Capitulo 8: Me esqueça, Me odeie... Me ame!

Às vezes penso se um dia terei um lugar em seu coração. Se um dia você ira me tirar dessa mágoa que me consome cada vez mais quando te vejo ao lado de outra.

Como gostaria de te esquecer por um único momento. Ou tirar esse amor de mim, onde eu sei... Levarei até mesmo, depois da morte.

Segunda feira chegou a toda velocidade.

O sol brilhava fortemente entre as graciosas nuvens brancas que flutuavam sobre o céu azul turquesa.

A brisa fria trazia para dentro do castelo um doce aroma de flores, junto com as folhas secas que cobriam o chão de pedra fria e gasta.

Os alunos riam, gritavam e conversavam animados, contando as novidades de seu fim de semana.

Olhou ao redor e pôde sentir vários olharem sobre si, enquanto descia as escadas do Salão Comunal, indo em direção ao retrato da mulher gorda, que cantava uma melodia irritante com sua voz fina, como se fosse uma galinha, despertando os alunos que ainda não haviam acordado por completo.

- Bom dia, Senhorita Weasley. – a mulher a cumprimentou, enquanto ia abrindo a passagem aos poucos, revelando o grande corredor.

Gina simplesmente sorriu e arrumou o sobretudo que pegara emprestado de May, onde esta fez um feitiço para esconder o brasão da Sonserina, sobre os ombros que batia em sua canela.

Passou pelo retrato e assim se viu ao centro das atenções.

Começou a caminhar com passos firmes e gentis, enquanto a saia curta balança em ritmo perfeito com seus quadris.

- Ou, aquela lá não é a irmã do Weasley? – ouviu um garoto perguntar a suas costas, num tom de voz arrastado – Cara, ela até que é bonitinha.

Sentiu seu rosto ir tomando uma tonalidade de vermelho intenso.

Céus, onde estava com a cabeça no momento que permitiu ouvir os conselhos de Naty, que ainda estava se arrumando no dormitório, e se vestir daquela maneira.

Ela estava parecendo uma... Garota.

Girou os olhos... O que estava pensando? Ela era uma garota. Não muito vaidosa, mas era.

Puxou a alça de sua velha mochila de couro queimado para cima de seu ombro, e apertou-a, cravando suas unhas nesta, fazendo seus dedos ficarem esbranquiçados.

Com um suspiro girou o corredor e começou a descer as escadas em direção ao Salão Principal, ainda sentido vários olhares sobre si.

Como May e Naty podiam conviver com aquele tipo de comentários soltos no ar sobre sua pessoa, e olhares tão ousados, sendo que várias garotas a olhavam com uma certa inveja.

Passou a mão pelos seus cabelos, que estavam presos no alto de sua cabeça num gracioso rabo-de-cavalo, onde duas mechas de sua franja lhe caiam em frente aos olhos pintados por uma leve camada de lápis preto, realçando sua íris azuladas.

Os lábios vermelhos, realçados por uma leve camada de brilho se contorceram num leve sorriso, quando seus pensamentos começaram a lhe atormentar, mostrando-lhe a cara de Harry e de todos quando a vissem daquela forma.

Sentiu seu coração se apertar.

O que Harry acharia? Será que agora abriria os olhos e fosse começar a vê-la como uma garota. Não dessas fúteis que estava acostumado a beijar, mas como uma garota que poderia entra em sua vida para sempre.

Existi somente dois tipos de mulheres no mundo, Gi!, As palavras dele ecoaram em sua mente a fazendo sentir um arrepio na espinha. As de somente uma noite e as de uma vida inteira.

E onde será que ela se encaixaria?

Respirou fundo a leve brisa fria que entrou pela janela do corredor e chocou-se contra seu rosto, a fazendo se sentir tranqüilizada.

- Hoje parece que vai ser um dia interessante. – disse a si mesma, vendo um grupo de garotas gritando, outras chorando, em frente ao quadro de avisos, onde mostrava uma nova edição do jornal de Hogwarts.

Fazendo uma discreta careta, passou reto. Tinha coisas mais importantes para fazer do que ficar vendo um jornal de besteiras, que invadia a privacidade dos alunos sem nenhum respeito.

Parou de andar quando viu a sua frente, a grande porta de carvalho do Salão Principal, onde vários alunos estariam.

- Vamos lá, Gina... Mostre a eles que você não é mais a mesma inocente e doce Gininha. – disse a si mesma, relaxando o corpo e soltando com força o ar pela boca tremula.

Estralando os dedos tensos, começou a andar delicadamente em direção a porta, que parecia estar se distanciando a cada passo que dava.

Inferno, nunca se importou o que os outros iriam achar de si. Então... Por que estava receosa naquele momento?

Estranhamente, o corredor pareceu girar sobre seus olhos e por alguns minutos teve que se segurar na parede para não cair.

- Droga! – murmurou levanto a mão à cabeça e fechando os olhos com força, tentando voltar ao normal, mas a única coisa que conseguiu, foi que um leve gemido de dor escapasse de sua garganta. - O mesmo mal estar de ontem. O que está havendo comigo?

Sua garganta começou a ficar seca e estranhamente sentiu como se um liquido, frio e gosmento, a sufocasse e fosse subindo aos poucos, em direção a sua boca.

Pôde sentir a alça de sua mochila escorregar por seu braço e cair no chão, fazendo um estrondo rouco cortar o ar tenso que se formou envolta de si.

Sua respiração pesou e seu coração pareceu que não batia mais normalmente como antes.

Levou a mão ao peito, tentando puxar o ar para seus pulmões novamente.

Impossível, deduziu, quando seus joelhos fraquejaram e seu corpo escorregou pela parede até o chão.

Abriu os olhos e teve a impressão que estes haviam sido tampados por algum pano negro, onde não permitia que visse nada. Tudo estava escuro e ainda sentia o seu arredor girar fortemente.

O líquido gosmento que a sufocava continuava deslizando por sua garganta, a sufocando.

Sentiu uma vontade enorme de tossir, e assim levou a mão a sua boca, contorcendo o corpo para frente.

Pode escutar alguém sussurrar o seu nome. Numa voz fraca e num tom preocupado, mas não conseguiu deduzir quem era que havia a chamado.

Passos vinham em sua direção numa rápida velocidade, enquanto seu corpo parecia esquentar como se a houvessem jogado num poço de chamas, que começavam a penetrar sobre sua carne e a queimar. Sua testa começou a transpirar, e o suor a escorrer por seu semblante pálido.

- GINA! – agora eram duas vozes, que gritaram ao mesmo tempo o seu nome.

Mãos tocaram suas costas e seus ombros, num gesto delicado.

- Gina o que houve? – uma das duas vozes perguntou.

Respirou fundo novamente o ar com força, e aos poucos o breu em frente aos seus olhos começou a desaparecer, fazendo duas imagens embasadas irem se formando a sua frente.

Sorriu ao ver os olhos azuis de Naty mostrando a nítida preocupação, enquanto May ao lado da morena segurava seus ombros, a fazendo jogar a cabeça para trás.

O liquido que a sufocava pareceu voltar a escorrer por sua garganta, agora para baixo, a fazendo não sentir mais a arrebatadora vontade de tossir.

- Eu... não...– sua boca estava seca e um gosto terrível pareceu penetrar sobre sua língua. Sua voz era fraca e carregada pela falta de ar. Pôde ver May segurar um de seus braços e colocar atrás da cabeça dela, enquanto a outra mão se posicionava em sua cintura e assim, a fazia se levantar do chão.

Gemeu.

- Consegue andar? – Naty perguntou, indo até o seu ouro lado e ajudando May a carregá-la.

Gina sentiu novamente uma sensação dolorosa em seu peito, como se ferros em brasa os esmagassem quando as amigas começaram a carregá-la para a famosa sala delas, que ficava há poucos minutos dali.

Quando suas pernas voltaram aos poucos, com a força de conseguirem suspender o seu corpo, acompanhou as amigas no mesmo ritmo rápido, onde antes a arrastavam.

Suspirou fundo o ar, quando uma nova tontura se apossou de sua mente. Abaixou a cabeça, fazendo uma cascata ruiva cobrir seu rosto, quando alguns alunos franziam o cenho e a fitavam de uma forma estranha.

Sentiu ao longe, um cítrico perfume que aguçou seus sentidos, e sorriu antes de perder a consciência.


Deu um longo suspiro cansado antes de fechar o grosso livro a sua frente e repousar sua cabeça sobre a capa dura e gasta pelos longos anos.

Pôde sentir os músculos de suas costas se contorcerem em dor quando tentou relaxar os ombros tensos.

Deveria ter sido a primeira do colégio inteiro a ter acordado naquele dia ensolarado.

A brisa fresca do nascer do sol passou pela grande vidraça da janela da biblioteca.

Ergueu os olhos e sorriu ao ver que em breve estaria logo com o namorado.

Sorriu ainda mais para logo gemer.

Seus olhos estavam inchados e vermelhos graças à falta de sono, e somente de ver a sua fisionomia no reflexo do espelho a fez sentir como se estivesse num filme de terror, onde, ela era o mostro.

Como gostaria que ele naquele instante estivesse ao seu lado, para receber a tão massagem que ela amava, onde somente ele conseguia a relaxar e a fazer se sentir nas nuvens de uma vez só, graças aquelas mãos grandes e quentes que ela já começava a sentir vontade que passassem pela extensão de seu corpo inteiro.

Todavia, sabia que o que a fazia não se entregar, ainda, ao namorado, era o fato que temia ao pensar o que ele viria a achar de seu corpo. Graças à falta de exercício nas últimas férias, havia adquirido alguns quilos, ficando assim, acima de seu peso. E também não era muito vaidosa, já vira casos de garotas do colégio que tinham os cabelos como verdadeiras crinas de cavalos e hoje em dia os tinham como uma seda.

E dinheiro para ela não era algo que faltava, e sim vontade de se arrumar.

Suspirou e se reergueu, voltando a se sentar corretamente, com as costas encostadas no encosto da cadeira, a fazendo ranger levemente.

Jogou a cabeça para trás e respirou fundo o cheiro de livros velhos que percorria a biblioteca.

Fechou os olhos e levou uma das mãos ao ombro, o sentindo tenso e duro graças a noite de insônia que passara estudando na biblioteca por causa da maldita aula de Poções que teria naquele dia.

Por alguma razão seus olhos se encheram de lágrimas e frases ecoaram em sua mente, fazendo seu coração se apertar.

"Olha só a sangue ruim passando", "Saia daqui seu monstrinho", "Não me toque, não quero me infecta com você", "Eu sabia que Deus era cruel com algumas pessoas, mas o que ele fez com você foi muita maldade".

Tinha que ter um psicológico muito bom para aturar todos os dias os mesmos comentários, onde ela tentava não se importar ou fingir que não ouvia, mas querendo ou não, as palavras duras dos alunos sobre si percorriam a extensão de seu ouvido cravando-se em sua mente, a atormentado a cada minuto.

Como Rony pôde ter se apaixonado por ela? Não tinha classe, era mais feia que um ogro e não sabia se vestir, o que ela poderia oferecer aquele Ruivo-Deus que metade da população feminina de Hogwarts desejava – até as Sonserinas! -, um bom livro e uma vida monótona?

Suspirou e cobriu os olhos com o braço.

- Rony onde você está? – chamo-o numa forma como se fosse uma brisa de inverno, de tão leve e baixa.

- Estou aqui. – escutou a voz grave e sensual do namorado ao pé de seu ouvido fazendo os pelos de sua nuca se arrepiarem.

Mione abriu bruscamente os olhos e olhou para trás, num reflexo rápido que até mesmo chegou a impressionar o namorado.

- Ronald Weasley, quantas vezes vou ter que dizer para nunca me pegar de surpresa dessa maneira? – ela suspirou – quer me matar do coração?

O ruivo riu abertamente, fazendo os incríveis olhos cor de mel-esverdeado brilharem entre os cabelos que naquele dia não estavam arrepiados com gel como sempre, e sim caídos sobre os olhos, lhe dando um ar ainda mais sensual.

Suspirou e passou a mão pelos próprios cabelos, para logo fazer uma careta quando seus dedos se enroscaram a um complicado nó.

Rony, num gesto que voltou a surpreender a namorada, levou suas mãos aos ombros tensos dela, e com os dedos começou a fazer movimentos circulatórios sobre os músculos, os relaxando os poucos.

Mione num passe rápido de varinha fez o encosto da cadeira onde estava sentada desaparecer dando um maior acesso a suas costas as mãos do ruivo, que ia lentamente deslizando os dedos longos e firmes por sua espinha a fazendo imaginar o rastejar de uma cobra.

- Você gosta? – Rony perguntou novamente num sussurro, apertando com um pouco mais de força o ponto certo da coluna da morena, onde esta não conseguiu conter um leve gemido.

- Sim...

Ele sorriu e lentamente levou seus lábios a curva alva do pescoço dela, para logo, com a pontinha da língua deslizar pela extensão quente e delicada da pele dela até o lóbulo da orelha e assim o morder.

Mione não pôde se conter e assim girou na cadeira se virando para o namorado, e segurando-lhe pela gravata o puxou para si, beijando-lhe os lábios numa forma ansiosa.

Rony sorriu com o gesto ousado da namorada e assim ajoelhou na frente dela, de modo que pudessem ficar na mesma altura. Tocou-lhe nos os joelhos levemente e lhe abriu as pernas num gesto carinhoso para ficar entre elas, fazendo os corpos ficarem ainda mais perto um do outro.

Circulou a cintura da morena com os braços e a trouxe para si, antes de corresponder o beijo. Passou a ponta da sua língua pela boca que amava tanto beijar, em quanto Mione entreabria os lábios lhe oferecendo a entrada que aceitou no mesmo instante, começando a lhe explorar a boca em movimentos rápidos, e investidas contra a língua dela, que massageava a sua calmamente. Sorriu ao senti-la estremecer, quando lhe mordeu a língua levemente e achou uma fresta da blusa dela e assim começou a lhe tocar a pele descoberta com os dedos um pouco gelados.

Céus! Ela o estava enlouquecendo daquela forma. Nunca fora tão longe nas caricias, e só de sentir o corpo dela ferver contra o seu, era algo alucinante.

A apertou ainda mais contra o peito, e deslizou sua mão pelas costas dela até poder sentir a fina e delicada peça do sutiã, onde se surpreendeu quando ousadamente começou a brincar com o fecho desta e Mione não o impedir.

Já estava começando a perder o controle da situação, quando a namorada deslizou os lábios até seu pescoço e assim o chupou levemente, fazendo-o desta vez, ele gemer. Maldição!, Pensou. Vendo Mione o empurrar levemente para trás o fazendo cair sentado no chão, enquanto ria.

- Como pode ver Weasley. – ela o provocou, se levantando e começando a arrumar o uniforme, antes de pegar suas coisas e colocar as pernas uma de cada lado do corpo do namorado e se inclinar para frente, fazendo os rostos ficarem milímetros um do outro novamente – Eu também tenho os meus modos de fazê-lo gemer. – e assim, deu a volta nos calcanhares e andou calmamente até a porta da biblioteca, deixando para trás um frustrado e feliz Rony.

- Essa garota ainda vai me obrigar a fazer uma loucura. – falou para si mesmo, enquanto passava a mão pelos cabelos e suspirava, deitando no chão e sentindo os lábios ferverem.


- Gina pelo amor de Merlin, Jesus, Deus, Cristóvão Colombo, Maria, Graças, Alá, Buda, PELO DUMBLEDORE, me fala o que você esta sentindo. – Naty falou em desespero, vendo a ruiva deitada sobre o sofá começar a gemer e levar a mão ao peito.

- Eu... não... sei. – as roupas dela e os cabelos estavam ensopados graças a infernal febre que voltara com força total se apossar dela.

May passou a mão pelos cabelos numa demonstração de nervosismo.

- Vou chamar a Pomfrey. – Gina arregalou os olhos e segurou a mão da amiga quando esta tentou se levantar.

- Não! – pediu – é só um mal estar... Já vai passar. Você vai ver. – os olhos azulados começaram a tomar uma tonalidade escura, mostrando a índia o medo estampado neles – Se você chamar a Pomfrey ela vai mandar uma carta para os meus pais, e eles vão se preocupar. Talvez não seja nada... Só uma gripe. – Naty suspirou.

- Okay! Eu vou ao Salão Principal pegar alguma coisa para você comer, Gi. – se virou para May – cuide dela na minha ausência. – a índia franziu o cenho vendo a morena ir até a porta.

- É lógico que eu vou cuidar dela, acha que eu vou a onde? Jogar Quadribol?

Naty girou os olhos.

- Hoje tem treino? – May fez uma cara pensativa, antes de responder.

- Não hoje não. – sorriu vendo a morena rir, antes de abrir a porta e assim sair, deixando a índia sozinha com a ruiva que voltou a gemer.

- A Gi. – lamentou, tirando o pano molhado da testa da amiga e o molhando numa vasilha de água fria. – O que está havendo? – colocou o pano sobre a testa dela, e começou a rezar, para que Naty voltasse logo.

Começou a correr desesperada pelo corredor, sem se importar se trombaria com algum professor, inspetor ou aquela maldita gata, Madame Norra, onde fazia um bom tempo que já tinha planos em colocá-la num espeto e colocá-la numa churrasqueira para um churrasco A lá Gata Malhada.

Sorriu. Será que não conseguiria ficar séria somente por um instante?

- Eu acho que não. – disse a si mesma, rindo levemente e virando o corredor, para o seu azar trombar com alguém. – Desculpe...- pediu começando a se levantar e nem se dar ao trabalho de ver a pessoa, onde segurou seu braço.

Oh sim, como ela não iria reconhecer aquele toque, aquele calor... Respirou fundo, e aquele perfume?

Passou a mão pelos cabelos e virou o rosto, fazendo seus olhos azuis encontrarem as íris escuras de Fred que sorria para ela.

Ele ergueu o seu braço, fazendo a manga do sobretudo escorregar para baixo e assim deixai-lhe amostra o pulso, onde neste havia a pulseira que ele lhe dera no dia da visita a Hogsmeade.

- Vejo que realmente gostou da pulseira. – ele comentou se aproximando dela perigosamente.

Naty recuou um passo.

Mesmo que fosse um sacrifício, não tinha tempo para flertar com aquele ruivo. Não naquele momento.

- Fred me desculpe, mas estou com pressa. – ele ergueu uma das sobrancelhas, o fazendo ficar ainda mais sexy.

Inferno! Por que ele tem que ser tão lindo?, Naty se perguntou, coçando a nuca com a outra mão.

- O que está havendo, Ná? – ele perguntou num tom sério, começando a fazer movimentos circulares sobre o pulso dela, a fazendo estremecer.

- Fred me solta, por favor. – pediu chorosa – Depois nos conversamos, tenho que...- Pensa Naty, pensa! – Me encontrar com o Paul. – "timo, que saída mais perfeita. Agora ele vai, mesmo, se afastar de você. Grande Natalie!

Mas para sua surpresa, Fred somente sorriu e inclinou a cabeça lhe dando um leve selinho.

- Naty você mente muito mal. Sabe que não pode me enganar. – Sim ela sabia – Sabe que não pode resistir a mim. – Sim! – Sabe que me ama! – ele afirmou, vendo-a arregalar os olhos.

- Não seja besta. - puxou o pulso bruscamente - Se eu o amasse, acharia que eu ainda estaria com o Paul? – ele cerrou os olhos e um sorriso perigoso cortou os lábios firmes.

Fred colocou as mãos na cintura dela, e num rápido reflexo a colocou contra a parede, sue corpo pressionando o dela, levemente.

- Sabe o que eu realmente acho em relação a isso? – ele perguntou num sussurro ao pé do ouvido dela, sentindo-a estremecer – Que você está com o Paul, não por que o ama, mas sim por uma obrigação. Como se ele soubesse de algo muito importante sobre você, onde você tem medo que descubram. – ele a fez o encarar nos olhos – É impossível você não sentir o mesmo que eu sinto por você Naty. Somente de tocá-la eu posso ver seus olhos brilharem, ou quando eu sorrio seu coração disparar... E quando eu a beijo. – os lábios estavam muito próximos, fazendo-a sentir as pernas bambearem – Seu corpo treme...- sorriu - Quer que eu prove?

Naty suspirou fundo para manter a calma e a sensatez. Gina estava mal e ela não tinha tempo para os galanteios de Fred. Teria um bom tempo para isso, mas, mais tarde.

Seu coração acelerou o compasso quando o viu se aproximar de si, e deslizar as mãos de sua cintura para seus quadris a fazendo sentir como ele a desejava.

Gemeu!

- Fred...- levou a mão ao peito dele e o afastou com delicadeza. Ia ser duro, o que iria lhe dizer, mas naquele momento precisaria de todas suas forças para encarar aquele ruivo e lhe dizer o que sentia pelo Paul não era da conta dele, mesmo que havia acertado em cheio sobre o comentário. Deus, se ele descobrisse por que estava realmente com Paul, talvez seria capaz de matá-lo. May e Gina então...Mas, não podia permitir isso, teria que agüentar aquele asqueroso por um longo tempo enquanto pensaria num plano para acabar com ele e assim poder viver feliz nos braços de Fred. Encarou-o no fundo dos olhos, e por alguns segundos temeu se perder naquele escuro mar revolto. – O que eu sinto pelo Paul não é da sua cota. – sua voz era séria, mas se prestasse atenção, ele poderia perceber que ela saia um pouco tremida em certas palavras – Minha vida pessoal também não lhe diz respeito, então pela última vez me esqueça...- ela o empurrou e aproximou os rostos perigosamente, e com um olhar afirmativo, disse as palavras que nunca pensou que poderia dizer e fazer seu peito doer tanto – Eu... Não... Amo... Você. – disse frisando cada uma fazendo seu tom sair sério e nítido. Fred arregalou os olhos e engoliu em seco.

Foi uma martelada em seu peito ao escutar aquelas palavras, mesmo sabendo que ela não estava falando sério. Estava?

A olhou bem no fundo dos olhos, as íris azuis num tom mais escuro, e viu ali, bem escondido mais estava, o toque de mentira, onde esta cobria o amor dela por ele. Incondicionalmente.

- Okay, eu não posso ter tudo o que quero mesmo. – disse a ela, dando um passo para trás e lhe dando a passagem para seguir o seu caminho.

Naty abaixou a cabeça e voltou a correr, sentido as batidas de seu coração irem parando aos poucos, e quando percebeu que uma lágrima teimosa iria escorrer pelo seu semblante escutou Fred gargalhar as suas costas e gritar:
- Naty! Você definitivamente mente muito mal. – por alguma razão não conseguiu segurar o próprio riso. Ainda bem que ele a conhecia tão bem para ter o conhecimento quando ela mentia, estava triste ou simplesmente, queria um beijo dele.

Ou não seria tão bom assim? Pensou enquanto descia as escadas, pulando de degrau em degrau.

Tempo ao tempo, o que tivesse que acontecer aconteceria. E se o seu destino era ficar com Fred, cedo ou tarde aquele momento iria chegar e assim ela poderia ser finalmente feliz. Nos braços de um homem.


Maldição!

Por que tinha que ter beijado aquela maldita índia?

Deveria estar bêbado, dopado, doido, louco, drogado, alguma coisa para não ter tido a sensatez de ter ficado longe dela, naquela noite. Aquela bendita noite, onde, a lembrança dos lábios tão doces de May o atormentava a cada minuto.

Desceu as escadas do Salão Comunal e passou pela porta, sem se importar com o chamado histérico de Pansy a suas costas.

Passou a mão pelos cabelos e afrouxo a gravata em volta de seu pescoço, parecendo que era uma cobra a enforcá-lo.

Respirou fundo e cerrou os dedos das mãos que colocou dentro do bolso do casaco.

Aquela índia era tão irritante a ponto de deixá-lo louco, então por que não parava de pensar nela. Tinha tantas coisas para pensar, como...

- Ahhh! – gritou de raiva. Nem ele mesmo se lembrava. May ocupara todos os seus pensamentos de uma forma incrível. Seu coração se acelerou quando um flesh apareceu em frente aos seus olhos e pôde ver o momento em que ele teve o prazer – ou o azar – de saborear os lábios daquela morena maldita.

Sorriu... Que morena!

Mas ele não estava gostando de Gina?

Suspirou... Sua cabeça estava tão transtornada que não conseguia pensar. Era como se tambores batessem dentro dela, o fazendo ter um único pensamento: Talamay.

Sentiu seu corpo estremecer, parecendo que estava começando a clamar pelo dela.

- Droga! – grunhiu, quando virava no corredor e encontrava um grupo de Sonserinas a sua frente, o olhando de uma maneira quase selvagem, que o enojou.

Por alguma razão, gostaria de saber onde May estava, para provocá-la e ganhar o seu dia a vendo irritada.

Sorriu travesso. Ela ficava tão linda quando ficava brava que chegava ao hipnotizar; os olhos escuros cerrados soltando faíscas de ódio, os lábios crispados e a pose de superioridade era algo que o atraia ainda mais. Mas se tinha algo que o fazia esquecer do próprio nome era quando ela sorria. Os lábios vermelhos contorcidos num sorriso verdadeiro, os dentes brancos e perfeitos a amostra e o som da risada dela era algo que o tranqüilizava e o fazia se sentir bem, algo contagiante.

Passou a língua pelos lábios podendo sentir o gosto de morango dela, ainda impregnado neles.

Foi quando parou bruscamente de andar, e como se um raio caísse em sua cabeça, permitiu que a mochila em suas costas escorregasse e caísse ao lado de seus pés, enquanto seus olhos se perdiam em algum ponto do grande corredor.

- Não... Pode ser...- seu coração pareceu falhar um batimento, o sufocando – Eu não...- abaixou a cabeça e fitou os próprios sapatos, enquanto se apoiava na fria parede – posso estar me...Apaixonando – disse a última palavra como um murmúrio sentindo seu corpo estremecer. – por ela. Não posso!


Suspirou fundo quando terminou de colocar o suco de abóbora no copo e assim o colocar na bandeja. O prato estava realmente cheio de bolachas, bolinhos, cereais e frutas.

Riu da própria ignorância ao pensar que Gina iria comer tudo aquilo, mas naquele instante tudo era possível.

Pelos cantos dos olhos pôde ver Fred entrar pela porta do Salão, e fitá-la com os incríveis olhos castanhos que ela adorava mergulhar. Ele vinha em sua direção com aqueles mesmos passos onde ela sentia que iria demorar séculos para ele chegar até si, a tocar, sussurrar palavras em seus ouvidos e a fazer estremecer.

Mas, quando ele chegou bem ao seu lado, alem de vir conversar com ela, simplesmente sentou-se ao lado da Artilheira da Grifinória, Angelina, onde o agarrou no mesmo instante e lhe deu um beijo perto da boca.

Cerrou os olhos, permitindo que uma linha azul de ódio se formasse sobre estes.

Os lábios se apertaram levemente enquanto seus dedos pareciam que iria perfurar sua pele, tamanha a força que cerrava os dedos.

Respirou fundo várias vezes enquanto terminava de encher a bandeja com o café da manhã. Por que ele tinha que a provocar bem naquele dia, onde, não estava sendo tão bom? Por que tinha que sentar perto daquela maldita garota, e colocar o braço sobre a cintura dela, onde deveria estar na sua.

Balançou a cabeça. Ela não estava com ciúmes. Não tinha nada com Fred, e por isso a vida romântica dele não era de sua conta.

Seu coração se apertou quando com a bandeja já em mãos passou entre o casal, indo em direção a porta do Salão, onde Fred fez questão de segui-la com os olhos ciente que ela se excitava com aquele gesto.

Naty estava preste a se virar e mandar aquele maldito ruivo se ferrar quando sentiu uma mão sobre seu braço a fazendo se virar bruscamente.

- Olá, lindinha. – Paul falou olhando-a de cima para baixo, da mesma maneira que ele fazia quando a queria.

Girando os olhos, Naty puxou o braço e deu um sorrisinho torto para o namorado.

Estava com tanta raiva e pressa que ir para a cama com Paul naquele momento era a última coisa que ela queria.

- Olha Paul, eu estou com pressa depois nós conversamos. – o moreno fechou a cara e lhe segurou as vestes com força e voltou a lhe puxar, a fazendo quase perder o equilíbrio e derrubar a bandeja no chão.

Fred ainda a olhava, e parecia estar preste a pular em cima de Paul, quando este lhe beijou na boca fortemente.

Teve vontade de vomitar... Ele tinha hálito de algo azedo, como se houvesse acabado de comer um limão estragado. As mãos fortes e nada delicadas começaram a acariciar seu corpo de uma maneira que começava a machuca-lá.

Gemeu de dor quando ele apertou sua coxa.

- Paul, pára. – falou num sussurro, se afastando dele e colocando a bandeja sobre a mesa. Estava ciente que na frente de todos eles não poderia fazer nada, e por isso, passou a mão pelos cabelos e aproximou seu rosto no dele. Tomando toda a coragem que um dia nunca pensou em ter, falou baixinho, frisando cada palavra venenosamente – Eu já falei que agora estou ocupada, Paul. Mais tarde iremos conversar, mas nesse momento a única coisa que eu quero é que você suma da minha frente e me deixe em paz.

Paul cambaleou um pouco para trás, parecendo assustado pela demonstração de raiva da namorada, que chegou realmente a assustá-lo.

- Você está me traindo? – ele gritou, chamando a atenção de todos os alunos sobre eles.

Fred franziu o cenho.

- Não eu não estou te traindo. – ela respondeu bruscamente – Só estou mandando que neste momento você vá se ferrar, por que tenho uma amiga passando mal e por isso não posso perder tempo. – tentou pegar a bandeja, mas as mãos de Paul a impediram e assim começaram a apertar seu pulso fortemente.

- Eu juro Naty, que se você estiver me traindo eu conto para todos o seu segredinho. Conto para todos o seu passado que você tanto teme. – um sorriso maligno cortou os lábios de Naty, e assim se aproximou do namorado como uma cobra.

Por alguma razão, o medo havia simplesmente desaparecido e desejou que ele realmente contasse a todos o seu segredo, os seus sonhos que tinha toda à noite relembrando-a o que tivera que passar; a dor, a solidão, a fome e a honra perdida.

- Oh você vai contar mesmo, amor? – ela perguntou dengosa, agindo da maneira que ela sabia que Paul não resistia. – Então acho melhor você tomar cuidado com o que vai falar...- a fisionomia mudou radicalmente, se transformando numa quase assassina. – E é melhor começar a pensar bem no seu discurso.

- Está duvidando que eu conte?

- Não, eu não estou, - ela sorriu - só estou lhe avisando que depois disso duvido que você saia vivo. – Naty olhou por sobre os ombros de Paul, a mesa dos professores onde tinham sua plena atenção sobre as palavras que ela dizia. Seus olhos se encontraram com o brilho bondoso nas íris azuis celestes de Dumbledore, onde pareceu que tivesse sido o suficiente para lhe dar o resto da coragem que naquele momento ela precisava. – Paul, depois conversamos, estou com presa. – puxou o pulso contra si, fazendo a pulseira que usava fazer um barulho metálico.

- Que pulseira é essa? – Paul perguntou voltando a lhe segurar o pulso.

Naty suspirou, por que ele tinha que ser tão burro?

Olhou para Fred e deu um sorriso torto.

- Eu comprei em Hogsmeade. – Paul franziu o cenho.

- Por que você nunca usou a que eu te dei, então? No lugar desse ferro velho?

Naty cerrou os dentes segurando o palavrão que estava entalado em sua garganta, contendo todo o seu ódio. Como ele ousava falar daquele jeito com o presente que ganhara de Fred? Pôde vê-lo rir do outro lado, parecendo agora pouco se importar com ela. Mas ela sabia, ele tinha a plena atenção no que estava havendo.

Encarou os olhos negros do namorado e assim respondeu:

- Por que eu gosto mais dessa. – pôde ver pelo canto dos olhos, Fred dar um sorriso que ia de orelha a orelha.

Paul a soltou bruscamente e lhe deu as costas.

- Suma, depois conversamos. – e assim voltou para a mesa da Corvinal, sentando-se entre um grupo de garotas.

Naty sorriu aliviada e arrumou a bandeja sobre seus braços e assim voltou a andar até a porta. Com a mente mais leve.

Oras... Estava na hora de Paul saber que ela poderia estar na mão dele, mas nunca poderia a obrigar a sair de seus compromissos para lhe satisfazer, sendo que Gina estava mal e necessitava de toda atenção possível.

Merlin como era aborrecedor estar nas mãos de alguém sem nenhuma arma, como um animal indefeso que se encontrava enjaulado.

Ela queria poder sorrir ao lado de um garoto que amava, queria... Ter a liberdade para amar. Mas infelizmente não tinha.

As lágrimas embaçaram sua visão ao lhe mostrar como fora ingênua.

Acreditara em Paul, o único em anos que lhe mostrou realmente confiança, e assim contou sua historia a ele. Tudo praticamente, e quando ele deveria lhe abraçar e falar palavras doces em seu ouvido, simplesmente a atacou, falando que se não fizesse o que ele queria, abriria a boca e contaria a todos o seu passado.

Ele a enganou... Queria apenas se divertir com ela... Com o seu corpo.

Abaixou a cabeça e olhou por cima dos próprios ombros, a fisionomia calma de Dumbledore que sorria para ela de forma paterna. Sorriu de volta para o velhinho que tanto a ajudou desde que chegara naquele colégio.

Respirou fundo, parecendo sentir a calma que o diretor a fazia sentir somente com os seus olhos bondosos e aconchegantes.

Voltou a andar sabendo que agora tinha que ir até Gina e May, onde deveriam a estar esperando já preocupadas com sua demora.

Fazendo um feitiço para a bandeja não cair ou derramar os sucos, começou a correr pelo corredor assim que saiu do Salão Principal.

Pôde sentir passos atrás de si, mas não se deu o trabalho de olhar quem era, e se tivesse o feito, poderia ver um ruivo encostado na batente da porta e olhando com um sorriso.

- Naty, Naty... Já está na hora de você se dar à liberdade para amar. – Fred sussurrou, balançando a cabeça e sorrindo, enquanto tirava de dentro do colete que usava uma corrente onde nesta havia duas alianças de ouro branco – E eu vou lhe dar essa liberdade ao meu lado.

Por que maldição aquele colégio tinha que ser tão grande?

Subiu as escadas pulando de três em três degraus, ciente que qualquer passo falso seria um adeus a seu lindo pescoço.

Sorriu e acelerou a velocidade de suas pernas. Gina estava precisando mais dela naquele momento e não tinha tempo de ficar se preocupando consigo mesma.

Deu um longo suspiro quando chegou finalmente à sala do quinto andar, sempre vazio.

Abriu a porta e pôde ver May conversando com Gina animadamente, onde a ruiva parecia estar ótima, já que não estava mais molhada e a cor antes pálida, voltou a ficar corada.

- Me desculpem a demora. – Gina se virou para ela e sorriu.

- Tudo bem, Naty, eu já estou ótima.

May passou a mão pelos cabelos e assim se deitou no sofá.

- Ela me dá medo, Naty. – resmungou, apontando para Gina que riu para valer – Numa hora está gemendo como um porco que está sem a sua lama – Gina a fuzilou com os olhos – E na outra pulando que nem uma doida.

Naty sorriu e colocou a bandeja na mesa entre elas, antes de levar a mão à testa da ruiva.

- É, não está mais quente. – falou num tom de voz pensativo – Estranho...

Gina deu os ombros e levou uma bolacha a boca.

- Amiga, eu sou estranha. – respondeu revirando os olhos, fazendo as duas amigas rirem.

- Okay, Gi...- May falou, se sentando no sofá – Agora vamos comer, que estou morta de fome e daqui a pouco vai tocar o sinal para a aula.

Naty encolheu os ombros.

- Aula com de Adivinhação, ninguém merece.

- Que azar hein. – May lamentou, bebendo um pouco de seu suco – Eu tenho aula com o Snape agora. – sorriu alegre, sabendo que Naty o odiava, enquanto Gina o "curtia" e ela o amava.

- Talvez na aula de hoje a Sibila pare de falar, somente, que vamos morrer e nos conte como ira acontecer essa terrível tragédia. – Gina falou, rindo logo sem seguida e sendo acompanhada pelas outras.

O tempo passou rapidamente.

O sol brilhava cada vez mais, junto com o aroma das flores cada vez mais forte e tranqüilizador.

As três saíram da sala poucos minutos antes de bater o sinal e assim caminham pelo corredor animadas. Conversando sobre coisas banais e rindo.

Estavam prestes a virar o corredor, quando ouviram uma voz grossa às chamando.

Gina, sorrindo, se virou já sabendo com quem iria se encontrar, e não se enganou.

Sorriu ainda mais quando pôde ver a imagem escultural de Harry do outro lado do corredor.

- MEU LINDO! – ela gritou, saindo em disparada em direção a Harry que franziu ainda mais o cenho, aborrecido.

Pulou em cima do melhor amigo o abraçando fortemente pelo pescoço.

Fora impossível não perceber que ele estava estranho quando o abraçou.

Harry ficou duro, e o único movimento que fez foi segurar seus braços e afastá-la de si de uma forma firme, mas delicada.

Ergueu a cabeça e fitou-lhe nos olhos, vendo aquele mar revolto que estava sempre tão claro, escuro. Como se uma seda negra tivesse tampado o brilho, deixando as íris escuras. O semblante estava endurecido, e os olhos cerrados, mostrando nitidamente a sua raiva.

- Harry o que foi? – perguntou. Não precisava o conhecer tão bem para saber que algo havia acontecido com ele.

Harry passou a mão pelos cabelos e respirou fundo, antes de tirar de dentro das vestes um exemplar da nova edição do jornal de Hogwarts e a entregar.

- Me responda você mesma, Virginia. – a voz dele era fria e distante, onde pareceu que um punhal havia perfurado seu peito.

Gina estranhou o comportamento do melhor amigo e assim pegou o jornal e olhou para as amigas que deram os ombros, antes de voltar a sua atenção o exemplar e olhar para a primeira pagina.

Seu queixo caiu e seus olhos se arregalaram.

Ali, na primeira página estava uma nítida e grande foto dela e de Draco se beijando de uma maneira que parecia estarem... Apaixonados.

Cobra enrola leão e leão devora a cobra.

Essas eram as primeiras palavras. O nome do artigo, onde em letras pretas e grandes brilhavam sobre a página.

Com a voz tremula começou a ler o artigo num tom baixinho, para somente ela escutar:

É realmente um espanto ver que alguns alunos se entendem tão bem com as outras casas, principalmente entre Sonserina e Grifinória, que são rivais há muitos anos.

Para nosso próprio espanto, Draco Malfoy e Virginia Weasley, mostram que entre as barreiras da sociedade e o orgulho das famílias, um verdadeiro amor nunca é detido.

Felicidades ao Novo Casal do Mês.

Gina engoliu em seco, e parou de ler a reportagem. Aquilo já bastava.

Percorreu os olhos pelo jornal até o fim, onde pôde ver:

Texto por: Amanda Bragin

Foto: Colin Creevy.

Oh, ela mataria Colin.

Cerrou os dedos sobre as folhas e pôde perceber que graças suas unhas havia as perfurado.

Olhou para Harry, onde este continuava inerte, simplesmente a olhando com os olhos verdes mergulhados numa fúria que ela jamais vira.

- Ahn...- começou, dando um leve sorriso torto – Casal do mês... Acho que exageraram, não é verdade? – Harry cruzou os braços em frente ao peito.

- Virginia, eu exijo uma explicação.

Gina fechou a cara e permitiu que seus olhos começassem a ficarem escuros.

Ele poderia ser seu melhor amigo, e estar bravo por ela não o ter contado sobre os beijos que dera em Malfoy, mas ele não era seu dono e muito menos seu pai de querer controlar e exigir algo sobre sua vida pessoal.

O que ela fazia, ou deixava de fazer era somente conta dela e de mais ninguém.

Colocou o jornal sobre o parapeito da janela e voltou sua atenção para o moreno que ainda a fitava de uma forma que lhe dava calafrios.

- Você não pode exigir nada, é meu amigo, mas não tem nenhum domínio sobre mim.

May e Naty abafaram risadas e se fitaram de modo que dizia uma a outra: ela vai acabar com ele, e eu não vou perder isso por nada.

Harry tirou os óculos de arco redondo sobre os olhos e os guardou no bolso, antes de se aproximar da ruiva e assim dizer entre os dentes:

- Virginia...- Oh droga, ele a estava chamando novamente pelo nome, e naquele tom que estava a deixando entorpecida – Eu como seu melhor amigo e também de seu irmão, me preocupo com você, então eu gostaria de saber o que te deu na cabeça para beijar aquele verme do Malfoy.

Verme?, Gina repetiu a palavra mentalmente.

Cerrou fortemente o punho e deu um leve sorriso, fazendo Harry ficar meio abobado, por aquela mudança.

Os alunos já começavam a sair do Salão Principal, e dando a atenção ao casal, começavam a circular em volta deles, fazendo uma rodinha para saber quem seria o campeão do duelo de dialogo.

- FAÇAM SUAS APOSTAS! – May gritou.

- EU APOSTO 10 GALE'ES QUE A GINA ACABA COM O POTTER! – Naty ajudou começando a pegar o dinheiro em sua mochila e sendo seguido pelos alunos restantes, enquanto Gina respondia a Harry:

- Eu acho realmente uma perca de tempo você tentar saber sobre a minha vida Harry, já que nunca tentou...- Olhar pra mim!, Ela teve vontade de dizer.

Harry passou a mão pelos cabelos, mostrando a sua raiva naquele momento.

Ah, se ela fosse outra garota qualquer – como, por exemplo, Chang-, ele já a teria desmoronado. Mas não, era Gina, a sua doce e meiga, Gina. Onde ele amava a abraçar, sentir o aroma dela e o cheiro dos macios cabelos dor de fogo, que naquele dia brilhavam como uma seda em brasa pura.

Respirou fundo para manter a calma.

Impossível, concluiu vendo que um ponto loiro que se destacava atrás da multidão dos alunos o olhava de uma maneira superior.

Trincou os dentes. Era só o que lhe faltava. Draco Malfoy estava ali, olhando para a cara dele e sorrindo de uma maneira como se ele houvesse perdido algo, finalmente perdido pela primeira vez para ele.

Mas o que eu perdi?, Pensou revirando os olhos.

Okay, já estava na hora de terminar com aquilo. Olhou para Gina e se aproximou ainda mais, de modo que seus narizes quase se tocassem.

- Sabe de uma coisa Virginia. – ele começou, vendo-a arregalar levemente os olhos de cor azulada – Estou a partir de hoje me lixando para você. Se você quiser ser uma dessas garotas da vida, em Hogwarts... Que seja! Pois me recuso ser amigo de uma qualquer que não se dá ao pingo de respeito. – Gina abaixou a cabeça olhando para os próprios sapatos, tentando controlar as lágrimas que começaram a embaçar sua visão. Por que ele estava falando aquilo? Por que tinha que magoá-la daquela forma? Suspirou e voltou sua atenção para as palavras cada vez mais venenosas – Pensei que você fosse diferente, mas me enganei. – ele riu nervosamente, antes de segura-lá pelos ombros e começar a chacoalhá-la, a fazendo soltar alguns gemidos de dor, mas não erguer a cabeça para encará-lo – O QUE DEU EM VOCÊ? Para beijar o Malfoy, Virginia? – Todos arregalaram os olhos, surpreso. Um Malfoy e uma Weasley?

Naty abriu a boca espantada, enquanto May não mostrou nenhuma reação, somente levou a mão ao coração, sentindo um forte aperto neste, onde não conseguiu compreender.

- Você estava louca? – Harry continuou - Não creio que foi capaz de fazer algo não nojento em sua vida, me trair e trair sua família e a Hermione, que você sabe muito bem, odiamos aquela cobra. – a soltou bruscamente – Por Merlin, me dá nojo até de olhar para você. – virou o rosto para a janela.

Um soluço baixinho chamou sua atenção e voltou a olhar para a ruiva que começava a tremer levemente.

O silêncio já começava a ser desconfortável naquele corredor, onde nem as respirações cortavam aquele ar tenso.

May e Naty já estavam ao lado da amiga olhando para Harry de uma maneira como se a qualquer momento fossem matá-lo.

Gina ainda estava com a cabeça baixa, onde fez Harry ficar ainda mais preocupado quando ela começou a tremer e uma lágrima pingou, indo de encontro ao chão.

Sentiu seu coração se apertar. Nunca havia visto ela daquela forma... Tão indefesa.

Teve que controlar o impulso de ir abraçá-la e falar que sentia muito por ter falado aquelas coisas tão dolorosas.

Então num rompante um soluço baixinho cortou o ar, e lentamente Gina foi erguendo a cabeça, e o que viu fez o coração de Harry parar de bater.

Gina estava ali, com os olhos vermelhos e as lágrimas escorrendo lentamente por seus olhos e o rosto de boneca. As íris azuladas brilhavam de uma forma encantadora que o fez quase cair graças suas pernas bambas.

Ela respirou pesadamente o ar, antes de sorrir pelo canto dos olhos de uma forma perigosa, mostrando que agora era a vez dela de falar.

Dando um passo a frente, o fazendo recuar, começou:

- É incrível como as pessoas se enganam, não é mesmo... Potter. – Ela me chamou de Potter? Harry estranhou, piscando algumas vezes tentando acreditar que aquilo era um pesadelo. Ela havia praticamente cuspido o seu nome. Seu peito se apertou ainda mais, quando Gina terminou de erguer o rosto por completo, e a raiva que tinha estampado nas íris o fizeram quase tremer de medo. Ele nunca tinha visto a Explosão Weasley dela, e agora se arrependia de a ter provocado. – Vamos deixar as águas limpas aqui, okay? Eu não me importo se você está ou não se lixando para mim, pois foi isso que eu fiz nos últimos dias, mas como você é burro não reparou. – Naty e May já começavam a pegar o dinheiro das apostas. Elas conheciam muito bem a amiga sabiam que ninguém era páreo para Virginia Weasley, provavelmente nem mesmo Dumbledore e Voldemort juntos. – Eu nunca me meti na sua vida, nunca opinei e muito menos deixei de ajudar você. A única coisa que eu disse era para você não beijar a Chang, pois você sabia que eu a odiava, e ainda odeio, mas não. Você fez até questão de beija-lá na minha frente, e eu como uma verdadeira amiga, calei a minha boca, abaixei a minha cabeça e deixei como estava. E sabe por quê? Sabe? – ela perguntou se aproximando ainda mais. Harry fez um gesto negativo com a cabeça – Pois eu respeito a sua privacidade, respeito as suas escolhas, e respeito a sua vida. E o que você faz comigo, Potter? O quê? Pisa em mim, sem se importar com os meus sentimentos. Pisa em mim como se tivesse o direto disso. – ela respirou fundo – Agora, eu quero mais é que você me esqueça, me odeie – ME AME! – esqueça que um dia fui sua amiga, esqueça tudo o que passamos juntos, e a partir de hoje comece a me odiar. Pois eu juro Potter, nunca pensei que ira sentir tanto prazer um humilhar um ser tão repugnante como irei sentir com você. – Naty e May arregalaram os olhos, ela havia realmente xingado o Muso de Hogwarts de repugnante?

- Mas cadê o jornal para publicar isso? – May murmurou baixinho começando a olhar entre a multidão à procura de um repórter.

Naty se mantinha calada olhando para o casal.

Gina passou a mão pelos cabelos e assim continuou:

- Eu tentei pelos últimos anos da minha vida, parar de ser uma criança e começar a ver tudo ao redor com outros olhos. Mas o meu problema Potter era que eu não conseguia, pois só enxergava você. – Harry ficou atônito, ela estava dizendo que gostava dele? Engoliu em seco – Você era o meu mundo, e quando eu virei sua melhor amiga, foi um sonho realizado para mim. Mas, foi o necessário para eu saber...- ela sorriu ainda mais e se aproximou dele, e o olhando nos olhos disse ente os dentes: - eu... não... sinto... nada... por... você.

Aquilo foi como um punhal nele, e em Gina mesma, para ter a coragem de dizer uma tal mentira.

Harry deu mais um passo para trás, abismado. Assim como May, Naty e os outros que estavam boquiabertos.

- Ela disse mesmo o que eu acabei de ouvir? – May perguntou a Naty que se mantinha séria, olhando com os olhos cerrados para Gina.

- Ela está mentindo. – Naty falou, finalmente.

- Como assim mentindo? – a índia indagou ainda mais surpresa – Por Merlin, Naty, a Gina falou que não sentia nada pelo Potter, o olhando nos olhos, e cá entre nós, que olhos verdes mais perfeitos...- a morena a interrompeu, a olhando nos olhos e repetindo as mesmas palavras:

- Ela-est-mentindo. – May se calou e voltou a sua atenção para Gina que voltou a dizer:

- E daí que o Trio Maravilha odeia o Draco? – ela fez questão de chamar o loiro pelo primeiro nome vendo Harry passar a mão pelo rosto, mostrando a sua tristeza – Vocês têm uma briga com ele. VOCÊS! E não eu. Então se eu o beijo, fico, namoro com ele é algo somente de meu respeito e de mais ninguém. – respirou fundo para tomar fôlego – Pensei que poderia contar com você Harry, em todos os momentos e sentidos, mas me enganei. Só descobri que você não passa de um ser fútil, ridículo e sem um pingo de respeito à vida alheia. – riu nervosamente – Sabe, teria sido bem melhor se você tivesse...- ela parou bruscamente, sabendo que já começava a apelar, mas Harry pareceu querer ouvir até o fim.

- Vai, Virginia, continue...

Oh, como aquilo iria doer para ele!, Ela pensou, respirando fundo. Mas sem conseguir controlar o próprio tom, gritou:

- QUE VOCÊ TIVESSE MORRIDO QUANDO VOLDEMORT – vários alunos tremeram bruscamente ao escutar o nome do Lord das Trevas - TENTOU TE MATAR QUANDO VOCÊ TINHA UM ANO DE IDADE. – Harry deu um pulo, pelo tamanho susto de ela ter gritado, o pegando desprevenido.

Então era isso. Gina queria que ele estivesse morto, pois bem ele também.

Seu coração não batia mais, e isso estava começando a sufocá-lo.

- E você acha que não é isso que eu penso todo o santo dia? – ele retrucou – Você acha que eu não desejo isso? Acha que eu preferiria que meus pais estivessem vivos ao meu lado, que eles estivessem felizes. QUE EU ESTIVESSE MORTO, PARA NÃO CARREGAR TODO ESSE MALDITO PESO SOBRE MINHAS COSTAS? – gritou, vendo Gina parecer não se abalar – Onde todos olham para mim como se eu não salvar a droga desse mundo, eu serei o culpado. Tratam-me como se a qualquer momento fossem me crucificar. Eu aqui nessa merda de vida, onde todos parecem que cada dia vêem com uma nova pedra na mão. Pois eu te respondo Virginia...- ele se aproximou – Eu querendo ou não, JÁ ESTOU MORTO.

Gina riu as gargalhadas, forçadamente, antes de voltar a fitá-lo.

- E você acha que eu não? – ela deixou essa pergunta no ar, antes de mudar de assunto – Eu não vou mais discutir com você, Potter. A partir de agora seguimos caminhos diferentes. Você vai para o se lado e eu vou para o meu. A partir de agora não somos mais amigos. – e dizendo isso, passou por ele, o olhando uma última vez, sabendo que nunca mais iria chegar tão perto assim dele. Harry também não desgrudava os olhos dela, e quando Gina passou pelo seu lado, espalhando o seu doce perfume, pareceu levar algo de si com ela. Sua felicidade?

Suspirou fundo, e virou o rosto, ciente que agora tudo estava terminado, sua amizade, sua dignidade... Seu coração.

Passou a mão pelos cabelos e olhou para todos.

- O que estão olhando? – falou em alto tom – O espetáculo acabou. – e fazendo todos lhe darem passagem caminhou entre os alunos em direção aos jardins, na tentativa de conseguir esfriar a cabeça.

Quando passou por Malfoy, onde ria gostosamente encostado a uma parede, disse com raiva:

- Espero que tenha gostado, Malfoy.

O loiro com certa dificuldade de parar de rir, respondeu:

- E muito. – clareando a garganta, ficou sério e se aproximou de Harry, para assim murmurou – e ai Potter, como é o gostinho da derrota?

Harry deu os ombros e sorriu.

- Ainda não sei direito, mas você já deve estar viciado nele. – e assim voltou a caminhar, deixando para trás um raivoso Malfoy.

- Isso seu trouxa. – May falou, se colocando ao lado dele.

Draco a olhou rapidamente antes de voltar sua atenção para a parede à frente.

Céus, por que ela tinha que vir o provocar naquele momento, onde um novo sentimento dentro dele era recente, assim como a imagem dos dois se beijando.

A fitou, e não pôde segurar o impulso de mover seus olhos para a boca dela. A mesma boca onde ele ansiava experimentar novamente.

Respirou fundo e balançou a cabeça.

Estava ficando louco.

- Cala boca e não me enche. – foi a única coisa que veio em sua mente, fazendo a índia rir levemente e olhar para ele, sentindo alguma coisa estranha, antes de algo chamar sua atenção no parapeito da janela.

O empurrando para o lado, May olhou para as folhas do jornal abertas. Com certa delicadeza as fechou, de modo que pudesse ver na primeira pagina a imagem Draco e Gina se beijando.

Engoliu em seco, sentindo sua garganta doer e seu peito se apertar.

Maldição, o que estava acontecendo com ela, afinal?

Não estava nem ai quem Draco beijava, e muito menos Gina. Mas, vendo os dois ali, a fazia sentir uma dor incompreensível.

Fechou os olhos e jogou o jornal pela janela.

Por alguma razão, algo a dizia que seu dia havia acabado.

Fechou a cara e andou até Naty, e sem nenhuma explicação a abraçou fortemente.

Naty sorriu levemente, tenho uma leve idéia o que a amiga estaria sentido.

May encostou a testa em seu ombro, enquanto ouvia os passos dos alunos irem se afastando e irem para as salas de aula.

Respirando fundo, se soltou de Naty e viu a amiga, sem dizer uma única palavra, andar até o quadro de avisos e começar a colocar algumas folhas sobre este.

- Vamos embora? – pediu, num tom quase de suplica.

A morena a olhou e sorriu.

- Okay, temos que encontrar a Gina, mas...- um brilho safado cobriu as íris azuis – Por que você não vai lá no jardim, da uma humilhada básica no Potter, enquanto eu termino de colocar aqui esses avisos sobre os treinos de Quadribol?

May sorriu.

Oh Merlin, seu dia ainda tinha uma salvação.

Dando um pulo e beijando a amiga na bochecha saiu correndo até os jardins, cantarolando.

Naty riu, e quando a amiga sumiu de seu campo de visão, sentiu mãos em sua boca, e um mau cheiro entrar em suas narinas.

- Agora você não vai fugir. – a voz de Paul penetrou sobre seus ouvidos a deixando enjoada e com medo, ao saber o que iria acontecer. Ele a arrastou até uma sala e assim, a trancou. Os deixando imunes ao mundo, e sem nenhuma chance de Naty pedir socorro.

Andou com pressa até a torre de Adivinhação, sabendo que sua aula iria começar exatamente daqui doze minutos.

Respirou fundo, e terminou de limpar as lágrimas em seu rosto.

Deu um leve sorriso quando viu um grupo de amigos seus passarem por si.

- Oi Gina! – eles disseram, antes de seguirem seu caminho.

Gina ajeitou melhor a alça da mochila sobre os ombros e abaixou a cabeça.

Aquele estava sendo realmente o pior dia que já teve. Passara mal, brigara com Harry, e todos da escola já sabiam que ela havia beijado Draco Malfoy... Rosnou.

O que faltava acontecer? Chover em cima de sua cabeça.

Como se os Deuses ouvissem sua pergunta, no momento que ela virou o corredor trombou com alguém, a fazendo erguer a cabeça.

- Me descu...- parou de falar, quando viu a imagem de Colin a sua frente, lhe sorrindo de modo quase feliz.

- Oi Gina. – ele a cumprimentou.

Gina o olhou para ele como se estivesse medindo um verme e assim vociferou:

- Saia da minha frente. – o empurrando fortemente voltou a andar, mas para seu azar Colin a seguiu, preocupado.

- O que foi, Gina? – ela riu e se voltou para ele. Num gesto rápido o segurou pelo colarinho da blusa e bateu as costas dele, fortemente, contra a parede.

- Obrigada por seu meu amigo e acabar com a minha vida, Creevy. – vendo que ele não havia entendido continuou: - Obrigada por ter colocado aquela maldita foto do Draco e eu, nos beijando, e acabando com a minha vida, e a minha amizade com o Harry.

Colin abaixou a cabeça, envergonhado.

- Desculpe, Gina, mas eu estava fazendo só o meu trabalho. – ela o soltou bruscamente.

- Então você o faz da pior maneira possível. – ele a olhou surpreso – Para ser bom no que quer, tem que fazê-lo sem prejudicar as pessoas, sem se intrometer na vida particular. E é o que você mais faz Colin, só mostra o tanto que é incompetente e antiprofissional. – e com aquelas palavras, deu as costas para o garoto, indo até sua maldita aula, sabendo que não estava nem um pouco a fim de tolerar mais nenhum idiota.

Suspirou. Aquele seria um longo dia.


Jogou fortemente a sua mochila contra o tronco grosso da arvore e assim se sentou encostado a esta, fitando o lago à frente e os raios de sol, que se tornavam cada vez mais fortes e quentes.

Suspirou e escondeu a cabeça entre as mãos, apoiadas sobre as pernas cruzadas.

Inferno, nunca pensou que pudesse ficar tão mal por causa de uma briga com Gina.

Aquela ruiva era muito mais que uma simples "amiga" para si, ela era... Única em sua vida.

Mordeu o lábio tentando segurar um grito de raiva. Por que doía tanto o seu coração, e seu peito se apertava daquela força como se alguém os tivesse prensando.

Lógico que ele tinha sã consciências que estava com ciúmes da amiga. Mas a questão era o por que... Poderia ser um ciúme bobo de proteção de irmão mais velho, mas ele sentia... Era muito mais que isso. Era algo que não conseguia explicar ou entender.

Jogou a cabeça para trás e respirou pesadamente.

Agora, podia perceber que se não fizesse as pazes com Gina, sua vida seria incompleta, pois aquela pimenta-malagueta o preenchia de uma força como se Voldemort, a guerra ficasse a quilômetros de distancia de si.

Gina trazia uma paz plena em sua alma e algo caloroso em seu coração, o fazendo necessitar daquilo para viver. Mas infelizmente, não o tinha mais, e sobrou somente a escuridão e a dor.

- Mas é ela que está errada. – falou aborrecido, passando a mão pelo rosto abatido.

Oh maldito orgulho que não o deixava ir até a amiga e lhe pedir desculpas.

Nunca havia brigado com ela, e nunca pensou que quando isso acontecesse poderia ser tão doloroso.

Gina jogara verdades em si que machucaram-no mais do que um safanão.

Como ele preferia ter levado um tapa na cara a ter ouvido aquelas palavras tão dolorosas.

"Eu não sinto mais nada por você!" Aquilo realmente o fez sentir algo estranho. Pareceu que seu coração fora arrancado de si e jogando num poço tão profundo quanto um precipício no fundo do mar. Doeu, machucou, feriu, fez sangrar.

Gemeu levemente.

- Seu idiota! – Ela esteve apaixonada por ele! Ela esteve tão perto de uma maneira que ele poderia a ter abraçado, a beijado, a amado. Mas fora cego o suficiente para não perceber que ela esteve um dia realmente apaixonada por si.

Um dia...

Uma palavra que fez mais um ferimento em seu coração.

Como gostaria de voltar no tempo. Só para concertar as coisas que não fez.

Poderia ter sido tão mais fácil... Diferente... Simples.

- Mas que diabos eu estou pensando? – Disse a si mesmo num modo revoltado. Ele estava sendo um romântico, falando aquelas coisas. Um dia ficar com Gina? Que loucura, ela era praticamente sua irmã, e a amava como tal.

Amor, uma palavra tão ridícula, onde somente os grandes idiotas a entendem.

Ele nunca iria amar alguma mulher, no máximo um grande carinho e admiração, e era isso que sentia por Gina. Nada mais que admiração.

- Então por que eu estou assim? – perguntou-se, fechando os olhos e respirando fundo o aroma doce das flores, onde fizeram seus sentidos se aguçarem, só de saber que aquele mesmo perfume doce era o de Gina. Sua Gina.

Por que ela teve que beijar o cretino do Malfoy? Tinha tanto outros caras na escola, por que bem aquela maldita cobra peçonhenta?

Por alguma razão, a raiva não diminuiu ao imaginar Gina beijando outro garoto a não ser... Ele!

Agarrou com força a grama ao seu lado, sentindo a terra fofa e úmida molhar seus dedos tensos e cerrados.

Maldição!

- Acorde! Gina é sua ex-amiga – fez questão de se lembrar, amargamente - e não sua namorada. – Namorada! O palavra bela para descrever aquela ruiva para si. Namorada! Sua...Somente sua. – Potter você é um idiota.

Uma risada fria e gélida atrás de si, cortou a linha de seus pensamentos o fazendo abrir os olhos e olhar para trás, podendo ver a pose firme e ao mesmo tempo delicada de May.

- Parabéns Potter – ela começou a bater palmas, ironicamente - Vejo que finalmente abriu os olhos e viu o que realmente é...– ela andou até si com passos rasteiros e quando parou ao seu lado, continuou: - um grande idiota.

Harry jogou longe a terra que tinha em mãos antes de se levantar e encarar a índia cara a cara.

- Olha até hoje eu me pergunto por que você me odeia tanto, já que eu nunca fiz nada para você. Mas seja o que for, eu não estou num dos meus melhores humores hoje, então faça um favor a si mesma e a mim, e não me encha. – May endureceu o rosto e cerrou os olhos negros levemente.

- Eu não te odeio, Potter, só acho que você é um grande idiota.

- Por quê?

Ela deu os ombros e se virou para o horizonte, vendo a linha fina alaranjada dos raios de Sol.

- Numa parte não foi algo que você fez, mas sim o que aconteceu. – suspirou – Em outra, é por que você não reconhece o que tem em mãos, é tão cego em ver somente o que esta em sua frente, que não enxerga o que esta em seu redor...- voltou a fitá-lo e sorriu levemente – Você já é grande o suficiente Potter, não acha que está na hora de ver que a sua felicidade pode estar bem ao seu lado?

Harry pegou sua mochila e a colocou em seu ombro antes de passar a mão pelos cabelos e abaixar a cabeça de uma forma pensativa.

- Já me disseram isso várias vezes e eu nunca entendi. – May riu.

- E desde quando você entende alguma coisa? – Pronto! Agora aquela Sonserina fria e seca voltou a atormentá-lo – Para falar a verdade, você é o ser mais egoísta que eu já tive a infelicidade de conhecer.

Harry ergueu a cabeça e a fitou com os olhos verdes ainda num tom escuro, mas agora o brilho não era de raiva ou ódio, mas sim de dor, onde fizeram May quase sentir pena dele. Quase.

- Egoísta? – ele repetiu as palavras dela entre os dentes – Egoísta é a Gina onde não tem idéia do que fez. Por Merlin, ela beijou o Malfoy e fez questão de espalhar isso para todos. Nem teve a considerarão de vir contar para mim que estava beijando ele.

May riu com desdém e cruzou os braços, tentando ignorar o peso em seu coração ao ter a imagem ainda do jornal de Gina e Draco se beijando pregada em sua mente.

- E o que você teria feito? Gritado com ela, a chamado de louca, de jezebel como fez na frente de todos? – se aproximou dele perigosamente – Pense bem antes de falar Potter, pois se não vai bater a cara no chão. Gina já tem quinze anos e já estava mais do que na hora de ela parar de lamber o chão por onde você passava e viver a vida dela. – Harry engoliu em seco – E quando ela finalmente começava a ser feliz, beijando um garoto que por questão é um idiota e que você detesta, além de dar apoio como ela te fez todos esses anos, você fez o quê? Pisou nela como se ela fosse uma dessas garotas que você está acostumado a beijar, pois não tem capacidade de pegar nada melhor.

Harry a fuzilou com os olhos antes de dar um passo para trás e começar a caminhar em direção ao castelo, deixando-a falando sozinha.

"Onde não tem capacidade de pegar nada melhor" Refletiu as palavras dela, numa forma raivosa.

Ele tinha o poder de beijar ela se quisesse, mas não gostaria de morrer envenenado.

Suspirando, voltou-se para a índia que se mantinha no mesmo lugar olhando para ele.

- Um dia eu poderei saber por que você me detesta tanto? – perguntou, a fazendo suspirar.

- Como eu já disse Potter, eu não te detesto, só não gosto de olhar para a sua cara.

Harry sorriu em deboche.

- Nossa como isso é animador.

May passou a mão pelos cabelos antes de responder.

- São somente três motivos. – com um gesto de cabeça, Harry pediu para que ela continuasse. – O primeiro é por que você é da Grifinória e eu Sonserina, casas completamente rivais. O segundo é por que você magoou – e ainda magoa, ela pensou – a minha melhor amiga. – Harry suspirou tristemente - E...- parou de falar bruscamente, refletindo se deveria continuar.

Harry se aproximou e franziu a sobrancelha.

- E...- com um suspiro fundo, May ergueu a cabeça e o braço direito, abaixando a manga do, sobretudo, revelando para ele uma pulseira grossa de couro marrom, onde no centro desta havia uma pedra negra.

- E o terceiro motivo é sobre isto aqui.

Harry cerrou os olhos levemente.

- Eu não entendo. – May sorriu e deu os ombros.

- Então pense. Mas quer uma opinião. – voltou a abaixar a manda do casaco – Pense primeiro na Gina e no que você fez a ela. – e dizendo aquilo, andou calmamente até o castelo, sabendo que deixava para trás um Harry Potter com um forte peso na consciência.


Respirou fundo antes de entrar na sala de aulas, nas masmorras, e varreu o olhar ao redor a procura da namorada, onde encontrou com a cabeça apoiada nos braços numa das última carteiras da fedorenta e fria sala. Os cabelos volumosos dela, onde alguns fios escapavam da delicada presilha que os prendia, deslizavam pelo rosto angelical, e se perdiam na cor da cadeira – marrom velho e queimado – parecendo fazer uma toalha crespa sobre esta.

Com passos rasteiros para não acordá-la, se aproximou cauteloso.

Os raios de sol dificilmente conseguiam passar pelas frestas da escura janela de madeira, fazendo a sala ficar tentadoramente escura.

Os alunos estavam no corredor, dando a ele a chance de ficar sozinho, contemplando o sono da namorada, por alguns minutos a mais.

Colocando a mochila com cuidado sobre a mesa, se sentou ao lado da garota que ainda dormia tranqüilamente, graças à respiração leve e pousada, os olhos cerrados fazendo uma linha preta sobre estes graças aos longos e delicados cílios, e a boca cor de cereja contorcida num leve sorriso que o contagiou.

Apoiando a cabeça na mão, assoprou levemente a mecha castanha que caia sobre o rosto dela, a fazendo fazer uma careta e coçar o nariz de uma forma que pareceu ser uma gata dengosa que o fez ter que segurar uma risada.

Aproximou seu rosto do dela e assim murmurou ao pé do ouvido dela, naquele mesmo tom de voz que ele sabia, ela não resistia:

- Mi...

A morena soltou um leve resmungo antes de ir abrindo, lentamente os olhos sonolentos.

Rony sorriu e acariciou-lhe a cabeça, a fazendo sorrir levemente, antes de se erguer na cadeira e assim, soltar um longo bocejo.

Ele estava pronto para provocá-la, como sempre, quando alguma coisa em cima da carteira da namorada, onde ela havia dormido em cima, chamou sua atenção.

Afastando delicadamente a mão de Mione que repousava sobre o jornal de Hogwarts, ele o pegou e arregalou os olhos quando viu na primeira pagina a foto de duas pessoas se beijando.

Pior!

Uma delas era Malfoy e a outra...

- GINA?! – se levantou bruscamente, fazendo a cadeira cair no chão, fazendo um forte estrondo cortar o ar silencioso – Onde está a minha irmã, Hermione? – ele perguntou, se virando para a namorada, que o olhava com os olhos arregalados e um sorriso tímido nos lábios.

Oh sim, ela iria presenciar mais uma vez a Explosão Weasley, e a que estava por vir, parecia que iria ser a pior de todas.

Continua...