Capítulo 7: Visita a Hogsmeade
O que me adianta fechar os olhos e sonhar com você, e quando voltar os abrir saber que foi tudo fruto da minha imaginação; os seus carinhos, o seu sabor e o toque de seus lábios sobre minhas lágrimas.
O sol foi subindo no horizonte, dando um tom alaranjado as nuvens do céu, que estava num azul profundo, fazendo um jogo de cores que mostrava que o verão estava se aproximando.
Os raios que imitia a grande bola de fogo eram fortes, dando um show de brilho naquela manha de sábado.
Resmungou alguma coisa indecifrável quando alguns raios de sol passaram pela janela do quarto, iluminando o aposento e seu rosto. Virou-se na cama na tentativa de continuar a dormir, mas para seu azar a voz arrastada de uma de suas colegas de quarto ecoou em sua cabeça a fazendo fazer uma careta, quando percebeu que aquela voz estava se direcionando a ela.
- Acorda, Su. – uma mão gélida tocou em seu ombro a empurrando num gesto brusco para trás – Acorda! – a garota gritou em seu ouvido a fazendo dar um pulo e abrir os olhos.
Tudo bem que para uma manhã tão linda como aquela, ter a visão de Pansy Parkinson logo pela manhã, ninguém merecia.
Mas vê-la com os braços cruzados numa roupa que até mesmo na sua própria irmã não caberia mostrando tudo o que tinha direito, já era de mais.
- Oh droga, outro pesadelo não. – resmungou voltando a se jogar na cama e fazendo a Sonserina resmungar.
- Olha aqui sua índia de araque, pode ir acordando, pois já são quase oito e temos que tomar café ainda, e você nem está pronta, então...- olhou-a com nojo – levante logo seu traseiro gordo dessa cama.
May se virou para encará-la e se pudesse, estouraria a cabeça dela com muito prazer somente com um olhar.
Suspirando, se sentou da cama e pegou suas coisas em sua cabeceira antes de se levantar e com um sorriso luminoso nos rostos respondeu, não sem antes dar um beijo na bochecha da garota:
- Bom dia, Pansy. – a morena a olhou como se fosse louca, e a fisionomia de buldogue contorcida numa careta fez May ter uma vontade enorme de rir – Olha, querida...- o sorriso antes luminoso se transformou num maldoso fazendo a garota dar um passo para trás – "traseiro gordo"? Eu já estou acostumada a ser secada por trás por garotos de todas as casas, mas por garotas? – levou a mão no peito como uma demonstração de surpresa – Por Merlin, sou tão bonita que estou fazendo as garotas virarem lésbicas? – riu e andou até o banheiro, mas antes de fechar a porta, olhou para Pansy que continua a encará-la com os olhos negros, a fuzilando – Pansy, finalmente você está se revelando, hein. – e com um beijinho no ar, entrou no banheiro, deixando uma sonserina bufando para trás.
- Você não vai vestida assim. – Naty gritou ao ver a ruiva saindo do banheiro – Gina, ta um sol de escala mamona – apontou para a janela, onde o sol já estava alto o suficiente para iluminar tudo ao redor – você vai morrer de calor.
A ruiva deu os ombros e colocou-se em frente ao espelho; uma calça de moletom preta que deixava suas pernas grandes, um casaco cinza com gola que a deixava com uns dez quilos a mais e os cabelos mal penteados a lembravam de uma maltrapilha.
Não ia sentir calor, a roupa poderia ser um pouco abafada, mas se sentia à-vontade daquela forma. Olhou para Naty atrás de si e sorriu, a amiga estava linda, como sempre.
- Ná, eu estou bem. – olhou-a pelos ombros – Relaxa, não vou sentir calor.
A morena riu.
- Não magina, só vai ser fritada como um ovo, ai dentro. – bateu palmas – Vai, vamos trocar você, eu te ajudo...- Gina arregalou os olhos e correu até a porta como se esta fosse a tabua da sua salvação.
- Te vejo lá em baixo. – e deixando a morena falando sozinha, desceu as escadas.
Oras, ela estava bem daquela maneira, por que tanta birra para mudar sua roupa, onde se sentia tão à vontade?
"Se você quiser que o Harry te note, terá que mudar" Tremeu ao se lembrar daquelas palavras que fora dita tantas vezes pelas suas duas melhores amigas, mas se Harry tivesse que corresponder o seu amor teria que gostar dela como ela na verdade era.
- Ta legal que ele iria gostar de uma coisa feia que nem eu. – disse ao olhar um bando de meninas descer ao seu lado, todas com blusinhas e saias de verão.
Passou a mão pela testa e fez uma careta ao se dar de conta que estava começando a suar dentro daquelas vestes pesadas de inverno.
Tudo bem que poderia ter exagerado um pouco na sua roupa, mas não estava nem um pouco a fim de mostrar o seu corpo. Podia ser magra e orgulhava-se disso, mas não ter nenhuma curva para moldá-lo era vergonhoso para uma adolescente.
Suspirando, desceu o último degrau da escada e sorriu ao ver que Rony já estava pronto, mas antes que pudesse ir até ele, sentiu braços fortes rodearem a sua cintura por suas costas e a erguerem no ar girando-a.
- Aaaaaaaah! – gritou de susto enquanto escutava a pessoa que a segurava rir ao pé de sua orelha, lhe causando um arrepio na espinha.
Como não poderia reconhecer aquela risada, o braço forte e o calor que emanava deles que parecia penetrar sobre sua carne e aquecê-la como brasa? Sem esquecer aquele aroma cítrico que a deixava anestesiada.
Segurando-se para não gemer quando a respiração dele tocou-lhe na bochecha corada, cravou suas unhas do braço forte o fazendo a soltar de imediato.
- Ai Gina. – Harry falou ainda sorrindo, acariciando o braço onde a marca das unhas da amiga já começava a ficar avermelhada.
Gina se virou para provocá-lo, mas quando o viu não conseguiu emitir nada, somente o observar enquanto ia aos poucos perdendo o fôlego.
Céus, ele lindo. Por alguns minutos perdeu a voz na garganta e permitiu que seus olhos viajassem pelo corpo do moreno; cabelos desalinhados caiam em frente ao rosto até a altura do maxilar firme, os olhos verdes estavam brilhantes e não se escondiam atrás dos óculos.
Lentes de contato, ela pensou sorrindo.
A blusa verde musgo caia perfeitamente sobre o corpo másculo, onde deixava uma parte dos braços fortes a mostra e a calça jeans escura sobre as pernas musculosas, lhe fizeram sentir um calafrio, sem esquecer que esta estava abaixada, permitido que uma parte da cueca samba-canção branca dele, ficasse a mostra.
Aproximou-se cautelosa e cruzou os braços em frente ao peito, na tentativa de segurar o impulso de tocá-lo.
- Machucou? – falou ironicamente dengosa, fazendo uma falsa cara de pena. Harry levantou o rosto e a fitou com uma das sobrancelhas erguidas.
- Não, só arrancou a minha pele. – resmungou num tom brincalhão, vendo-a fazer um gesto impaciente com as mãos. Franziu o cenho ao ver como ela estava vestida – Ou Gi, você não vai sentir cal...- mas ela o cortou com um olhar feroz.
- Alto lá. Você tem duas escolhas, Potter. – ele engoliu em seco – Se você terminar essa frase eu te mato e dou sua carcaça podre para os bichos da floresta proibida comerem, ou pode deixar tudo como está e continuar curtindo sua vida de galinha.
Harry passou a mão pelos cabelos e dando os ombros concordou que era melhor ficar calado. Gina sorriu satisfeita e deu a volta nos calcanhares, indo em direção a Mione que acabara de descer de seu dormitório, estava preste a cumprimentá-la quando escutou Harry gritar a suas costas:
- Ei, eu não sou galinha. – ele falou num tom como se estivesse acabado de entender o que ela havia dito. Gira olhou por cima dos ombros e começou a enumerar, com um sorriso maldoso sobre os lábios cor de cereja:
- Bem, semana passada você ficou com a Catherine na segunda, Jane na quarta e a Lucy na sexta. – Harry abriu a boca para argumentar mais Gina o impediu com um gesto de cabeça, levantando os dedos a cada nome que falava, sentindo junto seu coração dar pontadas sobre o peito, a sufocando. Aquilo doía, ficar se lembrando das garotas que tiveram o prazer de tocá-lo, senti-lo ou até mesmo amá-lo. E ela, onde ficava naquilo tudo? Simplesmente olhando o seu amor sendo levado para longe de si a cada minuto. E a cada dia que passava parecia que Harry Potter não lhe dava a atenção, não como amiga, pois isso ele dava tanto que chegava a sobrar, mas sim como uma garota. Uma garota que o amava, que o desejava, que o queria. Suspirando voltou a encarar os olhos verdes dele e assim continuou, num tom agora mais amargo, não iria permitir que ele notasse a sua dor: – Já no fim de semana no sábado foi com a Parvati e no domingo a irmã dela, a Padma. – girou os olhos – Ah sim, ai nessa semana foi a Beth, Kate, Holly, Samantha, Giovanna, Cindy, Sabrina, Melissa, Jennifer, Mary, Jéssica...- Harry arregalou os olhos e pulou em cima da amiga, tampando-lhe a boca com a mão.
- Ta bom Gi, chega. Alguma das meninas pode te ouvir ai eu vou me ferrar com todas elas. – a ruiva sorriu vitoriosa e tocou-lhe na mão, a retirando de cima da sua boca. Era sempre assim, ele ficava com quantas garotas queria sendo no mesmo dia ou na semana, mas nenhuma sequer desconfiava que ele beijava outras ao mesmo tempo.
Cafajeste, ela pensou divertida ao mesmo tempo em que fazia uma careta ao ver que amigo fora arranja.
- Harry, querido, sou sua melhor amiga, eu já decorei a sua lista de meninas que já beijou e que ainda ira beijar. – Harry cruzou os braços e a olhou numa forma quase parecida como de um verdadeiro caçador a fazendo sentir-se uma presa indefesa.
Inferno, ela odiava quando ele a observava daquela maneira.
- Pois bem, então fale quem eu ainda não beijei. – "EU", ela quase gritou, mas preferiu dar-lhe um tapa no ombro e rir.
- Poupe-me, não sou sua cardeneta de anotações ambulante. – e fazendo uma careta andou até Mione que estava sentada no sofá ao lado de Rony, deixando um risonho Harry para trás que fazia questão de olhá-la de cima para baixo em silêncio, sem se dar de conta que aquele simples gesto a excitava – Bom dia.
A morena olhou-a e com um sorriso doce respondeu:
- Bom dia. Vejo que já estava discutindo com o Harry. – a ruiva girou os olhos e sentou-se ao lado da amiga.
- Pra você vê. Entre tapas e beijos. – Rony riu.
- Só falto o beijo de reconciliação. – provocou. Gina o olhou de uma forma como se já tivesse a resposta na ponta da língua.
- Não, mano. Essa tarefa e propriedade particular de vocês dois. – o ruivo ia responder quando um barulho de explosão cortou o ar calmo do salão, fazendo todos os alunos ali presentes se levantarem e olharem para as escadas do dormitório masculino estranhando o forte barulho.
Uma nova explosão cortou o ar fazendo todos terem um sobressalto e permitirem que um grito escapasse de suas gargantas, iniciando um nervosismo sobre todos. Puderam ver que uma fumaça avermelhada descia sobre as escadas as englobando para logo ir se espalhando ao redor até que a sala ficasse completamente coberta de uma fumaça densa e cheirosa não permitindo que ninguém tivesse um senso de direção. Como uma neblina.
- Abram as janelas.- Gina gritou, caminhando com os braços esticados da frente do seu corpo, tentando tatear alguma coisa sólida ao seu redor rezando para achar alguma janela, mas sem querer esbarrou fortemente contra alguém, fazendo ambos caírem no chão.
Tateou o chão até conseguir achar alguma coisa onde pudesse se apoiar.
- Desculpe. – falou sem jeito, apertando os olhos para ver se conseguia enxergar quem estava embaixo de si.
- Tudo bem. – a voz fez com que Gina pudesse deduzir que era uma mulher e estranhamente ela sentiu que a conhecia, mas a gritaria dos alunos não permitia que pudesse reconhecer a voz – Como a May diria, até mesmo sobre as cegas o povo não iria conseguir resistir a mim. – e a moça riu.
Gina também a acompanhou no riso. Agora sim ela sabia quem era, conheceria aquela risada ao longe.
- Naty eu realmente sinto muito, tava tentando achar a janela. – a amiga a segurou pelos ombros e a tirou de cima de si.
- Relaxa. Mas acho que você ta muito mal em senso de direção, pois a janelas são do outro lado e você veio em direção à escada do nosso dormitório. – Gina arregalou os olhos e passou a mão pelos cabelos antes de se levantar e mesmo não vendo nada, também ajudou a amiga a ficar em pé.
- Poxa, to ruim mesmo, hein. – a morena riu.
Gina não pôde ver o que Naty estava fazendo, mas logo, entre a neblina avermelhada uma forte luz branca apareceu e começou a varrer a fumaça para longe, como uma brisa do inverno que limpa o chão das folhas secas, até que aos poucos uma imagem embaçada começou a se formar em sua frente, até que a amiga ficou perfeitamente visível, lhe dando a permissão de vê-la.
- Grande Naty. – Gina falou sorrindo e indo até a morena, lhe abraçando sobre os ombros – Aprendeu com a titia aqui. – Naty girou os olhos e sorriu também.
Andaram com cuidado pelo salão até que conseguiram se juntar aos outros, que estavam perto da escada do dormitório masculino, olhando para cima alem da grande escada, a onde a fumaça parecia sair cada vez mais e o cheiro doce já começava a se tornar enjoativo.
- Mas o que é isso? – Mione perguntou estupefata – Rony, Harry, vão lá ver o que aconteceu.
Eles concordaram com um aceno de cabeça. Já estavam prontos para subir as escadas, quando apareceram duas cabeleiras ruivas rindo e com os rostos cobertos de fuligem junto com os cabelos em pé.
Fred e Jorge riam abertamente, como se o que acabavam de fazer fosse algo realmente engraçado. Os alunos o olhavam com certo interesse, sendo que algumas meninas sorriam encantadas por eles, mesmo estando sujos.
- Rony...- Mione o chamou baixinho entre os dentes, o fazendo virar a cabeça para fitá-la – Me segura se não eu vou cometer um assassinato. – o namorado riu e a abraçou com carinho.
- Deixa-me ver se assim eu consigo acalmar essa fera cabeluda. – Mione estava preste a começar uma discussão quando Rony, sorrindo de modo que as pernas dela tremessem, a tirou do chão e assim oprimiu seus lábios com força, contra os dela.
Mione sorriu entre o beijo e abraçou o ruivo pelo pescoço, enquanto seus dedos da mão amoleciam e sua varinha escorregava entre eles, indo ao encontro do chão.
Sentiu que Rony a abraçava cada vez com mais força, e ia aos poucos a colocando de volta no chão, enquanto com a língua passava sobre seus lábios, pedindo passagem para lhe explorar a boca, onde ela não recusou.
Ele sabia que Mione não era bonita, mas havia algo nela que simplesmente o encantava, não se cansava de tê-la em seus braços, abraçá-la, tocá-la, beija-lá. E aquele amor já estava começando a pedir que se explodisse em seu corpo. O jeito que ela falava, a boca se movendo com graciosidade, os sorrisos doces e os olhos castanhos escuros que brilhavam a cada vez que respondia uma pergunta na sala de aula, o fazia se sentir bem. Claro que às vezes era complicado resistir a alguma garota atraente do colégio, mas o amor que sentia pela namorada fazia uma barreira o impedindo de fazer uma burrada.
Prefiro morrer a algum dia vir a perdê-la!, Pensou enquanto sentia a língua dela mover-se contra a sua num ritmo sensual, o fazendo gemer baixinho e mover uma de suas mãos, que estavam pousadas na cintura um pouco gordinha dela, até a nuca, sentindo os cabelos volumosos entre eles.
Mione sorriu e permitiu que um arrepio percorre seu corpo quando as mãos do namorada deslizaram por suas costas.
Sabia a sorte que tinha em mãos. Rony Weasley era simplesmente maravilhoso: os cabelos ruivos brilhavam a cada gesto com a cabeça dele, os músculos do corpo forte e malhado, graças ao Quadribol, e aquela força monstruosa, onde a fazia se sentir protegida em seus braços que a abraçavam com carinho naquele momento.
E ela era o quê? Uma simples sabe-tudo, com cabelos volumosos e secos, acima de seu peso e os dentes da frente grandes a fazendo parecer um coelho. E até hoje se perguntava como aquele Deus-ruivo, havia se apaixonado por ela.
Pôde escutar uma tosse atrás deles, os fazendo pararem o beijo e verem que estavam todos com braços cruzados sorrindo e os olhando como se esperassem que eles terminassem o carinho explicito.
Naty fez um gesto de "olá, nós ainda estamos aqui" com a mão, junto com um sorriso que ia de orelha a orelha.
- Olha, queridos – ela começou e deu uma piscada para Gina – Eu sei que o amor de vocês é lindo. – ela olhou para Mione que já havia largado o namorado e arrumava a suas vestes, olhando para baixo tentando esconder eu rubor de seu rosto – Mas Mione, eu sei que você ama o Rony, mas estamos num Salão Comunal com quase 30% de todos os alunos da nossa casa presentes – Mione corou ainda mais. Fazendo Naty ficar satisfeita e olhar para Rony que ao ver os olhos azuis brilhando, engoliu em seco. – Ronald Weasley, quantas vezes eu vou ter que repetir: – e em uníssono todos responderam juntos. – Controle seus hormônios. – e em seguida explodiram em gargalhadas.
Harry abraçou Gina com carinho a fazendo sorrir e entrelaçar os dedos de sua mão com os dele em sua cintura.
- Que tal a gente ir toma café? – ela perguntou a todos que concordaram, e ainda rindo, foram em direção ao quadro.
Naty era a última ao lado de Fred que tentava limpar suas vestes da fuligem, estava prestes a passar pelo retrato quando o ruivo segurou o seu braço a impedindo.
- Fica aqui um pouco comigo. – ele pediu sorrindo abertamente para ela, revelando entre aquele negro de seu rosto, os dentes brancos e perfeitos.
- Fred, o Paul esta me esperando e...- ele a cortou num gesto impaciente com as mãos.
- Calma, eu não vou te atacar – piscou o olho divertido – Mesmo que eu queira. – Naty riu e foi até ele com passos delicados e um sorriso doce sobre os lábios, fazendo-o prender a respiração.
Cruzou os baços em frente ao peito e a observou enquanto vinha em sua direção. Ela estava simplesmente linda com aquela jeans clara apertada sobre as longas pernas bem torneadas e o quadril tentadoramente arredondado, ergueu os olhos e fitou-lhe a blusa azul-royal de gola alta e mangas compridas que moldava com perfeição a cintura fina e o busto grande e firme. Cerrou levemente os olhos e sentiu sua boca ficar seca, quando um brilho branco chamou sua atenção para a barriga dela que estava a mostra: uma jóia delicada em forma de estrela brilhava sobre a luminosidade do Salão.
Ele arregalou os olhos, atônito.
Como não havia percebido antes que ela tinha um piercing?
- Já olhou bastante? – a voz dela ecoou sobre as paredes e chocando-se contra seu ouvido, o fazendo estremecer sobre aquela doce melodia sensual.
Definitivamente, Natalie estava brincando com fogo e estava parecendo gostar daquilo.
- Ainda não. – respondeu num murmúrio, colocando suas mãos sobre a cintura dela e trazendo para perto de si num gesto firme – Tem muitos recantos de seu corpo que eu gostaria de conhecer. – ela arregalou os incríveis olhos azuis realçados por uma leve camada de lápis preto, e a boca avermelhada se abriu estupefata, para logo se fechar, mostrando que as palavras haviam se perdido dentro de sua garganta. Fred riu divertido – Naty, você é tão ingênua. – a morena também riu e lhe deu um tapa no braço.
Tudo bem!, Ela pensou venenosa, o abraçando pelo pescoço e ficando na pontinha dos pés de modo que suas bocas ficassem frente a frente uma com a outra, de uma maneira perigosa para os olhos do ruivo. Se ele quer brincar, eu vou mostrar quem é a vencedora.
Pode senti-lo tremer quando deslizou suas mãos pelo peito forte que se moveu pesadamente para cima, mostrando a excitação dele.
Passando a língua de leve sobre os lábios, sorriu ao ver que ele seguira seu movimento, parecendo hipnotizado, com os olhos.
- Você gosta não é mesmo. – perguntou, mordendo-lhe o lóbulo da orelha, enquanto segurava as mãos dele em sua cintura e as fazia entrar por de baixo de sua blusa. Um gemido escapou de seus lábios quando os dedos longos e frios dele contrastaram com sua pele quente e macia. O toque era tão bom que a fazia se sentir como um mel que se derretia sobre um fogo ardente.
- Não me provoque. – Fred falou com a voz rouca, inclinando a cabeça em direção ao pescoço dela, abaixando a alta gola e assim tocando num gesto delicado, seus lábios na curva alva.
- E se eu quiser? – ela replicou, jogando a cabeça para trás, de modo que o rabo-de-cavalo que prendia seus cabelos, balançasse.
Fred a segurou com mais força, sabendo que logo iria perder a sensatez se não parasse com aquilo. Então por que não conseguia? Seu corpo ardia, seu coração batia rápido e sua respiração estava tornando-se cada vez mais pesada.
Claro que já esteve com outras garotas, mas Naty era um desafio a sua consciência. Ele a queria, a desejava para si. Ansiava poder passear suas mãos por aquele corpo perfeito, afogar-se nele.
Fechou os olhos, para sentir a fragrância doce do corpo dela, que o deixava tonto.
Nunca havia sentindo algo tão forte por uma garota, como sentia por ela.
Naty tinha uma mistura eletrizante, era engraçada, carinhosa e linda, mas junto com tudo aquilo a história misteriosa dela, fazia seu interesse crescer cada vez mais. Desejava querer descobrir o que acontecera a ela no passado. Queria abraçá-la e confortá-la em seus braços quando estava com medo ou triste.
Riu com a própria piada: desde quando Natalia McBride estava triste? E aquela alegria contagiante que o fazia amá-la cada vez mais. Incondicionalmente.
Repousou sua cabeça no ombro dela, sentindo os dedos delicados passearem sobre seus cabelos.
Podia se lembrar quando a vira pela primeira vez.
Fora no ano passado e estava no celeiro da A'Toca, fazendo uma nova invenção quando ela apareceu.
- Merda – reclamou, jogando a chave de fenda longe e secando o suor da testa com um pano já úmido.
Andou até um barriu de água que estava preso sobre uma tábua de parede e afundou a cabeça nessa, para se refrescar.
Nunca passara tanto calor em sua vida.
"Onde será que esta o Jorge com a maldita limonada?", Pensou se erguendo e jogando a cabeça para trás fazendo a água espirrar para todos os lados. Balançou a cabeça de um lado para o outro, de modo que seu cabelo ficasse revolto e enfrente aos seus olhos. Respirou fundo o ar quente daquele dia ensolarado e gemeu baixinho, mostrando o seu cansaço.
Estralou o pescoço e voltou para mesa e assim continuar seu trabalho, foi quando percebeu que a chave de fenda havia sumido.
- Merlin. – rosnou, começando a tirar a palha sobre a mesa de forma que a busca se tornasse mais fácil – Onde você está, desgraçada? Apareça!
- Está no chão, ao lado do pé de cabra. – uma voz doce vindo da porta do celeiro chamou sua atenção o fazendo erguer os olhos e ver quem estava ali. E foi nesse momento que perdeu o fôlego.
A jovem tinha longos cabelos negros que balançavam em sintonia com a brisa quente, os raios de sol a iluminavam, fazendo uma fina linha dourada delinear o perfeito corpo dela, coberto somente por um delicado vestido branco de mangas curtas com flores vermelhas, deixando até a metade do joelho as longas pernas bronzeadas a mostra.
Ele, por acaso, havia morrido e não sabia? Pois aquela visão era de um anjo, não havia outra explicação, pois, como podia existir um ser tão perfeito e belo na Terra e sem ele ter conhecido antes?
A jovem sorriu e os dentes brancos mostravam que a boca dela deveria ser doce, um sabor quase eloqüente. E aquele corpo estaria a sua salvação para aquele calor infernal.
Ela vinha em sua direção com passos delicados como se estivesse flutuando, os pés calçados por uma sandália rasteira bege, onde se perdia com a cor da pele dela.
Engolindo em seco, conseguiu dizer a única coisa que vinha em sua mente, para logo em seguida se arrepender:
- O...O...Oi! – "Grande Fred, agindo como um adolescente que estivesse vendo pela primeira vez a sua musa", disse a si mesmo, girando os olhos e fazendo uma careta que para a sua surpresa, fez a jovem rir.
- Sou Natalie McBride, e você? – ela perguntou lhe estendendo a mão e timidamente levantando a cabeça para fitá-lo nos olhos.
Fred teve que colocar uma mão sobre a mesa para se manter em pé, enquanto a outra apertava gentilmente a dela num toque que o fez estremecer.
Deus, os olhos dela eram de um tom tão profundo de azul que o fez desejar querer se afogar naquele mar revolto brilhante. A pele acetinada e macia da mão era como um convite tentador para comprovar se o corpo, inteiro, dela era daquela maneira.
Sorrindo respondeu:
- Me chamo Fred. – "e o verdadeiro Fred Weasley volta a atacar", sua mente o atormentara novamente. Num gesto impulsivo pelo seu desejo, puxou a jovem para perto de si, de modo que o perfume doce lhe penetrasse sobre a pele.
Naty se assustou de inicio com o gesto ousado, mas o calor dele que a aquecia não demorou muito para tranqüilizá-la. Ainda o fitando nos olhos sorriu amigável, antes de erguer sua mãe e tirar da frente dos olhos castanhos dele uma mexa ruiva.
- Prazer. – murmurou num fio de voz.
- Prazer. – e sem demora ele se inclinou e deu-lhe um beijo doce na bochecha sem perceber que ao longe uma jovem ruiva sorria abertamente, encostada numa arvore vendo a cena, enquanto um jovem de cabelos negros e olhos verdes lhe abraçava por trás pegando-a de surpresa.
- Terra chamando Fred. – Naty chamou-o num tom brincalhão entre as risadas, ao ver a cara de bobo do amigo.
Fred balançou a cabeça parecendo sair de um sonho bom. Olhou para Naty e corando levemente sorriu sem jeito, antes de responder:
- Vamos logo pro Salão para tomar café. – e sem esperar que ela respondesse, pegou-lhe a mão, entrelaçando os dedos, e a arrastou para fora do quadro.
Oh, se ela soubesse o quanto a desejava, iria até mesmo sentir medo.
Olhou para os lados, onde estava Angelina quando precisava dela?
Bufou.
Estava na hora de voltar à realidade e entender que Naty tinha um namorado, e o que ele sustentava por ela, era um amor passageiro.
Fitou-a e logo gemeu baixinho.
Amor passageiro? Jamais. Aquilo o corroia, fazia seu peito se apertar, seu coração acelerar e o sangue entre suas veias esquentar como brasa.
- Que Merlin me dê forças. – pensou, abraçando-a pela cintura e parando em frente ao Salão Principal, onde os outros os aguardavam.
- MAS A ONDE VOCÊ ESTAVA? – May gritou, pegando Naty pela mão e a puxando pra perto dela e de Gina que estava encostada na parede olhando-a de uma maneira que suspeitava o que ela e Fred estavam fazendo.
- Eu... Eu posso explica. – Naty falou na defensiva, sentindo o perfume de Fred passar por si, mostrando que ele já havia entrado no Salão a deixando com as amigas.
- Não precisa explica, Ná. – Gina anunciou sorrindo e a abraçando pelos ombros, enquanto com o outro braço abraçava May.
- Prontas para o nosso matinal "bom dia"? – a índia perguntou sorridente, vendo as outras rirem.
- Como sempre. – Naty anunciara, estufando o peito – Vamos lá. – e sem esperar mais nada, as três entraram no Salão.
May caminhou até a ponta da mesa de sua casa e subiu em cima do banco, enquanto Gina seguia até a Grifinória e Naty a Corvinal.
As três se entreolharam e assim, pegando fôlego o suficiente, gritaram para todos ali presentes a escutarem claramente:
- BOM DIA! – todas as cabeças se voltaram para elas, antes de rirem alegres.
Os garotos do colégio pararam de comer e se levantaram antes de, ainda sorrindo, responderem:
- BOM DIA, MAY, GINA E NATY! – as garotas sorriram alegres e acenaram para as jovens, ironicamente, que as olhavam com inveja da tamanha popularidade entre os garotos de toda Hogwarts. Até mesmo os próprios professores sorriram e acenaram com a cabeça dando-lhes o mesmo comprimento.
Elas saíram de cima do banco em um pulo e se encaminharam em seus lugares sobre as mesas, sendo que Naty olhou para elas com um olhar de socorro, quando ia se dirigindo para o lado do namorado, que fez questão de abraçá-la com certa possessão e falar ao pé de seu ouvido a fazendo sentir nojo sobre aquele hálito nojento:
- Aí, gostosinha, meus parabéns – discretamente ele puxou sua cabeça para trás – Você foi uma verdadeira gata selvagem. – e riu, antes de voltar a se sentar com ela no seu colo.
Gina olhou para May e arregalou os olhos quando viu que a amiga estava preste a pular em cima de Paul com brilho sobre os olhos onde a fez suspeitar que ela fosse matá-lo.
- Como ele ousa a chamar daquela maneira? – a índia perguntou entre os dentes.
Gina suspirou e se colocou à frente de Harry que não parava de secar uma loira da Corvinal onde mandava beijos no ar para ele.
Ela girou os olhos, a vida amorosa de seu amigo não lhe vinha a respeito, se Harry quisesse ser engolido, que fosse, ela não iria sentir falta.
Mentirosa!, Sua mente gritou no momento em que devorava uma bolacha entre os dentes, a picando freneticamente.
May olhou para ela estupefata antes de dar um sorrisinho leve.
- Ciúmes. – murmurou girando os olhos e se sentando ao lado da irmã que fez questão daquele dia sentar-se à mesa da Sonserina e... Ao lado de Draco.
Pelo amor de Deus! Ainda era sete horas e já tinha que olhar a cara pálida e aqueles cabelos de palha, sendo que a imagem dele a atormentara em seu sonho a noite inteira.
Suspirou e dirigiu seus olhos para a irmã que comia seu cereal com gosto. Draco Malfoy não iria irritá-la naquele dia. Ela estava calma, feliz e não iria ficar irritada.
- Então May era obrigada a fazer toda aquele escândalo, parecendo uma gralha batendo as asas em cima daquele banco? – ele provocara. Ah, ela ia ficar irritada. Muito irritada.
Voltou a mover os olhos para o loiro que sorriu e piscou-lhe um olho.
Filho duma mãe!, Pensou cerrando os punhos e correspondendo o sorriso.
- Não precisa sentir ciúmes Draquito...- ele torceu o nariz, odiava aquele apelido medíocre – De todos os garotos aqui do colégio você é o meu preferido. – os olhos dela se fecharam ainda mais, enquanto os de Draco fizeram questão de se abrir ao vê-la se inclinar sobre a mesa e assim gesticular com os lábios, o fazendo engolir em seco ao ver que estava começando a ficar hipnotizado com aquela boca rosada – Mesmo que tenha ficado em segundo lugar na lista do jornal – ela riu para valer o fazendo voltar ao momento presente – E como sempre, O grande Harry Potter te passou a perna.
Draco pegou seu suco bruscamente enquanto escutava a risada dela penetrar sobre seus ouvidos como uma faca afiada.
Sentiu que alguém o observava e ergueu a cabeça a tempo de ver Gina o olhando com sua graça, o sorriso doce e os olhos castanhos brilhando.
Sorriu de volta e como um flash o beijo que ela lhe dera veio a sua mente.
Deus, mesmo com aquela roupa de inverno, ela continuava bela com o seu rostinho rosado e angelical, onde os cabelos mal penteados o moldavam.
Quem diria que um dia aquela cabeça-de-fósforo pudesse vir a mexer tanto consigo.
Passou a mão nos cabelos e viu quando ela parou de fitá-lo e mover seu olhar para Harry que deveria ter falado algo engraçado já que ela riu, e a aquela risada vez com que sua raiva pela índia a frente sumisse.
Virginia era especial. E faria de tudo para sentir novamente o gosto dela.
- Diga adeus a sua ruiva, Potter. – falou por fim, enquanto voltava a sua atenção para o café.
- Gina, Pelo-amor-de-Deus, me tira essa roupa. – May falara quanto se dirigiam a uma das carroças que já esperava os alunos para os levarem a Hogsmeade.
A ruiva bufou e colocando as mãos na cintura respondeu:
- Eu estou ótima assim. – Naty sorriu sarcástica.
- Ah sim, e eu sou um ovo frito. – May e Gina se entreolharam numa forma maldosa e responderam juntas fitando a morena que recuou um passo ao ver os sorrisos perigosos das amigas:
- Só se for um estragado. – Naty revirou os olhos.
- Ai gente, to vendo que não vou poder mais fala nada pra vocês. Eu pedi para abafarem esse caso. – as trás riram para valer e se abraçaram.
Gina não pôde deixar de ficar feliz pela mudança de assunto. Por que tanta implicação? Era somente uma maldita roupa de inverno que estava começando a esquentá-la até de mais.
Uma brisa leve tocou em seu rosto junto com o aroma doce das flores.
Sorriu ao ver que faria um belo dia, perfeito para o passeio, mas as nuvens cinzas ao longe não escondiam que no cair da tarde poderia haver chuva.
Teve que segurar o riso ao olhar para a sandália preta de salto, altíssimo de May, onde era acompanhada por uma curta saia jeans escura revelando as longas pernas bronzeadas e uma blusa roxa de um ombro só, onde à parte de baixo aos seios era transparente permitindo a visão da bela barriga e o piercing em forma de uma gota de sangue, preto.
Passou a mão pelos cabelos e teve que morder a língua para segurar um palavrão quando seus dedos ficaram enroscados em um nó.
- Droga. – murmurou, tirando a mão dos cabelos e limpando a testa com suor.
- Você vai demora aí, ou teremos que levita-lá para andar mais rápido? – May perguntou já ao lado da porta da carruagem.
- Calma beterraba. – Gina falou revidando a provocação, fazendo a índia revirar os olhos e fazer uma bela careta. – Já to aqui. – sorriu e deu um beijo no rosto da amiga a fazendo sorrir.
- Ai Merlin, como é bom ser amada. – a morena comentou para logo em seguida começar a rir.
- É! – Naty começou – Principalmente por um certo loiro da Sonserina. – a índia parou de rir no mesmo instante ao escutar aquelas palavras e fuzilou a amiga com os olhos.
- Olha aqui sua...- Mas Gina a interrompeu.
- CALEM A BOCA E VAMOS LOGO PARA HOGSMEADE. – as duas olharam para a ruiva depois do belo berro onde chamou a atenção de grande parte dos alunos que estavam ali, sendo que alguns curiosos meteram as cabeças para fora das janelas só para observar o que estava acontecendo.
- Gininha meu amor, seja mais discreta na próxima vez. – Naty comentou abrindo a porta da carruagem – Vai, entra aí. – falou.
Gina deu os ombros e colocou a mão na porta para que como impulso da perna sobre o degrau pudesse entrar.
Naty estava logo atrás, mas com uma mão de May sobre seu ombro, a impediu de entrar.
- O que foi? – perguntou vendo a amiga retirar a varinha do bolso.
- Não vou deixar ela andar assim. – sorriu pelo canto dos lábios – veja só.
Num balançar leve a ponta da varinha começou a tomar uma tonalidade rosa, para aos poucos ir ao tom de um roxo forte e assim atingir Gina em cheio, que não percebeu o feitiço a suas costas.
Naty ficou boquiaberta ao ver a transformação; As roupas de ruiva pareceram que foram tiradas do corpo dela, onde as que se formavam pareciam que haviam feitas somente para ela. Os tênis gastos pretos que ela usava mudaram para um branco com detalhes em vermelhos. Pôde ver o feitiço serpentear pela perna dela e a calça larga se transformou numa jeans pantalona azul escura de cós baixíssimo, o moletom que a fazia ficar com o dobro do tamanho foi diminuindo aos poucos, até colar completamente na pele dela, revelando as curvas perfeitas do corpo escultural, junto com o seio realmente volumoso, a cor cinza do moletom sumiu e deu lugar a um vermelho carne. O facho roxo pareceu cortar o pequeno casaco ao meio onde aos poucos apareceu um zíper que estava aberto até o meio dos seios, permitindo que a bela curva destes ficassem a amostra junto com a barriga delineada, graças ao Quadribol. Não demorou muito para que um capuz fosse aparecendo aos poucos atrás da cabeça dela e as longas mangas compridas sumissem, revelando os longos braços.
Seus olhos se arregalaram quando o feitiço cobriu o rosto da ruiva já acomodada no acento gasto da carruagem e ajeitava confortavelmente, onde tinha a cabeça jogada para trás e parecia estar dormindo, completamente inerte do que estava acontecendo.
Naty pode ver a boca de Gina tomar uma tonalidade ainda mais rosada junto com um brilho delicado os realçando ainda mais. As bochechas ficaram mais coradas e as poucas sardas sobre o nariz foram clareadas dando somente um toque angelical ao rosto dela. Os olhos foram pintados por uma sombra clara e um delineador preto sobre os longos cilhos, os fazendo ficarem ainda mais puxados como os de uma gata misteriosa e sensual. O jato roxo fez uma cápsula sobre a cabeça da ruiva para logo sumir e revelar cabelos que pareciam terem feitos por puros fios de fogo, tamanho o brilho que eles contiveram; o vermelho ficou ainda mais vivo e as mechas deslizaram como ondas sedosas sobre os seios, sendo que alguns fios caiam sobre a tentadora curva.
- Perfeito. – foi a única coisa que Naty pôde dizer ainda afoita. Gina era dona de uma beleza realmente magnífica, mas que infelizmente era escondida pelas roupas pesadas e velhas que ela teimava em usar.
- Você não viu a melhor parte. – May avisou aumenta o sorriso sobre os lábios, até ela própria não sabia que Gina poderia ficar tão facilmente linda com alguns retoques. Piscou um olho para a amiga ao seu lado e assim chamou: - Gina!
A ruiva ergueu a cabeça do banco e abriu os olhos, para logo fitá-las, e foi naquele momento que Naty não conseguiu mais segurar o próprio queixo.
As íris dela não estavam mais naquele tom amêndoas, estavam ainda mais claras, quase mudando para um tom azulado que com certeza faria qualquer garoto perder o fôlego.
- O que foi? – a voz saiu ainda mais doce e delicada, como um cântico feiticeiro. Mas Gina pareceu não perceber.
- Nada querida, só estavam discutindo onde iremos visitar primeiro. – Naty respondeu ainda com o queixo aberto e os olhos esbugalhados.
- E o que decidiram? – May empurrou a morena para dentro da carruagem enquanto respondia:
- Dedos de mel, lógico. – revirando os puxados olhos negros ela continuou – Eu encontro vocês lá em Hogsmeade, como monitora eu tenho que ir junto com os outros da Sonserina. – e mandando um beijo no ar fechou a porta de madeira num estrompo – Ah, eu sou realmente muito foda. – falou baixinho sorrindo e começando a andar em direção aos monitores, mas sem perceber que naquele gramado havia um pequeno buraco, o salto alto de uma das sandálias afundou, a fazendo quase perder o equilíbrio e cair de cara no chão. – O cacet...- mas uma voz arrastada atrás de si a interrompeu:
- Olha a boca, Su.
May tirou o salto fino do buraco da terra puxando sua perna bruscamente para cima, antes de jogar os longos cabelos para trás e assim se virar, já sabendo que o dono daquela maldita voz, que estranhamente fez sua espinha gelar, estaria pronto para importuna-lá e assim começar uma nova discussão.
Oh Merlin, pensou girando os olhos, ele nunca iria cansar de persegui-la como fosse sua sombra?
"E que sombra", sua mente murmurou dentro de sua cabeça a fazendo ficar ainda mais irritada.
Puxando com força o ar para seus pulmões na tentativa de manter a calma que teimava em a abandonar, se virou em direção a Draco, mas quando estava preste a responder a provocação seus olhos se encontraram com íris cor de violeta a fazendo perder a fala.
Samantha O'Shea!, Sua mente lhe fez questão de a lembrar, enquanto observava a bela Corvinal abraçada a Draco, que fazia questão de sorrir alegremente ao mostrar para todos a sua mais nova parceira, enquanto a sua mão repousava sobre o quadril da jovem.
Samantha era conhecida pelo colégio como uma rigorosa Monitora, mas também como uma jezebel de quinta.
Seu estômago se embrulhou e a idéia de visitar primeiro a sua loja de doces preferida lhe pareceu bastante inapropriada.
- O que quer Malfoy? – foi a única coisa coerente que conseguiu formular em sua cabeça para falar, mas se arrependeu quando viu a bela loira ao lado dele rir abertamente.
- Veja docinho...– May teve vontade de rir ao ver a careta bizarra que Draco fez ao escutar Samantha o chamar daquela forma – Parece que ela está com ciúmes. – riu histericamente fazendo com que um som estridente e irritante ecoasse sobre os arredores do jardim.
Draco apertou a loira ainda mais sobre seu peito, de modo que ordenasse ela se calar.
- Quantas vezes serei obrigado a repetir, sua jumenta...– ele rosnou – Você não fala, somente faz o seu papel de minha companhia. Entendeu? – a loira balançou a cabeça num gesto afirmativo, parecendo não se preocupar com o xingamento que recebera.
May franziu o cenho completamente enjoada. Como uma garota como aquela poderia ser tão burra?
Claro que ela iria ser burra, anda com a vaca da Chang!, Pensou irônica, girando as orbes negras e dando a volta nos calcanhares enquanto se encaminhava até carruagem.
- Ei Su, os Monitores não irão mais juntos – Draco dissera a suas costas, fazendo a voz arrastada perfurar sua pele a fazendo estremecer. Céus o que estava acontecendo com ela? – Mas se você quiser apreciar o meu espetáculo com a Samantha aqui fique a vontade.
A índia cerrou os punhos com força antes de virar a cabeça e fitar o Sonserino com os olhos soltando faíscas de ódio.
- O único espetáculo que eu vou assistir um dia seu Malfoy, é quando você virar um bode e cortar o gramado do jardim com a boca. – rosnou, abrindo a porta da cabine com força e entrando.
- Fiu, fiu...- Draco assobiou provocante, quando a índia empinou a bunda para se acomodar no banco enquanto entrava, fazendo a curta caia subir ainda mais, revelando as belas coxas grossas e bronzeadas.
Engoliu em seco. Como seria viajar suas mãos naquele corpo perfeito e delicado que ficava ainda mais sensual quando ela andava como uma cobra perigosa ou ficava brava, mostrando que sua pele estava quente, graça a forte corrente sangüínea que viaja por entre as veias dela. Beijar aquela boca carnuda e provocativa. Quase feiticeira quando sorria, falava ou até mesmo o xingava. Sentir seu sabor, descobrir se ela era quente ou fria, a língua macia e os gemidos altos ou baixinhos.
Ah sim, ele gostaria de saber, conhecer cada recanto dela. Cada pedaço daquele corpo e saciar aquele seu desejo carnal, que começava o atormentar, enviando-lhe imagens eróticas na cabeça.
DRACO MALFOY!, Censurou-se mentalmente, enquanto colocava a sua parceira loira a sua frente e a empurrava para dentro da carruagem sem nenhum cuidado.
- Entra aí. – falou grosseiramente, para logo também entrar e fechar a porta em um estrondo estridente.
O ar dentro da carruagem era tenso. May estava ao lado da janela a sua frente, com as pernas cruzadas e um livro nas mãos, enquanto Samantha viajava a língua pelo seu pescoço e crava as unhas em seu couro cabeludo.
Fez uma careta e bufou. Viu-se obrigado a morder a própria língua para não mandar aquela Corvinal para o mais longe de si. Ele odiava aquele tipo de carinho. Era tão nojento. As unhas grandes dela o machucavam, o arranhando e ferindo sua pele, e a língua dela era tão grande e gosmenta que fazia a saliva escorrer pelo seu pescoço e assim molhar sua camisa preta.
"Calma, você é um Malfoy e agüenta qualquer coisa, até mesmo ao ter a visão de uma Deusa a sua frente e um animal ao seu lado o tocando". Arregalou os olhos, ele havia falado que May era uma... Deusa?
Ele estava mal. Concluiu. Doido, dopado, bêbado... Qualquer coisa que fosse ele não estava se encontrando em seu momento racional.
Teve vontade de gritar para que sua sanidade voltasse logo de uma vez e o ajudasse sair daquela fria.
Pode ver May levantar os olhos do livro que lia e começar a observá-lo com as hipnotizastes íris negras, que graças à janela aberta fazia os raios de sol passarem e assim penetravam sobre os olhos dela fazendo com que o tom negro brilhante ficasse mais claro e assim tornassem em um tom de castanho dourado.
E para o seu desespero, ela logo em seguida sorriu.
Os lábios brilhantes se curvaram naquele mesmo sorriso, sexy e perigoso, no canto dos lábios que o fazia perder o fôlego.
Pode vê-la fechar o livro cuidadosamente sobre o colo encoberto pela saia e bater com a ponta das unhas sobre a grossa capa marrom-amarelada. Uma luz prateada pareceu sair de dentro das páginas do livro, para logo estes desaparecer rapidamente, dando nenhum vestígio que algum dia esteve ali.
- Desculpe. – a voz dela fora pronunciada num tom tão cauteloso e baixo que fizeram os pelos da nunca de Draco se arrepiarem – Mas como eu prezo a comida que ingeri no café da manha vou me retirar antes que eu me veja obrigada a expulsá-la para fora de mim. – ela sorriu em puro deboche – se vocês me entendem, é claro.
E sem demora ela se levantou e assim saiu da carruagem, não sem antes mandar um olhar quase maníaco para Draco, mostrando o tanto que ele era um idiota a ponto de sair com aquela loira-canibal.
VOLTA AQUI SUA INDIA MALDITA!, Draco teve vontade de gritar quando a porta se fechou a sua frente e Samantha sorriu para logo fechar a cortina da janela, impedindo a passagem da luz solar.
- A sos, finalmente docinho. – ela falou manhosa, pulando em cima dele e o fazendo deitar no banco.
Sim, aquele seria mais um dos sacrifícios que Draco Malfoy teria que passar - e ele não via a hora para que acabasse logo.
- EU VOU MATAR AQUELA INDIA FILHA DUMA MAE. – Gina gritou em plenos pulmões, fazendo os cavalos da carruagem emitirem um som assustado e se mexerem impacientes.
- Gininha, luz do meu viver...– Naty lhe segurou o braço a impedindo que saísse da cabine – Se acalme, você está ótima com essa roupa. – a ruiva a fuzilou com os olhos castanhos-azulados que se escondiam atrás de um óculos escuro que ela havia achado dentro do bolso do pequeno casaco.
- Ótima? Olha como eu estou, Natalie. – Ela está realmente uma fera, Naty pensou ao ver que a amiga a chamara pelo nome. – Com essa barriga de fora, essa calça mais apertada do que as rédeas de um cavalo. – Naty se levantou bruscamente fazendo Gina levar um susto.
- Senta aí agora mesmo. – ela falou num tom firme, espalmando as mãos no ombro da ruiva a empurrou para trás, a fazendo cair fortemente contra o banco que graças ao forte impacto soltou uma grossa camada de pó. – Olha aqui Virginia Weasley, eu não vou aceitar mais escândalos de sua parte por não permitir que eu e a May a ajudemos a ficar bonita. Já estou de saco cheio de você reclamando da sua vida, e dessa sua merda de orgulho que a impede de ser o que realmente é. Que a impede de mostrar a sua verdadeira beleza. Então cala essa boca e não me fale mais uma única palavra sobre esse visual que fará todos os garotos do colégio ficarem afobados. – ela aproximou os rostos, com o dedo indicador bem no meio da cara da amiga, a fazendo recuar o corpo para trás assustada. – Você está me entendendo?
Gina engoliu em seco.
Ela tivera a capacidade de deixar Naty brava. E deixá-la daquela maneira era realmente mérito de um premio. Sem esquecer que, como já estava acostumada sempre vê-la sorrir, ter a visão dos cabelos negros em frente ao peito arfante, as bochechas sem mais o seu tom corado e os olhos azuis opacos num tom escuro, que somente faria Fred ficar ainda mais louco por ela, era assustador.
Suspirando passou a mão pelos seus cabelos e sorriu ao ver que seus dedos não enroscaram nas mechas sedosas.
Voltou a se olhar pelo reflexo do vidro da janela e assim sorriu: May fizera um ótimo trabalho, e quando sorria parecia que seus olhos ficavam ainda mais claros, num tom de azul celeste, claro e sensual, o sorriso sobre o lábio sexy, o colar preto de couro que circulava o seu pescoço duas fezes sendo que a terceira volta era maior e continha um pingente de lua minguante a fazendo ficar quase selvagem e os óculos numa mistura perigosa e misteriosa.
Olhou para Naty que estava sentada a sua frente, passando as mãos no rosto, parecendo tentar voltar ao seu estado normal, boba -alegre.
- Desculpe...- foi à única coisa que a amiga pôde fazer antes de levantar a cabeça e olhá-la – Perdi o controle Gi, me desculpe. Não queria gritar com você daquela maneira. Mas você está linda assim. E essa calça não é apertada como as rédeas de um cavalo, são completamente largas nas pernas, só é apertada na cintura para que mostrem o quando você é magra. – Gina riu e se ajoelhou à frente da morena, segurando suas mãos.
- Tudo bem Naty, acho que eu apelei um pouquinho. – sorriu fraco – Vai vamos ficar de boa e curtir o passeio. – os olhos azuis da amiga se iluminaram.
- Então... Você vai assim? – Gina deu os ombros.
- Tenho outra escolha? – Naty fez um gesto negativo com a cabeça – Pois bem, eu prezo a minha vida. – riu sendo seguida por Naty.
Tudo bem que aquele novo visual, Gina iria ter que descobrir cedo ou tarde!, Naty pensou vendo a ruiva voltar ao seu lugar e fitar as delicadas mãos, agora de unhas longas, quadraras e pintadas com perfeição num tom claro de rosa.
Sorriu, quem diria que aquela cabeça-de-fósforo iria apagar a sua chama e aceitar ficar daquela forma tão... Fez uma careta alegre, feminina.
Gina era uma linda garota, mas com o seu comportamento "masculino" às vezes, fazia com que os garotos a adorassem, mas nunca a achassem bonita.
Mas aquilo iria mudar, a se iria. E ela faria com que o tapado do Potter visse a jóia que tinha em mãos.
Até mesmo o próprio Malfoy que eu pensei que fosse uma girafa-cega percebeu, por que ele não?, Pensou, mesmo já sabendo a resposta:
- Ele usa óculos! – murmurou para si mesma, rindo ainda mais e vendo Gina olhá-la como fosse uma louca.
Respirou fundo e relaxou sobre o banco. Não deveria ter permitido que ela abrisse a cortina da janela e assim visse o seu reflexo sobre o vidro e ver como estava. Mas ela tava com calor, o que ela poderia fazer? Ficar assoprando a cara dela como um ventilador portátil? Não mesmo! May que fizesse aquilo, já que a idéia de fazer com que Gina ficasse daquela forma fora inteiramente dela.
- CHEGUEI, MINHAS LINDAS! – a porta da cabine se abriu revelando a imagem esguia da índia, que continha um sorriso enorme no rosto.
- E falando na peste. – disse a si mesma, virando o rosto para a janela, mesmo que tivesse uma ampla visão sobre o canto dos olhos.
Pôde ver Gina abaixar os óculos até a pontinha do nariz e fitar a índia com os olhos em fúria e um sorriso perigoso cortar os lábios cor de cerejas.
May engoliu em seco ao ter a visão da raiva da ruiva.
- Oi Gininha, sabia que você está linda? – ela perguntou entrando e se encostando na porta como se a ruiva fosse um leão preste a devorá-la.
Gina tirou os óculos e o jogou no banco antes de se levantar e olhá-la ainda mais perigosamente, enquanto o sorriso ia se apagando aos poucos e ela colocava as mãos dentro do bolso do casaco.
- É bom você ter uma boa desculpa para isso, Ta-la-may. – fez questão de falar devagar o nome inteiro da índia, a fazendo tremer levemente.
Okay, agora sim eu não escapo!, May pensou vendo a morte a sua frente, se aproximando dela cautelosamente, como uma leoa manhosa.
Naty teve que morder o próprio dedo da mão para segurar o riso. Com certeza, quando Gina queria, ela atuava melhor do que ela e May, juntas. E ver a índia tremer daquela forma, estava realmente muito divertido.
- Você tem três segundo para que eu não perca completamente a minha paciência...- Gina continuou levando uma das mãos para o bolso traseiro da calça e segurar a sua varinha fortemente – e assim – arregalou os olhos numa forma quase demoníaca – Explodir.
- Eu posso explicar, Gi. – May falou, começando a suar. Tudo bem, ver Gina brava não era legal, mas conhecer a "Explosão Weasley" dela seria bem pior. – Estava me dando aflição vê-la vestida daquela maneira toda tampada. Alem do mais você tem um corpo lindo e não pode negar que seus olhos ficaram realmente atraentes.
Gina sorriu pelo canto dos lábios e respondeu:
- Um...- começou. Mordeu a própria língua para segurar a imensa vontade de rir. May com medo não era algo que se via todo o dia.
- Gina você não vai fazer isso comigo né? Lembre-se da nossa amizade de tanto tempo, como ajudamos uma a outra. – e a ruiva continuou:
- Dois...- May olhou para Naty que se mantinha calada, encostada na janela olhando para fora.
- Naty me ajuda aqui, pega a Gina trás e eu me encarrego de estuporá-la. – a morena não se mexeu a fazendo perder o controle – NATALIE VOCÊ TA QUERENDO QUE EU MORRA? ME AJUDA AQUI.
Naty virou a cabeça e a olhou como se tivesse percebido que a índia só estava ali naquele momento.
- Oi May, tudo bem? – perguntou irônica antes de continuar: - Querida, quem se meteu nessa fria foi você, e eu não estou a fim de levar mais um esporro. – e mandando um beijinho no ar para a índia voltou a sua "falsa atenção" para os jardins e as carruagem que já começavam a andar em direção ao vilarejo.
May arregalou ainda mais os olhos quando o rosto de Gina quase tocou o seu com o dela e a varinha apontada para o seu coração.
- Três...- a ruiva anunciou. Abrindo ainda mais os olhos e sorrindo.
May fechou os olhos e começou a rezar, pedindo para que ela fosse breve e não a fizesse sentir muita dor.
Mas o que ela menos esperava, aconteceu.
Gina riu alegremente e alto, antes de guardar a varinha e abraçá-la com carinho.
- Sua boba, acha que eu faria alguma coisa contra você? – ela perguntou, a fazendo abrir os olhos cuidadosamente e ver a imagem alegre de Gina e Naty a sua frente.
- Vocês... Estavam... Me... Enganando? – perguntou com a respiração pesada. Mais um daqueles sustos ela não iria agüentar.
As amigas se entreolharam antes de começarem a rir.
- Estávamos. – falaram juntas.
May suspirou e levou a mão ao coração que batia descompassado.
- Ah que bom. – balançou a cabeça fazendo a ficha finalmente cair. – SUAS AMIGAS DESNATURADAS! – gritou, pegando Gina de surpresa e a fazendo dar um pulo – INSENSIVEIS! EU AQUI MORRENDO DE MEDO E VOCÊS FAZEM ESSA SACANAGEM COMIGO? – passou a mão pelos cabelos, vendo Gina sentar no colo de Naty e abraçá-la fortemente, com fosse a tabua da sua salvação – VOCÊS ACHAM LEGAL BRINCAR COM A CARA DO OUTRO, MAS NÃO É NADA LEGAL. EU AQUI, PENSANDO QUE IRIA MORRRER NAS MÃOS DESSA RUIVA PISCOPATA. – olhou para Naty – E VOCÊ NATY, PEDI A SUA JUDA E A ÚNICA COISA QUE FEZ FOI ME MANDAR UM BEIJO, O QUE TINHA NA CABEÇA?
Aproximou-se delas e sentou no bando à frente, passou a mão pelo rosto e as deslizou pelo seu cabelo as deixando em sua nuca.
- May foi só uma brincadeira. – Naty falou cautelosa, vendo a índia levantar a cabeça, olhá-las e assim começar a rir, descontroladamente.
- Peguei vocês. – ela disse com certa dificuldade, já que os risos atropelavam as palavras – Idiotas! – riu ainda mais.
Gina olhou para Naty antes de sair de seu colo e sentar ao seu lado, e assim começar a rir também.
May sempre se vingava, de um jeito ou de outro, ela se recusava ser enganada e fazer os outros saírem ilesos.
Pegou os óculos e os colocou, antes de bater na perna da índia a fazendo rir ainda mais.
Naty já estava com lágrimas no rosto, enquanto sua barriga começava a doer.
Olhou para o dia lindo que fazia no lado de fora da janela e assim concluiu que aquele passeio com certeza iria ser inesquecível.
Não demorou muito para que o som dos cavalos batendo os pés sobre a terra e assim começarem a andar cortasse a atmosfera risonha da cabine.
- Próxima parada...- Naty começou,
- HOGSMEADE! – as três falaram juntas, antes de caírem nos bancos e assim relaxarem o cominho inteiro.
- Não entendo por que a Gina não aceitou vir com a gente na mesma carruagem. – Rony perguntou enquanto ajudava a namorada a se ajeitar no banco.
Harry suspirou e passou a mão pelos cabelos, enquanto abrir uma fresta da cortina e observava as carruagens já começarem a andar.
Gina era realmente uma garota estranha, concluiu divertido antes de responder num tom de voz que mostrava sua indiferença:
- Ela preferiu ficar com as amigas. – Mione revirou os olhos e jogou uma mexa de seus cabelos crespos e volumosos para trás.
- Mas também somos os amigos dela. – retrucou apoiando a cabeça no ombro de Rony que entrelaçou os dedos em sua mão.
- Deixa-a! – o ruivo falou dando os ombros – eu combinei com ela de no fim da tarde a encontrar no Três Vassouras. – Harry sorriu fazendo uma covinha aparecer ao lado de sua boca.
- Você também não perde uma. – riu – Tão cauteloso. – ironizou.
Rony fez uma careta.
- Ela é minha irmã, e tem muitos tarados por Hogwarts.
O sorriso de Harry desapareceu, o deixando sério.
Gina não sabia se defender como ele ou os amigos, mesmo que nunca a tenha visto duelar não conseguia a imaginar sendo tão dura ou machucando alguém. Ela era doce, meiga de mais para tal ato.
- Gina onde você está? – murmurou preocupado, encostando a testa no vidro e fechando os olhos, permitindo que a imagem da melhor amiga viesse a sua mente, as palavras da poesia dela no caderno, o desenho dos dois se beijando e os tantos "quase-beijo" que eles compartilharam.
Sorriu levemente. Gina conseguia ser adorável quando queria. Até mesmo quando estava brava.
E ele amava vê-la daquela forma irritada, os olhos cor-de-mel cerrados em fúria, os lábios carnudos trincados, os punhos cerrados e os passos pesados.
E o que ele mais gostava era acalmá-la. Ora a abraçando, dizendo que a amava – sendo que nesta escolha ela sempre estremecia – ou simplesmente, acariciando o rosto de boneca com seus dedos. A fazendo sorrir daquela forma que o obrigava a segurar o fôlego.
Aquela pimentinha – forte, quente, excitante e ardida – era capaz de enlouquecê-lo somente com um único olhar, e os enigmáticos era os que ele mais gostava.
Gina tinha um poder sobre ele, inexplicável. O fazia rir, ser ele mesmo, esquecer dos problemas, de Voldemort e assim curtir a sua vida e a felicidade. Sentimentos que somente ela despertava em si, onde nenhuma outra garota conseguia. Quando estava perto dela, perdia a cabeça. Tinha vontade de agarrá-la e beija-lá inteira até ouvi-la gemer, pedindo por mais e mais. Ela era a única que fazia aquele desejo queimá-lo por dentro, e o pior era que ele não podia saciar-se, nem mesmo as meninas com quem ficava o fazia querer continuar a beijá-las. Mas Gina era como um fruto proibido, onde não podia ser tocado, acariciado.
Abriu os olhos e permitiu que os raios solares iluminassem seus olhos, fazendo as íris verdes claras brilharem intensamente.
Ela o apoiava, o ajudava e nunca permitia que ele ficasse triste.
Olhou para Rony e Mione que começavam mais uma nova discussão e sorriu. Quando chegasse no vilarejo procuraria por Gina e não iria alargar mais. Iria falar para Melissa, a garota com quem combinara sair naquele dia, que o encontro deles iria ficar para outro dia, pois naquele ele seria somente da sua melhor amiga.
O dia estava lindo. O sol brilhava como uma bela bola de fogo no céu, junto com a cor deste; azul profundo, sem nenhuma nuvem. Claro, esquecendo as nuvens carregadas de chuva ao longe que provavelmente ao fim da tarde cobria aquele céu límpido e faria uma forte chuva molhar ao redor.
Mas até lá, Gina iria curtir a sua tarde.
Os alunos pulavam, gritavam e riam enquanto andavam para visitarem alguma loja.
Olhou para o lado e viu Naty sorrindo enquanto mastigava o seu chiclete – era incrível como ela era viciada naquela coisa trouxa -, que tinha os óculos escuros no rosto e o rabo-de-cavalo sobre um de seus ombros. A pose de autoconfiança dava a ela uma aura de poder.
Sorrindo olhou para o outro lado esperando ver May, mas tudo o que viu foi à índia correndo aos tropeços até a Dedos-de-Mel, que como sempre, estava lotada.
- Você acha que...- começou a perguntar, mas Naty a interrompeu parecendo que havia lido os seus pensamentos:
- Com certeza. – e assim riu divertida enquanto deu uma olhada para trás sobre os ombros. – Olha lá o seu amor. – avisou, segurando o braço da ruiva que se virou e pode ver Harry segurando os ombros de uma esbelta garota que chegava cada vez mais perto, e mais, até que pôde ver Harry fechar os olhos e inclinar a cabeça, enquanto a garota deslizava as mãos pelo peito dele e o abraçava pelo pescoço.
Suspirou e virou o rosto e continuou a andar.
Droga, já deveria ter se acostumado com aquilo. Ele era um:
- Galinha...- murmurou entre os dentes para si mesma, mas para uma maior frustração, sua mente retrucou:
- Lindo! – cerrou os olhos atrás das grossas lentes de seu óculos.
- Safado!
- Gostoso!
- Cafajeste! – e com uma longa bufada continuou - e... O Grande Menino que Sobreviveu. – pode ver que sua mente ia logo retrucar o seu dialogo, então chacoalhou sua cabeça fazendo com que esta sobrasse somente um irritante e histérico pio.
A vida pessoal de Harry não era de sua conta, ele ficava com quem bem quisesse, e fazer uma cena de ciúmes ali, na frente de todos do colégio estava fora de cogitação. Vinha escondendo aquele amor, incondicional, por ele há anos, e não seria em uma oportunidade qualquer que diria a meio mundo que o amava.
Suspirando, passou a mão pelos cabelos fazendo um coque e logo tampando sua cabeça com o capuz do casaco, protegendo o seu rosto dos raios fortes do Sol.
- Vamos atrás da May. – foi à única coisa que disse antes de colocar a mão dentro do bolso da calça de Naty e de lá pegar um chiclete e colocá-lo na boca. Mastigou a goma e sorriu ao ver que era realmente muito bom.
Sorriu discretamente, ao ver que por onde passava os garotos paravam o que faziam para olhá-la, ou quando passavam por ela faziam questão de virar o pescoço e assim continuar a admirá-la.
- Isso é tão estranho. – comentou, fazendo a amiga ao seu lado a abraçar pelos ombros.
- Você logo se acostuma, e vai ver que é bem divertido fazer os garotos perderem o rumo da noção.
Nunca havia sido centro das atenções dos garotos, e muito menos dar aquele choque neles, os fazendo percorrer os olhos por seu corpo.
Corou e abaixou a cabeça enquanto puxava o capuz ainda mais para baixo, ao ver que um dos seus amigos mais próximos, David James da Lufa-Lufa, a olhava de dentro da loja de Quadribol, como se ela fosse uma jóia valiosa e que estava louco para tocá-la, comprovar se era verdadeira e assim tê-la somente para ele.
Mastigou o chiclete com mais força e logo se arrependeu ao ver que mordera a própria língua.
- Merda! – falou baixinho levando a mão à boca. – Isso aqui é uma arma. – resmungou enquanto pegava o chiclete na mão e o olhava; era como uma pasta de dente, só que mais grudento, pôde ver as marcas de seus dentes sobre a superfície rosa.
Dando os ombros voltou a colocá-lo na boca e assim voltar a saboreá-lo.
E foi no momento que voltou a dar a primeira mordida que um barulho rouco e forte ecoou ao redor do vilarejo, fazendo todos os alunos terem um sobressalto.
- Naty...- Gina falou arregalando os olhos e olhando para a morena que bateu na própria testa.
- Parece que May agiu mais rápido desta vez. – disse começando a correr até a Dedos de Mel, onde pela porta dessa saia uma forte fumaça esbranquiçada.
PUM!
Uma nova explosão cortou o ar, as fazendo virarem de costas para se protegerem dos estrondos.
Gina cobriu o nariz com as mãos e assim entrou na loja de doces, com Naty a seus calcanhares.
Tudo na loja estava em perfeita ordem, mas a única coisa que realmente assustada era o corpo de vários alunos caídos no chão, com sorrisos bobos e os olhos fechados, como se estivessem num sono profundo.
Naty segurou o ombro de Gina a puxando para perto de si e impedindo que a ruiva esbarrasse num grande boneco de chocolate onde metade da cabeça parecia que havia sido transformada em pedacinhos graças às explosões.
Gina encarou os olhos azuis da morena e assim, juntos, falaram:
- E May ataca de novo. – riram e voltaram a caminhar entre a neblina densa.
Um cheiro de chocolate queimado circulava o ar, fazendo-as ficarem sem ar às vezes.
Naty balançou a mão enfrente aos olhos afastando a fumaça de si, até que finalmente tudo clareou e a visão a frente mostrava como se nada houvesse acontecido ali.
Os doces em perfeita ordem, as mulheres no galpão e as guloseimas sobre eles.
Sem nenhuma fumaça ou cheiro ruim.
- COMO ASSIM ACABOU OS SAPOS DE CHOCOLATE? – um grito histérico do outro lado da loja chamou a atenção das duas que começaram a correr em direção a ele.
Não demorou muito para que a silhueta de May, quase estrangulando uma mulher ficasse perfeitamente visível.
- Talamay. – Gina a chamou, chamando a atenção da índia e a fazendo virar o rosto, onde este estava completamente sujo de chocolate em volta dos lábios.
- Oi meninas. – a morena as cumprimentou com um largo sorriso – Sabia que não a mais sapos de chocolate? ISSO É INADMISSÍVEL.
A mulher da loja tinha os olhos arregalados enquanto segurava nas mãos um grande saco sem fundo, onde Gina deduziu que estivesse completamente cheio de doces, sendo que alguns dos vários frascos de vidros das prateleiras estavam completamente vazios.
- May querida, vamos embora temos muitas coisas para fazer ainda, e você não está nem um pouco a fim de passar a sua tarde nessa loja, não é mesmo? – Naty arriscou argumentar, para tentar tirar a amiga daquela loja, mas recebendo um olhar quase mortal dela preferiu se calar.
Gina suspirou e andou até a morena e segurando-lhe em um dos braços falou calmamente, enquanto a tirava de cima do balcão:
- Por que não deixa encomendado os sapos de chocolate e no fim da tarde ou até mesmo por correio coruja eles te mandam? – arriscou.
May pareceu pensativa enquanto mordia fortemente uma barra de chocolate crocante.
- Vocês podem fazer isso? – ela perguntou olhando para a mulher que ainda segurava o saco.
- Cla... claro que po... podemos. – respondeu aos gaguejos, enquanto o sorriso de May aumentava ainda mais.
- Perfeito, então eu vou deixar encomendado 35 galeões de somente sapos de chocolate, okay? – a mulher confirmou com a cabeça e assim entregou o saco para a índia que o agarrou fortemente contra o peito e saiu cantarolando.
- Você é um gênio. – Naty murmurou na orelha da ruiva que sorriu.
- Eu sei. – riu baixinho enquanto saiu da loja.
Puderam notar que praticamente todos os alunos estavam fazendo um bolinho envolta da loja de doces.
Gina sentiu o ar lhe faltar nos pulmões quando seus olhos se encontraram com os de Harry, que estava ao lado de Mione e Rony, sem nenhum vestígio da garota com quem ele ficara momentos antes ao seu lado.
- O que aconteceu aqui? - Mione perguntou autoritária, olhando para May com um olhar severo – O que andou aprontando, Su?
May mostrou-lhe a língua borrada de chocolate e dando a volta nos calcanhares respondeu sem a mínima importância:
- Não encha o meu saco, Granger, vá cuidar das suas enciclopédias mofadas. – e assim sumiu entre a multidão.
Gina abaixou a cabeça não querendo ver a explosão da amiga enquanto Naty se apoiava na porta da Dedos de Mel e admirava o rosto de Mione ficar numa tonalidade vermelha intensa aos poucos, como se aquilo fosse um verdadeiro espetáculo de circo.
- Como ela...- Mione murmurou entre os dentes cerrados, enquanto Rony fazia questão de se aproximar dela e lhe segurar um dos ombros.
- Meu amor, fique calma. Ela falou aquilo somente para lhe tirar do sério. – Mione o olhou ironicamente.
- Sério? Sabia Ronald que eu nem havia percebido? – e com isso empurrou o ruivo para longe indo para o lado oposto da índia, pisando firmemente contra o chão.
Gina voltou a erguer o rosto no momento que todos os alunos começavam a sair de perto da loja e voltarem a seu passeio, e ficou surpresa ao ver que os olhos verdes do melhor amigo continuavam fixos em si, cerrados e com um brilho... Ela ficou pasma. Ele a estada fitando como olhava para as garotas com quem ficava.
Num jeito quase selvagem, carnal... Alucinante.
Seu corpo esquentou numa maneira incrível, e o calor se tornou quase insuportável.
Seria ela a próxima vitima daqueles lábios firmes e febris?
Querida gritar, correr para o mais longe dali.
Não minta para si mesma!, Uma voz ecoou em sua mente a fazendo suspirar.
Na verdade o que ela queria realmente era correr para os braços fortes de Harry e lhe falar que sim, que ela aceitaria qualquer coisa que lhe propusesse. Ela queria ser dele e de mais ninguém.
Pôde sentir os olhos dele viajarem por seu corpo a fazendo gemer tão baixinho quanto um murmúrio do vento.
- Temos que ir atrás daquela chocólatra. – a voz de Naty a fez voltar ao momento presente.
- É melhor, temos que fazer as compras para o baile ainda. – disse, ajeitando melhor o capuz na cabeça e arrumando os óculos antes de passar entre os garotos que assobiavam, ou a cantavam quando seu corpo tocava nos dele, ingenuamente.
Estava preste a dar graças a Deus quando finalmente saiu daquela multidão assim como Naty que já estava longe o bastante, mas foi naquele momento que sentiu uma mão, forte e quente, segurar o seu braço a fazendo se virar.
Uma mecha de seu cabelo caiu do coque que fizera, delineando o seu rosto e contrastando a cor vermelha deste com a sua pele acetinada.
Harry estava ali, a sua frente, segurando o seu braço e sorrindo para ela de modo que fazia suas pernas tremerem.
Pôde vê-lo se aproximar ainda mais de seu corpo rígido e respirar fundo como se estivesse saboreando o seu doce perfume.
Os olhos verdes brilharam em aprovação ao aroma.
- Olá! – a voz saiu rouca e feiticeira, assim como os dedos da mão dele em seu braço que acaricia os seus pelos arrepiados. – Como você se chama?
Harry Potter, não acredito que você não me reconhece. Sou eu, Virginia Weasley, sua melhor amiga. SEU GRANDE IDIOTA!, Sentiu uma enorme vontade de gritar aquelas palavras, mas sua voz não saia. Parecia que alguma coisa a prendia em sua garganta a fazendo algumas vezes se engasgar.
Suspirou e tentou manter a calma.
Pois bem, se ele quisesse brincar, ela entraria no jogo. Também, sempre ficou imaginando como ele fazia para cantar uma garota.
E com certeza ela não seria nenhuma presa fácil como as outras.
Dando um de seus melhores sorrisos o fitou e uma alegria se arrebatou em seu peito ao ver que ele tinha os olhos fixos em seus lábios numa fisionomia quase carnívora.
- Olá, Harry Potter suponho. – falou se afastando e quebrando o contato da mão dele em seu braço.
Ele sorriu enigmático.
- Como sabe? – Gina deu os ombros e se aproximou. Delicadamente afastou a longa franja da testa dele, revelando a tão famosa cicatriz.
- Mesmo que eu não tenha visto a sua cicatriz. – sorriu delicadamente e fez uma bola com o chiclete antes de responder: – É impossível não reconhecer a cor de seus olhos.
Harry sorriu nervosamente com aquele argumento que o embaraçou.
Como não vira aquela garota antes. O busto a mostra, nada muito vulgar, mas sim, extremamente sensual como o andar dela, mexendo os quadris quase numa dança que o fazia enlouquecer. A barriga e os braços aparecendo graças ao pequeno e delicado casaco, onde com o capuz a jovem fazia questão de esconder parte do semblante assim como a cor dos olhos atrás dos óculos de sol.
Ela era mais alta do que as outras meninas. A curva do corpo era ainda mais tentadora e os lábios corados eram um convite perigoso para serem saboreados.
A pele dela era macia, e por alguns instantes desejou comprovar se o corpo dela era todo tão eloqüente como aparentava ser. Um verdadeiro pecado.
Mas quando respirou fundo para apreciar o perfume dela, estranhou ao perceber que ele era bastante conhecido assim como aquela mecha ruiva que caia sobre a bochecha corada, mas ninguém vinha em sua mente, somente a imagem dela, sorrindo para si.
Seu coração acelerou e por um momento temeu que ele parasse quando ela, com os dedos delicados afastou a sua franja deixando a vista a sua cicatriz. E as palavras dela foram como o cântico de uma fênix; sensual, doce, amável e excitante que fizeram os pelos de seu corpo ficarem arrepiados.
- Nunca a vi por aqui. – ele falou quando finalmente conseguiu recuperar a sensatez e o poder sobre o seu corpo.
A jovem coçou o queixo com as unhas antes de as deslizar para o seu pescoço.
Céus, ela sabia realmente como enlouquecer um homem!, Pensou vendo-a se afastar de si e estranhamente começou a sentir frio.
- Talvez por que você nunca tenha reparado em mim. – Gina falou num tom amargo, vendo o amigo franzir o cenho.
- Seria impossível eu não ter reparado antes numa beldade como você. – ela riu.
- Mas não reparou. – Harry se aproximou e lhe segurou as mãos entre as dele num gesto que chegou a emocionar, tamanho carinho.
- Então eu estou cego. – Novidade!, Gina pensou revirando os olhos de modo que ele não percebesse o seu gesto.
- Então acho melhor você tirar essas lentes de contato e voltar a colocar seus óculos. – disse divertida.
Harry afastou a cabeça um pouco para olhá-la e assim sorriu, mostrando os dentes brancos e alinhados com perfeição.
- Para que colocarei os óculos se irei ficar com os olhos fechados o tempo todo? – Gina umedeceu os lábios com a ponta da língua e ficou satisfeita ao ver que ele seguira o seu movimento com as íris cor de esmeraldas e ver o peito dele arfar.
Ergueu uma das sobrancelhas e assim se aproximou dele, perigosamente. Como uma gata manhosa pronta para comer o seu peixe que havia caído em sua rede.
Mesmo que Harry fosse excepcionalmente alto e ela também, era obrigada a levantar a cabeça para contemplar a beleza dele.
Sentiu as mãos dele deslizarem de suas mãos para a sua cintura descoberta, tocando em sua pele e assim começar a queimá-la.
- Cuidado...- começou num tom baixo, quase num sussurro ao ouvido dele enquanto erguia os braços e o abraçava pelo pescoço – Por que com os olhos fechados você pode bater a cara. – e sem dizer mais nada lhe beijou o pescoço e assim se foi, sumindo entre a forte chuva de areia que fez uma barreira entre eles.
Harry só pôde observar a silhueta dela ir desaparecendo aos poucos do seu campo de visão, e quando se deu de conta, estava com a mão sobre o lugar que ela tocara com os lábios.
Sorriu e balançou a cabeça, antes de dar a volta nos calcanhares e seguir o seu caminho não sem antes fazer uma promessa a si mesmo que iria descobrir quem era aquela jovem, mesmo estranhando a tão semelhança dela com Gina.
Era isso, essa era a pessoa com quem aquela garota misteriosa se parecia, o cheiro, o sorriso e o andar era tudo igual ao da amiga.
Parou bruscamente de andar e se voltou para o caminho que a jovem seguira.
- Não pode ser. – murmurou com os olhos arregalados e a boca aberta – Aquela garota era a...- engoliu em seco – Gina.
- Vamos logo com isso, esse já está muito bom. – Gina gemeu baixinho fazendo uma careta para as amigas que estavam sentadas a sua frente tomando um sorvete e admirando o vestido que experimentava.
- Gina você terá que brilhar nesse baile. – May falou entre uma lambida em seu sorvete e outra.
A ruiva deu os ombros e segurou seus cabelos com força.
- Brilhar ainda mais? Pensei que meus cabelos já fizessem isso por mim. – Naty riu e se levantou, enquanto jogava o papel de seu sorvete no lixo.
- Vamos ver. - na medida que falava ia enumerando nos dedos - já foi o roxo, o verde, o amarelo, o dourado, o prata, o laranja, o rosa e esse preto. – olhou para a índia que viajava os olhos pela graciosa loja de vestidos – Teremos que apelar para o nosso plano B, querida. – os olhos azuis de Naty brilharam em pura travessura, enquanto May sorria abertamente.
Gina engoliu em seco ao ver as amigas se levantarem, andarem até ela e a levarem para a Ala dos vestidos mais caros da loja.
Não pôde negar que aqueles eram muito mais bonitos, sem esquecer que com certeza não a fariam sentir tanto calor como estava sentindo com aquele preto que até mesmo gola alta, cobrindo o seu pescoço como grandes mãos a sufocando, tinha.
- Meninas, eu amo vocês, mas...- sorriu sem graça para as duas que a fitaram por cima dos ombros enquanto vasculhavam vestidos que tinham cores mais alegres sem esquecer de modelos mais ousados – Eu não tenho dinheiro para comprar um vestido desses. – e apontou para um lilás de seda pura, que balançava graciosamente contra a brisa fria que entrava pelas janelas e o generoso decote.
May deu os ombros e voltou a sua busca enquanto respondia:
- E quem disse que você vai pagar alguma coisa? – Gina engasgou com a própria saliva.
- Como é que é? – Naty riu alegremente enquanto pegava um vestido do cabide e mostrava a May, que com uma careta mostrava a sua desaprovação a fazendo colocá-lo novamente pendurado.
- Exatamente! Aceite isso como um presente adiantado de aniversário. – Naty falou enquanto observava um dos belíssimos vestidos.
Oh Deus, elas queriam a levar a loucura. Cada vestido daquele custava mais que sua própria casa.
Dando a volta nos calcanhares sentou-se numa das confortáveis poltronas brancas enquanto observava as amigas rirem e mostrarem uma para a outra um modelo de vestido diferente, um mais exagerado que o outro.
Despencou a cabeça para trás para descansar e ver se conseguia fugir por um breve momento daquele maldito momento de... compras.
- Pensei que você não gostava de fazer compras. – uma voz arrastada perto de seu ouvido a fez ter um sobressalto e olhar para trás e assim se encontrar com íris azuis tão claras que chegavam a se perder entre o branco.
- Brian? – perguntou franzido o cenho ao ver um de seus melhores amigos da Sonserina numa loja de vestido só para mulheres – O que faz aqui?
O moreno riu e colocou as mãos no bolso da calça.
- Comprar vestido eu não vim mesmo. – Gina se levantou e andou até ele, parando em sua frente e lhe segurando o braço numa forma carinhosa que o fez estremecer. Ele era um dos poucos que achava aquela ruiva linda. – Eu estava passando quando vi você andar até aqui e sentar, aí decidi passar e dizer um oi. – sorriu abertamente enquanto colocava uma mecha ruiva do cabelo dela atrás da orelha.
Gina acariciou-lhe a mão.
- Oi. – falou divertida antes de abraçá-lo – Faz bastante tempo que não conversamos não é mesmo? Estava sentindo a sua falta, principalmente quando você xingava o professor Snape, que sendo você da Sonserina, não é algo muito comum.
Brian passou a mão pelos cabelos castanhos claros antes de dar os ombros e responder com simplicidade:
- Não gosto de ser igual a todo mundo – ele a fitou com os olhos em chamas – Assim como você. – ele se aproximou da ruiva que, hesitante, recuou um passo.
- Brian eu...- mas o amigo a interrompeu levando o dedo indicador aos seus lábios.
- Você sabe o que eu sinto por você Gina, me dê uma chance. – Brian deslizou o dedo pelo pescoço alvo da ruiva até chegar em sua nuca e assim trazê-la para perto de si.
Gina engoliu em seco ao sentir o hálito de menta do amigo sobre a sua boca.
Ele era realmente lindo, alto, moreno de olhos azuis e um corpo de dar inveja a qualquer menino e fazer as meninas irem a loucura. Mas... Ele tinha algo que a assustava onde lhe mostrava que somente entre eles, só poderia haver uma simples amizade. E assim era...
Ela o via como um irmão, que em todos os momentos esteve ao seu lado, lhe dera conselhos e lhe ajudara a se reerguer.
Era duro dizer não a alguém, sendo que ela própria era descartada pelo Menino-Que-Sobreviveu. Mas era melhor cortar o mal pela raiz antes que as coisas piorassem e de uma bela amizade nascesse um enorme ódio.
Suspirando se afastou do amigo e assim disse num tom baixo e delicado:
- Brian eu amo você, mas não da mesma forma que você me ama. – o moreno abaixou a cabeça e se afastou ainda mais enquanto encolhia os ombros – Me desculpe, sabe que magoá-lo seria a última coisa que eu desejaria.
Ele sorriu pelo canto dos lábios, mostrando o seu desapontamento.
- Pelo menos eu não posso dizer que não tentei. – dando os ombros se inclinou e beijou a bochecha de Gina delicadamente – Até mais, ruiva. – e com um aceno de despedida, abriu a porta da loja fazendo um sininho tocar mostrando a chegada ou a saída de alguém.
Gina ficou parada no mesmo lugar vendo o amigo ir se distanciando aos poucos de cabeça baixa, perdido em pensamentos, e no momento que ele estava preste a virar a rua deu uma última olhada para trás, fazendo o seu peito de apertar de forma que a sufocou quando seu olhar se cruzou com o, agora, escuro dele.
Dando um fraco sorriso, voltou para onde suas amigas estavam sabendo que cedo ou tarde Brian iria superar aquela dor.
- Então meninas arranjaram algum vestido? – perguntou ao vê-las rindo abertamente.
Naty se virou e sem cerimônias lhe entregou um vestido vermelho-escuro, quase num tom de carne.
- Eu não vou vesti isso. – deixou bem claro, vendo May dar os ombros.
- Ah! Você VAI sim e eu não quero saber, agora vá prová-lo. – lhe piscou um dos olhos - E só volte aqui com ele em seu corpo. – Gina ia argumentar quando a índia continuou: – Demoro! Andando, circulando, vazando!
Com uma bufada andou com passos pesados até o provador, fechou as cortinas e colocou o vestido na frente do corpo antes de fazer uma careta:
- Isso é loucura. – respirou fundo para a vontade de sair correndo o mais rápido da loja sumir. – Vamos lá. – abriu o zíper do vestido preto que usava, permitindo que a pesada peça escorregasse pelos seus ombros e assim pelo seu corpo, indo em direção aos seus pés.
Respirou fundo o ar e se virou de costas para o espelho enquanto vestia o vestido que May lhe dera.
O tecido era mais leve do que uma pluma a fazia sentir que levitada e com certeza não iria sentir tanto calor quando o outro. O tecido parecia ter sido feito por uma segunda pele, e somente para ela já que coube perfeitamente no seu corpo.
Não tendo coragem de se virar e se olhar no espelho, fechou o zíper lateral e assim abriu as cortinas, para logo se encontrar com as caras estupefatas das amigas enquanto a observavam da cabeça aos pés.
- Estou ridícula, não? – perguntou revirando os olhos.
Naty sorriu e balançou a cabeça.
- Você está perfeita! – gritou sendo seguida por May que pulou de encontro a morena e batia palmas freneticamente.
- A gente é de mais Naty, a gente é muito foda. – ela murmurava entra os pulos.
Gina colocou uma mecha ruiva de seu cabelo atrás da orelha antes de se virar e fitar-se pelo reflexo do espelho do provador, e o que viu a fez ficar com o queixo caído.
O vestido era de um modelo tomara-que-caia que moldava com perfeição cada curva de seu corpo e a cor vermelha-carne não a fazia ficar tão chamativo quanto o seu cabelo. Andou um passo para frente e pode ver a generosa fenda lateral que se abria até a metade da sua coxa e que combinava com uma perfeita frase que um dia ela escutou vinda de Naty: "Você pode olhar e delirar, mas não tocar" e era exatamente isso que iria acontecer, ela passaria por aquele salão como uma rainha, permitindo que todos os garotos a olhassem, delirassem, mas nunca teriam permissão para tocá-la. A barra arrastava no chão mostrando que o salto que teria que usar seria altíssimo e ela não fazia a mínima idéia como iria se equilibrar. Sorriu, e deu um giro permitindo que a saia do vestido girasse entre o seu corpo. Ele era simplesmente perfeito e nunca na vida se sentira tão linda e feminina.
Agora, pela primeira vez na vida podia dizer que estava ansiosa pelo baile.
Mordendo o lábio para conter o seu próprio grito de satisfação se virou para as amigas atrás de si, que já estavam vestidas com seus respectivos vestidos de baile; Naty usava um azul-claro que era amarrado atrás da nuca permitindo que as costas ficassem de fora, dando um ótimo relance para a curva farta dos seios dela e a tatuagem de uma delicada borboleta preta um pouco a cima do seio. Ele era reto sobre os quadris, mas não impedia de fazer os garotos imaginarem coisas sobre o que haveria em baixo daquela peça. May por sua vez estava linda no vestido preto de um ombro só, onde como o de Gina, havia uma fenda lateral só que a dela era um pouco maior.
Sorriu e se colocou entre elas e assim se viraram para o enorme espelho no meio da loja. Elas pareciam três pessoas de uma verdadeira realeza.
- Nos...- Naty começou.
- Vamos...- e May continuou.
- Arrasar! – Gina terminou antes de pular e abraçar as amigas, pulando com elas, sem se importarem com as meninas da loja que a olhavam com certo medo, achando-as trás loucas.
Elas voltaram para as cabines e tiraram os vestidos e assim os deixaram em cima do balcão enquanto iam até o outro lado da loja, onde haveria as sandálias para o baile.
Gina já ia comentando que não iria usar salto, mas Naty e May somente sorriam para ela, como se já respondesse que ela usaria salto alto querendo ou não.
Três mulheres vieram até elas e perguntaram o que desejavam.
- Sandálias pratas, douradas e pretas, por favor. – Naty pediu se sentando sobre as cadeiras sendo seguida pelas amigas.
Gina balançava a perna freneticamente mostrando o seu nervosismo.
Como diria as morenas ao lado que não... Sabia dançar? E como andaria naquelas sandálias sem levar um tropeço no meio do baile e assim cair na mesa de bebidas como no ano passado.
Tampou as mãos com o rosto.
- Eu sou um fracasso. – disse baixinho, sentindo a mão de May em seu ombro a fazendo olhar para a escada que levava ao andar de cima, onde mostrava as três mulheres voltando com um monte de caixas.
Gina gemeu enquanto Naty sorria e May batia as palmas, completamente excitada.
Por que ela sempre ficava tão alegre quando fazia compras? Não era nada de mais, só olhar vitrines, provas, comprar e usar por um tempo, para depois de um mês voltar de novo e comprar outra peça onde usaria e a antiga jogaria fora.
Elas definitivamente não conhecem a palavra 'economizar'!, Pensou colocando o seu pé numa sandália dourada de salto fino, e cheia de tiras que subiam pelo seu tornozelo.
- Gina leve essa que ficou perfeita. – Naty disse enquanto calçava a sua sandália prata e May a preta que concordou com um gesto de cabeça.
- Tenho outra opção? – perguntou vendo-as fazerem um gesto negativo com a cabeça. Deu um longo suspiro e olhou para a mulher a sua frente - Vou levar essa, deixe junto com o meu vestido, por favor. – pediu, voltando a calcar o seu tênis.
Não demorou muito para Naty e May fazerem o mesmo pedido às mulheres e assim se calçarem.
- E agora? – May perguntou passando a mão pela testa suada.
- Vamos para a Ala de mascaras. – Naty respondeu pegando o braço da índia e de Gina e as arrastando até o balcão de mascadas.
Não demorou muito para chegarem e assim começarem a olhar cada uma.
Gina optou por uma vermelha, olho de gato, com detalhes em dourado que cobria seus olhos e ia até a ponta do nariz. Naty fez a mesma escolha só que a cor era de um azul ainda mais claro do que a do vestido e continha detalhes em prata, sendo que esta só cobria os olhos permitindo o resto do semblante ficasse amostra.
May foi a que mais se confundiu, mas no fim escolheu uma que deixava somente a sua boca amostra, e para a surpresa de Naty e Gina a mascara era branca, e não preta como imaginavam que ela iria escolher.
- As pessoas surpreendem. – a índia falou sorrindo e piscando o olho para as amigas que se entreolharam.
- Okay, acho que já compramos tudo. – Naty falou pensativa. – É já foi tudo agora vamos ao caixa pagar.
Andaram cantarolando até uma mulher gordinha e velha que sorria para elas alegremente, parecendo já saber o preço enorme da compra. Gina virou de costas e tampou os ouvidos para não escutar o tamanho gasto que iriam sofrer.
Para a sua alegria o pagamento foi rápido, e se surpreendeu também ao ver que Naty e May pareciam não se importar com o preço.
- Pronto? – perguntou hesitante, recebendo as próprias sacolas de seu vestido da mulher do caixa.
- Tenham um bom dia. - Ela falou educada segurando o generoso saquinho de galeões na mão.
Suspirou aliviada quando finalmente saiu daquela loja e correu até as amigas que estavam no outro lado da rua.
- Vocês não deveriam ter feito isso, deve ter custado uma fortuna tudo isso e...
May a interrompeu:
- Gina faça um favor para nos e para si mesma e cale essa boca. – Naty riu.
- Isso aí, aproveite essa compra, amiga. Fique feliz ao saber que estará magnífica naquele baile e que fará o Harry babar por você. – Gina sorriu envergonhada e preferiu ficar calada o percurso inteiro que faziam até a loja dos irmãos; Genialidades Weasley.
O que Harry acharia dela naquele vestido?
Tremeu levemente ao ver que se ele a chamasse para dançar iria ser um verdadeiro desastre. Pior, como diria aquilo para as amigas. Elas já haviam feito muito para si e agora teriam mais um problema. Suspirou e tentou achar alguma saída para aquilo.
Com quinze anos e não sabia dançar. Pelo amor de Deus, que tipo de adolescente ela era? Não sabia dançar, não sabia se vestir ou ficar bonita. O que ela sabia fazer de melhor era tocar instrumentos e cantar, mas do que serviria aquela sabedoria para música se ela tinha medo de palco?
Sou um verdadeiro zero a esquerda!, Pensou enquanto se colocava enfrente a loja dos irmãos.
Pôde ver, pelo canto dos olhos, Naty passar as mãos suadas pela roupa.
Sorriu. Ela poderia ser uma ótima atriz, mas não enganava ela e May sobre o seu amor por Fred.
Cerrou os olhos pensativa, então... Se ela amava Fred por ainda continuava com o idiota do Paul? Parecia que havia algo muito forte a prendia a ele.
Balançou a cabeça e disse a si mesma que depois pensaria com mais calma naquilo.
Empurrou a porta da loja e entrou, escutando esta fazer um leve rangido.
- Sejam Bem Vindas! – os gêmeos falaram sorridentes, saindo de trás do balcão e indo em direção a elas.
Naty passou a mão pelos cabelos quando Fred sorriu para ela, enquanto May pulava no pescoço de Jorge e lhe dava um beijo na bochecha.
- Olá, manos. – Gina falou abraçando cada um dos gêmeos.
Jorge abraçou com força Naty de modo que a tirasse do chão a fazendo arregalar os olhos e gritar de puro susto.
- E aí cunhada, como você está? – ela franziu o cenho.
- Cunhada? Você só pode estar louco. – Jorge sorriu ainda mais e a colocou no chão. Naty estava tão tonta graças aos rodopios que nem percebeu que Fred estava a sua frente e assim se chocou contra o corpo dele.
- Ai desculpe, Fred. – o ruivo sorriu e lhe deu um beijo perto da boca.
- Ola Ná! – a voz dele fora rouca e sensual, a fazendo estremecer e os pelos de sua nuca se arrepiarem.
Naty o abraçou, sentindo o corpo másculo contra o seu.
- Tenho uma coisa para você. – Fred murmurou ao pé do ouvido dela, a fazendo ter um novo arrepio pela espinha.
Naty sorriu mostrando que queria ver o que ele tinha para lhe dar. Fred segurou-lhe a mão e entrelaçou os dedos como se fossem namorados.
Sentiu os olhos ficarem úmidos, graça ao tal carinho tão simples. Por que Paul não podia ser assim com ela? Por que a traia daquela forma, a enganava a fazia sofrer tão descaradamente.
Mas Fred não, ele era tão atencioso, preocupado e amigo.
"Amigo", só de pensar naquela palavra seu peito se apertava.
O beijo dele era tão delicioso que a fazia gemer só de se lembrar do que sentira nos braços dele. As mãos fortes passeando pelo seu corpo o incendiando e os lábios tocando os seus, com tanto amor que a chocava.
O ruivo a levou para uma sala atrás da loja, onde era uma pequena sala de chá, que provavelmente era onde ele ficava para descansar um pouco no fim da tarde.
- Fique aqui. – ele pediu, enquanto a fazia sentar na poltrona e ia até a outra extensão, sendo engolido aos poucos pela sombra.
O olhou e não pôde negar que ele estava ainda mais belo naquela calça preta larga sobre as pernas grossas e fortes e a camiseta vermelha de decote em V, grudada no corpo, moldando cada músculo da barriga delineada, o peito viril e os ombros largos.
Merlin, ele era lindo de mais para ser real.
- Fred vai logo, você sabe como eu sou curiosa. – disse impaciente, escutando a risada do ruivo entre as sombras. Por algum momento pensou que ele estava fazendo aquilo para provocá-la e que a estava observando em silêncio.
Ele foi se revelando aos poucos, vindo em sua direção com passos firmes e folgados a fazendo prender a respiração quando ele se colocou ajoelhado em sua frente com uma caixa preta nas mãos.
- Espero que goste. – falou num murmúrio enquanto abria a caixinha e revelava uma pulseira de prata feita de várias estrelas.
Naty arregalou os olhos e permitiu que uma lágrima deslizasse por seu rosto.
Droga, por que aquele ruivo desgraçado tinha que ser tão perfeito?
- Obrigada Fred. – respondeu, vendo a cara de preocupado do ruivo ao ver a sua lágrima escorregar por sua pele – É linda eu amei. – sorrindo passou a ponta dos dedos pela a jóia antes de pular nos braços dele emocionada. O impacto foi tão forte que Fred caiu para trás sobre o tapete, a abraçando pela cintura.
Ele prendeu a respiração quando o corpo dela se encaixou no seu com perfeição, e por um momento desejou que não estivessem vestidos, para mostrar a Naty o paraíso que era o amor deles.
Deslizou sua mão da cintura dela para as costas antes de girar o corpo e ficar por cima.
Pôde senti-la tremer levemente, quando colou seus lábios sobre a alva curva de seu pescoço.
- Você é incrível, sabia? – disse baixinho, enquanto ela deslizava as unhas pelo seu braço e assim começar a acariciar sua nuca – Naty... Naty... Se soubesse como a desejo, como anseio tocá-la, fazê-la minha. – ela engoliu em seco – se soubesse o quanto que te amo.
Naty teve que prender a respiração, quando Fred se apoiou nos braços ao lado de sua cabeça e ergueu o corpo para observá-la.
Por alguma razão a sala estava girando tão rápido que não estava lhe dando a chance de pensar, somente sentir o calor, o perfume que saia do corpo do ruivo e penetrava no seu. Fixou seus olhos na boca dele, e pôde vê-lo sorrir, mostrando sua satisfação por deixá-la daquela forma: enlouquecida.
- Fred, é melhor eu ir as meninas estão me esperan...- ela tentou. Podia jurar de pé junto que tentou se controlar, mas quando as mãos do ruivo roçaram levemente no seu seio, fora impossível pensar com sensatez.
Num impulso com a cabeça, capturou os lábios dele contra os seus com vontade, enquanto com a mão na nuca o trazia para mais perto, ansiando por seu gosto, seus carinhos e os gemidos que o faria ter.
Fred gemeu levemente quando ela penetrou a língua lentamente em sua boca, para logo procurar pela sua e assim permitir que o beijo se aprofundasse.
Ela arqueou o corpo contra o seu o fazendo chegar quase ao um prazer instantâneo.
Sabia que cedo ou tarde teriam que parar. Mas por que, diacho, não conseguia?
O calor estava se tornando insuportável e o suor já começa a escorrer.
Sorrindo, parou de beija-lá e assim deslizou o corpo para baixo até chegar à barra da blusa dela e assim levantá-la levemente, lhe dando a visão da barriga reta e dos quadris tentadoramente arredondados.
A fitou por alguns instantes e pôde ver os olhos azuis em brasa como se suplicassem para que ele continuasse.
Com um erguer de sobrancelhas ele voltou a sua atenção para a barriga dela e assim começou a fazer um caminho de beijos delicados em volta do umbigo onde a pedra azul do piercing brilhava. Passou a língua sobre a jóia antes de começar a brincar com ela, a chupando, mordiscando, até começar a ouvir os gemidos de Naty.
Ela era uma jóia onde gostaria de guardá-la. O jeito com a qual andava, falava ou mexia nos cabelos era uma forma de sedução que ele amava, mesmo que ela nem percebesse o tanto que o enfeitiçava.
O seu coração estava a mil, e pôde descobrir que o dela também, quando voltou a abaixar a blusa dela e voltou para beija-lá nos lábios, engatinhando sobre o corpo perfeito e acetinado, onde ele tinha que fazer de tudo para se controlar e não possuí-lo.
Queria conhecer o corpo dela, indo aos poucos, a torturando e a si mesmo.
Sentiu uma ternura enorme invadi-lo quando ela sorriu e acariciou sua bochecha com a mão e a deslizou para seus cabelos, enrolando as mechas compridas da franja no dedo e colocá-la atrás na orelha.
Se lhe perguntassem, naquele momento, o que ele estava sentindo a única coisa que viria seria a palavra: amor.
Ele a amava de mais. Desde o primeiro momento que a viu. Desde o primeiro sorriso ou toque que ela marcou como brasa em seu corpo.
Pôde vê-la arquear o corpo quando começou a deslizar suas mãos pela cintura dela por de baixo do fino tecido da blusa que já começava a ficar molhada.
- Com calor? – falou provocante. Naty respirou fundo antes de sorrir e responder num tom que o fez quase enlouquecer:
- Muito. – as respirações já começavam a ficarem pesadas e os corações acelerados faziam um ritmo perfeito – Por que, então, você não me refresca?
Ah! Ela acabara de falar as palavras chaves. Comprovando as suas suspeitas; ela o queria, até mesmo mais que ele próprio a desejava.
Estava ali, nos olhos dela o amor recíproco. O brilho das íris claras pareceu penetrar sobre sua pele e serpentear sua espinha lhe fazendo sentir um arrepio quando voltou a beijar a boca rubra de Naty que por sua vez já tinha cravado suas unhas nos ombros largos e fortes de Fred.
Por que Paul não podia ser assim com ela? Tratá-la como uma mulher e não como uma qualquer. Fazê-la gemer e não sentir nojo. Fazê-la o amar e não odiá-lo.
Suspirou fundo quando a boca de Fred se apossou de seu ouvido o mordiscando levemente.
- Eu te amo. – ele murmurou num tom rouco, enquanto começava a tirar sua blusa, e ela própria se encarregava da dele.
Mas no momento que estavam prestes a tirar a peça, puderam ouvir uma batida na porta.
- Naty já está tarde e temos que ir a Dedos-de-Mel pegar a minha ma-ra-vi-lho-sa encomenda. – A voz alegre de May passou pela porta de madeira e penetrou sobre o ar como um eco.
Naty e Fred se fitaram embaraçados, vermelhos e suados, enquanto o ruivo fazia questão de voltar a vestir a blusa dela, para aproveitar mais um pouco daquele corpo quente.
Levantou-se e a ajudou também, antes de arrumar sua própria camiseta amassada.
Naty pegou o presente que ele havia lhe dado e andou até a porta com passos rápidos, não podia ficar ali. Na verdade, tinha que se afastar de Fred. Se não, nunca iria conseguir viver em paz. Ele estava sempre em seus pensamentos e com certeza ela já sabia, que o seu sonho daquela noite – a continuação do que acabaram de fazer, provavelmente – iria a atormentar.
Ele era a única pessoa que depois de tantos anos conseguira a excitar somente com um único toque, só de escutar a voz dele era como uma canção feiticeira que a hipnotizava e a levava para os seus braços.
Respirando fundo para conseguir controlar a tremedeira de seu corpo, tocou na maçaneta da porta, mas a mão de Fred em seu braço a puxando para si novamente, a fizeram quase cair no chão graças ao forte impacto.
- Tenha certeza Naty que eu não farei nada que você não queria, mas por mim isso o que houve entre nós iria continuar – ele sorriu e a beijou levemente nos lábios – se não hoje, mais tarde. – e assim saiu da sala antes dela, a deixando atordoada por alguns instantes, com os olhos perdidos em algum lugar da parede escondida pela escuridão.
Ele disse as palavras "eu não farei nada que você não queira"?
Seu coração explodiu e foi obrigada a se sentar.
Nunca em sua vida um homem lhe dera escolha. Nunca em toda sua vida algum daqueles porcos que a tocaram com tanta insanidade a fizeram ficar naquela maneira, eloqüente.
- Naty! – um novo chamado vindo ao longe em sua mente a acordou de seus pensamentos.
- Já estou indo. – respondeu se levantando e indo até a parte de frente da loja. Não sabia o que faria com Fred, mas se afastar dele, acabara de descobrir, seria impossível.
- Oh demora. – Gina falou colocando um espelho de volta a prateleira e se voltando para ela e sorrindo. – Vamos?
- Claro. – a morena respondeu baixinho antes de fitar Fred pelo canto dos olhos e sorrir pelo canto dos lábios, pôde perceber que ele voltara a viajar os olhos pelo seu corpo a incendiando.
- Então vamos logo. – May falou sem a mínima paciência segurando o seu braço e o de Gina, as arrastando para fora da loja. – Tchau clones de fogo. – ela se despediu antes de puxar as três para fora.
Depois disso o dia passou voando. E quando menos esperavam já era noite e as nuvens acinzentadas já começavam a cobrir o céu da extensão do vilarejo. Trovões já podiam ser ouvidos ao longe, roucos e impetuosos.
Naty, May e Gina andavam em direção ao Três Vassouras, conversando e rindo do que haviam feito, até que esbarraram em um certo loiro que fez o sorriso de May se apagar quase que instantaneamente.
- O que foi Mayzinha– ele ironizou entre os dentes – Não está feliz em me ver? – mesmo que toda a sua atenção estivesse na índia a frente, não podia negar que sentia os olhos de Gina sobre si o arrepiando.
- Saia da nossa frente, Malfoyzinho. – May respondeu, dando um passo à frente, perigosamente.
- E se eu não quiser? – ele desafiou, enquanto Gina fazia questão de suspirar cansada e Naty sorria ao ver uma cena tão cômica.
- Vou ser obrigada a te fazer sair. – Draco riu e abriu os braços.
- Vai em frente, me faça sair daqui.
Tudo aconteceu muito rápido. Quando Draco já tinha dado por si, May já estava com a varinha em punho e logo no segundo seguinte ela estava atrás de si, lhe dando uma rasteira o fazendo cair sobre a terra levemente molhada graças à garoa da noite.
- Ora, sua...- ele começou enquanto se levantava, mas foi impedido pela varinha da índia sobre a sua face.
- O que estava dizendo, Draco? – May perguntou ironicamente, erguendo os olhos e fitando as amigas com um ar travesso, enquanto estas faziam questão de segurar a risada.
O loiro bufou e bateu as mãos fortemente contra o barro, raivoso, antes de se levantar e ficar de costas para a morena que ainda continuava com a varinha estendida.
Olhou para Gina que lhe sorriu amigavelmente o fazendo ficar um pouco sem graça e abaixar a cabeça, achando uma ótima desculpa para fazer isso, já que suas mãos estavam sujas e teria que limpá-las.
- Malfoy...- May começou. Ele virou o rosto e a fitou por cima dos ombros.
- O que foi? – ela sorriu animadamente quando falou simplesmente:
- Dance para mim. – e antes que ele pudesse pensar, ela já havia colocado um feitiço em seus pés, que começaram a dançar, junto com sua voz que não conseguia controlar e assim cantarolava.
Naty não agüentou mais e gargalhou sendo seguida por Gina ao seu lado que apoiou em si para manter o equilibro, enquanto May sorria levemente e batia palmas.
- Bravo, Malfoy, bravo. – ela falou quando o viu fazer uma delicada pirueta e dobrar os joelhos num jeitoso plie.
Ele a fuzilou com os olhos cinzas enquanto as pernas o levavam em direção ao bar onde os alunos do colégio se encontravam.
Gina não agüentava mais e já havia colocado o braço sobre a barriga dolorida. Ao ver que o amigo fazia um enorme esforço para não entrar no bar dançando, empunhou a própria varinha e desfez o feitiço, o vendo logo em seguida fuzilar May e entrar no Três Vassouras.
- Vamos logo, estou com fome. – May falou divertida indo em direção a porta de madeira.
- Eu dava tudo para ter tirado uma foto. – Naty comentou, no momento que entraram no bar.
O Três Vassouras estava tranqüilo. Vários alunos riam e conversavam animadamente, enquanto outros somente tomavam suas bebidas, relaxados sobre a cadeira.
Gina varreu os olhos ao redor e pôde ver Harry bebendo sua cerveja amanteigada ao lado de Rony e Mione, onde estes pareciam estar tento uma nova discussão.
Pôde ver que ele pareceu perceber que estava sendo observado e ergueu a cabeça, encontrando com os seus.
Um arrepio percorreu sua espinha quando os olhos verdes brilharam de uma forma que não pôde compreender.
E para o seu desespero ele sorriu, a fazendo perder o fôlego e junto com a sensatez quando segurou o copo de sua bebia e a ergueu como se estivesse fazendo um brinde e assim bebeu a cerveja.
Harry voltou a colocar copo na mesa e passou a língua sobre os lábios para tirar o excesso, ainda olhando para ela da mesma forma que a aquecia.
Abaixou a cabeça e se virou para as amigas que sorriam alegremente uma com a outra.
- Vamos nos sentar na mesa no fundo, ela está vazia. – falou sorrindo e andando até a mesa que ficava na mesma fileira da de Harry que a seguia com os olhos, onde parecia estar a devorando.
- MAY! – uma voz grossa e rouca gritou pela índia, chamando a atenção das três que se virarem e viram a esguia pose de Brian indo até elas.
- Brian, luz do meu viver. – May falou, antes de correr até o amigo e abraçá-lo com força. – Sua besta, onde você estava todo esse tempo?
O moreno riu divertido e largou a amiga, indo em direção a Naty e a cumprimentando.
- Naty...- falou sorrindo, da mesma forma que a garota que lhe deu um beijo no rosto.
Gina pôde ver que todos nos bar estavam olhando para elas. Então num gesto de coragem abaixou o capuz fazendo com quem uma cascata ruiva caísse sobre seu rosto, e os alunos começarem a sussurrar a seu respeito.
- Ah! Você eu já cumprimentei. – Brian falou dando os ombros, as fazendo rirem divertidas.
Gina fez bico e girou as orbes.
- Mesmo assim eu vou querer mais um beijo. – disse abrindo os braços como se espreguiçasse e sorrindo abertamente, onde fez com que Brian não resistisse e a pegasse pela cintura a tirando do chão e a rodopiando no ar, a fazendo soltar gritinhos e arrancar risada divertidas de todos ao redor.
Gina pôde perceber que o olhar de Harry se transformou mais sombrio, mesmo que de certa forma um brilho ainda estava impregnado nas íris esmeraldas.
Brian a voltou a colocá-la no chão e passou a mão pelos seus cabelos, num gesto que arrancou muitos suspiros das outras garotas que observavam a cena, encantadas.
- Onde você quer o beijo? – ele perguntou sensualmente ao pé de seu ouvido a fazendo se arrepiar pelo toque do hálito dele em seu pescoço.
- Bem...- Gina fez uma cara como se estivesse pensando – Se for na bochecha você ganha um sorriso, no pescoço um tapa e na boca um chute no lugar onde você com certeza deve honrar muito. – Naty e May se abraçaram às gargalhadas, quando os garotos abafaram risadinhas ao ver a expressão de dor de Brian com a última proposta da ruiva.
- Okay, então eu vou ficar com a primeira opção. – e se inclinando beijou-lhe na bochecha.
May sorriu ao ver o tanto que aqueles dois se davam bem.
Era inevitável não perceber que Brian amava Gina de uma forma tão encantadora que chega a enfeitiçar ou fazer as pessoas sentirem inveja.
Bufou levemente, por que aquela mula-de-fogo não abria os olhos e pulava pra outra? Potter era um tremendo galinho depenado, que tinha uma grande lista de garotas ainda a seguir, enquanto Brian só pensava nela desde a primeira vez que a viu.
Sorriu ao se lembrar quando os apresentou e vira um de seus melhores amigos corar.
Mas naquela época Gina ainda não tinha tanta desenvoltura e autoconfiança como agora.
Olhou para Naty e pôde ver que esta tinha os olhos fixos no balcão de atendimentos do Três Vassoura, virou a cabeça e entendeu o "por que" dos suspiros ao ver Fred e Jorge sentados as observando.
Esses ainda são outros que não se entendem!, Pensou se voltando a atenção para o casal à frente.
- Se senta com a gente Brian? – May perguntou ao amigo que ainda tinha a mão enroscada nos cabelos de Gina.
O moreno se virou como se estivesse acabado de perceber a presença delas naquele momento.
- Claro! – ele respondeu, enlaçando Gina pela cintura e se locomovendo até a mesa no final do bar.
- Ou, salsicha. – a índia provocou sabendo que aquele apelido ele ganhara quando era pequeno, e o odiava até hoje.
- O que é, lingüiça seca. – Brian respondeu olhando para a morena sobre os ombros e sorrindo para ela de uma forma que a avisava que ele ainda se lembrava do seu maldito apelido que Draco fez questão de criar e assim espelhar por toda Hogwarts no começo do ano que entrou nela.
- Onde você se meteu? – voltou a perguntar de forma entre os dentes mesmo com um sorriso forçado sobre os lábios.
- Eu vi a Gina na loja de vestido nessa tarde e entrei para cumprimentá-la. – ele riu – Pois, você tem que concordar comigo, Mayzinha, que essa pimenta-malagueta aqui ir fazer compras é uma vez e nunca que vemos. – Gina torceu o nariz enquanto se sentava à mesa.
- Nossa, xinga, mas não humilha né, beên? – Naty que tinha acabado de chegar naquele momento à mesa, riu.
- Mas ele só falou a realidade, Gi. – Brian lhe picou um olho, agradecendo a ajuda.
May era a que parecia estar menos se divertindo, já que tinha o cenho franzido e os braços cruzados em frente ao peito.
- E nem foi falar comigo. – bufou falsamente, se sentando na frente do moreno – Seu amigo desnaturado, eu te apresente a garota dos seus sonhos – apontou para Gina que arregalou os olhos – e olha o que eu recebo em troca! Uma patada no meio do trase... – Brian riu gostosamente a interrompendo, antes de se inclinar e segurar a mão da índia.
- Oh meu amor, eu não sabia que você estava com ciúmes. – sorriu ainda mais ao vê-la bufar mais pesadamente e virar o rosto – Mas saiba que você ainda é minha amante preferida.
- A número um? – May perguntou. Gina colocou as mãos na cintura numa falsa cada de irritação.
- A primeira? Mas nem aqui nem na china, docinho. – a ruiva abraçou Brian pelos ombros o fazendo relaxar sobre a cadeira e curtir o calor dela sobre a sua pele – Eu sou a primeira, você pode ficar como segunda.
May agora entrava na brincadeira e olhava a ruiva com nojo, viajando os olhos pelo semblante dela.
- Mas não se esqueça, coração – ironizou divertida – que fui eu que o apresentei pra você.
Gina riu forçadamente enquanto colocava uma mecha atrás da orelha.
- Certo, mas lembre-se bombomzinho que ele ama a mim. – Brian engasgou com a própria saliva enquanto os alunos, todos cientes na falsa discussão entre elas, gritavam "vivas" pelo fora de Gina.
May fez uma careta e mostrou-lhe a língua, se dando por vencida antes de começar a bater as unhas em cima da mesa, mostrando a sua falsa raiva, enquanto Gina ria descaradamente.
Deu os ombros, mesmo que estivesse as gargalhadas - como Naty que já estava começando a chorar - por dentro, sabia perfeitamente que Gina e Naty eram as únicas que conseguiam a deixar sem palavras, sendo que a ruiva sempre teve a ponta mais afiada do que as duas juntas.
- May você sabe que eu te amo, não é mesmo? – Gina perguntou depois de um tempo, com os olhos falsamente marejados.
A índia se voltou para ela com os olhos cerrados.
- Claro! Todos me amam. – falou com simplicidade, jogando seus cabelos para trás do ombro.
- É, mas eu sou a que ama mais. – a índia não agüentou mais ao ver a cara de triste de Gina e começou a rir, antes de lhe abraçar sobre a mesa.
- Eu também te amo! – quando se abraçaram todos no Três Vassouras batem palmas, mostrando que haviam gostado do excelente espetáculo feito por elas.
Voltaram a se sentar e pediram suas bebidas.
A moça não demorou a chegar e assim lhes serviu.
A noite pareceu passar voando, como uma brisa de verão que abria as portas para a do inverno.
Harry ainda tinha os olhos fixos em Gina que ria alegremente com alguma coisa que o Desgraçado Sonserino sussurrara em seu ouvido, no mesmo tempo que colocava a mão sobre a coxa dela.
Sorriu ao ver a amiga lhe bater na mão, falando que ali ele não tinha permissão para tocar.
A mesa deles estava completamente tampada por copos de cerveja amanteigada, onde a maioria deles era de May, que bebia sem parar e já começava a ficar com as bochechas rosadas e os olhos esbugalhados e rir sem nenhum motivo.
Tomou mais um gole de sua própria cerveja e suspirou.
A imagem de Gina não saíra de sua cabeça o dia inteiro, desde aquele ocorrido perto da Dedos-de-Mel. Ela estava tão feminina, linda e delicada que fez agora dentro dele acordar, mas onde não sabia dizer o que era.
Voltou a olhá-la e sorriu ao ver os olhos dela – que, fora à primeira coisa que ele viu quando ela retirou os óculos escuros, ficou completamente afobado com os olhos azul-amêndoa dela, onde arrancou vários suspiros de todos ali -, cerrados levemente e brilhando graças à iluminação do bar.
Já que a mesa era a última do bar, a parede era feita com varias janelas de vidro, onde a luz do luar penetrava e banhava Gina com o seu esplendor prateado, fazendo os cabelos brilharem ainda mais.
Prendeu a respiração e cerrou o punho, na tentativa de segurar o impulso e tirar as mechas ruivas que caiam entre a curva do seio farto levemente a amostra.
Ela estava o enlouquecendo!
Estava tão perto, mas ao mesmo tão longe. Para chegar nela e tocá-la era questão de alguns passos, mas com certeza arranjaria briga com o Sonserino e Gina seria bem capaz de nunca perdoá-lo pelo papelão. Além do mais, ele nunca sentiu ciúmes dela com algum garoto.
Então, por que estava sentindo naquele momento?
Bebendo mais um gole de sua bebida, sentiu esta descer por sua garganta a arranhando fortemente, como pedregulhos ponte-agudos.
A mesa do Quarteto explodia em risos a cada instante. Pôde ver May se levantar da cadeira e assim gritar:
- Essa cerveja amanteigada está muito fraca – se virou para o balcão – Ei moça, me vê uma Pinga Amanteigada ai. – e assim voltou a rir.
Abaixou a cabeça e se permitiu adormecer levemente, enquanto podia escutar ainda a conversa dos amigos ao seu lado, onde finalmente, pareciam estar se entendendo.
- Eu já volto. – Mione falou carinhosa, antes de passar a mão pela cabeleira negra de Harry e beijar Rony nos lábios e assim se levantar.
- Aonde vai? – o namorado perguntou, lhe segurando a mão e a acariciando com o polegar.
- Ao banheiro. – a morena gesticulou com os lábios antes de se soltar e ir até o toalete.
Harry pôde escutar Rony suspirar ao seu lado o fazendo erguer a cabeça.
- O que foi? – perguntou vendo o amigo sorriu de orelha a orelha.
- Cara, não sei como pude ser tão tapado ao reconhecer o meu amor pela Mione somente no começo do ano. – Harry riu e se reergueu, sentando-se melhor sobre a cadeira.
- E até hoje eu não sei como suportei vocês dois. – o ruivo diminuiu o sorriso no rosto o fazendo transforma-se num travesso. Ele se inclinou e sussurrou:
- Você teve a ajuda da minha irmã. – e riu, quando recebeu um olhar mortífero do moreno. – To mentindo? – perguntou.
Harry torceu o nariz.
- Não.
Oh Droga! Ele estava tentando esquecer aquela ruiva somente naquele dia e o próprio irmão dela o fazia o favor de comentá-la.
Pôde ver que Rony estava pronto para lhe provocar novamente quando um grito conhecido no centro do bar chamou a atenção dele.
O ruivo se levantou automaticamente e andou até a rodinha que se formava em torno de alguém.
Gina também escutou o grito e se levantou, enquanto olhava para as amigas que tinham parado de rir e a olhavam preocupada.
- Vamos. – ela falou, saindo de trás da mesa e correndo até o irmão. Pôde perceber que Harry também corria e seus olhares se encontraram acidentalmente.
- Você sabe o que aconteceu? – tentando ignorar o arrepio de tê-lo novamente perto de si, ela perguntou.
- Não. – Harry falou carinhoso, mesmo que em seu tom tivesse alguma coisa além, onde não conseguia entender – Mas vou descobrir agora. – e abrindo passagem entre os alunos entrou na roda e pôde ver Rony abraçando Mione que chorava e discutia com um grupo de sonserinos.
- O que esta acontecendo aqui? – todos se calaram quando a voz estridente de May se sobrepôs a de todos. – Thiago, Justin e Carlos, mas que bosta vocês estão fazendo desta fez? – ela perguntou se dirigindo aos três Sonserinos do sétimo ano, bêbados e que soluçavam.
Thiago respondeu, cambaleando até May:
- Nos estávamos vendo a sangue-ruim, hic...- os soluços de Mione se intensificaram nos braços de Rony que fuzilou o loiro com os olhos – e decidimos nos divertir.
A fisionomia de May se suavizou.
- Era só isso? – perguntou coçando a cabeça ao ver a afirmação dos amigos – Então podem continuar. – e dando a volta nos calcanhares voltou para a mesa, onde acabara de chegar mais uma bebida.
- Eu até desconfiei. – Naty falou girando os olhos e olhando para Gina que ainda fitava a índia surpresa – Você deveria saber Gi, que a May odeia a Granger. – a ruiva suspirou e voltou-se para os sonserinos que já iam começar a ofender a amiga novamente. Colocou-se em frente ao irmão quando este ameaçou bater nos garotos que riam histericamente.
- Parem com isso agora mesmo vocês três. – ela ordenou, sentindo os olhos de Harry sobre suas costas.
Carlos sorriu e olhou-a de cima para baixo, antes de soltar um longo assobio.
- Gininha, sabia que você esta muito, gosto... hic... sa? – ele andou até ela quase sem nenhum equilibro e levantou a mão para tocá-la, mas antes que pudesse fazer isso, Harry segurou o braço do sonserino fortemente, colocando-se em frente à amiga.
- Toque nela com essas suas mãos imundas e eu acabo com você.
- E você toque nele Potter, e eu que vou acabar com você! – May gritou da mesa onde estava sentada bebendo mais alguma coisa que deveria ser mais forte do que cerveja.
Naty se virou para a índia e gesticulou com os lábios um raivoso: cale já essa boca se não quem vai ser acabado aqui será você. May deu os ombros antes de lhe mostrar a língua e continuou a beber entre os soluços embriagados.
Revirando os olhos, Naty voltou a sua atenção para a briga quando sentiu alguém segurar sua mão e entrelaçar os dedos. Um gesto tão delicado que não fora preciso para ela virar o rosto para saber quem estava ao seu lado.
- É melhor você sair daqui. – Fred sussurrou em sua orelha a prevenindo de se machucar e começando a arrastar para fora da roda dos alunos.
- Não! – ela protestou, segurando a outra mão dele que estava em seu braço e se virou para fitar os olhos cor de mel. – Não vou deixar a Gina aqui. – Fred a olhou preocupado e se aproximou dela, como se ao seu redor não existisses ninguém.
- Você pode se machucar – lhe beijou a testa e a abraçou – Se alguma coisa acontecer com você, Ná, eu morro.
A morena sorriu e colocou sua mão por cima da do ruivo antes de responder docemente:
- Eu sei, Fred. – ele franziu o cenho – Porque se algo acontecesse a você, eu também iria morrer. – o ruivo se inclinou e lhe beijou uma das bochechas a fazendo sorrir ainda mais – Mas é minha amiga que está lá agora. – o fitou – Desculpe. – e dando a volta nos calcanhares voltou para a roda, a tempo de ver Carlos rir e falar grosseiramente:
- Vejam só, o grande Santo Potter está salvando a namorada. – os sonserinos riram, e pela primeira vez na vida, Gina podia dizer que o olhar que Harry direcionou as cobras a fez sentir medo do que ele poderia fazer.
- Bravo! Gininha! – Thiago disse enquanto bebia mais um gole de sua cerveja – Estou vendo que você finalmente conseguiu capturar o Potter...hic... E não só isso, vai tira a sua família da ruína. – riu – É isso que eu chamo de um belo golpe do... hic... baú.
Gina não soube como foi tudo que veio a seguir. Harry havia praticamente pulado em cima dos dois Sonserinos, socando-os com tanta força que os fizeram voar até duas mesas à frente, quebrando-as.
- BRIGA! – alguém gritou, fazendo com que os alunos da Sonserina viessem para cima dos Grifinórios.
Naty sentiu seu ombro ser atingido por alguma coisa, antes de soltar um leve gemido de dor.
- O que você está fazendo aqui? – pôde escutar Paul ao seu lado, lhe segurando pelo ombro nocauteado – Saia daqui, sabe que preciso do seu corpo inteiro para me saciar, vá embora. – e apertando ainda mais o ombro dela a fazendo morder a língua para segurar o forte gemido de dor, ele a jogou na cadeira ao lado de May, que ria divertidamente, em puras gargalhadas.
- Vai lá Sonserina, quebra tudo. – ela batia na mesa fazendo um som rouco cortar os gritos estridentes dos alunos – Eu quero um, S, eu quero um, O, eu quero um...
- Cala a sua boca! – Naty gritou, abaixando os braços da índia, que fazia movimentos como uma verdadeira líder de torcida.
May a encarou e fez bico, mostrando o seu desapontamento por não poder torce por sua casa que, infelizmente, estava levando a pior.
Enquanto as duas brigavam mostrando que sua casa era a melhor em tudo, Gina tentava sair do meio da pancadaria, já com um grande hematoma em seu braço.
- Grossos. – murmurou enquanto empurrava com o ombro os alunos, para lhe dar passagem – SAIA DA MINHA FRENTE, SEU ABUTRE. – gritou para um sonserino que tampava sua passagem, e com um pulo de susto ele fugiu.
Com uma forte bufada espalmou suas mãos sobre a mesa onde as amigas estavam discutindo, as assustando.
- O que foi Gina? – May perguntou ironicamente.
- Temos que parar com essa briga. – Naty concordou com um gesto de cabeça, enquanto May emburrou a cara.
- Não mesmo, agora que a Sonserina ta levando a melhor, olha aquele gancho de esquerda que o Nev ta levando...- sorriu – que coisa linda. – olhando por cima das cabeças das amigas, ela voltou a gritar – VAI LÁ FELIPE, METE UMA DE DIREITA NAS FUÇAS DESSES GRIFINORIO QUE SE ACHA UM PITT, MAS NA VERDADE É LESSY!
Naty empurrou a índia novamente para a cadeira a fazendo bater as costas fortemente.
- Ai Naty! – choramingou baixinho como uma canção melosa, fazendo a morena ter uma idéia e assim se virar para Gina.
- Já sei o que podemos fazer. – com um passe rápido de varinha um baixo branco e um pequeno tambor apareceram sobre a mesa, fazendo Gina arregalar os olhos – Gi, você vai cantar.
A ruiva arregalou ainda mais os olhos, enquanto seu queixo estava próximo ao chão.
Elas só poderiam estar loucas!. Pensou, vendo May dar um sorriso de orelha a orelha e pegar o baixo, enquanto Naty se posicionava com o tambor no colo.
Ela não iria cantar. Não mesmo.
Podia ser uma louca, histérica e desinibida. Mas se tinha uma coisa que até aquele momento se envergonhava, era ter medo de palco.
- Eu... Não...Vou... Cantar! – avisou entre fortes respirações, fazendo as amigas sorrirem.
- É a única forma de parar essa estúpida luta. Cante Gina, todos daqui a pouco estarão cansados, mas não irão dar o braço a torcer por serem de casas opostas e mostrar qual é a melhor. – Naty sorriu e lhe entregou um tipo de microfone, antes de May piscar os olhos e colocá-la em cima do balcão do Três vassouras, como se fosse um palco.
Okay, elas iriam ver só uma coisa quando chegassem em Hogwarts. E seria uma ótima idéia não dormirem naquela noite.
May levou as mãos às cordas do belo baixo e uma rouca melodia ecoou, enquanto Naty começava levemente a batucar no tambor.
O som era tranqüilizador e cortou o ar barulhento do bar fazendo os alunos aos poucos irem se acalmando.
Gina levou o microfone, perto dos lábios e assim emitiu o primeiro som da voz, um leve "oooh", fazendo tudo ao redor ficar menos barulhento.
As luzes do Três Vassouras se apagaram e somente a luz da lua que penetrava sobre a janela iluminava a ruiva.
Naty e May se entreolharam e com um gesto de cabeça aumentaram o som dos instrumentos, fazendo a batida ficar ainda mais forte e alta, e os alunos que não tinham parado de brigar, começaram a parar bruscamente seus golpes no ar e olhar para a ruiva em cima do balcão.
Com sorrisos, começaram a cantarolar baixinho juntas num dueto:
- Love me love me. – Gina olhou para elas e sorriu, antes de respirar fundo e assim abrir levemente os lábios e sua voz sair, como vida própria.
- Dear, I fear we're facing a problem you love me no longer, I know and maybe there is nothing that I can do to make you do – os alunos iam aos poucos, entrando no som da música e assim começarem a dançar. Levantaram os braços e balançar o corpo de um lado para o outro, enquanto as meninas subiam nas mesas e requebravam.
Pôde sentir o olhar de Harry sobre si, enquanto este mesmo começava a dançar, arrancando suspiros das meninas.
- Love me love me. – May e Naty voltaram a cantar.
- Mama tells me I shouldn't bother that I ought to stick to another man a man that surely deserves me but I think you do! – Gina cantou como em respostas para as amigas que sorriam para ela e tocavam ainda mais animadamente.
Tudo parecia tão natural que o medo aos poucos foi sumindo, lhe dando uma coragem para cantar que ela nunca sentira. Os alunos pulavam e cantavam juntos, a acompanhando.
- So I cry, and I pray, and I beg. – eles cantaram juntos, abraçando um aos outros e sorrindo para Gina, que ria divertida.
Ela fechou os olhos antes de respirar fundo e pular do balcão e assim começar a dançar entre os alunos, junto com Naty e May que encantaram os instrumentos para tocarem sozinhos.
A índia num gesto rápido das mãos fez uma bola prateada aparecer no centro do bar, imitindo varias luzes ao redor.
- Love me love me say that you love me fool me fool me go on and fool me love me love me pretend that you love me leave me leave me just say that you need me. – Gina cantou o refrão animadoramente, enquanto sentia os braços fortes de Harry em sua cintura e assim a fazia dar um giro.
- Love me love me. – May e Naty voltaram a cantar, enquanto se ajuntavam aos gêmeos.
Naty sorriu para Fred que a pegou no colo e a girou no ar, enquanto Jorge segurava as mãos de May e a fazia escorregar por de baixo de suas pernas e assim girar no ar e a puxar para si, fazendo ambos gargalharem.
Gina sorriu e assim voltou a cantar o refrão:
- So I cry and I beg for you to love me love me say that you love me leave me leave me just say that you need me. I can't care 'bout anything but you...- a melodia se tornou ainda mais alta, fazendo todos gritarem em pura animação.
Sua voz saia calma e tranqüila, fazendo um tom sonoro afinado circular pelo o ar.
Girou o corpo e assim o fez trombar com o de Harry, que tinhas as mãos em sua cintura e já colocara suas pernas entre as dele.
O acompanhou do mesmo ritmo, cautelosa com medo de errar, enquanto segurava o microfone com força e assim voltava a cantar o encarando nos olhos, temendo se perder naquele mar verde revolto, que brilhava graças às luzes coloridas.
- Lately I have desperately pondered, spent my nights awake and I wonder what I could have have done in another way to make you stay. Reason will not lead to solution I will end up lost in confusion I don't care if you really care as long as you don't go so I cry I pray and I beg. – Harry sorriu e a trouxe ainda mais para perto de si, a fazendo colocar o queixo em seu ombro, enquanto ele acariciava seus cabelos já molhados de suor pelo calor.
Voltou a afastar a cabeça e com a mão livre tocou-lhe levemente sobre os lábios. Sorriu ao vê-lo tremer ao seu toque.
Com um longo suspiro o encarou nos olhos, numa forma doce e carinhosa, e assim cantou o último refrão para ele:
- Love me love say that you love me fool me fool me go on and fool me love me love me pretend that you love me leave me leave me pretend that you need me so I cry and i prayed for you to love me I couldn't care about anything but you. – A música foi se abaixando devagar, até que somente um fino ruído ecoou e logo cessou.
As luzes se acenderam e os alunos aplaudiram animadaramente a ruiva que sorriu e escondeu o rosto no peito de Harry. Envergonhada.
Naty e May assobiaram enquanto os gêmeos aplaudiam a irmã, assim como todos os alunos e até mesmo as próprias mulheres do bar.
Gina passou a mão pelos cabelos e sentiu a mão de Harry sobre o seu queixo, erguendo o seu rosto para voltar o encarar.
Ele sorria e os cabelos negros, molhados também de suor como se ele houvesse acabado de jogar uma partida de Quadribol, grudavam sobre o rosto firme e sensual dele.
Seguiu com os olhos uma gota de suor escorrer pelo semblante do amigo e cair sobre a boca firme, o fazendo reprimir os lábios e passar a língua sobre eles.
Tremeu quando Harry inclinou a cabeça e sussurrou em seu ouvido de uma forma rouca e provocante:
- Bela apresentação, minha ruiva. - Céus! O seu sangue corria tão rápido por suas veias que parecia que seu corpo iria explodir de pura excitação.
Harry tocou com os lábios na curva de seu pescoço, enquanto abaixava a alça do casaco pelo seu ombro, e beijava delicadamente sua pele recém-descoberta.
Sorriu e sentiu a língua dele fazer movimentos circulares sobre a sua carne, a queimando, de forma que chegava até a doer.
Os alunos estavam inertes a tudo, continuavam a dançar mesmo que a música já tivesse acabado. A bola de prata ao alto da cabeça deles girava fazendo a luz brilhar no aposento.
Naty olhou para a mesa e com um piscar de olhos fez os instrumentos voltarem a tocar, uma música mais calma desta vez, fazendo todos relaxarem.
Gina sorriu para a amiga enquanto deslizava suas mãos pelo corpo de Harry e assim o abraçava pelo pescoço.
- Você está linda. – ele voltou a murmurar, subindo a alça de seu casaco e assim a olhar nos olhos.
As íris verdes pareciam queimar em chamas, a fazendo estremecer ao saber que aquele desejo ela finalmente despertara nele.
Sorrindo, ficou na pontinha dos pés e respondeu no mesmo tom:
- Você é que me faz ficar linda. – Harry sorriu e a abraçou com mais força, antes de fechar os olhos e inclinar a cabeça em direção aos lábios dela.
Gina fechou os olhos e respirou fundo, podendo sentir o aroma do perfume dele, impregnar-se em sua roupa e em sua pele arrepiada.
As mãos dele deslizavam por sua cintura, e algumas vezes a arranhava de leve com as unhas, a fazendo estremecer.
Sorriu e roçou seu nariz no dele de leve, o fazendo sorrir.
Harry abraçou aquele corpo delicado, com mais força a fazendo ficar ainda mais perto de si, como se quisesse se fundir a ela.
Tudo ao redor pareceu sumir num passe de mágica. Como se os alunos tivessem virado pó e a brisa fria daquela noite de garoa os tivessem levado para o mais longe possível dali.
Começou a mover os quadris da amiga de um lado para o outro, junto com os seus. Num ritmo calmo, para uma música imaginada em suas cabeças.
Sentiu as unhas dela cravarem na carne de sua nuca, e um gemido rouco escapou de seus lábios.
Merlin, nunca havia sentido nada igual por nenhuma garota, até aquele momento. Seu coração batia rápido junto com o dela. Seu corpo parecia esquentar cada vez mais e sua respiração já começa a se alterar.
Abriu os olhos e permitiu-se perder naquele mar castanho-azulado, dos olhos dela, que brilhavam intensamente, assim como os seus.
Pôde vê-la sorrir meigamente, antes de um gesto provocante passar a ponta da língua sobre os lábios corados.
Seu peito explodiu e a vontade de provar a boca dela lhe englobou como uma onda violenta.
Num gesto rápido a segurou nos braços e a inclinou em direção ao chão, antes de deslizar sua mão até a nuca dela e assim inclinar ainda mais a cabeça.
Fechou os olhos quando sua boca se chocou levemente com a dela, num gesto delicado e tímido, mas o suficiente para sentir o tão doce gosto inebriante.
Gina o abraçou com mais força não acreditando que finalmente iria saborear aqueles lábios que desde seus onze anos ansiara. Tocar naquele corpo e ouvi-lo gemer.
Estava preste a voltar a beijá-lo, mas agora numa forma mais profunda, sua língua buscando a dele, dançando num mesmo ritmo sensual, quando sentiu como se um raio atingisse a sua cabeça.
Luna veio em sua direção, correndo, gritando e rindo como uma louca, antes de pular em cima de Harry, fazendo os três irem direto para o chão.
Naty e May arregalaram os olhos, surpresas, ao ver a cena. E num impulso raivoso, gritaram juntas:
- EU VOU MATA AQUELA LOIRA, MALDITA! – estavam prestes a irem em direção a loira quando os gêmeos as seguravam, impedindo-as de cometerem um assassinato. – ME SOLTA! – voltaram a gritar juntas.
Fred olhou para Naty de modo que a "mandasse" se calar, onde vendo o olhar do ruivo ela não se atreveu a protestar.
May por sua vez, se debatia nos braços de Jorge, que ria alegremente com a cena.
- E você ainda ri? – a índia perguntou indignada – Jorge, eles estavam "quase" lá, prontos pra se beijarem e talvez com aquele beijo, o tapado do Potter se tocasse, mas não...- olhou para Luna que já havia jogado Harry longe, e abraçava Gina que ainda estava num transe profundo, parecendo não acreditando no tamanho azar que tinha – AQUELA LOIRA MALDITA DA CORVINAL TEVE QUE SE METER.
Luna parecendo escutar o seu nome, ergueu a cabeça e fitou May com os incríveis olhos azuis e com um sorriso abobalhado, perguntou:
- Me chamou? – May bateu com força os pés no chão e gritou furiosa, antes de empurra Jorge e ir se sentar à mesa mais afastada, enquanto pegava uma bebida na mesa à frente, sem dar a mínima atenção para as palavras que as meninas a xingaram, pela tamanha folga.
- Lu...na...- Gina chamou a amiga baixinho, num tom de voz arrastado, quase choroso. A loira voltou a sua atenção para ela e voltou a abraçar.
- Gina, você canta muitíssimo bem. – ajeitou na cabeça o exagerado chapéu de unicórnio antes de se levantar e ajudar a ruiva a fazer o mesmo.
Gina pôde sentir seus olhos se encherem de lágrimas de pura decepção. Ela estava tão perto de conseguir o que tanto queria, e Luna teve que estragar tudo.
Suspirou fundo e abaixou a cabeça.
Seu coração se despedaçou e sua alma pareceu se apertar dentro de seu ser, a sufocando como se estivesse presa por amarras.
- Obrigada...- murmurou, antes de dar a volta nos calcanhares e ir se sentar junto com Naty e May, que bebiam sem parar.
Sorriu fraco quando uma das garotas deu os ombros mostrando que sentia muito pelo acidente.
PELO AMOR DE DEUS, será que somente Harry não se tocava o que havia acontecido?
Arriscou dar uma olhada de canto para o moreno, que para a sua surpresa, estava junto com Mione e Rony e bebia raivosamente, com uma cara bastante emburrada.
- Será que ele queria mesmo me beijar? – perguntou a si mesma, franzido o cenho e vendo o amigo passar a mão pelos cabelos e olhar ao redor, como se sentisse observado.
Virou o rosto e voltou seu caminho para a mesa, antes que ele percebesse o seu olhar.
Umedeceu os lábios e cerrou os dedos, numa forma que mostrava sua raiva. Por que tudo dava errado em sua vida? Já bastara ter nascido feia, se apaixonado pelo Herói do Mundo Mágico, se apaixonar por ele e agora... Ser a melhor amiga dele, e tento o privilegio de vê-lo beijar outras garotas fúteis e asquerosas, que não se davam nem um pingo de respeito.
"Pelo menos elas são bonitas, se cuidam e sabem como provocar um garoto", Uma voz irritante ecoou em sua mente, a fazendo sentir ainda mais com vontade de chorar, colocar para fora toda a sua raiva, magoa e solidão naquele momento.
Nem pensar!, Disse a si mesma, respirando fundo e erguendo a cabeça. Se ela e Harry não tivessem se beijado até agora era por que o destino sabia o que fazia, e cedo ou tarde ele iria permitir que ela e Harry ficassem, juntos... Ou separados.
Sentiu seu corpo tremer com aquele pensamento. Separados. Somente de pensar nessa palavra, lhe cada calafrios. O destino não poderia ser tão cruel com ela, já sofrera de mais por causa daquele maldito amor que a atormentava a cada segundo, então merecia ser feliz ao lado da pessoa amada, mesmo que fosse obrigada a ficar nua na frente dele, e em seu corpo palavras vermelhas estivessem escritas: "Olhe para mim", "Eu estou aqui", "Ola, não quer me amar?", ou uma que ela usava freqüentemente, "HARRY POTTER VOCÊ ESTÁ FERRADO!".
Balançou a cabeça, não iria perder o seu tempo com aqueles pensamentos inúteis. Se Harry a quisesse, um dia, ele que viesse ao seu encontro. Chega de ficar sonhando com algo que talvez nunca fosse acontecer. Teria que viver, e aprender a enxergar o mundo ao seu redor. Tinha Brian que a amava, e talvez o "carinho" de Malfoy.
Sorriu e levou a mão aos lábios.
Oh sim, o beijo daquela Cobra era realmente muito bom.
Oras, por que não se dar uma chance de ser feliz? Namoraria e curtiria sua adolescia, não poderia ficar esperando pelo Menino Que Sobreviveu pelo resto da vida.
Dê tempo ao tempo... Um velho ditado que naquele momento lhe era muito útil.
Passando a mão pelos cabelos, puxou uma cadeira e sentou-se, enquanto pegava um dos copos em cima da mesa e bebia um gole.
- Sabe...- começou. Naty e May pararam de beber e a encararam com as sobrancelhas erguidas, mostrando a surpresa de ver que ela não estava gritando ou chorando de raiva – Vou curtir a minha vida, no baile estarei linda, e vocês iram me ajudar nisso. – as amigas arregalaram os olhos estupefatos, e permitiram que os copos escorregassem de suas mãos e caíssem sobre a mesa, derramando a bebida – Se o Harry me quiser ele que venha, pois até lá eu irei curtir a minha vida... Talvez eu até mesmo chegue a me apaixonar por outro. – riu divertida por fim, antes de virar num único gole a sua cerveja.
Naty e May se entreolharam antes de gritarem e pularem em cima da ruiva.
- Muito bem, pode ir falando. – Naty começou.
- Quem é você, e o que fez com a nossa amiga? – May terminou, já empunhando a varinha.
Gina riu abertamente, fazendo as duas amigas saberem que lá estava ela, a própria Gina Weasley, tomando a maior decisão de toda a sua vida.
Naty sorriu, enquanto May caiu sobre a cadeira ainda abismada pelo o que acabara de ouvir.
Gina, sua doce e amiga – praticamente irmã – Gina havia acabado de dizer que iria...Mudar?
Engasgou com a própria saliva.
Mudar em sentido geral? Perguntou para si mesma, vendo o seu arredor girar.
Oh céu, por ela aquela ruiva iria ser a mais bela de Hogwarts.
Olhou-a atenciosamente.
Fez uma pequena mudança, onde... Sorriu! Não chegaria aos pés, pelo que a própria amiga tinha em mente. Gina iria enlouquecer a população masculina, virar uma verdadeira estrela. Iria brilhar e ser linda.
Os olhos negros brilharam, e todos no bar se calaram quando sua voz se sobressaiu a de todos:
- UMA RODADA DE PINGA PARA TODOS, POR MINHA CONTA. – os alunos gritaram e ergueram a mão em um brinde a ela, enquanto abaixou-se para as amigas e murmurou – hoje iremos dizer adeus à solidão e dizer, seja bem vinda...- Naty torceu o nariz e terminou a frase:
- Pingaiada e bebedeiras. – Gina sorriu e colocou a mão sobre as das amigas que estavam sobre a mesa e assim, num murmúrio baixo anunciou:
- Liberdade! – as três riram e aceitaram as bebidas que foram colocadas no centro da mesa.
Aquela prometia ser uma grande noite!, Gina pensou, sentindo um calafrio na espinha a fazendo ter certeza que um certo moreno de olhos verdes estava a fitando de uma forma que estava a fazendo começar a suar, graças ao calor daquelas íris que ao pouco a fizeram se sentir como um mel derretido por chamas, onde por pouco não fora provada por aqueles lábios firmes e excitantes.
Bebeu um grande gole de sua bebida e permitiu que a quentura e o gosto amargo desce-se por sua garganta.
Fez uma careta e pôde perceber que tudo ao seu redor pareceu mais alegre.
Sorriu e um leve soluço saiu de seus lábios.
Tudo bem!, Disse a si mesma, matando a primeira rodada de bebida e logo se servindo de outra. Viva a minha mudança, e nada melhor para festejar isso do que com o meu primeiro ataque de bebedeira.
Depois disso nenhuma das três soube o que exatamente aconteceu.
O tempo passou como uma fria e impetuosa rajada de vento muito parecida com o clima de inverno de Natal.
Gritos, risos altos e gargalhadas faziam o Três Vassouras parecer um verdadeiro bar de loucos.
Muitos alunos já haviam voltado para o colégio sendo arrastados por seus companheiros ou porque não agüentavam mais beber, mas o bar ainda se encontrava cheio.
Naty já havia quase capotado para o lado da cadeira, rindo das graças que May fazia, ou das piadas que contava. As bochechas coradas, os lábios vermelhos, os olhos azuis brilhando de pura felicidade e os cabelos negros caindo como uma seda sedosa sobre o rosto angelical, fazia grande parte dos garotos olharem para ela.
Mas May também não passava despercebida por um generoso numero de Sonserinos que passavam pela mesa e não perdiam a oportunidade de cantá-la, mesmo que as duas soubessem que o grande centro ali, onde chamava verdadeiramente a atenção, tanto dos meninos como as das meninas, era Gina, onde tinha o rosto mais vermelho do que os próprios cabelos, graças ao tamanho número de copos de álcool que ingeriu, não as incomodava, pois aquela noite era de Gina e de mais ninguém.
Ela ria com tanta liberdade que fazia Naty e May pensarem por que ela nunca se permitia rir daquela forma tão verdadeira. O sorriso dela era simplesmente lindo, assim como a cor dos olhos e o corpo de curvas perfeitas. E aqueles cabelos.
Deus aqueles cabelos, onde muitas garotas começavam a invejar e os garotos desejarem passarem seus dedos entre as mechas cor de fogo, principalmente Harry que não havia tirado os olhos dela um minuto sequer, parecendo encantado por tanta beleza, onde fora cego o suficiente para não ter enxergado mais cedo.
Naty cutucou May por debaixo da mesa, quando um belíssimo Corvinal de olhos negros chegou perto da ruiva e começou a conversar com ela de uma forma galante, mostrando a fisionomia emburrada de Harry parecendo que este falava para o garoto que estava invadindo sua propriedade particular.
- Idiota. – May falou como se estivesse cuspindo, enquanto passava a mão pela testa, impedindo que as gotas de suor escorressem pelo seu rosto.
Naty franziu o cenho.
- Cruzes, você realmente o odeia. – a índia suspirou.
- Eu não o odeio, simplesmente...- deu os ombros, fazendo a morena rir – Não suporto olhar para aquela cara pisada e marcada por uma cicatriz cafona.
- E aquele corpo definido? – May a fitou emburrada.
- Não mude o lado da história. Se ele enfiasse um saco na cabeça e ficasse nu na minha frente, nem Merlin saberia o que eu faria. – riu alegremente, junto com uma nova risada de Naty, chamando a atenção de Gina, onde educadamente dispensou o garoto.
- Qual é a graça? – perguntou, passando a mão pelos cabelos numa forma onde fez muitos garotos suspirarem e Harry ficar ainda mais emburrado.
- Nada não, amiga. – Naty respondeu, piscando para May que ainda ria da própria piada – Só estávamos aqui discutindo o que faríamos com o Potter nu, dentro de quatro paredes.
Gina ficou séria ao imaginar que Harry já havia ficado com uma garota que não fosse ela. E agora ter a visão de suas amigas com ele, a fizeram ter uma forte crise de ânsia.
- Eu não faria nada. – falou com simplicidade, virando o rosto para a janela ao seu lado, onde mostrava a nebulosa rua do vilarejo e a bela lua que brilhava no céu como uma bola de gelo, - azulada e fria.
- DUVIDO, PAGO PRA VER. EU POSSO ODIA-LO, MAS NÃO SOU TROUXA O SUFICIENTE PARA DESCATAR UM SER DAQUELES. – May gritou eufórica.
- Não? – Naty perguntou num tom sonso.
May a fuzilou com os olhos.
- Quietinha, o papo aqui está reto. – a morena bufou e cruzou os braços enfrente ao peito.
- Também não precisa se dirigir a mim como se eu fosse uma cadela. Pisa, mas não humilha, po. – Gina balançou a cabeça e voltou sua atenção para as amigas.
- Já chega meninas. – disse ao ver que May iria retrucar – Já está tarde, que tal voltarmos para o castelo? – já ia se levantando quando viu a índia arregalar os olhos e abraçar a cadeira, como se esta fosse seu bem mais precioso.
- Não vou não, ainda não bati o meu recorde. – anunciou.
- E qual foi o seu último? – Naty perguntou, vendo a índia sorrir de orelha a orelha.
- Pelo que eu me lembre. – fez uma engraçada cara de compenetração – sete uísques, nove sminoff, doze pingas e vinte e duas cervejas amanteigadas.
Naty e Gina tossiram, graças à saliva que engasgou em suas gargantas.
Ela não bebeu tudo aquilo. Bebeu?, Ambas pensaram, pulando sobre a amiga e lhe retirando o copo de cerveja da mão.
- EI, MINHA BEBIDA. – May protestou como uma criança rebelde.
- Já chega de beber por hoje, mocinha. – Naty alertou, num tom maternal.
- Já chega uma ova. – a índia conseguiu escapar das mãos de Gina que a prendiam e praticamente voou até a cerveja que estava suspensa no ar por Naty e assim a bebeu num único gole, surpreendendo as amigas.
Gina bateu na própria testa e gemeu.
May quando começava a beber, era quase impossível a fazer parar. Quase.
Olhou ao redor, como se buscasse a sua luz da esperança, e quando seus olhos percorreram a última mesa do canto oposto do seu, suas íris se fixaram em uma cabeleira platinada, onde a fitava com os incríveis olhos cinzas, a fazendo estremecer levemente.
Sorrindo, caminhou até Draco que arqueou as costas, vendo sua aproximação.
- Olá Malfoy. – o cumprimentou. Sorrindo alegremente e vendo-o beber um pouco de sua cerveja antes de responder num tom frio:
- Olá, Virginia. O que a trás aqui? Sabe que eu detesto ser visto em público com alguém como você me fazendo companhia. – perguntou ríspido, fazendo a ruiva rir ainda mais. Maldição, por que ela tinha que ser tão diferente de May e pular logo em seu pescoço, o xingar ou até mesmo o ameaçar de morte? Mas não, ela simplesmente sentou ao seu lado, colocou o braço sobre a mesa e a cabeça sobre a mão e o observou com um carinho nas íris castanho-azuladas que o fizeram se mexer incomodado sobre a cadeira.
- Quero te pedir um favor. – a voz doce chegou como um murmúrio feiticeiro a seus ouvidos, fazendo os pelos de sua nuca se arrepiarem.
- Eu não irei ser um dos seus dançarinos, Virginia, enquanto você canta. – se apressou a falar, fazendo-a se contorcer de rir sobre a cadeira.
Desde quando ela se transformará em algo tão... Feminino? Pensou.
Percorreu os olhos por ela e sorriu, aprovando o novo visual.
Agora sim, aquela era a verdadeira Virginia quem o fizera enlouquecer com um simples beijo.
Passou a língua sobre os próprios lábios, finos e frios, e se arrependeu quando pôde sentir que o gosto daquela boca carnuda e aveludada ainda estava impregnado sobre eles.
Com um longo suspiro, perguntou:
- Fale logo. – revirou os olhos ao vê-la respirar fundo para tomar fôlego.
- Você conhece a May mais tempo do que eu, então...- sorriu sem graça e apontou para a mesa onde a índia e Naty estavam, sendo que estas discutiam, falando num tom adequado para serem ouvidas claramente, uma dizia que álcool fazia mal enquanto a outra retrucava, dizendo que "cerveja amanteigada" era como se fosse água pura. - Será que poderia fazê-la parar de beber? – Draco ergueu uma das sobrancelhas antes de abaixar a cabeça e olhar para o próprio copo em cima da mesa.
Por que aquela maldita índia tinha que sempre aprontar uma, fazendo com que aquela ruiva viesse pedir o seu socorro?
Com um novo suspiro se levantou da cadeira, e antes de andar até a mesa onde a briga ocorria se abaixou e sussurrou num tom de voz como se fosse uma cobra para dar o seu bote.
- Tudo bem. – Gina estremeceu sobre o hálito frio na curva de seu pescoço – Mas irei querer algo em troca... Mais tarde. – e antes que a garota pudesse responder, Draco foi até a mesa, aonde em poucos passos chegou.
- May, já chega, vamos voltar para o castelo. – Naty protestou, tentando tirar da boca da amiga um copo de bebida.
- Ela está certa, Su...- a voz fria do loiro fez com que as duas arregalassem os olhos – Já basta, você já bebeu muito por hoje. Vá embora, e não me obrigue a levá-la de volta para a escola pelos cabelos. – May abaixou a boca do copo na altura de seu queixo e como uma criança malcriada, mostrou a língua para o loiro antes de voltar a ingerir mais uma dose de sua cerveja.
Draco revirou os olhos e passou a mão pelos cabelos.
Aquela morena não iria o fazer perder o controle.
Fitou-a e a viu fazendo cara de provocação para si, enquanto deslizava a ponta da língua pelo copo.
Okay, Ele pensou, dando a volta na mesa e se colocando ao lado da índia. Ela que pediu!
Num gesto rápido retirou o copo da mão dela e o jogou contra a parede, fazendo este cair no chão em pequenos cacos enquanto o liquido viscoso começou a escorrer pela parede.
May já ia protestar quando ele, num novo movimento rápido, a pegou no colo e a colocou sobre os ombros.
- MALFOY!
- Você tem duas escolhas. – Draco começou, num tom perigoso começando a sair do bar – Ou você cala a sua boca, ou eu levanto a sua saia e mostro para todos e sua bela calcinha preta, junto com a visão da sua bun...
- Você não se atreveria!!! – a índia o interrompeu bruscamente, enquanto engolia em seco.
Draco não respondeu, simplesmente sorriu pelo canto dos lábios e se voltou para os alunos ao redor e assim levantou a saia da índia, fazendo todos os garotos começarem a gritarem enlouquecidos:
- LINDA!
- GOSTOSA!
- VEM PRA MIM, GATA!
May sentiu vontade de chorar de raiva, enquanto seu rosto a cada palavra que gritavam para ela ia ficando mais vermelho. Soltou um muxoxo baixinho, fazendo o loiro rir e voltar a abaixar a saia e assim sair definitivamente do bar, deixando para trás a população masculina que ainda gritava.
- Eu avisei. – ele falou, começando a se sentir culpado pela humilhação que acabara de fazer a morena passar.
May não respondeu, simplesmente encostou sua tenta nas costas do loiro e assim suspirou fundo, o fazendo sentir o hálito quente dela, penetrar por suas roupas e tocar em sua pele.
Droga, ele era um Malfoy, e os Malfoys não sentiam culpa.
ENTÃO POR QUE DIABOS ELE ESTAVA SENTINDO?
Estralou o pescoço e pôde sentir seus nervos tensos se contraírem.
Deslizou sua mão pela coxa dela, e ficou surpreso ao ver que ela não protestou ao seu toque ousado.
Estranhando, apertou a perna dela novamente, podendo sentir a pele acetinada sobre seus dedos longos e firmes.
Sorriu ao ouvir um ruído feito por ela, mostrando que havia adormecido em seu ombro.
Chegou perto de uma carruagem e abriu a porta fazendo um rangido rouco cortar o ar perigosamente sinistro daquela noite, para logo com cuidado a colocar deitada sobre o banco e assim entrar também.
A posicionou numa forma confortável. Tirou seu, sobretudo e o enrolou para com delicadeza, erguer a cabeça dela e o colocar sob ela.
Sorriu ao vê-la, segurar sua mão como se pensasse que esta fosse um ursinho e abraçá-la com carinho, entrelaçando os dedos.
Ela dormia com tanta tranqüilidade que parecia como um anjo.
Sentiu uma enorme vontade de rir, ao fazer aquela comparação bizarra de um anjo com May. Ela era mais para um "diabinho" do que um anjo.
Seu diabinho... Pensou, não conseguindo controlar o impulso de, com a outra mão, deslizar os dedos pela face corada da índia, que se remexeu como uma gata manhosa, para logo um sorriso carinhoso brotar dos lábios cor de cereja.
- Draco...- ela murmurou num fio de baixo, mas não o suficiente para impedir que Draco ouvisse.
Arregalou os olhos ao escutar seu nome sendo dito por ela, quando dormia.
Céus, o que estava acontecendo com ele?
May estava ali, a sua frente, dormindo como uma garotinha indefesa, onde se fosse outra garota qualquer, ele já estaria em cima dela para se satisfazer.
Mas com May era diferente. Parecia que tinha uma barreira sobre os dois, onde o impedia de fazer qualquer coisa de mal a ela.
Oras, ele nunca faria nada de mal a uma garota tão linda, fantástica e a única que o tirava do serio sério com um único sorriso, como ela.
Aproximou-se mais, e sentou-se no chão ao lado dela, contemplando o sono sereno, enquanto a luz da lua dava vários tons aos cabelos negros, que se espalhavam pelo banco e caiam em direção ao chão, como uma cascata sedosa.
Inclinou a cabeça e sentiu o aroma perfumado dos cabelos dela, e num impulso ergueu o rosto, de modo que seus lábios ficassem milímetros um do outro.
Oh sim, aquilo que era uma verdadeira tentação.
Fazendo o sorriso de seus lábios ir aos poucos sumindo, fechou os olhos, ciente do que estava preste a fazer seria uma loucura.
E se ela acordar?, Pensou, hesitante. E se ela corresponder?, Uma nova pergunta ecoou em sua mente. "E se", "e se", "e se"...
- Inferno. – resmungou baixinho ao pensar que se não fizesse aquilo, se não pudesse comprovar se os lábios dela eram tão macios e saborosos como aparentavam, iria enlouquecer.
Respirou fundo e pela primeira vez na vida, desejou possuir a coragem de um Grifinório, para que...
Num piscar de olhos, pôde sentir seu corpo começar a ter vida própria, onde ele não conseguia mais controlar.
Seu rosto ia se aproximando cada vez mais do de May que ainda dormia tranqüilamente, enquanto ele suava de uma forma incrível.
Queria gritar, mas sua voz não saia.
Queria correr, mas suas pernas não se mexiam.
Queria se impedir de beijar aquela índia maldita, mas seus lábios já começavam a se entreabrir, para saborear de uma maneira mais ardente aquela boca onde o hipnotizava a cada sorriso doce ou travesso, as palavras carinhosas ou venenosas, ele queria saber como era cada recanto dela, da boca, do corpo, o que ela gostava o que odiava e principalmente, o que a fazia gemer.
Deslizou sua mão que estava entre as macias dela e a posicionou na cintura da índia, indo em direção ao umbigo com a pontinha dos dedos, se dando a liberdade de roçar levemente num dos seios dela, para logo se colocar de joelhos e com a outra mão, entrelaçar os dedos nas mechas escuras.
Prendeu a respiração quando as gotas de suor começaram a deslizar pelo seu semblante tenso e pálido.
Céus, nunca se sentira tão nervoso com uma garota antes.
Mas o que diabos aquela índia havia feito com ele. Que praga ela jogou nele, o fazendo sempre se sentir tão, estúpido, ao lado dela.
Era somente um beijo... Um mísero beijo!
Clareando a garganta fechou os olhos e finalmente tocou seus lábios nos de May que se remexeu inquieta sobre o banco.
Abraçou-a com mais força para si, no momento que tudo ao redor pareceu girar sobre seus pés.
A luz da lua pareceu penetrar sobre eles, os abençoando de uma forma tão perfeita, que não foi possível segurar o gemido que escapou dos lábios de Draco, quando este penetrou a língua na boca da índia, que começava a acordar lentamente.
Pôde sentir os braços dela começarem a se mover, antes de com as grandes unhas, May deslizar pelo seu braço e assim o abraçar pelo pescoço.
Merlin, a boca dela era muito mais do que ele poderia um dia imaginar. Era doce, quente, macia... Excitante. Um sabor, uma sensação que nunca encontrou com outra garota. Era como se pudesse voar. Arrepios percorriam sua espinha como uma cobra ágil atrás de sua presa, o fazendo estremecer algumas vezes.
Mordeu levemente o lábio da morena, quando mudou a posição das cabeças, e assim deu mais uma nova investida com sua língua na dela.
As unhas da índia cravaram na carne de sua nuca, mas o que sentiu foi mais uma coisa diferente. Quando as outras garotas faziam isso ele odiava, mas com May era algo como se somente ela soubesse fazer o gesto para não incomodá-lo.
Sorriu e suspirou, fazendo seu hálito deslizar suavemente sobre os dela, a fazendo sorrir também.
- Isso que eu chamo de sonho bom. – pôde escutá-la murmurar, antes de cambalear a cabeça para o lado e assim voltar a adormecer, agora, com os lábios inchados e ainda mais vermelhos. Como uma pétala de rosa.
Rindo da própria sorte de não tê-la acordado, tendo a chance de viver por mais alguns anos, se acomodou no banco e assim fitou a bela noite que fazia, enquanto escutava o cocheiro iniciar as chibatadas no cavalo, fazendo este andar.
Deslizou os dedos pelos lábios, podendo sentir a maciez da boca de May ainda sobre eles.
Nem mesmo a caçula Weasley conseguiu chocá-lo daquela forma.
Moveu seus olhos para May, e passou a mão pelos cabelos.
Pronto já estava feito. Já sabia como era a boca daquela índia, e mesmo que fosse muito melhor do que imaginara, nunca mais iria voltar a beijá-la.
Varreu os olhos pelo semblante dela e os fixou na boca entreaberta.
Gemeu e jogou a cabeça para trás, e assim passou a mão pelo rosto abatido.
Como seria complicado, dali para frente, se segurar para não voltar a beijá-la, e só de pensar que quando deitasse em sua cama, a imagem dos dois se beijando viria à tona em sua mente, atormentando-o, sentia medo.
Respirando fundo, fechou os olhos e permitiu que sua imaginação ganhasse asas e mostrava no breu de sua mente o que ele e May juntos, seriam capaz.
Sorriu entre o canto.
Oh sim... Agora, as coisas seriam bastante diferentes dali por diante. Sem esquecer que:
- Interessantes! – falou para si mesmo num tom arrastado. – Bastante interessantes.
- Maldito Corvinal, maldito Malfoy e... Maldito sentimento. – Harry resmungou enquanto subia as escadas para seu dormitório.
Por que Gina tinha que ter mudado daquela forma tão radical de uma vez?
Não podia ter sido aos poucos, para ele ir se acostumando e conseguir fazer uma barreira impedindo que aquele desconhecido sentimento tomasse conta de seu coração?
Entrou em seu dormitório e começou a se despir na medida que ia em direção ao banheiro para tomar um banho gelado.
- Eu quase a beijei. – disse a si mesmo, tirando sua blusa e a calça, para logo se jogar dentro do box e permitir que a água gelada escorresse por sua pele quente e arrepiada – Merlin, ela é a minha Melhor Amiga! – voltou a dizer, afundando a cabeça dentro do jato forte de água.
Encostou-se no azulejo e respirou fundo.
Estava ficando doido, ao pensar que estava começando a sentir um sentimento diferente por Gina. Ela sempre esteve ao seu lado, o apoiando e o ajudando e isso fez com que um carinho brotasse em seu coração. Mas nada alem disso.
Agora ela vem até ele toda sensual, linda e cantando uma música que o enfeitiçou.
- Tenho que ver se existe alguma poção contra essa atração. – tomando fôlego, desligou o registro da água e enrolou uma toalha envolta de sua cintura.
À volta para a escola fora realmente tensa, já que ele e Gina voltaram na mesma carruagem, junto com Mione e Rony.
Ele não conseguia desgrudar os olhos daquela ruiva, que fisgara sua atenção a noite inteira.
Cerrou os punhos com força, quando se lembrou quando aquele maldito Corvinal chegou perto dela, e quando ela foi em direção ao cretino do Malfoy.
E ele onde ficava? De canto, como um guarda que a vigiava.
Vestiu o pijama e se jogou na cama.
Não pode deixar de sorrir quando a cena dele e Gina quase se beijando veio átona em sua mente.
- Como será beij...- parou bruscamente – Harry Potter, se controle. – repetiu a si mesmo essa mesma frase até cair no sono. Mas que para o seu azar não foi o suficiente para afastar dele o sonho que veio, o mostrando que Gina poderia ser muito mais do que uma amiga para ele, o fazendo suar a noite inteira.
Acelerou a velocidade que corria pelo corredor, mesmo que tudo ao seu redor estivesse girando.
Por que tivera que beber tanto naquela noite? E alem do mais, sentir que estava sendo observada por Harry, onde com aqueles olhos verdes a deixavam sem graça, não a ajudava em nada.
Suspirou profundamente, quando parou de correr e assim começou a andar.
Naty fora junto com Fred e só Deus sabe onde eles estavam naquele momento, fazendo ela e Harry ficarem praticamente sozinhos, sendo que o próprio irmão e Mione foram dormindo o caminho de volta para o castelo, inteiro.
Teve uma vontade enorme de rir, quando se lembrou da cara do melhor amigo quando um grupo de garotos a cercaram no hall da escola.
Ele por acaso estava com...ciúmes?, Pensou divertida, enquanto virava o corredor.
- Que ridículo. – falou para si mesma. Harry nunca sentiria ciúmes por ela, e muito menos amor.
Levou a mão ao peito, sentindo as batidas fracas de seu coração.
Estranhamente tudo ao seu redor pareceu girar, e uma vontade enorme de vomitar tomou-lhe conta.
- Nossa, que horror! – apoiou-se na parede e respirou fundo, tentando afastar o mal estar repentino.
Levou a mão à boca, impedindo que a ânsia não viesse naquele momento.
Abaixou a cabeça e respirou fundo variar vezes.
Nunca havia sentido aquilo. Parecia que alguém dava socos em sua cabeça, enquanto em sua barriga borbulhava, fazendo com que seu sangue fosse em direção a sua boca, mas que felizmente não saíra por ela.
Voltando aos poucos a se sentir melhor, foi desencostando da parede, estranhando que o mal estar já houvesse passado tão repentinamente.
Passou a mão pelos cabelos, e antes que pudesse voltar a andar, pôde sentir alguém lhe segurar o braço num gesto firme, mas delicado.
- Aonde vai, ruiva? – a voz arrastada de Malfoy ecoou pelas paredes frias e pareceu cortar o silêncio do escuro corredor como uma flecha, fazendo o ar ao redor ficar mais tenso.
Gina se virou delicadamente, até fazer seus olhos se encontrarem com os de Draco.
Franziu o cenho ao ver que ele tinha algo estranho.
Deve ser o cabelo. Ou a fisionomia desesperada. Mas também pode ser a boca recheada ou provavelmente aquele brilho intenso e indecifrável nos olhos... Azuis Celestes!, Pensou se aproximando dele enquanto franzia o cenho e sorria.
Nunca pensara que seria possível, alguma vez na sua vida, ver olhos tão intensos e de uma cor de água marinha tão maravilhoso.
Draco sorria também, de uma forma debilmente, parecendo que havia acabado de acordar de um belíssimo sonho. Mas agora Gina se perguntava, que tipo de sonho?
Suspirando fundo, e deixando aquilo de lado, ela sorriu abertamente e perguntou baixinho, temendo ser ouvida por algum professor ou Madame Norra:
- O que quer Draco? Sua casa fica completamente o oposto daqui.
O loiro se aproximou ainda mais dela, e gentilmente a puxou para si, para logo a encostou contra a parede fria, a fazendo sentir um arrepio percorrer o corpo.
Gina arregalou os olhos, ao sentir o corpo do loiro pressionar o seu delicadamente.
- O...o que...você...está...fa...fazendo? – perguntou entre gaguejos, quando ele começou a se aproximar dela, como uma cobra pronta para comer a sua presa.
- Vim cobrar o pagamento que você me deve. – e antes que ela pudesse protestar, Draco a beijou com fervor, de modo que nenhum dos dois pudesse perceber o flesh de uma maquina fotográfica que brilhou atrás da porta de uma sala de aula ao lado deles.
Continua...
