Capitulo 13: Um novo Sentimento
Posso ser capaz de tirar você dos meus pensamentos, mas o difícil é esquecer que eu tenho você marcado em meu coração, para sempre!
As coisas poderiam ter sido mais fácil. Bem mais!
O vento assoprava forte do norte, enquanto as pétalas rosas e brancas das flores e as folhas secas das arvores flutuavam sobre o ar, sendo carregadas para o lado oposto da onde vinha aquela brisa fresca e cheirosa.
Olhou para o caderno em sua mão e logo para o violão ao seu lado.
A primeira coisa que fizera ao acordar aquela manhã, fora pensar em suas emoções vividas na noite passada nos braços de Harry; os beijos, as doces palavras trocadas e as juras que mesmo não querendo, sabia; não tinha tido sentindo algum.
Ela, Virginia Weasley, naquele momento, nunca pensou que quando beijasse o melhor amigo poderia vir a sentir-se tão infeliz.
Colocou a pena sobre as folhas amareladas e rascunhadas sobre o caderno e suspirou fundo, levando o ar diretamente a seus pulmões estranhamente doloridos.
Colocando a cabeça sobre o tronco grosso da arvore, que apoiava suas costas, fechou os olhos e tentou relaxar.
O lago a frente era iluminado pelos graciosos raios de sol, fracos no horizonte, fazendo sobre a extensão deste uma fina linha dourada alaranjada, enquanto na superfície do lago fazia parecer um espelho de ouro.
- Maldição- resmungou, abrindo os olhos e passando a mão pelos cabelos amarrados desajeitados numa trança, que caia sobre seu ombro direito.
Colocando o seu caderno negro a sua frente e pegando o violão, ajeitou-o em seu colo e colocando seus dedos brancos e finos posicionados sobre as cordas, fez a primeira nota musical, e sendo impulsionada por esta, começou a fazer as outras, instintivamente. Seguindo uma mesma linha musical; doce e tranqüila. Mas, agora Gina sabia, que naquela musica havia uma nota triste que mostrava o seu estado de espírito naquele momento.
Com um doce sorriso nos lábios, entoou a primeira nota da canção:
- Huuummm...- o som veio melancólico, mas o suficiente para fazer com que o pio de passarinhos a acompanhasse na canção. - Eu só quero...
- Eu to apaixonado. - Harry disse a suas costas, fazendo Gina ter um sobressalto e soltar um leve grito de susto.
Os dedos no violão escorregaram sobre as cordas, fazendo um som atrapalhado e oco.
- Harry...- Gina disse com cautela, respirando fundo e rezando para que o amigo não fosse capaz de ouvir as batidas fortes de seu coração - Eu sei que ela é linda, fofa, meiga, carinhosa e um pouco rabugenta, mas...- ergueu os olhos e fez com que suas íris encontrassem as verdes vivas, iluminadas pelo sol, de Harry, que sorria de modo débil e sentava-se ao seu lado - Sinto em lhe informar que a Edwiges é uma coruja e não uma garota.
Harry riu para valer, fazendo com que o som daquela gargalhada fizesse os pêlos da nuca de Gina arrepiarem-se.
Por que aquele maldito verme tinha que ser tão lindo?
O observou aproximar-se ainda mais de si, de modo que os ombros pudessem se roçar levemente, enviando pelo corpo da ruiva uma carga elétrica de choque.
- Muito boa Gina, mas desta vez você errou - Harry falou, piscando os olhos várias vezes, tentando segurar as lágrimas sobre estes, graças a alta risada. - Mas é serio, eu estou apaixonado.
Gina respirou fundo, tentando conter o ataque histérico que tentava invadi-la.
- Apaixonado- repetiu colocando o violão ao seu lado - Você- e sem ter como impedir começou a gargalhar.
Gargalhou tanto que Harry teve que chegar a colocar a mão em seu ombro, tentando impedi-la de cambalear para o lado.
- Harry... Me desculpe. - Gina se desculpou, ao ver o brilho meio apagado nas íris verdes - Mas, você vindo me contar uma coisa dessas é algo que chega a ser bizarro. Imagina só; Harry Potter o grande galinha de Hogwarts, a-pai-xo-na-do- olhou para o céu - Vai chover?
Harry suspirou fundo e olhou para baixo, comprimindo os lábios um no outro, de modo que dizia que ele também não acreditava muito nas próprias palavras.
Mas o que, por Merlin, ele poderia fazer? Nunca, em toda sua vida de galinha, havia se sentido daquela maneira em relação a uma menina.
Aquela Dama o fizera realmente perder a linha da sensatez e o levou direto para a beira de um abismo, onde o jogou de encontro ao próprio mar da loucura.
- Eu sei que chega a ser realmente bizarro, mas entenda Gina...- olhou para a ruiva que ainda secava o rosto com os dedos, limpando o caminho das lágrimas - É diferente desta vez. É um novo sentimento.
Gina suspirou e olhou para o amigo, sorrindo de modo debochado, perguntou:
- E quem é a vitima; Chang- Harry cerrou os olhos de modo feroz, enquanto nos lábios se formava um sorriso sarcástico.
- O demônio me parece uma opção mais tentadora. - resmungou, olhando para o lago a sua frente, o mesmo no qual ele e a Dama de Vermelho haviam dançado.
- Okay, okay, parei- Gina exclamou, erguendo as mãos, antes cruzar as pernas e bater sobre sua coxa.
Harry sorriu e deitou-se no colo da ruiva, que começou a mexer nos seus cabelos. Os dedos delicados percorrendo cada madeixa num gesto delicado, fazendo-o suspirar e fechar os olhos.
Gina estava completamente esgazeada por aquela imagem; Harry praticamente dormindo em seu colo, banhado pela luz do sol, e com os lábios entreabertos.
Ah, como queria se inclinar sobre ele e beijá-lo, e mostrar a ele que o gosto de sua boca era o mesmo da Dama. A Dama a qual ele havia aberto o seu coração e permitido que ela entrasse.
Sentiu seus olhos marejarem. Tanto tempo esperando, esperando e esperando... Para nada!
Encostou sua cabeça de encontro ao tronco da arvore e também fechou seus olhos, perdendo-se em suas lembranças.
As imagens penetraram em sua mente, fazendo seu peito se apertar.
Ela e Harry dançando. Os corpos colados, onde se encaixavam perfeitamente. Beijando-se. Nadando juntos. Quase fazendo amor.
A cena mudou...
Ela indo embora, deixando-o para trás. Dor, muita dor. Naty e May jogando-se contra si.
Abriu os olhos e fitou o horizonte alaranjado.
O vento assoprava e as folhas caídas no chão flutuavam sobre o ar e caiam sobre a superfície do lago.
Naty e May mostraram serem muito mais que simples amigas; elas a apoiaram, a ajudaram e, acima de tudo, a fizeram enxergar tudo de outros olhos.
"Se ele realmente vai tentar descobrir quem é a Dama de Vermelho, você terá que ajudá-lo" Naty falara.
"Aquela anta esta apaixonado pela melhor amiga e não sabe"
Gina riu com a lembrança do argumento de May, onde esta também havia contado a elas que já havia beijado Draco outras vezes.
"O que eu faço meninas?" Ela perguntara, de modo quase suplico.
Gina e Naty haviam se entreolhado e sorrindo de modo maroto responderam:
"Viva esse amor"
Sim e era exatamente o que ela mais queria naquele momento; Viver. Amar. Ser amada!
Abaixou a cabeça e observou Harry ainda adormecido em seu colo, e seus dedos lhe acariciando os cabelos sedosos.
Sorriu de modo carinhosos quando, num gesto atrevido, deslizou seus dedos para atrás da orelha dele, provocando-o.
Harry riu divertido, sentindo os dedos dela fazerem cócegas em sua pele.
Segurou-lhe o pulso num reflexo rápido.
- O que esta querendo fazer, ruiva- ele perguntou com a voz enrouquecida. Abriu somente um olho e fito-a com as penetrantes íris verdes. - Você não seria capaz de tirar vantagem de um pobre garoto puro e sonhador, não é?
Gina riu com gosto, fazendo com que alguns fios de seu cabelo cor de fogo ficassem colado sobre seus lábios.
Harry sentiu sua boca ficar seca, e por alguma razão a boca da amiga lhe pareceu mais tentadora do que antes.
Balançou a cabeça.
Estava ficando mais doido do que imaginara.
- Ora, você acha que eu seria capaz de tal ato desvantajoso- Gina o provocou, ainda rindo.
Harry olhou-a malicioso.
- Então, se você pode fazer isso, acho que eu também poderia tirar vantagem de uma garota tão ingênua como você. - ele disse, rouco, pegando sua mão que ainda segurava e levando-a a seus lábios; beijando, chupando e mordiscando a pontinha dos dedos.
Gina respirou fundo na tentativa de segurar um gemido. Não havia gostado de ser chamada de ingênua, e iria retrucar o argumento. Mas como, quando se tinha alguém tão lindo lhe provocando daquela forma tão... intima! Um prazer incontrolável que vinha de seus dedos, expandia-se pelo seu corpo, como uma chuva de caracóis.
Harry parou de lhe provocar e Gina pôde ver o brilho vitorioso que lhe iluminou o semblante.
Ele havia ganhado mais um ponto. Como sempre!
Gina puxou a mão bruscamente e soltou um muxoxo.
- Idiota- xingou-o, fazendo Harry se contorcer sobre seu colo, numa gostosa gargalhada.
- Vejo que ainda não perdi o meu jeito de te atormentar- Você já me atormenta, infeliz!, Gina teve vontade de dizer, mas deu-lhe somente um sorriso amarelo de desdém.
- Sabe... Eu vou querer a sua ajuda.
Gina se colocou em alerta. Ele não poderia fazer aquilo com ela!
- Harry, em respeito de Transfiguração eu sou pior que você, peça essa ajuda para a Mione. - ele fez uma careta.
- Não é esse tipo de ajuda. - Abrindo os dois olhos, Harry a fitou de modo suplicante, e Gina se perguntava; como poderia recusar alguma coisa a ele- Eu vou enlouquecer se não encontrar aquela garota, Gi.
E ela não iria sofrer ao saber que estava tão perto dele e ao mesmo tão longe?
Harry sofria e Gina tinha consciência disso, mas ela era mais prejudicada naquele maldito jogo. Ela que iria ter que conviver com aquele mesmo sorriso, com aquele mesmo olhar... E sem poder nem sequer chegar perto e fazer todas as loucuras que tinha em mente. Harry não sabia a verdadeira identidade daquela Dama, mas ela sabia!
- E o que você quer que eu faça, Potter? Coloque cartazes de "busca-se individuo não identificado" em cada parede de Hogwarts- disse irônica, tentando esconder o seu nervosismo. Sentia suas mãos geladas, seu coração descompassado e seu peito apertado.
Harry suspirou e passou a mão pelos cabelos.
- Não, claro que não! Mas eu tenho uma pista...- ele falou e pela primeira vez Gina sentiu-se curiosa e apreensiva. Pista?
Harry pôs a mão para dentro do colarinho da camisa e tirou desta uma delicada jóia de ouro branco.
Gina sentiu o seu mundo girar e instantaneamente levou a mão ao seu pescoço.
O colar!
Maldição, deveria ter caído de seu pescoço quando estavam abraçados, deitados sob o cobertor.
- Essa jóia é dela. - Harry exclamou, sorrindo esperançoso, circulando o pingente de lua ao arredor de seu pescoço.
Essa jóia é minha, Gina fez a sua voz gritar dentro de sua cabeça.
Respirou várias vezes tentando manter a calma. Precisa de um plano. Urgentemente!
Sorrindo nervosa, segurou o colar entre os dedos.
- É... Muito... Bonito. - disse com a voz entrecortada.
Como fora burra!
- Sim, e é com a ajuda desse colar que eu vou descobrir quem é a Dama. - Harry voltou a guardar a jóia para dentro de sua camisa, e Gina retraiu os dedos na tentativa de segurar o impulso de puxar a jóia do pescoço de Harry. Era seu!
- Como?
- Não sei. - ele deu os ombros e ajeitou-se sobre seu colo, numa posição mais confortável. - Ah! E outra - fitou-a de modo interrogativo e preocupado - onde você esteve no dia do baile?
Com você, idiota. Te beijando, nadando com você no lago..., Gina pensou dando um novo sorriso amarelo.
- No dormitório - mentiu - Estava com muito sono e uma dor de cabeça terrível. - fazendo uma cara de cachorro pidão, rezou para que o amigo acreditasse.
Harry fez um muxoxo piedoso e acariciou-lhe a bochecha rosada, e aproveitou para tirar dos lábios da amiga os fios de cobre que o estavam deixando louco.
- Tadinha. Por que não me chamou? Poderíamos ter brincado de médico. - exclamou malicioso.
- Oh, sim, com certeza. E provavelmente de ginecologista, onde eu iria adorar transform -lo em castro. - Gina rebateu ao nível, no mesmo tom malicioso.
Harry engasgou com a própria saliva e encarou-a intrigado.
- Você não seria capaz. - e como resposta, Gina riu de uma maneira maldosa, fazendo os pêlos de sua nuca ficarem arrepiados.
Soltou um resmungo baixo, antes de fechar os olhos e voltar a sonhar com a sua Dama de Vermelho.
Gina continuou a lhe acariciar os cabelos, contemplando-o como se ele fosse o ser mais belo da Terra.
Fechou seus olhos também e ficou ouvindo o som da natureza; os animais que grunhiam, o vento que zumbia ao pé de seu ouvido e as águas plácidas do lago, que ondulavam até a margem, chocando-se com as pequenas pedrinhas.
- Canta pra mim- Harry pediu de repente com o tom de voz doce.
Gina abriu os olhos e encarou-o. Sentiu seu rosto tomar uma leve tonalidade de vermelho ao perceber que todo aquele tempo ele estava a observando.
- Eu não estou com a minha voz muito boa hoje, Harry. - disse gentilmente, deslizando seus dedos até a bochecha dele, onde havia uma delicada covinha.
- A sua voz é linda, Gi. - ele elogiou com doçura - canta. - pediu fazendo beicinho, onde num gesto brincalhão Gina apertou o lábio dele, sentindo a suave testura quente contra sua pele.
Fazer o que, Pensou consigo mesma, respirando fundo.
- Ta bom- deu-se por vencida e como premio Harry presenteou-lhe com um lindíssimo sorriso, que chegou até aos olhos verdes. Ele acomodou a cabeça mais perto de seu colo e assim fechou os olhos, antes de aspirar fundo o seu perfume.
Gina deu umas leves tossidas, antes de encher o pulmão de ar e soltar a primeira nota da nova canção, a qual estava compondo:
- Huumm... Oh! Oh! - a melodia saiu suave, e Gina percebeu quando Harry respirou pesadamente, parecendo sentir todas as suas emoções que saia de sua voz. O som da natureza se acalmou, fazendo com que o único som ali, fosse a sua voz - Eu só quero estar no teu pensamento, dentro dos teus sonhos, e no teu olhar. - abriu os olhos e contemplou o amigo, enquanto continuava a cantar- Tenho que te amar, só no meu silêncio, num só pedacinho de mim. - Harry sorriu gentilmente e Gina adorou aquela cena - Eu daria tudo para tocar você - passou a mão pelo rosto dele sentindo a delicada pele do semblante, que acabara de ser barbeado, e abaixando-se murmurou ao pé do ouvido do amigo - Tudo para te amar uma vez.
Harry estremeceu e não pôde conter que sua respiração saísse em um ar pesado de sua boca.
Continuou com os olhos fechados, somente sentindo e apreciando o toque de Gina sobre seu corpo e a voz dela penetrando-lhe dentro da mente.
Aquela voz...
- Já me conformei, vivo de imaginação... Só não posso mais esconder...- Gina sincronizou sua respiração com a melodia de sua voz, aumentando ainda mais a nota, dando ênfase ao refrão- Que eu tenho inveja do sol que pode te aquecer - os raios de sol iluminavam o corpo de Harry, deitado na grama em seu colo - Eu tenho inveja do vento que te toca...- o vento brincava com os cabelos rebeldes, que tocavam na pele de sua barriga levemente amostra pela sua blusa branca - Tenho ciúme de quem pode amar você. - abaixou o tom de voz - Quem pode ter você para sempre. Oh! Oh! Hummm...
Harry abriu os olhos lentamente e quando seus olhos encontraram os dele, Gina não pôde deixar de sorrir de forma gentil e sentir seu coração disparar ao ver como suas bocas estavam tão próximas.
As íris claras a fitavam de um jeito que a deixava sem fôlego e bem no fundo dela, Gina pôde ver algo estranho... Algo que não sabia explicar, mas a fazia se sentir bem, confortável e de certa forma quente. Era uma sensação gostosa que parecia penetrar-lhe sobre a pele e englobá-la em uma harmonia divina.
- Satisfeito- perguntou, roçando seu nariz no de Harry, carinhosamente, fazendo o amigo sorriu e levar uma de suas mãos até sua nuca, aproximando os rostos ainda mais e fazendo as testas se colarem.
- Não - ele respondeu pontualmente - eu não sei o que esta havendo comigo, Gi - Harry continuou, percorrendo seus dedos pelas madeixas ruivas - É como estar completo em algum momento... Como este! Sentindo que não falta mais nada em sua vida.
Gina engoliu em seco. Se aquilo era algum tipo de declaração onde o objetivo era fazê-la sentir o sangue lhe subir até o rosto, Harry estava de parabéns por estar executando tão perfeitamente bem.
Quebrou o contato visual e fez com que seus olhos ficassem perdidos em algum ponto do jardim, até que uma borboleta amarela chamou sua atenção e seguiu com os olhos ela voar sobre o ar, batendo as asas graciosamente e logo ir em direção ao horizonte alaranjado.
- Gi...- Harry chamou-a com a voz baixa, ainda acariciando sua nuca, fazendo arrepios percorrerem o corpo dela.
Gina voltou sua atenção para ele e com a sobrancelha erguida pediu para que ele continuasse:
- Você... Já se apaixonou?
A palavra apaixonada não chega nem perto pelo que sinto por você, Gina pensou, cerrando os olhos numa forma pensativa.
Oh, sim! Ela sabia muito bem como era aquele sentimento tão puro; Era como estivesse flutuando, tamanha a liberdade que sentia. Sua mente, seu coração e sua alma pareciam flutuar em uma única direção; Harry.
Respirou fundo e ergueu o tronco, ajeitando-se melhor, encostando as costas no tronco da arvore atrás de si. E sem fitar Harry - que ainda a observava - respondeu calmamente, tentando não atropelar as palavras graças ao seu nervosismo:
- Já! Mas eu ainda estou apaixonada por essa pessoa. - Gina sentiu o corpo de Harry enrijecer e estranhou a atitude dele - Mas... Acho que a palavra correta seria mais; amar. - olhou-o de forma divertida - como pode ver, o meu amor por essa pessoa é mais forte do que qualquer coisa.
Gina viu o brilho aquecedor nos olhos de Harry se apagar, fazendo estes ficarem opacos.
- E...- Harry gaguejou nervoso - ele corresponde?
Gina sentiu seu coração se apertar. Ah, se ele soubesse...
Balançou a cabeça de um lado para o outro, com os olhos fechados, tentando impedir que Harry visse a sua mágoa.
Ergueu o rosto e olhou para os pássaros que voavam entre as nuvens brancas e fofas no céu, fazendo de tudo para que seu olhar não encontrasse o de Harry.
- Não, ele não corresponde ao meu amor. - sentiu algo lhe sufocar na garganta e sua boca ficar seca - Mas...- sorriu de modo melancólico - Somente de saber que ele é feliz, mesmo que não seja ao meu lado, eu fico feliz por ele. O amor é assim Harry, ele chega quando menos esperamos. Ele não é possessivo ou nos faz sofrer por não sermos correspondidos. O que podemos fazer se entregamos o nosso coração a uma pessoa que não o aceita? É conviver com a dor, erguer a cabeça e seguir em frente e ver a pessoa que você mais ama nesse mundo, feliz! Pois a alegria dela será a sua, independentemente com quem ela esteja. - Gina olhou-o e espantou-se ao ver que Harry a observava numa forma profunda, como se fosse possível ler a sua alma. Ele prestava atenção em cada palavra que dizia, e Gina sentiu um enorme prazer naquele gesto tão atencioso - O amor é assim Harry. Mesmo que o meu destino não seja ficar ao lado desse garoto que tanto amo, vou continuar com esse sentimento dentro de mim até o ultimo dia de minha vida, e com a esperança que talvez, um dia, ele venha a me notar.
Harry sorriu e deslizou os dedos pelo pescoço da amiga, até chegar-lhe na altura da bochecha e assim acariciá-la.
- Mas como alguém pode ser tão burro ao não notar você, Gi- Gina sentiu uma vontade de rir e chorar. Como a vida era irônica- Você é o sonho para qualquer garoto.
- Para o seu também- Gina xingou a si mesma mentalmente ao ver que não conseguira controlar as próprias palavras.
Burra! Idiota! Besta! Agora ele vai falar um belo não e você vai dar uma de criança e chorar. Droga!
Harry parou de lhe acariciar o rosto e ficou pensativo, fitando-a de modo ainda penetrante, que fazia os pêlos da ruiva se arrepiarem.
O vento assoprou e fez com que algumas mechas rubras de seu cabelo viajassem pelo seu rosto, deslizando sobre este como um véu.
Harry seguiu o movimento dos fios encantado pela suavidade e da forma que davam a Gina um ar ainda mais belo e angelical. Como não havia reparado antes que ela estava incrivelmente adorável naquele dia?
Respirou fundo e se pôs sobre os cotovelos, aproximando seu rosto do dela.
- Sim- falou, e ficou surpreso com si mesmo ao ver que seu tom fora tão firme - Você é um sonho para mim também.
Gina sentiu o ar lhe faltar nos pulmões. Ele havia mesmo dito aquilo?
Você é um sonho para mim!, A frase ecoou novamente no seu subconsciente, fazendo com que uma alegria enorme explodisse em seu peito.
Era a melhor sensação que sentia em meses. Harry havia acabado de lhe revelar que poderia acontecer algo entre eles, que poderia haver algo a mais do que uma simples amizade.
Sem poder controlar o próprio impulso de se aconchegar naquele corpo quente e sensual, Gina jogou-se nos braços do amigo, fazendo assim que eles saíssem rolando pela grama, rindo divertidos e sujando-se com a grama e as folhas secas que grudavam em seus cabelos e nas vestes.
- Gina, sua louca- Harry exclamou alto, gargalhando, abraçando o miúdo corpo da ruiva contra si, enquanto ainda rolavam pelo jardim.
Quando seus corpos pararam, Harry encontrou-se em cima de Gina, que tinha as bochechas rosadas e os lábios entreabertos, onde deles saia um forte som da respiração alterada dela, assim como a sua própria.
Os cabelos dela haviam se soltado da trança, espalhando-se envolta de sua cabeça, onde algumas folhas haviam ficado enroscadas.
Ah, como gostaria de ser aquelas folhas; sentir a testura dos cabelos sedosos dela sobre o seu peito, os lábios em sua boca e o corpo junto ao seu, fazendo com que o calor deles se transformassem em um único só.
Os olhos azulados dela brilhavam, e vendo bem de perto aquela íris feiticeira, onde o fazia ter um enorme desejo de se afogar nelas, Harry percebeu que continham várias riscas douradas, graça aos raios de sol que os banhava.
Gina espalmou as mãos sobre seu peito, de modo que ele sabia; ela podia sentir os batimentos rápidos de seu coração.
Ela viajou os olhos pelo seu rosto, e Harry sorriu ao ver que ela mordeu o lábio inferior para segurar uma alta risada enquanto tirava de seus cabelos a grama presa nestes.
- Eu sei que sou louca, mas diga-me. O que seria da vida sem nenhuma pitada de loucura?
Harry riu e abraçou-a com carinho, aproximando ainda mais os corpos e sua boca da dela.
- E o que seria de mim sem você?
- Nada- ela respondeu dando os ombros e colocando as mãos sobre o ombro do amigo. - Agora, saia de cima de mim; você é muito pesado, já pensou em perder alguns quilinhos- disse fitando-o com as sobrancelhas franzidas.
Harry balançou a cabeça, rindo, e saiu de cima dela, deitando-se ao seu lado e fitando o céu sobre suas cabeças.
- Eu estou perfeitamente em forma - E como esta, Gina pensou - Alem do mais, eu querendo ou não, vou perder uns quilos mesmo, já que daqui alguns dias irá começar os treinamentos de Quadribol.
Gina soltou um muxoxo e girou as orbes, entediada.
- Você ta brincando, né- Harry riu, sabia que aquela ruiva odiava os treinamentos.
- Não, e só porque a senhorita é a minha melhor amiga que vai faltar nos treinos. - avisou desde já, fazendo Gina soltar um muxoxo ainda mais alto.
- Harry, eu te adoro de mais e você sabe disso, mas...- virou o rosto e fitou-o. - Eu te detesto como capitão.
- Não posso fazer nada, meu anjo, se você não gosta de treinar acho melhor ir para o banco como reserva. - Harry disse sem encará-la, olhando para o céu, mas tinha a amiga focalizada em seu campo de visão das laterais de seus olhos. E sorriu vitorioso ao vê-la arregalar os olhos, incrédula. Se tinha algo que ele sabia perfeitamente em relação a Gina era que ela tinha pleno terror do banco, até mesmo quando se machucava recusava-se a sentar e agüentando a dor continuava jogando, ignorando seu olhar zangado.
- Eu te mato- Gina quase gritou, fazendo-o rir - Harry James Potter, atreva-se a me por no banco que eu vou...- Harry virou o rosto e fitou-a com o queixo erguido desafiador.
Gina perdeu as palavras na garganta e fuzilou-o com os olhos.
Harry ergue-se e beijando-lhe a face, murmurou ao pé de seu ouvido.
- Sabia que você fica incrivelmente sexy assim; com o rosto todo vermelho, ameaçadora e me chamando pelo meu nome inteiro, que sai perfeito pronunciado por você, fazendo-me ter vontade que ninguém mais me chame por ele. - olhou-a maroto - sábado, às quatro horas no campo - levantou-se e começou a caminhar em direção ao castelo, sentindo que Gina ia gritar alguma coisa, falou rápido abafando o protesto dela - e não se atreva a se atrasar, se não você vai pro banco.
Gina não saberia responder por quanto tempo ficou ali; no meio do jardim, fritando os miolos em pleno sol das onze da matina, com os dedos enterrados na grama em pura fúria, fuzilando as costas de Harry, que aos poucos ia tornando-se cada vez menor em seu campo de visão.
- Miserável - xingou-o crispando os lábios - mas ele vai ver quem é que vai para o banco. - bufou.
Aquilo estava começando a se tornar tedioso.
Ela tinha plena consciência que todos os alunos de Hogwarts já haviam reparado que tinha alguma coisa errada, algo ainda mais fora do normal entre os dois, sendo que desde que colocaram os pés ao mesmo tempo no Salão Comunal da Sonserina, começaram a discutir, e cada vez mais por motivos ridículos.
Ora porque ela estava girando os olhos vezes de mais, ora porque ele não parava de passar a mão pelo cabelo. Eles chegaram a discutir até mesmo criticando como o outro comia.
Bufou e virou a folha, passando os olhos pelo livro de feitiços a sua frente. Lia as palavras, mas seu cérebro não conseguia captar a informação.
Teve vontade de rir da própria ironia; estava se sentindo como a Granger, que sempre estava estudando. Mas ela, a grande May Sutramy, nunca em toda sua vida havia estudado para qualquer prova que fosse, e suas notas sempre ultrapassavam as expectativas.
Virou a página novamente e desta vez pôde ver um desenho; um bruxo que duelava com um animal grotesco no meio de uma selva.
- To quase resistindo à tentação de ler O Pasquim. - May disse a si mesma, fechando o livro com força e jogando a cabeça para trás, fitando as rachaduras antigas do teto da biblioteca.
Primeiro; tudo começou com o maldito plano de sua irmã, de juntar ela e Draco. E pior, uma garotinha que nem havia alcançado a puberdade conseguira completar o seu plano com perfeição.
- Esse é uma Sutramy de verdade. - murmurou com a voz num tom de orgulho, para logo balançar a cabeça - Pirralha maldita. - resmungou entre os dentes.
Segundo; ela não conseguia tirar Draco de sua cabeça, e todas às vezes que haviam se encontrado, cruzando o mesmo corredor, fora impossível não sentir seu coração bater mais rápido e suas pernas bambeavam.
E quando ele sorria sarcástico para ela. Ah! Aquele sorriso sobre os lábios firmes, que a faziam se sentir como um mel derretido. O seu gosto, o seu calor... Tudo em Draco a enfeitiçava, e ela não sabia como fugir daquela armadilha que caíra tão estupidamente.
Estava entre uma adaga de dois gumes, ou se permitia viver aquela louca atração, ou... Não tinha "ou", aquela era a única opção, e ela se recusava a aceitá-la.
- Talamay Su estudando? O que esta havendo? Perdeu mais neurônios- aquela voz. O som percorreu o ar silencioso da biblioteca e penetrou sobre os ouvidos de May, que sentiu seu corpo estremecer.
Olhou para frente e pôde ver, ele, Draco Malfoy, sentado na mesa, fitando-a com as incríveis íris claras. E May contestou a contra gosto que aquele par de olhos eram os mais belos olhos azuis que já vira em toda sua vida.
- Se eu fiquei com menos neurônios a culpa é sua Malfoy. - retrucou seca, começando a recolher as suas coisas o mais rápido possível. Tinha, precisava, sair dali o mais rápido possível.
Com um gesto incrivelmente delicado, Draco segurou-lhe o braço, impedindo-a de colocar o seu caderno dentro de sua mochila.
A mão dele estava quente, e acariciava a sua pele, marcando-a com o toque tão carinhoso e terno.
- Saiba que você tem mais veneno na língua que eu, Talamay. - Draco murmurou ao pé do ouvido da índia que sentiu sua respiração ficar lenta e pesada.
Seu nome havia saído num tom de voz tão doce e melódico, que ela desejou que ele continuasse-se a chamá-la daquela maneira.
Virando o rosto, engoliu em seco ao ver que os rostos estavam tão próximos, e ela temeu cair em direção aquele precipício de águas marinhas que a fitavam tão intensamente.
- Me larga, Malfoy. - disse entre os dentes, cerrando os olhos perigosamente.
Draco riu e graças ao balançar de cabeça, as mechas platinadas fizeram uma onda na lateral de seu rosto pálido, tampando-lhe um lado do semblante.
Meu Lord Santeiro, May clamou, vendo o quanto ele estava sexy daquela maneira. A blusa branca estava com três botões desabotoados, dando uma bela visão do peitoral firme e liso.
- Tem certeza que quer que eu te largue- Draco perguntou num murmúrio maroto - Tenho idéias fantásticas que poderemos fazer... Assim... Bem juntos. - puxou-a para si num gesto firme, e deslizando os longos dedos pelo braço dela, abraçou-a pela cintura, impossibilitando-a de fugir.
May sufocou um gemido, quando a boca dele tocou levemente na curva de seu pescoço.
- E eu tenho uma idéia incrível do que poderei fazer com você, Malfoyzinho, se não me soltar agora mesmo. - avisou, fechando os olhos e sentindo o aroma cítrico do perfume dele se misturar com o cheiro do shampoo dos cabelos úmidos, mostrando que ele havia acabado de sair do banho.
- Ah, é- May respirou fundo e abriu os olhos, e erguendo um dos joelhos o posicionou bem no centro da masculinidade de Draco, que arregalou os olhos.
- Sim, mas infelizmente essa minha idéia somente um de nós ira sair perdendo - insinuado para o ninho entre as pernas dele, continuou num tom doce - e perdendo feio.
Draco a soltou de uma forma tão rápida, que pareceu que tinha acabado de ganhar um fortíssimo choque.
- Você é insuportável- ele exclamou entre os dentes, numa forma raivosa, saindo de cima da mesa num pulo felino e apontando o dedo indicador na cara de May, que olhava para cima.
Não que ela fosse baixa, seus um metro e setenta e cinco era muito bem distribuídos, mas os um e oitenta e três de Draco a deixava na retaguarda.
May riu sem humor e, colocando a mochila nas costas, deu uma piscadela.
- Que bom que eu acho o mesmo de você, Malfoy. Agora saia da minha frente, eu tenho coisas a fazer. - mentiu. Mas diria qualquer coisa para sair de perto daquela gazela oxigenada.
- Coisas a fazer? - Draco perguntou, erguendo uma sobrancelha e jogando a franja loira para trás num gesto de cabeça. Um gesto tão simples que aos olhos de May o deixou ainda mais sexy. - Como o quê? Rebolar pelo castelo e ficar xingando qualquer um que ver a sua frente? Tcs! Tcs! Tcs! Definitivamente, Su, você esta perdendo a conduta de bons modos.
May cerrou os olhos ainda mais e na pontinha dos pés, murmurou perigosamente, roçando seus lábios nos de Draco.
- E você, Malfoy, esta perdendo a sua conduta de homem. - e dando-lhe um sorriso vitorioso, deu a volta nos calcanhares e saiu da biblioteca.
Draco seguiu o caminhar de May, até a porta da biblioteca e vê-la antes de sair mandar-lhe um beijo no ar.
Quando ela sumiu de seu campo de visão, não conseguiu controlar a sua própria ira de raiva e assim deu um forte soco sobre a mesa, chamando a atenção de alguns alunos que se encontravam na biblioteca, lendo.
- Vão tomar conta de suas vidas, bando de urubus- gritou furioso, fuzilando cada aluno que o olhava curioso.
Draco trincou os dentes e caminhou, com passos firmes e furiosos, até a porta da biblioteca.
Maldita May! Maldita por tê-lo feito descobrir o verdadeiro significado do amor.
Bufando passou a mão pelos cabelos, antes de começar a descer a bela escadaria do andar, até o saguão de entrada, aonde iria levá-lo em direção as masmorras.
"O amor são para os idiotas!" Lembrou-se de uma frase que havia dito para ela.
- Que maravilha, agora eu sou um idiota. Ótimo- disse sarcástico.
Como a vida era cruel, injusta... Irônica!
Ele, Draco Malfoy, apaixonado pela garota que não suportava.
Fechou os olhos por em breve momento e reviu todos os momentos que ele e May haviam se beijado.
Foram momentos mágicos e únicos. Aquela garota fizera seu coração disparar de uma forma tão intensa que chegou até mesmo a doer seu peito.
Nem mesmo Gina havia conseguido levá-lo até aquelas alturas como May.
Virou no corredor e suspirou aliviado quando a atmosfera gelada e sombria do lado da casa Sonserina penetrou em seus poros.
Era uma sensação boa, como se estivesse em seu verdadeiro lar.
Olhou em volta.
- O que você esta fazendo, imbecil- disse a si mesmo - o que você esta procurando? Aquela maldita índia- riu sem humor. Uma risada fria e seca, que percorreu o corredor escuro das masmorras.
Balançou a cabeça. Estava apaixonado. Ele havia permitido que a barreira de gelo em seu coração derretesse e nele penetrasse o sorriso, o gosto e o brilho de May.
Tinha que encontrá-la, e pela primeira vez na vida fez algo que nunca pensou que seria capaz de fazer, por julgar um ato patético. Rezou!
Rezou para que a barreira de gelo no coração de May também houvesse derretido e nele, estivesse o seu rosto.
- Vamos lá, Malfoy. Engula o seu orgulho e vá atrás daquela pentelha. Mulheres não mordem...- girou os olhos - Espero que May não seja uma exceção. - clamou, cerrando os punhos e erguendo o queixo. A partir daquele dia, as coisas iriam mudar entre um Malfoy e um Sutramy.
Acelerando ainda mais a velocidade das próprias pernas, começou a procurar em todos os cantos; salas, corredores, até mesmo embaixo das escadas.
Não saberia dizer quanto tempo ficou procurando por aquela índia, e quando estava preste a ser dar por vencido, escutou um forte barulho vindo de perto da porta do Salão Comunal da Sonserina.
Com o cenho franzido, Draco correu até lá e se espreitou atrás de uma estátua de pedra, enquanto esticava os olhos em direção da onde havia vindo o barulho.
Teve uma vontade enorme de cantar o hino aleluia quando viu logo à frente May e Pansy discutindo.
Pansy ria e com as mãos na cintura, jogava a cabeça para trás, enquanto May se encontrava abaixada recolhendo os vários livros caídos no chão.
Draco franziu o cenho, estranhando que a índia não havia retrucado nenhum comentário maldoso que Pansy fazia ao seu respeito. Cerrou os punhos e teve que segurar o impulso de jogar uma azaração naquela maldita garota com cara de cão-chupando-manga.
Quando estava preste a ir em direção a elas, pede ver May se erguer e segurar com força os livros de encontro ao peito, como se estes fossem a tábua da sua paciência.
- O que foi Su, ficou nervosinha é- Pansy exclamou provocativa, erguendo o queixo de modo superior - Já sei, você levou um fora de algum garoto?
May sorriu cinicamente e cerrou os olhos, onde faiscavam de puro ódio.
- Pansy, querida, há uma grande diferença entre eu e você...- ela começou, colocando os livros sobre um braço, enquanto com o outro enumerava as diferenças das duas com os dedos - Primeiro; eu não fico nervosa com alguém que não chega aos meus pés. Segundo; as suas provocações me causam uma espécie de cócegas. E terceiro; - os olhos negros tornaram-se ainda mais frios, enquanto o sorriso se transformava em pura maldade - seria impossível eu receber fora de algum garoto, sendo que todos me consideram a garota mais bonita de Hogwarts, e outra, eu não sou como você que se joga nos braços de qualquer um, eu me dou ao respeito Parkinson, e espero que o garoto chegue em mim. Entendeu?
A Sonserina engoliu uma palavra forte e lançando um olhar fulminante a índia e assim, batendo os pés, foi embora.
Quando ela desapareceu, May começou a rir divertida, e Draco pôde perceber que o sorriso dela não chegava aos olhos.
A índia estava preste a entrar no Salão Comunal, quando ele saiu de trás da estátua e assim a chamou com o tom de voz mais gentil do que estava esperando:
- May- a garota parou no meio de um passo e ficou inerte por algum tempo, como se estivesse tentando controlar mais uma vez a sua paciência e não mandá-lo de uma vez por todas as favas.
May colocou a perna que estava a sua frente novamente ao lado da outra, antes de girar o corpo e fitar Draco.
Os olhos dela tornaram-se rasos e frios, e Draco pôde ver que ela estava triste. Sentiu seu peito se apertar quando começou a temer que aquela mágoa nas íris negras fosse por sua causa.
Deu um passo a frente, cauteloso. May não mexeu um único músculo, continuava a observá-lo sem nenhuma expressão no rosto, somente apertando cada vez mais os livros, fazendo os dedos tornarem-se levemente esbranquiçados.
- Nós... Quero dizer, eu...- Maldição! Por que estava tão nervoso? Ela era uma garota e não o seu pior pesadelo, como; ver um dia Potter de cueca!
- Malfoy...- ela falou, sua voz mais séria e seca do que o normal - O que quer? Veio me mostrar que finalmente se transformou num homem?
Draco passou a mão pelos cabelos, num gesto nervoso. Era bom demais acreditar que May iria tratá-lo com tanta sutileza depois da última discussão deles.
Deu mais um passo a frente e sem quebrar o contato visual, respirou fundo. Aquela era a hora.
- May, eu sei que todos esses anos a gente nunca conseguiu ter uma conversa civilizada por pelo menos cinco minutos, sem se xingar, mas nesse momento eu espero quebrar esse recorde. - May franziu o cenho. Mas o que, por demônios, aquele pavão dourado estava tentando lhe dizer- Eu já estou cansado de ter você perturbando os meus sonhos. Já estou cansado de ver você rindo de modo alegre para outras pessoas e não me direcionar, somente para mim, esse seu sorriso. Já estou cansado de ver você abraçada a outros garotos e eu aqui somente imaginando como seria se no lugar deles estivesse eu. - Draco deu mais alguns passos á frente e assim sorriu. Um sorriso verdadeiro, onde deixou amostra os dentes brancos e alinhados. May engoliu em seco e sentiu seu coração disparar. Oh, Deus, ele não estava... - May, eu estou querendo te dizer que eu não consigo mais dormir em paz, não consigo mais tirar você de meus pensamentos, não consigo mais ter a minha sensatez de volta desde que eu te beijei pela primeira vez. E naquele baile, algo despertou em isso aqui, agora, pode estar sendo muito confuso para nos dois... Mas... Eu não agüento mais.
May olhou para os olhos de Draco e viu ali uma sinceridade incrível junto com um brilho tão intenso, que fez suas pernas bambearem.
Ele finalmente parecera tomar coragem e revelar para si o que sentia por ela.
Oh, Merlin! Se ele soubesse que tudo aquilo que ele havia falado ela sentia o mesmo...
Jogou os seus livros para o lado e sorriu deliciada com aquele momento tão pleno que estava sentido.
- Eu também não agüento mais, Draco. - murmurou, sentindo os olhos marejarem.
Draco sorriu ainda mais, e então abriu os braços para recebê-la neles.
May correu na direção do loiro e quando se viu já estava aconchegada naquele peito quente, beijando-o com toda a paixão acumulada dentro de si.
Sorriu em meio ao beijo. Foi como se uma onda se arrebatasse dentro de si, fazendo-a delirar quando a língua dele tocou na sua numa forma carinhosa e cheia de desejo.
Gemeu, quando as mãos dele deslizaram pelas suas costas e segurando-lhe a cintura.
Num gesto rápido, Draco parou de beijá-la e tirou-a do chão, rodopiando-a no ar.
- DRACO MALFOY! SUA GRANDE BESTA- May exclamou, espalmando suas mãos no ombro do loiro, que gargalhava, assim como ela.
- Mas tava demorando para me xingar. - ele falou divertido, pondo-a novamente com os pés no chão; ambos vermelhos e com sorrisos bobos nos lábios.
- Nem tudo são flores, Draquito. - May o provocou, abraçando-o pelo pescoço e roçando sua boca na dele.
Draco fez uma careta antes de abraçá-la com carinho e apoiar o seu queixo na curva alva do pescoço dela.
- Acho que teremos que pôr umas regras entre nos dois. - comentou, fazendo May afastar o rosto e fitá-lo com as sobrancelhas franzidas.
- Regras? Ta achando que eu vou ser sua escrava agora- gritou, dando-lhe um tapa no peito. Draco gargalhou e deu-lhe um leve selinho nos lábios, antes de comentar:
- Você não entendeu, sua pentelha- fora a vez dela de fazer uma careta - Regras para que continuemos a nos entender. - com o dedo apontou para ela e logo para si - primeiro; não quero você me chamando de Draquito.
May soltou um muxoxo.
- Mas... Draquito...
- Olha que eu te chamo de Talamay- May arregalou os olhos. Ainda estava pesquisando o motivo para seus pais terem lhe dado aquele nominho.
Bufou.
- Ta bom, sem mais Draquitos- fez bico - Mas também não quero você me chamando de pentelha, entendeu- apontou o dedo para o nariz dele.
- Fechado. - Draco concordou divertido, voltando a beijá-la com ardor.
- Hum...- May exclamou depois de um tempo, quando os dois já estavam encostados numa parede, sem fôlego - eu... Não... Quero ver você se engraçando para nenhuma garota, e muito menos ver elas saindo de seu dormitório. - o fuzilou com os olhos.
Draco assentiu com um gesto de cabeça.
- Okay- respondeu, enfiando a mão dentro do bolso de sua calça - então, a chave extra do meu quarto fica com você - colocou pendurada em seu dedo uma chave dourada bem em frente aos olhos da índia.
May sorriu marota e pegou o pequeno metal dourado num reflexo incrível.
- Agora sim. - murmurou, colocando a chave dentro do bolso de seu casaco - mas não vai pensando que eu vou...- Draco se aproximou e beijou-lhe levemente os lábios, provocando-a. May estremeceu, enquanto com a voz entrecortada, falou, sentindo a língua do loiro percorrer o seu pescoço - invadir o teu... Quarto... No meio... Da... Noite. - os olhos azuis do Sonserino brilharam, enquanto ele lhe deu um sorriso malicioso.
- Isso nem passou pela minha cabeça. - e assim, abraçando-a com força, beijou-a.
As semanas que se seguiram passaram como uma verdadeira brisa de verão, e quando os alunos de Hogwarts deram por si, já estavam na última semana do mês de Setembro.
As aulas estavam a todo vapor, assim como os treinos de Quadribol da casa dos Leões, já que o primeiro jogo da temporada seria Grifinória versos a Corvinal.
Naty e Fred estavam perfeitos com o namoro. E algumas vezes chegavam a serem tão melosos, que Gina se via na obrigação de revirar os olhos e sair de perto.
Será que eles não se tocavam que ela - uma garota encalhada e apaixonada pelo melhor amigo - a última coisa que queria era ver um casal de enamorados se amassando. Pior! O seu irmão com a sua melhor amiga.
Já Draco e May pareciam estar nas nuvens também, mesmo que as discussões deles fossem mais engraçadas do que o normal.
Certa vez, a índia fora bajulada por um garoto da Lufa-Lufa e Draco vira.
Bem... Até hoje ninguém sabe a onde esta o garoto.
Harry estava mais desnorteado que o normal - se isso for possível. Encontrava-se tão atordoado a ponto de querer saber quem era a sua Dama de Vermelho, que já havia recusado todas as cantadas das garotas de Hogwarts.
Gina ficara impressionada com a atitude do amigo.
- Duvido que ele resista a mim. - May falara um dia, quando estavam na Sala secreta delas.
Naty e Gina riram.
- Querida, o Harry deu um fora na Hillary Denílson, uma das garotas mais cobiçadas da escola, depois de você. E ela não é comprometida- Naty disse, brincando com a sua aliança no dedo anelar, vendo May lhe mostrar a língua ao meio de uma careta.
Gina suspirou e deu os ombros.
- Eu to com medo que ele fique louco. - as duas amigas olharam-na de forma confusa, fazendo-a se acomodar melhor sobre o acento fofo do sofá - Meninas, o Harry quer que eu o ajude a descobrir quem é a Dama de Vermelho.
Naty engasgou com a própria saliva, enquanto May parou no meio do caminho de levar a sua taça de vinho tinto.
- Olha, eu sempre soube que o Harry era um tapado, mas... Ele já ta partindo para a ignorância. - Naty disse ainda atordoada.
Gina encolheu os ombros ainda mais, enquanto May ainda se encontrava com a taça no meio do ar, fitando-a de modo neutro.
Por fim, a índia umedeceu os lábios, colocou a sua bebida sobre a mesinha do centro e se levantou.
Naty e Gina a olharam de modo suspeito, antes de perguntarem juntas:
- Aonde você vai- May voltou-se para elas, com a mão já na maçaneta da porta, com um sorriso irônico.
- Vou dar unas tapas no Potter, para ver se ele acorda. - disse com simplicidade, abrindo a porta.
Gina soltou um grito e pulou por cima do sofá, enquanto Naty fazia o mesmo com os olhos arregalados.
As duas seguraram a índia, que começou a se debater, tentando se soltar dos braços que a prendiam.
- Me larguem. Eu só vou dar uns sopapos no Potter, e não matá-lo - olhou para Gina de modo divertido - ainda!
Gina riu de forma irônica, enquanto fechava a porta da sala com o pé e, com a ajuda de Naty, prendiam May no sofá.
- May, você que não se atreva a aprontar nada. - Gina falou severamente, apontando o dedo para a amiga, que bufou e cruzou os braços sobre o peito.
- Gina, acorda, o Potter não vai se tocar até que alguém faça isso para ele.
Naty riu.
- Ora querida você não acha que ele deve abrir os olhos por conta própria? Tudo bem que até mesmo um cego enxerga melhor que ele, mas... Mas não podemos forç -lo a nada. O tempo dirá por si mesmo. Agora...- dando uma piscadela, pegou a garrafa de vinho e encheu a taça de May e entregou-a, onde a índia aceitou com bom agrado - Vamos fazer um brinde.
Gina girou os olhos e aceitou a taça que Naty também lhe entregou.
- Ao quê- perguntou a ruiva.
Naty se pôs na frente delas e assim deu os ombros.
- Não sei...- ficou pensativa por um momento, antes de, com um sorriso de orelha a orelha, erguer a taça - Um brinde ao Amor - mostrou a aliança em seu dedo - Ao amor que está por vir - olhou para May, que sorriu pelo canto dos lábios - E ao amor que ainda virá.
As três sorriram e fazendo com que as taças se tocassem uma nas outras, emitindo um som estridente de vidro, disseram juntas:
- Um Brinde ao Amor!
Agora, naquele exato momento, Gina se encontrava completamente entediada, sentada numa carteira, observando Snape falar as qualidades e os defeitos da Poção Polissuco.
Naty se encontrava sentada ao seu lado e já se encontrava no décimo sono. Algumas vezes se vira obrigada a chacoalhar a amiga, que começava a roncar, chamando a atenção de alguns alunos.
- Eu quero para a próxima aula três rolos de pergaminho explicando a utilidade do pedaço da pessoa em que quer se transformar usando a poção. - Snape falou, caminhando pela sala, fazendo a capa preta esvoaçar, chegando algumas vezes a bater no semblante de algum aluno.
O sinal tocou e Gina suspirou fundo, como uma prece aos Deuses, enquanto começava a arrumar seu material.
- Naty, acorda. - chamou a amiga, que soltou um resmungo baixinho, antes de coçar o nariz.
- Fred... Só mais alguns minutinhos. - ela gemeu, fazendo Gina rir.
A ruiva se aproximou do ouvido de Naty e, com um sorriso maldoso, sussurrou num tom de voz desesperado:
- Naty, acorda! O Fred ta no meio do corredor no maior amasso com uma guria da Sonserina.
Naty arregalou os olhos azuis e num salto se pôs de pé.
Olhando para a Gina ela exclamou:
- MAS AQUELE RUIVO MALDITO! - pegando a mochila, ela começou a marchar em direção ao corredor.
Gina levou a mão à boca, para segurar uma alta gargalhada.
Passando pela porta da sala de Poções, pôde ver Naty esticar o pescoço a procura de Fred e da tal garota Sonserina.
Pondo-se ao seu lado, Naty virou-se para si e perguntou num tom de voz bastante alto:
- AONDE ESTÁ O MISERÁVEL?
Gina não agüentando mais e começou a rir. Riu tanto que alem de chamar a atenção dos alunos que passavam pelo corredor para si, teve que se apoiar na parede para não cair no chão.
A sua barriga chegou a doer, graças ao ataque de risos, que não tinha fim.
Naty a fitava de modo estranho, enquanto o rosto dela ainda continuava bastante vermelho, graças à explosão de raiva.
Oh, Senhor, Naty era tão inteligente para algumas coisas, mas tão ingênuas para outras.
Com a respiração descompassada, Gina colocou-se de pé, ainda com o peito arfando num compasso rápido.
- Naty, me desculpe - falou, ainda rindo - Mas eu não vi outro jeito para te acordar a não ser esse. - começou a limpar as lágrimas que haviam caído de seus olhos.
Naty, antes que estava com o semblante contorcido em ódio, agora estava ainda mais.
Gina engoliu em seco.
Okay, péssima idéia!
- Você esta me dizendo que...- Naty começou a dizer, num tom baixinho e incrivelmente perigoso - o Fred não estava se agarrando com uma jezebel aqui no meio do corredor?
Gina sorriu amarelo e colocou o seu caderno de anotações em frente ao seu corpo, como se temesse que Naty jogasse-se sobre ela algum tipo de azaração.
- É- falou sem graça.
Naty riu sem humor e sacou a varinha de modo ameaçador.
Gina arregalou os olhos.
Agora ferro, Pensou ao ver a amiga começar a girar o fino pedaço de madeira entre os dedos e olhá-la de modo assassino.
- Gininha, Gininha...- Naty falou com sarcasmo, fazendo a ruiva apertar ainda mais o seu caderno entre as mãos - Você, definitivamente, não deveria me fazer ter um ataque desses. - e com uma risada, Naty apontou a varinha para Gina, que engoliu em seco.
Tudo bem que fora uma brincadeira de mau gosto de sua parte, mas que outro jeito poderia ter para acordar Naty? Ela dormia como uma pedra! E não estava nem um pouco a fim de chamar Snape para ajudá-la a acordar a morena, sendo que os dois se detestam.
Snape sempre fazia de tudo para levar Naty a ganhar uma detenção, mas ela sempre fora mais inteligente e nunca caíra nas armadilhas do professor.
Estreitou os olhos e fitou a ponta da varinha de Naty estendia em direção ao meio de seu nariz.
- Tarantalle...- Naty começou a proferir, mas antes que pudesse dizer sequer mais uma letra, uma luz azul atingiu a sua varinha num novo feitiço e no segundo seguinte esta fora arrancada das mãos da morena.
Gina suspirou aliviada e fez uma nota mental para acender uma vela aos deuses, enquanto abaixava o seu caderno.
Naty arregalou os olhos e olhou para as suas mãos ao ver que sua varinha sumira.
- Nunca falaram para vocês que é proibido brigar no corredor- uma voz grave e rouca veio do fim do corredor, chamando a atenção das duas amigas - Se querem se matar, que não seja dentro de Hogwarts. Façam isso na Floresta Proibida ou no próximo passeio que houver em Hogsmeade.
Gina sorriu para Harry, que tinha numa das mãos a varinha de Naty e na outra a sua própria.
Ele sorria desdenhoso, enquanto começava a caminhar em direção a elas.
Gina teve que se segurar na parede para não cair no chão, graças as suas pernas bambas, ao ver como o melhor amigo, naquele dia, estava lindo.
Harry usava os uniformes de Quadribol, enquanto a vassoura estava presa em suas costas.
- O treino irá começar daqui a pouco, e como vocês não apareciam no Salão Comunal eu mesmo vim procurá-las. - Harry falou, entregando a varinha de Naty a ela, enquanto se dirigia a Gina com um sorriso encantador. - Pronta para ir pro banco de reserva, pimentinha?
Gina piscou os olhos várias vezes, parecendo sair do transe.
O maldito alem de ser tão lindo, ainda tinha a cara de pau de chamá-la daquela maneira que tanto odiava. Pimentinha! Que coisa grotesca. E ainda lhe perguntar se estava pronta para ser a artilheira reserva do time.
Harry podia ser o sonho de consumo de qualquer garota, e acima de tudo o garoto por qual era apaixonada. Mas tinha momentos que a única coisa que ela mais queria era enforcá-lo.
Riu irônica, antes de fazer uma careta, e lançando um olhar mortal a Harry, falou sarcástica:
- E você, capitão, pronto para cair da vassoura e se esborrachar no chão como uma lesma do pântano- Harry passou a mão pelos cabelos rebeldes, antes de soltar uma gostosa gargalhada.
Gina se viu obrigada a trincar os dentes, para segurar a vontade que tinha de beijar novamente a boca de Harry. Sentir a língua dele na sua e aquele corpo - que estava perfeitamente delineado pelas vestes vermelhas e douradas - contra o seu.
Ele se aproximou de si e beijando-lhe levemente a ponta do nariz, antes de sussurrar maroto:
- Não desta vez... Pimentinha! - e antes que a amiga pudesse mandá-lo para um lugar nada agradável, ele deu a volta nos calcanhares e começou a caminhar em direção aos jardins - vocês tem dez minutos para se trocarem e estarem na quadra.
Naty se mantinha calada e olhou para Gina, que ainda tinha os olhos cerrados.
- Você o ama, mas neste momento...
-Eu o odeio. - Gina falou, bufando e balançando a cabeça - Vamos, temos que nos vestir para o treino.
Começou a caminhar e no momento que viu que Naty não a seguia, virou-se para trás e arregalou os olhos ao ver que ela tinha a varinha estendida em sua direção.
- O que você vai fazer- perguntou, vendo a amiga lhe sorrir de modo vitorioso.
- Gina, querida, nunca dê as costas para uma pessoa que quer te acertar com um feitiço - e antes que Gina pudesse sequer respirar, Naty proferiu- Tarantallegra!
Uma vassoura! Duas vassouras! Três vassouras, Gina contava mentalmente, enquanto estava sentada no banco, observando o time de Quadribol da Grifinória treinar.
Tinha seus olhos fixos em Harry, que flutuava o campo em sua Firebolt. Ele às vezes lhe lançava um olhar divertido; um sorriso debochado ou simplesmente o filho duma égua mandava-lhe um beijinho no ar, onde ela respondia com um gesto obsceno com os dedos, fazendo-o rir.
Naty flutuava com graça no ar, percorrendo o campo e, num girar da vassoura, jogou a goles de encontro ao aro, onde Rony não conseguiu defender.
- Concentração, Rony- Harry falou, voltando-se para Naty - Boa jogada.
A morena sorriu agradecida e assim voltou para a sua posição.
Fred e Jorge jogavam os balaços - que foram enfeitiçados para não machucar os jogadores quando os acertava - em direção aos artilheiros, que estavam bastante ágeis, desviando quase sempre de seus ataques.
Gina bufou e pegou a garrafa de água ao seu lado.
Harry não tinha o direito de ter a colocado no banco. Ele sabia perfeitamente que ela era a melhor artilheira, e tirá-la somente para pôr a Jennifer Dinns, uma loira que viva dando em cima dele, era presunção demais.
Jogou a garrafa de água sobre o banco e assim gritou com raiva:
- Potter- o amigo olhou-a do alto - Será que eu posso ensinar para esse loira oxigenada aí como é que pelo menos se segura uma goles? Ela já a deixou cair no mínimo umas sete vezes.
Harry sorriu de modo sem graça e balançou a cabeça, antes de fitá-la de modo divertido.
- Calada- foi a única coisa que ele exclamou, antes de voltar à atenção para uma jogada de Jennifer, que jogou a goles, onde passou longe de Rony, que bocejou de modo provocativo, fazendo Gina gargalhar.
Harry lançou um olhar a amiga, que a fez abafar a alta risada.
- Jennifer, vá para o banco e deixe-me ver como a Pimentinha é boa. - ele falou em alto tom, de modo irônico.
Gina abafou uma resposta nada descente e, colocando a sua vassoura entre as pernas, levantou vôo.
Sorriu com a sensação de liberdade que se aglomerava dentro dela.
Amava voar. Era como se nenhum de seus problemas pudessem lhe atingir. Olhou para as nuvens brancas do céu e teve a impressão que era capaz de agarrá-las.
Harry passou voando ao seu lado e com os olhos verdes brilhando, Gina pôde perceber que ele estava a observando, não como um amigo, mas sim como o treinador do time.
Respirando fundo, virou sua vassoura com tudo e pegou a goles que Naty - que naquele momento era a sua adversária - jogou para o outro artilheiro, no ar.
Dando um giro, deitou-se sobre a vassoura aumentando ainda mais a sua velocidade.
Pôde escutar o som rouco de um balaço sendo atingido e mandando em sua direção e, sorrindo para Jorge, desviou do balaço, posicionando-se abaixo da vassoura, voando de cabeça para baixo.
Harry observou-a, impressionado com a agilidade e a graciosidade que a ruiva fazia os movimentos.
Por fim, Gina voltou a se sentar corretamente sobre a vassoura e assim fez um belíssimo gol em Rony, que a olhou de modo zangado.
- Pense positivo maninho. Eu não sou nenhuma Sonserina- Gina falou, piscando para o irmão e voltando a sua atenção para o jogo.
Voou em direção a Harry e de modo ousado, curvou-se sobre o amigo e lhe sussurrou no ouvido:
- Então capitão, como estou me saindo?
Harry sorriu pelo canto dos lábios, antes de dar um estralado beijo na bochecha da ruiva.
- Perfeita- ele respondeu, afastando-se e sobrevoando o campo.
Gina sorriu satisfeita e assim volto a sua atenção para o treino, que continuou um bom tempo, onde ela conseguiu realizar mais quatro gols com perfeição.
Estava no meio de uma jogada quando, pelo canto dos olhos, observou Harry pousar no chão e desmontar de sua vassoura.
Ele caminhou calmamente até o banco, onde se encontrava Jennifer, e pegou uma garrafa de água. Sorrindo para a loira de modo polido, quando esta lhe falara alguma coisa provocante e ousada, Harry jogou um pouco de água no rosto, antes de abrir a boca e beber o conteúdo restante dentro da garrafa.
Por fim, ele balançou a cabeça fazendo gotas cristalinas espirrarem e as madeixas negras lhe grudarem sobre o belíssimo rosto.
Gina sabia que estava com a maior cara abobalhada do mundo, mas o que poderia fazer, que reação tomar, quando acabara de presenciar uma cena tão perfeita como aquela?
Com o braço estendido, sentiu a goles que segurava ser arrancara de sua mão. Balançando a cabeça, saindo do transe, olhou para o lado e pôde ver Naty lhe sorrir de modo divertido, enquanto girava a Goles em seu dedo indicador.
- Quer- ela perguntou, jogando a goles de um lado para o outro - vem pegar- disse, antes de sair em disparada em direção ao aro onde Rony se mantinha posicionado.
Gina sorriu e começou a perseguir a amiga, que cortava o ar com uma velocidade incrível.
Inclinando-se ainda mais sobre a sua vassoura e segurando-se com mais força em seu cabo, depositou a maior velocidade que poderia conter e ergueu uma sobrancelha ao ver que conseguira alcançar Naty, que segurava a goles debaixo do braço.
- Vamos lá Naty, passa o meu filho pra cá. - exclamou divertida, fazendo a morena soltar uma sonora gargalhada.
- Desculpe, Gina, mas se você quiser o nosso filho, teremos que disputar a guarda no tribunal.
A ruiva riu e, num gesto rápido, voou para debaixo da amiga e num passe rápido, bateu a mão com tudo na Goles que ela tinha em baixo do braço, pegando-a.
- Que tribunal o que, essa criança nasceu de meu ventre. - continuou com a brincadeira, enquanto se aproximava cada vez mais do aro onde o irmão estava.
Naty balançou a cabeça.
- Por isso que ele nasceu tão feio. Pobre criatura!
Gina mostrou-lhe a língua, antes de voltar a sua atenção para Rony, que a olhava de modo desafiador.
Mais um frango maninho, Pensou malvada.
Estava preste a jogar a goles de encontro ao aro, quando sentiu uma forte pontada em seu peito a fazendo parar o ataque no meio do caminho.
Tudo aconteceu muito rápido...
A pontada em seu peito ficou ainda mais forte, fazendo-a soltar um sonoro grito de dor, chamando a atenção de todos para si, principalmente a de Harry que estava ensinando alguns ataques a Jennifer.
Gina sentiu que junto com a dor em seu peito algo se chocava contra sua cabeça, e ela viu que fora acertada por um balaço que um dos gêmeos havia jogado.
A goles escorregou entre seus dedos e começou a cair em direção ao chão, e quando deu por si, Gina escorregava de sua vassoura e também caia. Caia cada vez mais rápido, já começando a imaginar a força que seria a queda.
Fechou os olhos e voltou a gritar de dor.
- GINA- Harry exclamou alto o seu nome, enquanto pegava a sua vassoura, a colocava entre suas pernas e voava com tão rápido quanto a luz, em direção à ruiva, que a cada segundo se aproximava do chão, pronta para uma fortíssima queda.
- Vamos, vamos. - disse nervoso, apertando o cabo da vassoura entre suas mãos.
Não soube o que sentir quando o miúdo corpo de Gina caiu sobre seus braços, por um triz antes de se esborrachar no chão.
A ruiva tinha os olhos fechados e a pele pálida e tão gelada como um gelo.
- Gi, fala comigo. - Harry pediu baixinho, ainda parado no ar, com a amiga em seus braços.
A ruiva respirou fundo e abriu os olhos, fazendo os seus olhos se encontrarem.
Harry sorriu aliviado.
- Har...- Gina iria falar o seu nome, mas um ataque de tosse descompassado a interrompeu, e Harry não pôde conter uma exclamação de horror quando com uma tosse mais forte, uma camada de sangue saiu da boca de Gina, que naquele momento acabara de perder os sentidos em seus braços.
Continua...
