como esta minha irmã. – falou. Draco saiu de trás do sofá e logo estava atrás dela – Aonde você, pensa, que vai?

- Vou ver sua irmã também. – May riu.

- Vai nada, volta lá naquele sofá, fica sentado e quieto como um cão que você é.

- Você é muito folgada sabia? – Draco falou ríspido, olhando-a de cima para baixo.

A morena sorriu e lhe mandou um beijo no ar antes de sumir escada a cima, dizendo num tom de desdém:

- Lembre-se que eu convivi muito com sua mãe, Draquinho. – pode escutar o loiro gritar antes de cair no sofá mau-humorado.

Rindo, andou até a porta do primeiro ano. Bateu na porta e o silêncio do lado de dentro continuou inerte.

- Pequena! – chamou a irmã, voltando a bater na porta. Nada.

Suspirando, levou a mão na maçaneta e a girou, a porta fez um ruído estranho enquanto ia sendo aberta aos poucos. O quarto estava escuro, somente uma fraca luz do dia passava pela fresta das cortinas que balançavam graças ao forte vento vindo da janela aberta.

Fechando a porta atrás de si andou até a janela e a fechou, antes de se virar e ir até a cama da irmã, que estava dormindo encolhida.

Foi até ela e a cobriu melhor com o fofo coberto azul antes de se inclinar sobre ela e lhe dar um beijo carinhoso na testa.

Passou a mão entre os cabelos negros da criança e a observou; era possível ver os leves arranhões no rosto angelical e o braço enfaixado.

Uma raiva apossou-se de si, esteve tão perto dos desgraçados que a machucaram e não fizera nada. Ah, mas quando os encontrassem novamente.

Dando mais uma olhada na irmã, se certificando que agora ela estava a salvo saiu do quarto e desceu as escadas.

- E ai? – foi à primeira coisa que Draco perguntou, se levantando e indo ate as escadas onde estava parada.

- Ela esta dormindo. – o olhou e sorriu fraco. – Obrigada por ter cuidado dela. – Draco deu os ombros.

- Tudo bem, agora vamos embora, já devem ter servido o almoço.

Colocando uma mexa atrás da orelha acompanhou o loiro até a porta e quando esta se abriu, prendeu a respiração.

Oh, agora eles estavam ferrados.

- May. – Draco murmurou a olhando pelo canto dos olhos – Você sempre foi boa com mentiras, agora, é bom você começar a formular uma.

Continua...